A vida necessita de pausas, escreveu Drummond. Às vezes, as pausas e descontinuidades vêm de fora: uma mudança de cidade, de trabalho, um problema de saúde, a perda de alguém, o fim de um relacionamento. Outras vezes, é um processo interno, que irrompe quando não cabe mais na gente.
É incrível como a natureza também tem suas pausas. Nas latitudes mais altas, o outono marca o início da pausa biológica, que se instala definitivamente no inverno. Os dias ficam curtos, muitas plantas dormem, perdendo as folhas, em um colorido amarelo-laranja-vermelho, alguns animais chegam a hibernar. Nessas regiões, o inverno não é um período propício à vida.
Na primavera, porém, tudo começa a se revigorar. Uma vez, em uma fria madrugada de novembro em Wisconsin, nos Estados Unidos, um americano chegou a se emocionar ao falar do verão: “Everything burst in life!”, disse ele, como que afastando mentalmente o frio e o cinza opressivos da época. Tudo explode mesmo em vida, e a escassez dessa condição ao longo do ano faz com que as pessoas aprendam a valorizar esse momento especial. A manutenção da vida, a começar pela curta janela disponível para a produção de alimentos, depende da primavera e do verão. É provável que essa condição influencie a capacidade de organização, a previdência. É a estória da cigarra e da formiga. O outono e o inverno são os interstícios necessários para que a compensação venha a seguir, em grandes doses. É a pausa necessária, imposta pela natureza. O preparo da renovação. É preciso respeitar e tolerar essa imposição, lidar com ela. Em se plantando, nem tudo dá. Pelo menos, não em qualquer época.
Aqui, praticamente não temos isso. Claro, as temperaturas caem, chove mais ou menos, os dias ficam mais curtos. Mas, comparativamente, a condição tropical nos mantém ativos o ano todo, sem os vales de introspecção do outono e do inverno, e sem os picos de exuberância da primavera e do curto verão. É praticamente um contínuo. A natureza não nos dá as pausas que Drummond pedia. Nossa natureza não desacelera, não nos sinaliza a necessidade de desaceleração. Temos que criar nossas próprias pausas, nossas próprias entressafras.
Os sinais do outono são bem menos pronunciados do que nas latitudes mais altas. Mas é possível improvisar; quem sabe achar nos detalhes as evidências da necessária desaceleração biológica? Nas fotos abaixo, as folhas de plátano, espécie exótica, sempre nos lembram nessa época do ano que temos sim nossas pausas outonais, embora sem a contundência dos climas mais frios. Folhas de plátano, essa bela espécie exótica, em três condições distintas de luz.

No meio da manhã, tirada com ISO 80 e e toda a claridade e definição possíveis.

A última luz da tarde, intensificando o dourado das folhas prestes a cair. Foto com ISO 800, mas ainda assim sub-exposta propositalmente, escurecendo as folhas do fundo e realçando ainda mais as da frente.

Contra a lua cheia...

Thanks for sharing !!!
Por: Hariane em abril 10, 2009
às 12:34 am
belas fotos.
Por: Lia Winter em abril 12, 2009
às 2:49 pm
Belíssimo artigo. Seu Blog está um show!
Abraços
Paulo Queiroz
http://nossovinho.com
Por: pqueiroz em abril 12, 2009
às 8:16 pm
Bonito texto, e lindas fotos. É o plátano de casa?
Por: Silvia Carvalho em abril 13, 2009
às 12:04 pm
positivo!
Por: marcelopcarvalho em abril 13, 2009
às 1:12 pm