Publicado por: marcelopcarvalho | Outubro 29, 2009

Os 10 melhores filmes que vi recentemente

Estava com este post semi-pronto há algum tempo e agora acabei. Resolvi fazer uma listinha básica dos 10 melhores filmes que vi recentemente. Não é uma resenha; talvez até faça alguma resenha de um ou mais deles mais para frente.

É engraçado, porque tenho certeza que vi outros que na hora achei muito bons, mas por alguma razão, não lembro. Procurei incluir apenas filmes relativamente novos – eu revi recentemente Encontros e Desencontros (Lost in Translation), da Sofia Coppola, tendo a Scarlett Johansson despontando, contracenando magnificamente com o Bill Murray, mas não incluí na lista porque é antigo (de 2003). Mas ficaria fácil no topo da minha lista dos 10 preferidos do momento se fosse recente.

lost in translation

Também, revi por acaso o Sideways, voltando de avião de Berlim. O filme teve um sentido especial nesse momento porque 2 semanas depois eu estava indo pro meu Sideways.

Segue a lista, não está em ordem necessariamente de preferência.

O Lutador (The Wrestler, 2008 – Darren Aronofski). O filme retrata a decadência de um lutador de wrestling (não sei em português), interpretado por Mickey Rourke, que passou na vida real por uma trajetória muito parecida, o que engrandece o filme. De fato, a interpretação dele é magistral, a história é muito verossímil e, talvez por isso, difícil de assistir. Afinal, o medo da decadência sempre existe. A fotografia é sombria, melancólica; o filme tem relativamente poucos diálogos.

Wrestler

Estômago – (nacional, 2007 – Marcos Jorge): mais um ótimo filme nacional, com roteiro bem original e uma interpretação fantástica do ator João Miguel, que é muuuuito bom. Meio comédia, meio tragédia, o filme trata da vida de um nordestino que chega a São Paulo e aprende a cozinhar – e como ninguém. O principal tema do filme é o poder – se as pessoas dependem de você para alguma coisa, você tem poder – na vida há os que devoram e os que são devorados Foi isso que Nonato (personagem do João Miguel), aprendeu.

Estomago

A Vida dos Outros (Das Leben  der Anderen, 2006 – Florian Henckel von Donnersmarck): vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro; obra-prima. Um filmaço mesmo, com uma fotografia belíssima, personagens muito ricos e uma interpretação magistral do ator principal, Ülrich Muhe, que estava com câncer e veio a falecer logo depois. O filme trata do totalitarismo na Alemanha Oriental, no pós-guerra. Talvez faça uma resenha dele depois. Um dos melhores filmes que já vi, com um dos finais mais tocantes que vi.

avidadosoutros

Gran Torino – (Clint Eastwood, 2008): mais uma obra-prima do Clint Eastwood, que se supera a cada filme. Pensei agora: a temática tem muito a ver com O Visitante (ver abaixo), que veio antes. Mas Gran Torino vai bem mais a fundo, está em outro patamar. Imperdível.

Gran torino

Pensando bem, acho que estes foram os 5 que mais gostei.

Os outros cinco:

A Outra (The Other Boleyn Girl, 2008 – Justin Chadwick): um filme com a Natalie Portman e a Scarlett Johansson não precisa de muito mais…mas ele tem. Uma bela história sobre as irmãs Bolena, envolvendo poder e traição no trono inglês, com  um fundo psicológico bastante forte. Um grande filme.

A Outra

O Visitante (The Visitor, 2007 – Thomas McCarthy). O último que vi. Uma história bem atual,  que trata de dois temas. Primeiro, a imigração e a situação dos imigrantes nos EUA pós-11 de setembro; Segundo, da solidão, do propósito da vida e da coragem de tentar mudar as coisas. Um belo filme, bem kafkiano, em que o ator principal, Richard Jenkins, faz a diferença.  Lembrei do texto que escrevi sobre a palestra do Barry Schwartz na TED.

Visitante

A Partida (Departures, 2008 – Yojiro Takita).  Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano, um filme bem pouco convencional, trata de um jovem sem perspectiva, que vai para o interior junto com sua esposa e lá arruma um emprego como maquiador de cadáveres. O emprego é mal visto por todos, mas ele persiste e, com ele, descobre de novo a alegria de viver.

Apartida

Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, 2009 – Sam Mendes). Já escrevi sobre ele – achei excelente, com super atuações do Leonardo di Caprio e, principalmente, da Kate Winslet.  Veja o que escrevi sobre ele.

Coisas que Perdemos pelo Caminho (Things we lost in the fire, 2007 – Susanne Bier) Já escrevi sobre ele, aqui. Halle Barry e Benício del Toro em grande forma.

Frost/Nixon: já resenhei de forma mais completa, aqui.

Menções bem honrosas:

Sangue Negro

Linha de Passe – meu post sobre ele, aqui.

Desejo e Reparação

Obrigado por Fumar – meu post sobre ele, aqui.

O Curioso Caso de Benjamin Button – meu post sobre ele, aqui.

Amores Brutos

Na Natureza Selvagem

Ainda não assisti Bastardos Inglórios. Ufa, esse deu trabalho, haja link e figura!!

 

Publicado por: marcelopcarvalho | Outubro 28, 2009

Sou um dinossauro à beira da extinção?

É assim que às vezes me sinto. Começo mesmo a achar que estou ficando ultrapassado.  E já aviso que vou escrever absurdos que irão contra o censo comum destes novos tempos.

Recomeçando: ultrapassado. Explico: a forma como absorvo informação é incompatível com essa avalanche caótica, compartimentalizada e superficial de mensagens cuja expressão máxima é o Twitter, a ante-sala do grunhido, segundo o Saramago, certamente um dinossauro ainda mais jurássico do que eu.

Sou daqueles que precisa ir a fundo na argumentação de um autor para poder compreender suas hipóteses e seu raciocínio e, mais importante, tentar incorporá-los na minha forma de ver as coisas ou aplicá-los no dia-a-dia profissional, por exemplo. Em livros de negócios, sou daqueles que lêem o rodapé, as notas no final do livro, dou uma passada na bibliografia. Não sou daqueles que vai se contentar com um link que leva à fórmula de sucesso do último empreendedor da internet mundial.

