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	<title>O que der e vier &#187; aventura</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>Como Shackleton contratava</title>
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		<pubDate>Sat, 08 May 2010 23:50:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O irlandês Ernest Shackleton é considerado um dos maiores líderes que já existiu, apesar de não ter conseguido conquistar quase nenhum dos objetivos a que se propôs. A sua fama mundial ocorreu após a malsucedida viagem do barco Endurance a Antártida, quando ele e sua tripulação sobreviveram durante dois anos, de 1914 a 1916, nos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=1004&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O irlandês <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ernest_Shackleton">Ernest Shackleton</a> é considerado um dos maiores líderes que já existiu, apesar de não ter conseguido conquistar quase nenhum dos objetivos a que se propôs. A sua fama mundial ocorreu após a malsucedida viagem do barco <em>Endurance</em> a Antártida, quando ele e sua tripulação sobreviveram durante dois anos, de 1914 a 1916, nos confins gelados do pólo sul, quando o navio foi esmagado pelo gelo e naufragou.</p>
<p>O incrível é que todos os membros da tripulação sobreviveram, não só em boas condições físicas, mas também emocionais. Longe de casa, sob um frio intenso e a 2 mil quilômetros da civilização, a chance do grupo esmorecer ou se dividir eram significativas – quase uma certeza diante de tanto stress e desafio.</p>
<p>Mas havia Shackleton. Para ele, o cuidado com o bem-estar da equipe era essencial, exigindo em troca a lealdade e o trabalho. Essas informações estão no livro <em>S<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=705974&amp;sid=8739129841258738995369032&amp;k5=B4D0FEB&amp;uid=">hackleton – Uma lição de coragem</a>, </em> que disseca o estilo de liderança do explorador e que estou lendo. O livro clássico sobre a expedição do Endurance é  <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=771891&amp;sid=8739129841258738995369032&amp;k5=3258B6C9&amp;uid=">A incrível viagem de Shackleton</a></em>, de Alfred Lansing. Um detalhe interessante é que a expedição, cujo objetivo era cruzar o continente antártico, já que o pólo já havia sido atingido por Amundsen, contava com o fotógrafo Frank Hurley, que documentou de forma brilhante a viagem que tinha tudo para ser trágica. O registro fotográfico dá alma e materializa as impressões que são passadas pelos livros. <a href="http://www.shackleton-endurance.com/images.html">Neste site</a>, há um belo registro das fotos da expedição.</p>
<div id="attachment_1006" class="wp-caption alignnone" style="width: 316px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-13.png"><img class="size-full wp-image-1006" title="Captura de tela 2010-05-08 às 20.26.13" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-13.png?w=306&#038;h=413" alt="" width="306" height="413" /></a><p class="wp-caption-text">Shackleton</p></div>
<p>Entre os aspectos que explicam o sucesso diante de tanta adversidade está o processo de contratação de Shackleton, que era, no mínimo, pouco convencional, embora criterioso: Shackleton dava uma importância enorme para ter pessoas excepcionais em sua equipe, mesclando experiência com juventude, mas sempre tendo o caráter como qualidade eliminatória.</p>
<p>Para a expedição do <em>Endurance</em>,  ele recebeu nada menos do que 5.000 pedidos de interessados, para selecionar cerca de 30 pessoas. A pré-seleção foi feita por Frank Wild, que já havia estado com ele na expedição do Nimrod, que quase havia chegado ao pólo. Wild separou inicialmente os candidatos em “loucos”, “fora de questão” e “possíveis”. Shackleton então analisava a pilha dos possíveis e entrevistava os que achava que tinham potencial. Como ele organizava sua equipe?</p>
<ul>
<li><span style="text-decoration:underline;">Formava um núcleo de profissionais experientes</span>: eram confiáveis, faziam o trabalho pesado quando a coisa apertava e criavam uma atmosfera profissional. Shackleton buscou quem ele conhecia, além de recomendações de outros exploradores. Procurava pessoas que exerceriam uma influência benéfica sobre os mais jovens, especialmente nos momento críticos. Um dos homens nessa posição era Tom Crean, que fizera parte da expedição de Scott, salvando a vida de um tenente. Crean tivera uma carreira irregular na Marinha, com rebaixamentos por embriaguês e comportamento inadequado. Com Scott, era apenas marinheiro, mas Shackleton colocou-o como segundo oficial de náutica.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Tinha um substituto confiável e leal, que partilhava de suas noções de liderança</span>.  Frank Wild era esse homem. Para Shackleton, Wild tinha tudo que precisava em um número 2: lealdade, bom humor, honradez, força e experiência. Um dos marinheiros disse sobre Wild: “é nosso segundo homem e de longe o mais popular (com exceção de nosso chefe) entre nós”.