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	<title>O que der e vier &#187; antropologia</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; antropologia</title>
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		<title>Um mundo de conexões…será mesmo?</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 15:08:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A revista The Economist publicou, ao final de janeiro, um especial a respeito da transformação que as redes sociais vêm exercendo na vida das pessoas e nos negócios. “A World of Connections”, era o título do especial, muito bem escrito, como sempre se espera da Economist. De fato, as conexões digitais marcam de forma cada [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=972&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A revista The Economist publicou, ao final de janeiro, um especial a respeito da transformação que as redes sociais vêm exercendo na vida das pessoas e nos negócios. “<a href="http://www.economist.com/specialreports/displaystory.cfm?story_id=9032088">A World of Connections</a>”, era o título do especial, muito bem escrito, como sempre se espera da Economist.</p>
<p>De fato, as conexões digitais marcam de forma cada vez mais intensa nosso modo de viver e de fazer negócios. Facebook, Twitter, Orkut, LinkedIn, Flickr…até o hoje já velho email! São as ferramentas que moldam nossas relações, nossas conexões. São elas que nos permitem nos conectarmos a pessoas próximas e a pessoas não tão próximas assim, muitas das quais não vemos há tantos anos que teríamos dificuldade de reconhecê-las na rua.</p>
<p>Somos parte, portanto, de uma grande engrenagem de conexões que nos coloca em contato com o mundo, criando uma sensação de proximidade e de pertencimento 24 horas por dia, 7 dias por semana.</p>
<p>Mas há preços a se pagar. Estar <em>full time</em> conectado a centenas de pessoas gera uma demanda de compromissos sociais (virtuais) que, obviamente, não têm condições de ser cumprida se não à custa da qualidade da interação.  Sempre tem alguém fazendo aniversário, escrevendo um post, publicando uma foto, etc., e faz parte do jogo interagir com esse conteúdo produzido pelos amigos. A solução, ainda que insconcientemente, é a brevidade,  a rapidez e, claro, a superficialidade.</p>
<p>Aliado a essa demanda virtual que desemboca em pessoas de carne e osso, cujo dia continua tendo 24 horas, há esse mundo frenético de hoje, em que a multiplicidade de compromissos e tarefas faz com que estejamos sempre correndo atrás, numa ansiedade crescente sem solução aparente, uma vez que a velocidade da informação só se faz aumentar. É um email atrás do outro, uma demanda atrás da outra, de forma tão efêmera que tudo parece igual em importância: são, no final, demandas que precisam ser “ticadas”, sejam elas quais forem, pessoais ou profissionais (e viva os gurus e manuais da gestão do tempo, o melhor negócio do mundo: demanda crescente e sem solução; sempre haverá mercado…).</p>
<p>E o irônico disso tudo é que, salvo poucas exceções, não estamos criando um legado que justifique essa dedicação desmedida ao resultado. Ou estamos? Esse crime parece não compensar…</p>
<p>Temos, enfim, um mundo que, de um lado, nos leva ao distanciamento entre as pessoas, ao cada um por si (cuide do seu que eu cuido do meu e assim a coisa supostamente anda) e, de outro, uma ferramenta que permite aparentemente compensar esse distanciamento crescente imposto aos poucos, por nós mesmos, sem percebermos. O casamento da fome com a vontade de comer!</p>
<p>Jeffrey Cole, um dos maiores especialistas da internet, disse que  algo que ninguém previu foi a explosão das redes sociais, essa necessidade global de se comunicar com seus pares e de gerar “conteúdo”. Pois me parece claro que o sucesso das redes sociais está muito ligado ao individualismo das últimas décadas: é, na verdade, a resposta possível da espécie a ele. Somos, biologicamente, uma espécie gregária, que assim sobreviveu e evoluiu. Temos necessidade do contato. As redes sociais são a versão moderna do bando, do coletivo, necessário à sobrevivência.</p>
<p>Mas não há almoço grátis: a quantidade desse contato superficial não substitui  a qualidade do contato à moda antiga, certamente presente em menor número, mas em intensidade muito maior. Edu Lobo, no filme sobre a vida do Vinicius (coincidentemente, menciono novamente o filme, mas é realmente emblemático para alguns dos argumentos aqui colocados), disse que Vinicius era do tipo que “ligava para saber como as pessoas estavam”. Você imaginou hoje alguém ligando para o outro para saber como a pessoa está, sem algum motivo especial? Qual foi a última vez que alguém lhe ligou para perguntar como você estava, assim, do nada? E qual foi a última vez que você ligou para alguém com esse propósito? No mundo de hoje, esse comportamento é altamente improvável, exceto talvez para alguém que tenha muito tempo livre ou que não faça parte desse mundo.  O que temos, na verdade, é o oposto: gasta-se 30 segundos ou menos para dar parabéns por email, por exemplo, ou via Facebook, e estamos resolvidos (isso quando lembramos do aniversário); cumprimos nossas obrigações para com nossos amigos, ou para com nossa rede de contatos, para usar o termo mais correto hoje (não que eu seja diferente, que fique claro…).</p>
<p>A profusão de contatos superficiais e efêmeros na verdade disfarça, sem pesar a consciência de ninguém, o enorme fosso que vai se formando na vida afetiva das pessoas: o acúmulo de não-contato  E, quanto maior esse fosso, mais as pessoas tentam compensar mergulhando nas redes coletivas, tarefa em muito facilitada pelos celulares, que nos colocam em “contato” com o mundo o tempo todo. São, enfim, milhões e milhões de pessoas solitárias mas solidárias nessa solidão, tentando criar sentido ao enviar mensagens de 140 caracteres e textos curtos recheados de pontos de exclamação e ícones de sorrisos, etc., substitutos meio tortos da interação cara a cara, olho no olho. Ou, vá lá, via telefone, uma forma de contato que hoje em alguns casos já passa a ser luxo.</p>
<p>Claro que tem o lado positivo disso tudo. As redes sociais e a comunicação digital como um todo permitem que se acompanhe a vida de muitas pessoas próximas, de uma forma que seria impossível por outras vias. Ainda que de forma superficial, você pode dar um “oi” para quem não é tão próximo. É possível conhecer pessoas legais, que passam a fazer parte de sua rede de amigos. E, claro, tem gente (muita) que acaba casando com alguém que conheceu online. Porém, a crítica que faço é que essa vantagem está, conscientemente ou não, sendo ampliada para muito além de seu uso saudável. Está se constituindo no substituto das interações que moldaram as relações humanas. E isso não me parece bom.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=972&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Avatar merecia mais</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 23:44:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Antes de escrever sobre Avatar, fiz uma consultazinha na internet e conversei com algumas pessoas que viram o filme.  Fiquei surpreso – quase só críticas favoráveis e pessoas que respeito intelectualmente gostaram muito do filme. Será que vimos o mesmo filme? Será que minha avaliação está errada, sou insensível, exigente, obtuso? Será que minhas expectativas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=945&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de escrever sobre <a href="http://www.avatarfilme.com.br/">Avatar</a>, fiz uma consultazinha na internet e conversei com algumas pessoas que viram o filme.  Fiquei surpreso – quase só críticas favoráveis e pessoas que respeito intelectualmente gostaram muito do filme.</p>
<p>Será que vimos o mesmo filme? Será que minha avaliação está errada, sou insensível, exigente, obtuso? Será que minhas expectativas estavam exageradas e equivocadas? Vamos ser justos: Avatar é um show, uma super-produção primorosa. Em 3D, você de fato entra nas cenas. A realidade virtual criada por James Cameron é perfeita. É uma obra-prima na forma. Mas no conteúdo…</p>
<p>O roteiro é fraco, óbvio, chega a afrontar nossa inteligência. Os diálogos são pobres e os personagens totalmente clichês, ainda que em geral bem interpretados: o heroí, a heroína, os ajudantes dos dois, o vilão (excelente, por sinal, o ponto alto do enredo), e assim por diante. Tudo bem, é possível ter esses clichês e fazer um grande filme. Mas não é o caso. A história é previsível do começo ao fim, você fica esperando algo diferente e simplesmente não vem nada, até o ponto em que você se contenta em apreciar o visual e os efeitos.  Infelizmente, tive que ver o filme dublado, o que é de lascar, e isso talvez tenha contribuído negativamente.</p>