Com esse método quelônico de obtenção de novas informações, vou certamente ficar para trás, perdendo feio para aqueles que se adaptam bem a essa nova realidade em que tudo é repassado na forma de pequenos fragmentos descontextualizados e desconexos (falando mais especificamente do Twitter): dicas sensacionais para os negócios e para a vida pessoal, alguém reclamando de insônia, outro fazendo auto-propaganda, de repente o Millôr escrevendo algo inteligente, uma notícia aqui e ali, um outro tentando emplacar uma frase supostamente inteligente e que possa ser retuitada e ganhar o mundo, um outro ainda deixando todos a par de sua rotina diária, etc. (não que eu seja diferente, o que não quer dizer que não possa criticar, muito pelo contrário…).

É como ficar na frente da televisão durante horas, só mudando de canal, sem realmente ver nada direito. Você ouve o galo cantar, mas não sabe aonde. Talvez nem tenha sido um galo. Não importa – parece que já tem outra coisa cantando.   É assim que me sinto com o Twitter, a nova febre da humanidade, ainda que nem seus fundadores saibam exatamente para que serve e como ganhar dinheiro com isso (aliás, só alguém ultrapassado como eu fica preocupado com essas coisas mundanas – o uso vai aparecer mais para frente, e não interessa ganhar dinheiro, o que vale é criar a  “rede”. Sei.).

Colocando um olhar externo sobre esses tempos, acho que existe um deslumbramento infantil e escapista nisso tudo. É importante estar na moda, fazer o que os outros fazem, e é isso que os outros estão fazendo. As pessoas não param muito para pensar, até porque não adianta pensar sobre algo que está só começando; o futuro é incerto, o que importa é pegar a onda.

Também, as pessoas se sentem maravilhadas com a possibilidade de aparecer para o mundo (só que não dá para todo mundo aparecer para o mundo e daí você vai perceber que aparece mesmo para uns poucos!!), de finalmente dar vazão a alguma coisa que não tinha como ganhar o mundo no universo pré-internet, e o resultado é um tsunami de informações que tornam impossível ter a atenção suficiente para separar o joio do trigo. O Herbert Simon, Prêmio Nobel de Economia, cunhou a expressão “A riqueza de informação cria a pobreza de atenção”. Nada mais correto: é muita coisa, o bom vai se perder no meio de uma imensidão de inutilidades.

Ainda, o fenômeno das redes sociais virtuais pode ser a necessidade das pessoas de fazer parte de alguma coisa, de ser reconhecidas; é também a expressão atual do milenar hábito gregário do ser humano, que vem sendo continuamente achatado nessa sociedade individualizada, e que gera pessoas simplesmente carentes, que precisam de companhia, proteção e aprovação.

É possível que eu esteja errado, e bem provável que esteja exagerando. Há, claro, o lado positivo disso tudo. Só que, neste texto, optei por expressar o lado negativo, ainda que de forma potencialmente exagerada: o objetivo era esse mesmo, visando estimular a reflexão de quem vê a coisa de forma diferente da minha.

Às vezes ser polêmico tem seu valor. O Alvin Toffler (outro paleolítico)  não engole isso de inteligência coletiva.  As massas escolhem errado. Deixa o Chris Anderson ou o Jeff Howe ouvirem isso…Mas o Toffler merece um crédito, afinal “previu” o futuro melhor do que ninguém (ah, mas o Anderson e o Howe criam o futuro! Pode até ser, mas quando a coisa é unânime, fico preocupado…).  Quando li isso do Toffler, eu parei pra pensar na questão.

Voltando ao meu problema inicial. O que me preocupa em relação ao conhecimento é que ninguém vai mais a fundo em nada. As pessoas buscam pílulas de informações que sequer utilizam, porque precisam buscar novas pílulas amanhã. Eu não consigo estruturar um raciocínio decente em cima dessa areia movediça, mas fico com a sensação de que estou perdendo o passo até ser finalmente extinto.

Nesse ambiente, é inconcebível perder tempo, por exemplo, lendo um livro de 800 páginas (no momento, eu estou lendo um livro de 800 páginas…). Imagine quantos posts em blogs e no Twitter eu poderia ler, quantas fotos no Flickr eu poderia comentar e com isso dar a senha para outros comentarem as minhas também, ao invés de ficar preso por semanas em um texto “ineficiente” à la Grande Sertão-Veredas? O mundo lá fora corre e eu lendo um livro de 800 páginas, enquanto circularam pelo menos 15 listas das 10 melhores dicas disso e daquilo!! (e sabe-se lá se alguém realmente vai conseguir implantá-las, ou só está enganando a si próprio e procrastinando, não fazendo aquilo que sabe que precisa ser feito, mas isso é outra história).

(Aliás, o que um defasado como eu diria sobre dicas de negócios? Vá ler o Porter, o Kotler, o Mintzberg, o  Christensen, o Adam Smith…vá direto à fonte, entenda o raciocínio de quem de fato produziu algo que agrega, ainda que, no fundo, você saiba que isso não vá resolver a vida de ninguém).

Mas…e se eu fizer mesmo parte de um mundo em extinção? Será que hoje em dia Grande Sertão-Veredas serve mesmo para alguma coisa, exceto passar no vestibular? Indo mais além, para que serve cultura e conhecimento, se a regra que impera é a superficialidade, a quantidade em detrimento da qualidade, a transitoriedade, o “líquido, do Zigmunt Bauman?  Pra que livros, museus, história, geografia, política, se o namorado da Demi Moore tem mais de 1 milhão de seguidores no Twitter? Quais são os valores que determinarão o sucesso daqui para frente? O que é mais importante – conseguir mobilizar um número enorme de pessoas nas redes sociais, ter seguidores como um Antônio Conselheiro tinha, ainda que você só escreva bobagens, ou ter algum conhecimento, em tempos em que está tudo disponível a um clique, no Google (e depois virão os implantes cerebrais mesmo)?  Boas dúvidas…

Esse texto pode parecer pessimista, mas não é exatamente essa a questão. Talvez a geração mais nova não entenda nada do que escrevi, assim como nunca terão passado um fax ou colocado uma carta no correio. Aliás, sou de uma geração de transição, aquela que ainda tenta pegar o bonde,  mas constata que ele anda cada vez mais rápido. E que ainda acha que o bonde pode estar indo para o lado errado…

Talvez seja este o problema: essas preocupações todas podem ser tão somente uma espécie de canto do cisne, inócuo, que soa indiferente para quem vive perfeitamente bem sem saber onde o galo cantou ou se, de fato, aquilo era mesmo um galo.

