Quanto tempo leva para termos uma boa idéia de como é a vida de um lugar, sua rotina, seu ambiente, seu astral?
Provavelmente um longo período, que cubra todas as estações do ano. Sem dúvida que o verão em Estocolmo é muito diferente do que o inverno (já estive lá nas duas estações e posso dizer com conhecimento de causa).
Há impressões, no entanto, que captamos à primeira vista, ou aos primeiros contatos. Foi o meu caso em relação a Austrália, onde fiquei por apenas cinco dias, em viagem de trabalho. Melbourne, e não a mais conhecida e bela Sydney, foi o meu destino. Aliás, eu gosto de ir para lugares que não são tão mainstream.
Melbourne está localizada no estado de Victoria, bem ao Sul do país, de frente para o Mar da Tasmânia. É a segunda maior cidade do país, com 3,6 milhões de habitantes, perdendo para Sydney, com 4 milhões. Melbourne desenvolveu-se no século XIX, sendo uma cidade relativamente nova, como toda a Austrália (aliás, já parou para pensar que eram colônias da Inglaterra simplesmente os Estados Unidos, o Canadá, a Austrália e a Índia?). Foi capital da Austrália de 1901 e 1927, sediou as Olimpíadas de 1956, recebe a fórmula 1 em Albert Park e o Aberto da Austrália na Rod Laver Arena.
A cidade – talvez essa percepção se estenda a toda Austrália – me pareceu de bem com a vida. A Austrália é um caso único: desenvolvido, ex-colônia inglesa, situado no hemisfério sul e quente, só não sendo tropical pelo fato da maior parte de seu território estar entre o trópico de capricórnio e o equador. E, até onde eu sei, é também o único lugar onde você encontra canguru no cardápio dos restaurantes – lógico que arrisquei – muito bom, por sinal.
A Austrália não tem aquela opressão do passado (e, porque não, do frio) que se vê na maior parte dos países europeus, onde o que tinha de novo para acontecer já aconteceu há centenas de anos, talvez milhares, como no caso da Itália. Não tem também aquela neurose coletiva dos Estados Unidos.
As pessoas parecem realmente satisfeitas e celebram isso diariamente à beira do Rio Yarra, nos inúmeros parques como o Fitzroy Gardens ou o Royal Botanical Gardens, nos restaurantes e bares do SouthBank e das Docklands. De crise, não vi sinal algum, aliás. Melbourne consegue conciliar quase 4 milhões de pessoas com uma vida tranqüila – lógico que em um país rico e com pouca gente como a Austrália, isso fica mais fácil. Mas isso não tira o mérito do país e da cidade.
Uma das melhores formas de perguntar se a vida na cidade é boa é perguntando a imigrantes, que atuam em empregos comuns, como motoristas de taxi. Em Londres, por exemplo, para quem eu perguntei a resposta foi negativa: era difícil ser imigrante e a maioria queria sair dali o quanto antes, assim que juntasse dinheiro. Já Melbourne é uma cidade acolhedora e com oportunidades, e isso ficou claro com quem eu falei. Acho que o fato de estar longe do mundo desenvolvido e perto do sul da Ásia, da Índia, da Indonésia, influencia a forma como os australianos vêem o mundo e acolhem os muitos imigrantes.
E há, claro, os vinhos australianos, que são algo à parte. Após um dos dias de trabalho resolvi procurar uma loja de vinhos para ver se valia a pena o esforço de comprar algumas garrafas e cruzar o Pacífico com elas. Não é que, procurando no Google, há poucas quadras do meu hotel, no número 133 da Queensbridge, esquina com a City, achei a loja Old and Rare Collector House (depois coloco um post específico), situada em um casarão antigo em pleno coração da cidade? Não deu outra, comprei uma pequena seleção de seis preciosidades. Afinal, ir para lá e comprar aquilo que compraríamos aqui, economizando R$ 10 por garrafa, não dá, né? Tem que ser coisa boa e exclusiva.
Em síntese, em cinco dias não dá para sentir muito a cidade, mas gostei muito do que vi, quero voltar para a Austrália e efetivamente conhecer Melbourne e arredores, Sydney, Adelaide, Brisbane, Perth, a Tasmânia e o interior, claro, além da Nova Zelândia, que fica também para a próxima vez…
Tive uma tarde livre e fiz o que mais gosto quando tenho pouco tempo disponível: circular pela cidade, sem muito critério, terminando a tarde em algum parque. Nesse strolling, fiz algumas fotos que mostram minhas impressões sobre a cidade e suas pessoas.
Até a próxima viagem, provavelmente Madri em abril!

Rio Yarra, Melbourne

Casal descansando à beira do rio Yarra

Pinguim no Aquário de Melbourne

Eureka Building, maior edifício do Hemisfério Sul, com 300 m

Final de tarde

Ponte de pedestres sobre o rio Yarra, tirada do sky deck do Eureka Building

Pássaro no jardim botânico de Melbourne
Vou publicar outras fotos no Flickr. Veja a do post abaixo – barco no rio Yarra – minha favorita da viagem.

UAU!! Que máximo! Australia!
Também quero conhecer um dia…e com fotos e elogios como esses…!
Por: Malu em fevereiro 28, 2009
às 5:06 am