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Buscava pessoas que compartilhavam de sua visão e entusiasmo pela exploração.</span> Nesse sentido, ele queria para o <em>Endurance</em> um comandante meio fanfarrão. Frank Worsley foi o selecionado – era ousado e excêntrico, meio doido até. Mas gostava de uma boa piada e de conversa, o que era importante para atravessar situações difíceis.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Fazia entrevistas pouco convencionais para identificar o que queria</span>. Shackleton procurava, acima de tudo, avaliar personalidades. Mantinha conversas descontraídas, em que buscava detectar entusiasmo, otimismo e capacidade de fazer parte de uma equipe. Para um dos candidatos, Raymond Priestley, ele perguntou se sabia cantar e se saberia reconhecer ouro caso o visse. O candidato, surpreso, disse que não, mas foi contratado mesmo assim, apesar de terem diversas pessoas com qualificações maiores do que a dele.  Shackleton viu nele algo que gostava e, de fato, Priestley se revelou um dos membros mais valiosos do grupo.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Buscava pessoas otimistas, que tinham maior propensão para o trabalho em equipe</span>. Um dos seus objetivos era encontrar pessoas felizes. Durante a entrevista de Hussey, ele ficou andando de um lado para o outro, parecendo não prestar muita atenção. Depois, disse: “Você serve”.  Hussey disse que o Chefe (como era conhecido) havia dito depois que o contratara porque ele parecia engraçado…De fato, mostrou-se incrivelmente engraçado, tocava banjo e foi importantíssimo para manter o moral elevado durante os piores momentos (além de ter talento, pois vinha de uma expedição ao Sudão).</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Contratava pessoas que realmente queriam o emprego</span>. Alguns candidatos haviam recebido um telegrama na tarde anterior, pedindo para encontrar-se com Shackleton na manhã seguinte. Dois deles não foram e, de repente, o terceiro apareceu todo molhado, dizendo que estava em outra cidade, tomara vários trens e ali estava. Foi contratado na hora.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Buscava gente que trabalhava duro, independentemente da hierarquia</span>. Não havia passageiros no <em>Endurance</em>, todo mundo mais ou menos dividia as tarefas. Médicos ajudavam na cozinha, todo mundo era de utilidade pública. Não havia espaço para prima donnas. Quando podia, testava as pessoas em trabalhos árduos antes de contratar.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Contratava quem tinha conhecimentos que lhe faltavam</span>, como cientistas altamente qualificados. No Endurance, tinha um grande fotógrafo (Hurley), um biólogo experiente, um físico de Cambridge, etc.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Certificava-se de que todos sabiam o que deles era esperado</span> e, para isso, era muito claro na comunicação, inclusive escrita. Nunca iludia ninguém com falsas promessas, especificava as tarefas, o pagamento, etc.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Equipava a equipe com o que tinha de melhor em relação a equipamentos</span>. Sabia que um equipamento ruim poderia colocar a vida das pessoas em risco. Para ele, instrumentos ordinários desperdiçavam tempo e dinheiro. Tudo no <em>Endurance</em> era do que tinha de melhor na época.</li>
</ul>
<p>Gostei bastante dessas dicas, especialmente em relação às características que valorizava nas pessoas: visão compartilhada, otimismo e entusiasmo, vontade de trabalhar, facilidade de trabalhar em equipe e conhecimento.</p>
<div id="attachment_1005" class="wp-caption alignnone" style="width: 364px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-42.png"><img class="size-full wp-image-1005" title="Captura de tela 2010-05-08 às 20.26.42" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-42.png?w=354&#038;h=474" alt="" width="354" height="474" /></a><p class="wp-caption-text">O Endurance aprisionado no gelo</p></div>
<div id="attachment_1007" class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-30-14.png"><img class="size-full wp-image-1007" title="Captura de tela 2010-05-08 às 20.30.14" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-30-14.png?w=400&#038;h=268" alt="" width="400" height="268" /></a><p class="wp-caption-text">Essa foto foi tirada por Frans Lanting, no exato local em que o grupo de 6 pessoas liderado por Shackleton saiu em busca de ajuda em um pequeno bote. No primeiro plano, a foto desse momento, tirada por Hurley.