<p>O filme procura ainda passar uma mensagem educativa: que temos de proteger o meio-ambiente, caso contrário destruiremos nosso planeta. Ok, concordo.  Mas essa abordagem seria válida e potencialmente impactante caso esse tema não fizesse parte da nossa agenda. Nesse caso, mesmo com uma historinha boba, Avatar teria um impacto ao trazer à tona um tema novo e relevante. Mas, pombas, esse é o principal tema discutido no mundo atual! O grande desafio que temos é como conciliar o aumento da renda de grande parte da população mundial, que vai se refletir em maior consumo, com a necessidade de utilização racional dos recursos naturais.</p>
<p>Ainda não sabemos ao certo como fazer isso, como a COP15 demonstrou em dezembro. Mas a discussão está em todos os jornais, TVs, internet, governos, empresas. Talvez quando Cameron começou a trabalhar a ideia, há 10 ou 12 anos, fosse um tema de vanguarda. Hoje, é <em>main stream</em>. Não me parece necessário gastar US$ 300 milhões e empregar uma metáfora da destruição de um outro planeta para passar essa mensagem. Talvez eu esteja exagerando; talvez eu seja mais consciente a respeito dessas questões, do que a maior parte da população mundial &#8211; afinal me informo minimamente. Faço, então, uma ressalva: talvez o filme tenha êxito ao passar essa mensagem, ainda que de uma maneira água com açúcar. Para mim, porém, Avatar foi inócuo nesse sentido.</p>
<p>Mesmo com esses tropeços, o filme se salvaria, tamanha a qualidade da produção e a inovação visual. Mas Avatar ainda abusa dos lugares-comuns: a culpa pelo extermínio de populações tecnologicamente menos favorecidas, o amor impossível (me pareceu muito um Dança com Lobos: uma civilização mais avançada destrói a outra, até que surge um amor para complicar…), a culpa pelas conseqüências – psicológicas inclusive &#8211; da Guerra do Vietnã e afins, o velho embate entre o bem e o mal, Davi contra Golias, e assim por diante.</p>
<p>De fato, o diretor caracterizou as duas civilizações em conflito como totalmente antagônicas, colocando-as em pontos absolutamente opostos em relação aos aspectos éticos. De um lado, o “povo do céu”, isto é, nós, armados, poderosos e sem escrúpulos, querendo explorar um metal raro presente no subsolo de Pandora; de outro, uma tribo alienígena (metáfora clara dos povos indígenas que foram exterminados) que vive em total comunhão com a natureza,  de modo absolutamente idílico &#8211; Pandora, de fato, assemelha-se a uma espécie de paraíso. Nesse sentido, Cameron se mostra um grande pessimista com os rumos da raça humana: em 2154, teremos destruído todo o verde daqui e o próximo passo é fazer o mesmo por lá.</p>
<p>Há ainda um <em>gran finale</em>, e se você não viu o filme, aconselho a parar por aqui. Diante da possibilidade de voltar para a Terra ou mudar definitivamente para Pandora e se tornar um Na’vi, abandonando sua versão humana, o herói Jake não hesita: se “suicida” como humano para viver no paraíso de Pandora com sua amada nativa. É a utopia em seu grau extremo: abandonar a própria vida, o próprio mundo, e viver no Eden. Isso dá mais uma longa análise, mas deixa pra lá…</p>
<p>Você vai achar que não recomendo o filme. De forma alguma. Avatar é bom? Depende do que se busca e talvez aí esteja meu erro com essa análise bem crítica. Se a ideia é ver um belo roteiro e uma história inteligente, esqueça. Se o objetivo é se divertir com uma criação brilhante, vá fundo que a diversão é garantida. As duas horas e meia de filme passam rapidamente e você embarca mesmo em uma viagem. Mas mesmo por isso, por ter feito algo tão grandioso e com tanto potencial, James Cameron poderia ter marcado época e feito um filme melhor. Avatar merecia uma história mais consistente, menos óbvia e infantil, menos Romeu e Julieta com final feliz, que acabou apenas servindo como invólucro para embalar as peripécias tecnológicas e a incrível criatividade visual. Uma pena.</p>
<p>PS: recebi esse link aqui comparando <a href="http://failblog.org/2010/01/10/avatar-plot-fail/">Avatar com Pocahontas</a> <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>(Vai, pode meter o pau agora).</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-29-as-20-48-14.png"><img class="alignnone size-full wp-image-944" title="Captura de tela 2010-01-29 às 20.48.14" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-29-as-20-48-14.png?w=500&#038;h=261" alt="" width="500" height="261" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=945&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Os famosos e o Twitter</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 21:38:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acredito que uma das razões que explica o sucesso do Twitter é a possibilidade de seguir pessoas famosas que normalmente não estão ao alcance dos cidadãos comuns. De repente, esse cidadão pode acompanhar em tempo real o dia-dia e as opiniões de celebridades normalmente inacessíveis, como políticos, esportistas, artistas, modelos, apresentadores de TV, etc.  O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=902&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito que uma das razões que explica o sucesso do Twitter é a possibilidade de seguir pessoas famosas que normalmente não estão ao alcance dos cidadãos comuns. De repente, esse cidadão pode acompanhar em tempo real o dia-dia e as opiniões de celebridades normalmente inacessíveis, como políticos, esportistas, artistas, modelos, apresentadores de TV, etc.  O que realmente pensam? O que estão fazendo nesse exato momento em que você, por exemplo, está no trânsito esperando para chegar em casa? Essa sincronicidade de tempo gera proximidade, intimidade, de ambas as partes.</p>
<p>O interessante é analisar por qual razão as celebridades (não todas, claro) aderiram ao Twitter e o usam com intensidade. Há, evidentemente, a auto-propaganda; ser uma celebridade via de regra significa também saber ocupar os espaços, estar na mídia, e o Twittter é uma nova mídia, cujo potencial veio à tona na campanha do Obama à presidência dos EUA (obs: o Obama assumiu que não era ele quem tuitava).</p>
<p>Há, também, o ego. Celebridade que se preze tem um ego colossal (caso contrário não conseguiria lidar com a pressão e com a vigilância que a fama traz) e nada melhor para alimentar esse ego do que estar diretamente em contato com milhares, centenas de milhares de fãs. O número de seguidores diz muito sobre a influência de cada um. Como bem colocou meu sócio <a href="http://blog.miguelcavalcanti.com/">Miguel Cavalcanti</a>, se o número de seguidores não aparecesse, a atratividade da ferramenta cairia muito.</p>
<p>E tem mais: quem falar mal…pode ser sumariamente bloqueado, eliminando-se o problema. Assim, fica ao alcance de cada um evitar a crítica direta e selecionar só os elogios.</p>
<p>Mas acredito que existam outras razões menos óbvias e que não estão sendo comentadas. Eu pelo menos, não vi nada a respeito, embora não seja exatamente um ávido devorador de informações online. Acho que, pelo Twitter, o “famoso” pode mostrar seu lado “gente comum”, de uma maneira direta e sem intermediários. Pelo Twitter, não é mais aquele personagem que é retratado nas revistas, jornais e TV; não é necessariamente o famoso em seu horário de trabalho e, portanto, sujeito às restrições que o cargo lhe impõe.</p>
<p>Pelo Twitter, um pouco do ser humano real aparece. Afinal, toda celebridade acaba sendo muito mais o que se espera que ela seja do que o que ela é realmente. E o Twitter acerta um pouco essa conta. Esses famosos, justamente por não poderem ser eles mesmos em seu dia-a-dia dada a responsabilidade que têm, a imagem a zelar (o impacto de um escândalo como o que envolveu Tiger Woods certamente seria menor em alguém menos exposto), acabaram encontrando no Twitter uma maneira de mostrar quem realmente são – e o melhor, restrito a 140 caracteres, isto é, a exposição não é tão grande assim e o risco de escorregar, bem menor, embora existente (claro).</p>
<p>É possível que os famosos tenham essas necessidade até mais do que o cidadão comum, que não carrega um peso tão grande e que cujos erros tendem a ter impactos bem menos devastadores ou irreversíveis. Não sou uma celebridade, mas imagino que aquela sensação de ser famoso e ao mesmo tempo só, isolado, diminui via Twitter.</p>