PS: A cada dia, eu deixo de seguir determinado número de pessoas no Twitter. Meu principal critério é o número de tuitadas: comecei a cortar os que tuitavam demais. Pensando bem, gosto cada vez mais de seguir aquelas pessoas que nunca tuítam (tem acento?) nada.

Publicado por: marcelopcarvalho | Outubro 24, 2009

Uma semana na Califórnia, com vinhos e velhos amigos

De volta da Califórnia, com muito trabalho acumulado e muito sono (preciso de novas férias).

Como começar? Viajar em 4 amigos da época de faculdade, uns bons anos depois, acaba sendo uma tentativa de resgatar aquilo que já passou. Sim, tem um quê de nostalgia, daquela época em que as responsabilidades eram poucas e as possibilidades, muitas. Por mais que se queira olhar para frente, todas as lembranças são do passado, os caminhos de cada um foram escolhidos também no passado, e é esse passado que se revisita para compreender melhor o presente. O futuro é outra história.

Mas, fui percebendo ao passar dos dias, que é impossível reviver esse tempo: “quer ir a Minas, Minas não há mais”, escreveu Drummond, ou “não se pode entrar duas vezes no mesmo rio, porque não é mais o mesmo rio”, disse Heráclito, lá atrás. As motivações  de cada um são outras, as preocupações também; por mais que o passado quase sempre pareça melhor do que o presente, a vida andou. Pensando lá no fundo, ainda bem!

Também, momentos improváveis como os proporcionados por uma viagem destas revivem velhas arestas que, naquela época, não foram aparadas, talvez por falta de maturidade. Tudo isso, na verdade, significa uma chance de corrigir (não é a palavra certa), ajeitar, ou melhor, azeitar velhas engrenagens que enferrujaram pela falta de atividade. Talvez faça parte da verdadeira amizade justamente  a disposição desse acerto de contas no bom sentido. E, no final das contas, tudo isso reforça os vínculos. Enfim, a viagem acabou tendo um certo componente psicológico que daria um bom roteiro de filme.

Fazendo um resumo bem resumido, de início subimos de carro (uma SUV que parecia um tanque de guerra, bem americana mesmo) de Los Angeles para Monterey pela highway 01, na Costa do Pacífico, em uma viagem de mais de 6 horas, que começa a ficar legal após Santa Barbara (comemos em Malibu, bem meia-boca). Ali, a topografia fica mais ondulada e começam a aparecer os primeiros vinhedos. Aliás, o filme Sideways foi filmado por lá e não no Napa Valley, que acaba sendo a região mais famosa (e com muito mais vinhos).

Cipreste, Monterey, Califórnia

Cipreste, Monterey, Califórnia

Em Monterey, ficamos em um belo hotel, bem no coração da histórica Cannery Row, da época em que a indústria de sardinhas sustentava a região. A Monterey de John Steinbeck (de “As vinhas da ira”) é simpática e muito bem cuidada, valeu a parada. Jantamos na primeira noite (moídos de cansaço) em um restaurante meio pomposo e que não agradou muito (Sardine Factory), com uma carta de vinhos enorme e caríssima (aliás, não espere vinhos baratos por lá…). Mas beleza. Lá perto, em Santa Cruz, fizemos nossa primeira degustação de vinhos, na vinícola Bonny Doon, de um cara meio doido que tenta produzir vinhos do Rhone, e que ficam beeem esquisitos.

No dia seguinte, fizemos a 17-mile drive em direção a Carmel, uma estrada particular que vale a pena, passando por mansões e campos de golfe em uma paisagem realmente bonita, com penhascos e praias margeando o Pacífico. Carmel-by-the-sea é uma espécie de Campos de Jordão muuuito melhorada, realmente bonita, com a diferença que está à beira-mar. Lá, tomamos nosso primeiro bom vinho, um Beaulieu Cabernet Sauvignon 2005 muito equilibrado, apesar dessa safra não ter sido tão boa. Aliás, a Beaulieu, mais conhecida como BV, é uma das pioneiras e tida como a produtora de um dos primeiros vinhos decentes da Califórnia, o Beaulieu Georges Latour Private Reserve.

Depois, fomos de novo para o Sul, para o chamado Big Sur, até a cidade de mesmo nome, uns 60 km de Carmel. A paisagem é seca, escarpada, deserta, sempre tendo o Pacífico como referência. O tempo estava fechando e talvez isso tenha contribuído para nossa impressão, mas para quem está acostumado com a costa do litoral norte de São Paulo e o litoral sul do Rio, o Big Sur não pareceu grande coisa.

A partir daí, rumo norte novamente, em definitivo. Ficamos na cidade de Napa, no coração da região vinícola da Califórnia e dos Estados Unidos.  Pegamos 2 dias de chuva que, pensando bem, não é tão ruim assim se estamos na etapa eno-gastronômica da viagem (só o passeio de balão que teve de ser cancelado, pena). Em Napa, Sonoma e outras cidades da região, encontra-se uma vinícola atrás da outra, a grande parte aberta a degustações com uma boa estrutura para visitantes. Em algumas, é necessário marcar hora; em outras, é só chegar. A um custo de US$ 15-20 por pessoa, degusta-se 5-6 vinhos, e o ambiente é hospitaleiro (genuinamente, ou não). Nos hotéis, há sempre mapas e revistas da região específicos sobre os vinhedos; no Napa Valley, é fácil se orientar: são 2 estradas que cortam o vale de norte a sul, ligadas em vários pontos. As vinícolas estão dispostas ao longo dessas estradas e nas intersecções. Só alegria.

Os destaques foram o Chateau Montelena (em Calistoga),  uma propriedade belíssima, estabelecida em 1882, e que cujo Chardonnay 1973 bateu vários franceses de ponta, na célebre degustação de Paris, de 1976, colocando a Califórnia no cenário de vinhos de qualidade (experimentamos o 2007, muito bom);  a Frank Family, mas há realmente inúmeras outras que valem a pena e que nos foram indicadas, como a Joseph Phelps, Cakebread, Caymus, Pezzi King, Kuleto, Robert Mondavi, Beringer, Stag’s Leap, e por aí vai.

(Aliás, pausa para reflexão: em vários lugares, vinícolas, restaurantes, etc, as pessoas nos parabenizaram pelo escolha do Rio como sede dos jogos de 2016).

Vai uma abóbora aí? Pegamos uma hora de trânsito por causa dessas abóboras.

Vai uma abóbora aí? Pegamos uma hora de trânsito por causa dessas abóboras.

