
Um dos filmes que gostei em 2008 foi Coisas que Perdemos pelo Caminho (Things we Lost in the Fire), da diretora dinamarquesa Susanne Bier e protagonizado por Benicio Del Toro e Halle Barry.
Andei lendo umas críticas em alguns blogs e vi que a avaliação dos especialistas não é tão favorável assim. Como não sou especialista, minha opinião talvez valha alguma coisa para você, que não é cinéfilo assim como eu também não sou. Filme também é momento; se você assistir o filme certo, no dia certo, o impacto vai ser diferente.
Talvez tenha sido o caso deste filme cuidadoso e sensível, que fala sobre perdas inesperadas e irreparáveis. Audrey (Halle Barry) é casada com Brian (David Duchovny), tem dois filhos e vive uma vida feliz de classe média alta nos Estados Unidos. Brian sai de noite para comprar sorvete para os filhos e, em um estacionamento, presencia uma briga feia de um casal. Na tentativa de apartar, leva um tiro do marido enfurecido e morre. Uma morte besta, inesperada, igual às que vemos nos jornais quase toda semana. Por isso, a proximidade da situação com a vida real, o que faz com que o filme tenha o poder de tocar quem o assiste.
Jerry (Benicio Del Toro) é um amigo de infância de Brian, renegado por Audrey, inteligente e problemático, envolvido com drogas e tendo uma vida que simplesmente não deu certo. Brian era sua única referência positiva, sua esperança de ser alguma coisa melhor e, com a morte do amigo, o mundo o afunda ainda mais. Paradoxalmente, vê nessa perda a chance de se recuperar. Na verdade, não tem alternativa.
Susanne Bier lida com a perda de uma forma crua, direta, sem rodeios. A reconstrução da vida de ambos é tratada com sensibilidade e realismo. No caso de Audrey e sua família, é preciso recomeçar, com toda a impossibilidade que uma morte dessas aparentemente traz. Para Jerry, em uma interpretação magnífica de Benicio Del Toro, é a chance – talvez a última – de efetivamente começar.
A interação entre os dois, que se apóiam tortuosamente, movidos pelas circunstâncias, é o mote do filme. O ponto alto é quando Barry lembra de um incêndio na garagem, em que ela listou as coisas que o casal perdeu (Things we lost in the fire), percebendo agora que tudo aquilo era irrelevante perto da perda bruta e definitiva do marido. No final das contas, é um processo de amadurecimento dela e de Jerry. O filme mostra que, apesar das perdas, por mais irreparáveis que sejam, é possível se reconstruir, não talvez de uma forma melhor, mas diferente e, nesse processo, voltar a viver e, quem sabe, ser feliz.
As tomadas são poéticas, com muitos closes, as interpretações dos atores principais são muito convincentes. É um belo filme, um drama não tão denso e profundo (não é um “A Liberdade é Azul”), mas na medida certa. Eu gostei e recomendo. Apesar dos críticos não terem achado tudo isso.

Marcelo, gostei muito desse filme. Como só coloco no blog os filmes de que gosto, “Coisas que perdemos pelo caminho” levou 2 estrelas, que corresponde a 9. Realmente, nós que não somos críticos, temos um outro olhar. Adoro seus comentários!
Por: stella daudt em fevereiro 18, 2009
às 1:28 pm
“Filme também é momento; se você assistir o filme certo, no dia certo, o impacto vai ser diferente”.
“Na mosca” a sua observação.
Este vai ser o filme deste final de semana, em casa.
Abraço!
Parabéns!
Por: Elessandro Santos em outubro 31, 2009
às 12:24 pm