<p>Também, via Twitter os famosos não correm o risco de ter uma frase retirada de contexto e ser amplificada de forma a prejudicá-lo, intencionalmente ou não. Não há a edição de um jornalista, por exemplo. É lógico que há o outro lado: falou besteira, não tem a quem culpar. Mas ainda assim pode ser mais confortável correr esse risco do que ter surpresas com interpretações equivocadas de terceiros, incompetência ou maldade mesmo. Em uma extensão  desse raciocínio, vale lembrar que o Twitter ainda não foi totalmente descoberto pela mídia. Ainda não são tão frequentes as matérias nas mídias tradicionais criticando ou ironizando o que os famosos tuitaram. É possível que, quando todas as mídias descobrirem esse “potencial”, os famosos se inibam mais e a nova ferramenta perca bastante sua força.</p>
<p>Enquanto isso não ocorre, o povo se diverte, acompanha seus ídolos, interage com eles de uma forma que nunca sonhou e, com isso, contribui para tornar o Twitter a febre que se tornou.</p>
<p>PS: outras contribuições do <a href="http://blog.miguelcavalcanti.com/">Miguel</a> &#8211; os empregadores das celebridades não têm mais como monetizar esse monte de seguidores. As centenas de milhares de seguidores do William Bonner, por exemplo, são um ativo dele. Se ele sair, leva todo mundo! Quando perceberam isso, já era tarde&#8230;ainda, há o fato da exposição sem o controle do empregador. O mesmo Bonner, por exemplo, que só aparece no JN todo formatadinho, no Twitter está livre, leve e solto, e pode dar suas escorregadas e, numa dessas, prejudicar  a si e a Globo. O Boris Casoy, por exemplo, é um que não poderia ter Twitter em hipótese alguma. =)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=902&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sou um dinossauro à beira da extinção?</title>
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		<comments>http://blog.oquederevier.com/2009/10/28/sou-um-dinossauro-a-beira-da-extincao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 23:19:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
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		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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		<description><![CDATA[É assim que às vezes me sinto. Começo mesmo a achar que estou ficando ultrapassado.  E já aviso que vou escrever absurdos que irão contra o censo comum destes novos tempos. Recomeçando: ultrapassado. Explico: a forma como absorvo informação é incompatível com essa avalanche caótica, compartimentalizada e superficial de mensagens cuja expressão máxima é o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=825&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É assim que às vezes me sinto. Começo mesmo a achar que estou ficando ultrapassado.  E já aviso que vou escrever absurdos que irão contra o censo comum destes novos tempos.</p>
<p>Recomeçando: ultrapassado. Explico: a forma como absorvo informação é incompatível com essa avalanche caótica, compartimentalizada e superficial de mensagens cuja expressão máxima é o Twitter, a ante-sala do grunhido, segundo o Saramago, certamente um dinossauro ainda mais jurássico do que eu.</p>
<p>Sou daqueles que precisa ir a fundo na argumentação de um autor para poder compreender suas hipóteses e seu raciocínio e, mais importante, tentar incorporá-los na minha forma de ver as coisas ou aplicá-los no dia-a-dia profissional, por exemplo. Em livros de negócios, sou daqueles que lêem o rodapé, as notas no final do livro, dou uma passada na bibliografia. Não sou daqueles que vai se contentar com um link que leva à fórmula de sucesso do último empreendedor da internet mundial.</p>
<p>Com esse método quelônico de obtenção de novas informações, vou certamente ficar para trás, perdendo feio para aqueles que se adaptam bem a essa nova realidade em que tudo é repassado na forma de pequenos fragmentos descontextualizados e desconexos (falando mais especificamente do Twitter): dicas sensacionais para os negócios e para a vida pessoal, alguém reclamando de insônia, outro fazendo auto-propaganda, de repente o Millôr escrevendo algo inteligente, uma notícia aqui e ali, um outro tentando emplacar uma frase supostamente inteligente e que possa ser retuitada e ganhar o mundo, um outro ainda deixando todos a par de sua rotina diária, etc. (não que eu seja diferente, o que não quer dizer que não possa criticar, muito pelo contrário&#8230;).</p>
<p>É como ficar na frente da televisão durante horas, só mudando de canal, sem realmente ver nada direito. Você ouve o galo cantar, mas não sabe aonde. Talvez nem tenha sido um galo. Não importa – parece que já tem outra coisa cantando.   É assim que me sinto com o Twitter, a nova febre da humanidade, ainda que nem seus fundadores saibam exatamente para que serve e como ganhar dinheiro com isso (aliás, só alguém ultrapassado como eu fica preocupado com essas coisas mundanas – o uso vai aparecer mais para frente, e não interessa ganhar dinheiro, o que vale é criar a  “rede”. Sei.).</p>
<p>Colocando um olhar externo sobre esses tempos, acho que existe um deslumbramento infantil e escapista nisso tudo. É importante estar na moda, fazer o que os outros fazem, e é isso que os outros estão fazendo. As pessoas não param muito para pensar, até porque não adianta pensar sobre algo que está só começando; o futuro é incerto, o que importa é pegar a onda.</p>
<p>Também, as pessoas se sentem maravilhadas com a possibilidade de aparecer para o mundo (só que não dá para todo mundo aparecer para o mundo e daí você vai perceber que aparece mesmo para uns poucos!!), de finalmente dar vazão a alguma coisa que não tinha como ganhar o mundo no universo pré-internet, e o resultado é um tsunami de informações que tornam impossível ter a atenção suficiente para separar o joio do trigo. O Herbert Simon, Prêmio Nobel de Economia, cunhou a expressão “A riqueza de informação cria a pobreza de atenção”. Nada mais correto: é muita coisa, o bom vai se perder no meio de uma imensidão de inutilidades.</p>
<p>Ainda, o fenômeno das redes sociais virtuais pode ser a necessidade das pessoas de fazer parte de alguma coisa, de ser reconhecidas; é também a expressão atual do milenar hábito gregário do ser humano, que vem sendo continuamente achatado nessa sociedade individualizada, e que gera pessoas simplesmente carentes, que precisam de companhia, proteção e aprovação.</p>
<p>É possível que eu esteja errado, e bem provável que esteja exagerando. Há, claro, o lado positivo disso tudo. Só que, neste texto, optei por expressar o lado negativo, ainda que de forma potencialmente exagerada: o objetivo era esse mesmo, visando estimular a reflexão de quem vê a coisa de forma diferente da minha.</p>
<p>Às vezes ser polêmico tem seu valor. O Alvin Toffler (outro paleolítico)  não engole isso de inteligência coletiva.  As massas escolhem errado. Deixa o Chris Anderson ou o Jeff Howe ouvirem isso&#8230;Mas o Toffler merece um crédito, afinal “previu” o futuro melhor do que ninguém (ah, mas o Anderson e o Howe criam o futuro! Pode até ser, mas quando a coisa é unânime, fico preocupado&#8230;).  Quando li isso do Toffler, eu parei pra pensar na questão.</p>
<p>Voltando ao meu problema inicial. O que me preocupa em relação ao conhecimento é que ninguém vai mais a fundo em nada. As pessoas buscam pílulas de informações que sequer utilizam, porque precisam buscar novas pílulas amanhã. Eu não consigo estruturar um raciocínio decente em cima dessa areia movediça, mas fico com a sensação de que estou perdendo o passo até ser finalmente extinto.</p>
<p>Nesse ambiente, é inconcebível perder tempo, por exemplo, lendo um livro de 800 páginas (no momento, eu estou lendo um livro de 800 páginas&#8230;). Imagine quantos posts em blogs e no Twitter eu poderia ler, quantas fotos no Flickr eu poderia comentar e com isso dar a senha para outros comentarem as minhas também, ao invés de ficar preso por semanas em um texto “ineficiente” à la Grande Sertão-Veredas? O mundo lá fora corre e eu lendo um livro de 800 páginas, enquanto circularam pelo menos 15 listas das 10 melhores dicas disso e daquilo!! (e sabe-se lá se alguém realmente vai conseguir implantá-las, ou só está enganando a si próprio e procrastinando, não fazendo aquilo que sabe que precisa ser feito, mas isso é outra história).</p>
<p>(Aliás, o que um defasado como eu diria sobre dicas de negócios? Vá ler o Porter, o Kotler, o Mintzberg, o  Christensen, o Adam Smith&#8230;vá direto à fonte, entenda o raciocínio de quem de fato produziu algo que agrega, ainda que, no fundo, você saiba que isso não vá resolver a vida de ninguém).</p>
