Esse não é um post sério. Ao menos aparentemente. Aconteceu comigo, hoje à tarde. Desembarco no Galeão, destino Juiz de Fora. Vou do carro com uma canadense, ph.D. em não sei o quê, especialista mundial em alguma coisa que me foge a compreensão. Logo na saída, a Serra dos Órgãos, imponente como sempre. Ela me pergunta: “são os Andes?”.
Seguro-me para não rir. Pelo menos ela não confundiu com o Himalaia, penso rápido. Por outro lado, seria bom se fossem os Andes. Já pensou uma estação de esqui em pleno Rio de Janeiro? Aí teríamos realmente que jogar a toalha para os cariocas.
Eu sou meio chato pra essas coisas. Queria ser geógrafo quando pequeno. Aos 10 anos, sabia as capitais de todos os países. E também as bandeiras (nunca disse que sou normal). Você podia falar Rodésia (que nem existe mais como Rodésia) e eu respondia “capital Salisbury!”. Butão? Timbu. E assim por diante. Eu tinha aqueles globos da Geomapas que você girava e dava os dados de todos os países. Admito que a utilidade disso é no mínimo duvidosa; aliás, uma parte importante do que eu sei ou faço não pode ser classificada exatamente como algo de utilidade prática, seja lá o que significa isso.
Bom, voltando às capitais… Hoje, só sei fragmentos, como ruínas de um tempo antigo que algum dia existiu. De um lado, acho que fui absorvido pela normalidade; de outro, os países mudaram e se multiplicaram. Veja o caso da Iugoslávia, capital Belgrado. Foi fragmentada em Sérvia, Bósnia, Montenegro, Croácia, Eslovênia, Macedônia e ainda tem o Kosovo na marca do pênalti. Isso sem falar na URSS, com seus Kudumundistões e Chechênias. Não há quem possa com essas mudanças.
Mesmo com a minha anomalia confessa, reflito e concluo que achar que os Andes cruzam o Rio de Janeiro é um pouco demais. Soa-me quase improvável e totalmente inadmissível que uma pessoa proveniente de um país desenvolvido, primeiro lugar no IDH, e especialista em determinado assunto (ela vê a árvore e não vê a floresta), seja tão ignorante geograficamente. A geografia e a história são a base para o entendimento do mundo atual. Mas talvez eu esteja errado.
Andamos mais um pouco. Não satisfeita, ela aponta o horizonte e exclama “Oh, the Christ!”. Silêncio sepulcral no veículo. Não, não era o Cristo, uma das novas maravilhas do mundo. Era só a Igreja da Penha, que, reconheço, tem lá o seu valor.
Bem, pelo menos ela não falou que a capital do Brasil era Buenos Aires. Pelo andar da carruagem, nunca deve ter ouvido falar em Buenos Aires.

Boa essa !
Já sei qual meu proximo presente de aniversario p/ vc – um globo atualizado – hahaha
abs, Miguel
Por: Miguel Cavalcanti em julho 14, 2009
às 3:01 am
Podia ter dito que eram as Montanhas Rochosas e que o Dedo de Deus é o Monte Rushmore Tupiniquim, nossa homenagem pétrea ao Lula – ou dele para nós, com seu dedo em riste…
Abraço, Rodolfo.
Por: Rodolfo Araújo em julho 14, 2009
às 1:11 pm
Marcelo,
Quando morei no Canadá, em Toronto, em 1998, tinha que responder perguntas tais como “se os crocodilos andam na rua”, se “muitos índios passeiam nus”, sem contar o absoluto espanto com a existência de uma capital chamada Brasília.
Gostoso mesmo era falar sobre as Cataratas do Iguaçu a quem só conhece Niagara Falls.
Mas minha experiência canadense, que foi ótima, não se compara à riqueza da sua vida em Newfoundland! Adorei o texto a respeito!
Nina
Por: Nina em julho 15, 2009
às 11:24 pm
Oi Nina,
Outro dia um amigo meu, vendedor até a alma, definiu bem a questão Niagara e Iguaçu para um americano que não conhecia a segunda: “Perto de Foz do Iguaçu, Niagara parece uma descarga de privada”…rs. O americano não teve outra alternativa se não acreditar.
Por: marcelopcarvalho em julho 16, 2009
às 2:20 am
a doutora canadense não aprendeu uma regrinha básica de sobrevivência: dois ouvidos para ouvir, dois olhos para ver, uma boca para falar (4 a 1).
Por: marcia em julho 16, 2009
às 3:44 pm