</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=1004&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Certa tarde em Guangzhou</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 22:08:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Aconteceu há quase 5 anos, quando a turma do MBA estava fazendo viagem de duas semanas a China. Era a primeira viagem organizada pela FIA para este país; as expectativas eram grandes. Logo no começo, tivemos um final de tarde livre e um pequeno grupo resolveu andar por um parque nas imediações do hotel. Guangzhou, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=968&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aconteceu há quase 5 anos, quando a turma do MBA estava fazendo viagem de duas semanas a China. Era a primeira viagem organizada pela FIA para este país; as expectativas eram grandes. Logo no começo, tivemos um final de tarde livre e um pequeno grupo resolveu andar por um parque nas imediações do hotel. <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Guangzhou">Guangzhou</a>, antiga Cantão, fica no sul da China, mais ou menos perto de Hong Kong (falando nisso, me lembrei de uma história nossa de Hong Kong que vou contar depois&#8230;haha). Estava quente, absurdamente quente, e muito úmido, mas muito mesmo. Uma verdadeira sauna.</p>
<p>Depois de caminhar um tanto, vimos um campo de futebol, de areia, onde jogavam uns chineses, todos de chuteira, meião, e tudo o mais, devendo ter uns  18 anos em média, ou no máximo.</p>
<p>Não podendo ver uma bola, sugeri para o nosso grupo desafiar os chineses – estávamos em cinco, alguns de calça comprida, outros de sapato ou chinelo. A ideia seria jogar só 5 minutos para tirar uma foto e depois contar para o resto da turma. E, de qualquer forma, chinês é a princípio ruim de bola….</p>
<p>A conversa foi complicada, porque eles não falavam inglês e nós, obviamente, não éramos versados em mandarim. Mas a língua do futebol é universal e logo estávamos nos entendendo.</p>
<p>Quando viram que éramos do Brasil, os chineses assustaram e já iam desistindo do confronto das duas potências, até que um deles deu uma olhada melhor em nossa equipe e convenceu os outros a jogar. Certamente não éramos o que eles estavam acostumados a ver em se tratando de futebol brasileiro.</p>
<p>Os chineses, jogando em casa e, em plena forma, começaram o jogo a mil; logo estava 2&#215;0 e rapidamente esquecemos os cinco minutos  previstos; de repente, estávamos numa batalha campal pela nossa honra. De uma forma ou de outra, sendo malandro em alguns momentos, conseguimos equilibrar a partida. Lembro até hoje que, quando um chinês tentou me driblar, e chutei para a lateral e xinguei: “Aqui não, seu chinês filho da puta!” Depois de 1 hora, completamente exaustos, achamos por bem encerrar a brincadeira com o diplomático placar de 4&#215;4.</p>
<p>Como eu estava de sapato, optei por jogar descalço naquele campo de areia e pedregulho. Foi só no final que percebi que alguma coisa com meus pés não estava boa…quando olhei, a sola de cada pé tinha uns 3 buracos em carne viva, do tamanho de uma moeda de um real, cheios de areia. Ardia…</p>
<p>Passei o resto da viagem de chinelo, sentindo a cada dia a reprovação visual do coordenador da viagem. Afinal, éramos executivos a trabalho e não moleques de férias (pelo menos a princípio…). Na cidade seguinte, em Shanghai, precisei ir ao médico porque as feridas haviam inflamado, o que era de se esperar considerando o calor, a umidade e o local, impossível de se cicatrizar a não ser que eu ficasse deitado o dia todo.</p>
<p>A dor passa, a ferida cicatriza, e ficam as lembranças. É curioso: analisando hoje, essa é mesmo a melhor lembrança da viagem.</p>
<p>Desde então, muitas outras turmas se passaram e foram para a China; centenas de alunos se sucederam.  Mas, certa vez, alguém lá da coordenação do curso me disse que a façanha da turma 26 é lembrada até hoje: aquela foi a turma que, numa certa tarde de junho, fez algo único, fora do roteiro e, com isso, fez a diferença, deixando sua marca. <em>Think about it!</em></p>
<p>(Se alguém do MBA que estava lá ler esse texto, pode confirmar!)</p>
<div id="attachment_966" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/02/copy-of-futebol-010.jpg"><img class="size-full wp-image-966" title="Copy of futebol 010" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/02/copy-of-futebol-010.jpg?w=500&#038;h=375" alt="" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">O estado do time brasileiro após a partida</p></div>
<div id="attachment_967" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/02/futebol-006.jpg"><img class="size-full wp-image-967" title="futebol 006" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/02/futebol-006.jpg?w=500&#038;h=375" alt="" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Tentando diálogo com os nativos</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=968&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Avatar merecia mais</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 23:44:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Antes de escrever sobre Avatar, fiz uma consultazinha na internet e conversei com algumas pessoas que viram o filme.  Fiquei surpreso – quase só críticas favoráveis e pessoas que respeito intelectualmente gostaram muito do filme. Será que vimos o mesmo filme? Será que minha avaliação está errada, sou insensível, exigente, obtuso? Será que minhas expectativas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=945&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de escrever sobre <a href="http://www.avatarfilme.com.br/">Avatar</a>, fiz uma consultazinha na internet e conversei com algumas pessoas que viram o filme.  Fiquei surpreso – quase só críticas favoráveis e pessoas que respeito intelectualmente gostaram muito do filme.</p>