<p>Mas&#8230;e se eu fizer mesmo parte de um mundo em extinção? Será que hoje em dia Grande Sertão-Veredas serve mesmo para alguma coisa, exceto passar no vestibular? Indo mais além, para que serve cultura e conhecimento, se a regra que impera é a superficialidade, a quantidade em detrimento da qualidade, a transitoriedade, o “líquido, do Zigmunt Bauman?  Pra que livros, museus, história, geografia, política, se o namorado da Demi Moore tem mais de 1 milhão de seguidores no Twitter? Quais são os valores que determinarão o sucesso daqui para frente? O que é mais importante – conseguir mobilizar um número enorme de pessoas nas redes sociais, ter seguidores como um Antônio Conselheiro tinha, ainda que você só escreva bobagens, ou ter algum conhecimento, em tempos em que está tudo disponível a um clique, no Google (e depois virão os implantes cerebrais mesmo)?  Boas dúvidas&#8230;</p>
<p>Esse texto pode parecer pessimista, mas não é exatamente essa a questão. Talvez a geração mais nova não entenda nada do que escrevi, assim como nunca terão passado um fax ou colocado uma carta no correio. Aliás, sou de uma geração de transição, aquela que ainda tenta pegar o bonde,  mas constata que ele anda cada vez mais rápido. E que ainda acha que o bonde pode estar indo para o lado errado&#8230;</p>
<p>Talvez seja este o problema: essas preocupações todas podem ser tão somente uma espécie de canto do cisne, inócuo, que soa indiferente para quem vive perfeitamente bem sem saber onde o galo cantou ou se, de fato, aquilo era mesmo um galo.</p>
<p>PS: A cada dia, eu deixo de seguir determinado número de pessoas no Twitter. Meu principal critério é o número de tuitadas: comecei a cortar os que tuitavam demais. Pensando bem, gosto cada vez mais de seguir aquelas pessoas que nunca tuítam (tem acento?) nada.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=825&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Quer viver mais? Seja generoso</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/09/07/quer-viver-mais-seja-generoso/</link>
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		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 01:05:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebi um texto legal sobre longevidade, que dizia que ser generoso faz você viver mais. Um estudo nos Estados Unidos revelou que pessoas empenhadas em ajudar o próximo reduzem em 60% o risco de morte precoce. Segundo especialistas brasileiros, isto estaria ligado ao fato de que, ao ajudar o próximo, a pessoa se sente mais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=760&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recebi um texto legal sobre longevidade, que dizia que ser generoso faz você viver mais. Um estudo nos Estados Unidos revelou que pessoas empenhadas em ajudar o próximo reduzem em 60% o risco de morte precoce. Segundo especialistas brasileiros, isto estaria ligado ao fato de que, ao ajudar o próximo, a pessoa se sente mais útil, dando um sentido maior à sua vida. Isso também reforça os vínculos afetivos, que seria mais uma razão para (o organismo) querer viver mais. Por outro lado, o egocêntrico tem o dobro de chances de morrer cedo.</p>
<p>Ser generoso, doar-se, fazer o bem, está, dessa forma, intimamente ligado a manter laços afetivos fortes com aqueles que estão à sua volta. E isso faz viver mais, segundo o artigo.</p>
<p>Lembrei-me na hora (mais uma vez) do livro <a href="http://blog.oquederevier.com/2008/12/14/critica-de-livro-outliers-fora-de-serie-de-malcolm-gladwell/">Fora de Série (Outliers)</a>, do Malcolm Gladwell, que conta, no prefácio, a história de uma pequena cidade de imigrantes italianos nos Estados Unidos, chamada Roseto, na Pennsylvania. Um médico chamado Stewart Wolf, especializado em digestão, soube que raramente havia uma pessoa com menos de 65 anos que tinha problemas cardíacos nessa cidade. Isso foi em 1950, antes dos remédios para redução do colesterol. Os infartos eram a principal causa de morte em homens com menos de 65 anos. Em Roseto, a taxa era simplesmente a metade daquela vigente na época no país. Somando-se todas as doenças, a incidência era 30 a 35% mais baixa do que no restante dos EUA.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-761" title="RosetoPaBurroughSign_opt" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/rosetopaburroughsign_opt.jpg?w=400&#038;h=300" alt="RosetoPaBurroughSign_opt" width="400" height="300" /></p>
<p>Wolf resolveu investigar o porquê. De início, espantou-se com o fato de não haver suicídios, alcoolismo ou uso de drogas. O número de crimes era mínimo e quase ninguém dependia da previdência social. Não havia ninguém com úlceras pépticas. As pessoas morriam de velhice.</p>
<p>Indo mais a fundo, ele tentou encontrar explicações na alimentação. Mas logo viu que os habitantes cozinhavam com banha de porco e não com azeite de oliva. Nutricionistas avaliaram que 41% das calorias (altíssimo) eram provenientes de gorduras. Não era a dieta, portanto.</p>
<p>Também, não havia esportistas e muitos até eram fumantes, além de obesos. Tudo errado. Wolf considerou então a genética, mas novamente não encontrou explicação, visto que seus parentes em outras regiões dos EUA não tinham a mesma saúde deles, nem mesmo em cidades de imigrantes vizinhas a Roseto.</p>
<p>Ele passou a desconfiar que talvez algum aspecto comportamental fosse a explicação. A diferença estava na intensa interação entre as pessoas e forte preservação dos clãs familiares, muitas vezes com 3 gerações familiares vivendo sob o mesmo teto. Isso ele não havia encontrado em nenhum lugar. Essas pessoas tinham um sentimento de utilidade coletiva, uma razão de ser, que ia além de sua individualidade e era responsável por aumentar significativamente sua expectativa de vida. Essa interação está ligada à generosidade, no sentido de se doar para a comunidade, ser importante para ela, ter uma vida plena de sentido. Talvez isso aumente o grau de felicidade e também contribua para uma vida mais longa.</p>
<p>Gladwell finaliza o prefácio dizendo que “é preciso aceitar a ideia de que os valores do mundo que habitamos e as pessoas que nos cercam exercem um grande efeito em que nós somos”. E, incrível, em quanto duramos nessa nossa passagem por aqui.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-762" title="rosetoscholl" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/rosetoscholl.jpg?w=360&#038;h=254" alt="rosetoscholl" width="360" height="254" /></p>
<p>É algo realmente notável. Fiquei pensando se não há um forte componente evolutivo nisso (não adianta, tudo começa ou acaba em Darwin). Se a generosidade está relacionada à vida em comunidade, talvez tenhamos sido selecionados para ser generosos por natureza. Imagino que para nossos ancestrais hominídeos a vida coletiva era fundamental para a sobrevivência. Se todos fossem individualistas, egocêntricos e excessivamente auto-centrados, provavelmente a comunidade desapareceria. Seria presa fácil para animais selvagens, não conseguiria caçar, etc. Assim, geração após geração, fomos sendo selecionados para viver em comunidade, o que implica em se doar, ser generoso.</p>
<p>Hoje é que está tudo invertido. Interessante Roseto ser justamente nos Estados Unidos, a meca do individualismo. Lá, talvez essa ausência da vida em comunidade tente ser substituída por alternativas como o rigor quase obsessivo nas questões de alimentação e exercício, visando diminuir a incidência de problemas de saúde. Uma tentativa de compensação, provavelmente capenga. O resto do mundo desenvolvido não está muito atrás (nós incluídos), afinal o padrão de competição mundial vigente é o norte-americano. Se quiser fazer parte&#8230;<em></em></p>
<p>Mas talvez haja uma reversão em curso no mundo, simbolizada por aspectos isolados, que, em conjunto, podem significar a construção de um novo padrão. Eleição do Obama, preocupação crescente com as mudanças climáticas, crescimento da importância da responsabilidade social das empresas, fortalecimento das ONGs, todos estes podem ser indicativos que estamos buscando inconscientemente o retorno ao que está impresso em nosso código genético: viver melhor em sociedade e, por conseqüência, dar mais sentido à nossa vida e assim viver mais. Talvez, enfim, o ser humano seja geneticamente programado para ser bom e generoso.</p>
<p> <em>(Será que a internet e suas comunidades também significam uma tentativa de dar mais sentido às vidas das pessoas, uma maneira talvez torta de compensar o stress, a competitividade, o individualismo e o egocentrismo, a corrida atrás do próprio rabo que se tornou grande parte da nossa existência? Será que o Facebook, o Orkut, o Flickr, o Twitter, etc., conseguirão ser bem sucedidos no papel de Roseto virtual?)</em></p>
