Outro dia, voltando de uma viagem ao exterior, cansativa, minha mala não chegou. Dois dias depois, um companheiro de viagem me ligou, querendo saber se a mala havia chegado e se eu tinha conseguido cumprir meus compromissos naquele dia que havia começado errado: precisava trocar de aeroporto e ir para outra cidade dar uma palestra, e nada do raio da mala.
É difícil alguém se prestar a esse tipo de delicadeza hoje em dia. Ou, talvez, eu ache difícil porque raramente o faço, sempre imerso nos meus compromissos, emails, pendências da vida que estão sempre me esperando, me pressionando (ou eu é que me pressiono?). Acabo dando menos atenção do que deveria para coisas do dia-a-dia e que são importantes para a criação de laços sociais e afetivos.
Diante desse fato que me proporcionou uma reflexão importante, resolvi dar um presente a ele. Comprei um CD de jazz, do Hot Club de Piracicaba (excelente, por sinal), cidade onde moro.
Ter dado o presente me fez sentir uma pessoa melhor. Ganhei o dia. O significado da vida também é constituído dessas pequenas trocas afetivas do cotidiano. Talvez minha única resolução de ano novo seja, em 2009, dar mais atenção a elas. O resto virá por conseqüência.
