Publicado por: marcelopcarvalho | janeiro 17, 2009

Uma tarde no Campo dei Fiori, Roma

Passei uma semana em Roma, a trabalho. Foi há alguns anos. Fiquei no Lancelot Hotel, um hotelzinho charmoso, escondido na via Capo D´Africa, perto do Coliseu e do Fórum Romano. Ficava a 10 minutos do prédio da FAO, na via Terme de Caracalla, e ir todas as manhãs para a FAO era em si um prazer: cruzava, quase sempre sozinho, o Parque Ninfeo di Nerone, passando por vielas desertas e cheias de história.

Roma é uma cidade especial, com toda a sua história e sua latinidade presente em cada canto. Logo que cheguei, andei horas a pé pelo centro da cidade, meu primeiro contato com ela. Era verão, agosto, fazia calor. A cada esquina, a cada ruela, uma surpresa. A cada passo, absorvia o ambiente da cidade a ponto de, logo, me sentir em casa. Nunca havia me sentido assim em nenhuma outra cidade.

Andando meio que a esmo, sem muita preocupação sobre onde estava indo, fui dar na Via dei Farnesi, virei e passei pelo Palazzo Farnese, a sede da embaixada francesa. De repente, me vi em uma praça ampla, barulhenta, acolhedora, um pouco adiante do rio Tibre. Campo dei Fiori. A praça tem esse nome porque, na Idade Média, era um prado com flores. Depois, em 1600, foi lá que o filósofo Giordano Bruno foi queimado vivo, por causa de suas teorias (corretas) sobre o heliocentrismo e sobre o infinitude do Universo.

Fiquei de pé, observando o movimento, sem pensar em nada a não ser naquilo que vivia naquele instante. Era como se havia chegado finalmente aonde queria; era como se minhas andanças pela cidade, não importando de onde partissem, inequivocamente terminariam naquele ponto.

Sentei em um café, e fiquei mais um bom tempo. Pedi um expresso e, pela primeira vez, bebi sem açúcar (nunca mais coloquei açúcar no expresso!). Não sei explicar porque, mas desde então Roma é minha cidade na Europa e Campo dei Fiori é meu canto em Roma.

Isso foi há cinco anos; nunca mais voltei. Quais serão as minhas impressões de tudo isso quando um dia voltar?

Obs: certo dia conheci uma pessoa que havia morado vários anos em Roma e, para ela, seu lugar favorito era também Campo dei Fiori. Curioso, pois Roma oferece inúmeros lugares muito mais bonitos. Ali, é o espírito do lugar, a atmosfera que não se vê, apenas se sente, que realmente faz a diferença.

Campo-dei-Fiori


Respostas

  1. Marcelo adorei o texto, sensivel, quem será essa pessoa. bjs

    silvia

  2. Taí, gostei do seu texto. Quando for a Roma, lembrarei dele. Um guia muito pessoal e especial, acho que você devia seguir nesse estilo. Muito bom conhecer uma cidade ou um canto dela pelo olhar do outro e não apenas pelas estrelinhas de um hotel ou garfinhos dos restaurantes.
    beijos,
    Lili


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