Publicado por: marcelopcarvalho | novembro 18, 2009

Vácuo mental

Tem sido difícil escrever. Claro que a falta de tempo e as viagens constantes têm sido um complicador. Estou agora no aeroporto de Confins, esperando para embarcar para Campinas as 22 horas. Voei na quarta, na quinta, na sexta, no sábado, no domingo e, espero, hoje, segunda (escrevi segunda, mas só agora publico…).

Mas esse não é o único aspecto. Não consigo produzir com a frequência que deveria ou que gostaria. Há momentos em que não consigo materializar nenhuma ideia digna de nota. Tudo o que consigo é reunir alguns fragmentos desconexos sobre determinados assuntos, que logo se mostram insuficientes para permitir-me qualquer análise mais consistente. Também, me vejo com certa preguiça de explorá-los mais a fundo.  Nessas horas, penso que talvez seria melhor parar o blog, definitivamente ou por um tempo. Claro que não vou. Acho que não vou.

Vejo-me também sem certezas absolutas, necessárias para uma argumentação que possa convencer alguém de alguma coisa qualquer. É como se, de repente, minhas opiniões e verdades sobre todo e qualquer assunto, simplesmente sumissem. O que penso eu de tal coisa? Sei lá, e talvez seja irrelevante mesmo. Se consigo tecer uma argumentação lógica, logo constato que não vale a pena defendê-la: os textos soam ridículos, como esse que escrevo enquanto espero o embarque. Não sei como faz alguém que precisa, por contrato, escrever toda semana, ou todo dia!

O fato é que, nesses últimos tempos, sinto-me em uma espécie de limbo intelectual. Nesses períodos, fico inundado de pseudo-ideias que não avançam e, de repente, as coisas voltam a fazer sentido, tudo se encaixa e fica mais claro. O dia fica curto, o stress positivo aumenta, as possibilidades são infinitas. Se for honesto comigo mesmo, concluirei que funciono desta forma: alterno períodos de grande atividade mental e maior criatividade, com outros marcados por pausas para balanço, onde empurro com a barriga e faço somente o que preciso fazer (mas disfarço bem).

Não sei se é bom ou ruim ser assim. Para manter um blog, é ruim. Até poderia escrever qualquer coisa, mas a auto-censura não deixa.

Claro que tem mais coisa aí. A angústia é fonte poderosa de inspiração. Se não há angústia, falta assunto e, ao mesmo,  procura-se menor exposição, afinal não há nada incomodando lá dentro e volta-se a um estágio de maior auto-preservação. Nesse sentido, talvez isso seja bom: tirando a inspiração para as artes, não sei qual outro uso pode-se fazer dela.

Anunciaram o embarque, de forma que sou forçado a terminar o post, o que é oportuno, pois não sabia como finalizá-lo naturalmente, o que é natural, afinal trata-se de um texto sobre a falta de assunto, ligando nada a coisa nenhuma, sem uma argumentação digna…mas, ainda assim, um post. Comemorarei!!


Respostas

  1. tenho pensado muito nisso.
    assim, tipo uma pseudo-idéia que não avança. :)

    tenho pensado em como nos cobramos um certo nível de genialidade (não é bem o termo, mas achar o termo preciso seria genial).

    se o post não for “genial”, não escrevemos.
    ele tem que ser estruturado, conter uma idéia, contemplar argumentações, fazer a diferença, mostrar o melhor da gente.
    uau.
    mas a verdade é que nossa vida não é um texto estruturado assim.
    se a gente se permitisse textos mais caóticos, mais provisórios, escreveria mais.

    e eu to dizendo isso tudo pra mim mesma, pois faz tempo que não consigo escrever no blog.
    também vivo esta autocensura.
    um pouco, é a proteção natural da vida privada e dos sentimentos, pois escrever é se expor.
    um pouco é excesso de escrúpulos.
    um pouco é falta de tempo, cansaço da mente.
    e um muito é um jeito meio esquisito de ver o mundo, como se toda palavra jogada ao vento devesse ser definitiva.

    fiz um tratado. :P

  2. Marcelo,

    Gosto do que você escreve mesmo quando é sobre o “nada”.
    E o importante, no fim das contas, é que “as possibilidades são infinitas”, não é?
    Então vamos comemorar, o post e aquilo que virá!

  3. Marcelo,

    Compartilho todos seus pensamentos sobre o “limbo intelectual”.

    E acrescento o que sinto: A partir do momento que iniciamos um blog e conseguimos uma audiência, por menor que seja, criamos em nós uma pressão sutil em manter uma regularidade na publicação e qualidade dos posts… e, muitas vezes, a inspiração é um deserto :-)

    Abç,

    Leo

  4. Talvez você esteja trabalhando demais, tendo preocupações demais, Marcelo. Esse esvaziamento das idéias, o empurrar com a barriga as tarefas, são comuns a todos nós, eu acho.

    E aí basta afastar-se de tudo por 3 dias que nos encontramos em nós mesmos e as idéias voltam a fluir.


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