Subimos a Spring Mountain, onde quase ninguém vai, e caímos na Paloma Vineyards, uma propriedade de 6-7 hectares, onde fomos recebidos debaixo de chuva por Barbara Richards, uma senhora simpática de uns 70 anos (Jim, o marido estava trabalhando com as uvas), proprietária da Paloma Vineyard. Diferente de tudo o que vimos lá embaixo, a Paloma é uma empresa familiar, de gente que vive de vinho há décadas e está de certa forma fora daquele frisson que ocorre lá no vale. Ela nos recebeu em sua bela casa e nos serviu seu ótimo Merlot – sem cobrar nada por isso (claro que compramos uma garrafa antes de sair). Detalhe: o Merlot safra 2001 deles foi escolhido o vinho do ano (custando US$ 45!) pela Wine Spectator, atingindo 95 pontos, a maior pontuação na história para um Merlot da Califórnia. E pensar que chegamos lá por acaso…

O segredo do sucesso? O solo e clima, claro, e a colheita feita manualmente, em diversas etapas, pegando só o que realmente está pronto. O olho dela, sem dúvida. Ela conhece cada metro quadrado de seu terreno, é realmente impressionante. Parece conhecer cada parreira pelo nome.

No último dia em Napa, tinha prometido bancar um Gala Dinner. Achamos na pequena Yountsville um bistrô francês, 2 estrelas no guia Michelin, e conseguimos reservar. O jantar estava excelente, a um preço mais do que honesto, e foi lá que tomamos os dois melhores vinhos da viagem, ambos do Russian River Valley, em Sonoma: primeiro, o Pinot Noir Emeritus 2007 e, depois, para nossa surpresa, outro Pinot – Walter Hansen – Cuvée Alyce 2006, que conseguiu a improvável tarefa de ser ainda melhor do que o Emeritus. Foi o vinho top da viagem. E olha que a turma era exigente; um é casado com uma francesa legítima; o outro é especialista em vinhos italianos; o outro, suíço-fake, é só fresco mesmo…haha (eu era o mais fraquinho em termos de vinho).

Na saída do Bistro Jeanty

Na saída do Bistro Jeanty

Ah, em Napa, em uma das noites que o cansaço bateu, resolvemos fazer um queijo e vinho no hotel mesmo. Conseguimos torrar US$ 250 entre vinhos e queijos, mas fomos dormir felizes.

Depois disso, subimos a serra e fomos para o belíssimo Yosemite National Park, uma jóia improvável em meio a aridez da Califórnia. Um rio que corta um vale cheio de pinheiros, penhascos e cachoeiras. Ficamos pouco mais de um dia, e é um local que ainda vou voltar, apesar de já ter ido 2 vezes.

Yosemite Falls

Yosemite Falls

Por do sol no Glacier Point, com o Half-Dome à direita

Por do sol no Glacier Point, com o Half-Dome à direita

Eu em Yosemite Falls

Eu em Yosemite Falls

O final da viagem foi em San Francisco, onde basicamente nos dedicamos a compras (comprei um “gear” fotográfico de ponta) e a conhecer a cidade, mas de leve.  San Francisco é a cidade onde os americanos são menos americanos e, por isso, além dos imigrantes, é a cidade menos americana dos Estados Unidos.

Depois de muito peixe regado a Sauvignon Blanks da famosa Robert Mondavi Winery, além de um pato de pequim acompanhado de um belo Cabernet Sauvigon da Justin Vineyards, de Paso Robles, devo dizer que o destaque gastronômico foi a Swan Oyster Depot, uma peixeira fundada em 1912, de uns 3 metros de largura, com um balcão de 20 lugares, que tem um atendimento fantástico e serve ostras e diversos pratos à base de mariscos, crustáceos e peixes impecavelmente frescos. Um lugar simples, barato, com fila na rua, e simplesmente magnífico. Um must, sem dúvida, que mostra que as coisas boas da vida não precisam ser sofisticadas ou caras. O resumo do Frommers diz tudo:

“Turning 96 years old in 2008, Swan Oyster Depot is a classic San Francisco dining experience you shouldn’t miss. Opened in 1912, this tiny hole in the wall, run by the city’s friendliest servers, is little more than a narrow fish market that decided to slap down some bar stools. There are only 20 or so stools here, jammed cheek-by-jowl along a long marble bar. Most patrons come for a quick cup of chowder or a plate of oysters on the half shell that arrive on crushed ice. The menu is limited to fresh crab, shrimp, oyster, clam cocktails, a few types of smoked fish, Maine lobster, and Boston-style clam chowder, all of which are exceedingly fresh. Note: Don’t let the lunchtime line dissuade you — it moves fast”

Swan Oyster Depot

Swan Oyster Depot

Foi um final digno para uma viagem para ficar na memória. É isso aí, valeu a viagem, cujas fichas vão caindo aos poucos!

PS: agradeço as dicas da Giselda e ao Paulo, do blog Nosso Vinho, por ter me indicado a Giselda!

San Francisco, vista da Lombard Street

San Francisco, vista da Lombard Street

Publicado por: marcelopcarvalho | Outubro 9, 2009

Going to California

Chegou o dia. Nessa sexta, 09/10, vamos fazer uma viagem inédita. Apesar das várias viagens neste ano, esta é a única de férias mesmo (bem, teve uma semana no Pantanal).

Mas o ineditismo não está aí (ainda bem). Quatro ex-colegas de faculdade, que moraram na mesma república, em Piracicaba, se reúnem 20 anos depois para fazer uma espécie de mid-life trip, a la Sideways. Vamos desembarcar em Los Angeles, subir pela Highway 01, passando por Santa Bárbara (região onde foi filmado o Sideways), chegando a Monterey, onde ficaremos dois dias (Carmel, etc).

Depois, seguimos para o Napa Valley, onde ficaremos mais dois dias visitando as vinícolas. Já contratamos um passeio de balão e lá faremos nosso Gala Dinner, sob minha responsabilidade.  Depois de tanto vinho, subimos a montanha e vamos ficar mais dois dias no Yosemite National Park, que já conheço, mas que nunca vou me cansar de ir. E, finalmente, terminamos com dois dias em San Francisco!

Vou tentar atualizar o blog de lá. A ideia é fazer uma espécie de diário de bordo…mas não garanto. Na pior das hipóteses, escrevo depois, com várias fotos!

Até lá!

