Publicado por: marcelopcarvalho | agosto 2, 2009

Fotografando o Pantanal matogrossense

Estou de volta, após 6 dias de imersão completa e higiene mental no Pantanal. Fui fazer um safári fotográfico organizado pela Techimage, tendo como instrutor o Bruno Sellmer, que conhece muito de fotografia e de vida selvagem.

Ficamos no hotel fazenda Baía das Pedras, entre Aquidauana e Corumbá, no chamado Pantanal da Nhecolândia, a 300 km de Campo Grande.

Foi minha primeira viagem fotográfica e estava meio temeroso em relação ao que viria pela frente. Meu equipamento é relativamente básico e nunca fotografei natureza e animais selvagens.

O Pantanal é realmente incrível. Fora das águas, é uma região de solo arenoso, muito pobre, uma savana seca e com árvores em geral pequenas e retorcidas. Quase uma transição para caatinga. Um silêncio árido e deserto, em tons de bege e marrom, desolado mesmo. Improvável encontrar vida selvagem ali.

Mas daí que vêm as surpresas. Vimos nada menos do que 116 espécies de animais, a maior parte na Vazante do Castelo, uma faixa de muitas dezenas de km que alaga no verão e corre em direção ao Rio Negro, e que vai secando e represando os peixes, criando um banquete para os animais.

Aprendi que para fazer fotos boas de animais você precisa: 1) acordar bem cedo; 2) saber utilizar bem as luzes que a natureza oferece; 3) ter paciência; 4) não ter frescura de entrar de roupa nos brejos e áreas alagadas, pegar carrapato, ser picado por centenas de mosquitos e, eventualmente, ser atacado por um porco selvagem, como foi o meu caso; 5) tirar várias fotos para, de repente, fazer “a foto”; 6) ter sorte para ver aquela espécie, com aquela luz, naquela distância e no enquadramento perfeito. Acho que evoluí bastante em fotografia nesses seis dias.

O mais incrível do Pantanal, sem dúvida, são o nascer e o por do sol. Logo no segundo dia, pegamos o por do sol mais bonito que já vi. O dia estava nublado e quando já não tínhamos muitas esperanças de fotografar o final de tarde, eis que o sol surgiu por baixo das nuvens, acendendo-as e criando um espetáculo maravilhoso: tons de azul, amarelo, laranja e vermelho vivo foram se alternando. A máquina batia as fotos quase que sozinha.

Vale aqui uma menção especial ao Baía das Pedras. Uma fazenda de gado de corte, com 16.000 hectares, cuja proprietária, a Rita (que é prima do poeta Manoel de Barros), transformou em pousada. A pousada é uma casa da fazenda, simples mas muito confortável; o atendimento é impecável e exclusivo e a comida, maravilhosa (engordei 3 kg em 6 dias!). Você não se sente em uma pousada, mas sim como convidado em uma casa de fazenda.  Entre os passeios possíveis está uma cavalgada com os peões da fazenda, acompanhando a lida do gado, aprendendo um pouco da vida e da história do pantaneiro.

É pena que os brasileiros não conheçam esse paraíso: 90% dos hóspedes são estrangeiros, principalmente europeus. Aliás, quem visita o Pantanal são os estrangeiros, a ponto dos guias se referirem a muitas das espécies pelos seus nomes em inglês. Como me disse a Rita, o brasileiro prefere Miami, gastando a mesma coisa.

Se você gostar de natureza e quiser passar alguns dias longe de tudo, sem celular (tem internet para emergências), recomendo o Pantanal e a Baía das Pedras.

Abaixo, algumas fotos das mais de mil que tirei. Vou selecionar umas 50 e colocar no meu Flickr.

Obs: a Márcia, do blog Patifaria, linkou minhas fotos no blog dela. Obrigado Márcia!!

 

Para fazer essa foto, foram uns 30 minutos de aproximação, andando com água até o joelho em um brejo. Mas valeu a pena, não?

Para fazer essa foto, foram uns 30 minutos de aproximação, andando com água até o joelho em um brejo. Mas valeu a pena, não?

Um tapicuru, com a luz perfeita

Um tapicuru, com a luz perfeita

precisa falar alguma coisa?

precisa falar alguma coisa?

Cavalo pantaneiro na lida do gado

Cavalo pantaneiro na lida do gado

O Bruno fotografando os jacarés.

O Bruno fotografando os jacarés.

Outro por do sol, diferente do primeiro. Mas tão bonito quanto!

Outro por do sol, diferente do primeiro. Mas tão bonito quanto!

Na última manhã, com uma bela luz, um quati curioso deixou-se fotografar bem de perto

Na última manhã, com uma bela luz, um quati curioso deixou-se fotografar bem de perto


Respostas

  1. sem palavras. foi como fiquei ao conhecer, e agora vendo tuas fotos.

  2. Que espetáculo sua viagem, Marcelo! As fotografias estão ótimas, parabéns. Se Deus quiser, um dia chego ao Pantanal. Mesmo com o preço de uma ida a Miami, é preciso um planejamento…

  3. Marcelo, obrigada pelos elogios. Nós que agradecemos sua visita e ficamos contentes que a viagem tenha superado sua expectativa.
    A porteira da fazenda estará sempre aberta para recebe-lo em uma nova aventura fotográfica.
    Abraço,
    Rita

  4. Ôôô espora,amo fotografar e tenho a impressao de que o Pantanal sempre foi a minha casa,vi suas fotos,d+! Quem sabe agente se encontra por la?

  5. As fotos são lindas, eu amo o Pantanal, só não acredito na foto do jacaré, porque eu já fotografei a natureza no pantanal, e os jacarés se assustam quando nos aproximamos.


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