Publicado por: marcelopcarvalho | junho 21, 2009

O Brasil já é visto como potência

Há algum tempo escrevi um post dizendo que o Brasil estava mudando para melhor e começava a adquirir o status de economia dinâmica e de grande futuro. Falei que havia uma mudança de mentalidade no empresariado e que o governo atual, dando seqüência ao anterior, estava fazendo tudo certo na área econômica. O Brasil parece começar a pensar grande.

Nessa semana, tive uma comprovação disso da boca de alguém que certamente tem cacife para discorrer sobre o tema: o Presidente do Conselho Geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), o embaixador chileno Mário Matus. Jantamos juntos em Valdívia, no Chile, por ocasião de um evento em que ambos palestramos.

O embaixador disse algumas coisas interessantes. Primeiro, que o Brasil já é visto como potência e não mais como um país secundário no cenário internacional. Segundo, que o país vem atuando nos fóruns internacionais de acordo com seu novo papel no cenário mundial do comércio. Sabe a força que tem e vem conduzindo o G-20 de forma muito competente. Outro dia, um conhecido me perguntou a respeito dessas mudanças em curso, se o mundo estava vendo o Brasil de outro jeito; eu disse que  sim, mas antes de tudo parece-me que nós estamos nos vendo de uma outra maneira, e isso é que faz a diferença perante ao mundo.

Acho importante termos isso em mente ao invés da tradicional ladainha de se auto-desvalorizar, como estamos acostumados. Aliás, falar bem da gente sem ignorar os problemas é fundamental. Na minha apresentação, dei uma visão bastante otimista do futuro e isso causou um impacto positivo na percepção das pessoas.

Mesmo com todos os problemas que às vezes nos desanimam, o fato é que i) estamos no caminho certo, e ii) temos uma grande população e em crescimento, o que é fator fundamental para a definição do tamanho de nossa economia no futuro. Segundo o Goldman Sachs, para 2050 o Brasil será a quarta maior economia mundial, atrás da China, dos Estados Unidos e da Índia.

O Chile, por sua vez, é um país admirável sob o ponto-de-vista de organização e projeto de futuro, além de ter vinhos ótimos e esqui, tornando-o ainda mais atrativo. Mas é pequeno, com menos de 20 milhões de habitantes, o que limita seu poder de fogo e seu lugar no cenário mundial. De qualquer forma, é interessante analisar os fatores que estão fazendo com que investidores da  Nova Zelândia invistam na produção de leite desse país:

- qualidade e disponibilidade da mão-de-obra

- competitividade da mão-de-obra

- fundamentos macroeconômicos sólidos

- valores e identidade cultural

- estabilidade econômica

- estabilidade política

- respeito e funcionamento das instituições

- respeito à propriedade privada

- economia social de mercado

- mercado financeiro competitivo e saudável

- boa infra-estrutura

- posicionamento progressista em relação ao comércio internacional (uma das economias mais abertas)

- ambiente para se fazer negócios

Estamos atrás em diversos aspectos, com certeza, mas o porte de nossa economia, hoje a décima do mundo e subindo, aliada aos acertos na área econômica, fazem com que possamos esperar um futuro ainda mais promissor.


Respostas

  1. Concordo com voce sobre o Brasil.
    Sobre o Chile, não sei. É um país aberto porque não tem indústrias, a não ser o vinho e o turismo; além é claro do Cobre.
    A grande infra está em Santiago. O que é muito bom é o ensino, uma espécie de PPP, onde aqueles que podem pagam a escola pública.
    A estrutura do sistema financeiro é muito boa, fruto da antiga escola de Chicago(os Chicago boys) que deu uma grande mão ao Pinochet quando ele assumiu.
    A sensação é que voce não está na A.Latina, vendo o comercio e os veículos que transitam pela capital; mas, é como voce disse: são 20 milhões de pessoas; é mais facil.
    Mas de qualquer forma, é um país muito bonito e agradável de estar e principalmente, ter algumas aventuras etílicas-gastronomicas.

  2. Concordo com voce sobre o Brasil.
    Sobre o Chile, não sei. É um país aberto porque não tem indústrias, a não ser o vinho e o turismo; além é claro do Cobre.
    A grande infra está em Santiago. O que é muito bom é o ensino, uma espécie de PPP, onde aqueles que podem pagam a escola pública.
    A estrutura do sistema financeiro é muito boa, fruto da antiga escola de Chicago(os Chicago boys) que deu uma grande mão ao Pinochet quando ele assumiu.
    A sensação é que voce não está na A.Latina, vendo o comercio e os veículos que transitam pela capital; mas, é como voce disse: são 20 milhões de pessoas; é mais facil.
    Mas de qualquer forma, é um país muito bonito e agradável de estar e principalmente, ter algumas aventuras etílico-gastronomicas.

  3. é bom ler um texto otimista, sabe.
    principalmente quando as más notícias sobre corrupção e abuso de poder lotam os jornais e nos deixam assim, meio “desasados”…

  4. Muito bem, eu concordo com o seu texto e com o seu ponto de vista mostrado e argumentado.
    o Brasil já é visto como uma grande potência por basicamente duas coisas; primeiro o Brasil tem tudo que o mundo cobiça e prescisa ter e a outra e que o Brasil é uma fonte geradora de energia renovável e alternada.

  5. [...] A escolha das sedes olímpicas vai muito além do fato esportivo em si, tanto que os líderes dos quatro países estavam presentes, buscando sensibilizar os membros do COI para suas candidaturas. Como um cheque em branco, o país escolhido recebe um enorme voto de confiança para realizar o principal evento esportivo (e cultural) mundial.  Se esse cheque vai para países desenvolvidos, que já realizaram outras Olimpíadas, esse cheque em branco tem pouco risco de apresentar surpresas; dá-lo, porém, a um país emergente, a uma cidade carregada de problemas e sem a infra-estrutura adequada, ou é uma irresponsabilidade coletiva dos membros do COI, ou é a prova definitiva de que o mundo está vendo o Brasil de outra forma, ainda que muitos de nós não tenhamos a mesma visão. Prefiro apostar na segunda hipótese. Já tinha, inclusive, escrito sobre isso: O Brasil já é visto como potência. [...]


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