Publicado por: marcelopcarvalho | Outubro 2, 2009

Rio 2016: o mundo definitivamente aposta no Brasil

O Rio de Janeiro levou as Olimpíadas de 2016. Ganhou de Chicago (Estados Unidos, maior economia do mundo), Tóquio (Japão, segunda maior economia do mundo) e Madri (Espanha, nona no ranking).

A escolha das sedes olímpicas vai muito além do fato esportivo em si, tanto que os líderes dos quatro países estavam presentes, buscando sensibilizar os membros do COI para suas candidaturas. Como um cheque em branco, o país escolhido recebe um enorme voto de confiança para realizar o principal evento esportivo (e cultural) mundial.  Se esse cheque vai para países desenvolvidos, que já realizaram outras Olimpíadas, esse cheque em branco tem pouco risco de apresentar surpresas; dá-lo, porém, a um país emergente, a uma cidade carregada de problemas e sem a infra-estrutura adequada, ou é uma irresponsabilidade coletiva dos membros do COI, ou é a prova definitiva de que o mundo está vendo o Brasil de outra forma, ainda que muitos de nós não tenhamos a mesma visão. Prefiro apostar na segunda hipótese. Já tinha, inclusive, escrito sobre isso: O Brasil já é visto como potência.

A escolha do Rio como sede das Olimpíadas é parte de um processo de diluição do poder econômico e político entre novos atores. Pequim 2008 também foi parte desse processo em que o mundo reconhece cada vez mais que o crescimento econômico virá da periferia e não do centro do capitalismo, como de costume. É a era dos BRICs, e o Brasil é central nesse processo, constituindo-se em um pivô regional relevante e estratégico em diversas variáveis que serão fundamentais no tabuleiro de forças do futuro, principalmente na questão ambiental e na produção de alimentos. Alguns países emergentes mudaram de status no cenário mundial: a percepção de risco diminuiu; suas moedas se valorizaram frente ao dólar e mesmo frente a outras moedas fortes; passaram a ser ouvidos em assuntos mais estratégicos.

Claro que há o outro lado da moeda, e que não pode ser ignorado. Os investimentos serão significativos (porque não investir em educação, saúde, segurança?); há sempre a suspeita de desvio de verbas, a farra com o dinheiro público; haverá uso demagógico dessa conquista; o Brasil não é uma potência olímpica; as obras se tornarão elefantes brancos após os Jogos, e por aí vai.

Tudo isso pode ser verdade, ou não. Cabe ao Brasil mostrar que pode dar conta do recado e que esse reconhecimento mundial é justo e acertado. Estaremos nos holofotes, afinal o Rio venceu “na marra”: pode ter um bom projeto, mas está tudo ainda por fazer. Em que pese o carisma do Lula, o trabalho do COB e o fato do Brasil estar na moda, o fato é que recebemos um enorme voto de confiança.

Nesse sentido, terá de haver transparência na prestação de contas e a imprensa terá um papel fundamental nisso. Terá de haver investimentos para amenizar os problemas crônicos da cidade. Será necessário fazer investimentos no esporte de base para não fazermos um papel secundário nos Jogos.

Uma coisa é clara: a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 é a prova evidente de que o Brasil é a bola da vez, ou uma delas. O cavalo está passando arreado e é a nossa chance de aproveitar. Talvez tenha chegado a vez do eterno país do futuro virar do presente.

Mas, alto lá. Até agora, pelo menos no que se refere aos Jogos Olímpicos, o marketing foi bem feito; mas o trabalho só começou. É preciso entregar o prometido. As expectativas são altas e agora vem a hora da verdade. Se a lição de casa for feita, Rio 2016 terá um saldo positivo para o país, podendo significar o carimbo de “aprovado” em nosso passaporte para o futuro. Se não…

rio2016

Obs: O La Nación, da Argentina, falou a mesma coisa que eu – destaco o trecho final:

“Lejos de leerse como un hecho aislado, la obsesión que el gobierno brasileño mostró por los Juegos Olímpicos debe interpretarse como una actitud de un país que aún con su compleja problemática social, actúa como potencia y pretende que así sea percibida en el campo internacional. No faltará la oportunidad: en el 2014 y 2016 el mundo tendrá sus ojos puestos en Brasil”.  

PS: No Twitter – se o Lula fosse bom mesmo, traria para o Brasil as Olimpíadas de Inverno. São Roque 2018!!!

Publicado por: marcelopcarvalho | Outubro 1, 2009

Amigos improváveis. Ou não.

Começou em Madri, em abril.

Éramos palestrantes do mesmo evento e, no jantar de gala, tivemos de sentar à mesa dos palestrantes, seguindo o protocolo britânico da empresa (britânica) que organizava o evento.

Após o jantar de gala, que terminou por volta das 23 horas, achei que estava cedo para voltar com os demais participantes ao hotel e propus aos três uma volta noturna por Madri. Eu e o Rick já tínhamos dado nossas palestras, enquanto o Geoff e a Esther teriam que palestrar no dia seguinte cedo. Mas toparam. Fomos e vagamos pelo centro antigo de Madri por umas 2 horas, voltando depois ao Westin Plaza, onde estávamos hospedados.

Chegando lá, vendo a noite se acabar, propus brindarmos com um Xerez, que nunca haviam tomado. Paguei uma rodada e lá ficamos mais 1 hora, ou mais. E foi isso.

Cinco meses depois, Berlim. Semana passada. Os quatro reunidos novamente. Rick, o americano de ascedência húngara, vice-presidente executivo de uma empresa; Geoff, inglês, editor de uma revista especializada; Esther, francesa, analista de mercado de uma consultoria inglesa, e eu.

De novo, após o expediente normal de jantares e compromissos noturnos que acabavam antes da nossa noite, saímos para conhecer a “night” de Berlim. Em um dos dias, eu havia ido a outro jantar, quando, lá pelas 23:30, a Esther me ligou perguntando onde eu estava, que iriam me buscar…e vieram. Fomos parar na famosa (eu nunca ouvira falar) Oranienstrasse, na Berlim ex-oriental.

Estava bem vazia e decadente, uma gente estranha, góticos e prostitutas nas ruas, nada se compara à noite brasileira de qualquer forma. O melhor que achamos foi um bar indiano semi-vazio com um garçom paquistanês com o qual tivemos uma conversa improvável, no início da madrugada, tomando uma caipirinha de Pitu. Muito ruim, por sinal, mas estava valendo.

