Publicado por: marcelopcarvalho | fevereiro 15, 2009

Darwin, 200 anos

 
Charles Robert Darwin
Charles Robert Darwin

Queria ter escrito alguma coisa sobre os 200 anos do nascimento de Charles Robert Darwin, ocorridos no dia 12 de fevereiro, mas não deu tempo. Também, tanta coisa foi escrita sobre ele e sobre a evolução das espécies, que pouco ou nada poderia acrescentar (pretensão a minha de achar que acrescento algo, mas…).

De qualquer forma, aqui vão algumas linhas. A teoria da evolução proposta por Darwin foi uma das três feridas narcísicas que o homem sofreu em sequência (aprendi com a Letícia ontem). A primeira, foi quando se descobriu que o sol não gira em torno da terra, mas sim o oposto (isso foi Copernico). A terceira foi via Freud, a existência do inconsciente que nos controla.  A de Darwin, me parece, foi a mais funda: mostrou que o homem não é produto da criação divina, mas sim fruto de um processo randômico e lento de mutações e seleção natural, estando sujeito às mesmas leis da natureza assim como outro qualquer ser vivo.

A dimensão dessa descoberta vai muito além da teoria em si. Para muitos, coloca em risco inclusive a existência de Deus, pois toda a história do criacionismo cai por terra: o mundo não tinha poucos milhares de anos; os fósseis de animais extintos não eram animais que não conseguiram embarcar na Arca de Noé, mas sim que foram sujeitos a cataclismas naturais ou perdedores na seleção natural; o homem não havia sido criado à semelhança de Deus, mas sim resultado de um processo evolutivo que deu origem a espécies próximas, como os macacos.

É irônico e ao mesmo tempo grandioso que a teoria tenha sido formulada por Darwin, ele mesmo um religioso que inclusive cursou Teologia antes de embarcar no H.M.S. Beagle para mudar a percepção do homem sobre si mesmo e sobre a natureza. Esse dilema o consumiu por vários anos e, por isso, demorou cerca de 17 anos entre formular a teoria e publicá-la, o que só fez diante da ameaça de Alfred Russell Wallace publicá-la antes dele. “Era como confessar um assassinato”,  dizia.

Darwin utilizou o conhecimento pré-existente para chegar à teoria, produzido por pessoas como seu próprio avô, o médico Erasmus Darwin, que já havia formulado que todos os seres vivos, incluindo os humanos, haviam derivado de um único filamento.

Mais recentemente, Darwin se valeu da teoria do geólogo Charles Lyell, de que a Terra teria muitos milhões de anos, ao invés de poucos milhares. Esse fato era fundamental para explicar como o acúmulo de pequenas mudanças resultava em novas espécies de seres vivos ao longo do tempo. Outro autor que influenciou Darwin foi o controvertido reverendo inglês Thomas Malthus. De Malthus, Darwin usou a proposição de que “nos reinos animal e vegetal a natureza espalhou as sementes da vida com mãos generosas e liberais; por outro lado, ela foi comparativamente econômica quanto ao espaço e ao alimento necessário para sua sobrevivência.” Darwin percebeu a inevitabilidade da competição por recursos, pois nascem mais animais e plantas do que os que podem sobreviver, ajudando a fundamentar a seleção natural.

 

Charles Lyell

Charles Lyell

A beleza da teoria da evolução está em sua simplicidade, em sua abrangência e no fato de ser inatacável, exceto no meio religioso. Darwin foi o primeiro a formular que a vida nasceu de uma “sopa primeva”, que formou as primeiras células. Dessas células derivam todas as formas vivas existentes na Terra. É realmente fabuloso, ainda mais se lembrarmos que, naquela época, não se dispunha do conhecimento genético que hoje se tem. A Teoria da Evolução muda o paradigma da biologia e tem implicações em campos como a psicologia e a medicina. Até nos negócios ela tem sido lembrada.

Darwin era um iconoclasta, alguém que vê as coisas de forma diferente, que vence o medo para divulgar suas idéias (e que idéias!) e que amealha evangelistas que lutam por sua causa. Aliás, é sabido que, após expor a teoria, Darwin não a defendeu – deixou essa tarefa para outras pessoas. Talvez Darwin tenha sido um dos grandes iconoclastas que tivemos.  Para saber mais sobre iconoclastas, leia o post do Rodolfo Araújo sobre o tema.

Thomas Malthus

Thomas Malthus

Obs: Sugiro a leitura do livro “Então você pensa que é humano?”, do historiador Felipe Fernández-Armesto, de Oxford. Ele mostra que muitas das características que atribuímos exclusivamente aos humanos não são exatamente humanas, mas existem em diversos animais. A autora da capa do livro é a Mariana Newlands, que inclusive tem o blog Ficções do Interlúdio, um blog mais visual do que escrito, diria, com fotos e imagens muito bonitas. Aqui vai a capa dela:

capa_entao_voce_pensa


Respostas

  1. excelente post. excelente blog!

    voltarei com mais tempo! :)


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