As lideranças nas empresas devem permanecer a maior parte, ou pelo menos metade do tempo, fora de seus escritórios. São várias as razões para isso.
A mais evidente é que, fora do seu local de trabalho, o líder não tem como (ou tem menos chance de) ficar imerso na resolução de problemas e coisas do dia-a-dia que o impedem de fazer o que ele realmente precisa fazer: conhecer o seu mercado, ter ideias, criar a visão de futuro (e fazer tudo isso se materializar em ações).
Estando fora, ele precisa aprender a delegar e, junto com isso, desenvolver uma equipe que tenha condições de fazer bem feita a rotina diária. Esse é um passo crítico para qualquer organização que pretenda crescer, afinal não há como microgerenciar eternamente, principalmente quando a empresa cresce.
Uma outra razão para que se gaste sola de sapato – talvez até mais importante do que a primeira – é que o mundo acontece fora do escritório e não dentro dele. É fora que estão os clientes, os concorrentes, o mercado. Apesar da internet, do celular e de tudo o mais facilitando a comunicação, os negócios são feitos a partir de uma confiança e de um entendimento gerados no contato pessoal. Claro que se pode manter clientes à distância, mas não conheço nenhum caso de um trabalho B2B consistente que não envolveu primeiro encontros e estreitamento da relação entre os envolvidos. Os negócios não são feitos entre empresas, são feitos entre pessoas.
Também, para que se tenha novas ideias e se detecte oportunidades, é fundamental sair da rotina diária e abrir os olhos. É muito provável que uma nova ideia surja de algo completamente diferente, somente encontrado quando se abre espaço para o acaso, para o novo. E só se esbarra em algo novo quando se está em movimento.
Além disso, evitando-se a rotina diária, a mente fica mais livre e aberta a receber estímulos que podem se converter em ideias e projetos. É comum depois de uma viagem, ainda que curta, de um dia ou dois, o líder voltar para empresa com novidades, às vezes óbvias, mas que por alguma razão foram sufocadas pelas atribuições do dia-a-dia.
O que é necessário, uma vez tendo consciência da importância de se ficar parte do tempo na rua, é ter uma estrutura interna que possibilidade a transformação desses insights em projetos que são executados. E isso nem sempre é fácil de se conseguir.

Marcelo,
Cada dia que passa tenho mais certeza de que esse é o único caminho para que as coisas realmente aconteçam. As empresas precisam ter, e mostrar, a cara de seus líderes. Isso gera confiança e relações profissionais duradouras.
Infelizmente, como você disse, não é fácil ter uma estrutura interna que mantenha a casa em ordem enquando os líderes alçam vôos. Acho que esse é o grande desafio.
Parabéns pelo post, excelente!
Por: Flávia em fevereiro 12, 2010
às 12:30 am
Marcelo,
Excelente o seu post. Realmente muito bom.
Manter um balanço entre estar controlando a operação e visitar os clientes é um grande desafio para os lideres.Como moro em Santos mas meus clientes estão quase que em sua totalidade em SP e outras regiões,decidi por contratar um motorista para que esse tempo perdido no transito e em viagens seja produtivo de alguma forma.
Um abraço
Fabricio
Por: Fabricio Paulella em fevereiro 12, 2010
às 11:27 am
anos atrás, um ex-reitor (meu tio) me deu um precioso ensinamento: “o bom chefe é aquele que, quando viaja, ninguém sente falta dele”.
descobri, na prática, que é verdade.
o bom chefe é aquele que sabe delegar.
cria uma equipe com base no mérito e nas potencialidades individuais.
cria mecanismos de funcionamento transparentes, justificados e que servem para todos.
não concentra em si todo o peso das decisões, porque sabe que as pessoas precisam ter vínculos emocionais com o trabalho, precisam gostar de estar lá, e para gostar de estar lá é preciso se sentir mais que um mobiliário.
tira férias, se permite descansar quando está doente, viaja, vai a congressos, abre portas, representa a empresa ou instituição, defende suas idéias para o mundo, estabelece trocas com o mundo lá fora. não como um fardo, mas como um projeto.
o bom chefe obtém o reconhecimento externo e faz com que sua equipe tenha orgulho de ser liderada “por este cara”.
o mau chefe, o mau líder, o mau administrador é o inseguro: o que não confia nos parceiros, o que não permite a criatividade, o que não sabe voltar atrás quando uma idéia não está dando certo, o que vê uma ameaça em cada pessoa que brilha e desponta.
(fiz um post… as usual)
Por: marcia em fevereiro 12, 2010
às 2:32 pm
Marcelo,
Muito bom, palavras de um mestre e não é a toa que sua empresa é um sucesso.
Uma frase no seu texto me chamou a atenção, por se aplicar a tudo na vida:
“E só se esbarra em algo novo quando se está em movimento.”
É isso!
Por: Nina em fevereiro 12, 2010
às 7:26 pm