Apesar da boemia, todos os dias de manhã estávamos lá no evento e nos compromissos. Em um dos dias, eu e o Rick tínhamos um café da manhã com mais 5 ou 6 pessoas (as 7 da manhã, em outro hotel!) para discutir o posicionamento do setor na Conferência do Clima em Copenhague.  Ninguém merece, mas comparecemos. A condição velada para ficar até tarde era não deixar a peteca cair. Apelou, perdeu.

Eu não sou muito noturno nem boêmio, mas quando você está longe de casa, em um lugar diferente, acontecem coisas estranhas. É como se você criasse um hiato na sua vida e ficasse ali, por alguns dias, vivendo outra coisa, com outras pessoas. Talvez longe das restrições pessoais e profissionais, as pessoas podem ser mais elas mesmas nessas ocasiões, ou o que gostariam de ser. Sei lá.

No jantar de gala do evento, havia um grande painel onde um artista pintou em 2 horas um belo painel quadriculado, com cerca de mil quadrinhos vendidos por 5 euros cada. Como o clima era de festa e todo mundo havia bebido um pouco ou muito, as mil peças foram vendidas rapidamente (o cara faturou 5 mil euros pintando um troço que foi picado em mil partes e que você compra e depois se pergunta porque fez aquilo! Isso é que é arte..!).

Compramos 4 pedaços que formaram um quadrado e firmamos o compromisso de, nos próximos eventos, caso nos encontremos de novo, levarmos cada um a sua parte, como que simbolizando o nosso grupo, já veterano de duas batalhas.

O Rick perguntou a Esther o que havia nos unido, considerando as idades e origens distintas (e língua, no meu caso; a Esther é half-english, half-french). Para ela, foi a fala do Geoff, em sua palestra em Madri, em que disse que não saberia como seria a palestra porque estava sob os efeitos do passeio da noite anterior, guiado por um americano e um brasileiro loucos. Acho que ela tinha razão. O Geoff é mais velho, fala pouco, é observador, mas quando fala, é preciso. Também, talvez o que nos uniu foi o fato de cada um estar procurando naquele grupo alguma coisa, ainda que essa coisa não fosse algo explícito para ninguém. Ou quase isso.

Terminado o evento, cada um foi para sua casa. De Madri a Berlim, não trocamos um email sequer. Acredito que não será diferente agora.  Talvez nos encontremos novamente, por aí. Talvez não. Pelo sim, pelo não, vou levar meu pedaço do quadro.

Pensando bem, 5 euros ficou de graça para consolidar os momentos improváveis que passamos juntos.

Geoff, Rick, Esther e eu

Geoff, Rick, Esther e eu

Publicado por: marcelopcarvalho | Setembro 29, 2009

Minhas fotos preferidas em Potsdam

Postdam fica a uns 25 minutos de trem de Berlim e é Patrimônio Histórico da Humanidade, com seus diversos castelos e jardins. Segundo a Wikipedia, Potsdam é capital federal do Estado de Brandemburgo e tem 146.000 habitantes. Eu fiquei com essa cidade na cabeça depois de conhecer um casal de alemães no Pantanal, que me disse que eu tinha que dar um jeito de ir para lá durante minha estadia em Berlim.

A agenda estava apertada e o único jeito de ir (tirando o domingo que usei para conhecer Berlim) seria matar algum período do congresso em que estava. O dia todo – que seria o ideal – não dava. Mas meio período seria possível. Peguei uma tarde que não traria nada de interessante e tomei o trem para Potsdam.

Na verdade, ao chegar à estação, sem ter passagem, dei de cara com o trem dizendo “Potsdam” e todo mundo entrando. Era pegar ou largar, e talvez ficar tarde demais para ir. Perguntei a uma menina se tinha como comprar a passagem dentro do trem e ela me olhou como se eu tivesse vindo direto de Marte. “I Don´t know…you can try”, ela disse, meio que rindo. Eu “traiei”, mas não rolou, também ninguém me cobrou e cheguei lá como clandestino, mas com o firme propósito de comprar uma passagem retroativa e compensar minha “gersada” talvez tipicamente brasileira.

Eu tinha pouco tempo e tinha de ser eficiente para conhecer o essencial e fotografar. Ao chegar à cidade, demorei uns 20 minutos para conseguir me movimentar. Vi um cara que deveria ser um guia turístico e pedi informações básicas. Ele me deu um guia da cidade (utilíssimo), me indicou quais linhas de ônibus tomar e o melhor roteiro para quem tem apenas 3 horas para conhecer a cidade. Até aí, tudo indo 100%. Quem tem boca vai a Roma – nesse caso, a Potsdam.

O problema é que Potsdam fica na ex-Alemanha Oriental: as pessoas simplesmente não falam inglês (os mais velhos devem falar alguma coisa de russo),  e eu não falo alemão. Ou seja, a comunicação foi complicada até que uma alma bondosa (os mais jovens – alguns – falam inglês) resolveu me ajudar e me explicar o que o motorista do ônibus tentava me dizer: ele não tinha troco e eu deveria comprar a passagem do ônibus lá dentro da estação, e que ele me esperaria (e todos os demais passageiros idem) caso eu fosse rápido. Corri para a estação e, no guichê, a mulher me explicou: “Sua passagem de Berlim para cá vale para os trajetos de ônibus em Potsdam, você não precisa comprar”. Tive que confessar o crime: “É que eu vim sem passagem…”. “Ohhh…”, disse ela.

Resolvido o caso e tendo comprado a passagem de ida, de volta e tudo o mais, voltei ao ônibus e fui aceito pelo motorista. Tudo o que eu precisava fazer agora era validar meu ticket na máquina – mas tentei fazê-lo na máquina errada – para o olhar incrédulo de todos os passageiros. O fato é que você paga esses micos ao ir para lugares novos. Solte-os em Mombuca e aposto que não chegarão nem em Charqueada.

Além do charmoso centro histórico e dos lagos (estes não visitei), Potsdam tem como principal ponto o Parque Real de Sanssouci, com seus castelos em vários estilos: o Palácio Novo, barroco e que foi o Palácio Real da Prússia; o Schloss Charlottenhof, neoclássico; o Orangerie, renascentista,  e o mais famoso, o Sanssouci, no melhor estilo Rococó e que foi construído para o rei Frederico o Grande desfrutar da vida sem preocupação (“Sans souci”). Tem também a casa de chá chinesa, obviamente com influência chinesa.