<p> A revista National Geographic de novembro de 2005 trouxe uma matéria chamada “The Secrets of Long Life”. Eles estudaram porque habitantes de três regiões distintas do mundo viviam mais do que os outros. Essas três comunidades eram Okinawa, no Japão; a Sardenha, na Itália; e Loma Linda, uma comunidade de adventistas do sétimo dia na Califórnia. Cada um tinha características específicas que levavam a uma vida mais longa, e obviamente há outros aspectos que não só a vida em comunidade e que estão relacionados à longevidade. Veja na figura abaixo o que encontraram em cada uma delas e o que estava presente em todas elas. Certamente não é coincidência! Pessoalmente, se é para viver mais, eu voto na Sardenha&#8230;rs.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-763" title="natgeolongevity" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/natgeolongevity.jpg?w=500&#038;h=370" alt="natgeolongevity" width="500" height="370" /></p>
<p>Dedico esse texto aos meus avós, Lucy e Moacyr, 85 e 87 anos. Finalmente descobri porquê  eles vão chegar aos 100 facilmente!!</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-764" title="IMG_4217" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_4217.jpg?w=300&#038;h=225" alt="IMG_4217" width="300" height="225" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=760&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Globo Repórter sobre a Amazônia: belo documentário</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/07/25/globo-reporter-sobre-a-amazonia-belo-documentario/</link>
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		<pubDate>Sat, 25 Jul 2009 22:30:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Globo Repórter]]></category>

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		<description><![CDATA[Assisti ontem ao Globo Repórter sobre os confins da Amazônia, na fronteira com a Colômbia. Mais um sobre esse tema: devem ter sido feitos mais de dez ao longo das últimas décadas. Podem falar o que quiser da Globo (discurso velho, esse, aliás), mas uma coisa é inegável: o padrão Globo de qualidade é de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=703&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assisti ontem ao Globo Repórter sobre os confins da Amazônia, na fronteira com a Colômbia. Mais um sobre esse tema: devem ter sido feitos mais de dez ao longo das últimas décadas.</p>
<p>Podem falar o que quiser da Globo (discurso velho, esse, aliás), mas uma coisa é inegável: o padrão Globo de qualidade é de tirar o chapéu.</p>
<p>A fotografia estava magnífica; o roteiro, idem, bem como as entrevistas feitas. Tudo. Um trabalho absolutamente essencial para conhecermos mais esse Brasil escondido, em parte parado no tempo e aprisionado pela natureza, e que só conhecemos superficialmente ou mesmo equivocadamente.</p>
<p>O documentário mostrou a vida das pessoas nas áreas de fronteira, acessíveis somente após horas de barco pelos rios da região. Ao ser questionada sobre o que não poderia faltar ali, a mulher ribeirinha foi rápida: “o anzol”. Outra mulher disse que, para eles, o leite em pó valia mais do que o ouro.</p>
<p>A matéria mostrou também os heróis anônimos da região como os militares, que carregam a tripla missão de vigiar as fronteiras, ajudar os ribeirinhos e mapear a Amazônia. Fiquei pensando quanta coisa nós não sabemos ou, pior, sabemos da forma errada, fazendo julgamentos equivocados.</p>
<p>Enfim, um programa bom de se ver, tanto pela qualidade jornalística como pela mensagem otimista de que a Amazônia é nossa e tem muita coisa ainda protegida.</p>
<p><a href="http://g1.globo.com/globoreporter/0,,MUL1242492-16619,00-CONHECA+REGIAO+DA+AMAZONIA+QUE+ESTA+FORA+DO+MAPA.html">Veja o texto e o vídeo clicando aqui</a>.</p>
<p>Bom, faço uma pausa de uma semana, em que, creio, não conseguirei atualizar o blog por estar no meio do Pantanal, fazendo um workshop de fotografia.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=703&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Exposição de Pierre Verger, em Piracicaba</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Jun 2009 22:43:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[antropologia]]></category>
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		<category><![CDATA[cultura negra]]></category>
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		<description><![CDATA[Estou para fazer esse post já há algum tempo. Até dia 21 de junho, estará no Teatro Municipal, aqui em Piracicaba, a exposição de fotografias &#8220;O Olhar Viajante&#8221; de Pierre Verger, um dos principais etnólogos e fotógrafos radicados no Brasil e que fotografou a cultura negra no Brasil e na África. São impressionantes as semelhanças de rituais, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=639&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou para fazer esse post já há algum tempo. Até dia 21 de junho, estará no Teatro Municipal, aqui em Piracicaba, a <a href="http://www.indicapira.com.br/texto.aspx?idcontent=5517">exposição de fotografias &#8220;O Olhar Viajante&#8221;</a> de <a href="http://www.pierreverger.org/">Pierre Verger</a>, um dos principais etnólogos e fotógrafos radicados no Brasil e que fotografou a cultura negra no Brasil e na África. São impressionantes as semelhanças de rituais, instrumentos musicais, roupas.  Vale a pena ir.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-640" title="verger1" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/06/verger1.jpg?w=200&#038;h=202" alt="verger1" width="200" height="202" /></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-641" title="verger2" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/06/verger2.jpg?w=274&#038;h=288" alt="verger2" width="274" height="288" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/639/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/639/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/639/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/639/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/639/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/639/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/639/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/639/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/639/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/639/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=639&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Darwin revisitado</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Apr 2009 14:29:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Darwin]]></category>

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		<description><![CDATA[Pode parecer surpreendente a dimensão das comemorações em torno dos 200 anos de Charles Darwin e dos 150 anos da Origem das Espécies, sua obra-prima. Exposições, livros, programas de TV, reedição de suas obras, discussões, à primeira vista tudo soa ampliado se comparado às homenagens relativas a outros cientistas, descobertas e teorias que ajudaram a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=478&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pode parecer surpreendente a dimensão das comemorações em torno dos 200 anos de Charles Darwin e dos 150 anos da Origem das Espécies, sua obra-prima. Exposições, livros, programas de TV, reedição de suas obras, discussões, à primeira vista tudo soa ampliado se comparado às homenagens relativas a outros cientistas, descobertas e teorias que ajudaram a compreender a física, a química, a biologia, a vida.</p>
<p>Claro que Darwin tem enorme importância. Há quem diga, talvez com propriedade, que a teoria da evolução é a ideia mais genial que alguém já teve, colocada à frente das contribuições de Einstein e Newton. Richard Dawkins (&#8220;O Gene Egoísta&#8221;) questiona o fato dela não ter sido proposta séculos antes, dada a sua simplicidade, o que a valoriza ainda mais. Suas aplicações se estendem a diversos campos, da biologia à medicina, passando pela psicologia e até pela computação. É uma proposição simples, convincente e poderosa.</p>
<p>Mas a ênfase nas comemorações dessas datas vai além da simples lembrança de grandes feitos e de idéias que mudaram nossa concepção a respeito da história humana. Há, no ar, um resgate dos princípios por trás das idéias que embasaram a origem das espécies e a evolução, uma ânsia renovada por explicar e fazerem-se entendidas as premissas que nortearam a grande descoberta de Darwin. </p>
