Publicado por: marcelopcarvalho | janeiro 5, 2010

Será que temos infra-estrutura para virar o Brasil que esperamos?

No final do ano passado, fui pegar um vôo em Congonhas e não havia vaga em nenhum dos cinco andares do estacionamento do Aeroporto. Tudo lotado. Detalhe: é um Aeroporto remodelado recentemente, incluindo a construção do próprio estacionamento. Fiquei com uma sensação de que o Brasil já está maior do que poderia. Falta esqueleto para o corpo poder crescer, e esse esqueleto atende pelo nome de infra-estrutura.

Há inúmeros outros exemplos que nos sugerem que há um problema significativo de infra-estrutura que pode limitar nosso crescimento: trânsito caótico nas grandes cidades, problemas sérios com transporte público, apagões misteriosos, problemas (nem sempre transparentes) em telefonia e comunicações, estradas sem condição de receber o tráfego que recebem, e por aí vai. Você certamente saberá listar outros gargalos que afetam o seu dia-a-dia.

E nós achamos que está tudo bem, afinal chegou a nossa hora e o Brasil está crescendo. No Brasil, vem o crescimento primeiro e depois, quem sabe, a infra-estrutura. Somos uma China às avessas. Falam que seremos a quinta economia do mundo daqui a dez anos ou menos. Em 2050, nossa economia será 10 vezes maior que a atual. Já pensou nisso? O que necessitaremos de investimentos? Talvez não estejamos acostumados a crescer continuamente a 4-5% ao ano e não tenhamos entendido ainda o que implica esse crescimento em relação a investimentos quando se fala de um país das dimensões e da população do Brasil. Parece aquele time de segunda divisão que comemora o acesso à primeira, sem perceber que se não fizer investimentos, cairá novamente no ano seguinte. Mas continuará comemorando que, um dia, subiu! Talvez até com alguma razão, ficamos comemorando anos o combate à inflação, e agora as políticas sociais. What is next?, é o que deveríamos estar perguntando agora.

Falta visão dos governantes. O que dizer diante dos Arrudas, Sarneys, etc da vida? Mas não é só isso. Funcionamos na base de eventos, episódios críticos que demandam uma ação imediata (Lembram-se de Congonhas novamente? Precisou cair o avião da TAM para terminarem de arrumar a pista que sabiam estar inadequada.). Não há (ainda) efetivamente planejamento de longo prazo. O Brasil é o país do “agora”. Talvez por isso os juros sejam historicamente altos no país: postergar o consumo de hoje, o momento de hoje, é algo muito caro às pessoas. O amanhã que se dane. E isso se reflete na visão de longo prazo, na estratégia de quem nos dirige.

Esse é um ano eleitoral. Acho interessante avaliarmos se algum dos candidatos possui a visão de que será preciso criar a estrutura para o crescimento que esperamos. Até agora não vi nada. Vamos aguardar o início da campanha para ver.

Mas aí surge um outro problema. Falta dinheiro para investir, porque, entre outras coisas, o gasto público é alto e, mais uma vez, não consideramos isso um problema, afinal estamos crescendo e a Economist falou que o Brasil está bem na foto. Para que botar o dedo na ferida? Vamos é comemorar!

Sem reduzir o gasto público e, consequentemente, sem recursos para investir aquilo que precisa ser investido para o país rodar em uma escala maior, precisamos de outras alternativas. Talvez tenhamos que trocar comida, que sabemos produzir bem e que será um bem caro a outros países que também precisam crescer, como a China, por investimentos externos em infra-estrutura. Sei lá, seria uma espécie de PPP. Pode parecer uma volta ao Brasil colonial, mas se fizermos direito dessa vez, temos condições de criar a estrutura que precisamos para ter o tamanho que o mundo espera de nós.


Respostas

  1. Pior é que a resposta é que não, não temos…

    Por outro lado, temos uma matriz energética menos dependente de combustíveis fósseis, o que também é um caminho para um papel de liderança mundial em um futuro breve.

    Então, é como você diz, tem que haver investimentos agora em infra-estrutura, para que o crescimento se sustente (e que seja, também, sustentável).

  2. Nosso problema começa com o povo. Poucos entendem isso que está escrito acima. Desses poucos, uma ínfima parcela se importa. Dos que se importam, quase nenhum faz algo para mudar o cenário. Os poucos que fazem algo, se frustram depois de um tempo ……. e assim vamos no vortex da inação ……


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