Publicado por: marcelopcarvalho | janeiro 20, 2010

Você é tímido e quer ser palestrante? Dicas

Não sou daqueles palestrantes que têm o dom da comunicação. Pelo contrário: minha timidez praticamente me impedia de falar ao público. Há uns 8-9 anos (ou seja, eu já era bem crescido), tive que pedir emprestado um lenço ao participar de um programa de TV ao vivo, de tanto que suava. Eu simplesmente travava.

Porém, com o tempo, pela necessidade ou desafio, não sei, fui controlando o processo, a ponto de hoje ser bem razoável. Dou entre 20 e 30 palestras por ano, sendo que nem é meu interesse aumentar essa quantidade, já que tenho outras atribuições na empresa. Dessas palestras, 3 foram no exterior, em outra língua.

Outro dia estava pensando o que havia mudado para que passasse de um desastre total para alguém que dá conta do recado e, nessas divagações, pensei que talvez pudesse dar umas dicas que funcionaram para mim – e que talvez funcionem para pessoas como eu – que não são comunicadores natos. Vamos lá então:

  1. Domine o assunto: não aceite falar sobre aquilo que você não sabe. Ou você fará feio, ou acabará por ignorar o tema e falar sobre o que sabe (o que implica em fazer feio de qualquer forma).  Dentro do seu tema, evite incluir itens sobre os quais você não tem muito conhecimento. Conhecendo o tema, a auto-confiança melhora e a chance da palestra ser boa é bem maior.
  2. Conheça a seqüência de slides: se você estiver usando Powerpoint, precisa conhecer bem a seqüência de slides de forma a criar uma transição lógica entre eles, um encadeamento que seja compreensível para a plateia. Não economize tempo se preparando. Dentro disso, nunca inclua slides com tópicos feitos por terceiros, porque cada um tem seu estilo de raciocinar. É comum, no meio da palestra, você parar para pensar: “mas o que mesmo ele queria dizer com isso? Não pode.
  3. Ache seu estilo: se você não é daqueles que fazem piadas e todo mundo ri, não tente fazer piadas. Você provavelmente se sairá melhor dentro do seu estilo do que tentando imitar um suposto padrão que simplesmente não é o seu jeito.
  4. Não corra: é fundamental saber a duração da apresentação e se nesse tempo eventuais perguntas já estarão incluídas. Como você sabe a duração da palestra e conhece seu ritmo, não coloque slides a mais do que conseguirá abordar. A pior coisa é ter que correr ou ficar pulando slides sem mostrar por falta de tempo. Demonstra amadorismo, despreparo. Se você não conhece seu ritmo ou o tempo que cada quadro irá gastar, simule antes.
  5. Use slides sem excesso de informação: slide não é livro; o ideal é ter apenas tópicos e o restante, você fala. Se você tiver que ler todos os slides, não precisa da palestra, é só enviar o PDF. Palestra boa é aquela que só com o PDF a pessoa não entende muita coisa. Isso vale para gráficos e tabelas: não inclua dados que não serão discutidos na hora.
  6. Conheça a platéia: cada público tem conhecimento e interesse distintos. Não use o mesmo conteúdo e a mesma forma independentemente  da platéia.
  7. Evite ao máximo mudanças de última hora: certa vez, minutos antes de entrar para dar uma palestra de 1 hora, me foi avisado que eu teria apenas 30 minutos por causa de atrasos na programação. Se você tem alta capacidade de improvisação, pode até achar razoável a mudança. No meu caso, ou é o tempo previsto (e cabe a você também respeitar esse tempo), ou nada feito (um ou outro ajuste claro que cabe, mas metade do tempo, não dá).
  8. Conheça o evento, os parceiros, as empresas: são muito comuns gafes do tipo falar mal de um patrocinador do evento, ou até do cliente (sim, isso existe!), sem perceber na hora. Ok, se você quiser falar mal, vá em frente, mas se não é sua intenção se indispor, vale a pena dar uma pesquisada. Às vezes você consegue passar o recado de uma outra forma e evita saias-justas.
  9. Tenha seu material atualizado: se você fala de temas dinâmicos (como tendências de mercado), não dá para utilizar dados defasados. Quando alguém coloca um gráfico cujo último dado, digamos, é de 2006, causa uma tremenda má impressão. Dependendo da situação, 2 meses ou até 1 semana já se considera defasado.
  10. Cuidados com formatação e ortografia: evite ao máximo erros de português, cores que não permitem boa leitura, fonte muito pequena, etc. A apresentação não é só conteúdo; forma importa bastante e pode jogar por terra um bom conteúdo.
  11. Tente se ver do outro lado: hoje, eu procuro, à medida que falo, imaginar como a palestra está indo. É comum as pessoas falarem como se não houvesse ninguém na sala. É preciso criar a conexão, olhando as expressões, vendo se tem gente dormindo, percebendo se o nível de impaciência aumentou. Acho que hoje, de certa forma, consigo imaginar se as coisas estão indo bem ou não. Nem sempre você acerta, nem sempre cria uma química com a plateia. Mas cabe a você tentar sentir isso em tempo real para procurar corrigir.
  12. Esteja descansado: nem sempre isso é possível, mas muitas vezes é o cansaço pode ser minimizado. Hoje, eu não faço mais coisas do tipo chegar as 3 da manhã no aeroporto, ou dirigir 6 horas até chegar ao local da palestra. Chego de véspera, com calma. Com meu notebook, telefone e internet, tanto faz onde estou. E também não fico em qualquer lugar, porque preciso estar descansado e com alto astral para dar uma boa palestra (sem falar na questão da auto-valorização: como você vai cobrar um valor decente caso se sujeite a qualquer coisa?).
  13. Mantenha exigência elevada em relação ao material que preparou e ao formato da apresentação. Se você for exigente e gostar do que apresenta, provavelmente o cliente e ouvintes também gostarão. Seja crítico quando as coisas não forem tão bem, mas não desanime. Comemore quando seu desempenho for bom e receber elogios. Seja melhor da próxima vez.

Estas são as minhas sugestões. Talvez algumas delas funcionem para você. Você tem alguma dica que não está incluída nessa lista?


Respostas

  1. Marcelo,

    Ótimo post! As dicas são ótimas para qualquer palestrante, inclusive eu, que iniciei há pouco tempo.

    Abraço,

    Leo

  2. Marcelo,

    Adorei as dicas! Vou aproveitar com certeza!
    Também sou tímida. Já dei palestras, aulas, cursos…
    Acho que a dica mais importante é a 1. Dominar o assunto dá uma segurança tremenda!

    Acrescentaria somente conhecer o ambiente e o equipamento que será utilizado antes. Às vezes, por diferenças mínimas de configuração e tal, a coisa não funciona na hora como deveria, e aumenta o nervosismo, que é sempre maior no início.

    E pra quem está começando, e nunca falou ao microfone, dá uma treinadinha antes…

    beijo e parabéns por mais um texto ótimo!

  3. Poxa Maguê, gostei bastante das dicas…você nunca me pareceu tão tímido assim…acho que disfarça bem…hauauhauha. Essa dica da Nina do microfone é boa, já cometi algumas gafes com este equipamento que quando tem fio então, é uma desgraça. Parabéns pelo blog, muito bom!

  4. eu já paguei muito mico.
    e continuo pagando. :D

    todas as tuas dicas são boas.
    as pessoas são inteligentes e percebem se você gosta do assunto, se você se preparou, se você está sendo honesto.
    especialmente, as pessoas percebem se você está gostando de estar ali, com elas.


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