<p>É como se houvesse uma oportuna coincidência entre a comemoração dessas datas e a aplicabilidade das idéias e dos conceitos, que estariam encontrando agora um ambiente propício para serem discutidas e analisadas, talvez sob um novo contexto. Nada é tão poderoso quanto uma ideia cujo momento finalmente tenha chegado. Talvez as ideias de Darwin tenham encontrado uma segunda vida nesse início de milênio, em que a vulnerabilidade humana e o precário equilíbrio ambiental vêm sendo reafirmados todos os dias, expressos nas mudanças climáticas e no uso crescente de recursos, em uma equação que não tem como ser resolvida se algo de muito significativo não mudar.</p>
<p>Mas, afinal, em que ponto nossa realidade encontra Darwin? A Teoria da Evolução baseia em alguns aspectos essenciais. Primeiro, que as espécies são não imutáveis; pelo contrário, sofrem ação de mutações aleatórias, ocorridas em indivíduos, e que são transmitidas à prole. Segundo, nascem mais indivíduos do que o meio é capaz de suportar, de forma que há competição entre eles (um <em>insight</em> que Darwin teve lendo a obra de Malthus); assim, as mutações que de fato resultam em vantagens adaptativas a determinadas condições ambientais e/ou em vantagens reprodutivas tendem a predominar, ao passo que outras que conferem desvantagens tendem, ao longo de várias gerações, a ser eliminadas. As espécies que hoje aqui estão, sem exceção, são as vencedoras do processo de seleção natural que age há milhões de anos sob todas as formas de vida. Se o ambiente mudar, as características que conferem às espécies de hoje vantagens adaptativas podem, dependendo da mudança, ser prejudiciais, estimulando o desenvolvimento de outras espécies com características mais favoráveis ao novo ambiente.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-479" title="iguanas" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/iguanas.jpg?w=400&#038;h=300" alt="iguanas" width="400" height="300" /></p>
<p>Ao mostrar que o <em>homo sapiens</em> não era produto da criação divina, do design perfeito, mas sim o resultado de mutações aleatórias adaptadas ao ambiente como qualquer outra forma de vida, Darwin colocou o homem em seu devido lugar; éramos, afinal, parte de uma engrenagem que abrangia todas as formas de vida. Em maior ou menor grau, tínhamos parentesco com elas, em especial com os macacos, com quem dividíamos um ancestral comum. Éramos, na verdade, um tipo de macaco. Um choque de humildade que, no início desde século, estamos novamente presenciando à medida que o ambiente é alterado pela ação humana, com conseqüências ainda em sua maioria desconhecidas no que se refere ao equilíbrio vital (isso sem falar na crise econômica no centro do capitalismo, mais um ingrediente para o choque de humildade).</p>
<div class="mceTemp">
<div id="attachment_481" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-481" title="darwin-tree1" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/darwin-tree1.jpg?w=500&#038;h=501" alt="A famosa árvore genealógica de Darwin. &quot;Eu acho&quot;, anotou ele." width="500" height="501" /><p class="wp-caption-text">A famosa árvore genealógica de Darwin. &quot;Eu penso&quot;, anotou ele (ou &quot;eu acho&quot;?).</p></div>
</div>
<p>Sustentabilidade talvez seja um dos termos mais repetidos na mídia, ainda que não saibamos exatamente o que significa e como praticá-lo. Sem dúvida existe um oportunismo de mercado, mas é inegável que a consciência ambiental vem crescendo. Os efeitos das mudanças climáticas e a percepção de que os recursos naturais não são infinitos nos são lembrados com freqüência cada vez maior. Como conciliar o aumento de mais 2,3 bilhões de pessoas no mundo até 2050, dada essa nova conjuntura ambiental para a qual caminhamos, em maior ou menor velocidade? Como conciliar o aumento da renda média nos países emergentes, resultando em maior consumo e uma convergência a hábitos e padrões ocidentais?</p>
<p>Tim Bond, do Barclays Capital, diz que a elevação do consumo de energia da Índia e da China aos padrões ocidentais, em base per capita, está fora de questão. Sozinhas, consumiriam 160 milhões de barris de petróleo por dia, contra 85 milhões que o mundo todo consome hoje. As reservas de energia conhecidas seriam exauridas em 15 anos. As emissões de CO<sub>2</sub> triplicariam, a temperatura subiria 5°C, haveria colapso social, econômico e ambiental. Mesmo aumentos moderados não parecem cabíveis.</p>
<p>Ainda: como produziremos alimentos diante das mudanças climáticas e como lidaremos com a escassez crescente de água? Estas são algumas questões essenciais e que nos remetem a Darwin: o ambiente está mudando, um novo equilíbrio se faz necessário; as premissas sob as quais nos desenvolvemos como civilização precisarão ser revistas. Ainda não sabemos aonde e como ir, mas sabemos que precisamos ir. É um começo.</p>
<p>Isso envolve uma enorme ruptura. Sérgio Besserman Vianna diz que &#8220;<em>o apogeu do modo de produção capitalista e do fetichismo da mercadoria nos afastou da qualidade das coisas, deixando-nos envoltos na névoa cinza das quantidades. O tempo exclusivo das quantidades sempre pode ser menor, cada vez menor. Tudo o que é sólido, desmancha no ar. Superar esse paradoxo vai  exigir rupturas. Rupturas na extensão da consciência histórica, na relação da natureza com o planeta, no modo de produzir e consumir</em>&#8220;.</p>
<p>Ralph Waldo Emerson escreveu que &#8220;<em>quando se patina sobre gelo fino, a segurança está na velocidade</em>&#8220;. No mundo de hoje, o importante é seguir rapidamente; o que ficou para trás não importa, é descartável como o gelo fino que se quebra quando passamos. Da mesma forma, o futuro resume-se a permanecer de pé, nos próximos metros. Não há espaço para olhar muito adiante.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-482" title="chimpanze" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/chimpanze.jpg?w=240&#038;h=318" alt="chimpanze" width="240" height="318" /></p>
<p>Mudaremos esse paradigma? Jared Diamond, na conclusão de <em>Colapso &#8211; Como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso</em>, diz-se um otimista cauteloso: de um lado, reconhece a seriedade dos problemas que enfrentaremos; de outro, lembra que há soluções existentes (&#8220;o futuro está em nossas mãos; estamos lidando com problemas que nós mesmos criamos&#8221;, diz ele), a consciência ambiental cresce em todo mundo e a interdependência do mundo moderno globalizado, onde a informação flui rapidamente, são os motivos de esperança. &#8220;Esta é uma oportunidade (de mudança e de escolhas) que nenhuma sociedade do passado desfrutou nesse grau. Minha esperança é a de que muita gente escolha tirar proveito dessa oportunidade para fazer diferença&#8221;, finaliza.</p>
<p>O Prof. Ricardo Abramovay, da FEA/USP, mostra que as escolhas já estão sendo feitas. Ele diz que &#8220;é notável o avanço de vários países da OCDE na formulação deste problema. Os termos decisivos são descasamento ou desligamento (decoupling, delinking): eles sinalizam para a quebra do vínculo entre crescimento econômico e uso dos recursos. Isso supõe o estabelecimento de uma contabilidade dos fluxos de insumos e detritos que se encontram não somente nos processos produtivos, mas também no consumo. Além da famosa (e muito criticada) pegada ecológica, existe hoje um conjunto amplo de indicadores e de institutos de pesquisa voltados a conhecer de perto as bases materiais e energéticas em que repousam o funcionamento da sociedade&#8221;.</p>
<p>O desafio é considerável. Os efeitos das mudanças climáticas e do uso de recursos que um dia acabarão transcendem as gerações; como conciliar o imediatismo do consumo e a valorização do momento com a necessidade de deixar um mundo melhor para as gerações futuras? A sustentabilidade remete a um futuro que, até então, não nos tem importado. A questão temporal, aliada a própria ruptura nos padrões comportamentais, demanda uma ação de cima para baixo, a partir das lideranças, ainda que a consciência ambiental venha crescendo mundo afora. Marcos legais e mecanismos de mercado precisam ser aperfeiçoados para nos colocar na direção correta.</p>
