
Se existe um livro que tem uma influência decisiva naquilo que fiz nos últimos 10 anos – e provavelmente no que vou fazer daqui para frente – é “Dedique-se de Coração”, escrito pelo cara que tornou a Starbucks o que ela é hoje. Apesar de não ter sido o fundador, Howard Schultz foi quem viu o potencial do negócio, acreditou no sonho, largou tudo, foi lá e realizou. Não é qualquer um que faz isso.
Comprei o livro em uma manhã de um sábado qualquer, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. Não é essa Livraria Cultura de hoje, mas aquela bem mais acanhada, de 1999. Curioso: nesse mesmo dia, comprei outro livro de enorme impacto naquilo que fizemos depois. Há dias que, sem aviso prévio, são marcantes em nossa vida… Trata-se de “Economia da Informação”, de Carl Shapiro e Hal Varian. O do Schultz eu havia lido uma crítica legal na Exame; o do Shapiro e Varian, foi por pura sorte. Ou intuição: peguei o livro, olhei o jeitão, a contra-capa, e pensei: “tenho que comprar esse livro hoje!”. Mas isso é para outro post…
O fato é que a narrativa do “Dedique-se de Coração” é inspiradora, a começar pelo título. Existe paixão no texto do Howard Schultz, você embarca no sonho dele e vira cliente e fã da Starbucks sem nunca ter entrado em uma loja.
Comigo, foi assim. Acho que a primeira Starbucks que entrei foi em Winnipeg, no Canadá. Talvez tenha sido em outro lugar, mas me lembro dessa, que ficava na rua do super hotel que fiquei por acaso e pagando pouco, o The Fort Garry. Pensando bem, acho que foi essa mesmo.

Fort Garry Hotel, em Winnipeg
Ao entrar na loja (o café da manhã do hotel era caríssimo…), foi uma espécie de deja-vú e ao mesmo tempo de reverência. Acho que ninguém sabe: mantive o livro por vários anos na cabeceira da minha cama. Nós muitos momentos em que pensei em desistir do negócio em suas fases iniciais (que atire a primeira pedra que empreendedor nunca teve de enfrentar esse fantasma, quando analisava racionalmente sua situação), antes de dormir, olhava o livro e me renovava – ou me iludia, que fosse, o efeito foi o mesmo. Dei o livro de presente a várias pessoas – aliás, se você der esse livro para alguém e essa pessoa adorar o livro e ler até o fim, muito provavelmente se trata de um empreendedor em potencial; caso contrário, o livro não o tocará.
Por isso, ao pedir um simples café sempre que entro em uma Starbucks, ainda que não explicitamente, estou prestando uma reverência quase religiosa ao Howard Schultz e ao ícone que ele criou – e que me guiou nesses anos todos. Ninguém faz nada sozinho; e um pouco daquele pouco que ajudei a fazer teve a influência desse livro.

A primeira Starbucks a gente nunca esquece...ok, o W. Olivetto merece essa
