Tenho lido bem menos do que gostaria, acho que como quase todo mundo que trabalha, tem família, internet, etc. para ocupar o tempo.
De qualquer forma, consegui ler alguma coisa nesses meses que não fosse ligado exclusivamente a trabalho. Abaixo, uma pequena lista, não exclusiva, mas representativa. Não está ordenada por nenhum critério específico.
Philip Roth – Fantasma Sai de Cena – O que falar de quem ganhou um Pulitzer, a National Medal of Arts, a Gold Medal for Fiction da American Academy of Arts and Letters, 2 vezes o National Book Award e o National Book Critics Circle Award, 3 vezes o PEN/Faulkner Award, entre outros prêmios? Nada, apenas que escreveu mais um grande livro. Roth é mesmo um monstro da literatura atual.
Philip Roth (de novo) – O Animal Agonizante – Perturbador. Trata, como Fantasma Sai de Cena, da delicada relação que temos com o envelhecimento, porém aqui sob a ótica sexual mais explícita (e como). O filme Fatal, com a Penélope Cruz estonteante, foi feito com base nele, e é bom, exceto pelo final, que foi alterado de uma maneira grotesca. O livro tem o final mais marcante que já li – e confesso que me foi útil em um momento crítico e difícil. Sempre lembrava da frase final…thanks Roth!!!
Chico Buarque – Leite Derramado – Esperava muito desse livro, dado o frisson e as várias críticas favoráveis. De forma até meio envergonhada, digo que não achei nada demais. Até – confesso – quase não gostei. Ok, ele tem um jeito próprio de escrever (que eu particularmente não aprecio tanto assim), mas so what? Não dá pra comparar com Paul Auster ou Philip Roth, como alguns mais ufanistas querem. Achei pretensioso. Prefiro o compositor.
O Clube do Filme – David Gilmour – Taí, um livro despretensioso e muito bom, talvez por isso mesmo. Um pai separado e fracassado profissionalmente se depara com o fato de seu filho adolescente querer largar a escola. Ele aceita, desde que assistissem juntos um filme por semana – essa seria a sua educação. A história é real e o livro é comovente. Parece que hoje ambos – pai e filho – estão bem na foto. Vale a pena ler.
Equador – Miguel Sousa Tavares – Outro livro que é obrigatório não adorar e eu, confesso, achei que se perdeu a partir de certo momento. O autor português tem uma bela história nas mãos e é ótimo em contextualizar historicamente o livro, mas achei o final previsível. Fiquei com a impressão que ele ficou refém do enredo que criou e não conseguiu finalizar o livro da maneira que deveria. As últimas 100 páginas parecem escritas pela Glória Perez. Depois que fiquei sabendo que o cara é arrogante, então…
Todos os Fogos o Fogo – Júlio Cortázar – Uma coletânea de 8 contos que são verdadeiras obras-primas desse argentino que foi um dos maiores contistas de sua época. Simplesmente essencial.
Nove Estórias – J.D. Salinger – Esse é dos antigos. Não é uma leitura fácil. Nada é direto, o leitor que imagine ou interprete. É seco e bruto. Melancólico. Mas sem dúvida um grande momento do autor de Um Apanhador no Campo de Centeio.
Ensaio Sobre a Cegueira – José Saramago – Uma verdadeira alucinação em alta velocidade, economizando pontuação e usando parágrafos longos, no melhor estilo do Saramago. Ok, você viu o filme. Leia o livro.
Homem no Escuro – Paul Auster – Eu diria que Auster está entre meus escritores favoritos. Mas essa é, em minha opinião, uma obra menor do autor. Gostei mais dos outros e, não sei explicar porque, mas Desvarios no Brooklin é a que mais me marcou. Li recentemente Timbuktu, que vai muito bem até certo ponto, uma estória incrível, mas no terço final perde o fio da meada. Mas calma lá, Auster é Auster, vale de qualquer forma.
Travessuras da Menina Má – Mário Vargas Llosa - Um livro realmente maravilhoso, e atemorizante se você se vê na figura do protagonista. Foi-me também muito útil…
O Canto da Missão – John Le Carré – Não dá para negar que ele sabe escrever uma estória envolvente. Foi o primeiro livro dele que li. Bem, gostei…mas não achei aquilo tudo não! Parece que o filme O Intérprete foi feito com base nele. Ou não. Sei lá.
Tem outros na lista, mas esses são os que me lembro mais assim, de pronto. Comentários?

Marcelo,
Também adoro ler – e reler.
Li vários da sua lista, outros irei anotar como sugestão. Interessante seu comentário sobre “Travessuras de uma menina má”…
Eu gosto tanto de ler que não dou conta somente de novas leituras. Volta e meia releio os meus preferidos.
Entre aqueles que releio sempre (deixando de fora a poesia), sugiro:
“Suave é a noite”, de F. S. Fiztigerald. O meu livro favorito de meu escritor favorito.
“Fim de Caso”, de Graham Greene. Até citei esse livro em meu blog.
“Pássaros da América” de Mary Mccarthy.
“O Leitor” de Bernhard Schlink.
Por: Nina em setembro 14, 2009
às 1:40 am
“O complexo de Portnoy” é um de meus livros preferidos. Philip Roth é o rei da ironia corrosiva.
agora estou na fase Georges Simenon, adoro o inspetor Maigret.
Por: marcia em setembro 14, 2009
às 2:03 am
Leite Derramado: Gostei. Diferente de Budapest.
A sua escrita tem uma sonoridade impressionante.Achei meio autobiográfico (vide Carlinhos Brown e sua(do escritor) família). Mas é uma tragicomédia interessante, com base na história recente da burguesia brasileira. É claro que prefiro o compositor, mas acho uma experiência interessante essa do Chico. É lógico que vende muito pela sua fama como compositor, mas…
Por: Jose Humberto Alves dos Santos em setembro 14, 2009
às 2:18 pm
Marcelo, como você sabe as mulheres em geral são fãs incondicionais de Chico. Há uma história que diz que a mãe Menininha do Gantois ao ouvir Atrás da porta, perguntou surpresa- foi um homem que escreveu a letra? No Leite Derramado há por trás de tudo uma mulher desasistida. O Chico pelo menos ao se expressar por escrito mostra que entende a alma feminina.
Por: Silvia Carvalho em setembro 14, 2009
às 6:50 pm