<p>A teoria de Darwin nos lembra que não somos tão especiais assim, nem tão invulneráveis, como ocorre com qualquer outra espécie. A competição por recursos é uma realidade crescente, assim como a mudança no ambiente, nesse caso produzida por nossa própria ação. Nesse sentido, o seu enaltecimento, 200 anos depois, pode significar a compreensão e o reconhecimento de que algo precisa ser feito para que as condições em que nos desenvolvemos enquanto civilização não sejam drasticamente alteradas em um futuro próximo. Parece, enfim, que estamos redescobrindo Darwin. A sua releitura chegou em boa hora.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-483" title="earth" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/earth.jpg?w=500&#038;h=500" alt="earth" width="500" height="500" /></p>
<p>PS: Sugiro o livro &#8220;<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2711353&amp;sid=87264624511128633536222867&amp;k5=149D72C5&amp;uid=">Charles Darwin &#8211; Em um futuro não tão distante</a>&#8220;, organizado por Maria Isabel Landim e Cristiano Rangel Moreira, do Instituto Sangari, que analisa a obra e a vida de Darwin, além das implicações atuais.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=478&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Darwin, 200 anos</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/02/15/darwin-200-anos/</link>
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		<pubDate>Sun, 15 Feb 2009 18:07:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biologia]]></category>
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		<description><![CDATA[  Charles Robert Darwin Queria ter escrito alguma coisa sobre os 200 anos do nascimento de Charles Robert Darwin, ocorridos no dia 12 de fevereiro, mas não deu tempo. Também, tanta coisa foi escrita sobre ele e sobre a evolução das espécies, que pouco ou nada poderia acrescentar (pretensão a minha de achar que acrescento [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=361&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp mceIEcenter">
<div class="mceTemp mceIEcenter">
<div class="mceTemp mceIEcenter"> </div>
</div>
<dl class="wp-caption aligncenter">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-362" title="darwin-novo" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/02/darwin-novo.jpg?w=396&#038;h=598" alt="Charles Robert Darwin" width="396" height="598" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Charles Robert Darwin</dd>
</dl>
</div>
<p>Queria ter escrito alguma coisa sobre os 200 anos do nascimento de Charles Robert Darwin, ocorridos no dia 12 de fevereiro, mas não deu tempo. Também, tanta coisa foi escrita sobre ele e sobre a evolução das espécies, que pouco ou nada poderia acrescentar (pretensão a minha de achar que acrescento algo, mas&#8230;).</p>
<p>De qualquer forma, aqui vão algumas linhas. A teoria da evolução proposta por Darwin foi uma das três feridas narcísicas que o homem sofreu em sequência (aprendi com a Letícia ontem). A primeira, foi quando se descobriu que o sol não gira em torno da terra, mas sim o oposto (isso foi Copernico). A terceira foi via Freud, a existência do inconsciente que nos controla.  A de Darwin, me parece, foi a mais funda: mostrou que o homem não é produto da criação divina, mas sim fruto de um processo randômico e lento de mutações e seleção natural, estando sujeito às mesmas leis da natureza assim como outro qualquer ser vivo.</p>
<p>A dimensão dessa descoberta vai muito além da teoria em si. Para muitos, coloca em risco inclusive a existência de Deus, pois toda a história do criacionismo cai por terra: o mundo não tinha poucos milhares de anos; os fósseis de animais extintos não eram animais que não conseguiram embarcar na Arca de Noé, mas sim que foram sujeitos a cataclismas naturais ou perdedores na seleção natural; o homem não havia sido criado à semelhança de Deus, mas sim resultado de um processo evolutivo que deu origem a espécies próximas, como os macacos.</p>
<p>É irônico e ao mesmo tempo grandioso que a teoria tenha sido formulada por Darwin, ele mesmo um religioso que inclusive cursou Teologia antes de embarcar no H.M.S. Beagle para mudar a percepção do homem sobre si mesmo e sobre a natureza. Esse dilema o consumiu por vários anos e, por isso, demorou cerca de 17 anos entre formular a teoria e publicá-la, o que só fez diante da ameaça de Alfred Russell Wallace publicá-la antes dele. &#8220;Era como confessar um assassinato&#8221;,  dizia.</p>
<p>Darwin utilizou o conhecimento pré-existente para chegar à teoria, produzido por pessoas como seu próprio avô, o médico Erasmus Darwin, que já havia formulado que todos os seres vivos, incluindo os humanos, haviam derivado de um único filamento.</p>
<p>Mais recentemente, Darwin se valeu da teoria do geólogo Charles Lyell, de que a Terra teria muitos milhões de anos, ao invés de poucos milhares. Esse fato era fundamental para explicar como o acúmulo de pequenas mudanças resultava em novas espécies de seres vivos ao longo do tempo. Outro autor que influenciou Darwin foi o controvertido reverendo inglês Thomas Malthus. De Malthus, Darwin usou a proposição de que &#8220;nos reinos animal e vegetal a natureza espalhou as sementes da vida com mãos generosas e liberais; por outro lado, ela foi comparativamente econômica quanto ao espaço e ao alimento necessário para sua sobrevivência.&#8221; Darwin percebeu a inevitabilidade da competição por recursos, pois nascem mais animais e plantas do que os que podem sobreviver, ajudando a fundamentar a seleção natural.</p>
<p> </p>
<div id="attachment_363" class="wp-caption aligncenter" style="width: 89px"><img class="size-thumbnail wp-image-363" title="lyell" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/02/lyell.jpg?w=79&#038;h=96" alt="Charles Lyell" width="79" height="96" /><p class="wp-caption-text">Charles Lyell</p></div>
<p>A beleza da teoria da evolução está em sua simplicidade, em sua abrangência e no fato de ser inatacável, exceto no meio religioso. Darwin foi o primeiro a formular que a vida nasceu de uma &#8220;sopa primeva&#8221;, que formou as primeiras células. Dessas células derivam todas as formas vivas existentes na Terra. É realmente fabuloso, ainda mais se lembrarmos que, naquela época, não se dispunha do conhecimento genético que hoje se tem. A Teoria da Evolução muda o paradigma da biologia e tem implicações em campos como a psicologia e a medicina. Até nos negócios ela tem sido lembrada.</p>
<p>Darwin era um iconoclasta, alguém que vê as coisas de forma diferente, que vence o medo para divulgar suas idéias (e que idéias!) e que amealha evangelistas que lutam por sua causa. Aliás, é sabido que, após expor a teoria, Darwin não a defendeu &#8211; deixou essa tarefa para outras pessoas. Talvez Darwin tenha sido um dos grandes iconoclastas que tivemos.  Para saber mais sobre iconoclastas, <a href="http://rodolfo.typepad.com/no_posso_evitar/iconoclasta/" target="_blank">leia o post</a> do Rodolfo Araújo sobre o tema.</p>
<div id="attachment_364" class="wp-caption aligncenter" style="width: 82px"><img class="size-thumbnail wp-image-364" title="malthus" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/02/malthus.jpg?w=72&#038;h=96" alt="Thomas Malthus" width="72" height="96" /><p class="wp-caption-text">Thomas Malthus</p></div>
<p>Obs: Sugiro a leitura do livro &#8220;Então você pensa que é humano?&#8221;, do historiador Felipe Fernández-Armesto, de Oxford. Ele mostra que muitas das características que atribuímos exclusivamente aos humanos não são exatamente humanas, mas existem em diversos animais. A autora da capa do livro é a Mariana Newlands, que inclusive tem o blog <a href="http://www.interludio.net/" target="_blank">Ficções do Interlúdio</a>, um blog mais visual do que escrito, diria, com fotos e imagens muito bonitas. Aqui vai a capa dela:</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-365" title="capa_entao_voce_pensa" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/02/capa_entao_voce_pensa.jpg?w=300&#038;h=254" alt="capa_entao_voce_pensa" width="300" height="254" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/361/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/361/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/361/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/361/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/361/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/361/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/361/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/361/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/361/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/361/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=361&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>A crise na mente das pessoas, sob a ótica de Darwin e da psicologia</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 20:50:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tive ontem uma aula diferente e muito boa sobre Crise, no curso Crise: na Economia, na História e na Mente, na Casa do Saber (meu pai tem razão &#8211; esse nome Casa do Saber é de doer&#8230;). A aula, dada pelo filósofo Luis Felipe Pondé (Professor da PUC-SP e da Faap e professor convidado da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=287&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tive ontem uma aula diferente e muito boa sobre Crise, no curso <a href="http://www.casadosaber.com.br/curso.php?cid=1184">Crise: na Economia, na História e na Mente</a>, na <a href="http://www.casadosaber.com.br/main.php">Casa do Saber</a> (meu pai tem razão &#8211; esse nome Casa do Saber é de doer&#8230;). A aula, dada pelo filósofo <strong>Luis Felipe Pondé</strong> (Professor da PUC-SP e da Faap e professor convidado da pós-graduação da Escola Paulista de Medicina) abordou a crise na mente das pessoas.</p>