Postdam tem importância histórica ao ter sediado a Conferência de Postdam, em 1945, quando Stalin, Churchill e Truman decidiram o que fazer com a Alemanha rendida na guerra. Consta que foi ali que Truman decidiu jogar as bombas atômicas em Hiroshima e Nagazaki. Este foi também o último encontro dos aliados da Segunda Guerra Mundial – depois disso, a distância entre União Soviética e Estados Unidos só se fez aumentar, culminando na Guerra Fria, cujo auge se deu nas décadas de 60 e 70.

Abaixo, algumas fotos que gostei da minha curta mas proveitosa estadia em Potsdam. Eu realmente gosto de fazer essas coisas nas minhas viagens.

Esculturas bem dramáticas no Novo Palácio

Esculturas bem dramáticas no Novo Palácio

Fora do caminho; tirada do terraço do Schloss Charlottenhof

Fora do caminho; tirada do terraço do Schloss Charlottenhof

Na escadaria do romântico Castelo renascentista Orangerie

Na escadaria do romântico Castelo renascentista Orangerie

Ainda no Orangerie. Gostei muito dessa foto, não sei exatamente porque.

Ainda no Orangerie. Gostei muito dessa foto, não sei exatamente porque.

Passado, presente e futuro no Sanssouci. E eu dando uma de paparazzi.

Passado, presente e futuro no Sanssouci. E eu dando uma de paparazzi.

Nos fundos do Sanssouci.

Nos fundos do Sanssouci.

Nas belas vinhas dos terraços do Sanssouci

Nas belas vinhas dos terraços do Sanssouci

 

E um pouco do novo...

E um pouco do novo...

 Tem tantas outras…aos poucos vou colocando no Flickr

Valeu a pena, não? Uma boa foto deve liberar alguma dose de endorfina e nos faz sentir melhor…

Publicado por: marcelopcarvalho | Setembro 26, 2009

Andando em Berlim (vídeos incluídos depois de publicar)

o rio Spree, visto do Monumento à Vitória

o rio Spree, visto do Monumento à Vitória

Acabei de voltar de Berlim, onde passei uma semana participando de dois congressos. Tive muito pouco tempo livre, mas deu para pegar um pouco da cidade e fotografar.

Antes de tudo, Berlim tem uma história recente própria e ainda muito presente em função do Muro, que dividiu a cidade entre 1961 e 1989. Talvez pelo passado sombrio, a cidade hoje transpira uma intensidade que vi em poucos lugares. Os 3,5 milhões de habitantes parecem a cada momento celebrar a reconquista que significou a reunificação da cidade (e do país), que foi dividida ao meio após o final da segunda guerra mundial (o muro veio depois), sendo o símbolo máximo da Cortina de Ferro e da Guerra Fria. [PS: um alemão me disse que o que de fato unificou o país, o que significou a prova definita da nova Alemanha (ou da velha), foi a Copa do Mundo de 2006. O futebol, sempre...]

Postsdammer Platz, no domingo da maratona de Berlim

Potsdamer Platz, no domingo da maratona de Berlim

E, como não podia deixar de ser, Berlim carrega o peso da guerra e das barbaridades cometidas pelos nazistas, cujo quartel general ficava lá mesmo. Além do belo Memorial ao Holocausto e respectivo museu, há também o Museu Judeu.

Um dos pontos altos da semana foi o jantar de gala do evento, realizado no Hangar 2 do velho aeroporto Tempelhof, no centro de Berlim e que foi efetivamente o principal aeroporto alemão na segunda guerra. As luzes se apagaram e foi passado um vídeo sobre a reunificação do país contado ao vivo por um narrador. Ao final, cai uma cortina, como se fosse um muro, e lá estão todas as mesas esperando pelos mais de 1.000 convidados. Bem emocionante, principalmente depois da fala do chairman do evento, ele mesmo nascido na Alemanha Oriental e que tinha 33 anos quando o muro caiu. Esse é um daqueles exemplos de que só quem viveu sabe o que significa. Mas dá para imaginar o que é, de repente, um muro separar uma cidade e uma cerca cortar ao meio um país.

Veja aqui um vídeo legal sobre a reunificação das Alemanhas e a queda do muro. Emociona.

Domingo de sol, perto da Categral de Berlim

Domingo de sol, perto da Catedral de Berlim

Aliás, notei que uma das partes mais interessantes da cidade (embora certamente menos bem cuidada na época), ficava na Berlim Oriental: o centro histórico, com a ilha dos Museus e a maior parte dos canais – li que Berlim tem mais pontes do que Veneza e mais canais do que Amsterdam.

Coisas que vale a pena fazer em Berlim

No primeiro dia em uma cidade nova, eu gosto de andar, sem perder muito tempo dentro de museus, shoppings, etc. Nesse dia, absorvo o espírito da cidade e depois vem o resto. É o momento de entender a cidade. E Berlim é ótima para caminhar, além de ter um sistema de metrô bem decente e completo.

Meu hotel ficava no final da Kurfürstendamm, uma espécie de Oscar Freire local. Era um hotel pequeno, novo, meio tecno, mas gostei. A atmosfera ali é a melhor possível, com vários restaurantes de bom nível com mesas ao ar livre e as lojas de grife de sempre.

A Kurfürstendamm à noite

A Kurfürstendamm à noite

Ali na Ku Damm, como é chamada a avenida, eu pegava o metrô estação na Adenauerplatz, a uma 5 quadras, e dali ia para o centro: Postdamer Platz, onde tudo começa e onde hoje o que se vê são edifícios futuristas como o Sony Center. Perto dali, a uns 500 metros ao sul está a Topografia do Terror e uma longa seção do Muro. Ali era o quartel general da Gestapo e hoje basicamente há ruínas e um painel de fotos relatando as barbaridades do nazismo.

Achei o vídeo abaixo sobre Berlim após a Segunda Guerra. O vídeo começa no portão de Brandemburgo e vai em direção ao Leste, pela Unter den Linden, avenida que percorrei a pé. Talvez para mim seja diferente porque estive lá na semana passada, mas vejam se não é emocionante pensar que há menos de 70 anos a cidade estava assim:

Saindo de Postdamer Platz para Norte, mais uns 500 metros e passa-se pelo Memorial do Holocausto, que consiste de 2711 blocos de concreto, simulando túmulos de alturas variáveis, formando uma espécie de labirinto em que é impossível não brincar. Um jeito ao mesmo tempo sério e divertido de lidar com a história por trás do memorial, cujo museu vale a pena ver também.

Igreja destruída pela guerra, no início da Kurfürstendamm

Igreja destruída pela guerra, no início da Kurfürstendamm

Logo após, chega-se ao cartão postal de Berlim: o Portão de Brandenburgo com a escultura da quadriga de cavalos que foi roubada por Napoleão quando da invasão francesa e remontada em Paris em sinal de humilhação aos alemães.

