Dando continuidade ao post anterior, eis a minha história, apresentada como trabalho de conclusão do workshop de fotografia que fiz na Califórnia. O trabalho era apresentar uma história a partir de 5 a 7 fotos tiradas durante o workshop. Tema livre, fotos livres. Um desafio, portanto.
Procurei trabalhar com quatro conceitos: presente e futuro, certezas e incertezas. Na verdade, sobre as mudanças pelas quais todos nós passamos, e que nos afetam, demandando um novo equilíbrio, que nem sempre vem imediatamente. Nas fotos, o primeiro plano representa o presente, o horizonte ou segundo plano representa o futuro. O foco representa as certezas, o fora de foco representa as incertezas.
Há momentos em que temos certeza de tudo. Tudo é claro, brilhante, quase perfeito. Não há dúvidas, não há preocupação com o futuro. O presente ocupa todos os espaços e parece eterno. Podemos tudo, somos imortais, o instante parece eterno. Sim, há momentos ou fases como essa, e a foto que usei para expressar isso foi essa:
Mas as coisas não são assim. O mundo se movimenta, os fatos se apressam, tudo, no final, tende à desordem. O nível de entropia sempre cresce, define a física. E contra a física, não adianta teimar. Por vezes, navegamos em águas turbulentas, que nos levarão a lugares inesperados e a princípio indesejáveis. A mudança é inerente à vida, mas como a tememos…A foto que usei para expressar a mudança foi essa:
E então começamos a nos confundir, a perder as referências. O futuro já é não tão claro como antes. O que vem por aí? As certezas do início, de repente, se perdem e o futuro assusta. Perde-se a harmonia e tudo parece vir em alta velocidade, um redemoinho inesperado e sem saída:
A mudança, enfim, nos atordoa. Nem presente nem futuro ficam claros, as referências são perdidas de vez e nos vemos à deriva, longe de encontrar um porto seguro. O que deu errado? Como perdemos o chão, se estávamos tão ancorados? Tudo era perfeito – ou, aos olhos de agora, pareciam… Nesse momento, tudo se mistura de forma caótica, e o que vemos é apenas uma imagem do que deve ser a realidade:
Ainda, o temor persiste, algo tenebroso, escuro. Mas a harmonia começa a voltar, começamos a vislumbrar onde estamos, é o início da transição: (observação: o Frans Lanting achou que essa imagem poderia ser suprimida, apesar de belíssima; mas como eu era o dono da história e queria incluir de qualquer jeito, ele deixou…rs).
De repente, aos poucos, tudo começa a se encaixar. Um novo equilíbrio se estabelece. O presente volta a ser belo e harmônico. E o futuro, embora distante e, então aprendemos, incerto, será uma sequência natural do presente:
Enfim, é preciso entender que tudo flui, tanto os melhores como os piores momentos. E que o segredo é não complicar aquilo que, no fundo, pode ser simples:
Foi mais ou menos isso que apresentei, levando em conta as dificuldades de apresentar isso em inglês. Tenho a impressão que foi a que mais repercutiu, assim, nas pessoas. Afinal, todo mundo já passou por processos difíceis, seja no aspecto pessoal, profissional, ou na família. Todo mundo perdeu o chão, para depois recuperar lá na frente, de uma forma diferente e, não raro, melhor do que antes.








Vou me repetir:
Você é um mestre com as palavras e com as imagens.
Parabéns é pouco!
(Que bom que você não desistiu do curso!)
Por: Nina em abril 29, 2010
às 2:23 pm
Marcelo, estou lendo um livro e lembrei de ti.
chama-se “Lendo imagens”, do Alberto Manguel, é da Companhia das Letras.
bah, te recomendo muito.
adorei as fotos.
imagens, histórias e então narrativas.
gosto das mais abstratas e especialmente da última, de grande significado.
Por: marcia em abril 30, 2010
às 2:45 am
Excelente, gostei muito…parabéns!
Por: Paulo Araripe em maio 3, 2010
às 12:15 am