<div id="attachment_288" class="wp-caption alignnone" style="width: 290px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/ponde.jpg?w=280&#038;h=367" alt="Luiz Felipe Pondé" title="ponde" width="280" height="367" class="size-full wp-image-288" /><p class="wp-caption-text">Luiz Felipe Pondé</p></div>
<p>Ele começou citando o livro A Negação da Morte, de Ernest Becker, antropólogo que ganhou o Prêmio Pulitzer em 1974, fazendo a ponte entre Darwin e a psicanálise (isso me interessou – e já comprei o livro). “Imagine você há 100 mil anos. Um dia você acorda e é o primeiro ser humano a ter consciência de que mais cedo ou mais tarde, vai morrer”, disse. Segundo ele, a partir daí o ser humano tem que conviver com a inviabilidade de sua existência (afinal, para que viver se vai morrer?), sobre a falta de sentido da vida; caminha permanentemente à beira do abismo. Sabe que seu corpo vai durar mais do que ele e carrega esse peso a vida toda.</p>
<p>O ser humano sabe demais. Sabemos mais do que deveríamos, mas menos do que precisamos. Essa consciência da finitude da vida gera um estado permanente de crise na mente das pessoas. Convivemos com a crise em nosso plano estrutural.  Interessante, não?</p>
<div id="attachment_289" class="wp-caption alignnone" style="width: 322px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/becker.jpg?w=312&#038;h=383" alt="Ernest Becker" title="becker" width="312" height="383" class="size-full wp-image-289" /><p class="wp-caption-text">Ernest Becker</p></div>
<div id="attachment_290" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/a-negacao-da-morte.jpg?w=300&#038;h=482" alt="A Negação da Morte" title="a-negacao-da-morte" width="300" height="482" class="size-full wp-image-290" /><p class="wp-caption-text">A Negação da Morte</p></div>
<p>Em seguida, ele discutiu a questão da modernidade e da pós-modernidade. O que define a modernidade é o fato de passarmos a viver (após a Revolução Francesa) de acordo com várias esferas distintas. Hoje, exercemos vários papéis que são compartimentalizados: alguém que é muito religioso, por exemplo, não vai levar essa crença para o trabalho; sabe separar. Precisa. Antes da modernidade, isso não existia. Fazíamos parte de algo único, meio místico e, importante, controlado pela religião e por Deus, seja lá qual for o seu Deus. </p>
<p>Na era moderna, isso mudou. Os pontos críticos dessa mudança foram i) a constatação de que o homem era melhor do que Deus para resolver as questões de justiça e ii) o desenvolvimento científico, que aumentou o conhecimento do homem a respeito de si e do ambiente em que vive, fazendo com que acreditasse mais nos seus recursos. Citando uma passagem de Goethe (Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister), ele mostra que a partir do Renascimento, o homem chama para si a responsabilidade sobre as coisas e diminui o peso do misticismo. É o início da era da competência, da técnica, em que os Estados Unidos são o exemplo mais evidente de sucesso. </p>
<p>O mundo hoje exige eficiência máxima, sucesso o tempo todo;  segundo ele, o aumento dos índices de depressão no mundo, apesar do maior bem-estar coletivo (e melhores condições de renda) pode ser reflexo dessa pressão. Acho que aqui cabe também uma contribuição do <a href="http://marcelopcarvalho.wordpress.com/2009/01/22/resenha-de-livro-o-paradoxo-da-escolha-%e2%80%93-porque-mais-e-menos-de-barry-schwartz-parte-1/">Paradoxo da Escolha</a>: o maior número de opções de consumo, piorando nossa capacidade de decisão, elevando as possibilidades de arrependimento e reduzindo o prazer obtido com nossas escolhas, é um fator adicional que contribui para a maior depressão.</p>
<p>Ocorre, porém, que sabemos que não podemos ser bem sucedidos 100% do tempo. Sabemos que fracassaremos em algum momento. E isso é fonte adicional de crise na mente. Ele lembra que a crise atual é uma crise de crédito, que vem de “crer”: perdeu-se essa confiança na onipotência do homem. Conjectura minha: talvez pelo fato da crise ter ocorrido nos Estados Unidos, país em que o culto à competência atinge níveis máximos, a dimensão psicológica da crise tenha se acentuado. </p>
<p>[parêntesis: achei legal que várias coisas sobre os EUA que eu tinha escrito no post <a href="http://marcelopcarvalho.wordpress.com/2008/12/03/um-americano/">Um Americano</a>, lá no início do blog, ele também acha.]</p>
<p> Ele coloca que nessa busca pela competência a todo custo, forçada pelo mercado, cada vez mais competitivo, mais rápido, com mais opções de consumo, mais excludente, tendemos a nos sacrificar pelo nosso desejo, que nos controla. Nunca é suficiente, sempre precisamos de mais. No final, nos sacrificamos por nós mesmos, o que gera um sentimento de claustrofobia e de solidão. Estamos todos sós, sensação que é ampliada à medida que fica claro que as utopias modernas não se realizarão (fim do socialismo com a queda do Muro de Berlim; fim da utopia do mercado soberano com a crise atual). O narcisismo se amplia: precisamos cada vez mais da aprovação dos outros. </p>
<p>Ele coloca ainda que a liberdade, um dos valores fundamentais da modernidade, traz como contrapartida a autonomia e a solidão. Ser livre é não ter amarras; só não se tem amarras se somos sós (Aqui fiquei pensando se o crescimento das redes sociais não seria uma reação a esse sentimento de solidão, de fim da utopia pós-moderna). </p>
<p>Pondé afirma que o mundo atual nos força a focar, perdendo a capacidade de compreender todo o resto. Em um momento de crise, somos forçados a olhar para coisas que não olhávamos, somos forçados a romper com nosso foco que, afinal, não deu certo (interessante). </p>
<p>Por isso, a bolha econômica era, antes de tudo, uma bolha psicológica e filosófica: a crença equivocada de que o homem moderno tem recursos infinitos e resolverá sempre tudo.   </p>
<p>A precariedade subjetiva embutida no narcisismo crescente se radicaliza quando há precariedade econômica.  E, à medida que as utopias vão caindo, a precariedade subjetiva aumenta, daí o maior narcisismo. </p>
<p>No final, há um consolo, em Darwin. Aprendemos a conviver com a inviabilidade da vida. Fomos selecionados para tolerar esse conflito, que fica abafado em nossa consciência, caso contrário não poderíamos viver. Temos de mentir para nós mesmos (auto-engano?), a mentira mais efetiva que há. Há um ganho darwinista, mas um custo psíquico considerável, uma energia gasta para conviver com o fato de que, ao final, a vida não dará certo. </p>
<p>Somos a espécie adaptada a saber que a vida é inviável e sobrevivemos a isso. Não sabemos se amanhã estaremos vivos, mas acreditamos nisso e vivemos com essa “verdade”. Temos coragem de ir em frente. No final, tudo é uma questão de coragem, como já dizia Aristóteles: a coragem garante todas as outras virtudes. A propósito, como bem lembrou Pondé, o lema dos Estados Unidos: <strong>terra dos livres e lugar dos corajosos</strong> (“<em>land of the free and the home of the brave</em>”). </p>
<p>Enfim, muito bom. E Darwin para mim é o cara. A idéia de que todos os seres vivos derivaram de uma única célula é incrivelmente simples e poderosa. </p>
<div id="attachment_291" class="wp-caption alignnone" style="width: 313px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/charles_darwin.jpg?w=303&#038;h=400" alt="Charles Darwin" title="charles_darwin" width="303" height="400" class="size-full wp-image-291" /><p class="wp-caption-text">Charles Darwin</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=287&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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