Ao lado do Portão, ao Norte, o austero prédio do parlamento, o Reichstag com sua cúpula de vidro que parece ser um must, mas que não consegui ir por causa da fila e de outras prioridades. Quem foi disse que vale a pena. O Reichstag fica às margens do rio Spree e, do outro lado dele, o complexo que (acho) faz parte do parlamento e que é chamado de “washing machine” (veja abaixo porque).

Washing machine

Washing machine

A partir daí, pode-se tomar dois caminhos. O primeiro é virar a esquerda a caminhar pelas margens do Spree, dentro do Tiergarten, um enorme jardim público (mais parece uma floresta) de quase 300 hectares em pleno coração de Berlim, que se pode ter uma ideia melhor do que significa ao subir no momento à Vitória. O que se vê nesse caminho são gramados e encostas cheias de pessoas e alguns bares onde se toma uma bela cerveja alemã vendo os infindáveis barcos de turistas passando pelo rio Spree.

A outra alternativa é pegar a direita e entrar de vez no que era a Berlim Oriental (o muro passava bem ali, no Portão de Brandenburgo). O ponto final é Alexanderplatz, que ficou famosa pelo filme do Fassbinder, mas antes dela há a catedral e a ilha dos museus. O Pergamonmuseum vale a pena (não tive muito tempo de visitar os museus, só tive 1 dia livre e optei por caminhar e fotografar). Tive a sorte de estar lá no dia da maratona, que contou com 40 mil pessoas e o tempo, perfeito, daí minha preferência pelos locais abertos. Outro museu que parece valer apena é o DDR, que mostra como era a Alemanha Oriental no auge da Guerra Fria.

Uma dica final: Berlim é plana e é ótima para se pedalar. É fácil alugar uma bicicleta e as vias para ciclistas estão em todos os lugares, nas amplas calçadas da cidade. Talvez essa seja a melhor maneira de conhecer Berlim para quem não precisar parar a cada 10 metros para fotografar.

Canais do rio Spree, no centro histórico

Canais do rio Spree, no centro histórico

Outra dica, antes que me esqueça. Se você tiver tempo, pegue um trem e vá para Postdam, a 15 minutos da estação Charlottenburg, que era do lado do meu hotel. É uma cidade vizinha, histórica, onde Churchill, Stalin e Truman decidiram o que fazer com a Alemanha no pós-guerra. A cidade é charmosa, cercada de belos lagos e castelos. Eu só tive uma tarde (na verdade, fugi do congresso em um dia chato) e me concentrei no parque Sanssouci, com o belo palácio que tem o mesmo nome. Mas as fotos de Potsdam eu coloco em outro post.

Não comprei nada por lá. Só trouxe mesmo as fotos, minhas impressões e lembranças especiais, como o jantar no Petrocelli, no último dia. E paro por aqui…

Monumento ao Holocausto com o Tiergarten ao fundo

Monumento ao Holocausto com o Tiergarten ao fundo

Publicado por: marcelopcarvalho | Setembro 15, 2009

Minha definição de sucesso

O Washington Olivetto diz que sucesso é poder ser amigo de seus ídolos. Eu acho que pode ser por aí mesmo. Com variações.

Na minha visão, sucesso é poder escolher para quem dedicar seus melhores esforços. É, em última análise, ter a liberdade e a autonomia de dizer “não” quando simplesmente não vale a pena dizer “sim”. E se esse “não” comprometer o negócio ou a carreira, ter a confiança e a persistência de achar uma alternativa. Sucesso é ir poder dormir tranqüilo ao tomar uma decisão que, a princípio, pode te prejudicar, mas mantém intactos os seus valores. Já passei por várias destas decisões dolorosas. Arrependo-me só das que fui contra mim mesmo. Sucesso não é dar uma de Nelsinho Piquet…

Sucesso é não se submeter ao mundo. É perguntar porque não?, e não simplesmente repetir padrões que alguém lá atrás impôs. Sucesso é colocar a empresa a serviço da sua causa, da sua vida, não o oposto. E sei o que estou falando: já fiz o oposto, e não funcionou…

Sucesso é você criar relações comerciais com pessoas que você admira pelo que fazem e pelo que são. É poder ajudá-las em seus projetos e saber que elas também te ajudam nos seus porque acreditam em você. É ser respeitado pelo que você é, e não pela empresa que carrega seu nome no cartão de visitas, ou pelo cargo que ocupa. Ou mesmo por suas realizações passadas. Só pelo que você é. No final, negócios são feitos por pessoas.  

Como algo que flutua na correnteza e que sempre vai parar no lugar que precisa parar, independentemente da sua vontade, percebo que só consigo produzir por uma causa que considere válida. Ou por pessoas ou empresas que considere dignas. Meu talento, pouco ou muito, não está a serviço de qualquer um. Sou seletivo, assim fui e assim vou continuar sendo. Nunca vou ser unanimidade, nunca ganharei eleição alguma. Há um preço a se pagar, mas o que não embute um preço a se pagar? A questão é escolher o que você está disposto a pagar: qual é a moeda que realmente vale para você. Pensando bem, acho que só me relaciono com pessoas e empresas que considero valerem a pena, cada uma por sua razão (não financeiras; isso é conseqüência). Talvez o Washington tenha razão.

Por outro lado, procuro achar valor nas pessoas. Aprendi a ser humilde a ponto de não fazer pré-julgamentos. Pelo menos, tento (sou humano…). Admiro pessoas que são absolutamente incompatíveis entre si. E sou amigo delas. Genuinamente. Não as admiro incondicionalmente; sei entender seus argumentos, suas fraquezas, seus motivos. São menos dignos do que os meus? Não tenho essa pretensão. Não sou dono da verdade. 

Acho, enfim, que sucesso é poder ser você, sem máscaras, e conseguir ir frente assim (ou apesar disso, para os mais realistas). Sucesso é ser você e encontrar um jeito do mundo te aceitar desse jeito.

Publicado por: marcelopcarvalho | Setembro 15, 2009

Será que um dia vou tirar uma foto assim?

lisa

Perfeita. Se fosse de um grande fotógrafo, seria aclamada.

Peguei no site da National Geographic. Enviada pelos leitores. Alguém duvida da inteligência coletiva da internet? Do talento que existe por ai e que não aparece pelos canais tradicionais?

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