Hoje, o blog fez um ano. Em 30/11/08, escrevi “Nothing ventured, nothing gained”, o primeiro de 132 posts, o que dá uma média de um a cada 3 dias, ou um pouco menos.
É como um filho: você bota no mundo, cria expectativas, até tentar moldar, mas ele adquire vida própria e vira alguma coisa diferente do que você imaginava.
No caso do blog, isso é até natural (do filho também, mas obviamente por outras razões). Afinal, o blog é um reflexo de seu autor, e seu autor não é o mesmo ao longo do tempo. Muda e, com ele, muda também o blog. Um paradoxo: o blog cria vida própria em certo sentido, mas estará sempre subjugado a seu criador. Talvez sejamos nós mesmos que criamos vida própria, diferente do que achamos que somos.
Gostaria de presentear esse companheiro de horas críticas, que sempre aceitou tudo, sem reclamar com um momento mais criativo de minha parte. Nesses últimos meses, como já escrevi recentemente, a inspiração me tem faltado, junto com outras coisas mais, como tempo e dedicação. E talvez certa angústia, que sempre é uma artista poderosa. Mas essas coisas não escolhem hora para aparecer e voltar a sumir sem aviso prévio. Paciência, ele há de se acostumar, caso sobreviva por muito mais tempo.
Nesse período, ele me proporcionou bons momentos. Escrevi algumas coisas das quais gostei; mas nunca revisitei os textos, principalmente os mais pessoais, talvez por medo do que poderia vir a encontrar, medo de ter exagerado na exposição pessoal que um exercício dessa natureza sempre exige, medo de ver como eu era e o que pensava em determinados momentos. É até possível que me surpreendesse positivamente.
Como um filho, o parto não foi fácil; como o parto, teve um bocado de dor em sua origem, até que seu autor, meio que aos trancos e barrancos, fosse se adaptando aos novos tempos.
No primeiro texto que escrevi fui sincero ao avisar que seria um projeto pessoal, de mim para mim mesmo, o que em parte foi mesmo verdade, mas claro só em parte. Nunca tive o interesse de ter milhares de acessos, a responsabilidade seria muito grande e a exposição, idem. Quem fosse para acessar, acabaria acessando. Os que gostassem, voltariam.
Mas acho que, nesse projeto pessoal, ao longo do trajeto, sobrou algo para outras pessoas, que buscaram algum conhecimento, ideias, apoio e talvez até entretenimento em um ou outro post. Algumas dessas pessoas eu nem conhecia – em especial a Ana, a Márcia, e o Rodolfo, todos blogueiros e que, graças a esse negócio de tecnologia que eu meti o pau alguns posts atrás, pude conhecer. E há, claro, muitos outros que já conhecia, ou que conheci pessoalmente nesse ano, e que também gastaram parte do seu tempo livre visitando meus textos.
O blog inicia seu segundo ano com expectativas, mas sem ao certo saber como vai se desenvolver, que rumos tomará, como servirá ao seu autor. A incerteza, afinal, já nasceu com ele, pelo próprio título. Seja para exposição de ideias quaisquer; seja para discorrer sobre gestão e empreendedorismo; seja para comentar fatos do dia-a-dia, filmes, livros, música, vinhos e comida; seja para comentar e publicar fotografias, o hobby que finalmente resolvi encarar; seja para dividir com os leitores minhas experiências de viagem (nos últimos 2 anos, foram 10 viagens internacionais!!); seja para dar vazão a questões mais pessoais que precisam ganhar o papel para, quem sabe, serem melhor compreendidas. O que der e vier está aí para tudo isso.
Anais Nin, que gosto de citar e ainda vou ler, disse “escrevo para um mundo onde se possa viver”. Não tenho essa pretensão; escrevo, no máximo, para um mundo onde eu possa viver. Já está bom demais, não?

Parabéns pelo blog Marcelo. Estou ensaiando faz tempo para inaugurar o meu. Lendo o seu primeiro post (e agora o último depois de 1 ano), me deu um gelo na barriga.
Não sei se estou preparado para isso, se tenho capacidade ou até mesmo força para começar e levar adiante. Mas gostaria de ter o meu e provavelmente o terei em breve. Espero que compartilhe dessa experiência de “blogar” com você em breve.
Por: Danilo Salvego em novembro 30, 2009
às 8:55 pm
blog é um momento estendido no tempo. tipo, um momentããããooooooo…
feliz aniversário.
Por: marcia em novembro 30, 2009
às 8:56 pm
Grande Marcelo, parabéns pelo primeiro de muitos aniversários e obrigado pela citação. Realmente interessante essa analogia de Criador e Criatura. De fato, cada um compõe o outro, de certa forma.
Sinto também uma influência bastante positiva, não só dos textos que escrevo – porque me fazem pensar alguns temas mais a fundo – mas especialmente dos feedbacks que recebemos ao longo do caminho – o que traz junto certa responsabilidade por aquilo que propagamos e multiplicamos.
A troca é, verdadeiramente, muito recíproca: com seus próprios textos, com seus leitores e com a pessoa que evolui a cada ponto final. E, em todos os aspectos, o blog deixa de ser seu um pouco a cada dia. Como um filho.
Abraço, Rodolfo.
Por: Rodolfo Araújo em novembro 30, 2009
às 9:44 pm
Marcelo,
Parabéns, parabéns! Que venha mais!
Foi muito enriquecedor acompanhar parte dessa trajetória. Primeiro gostei do blog, depois gostei do autor. Tem nem como, um é reflexo do outro, não é?
Aprendi, me diverti e mais importante, fiz um amigo. Obrigada!
Encerro com mais Anais Nin:
“We write to taste life twice, in the moment and in retrospection.”
(Hum…. não entendi bem… Você cita Anais, mas ainda não leu? Leia! Ela tem um universo muito feminino, enigmático e erótico. Depois de ler me conta!)
Por: Nina em dezembro 1, 2009
às 9:59 am