Essa frase é de Peter Drucker, o consultor de administração mais influente do século XX. Drucker tinha como principal habilidade transformar conceitos complicados em coisas simples, que as pessoas entendessem e pudessem aplicar. Essa frase é de uma simplicidade extrema e, ao mesmo tempo, muito impactante e universal, aplicando-se a diversas situações e objetos.
Em se tratando das empresas, a frase de Drucker nos faz refletir, como gestores, se estamos de fato criando hoje as bases para competir no futuro, ou se estamos simplesmente ordenhando o presente, ainda que crescendo. Estamos nos movimentando, sim. Estamos aumentando o faturamento, sim (especialmente na época das vacas gordas). Mas até que ponto essa movimento significa progresso? O questionamento é profundo e passa pela análise da área de negócios da empresa, pela estratégia, pelas tendências futuras, pela competição. Tudo aquilo que fazemos no dia-a-dia significa progresso, evolução, ou apenas o cumprimento de compromissos de curto prazo, que certamente são suficientes para manter a empresa se movimentando e as pessoas ocupadas? Acredito que o simples fato de ter essa pergunta ali, em nossa mente, pronta para ser acionada, tende a tornar as pessoas e as empresas mais realistas, mais objetivas e mais eficientes.
Quanto se olha para o indivíduo, a questão fica ainda mais profunda. É bem provável que você seja mais uma pessoa ocupada, sem tempo para nada, que se sacrifica por você mesmo em troca de um futuro melhor, de sonhos de consumo, de poder criar uma família, etc. Mas será que essa enorme quantidade de esforço realmente significa que você está indo para frente? Será que essa incrível produção implica mesmo em produtividade? Será que todo esse empenho está sendo feito na direção correta, ou você simplesmente está andando de lado (o que, em um mundo dinâmico, significa ficar para trás)?
Muitas vezes, estar ocupado significa não enfrentar aquilo que realmente importa. Vamos empurrando com a barriga, nos auto-enganando, nos sentindo produtivos pelo número de horas trabalhadas, pelos imprevistos que acontecem, pelos incêndios que temos que apagar, pelas refeições que engolimos às pressas, pelo trânsito que enfrentamos, pela falta de tempo crônica que assola quase todo mundo. E ficamos felizes por ser assim, ocupados e úteis. E o tempo vai passando. Fica a sensação de dever cumprido, até mesmo de certo conforto, mas se analisamos com mais honestidade e realidade, cedo ou tarde temos de enfrentar o questionamento de Drucker. Às vezes, as pessoas param para analisar o curso de suas escolhas profissionais e pessoais e admitem que todo esse movimento não se traduz em progresso, em evolução. Algumas conseguem mudar, o que nunca é fácil. A maioria retorna à rotina, até o próximo questionamento que, quem sabe, terá um resultado diferente.
Movimentar-se é fácil; evoluir é imensamente mais difícil, envolvendo um esforço muito mais intenso para mudar de patamar que é, no final das contas, o significado da evolução. Por isso, pergunte-se sempre, na vida profissional e na pessoal: isso é progresso, ou é apenas movimento? Mais uma lição do mestre Drucker.


Olá, Marcelo, muito pertinente a lembrança do sempre atual Druker! De fato, muitas empresas comprometem seu futuro na ânsia de abrilhantar seu presente.
Henry Mintzberg abordou muito bem esse tema no quase-desabafo “Productivity is killing american enterprise”, que comentei em http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/2008/10/a-crise-e-a-produtividade.html
Espero que goste! Abraço, Rodolfo.
Por: Rodolfo Araújo em março 18, 2009
às 12:56 am