Semana passada tivemos o segundo encontro com grandes publicitários na Casa do Saber. O entrevistado da vez foi Nizan Guanaes, da DM9DDB, África, Grupo ABC, etc, etc.
Quem é Nizan Guanaes? Uma improvável mistura do trio Lehmann/Sicupira/Telles, do GP, com Dorival Caymmi – foco em resultados, meritocracia, trabalho árduo, mas ao mesmo tempo baiano da forma mais baiana possível, espelhada em Caymmi e Jorge Amado – alguém complexo, portanto.
A primeira coisa que chama a atenção no Nizan é a sua energia e seu magnetismo, muito diferente do Alexandre Gama, que me pareceu alguém mais, digamos, cerebral e introvertido. Nizan domina o ambiente em que está, é rápido no raciocínio, surpreende com analogias criativas, abusa de palavrões e de algum sarcasmo (como ele disse, “se eu falar generalidades, vocês não vão se lembrar de nada do que falei”). Na hora do intervalo, ninguém se levantou, como se todos estivessem anestesiados pela sua presença. Um cara poderoso, sem dúvida.
Nizan reúne, ao mesmo tempo, características aparentemente contraditórias: é artista criativo e empresário implacável. São dele peças brilhantes como a propaganda da Folha de S. Paulo, sobre como se conta mentiras falando apenas verdades:
É músico, e a música para ele é seu oxigênio, como definiu ao final. O outro lado: deu para perceber que trabalhar com ele não é fácil. Na falta de uma definição melhor, ele me pareceu um trator, quem conseguir que o acompanhe e terá sua recompensa. Quem não conseguir (e imagino que a maioria não consegue), fica sem dó pelo caminho. Deu a entender também que trata as pessoas de forma diferenciada, dependendo de sua importância relativa (“uma coisa é eu falar com o Celso [Loducca], que é meu sócio…”).
Difícil defini-lo. Talvez o mais fácil seja colocar algumas frases e o leitor que construa sua imagem.
“Acredito em Deus, mas luto para que ele acredite em mim”
“Meta é a negação da criatividade – mas isso está errado!”
“É preciso treinar muito para parecer natural” (citando Fernanda Montenegro).
“Prometo glória, não paz” (aos que trabalham com ele).
“Sucesso é ter uma empresa rentável e da qual se orgulha”.
“Sou vulgar, mas minha obra não é”.
“Sucesso só vem quando você faz alguma coisa contra a sua natureza”. (a vida do homem se resume a domar a natureza, completou). Essa frase é a que melhor explica a “essência Nizan”: alguém inquieto, inconformado, que procura domar o mundo à sua volta e mostrar que tudo que quer é possível.
“Maior medo: se acomodar” (olha aí de novo o fato de ser inconformado).
“O que pede a Deus: paz”. (e que nunca vai ter, a não ser que mude seu jeito de ser).
“Pensar atormenta; ele pensa muito”. (“A maior felicidade é ser burro, fazer um trabalho braçal”).
“Sou ansioso e contraditório. Aliás, o homem é Fernando Pessoa, com seus heterônimos e suas várias personalidades”.
“Mudar é muito difícil. É como cagar um côco”. (Deve ser alguma expressão baiana…rs).
“Quem quiser ter um diferencial precisa ter uma formação heterodoxa. Quer ser um grande decorador, vá estudar história”.
“Se não está difícil, você está no lugar errado”.
“Se está tudo muito fácil, é assalto.”
“Só os débeis-mentais não voltam atrás”. (sobre erros).
“rabo não tem Alzheimer” (sobre o efeito do aprendizado a partir dos erros).
“Não submete ninguém a nada que não se submeta”. (Ou seja, é muito exigente consigo próprio e exige dos outros o mesmo).
“O Brasil está num puta caminho”.
Polêmico, criativo, exigente, determinado, imprevisível, duro, grosso, provavelmente difícil de se lidar. Essa é a imagem que criei do Nizan nessas 2 horas de bate-papo.

Foto: http://ogestor.wordpress.com/2009/06/22/aprendiz-7-quem-sera-o-novo-apresentador/

[...] Meu sócio, Marcelo Carvalho, que também está fazendo esse curso, escreveu um post, talvez mais completo que esse aqui. [...]
Por: Nizan Guanaes, da África e Grupo ABC, na Casa do Saber « Miguel da Rocha Cavalcanti em setembro 17, 2009
às 1:34 pm