Publicado por: marcelopcarvalho | fevereiro 1, 2009

Shanghai, síntese do mundo

Se existe uma cidade no mundo que tem uma mágica que não se pode descrever, essa cidade é Shanghai, na China. Antes: nenhuma mágica por princípio é descritível, mas a de Shanghai é diferente.

Talvez você tenha preconceitos. Talvez a China lhe pareça exótica, e no exotismo há um desprezo e um preconceito. Meu objetivo aqui é tentar romper esse preconceito. Objetivo inútil, por sinal, pois a única maneira efetiva de rompê-lo é visitando Shanghai.

Shanghai é a maior cidade chinesa, com mais de 15 milhões de habitantes. A que fica acima do mar, diz o significado em chinês antigo. O maior porto de carga do mundo. Apesar disso, dessa exposição grandiosa, Shanghai tem seus mistérios. Convivem por lá o presente e o passado. Vários passados, e também o futuro. É a única cidade que conheço que tem dois “skylines”, cada um com sua história a contar. Um deles, com uma história ainda a contar.

De um lado do rio Huangpu, um afluente do grande Yangtze, a visão futurista do Pudong, onde há  quinze anos se estendia um milenar campo de arroz. Hoje, de dia, nos faz lembrar uma maquete. De noite, a miríade de luzes e intensidade nos traz à realidade e nos mostra que aquilo de fato existe. O Pudong é o presente da China que cresce, mas é também o futuro do mundo que se descortina, tendo a Oriental Pearl Tower como seu símbolo definitivo.

Pudong

Pudong

 

Shanghai é, acima de tudo, um mundo de luzes. É a China que se admira e que se teme, em sua expressão máxima. É a prova do que está por vir. Beijing é burocrática; Guangzhou, antiga Cantão, é fake (o português poderia ter uma palavra adequada para descrever fake).  Shanghai não é nada disso: é o exemplo do que se pode fazer com dinheiro, disciplina e, principalmente, muita gente.  É o novo símbolo do capitalismo (acabei de assistir Wall Street..) e do potencial humano de conviver com sua história e com seus sonhos, de pensar grande.

Pudong, visto do topo do Peace Hotel; Oriental Pearl Tower ao fundo

Pudong, visto do topo do Peace Hotel; Oriental Pearl Tower ao fundo

Do lado de cá de Shanghai, The Bund, com  seus 52 edifícios nos mais variados estilos: barroco, gótico, art deco,  neoclássico (como no prédio do HSBC, de 1865), remetendo à colonização européia, do final do século XIX e início do século XX. É preciso andar à noite pelo The Bund para entender o seu significado. Centenas de pessoas, luzes, música, vida, naquele ambiente que restou intacto do início do século XX, sob influência principalmente da Inglaterra e da França, mas não somente. Na Wikipedia, há uma panorâmica sensacional do The Bund. Aí você vai entender o que estou dizendo.

E há o Peace Hotel, segundo o site oficial do hotel, construído no estilo Gótico da Escola de Chicago, pelo magnata Victor Sassoon, entre 1926 a 1929. A visão lá de cima, do terraço situado logo abaixo do teto piramidal verde, onde há um bar embalado a violinos, é o must da cidade. A vista de tudo, do The Bund, do Huangpu, do Pudong. Se existe uma cidade que precisa ser visitada antes de passarmos por essa vida, essa cidade é Shanghai. E se existe um lugar a ser conhecido nessa cidade, esse lugar é o terraço do Peace Hotel.  

The Bund

The Bund

 

Conversamos com um executivo da Vale, que havia vivido 3 anos e Bruxelas e estava há 3 em Shanghai. Após o desespero inicial de ser expatriado da Europa confortável para o inóspito fim do mundo, ele admitiu: sua família preferia hoje viver em Shanghai do que em Bruxelas. Você pode imaginar o que é isso? Certamente que não, até visitar Shanghai. Hoje, digo que é perfeitamente compreensível. Bruxelas, como toda a Europa, já aconteceu há séculos. É ótima para se visitar.

Shanghai é uma cidade cosmopolita. Na verdade é mais do que isso. Shanghai é a cidade do mundo. Lá, o velho e o novo convivem. Há, por exemplo, os jardins centenários na cidade antiga, como o Yuyuan Garden, que nos remete ao século XVI com toda a sua paz e tranqüilidade orientais, algo a princípio improvável de se conceber em uma cidade frenética como Shanghai. Mas lá nada é improvável. Ocidente e oriente encontram o diálogo perfeito, assim como o passado e o futuro, a tradição e a inovação, o romantismo do The Bund com a frieza capitalista e deslumbrante do Pudong. Sem conflitos ou hipocrisia.

Shanghai é, acima de tudo, onde as coisas acontecem. Lá, tem-se a sensação de não estarmos perdendo nada. Vá para a China, fique em Shanghai. Talvez a única cidade do mundo para a qual, sem uma análise racional e aprofundada, eu concordaria em viver.

Obs: veja aqui a lista de filmes rodados em Shanghai.

Cidade velha em Shanghai

Cidade velha em Shanghai

 

Yuyuan Garden

Yuyuan Garden

 

 


Respostas

  1. Salve Marcelo!
    Já está em meu roteiro para, um dia, visitar.
    Fiquei imaginando como deve ser bom caminhar por Shanghai, vivenciando de forma tão próxima a cultura oriental.
    Obrigado pelo post.
    Boa semana!

  2. Ainda sobre a China, estive por refletir sobre uma questão: o desafio de compatibilizar a necessidade de consumo da humanidade (tantos habitantes) com a preservação dos recursos naturais. Gostaria de ler, quem sabe em breve, um post seu sobre este assunto.
    Obrigado!

  3. Olá Elessandro,

    Obrigado pelos comentários. Você levantou um ponto relevante, a questão dos recursos naturais. No livro “Colapso”, do Jared Diamond, há um capítulo inteiro sobre China e meio-ambiente. Vou ver se mais para frente abordo alguma coisa.

    Abraço e boa semana,

    Marcelo

  4. Marcelo, muito bom seu post. A vontade de conhecer a China já era grande, agora ficou mais específica. Espero que consiga ir em breve. Abs, Miguel


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