Outro dia liguei no 0800 do SISPAG, do Itaú, banco que utilizamos na empresa, para tirar uma dúvida. Após os procedimentos normais (“digite 1 para isso, 2 para aquilo,etc”), uma atendente pegou a linha: “Olá, meu nome é Karina, como posso lhe ajudar?”).
De repente, fiquei sem saber o que fazer. Será que deveria ir direto ao ponto, falando-lhe secamente a respeito da minha dúvida? Deveria cumprimentá-la e agradecer a atenção? Deveria concatenar uma sentença com começo, meio e fim ou simplesmente ditar palavras-chave que, talvez, apressassem e facilitassem a resolução da minha dúvida? Vocês sabem, o nível do telemarketing cai a cada dia e a gente já não sabe como se fazer entendido. De pronto, achei que ela não conseguiria me ajudar e desliguei, após hesitar alguns segundos, mesmo diante da insistência dela, sempre educada, em me atender.
Hoje, criei coragem e liguei novamente. Lá estava a Karina, com a atenção de sempre. Dessa vez não fui pego de surpresa. Expliquei o que queria, crente que fui o mais claro possível. Para minha decepção, ela respondeu, sempre com educação: “Desculpe, não compreendi o que disse, pode repetir?”. Tentei novamente. E ela: “Desculpe, não compreendi o que disse, pode repetir?”. Depois da terceira tentativa, ela desiste: “Aguarde um minuto, vou passar você a um de nossos atendentes”.
Nunca tive problema em interagir com gravações. Pelo menos, nunca parei para pensar se tinha problema, o que me faz concluir que, se tinha problema, não era significativo. Com essa, foi diferente. O problema é que essa tinha nome. Karina.
Tudo bem, o telemarketing a que estamos acostumados é terrível; tudo bem, as gravações tipo “digite um para isso, dois para aquilo, etc.” são um porre; mas criar uma gravação que atende por um nome, já é demais. Talvez seja um prenúncio do futuro e eu é que seja antiquado. Se ao menos a gente pudesse escolher o nome…
PS: “Nossos atendentes estão ocupados, tente mais tarde”, foi a última coisa que me disse, já sem a paciência de antes.


essa Karina é meio burrinha, néam?
Por: marcia em julho 21, 2009
às 11:11 pm
Oi Márcia,
Bem burrinha, só mais um rostinho bonito, ou melhor, uma vozinha…rs.
Marcelo
Por: marcelopcarvalho em julho 22, 2009
às 11:45 am
Marcelo, um amigo que trabalhava numa operadora de telefonia celular disse que criaram um sistema num país da América Latina – Colômbia, acho – onde uma gravação pedia que a pessoa explicasse pausadamente o seu problema.
A diferença era que um atendente humano estava ouvindo do outro lado, pronto para redirecionar a chamada à área responsável.
Com essa engenhosa solução, o cliente achava que estava diante de alguma moderníssima tecnologia de reconhecimento de voz. Do seu lado, a operadora evitava aquele primeiro contato direto – normalmente raivoso.
Por: Rodolfo Araújo em julho 30, 2009
às 2:37 am