<p>Será que vimos o mesmo filme? Será que minha avaliação está errada, sou insensível, exigente, obtuso? Será que minhas expectativas estavam exageradas e equivocadas? Vamos ser justos: Avatar é um show, uma super-produção primorosa. Em 3D, você de fato entra nas cenas. A realidade virtual criada por James Cameron é perfeita. É uma obra-prima na forma. Mas no conteúdo…</p>
<p>O roteiro é fraco, óbvio, chega a afrontar nossa inteligência. Os diálogos são pobres e os personagens totalmente clichês, ainda que em geral bem interpretados: o heroí, a heroína, os ajudantes dos dois, o vilão (excelente, por sinal, o ponto alto do enredo), e assim por diante. Tudo bem, é possível ter esses clichês e fazer um grande filme. Mas não é o caso. A história é previsível do começo ao fim, você fica esperando algo diferente e simplesmente não vem nada, até o ponto em que você se contenta em apreciar o visual e os efeitos.  Infelizmente, tive que ver o filme dublado, o que é de lascar, e isso talvez tenha contribuído negativamente.</p>
<p>O filme procura ainda passar uma mensagem educativa: que temos de proteger o meio-ambiente, caso contrário destruiremos nosso planeta. Ok, concordo.  Mas essa abordagem seria válida e potencialmente impactante caso esse tema não fizesse parte da nossa agenda. Nesse caso, mesmo com uma historinha boba, Avatar teria um impacto ao trazer à tona um tema novo e relevante. Mas, pombas, esse é o principal tema discutido no mundo atual! O grande desafio que temos é como conciliar o aumento da renda de grande parte da população mundial, que vai se refletir em maior consumo, com a necessidade de utilização racional dos recursos naturais.</p>
<p>Ainda não sabemos ao certo como fazer isso, como a COP15 demonstrou em dezembro. Mas a discussão está em todos os jornais, TVs, internet, governos, empresas. Talvez quando Cameron começou a trabalhar a ideia, há 10 ou 12 anos, fosse um tema de vanguarda. Hoje, é <em>main stream</em>. Não me parece necessário gastar US$ 300 milhões e empregar uma metáfora da destruição de um outro planeta para passar essa mensagem. Talvez eu esteja exagerando; talvez eu seja mais consciente a respeito dessas questões, do que a maior parte da população mundial &#8211; afinal me informo minimamente. Faço, então, uma ressalva: talvez o filme tenha êxito ao passar essa mensagem, ainda que de uma maneira água com açúcar. Para mim, porém, Avatar foi inócuo nesse sentido.</p>
<p>Mesmo com esses tropeços, o filme se salvaria, tamanha a qualidade da produção e a inovação visual. Mas Avatar ainda abusa dos lugares-comuns: a culpa pelo extermínio de populações tecnologicamente menos favorecidas, o amor impossível (me pareceu muito um Dança com Lobos: uma civilização mais avançada destrói a outra, até que surge um amor para complicar…), a culpa pelas conseqüências – psicológicas inclusive &#8211; da Guerra do Vietnã e afins, o velho embate entre o bem e o mal, Davi contra Golias, e assim por diante.</p>
<p>De fato, o diretor caracterizou as duas civilizações em conflito como totalmente antagônicas, colocando-as em pontos absolutamente opostos em relação aos aspectos éticos. De um lado, o “povo do céu”, isto é, nós, armados, poderosos e sem escrúpulos, querendo explorar um metal raro presente no subsolo de Pandora; de outro, uma tribo alienígena (metáfora clara dos povos indígenas que foram exterminados) que vive em total comunhão com a natureza,  de modo absolutamente idílico &#8211; Pandora, de fato, assemelha-se a uma espécie de paraíso. Nesse sentido, Cameron se mostra um grande pessimista com os rumos da raça humana: em 2154, teremos destruído todo o verde daqui e o próximo passo é fazer o mesmo por lá.</p>
<p>Há ainda um <em>gran finale</em>, e se você não viu o filme, aconselho a parar por aqui. Diante da possibilidade de voltar para a Terra ou mudar definitivamente para Pandora e se tornar um Na’vi, abandonando sua versão humana, o herói Jake não hesita: se “suicida” como humano para viver no paraíso de Pandora com sua amada nativa. É a utopia em seu grau extremo: abandonar a própria vida, o próprio mundo, e viver no Eden. Isso dá mais uma longa análise, mas deixa pra lá…</p>
<p>Você vai achar que não recomendo o filme. De forma alguma. Avatar é bom? Depende do que se busca e talvez aí esteja meu erro com essa análise bem crítica. Se a ideia é ver um belo roteiro e uma história inteligente, esqueça. Se o objetivo é se divertir com uma criação brilhante, vá fundo que a diversão é garantida. As duas horas e meia de filme passam rapidamente e você embarca mesmo em uma viagem. Mas mesmo por isso, por ter feito algo tão grandioso e com tanto potencial, James Cameron poderia ter marcado época e feito um filme melhor. Avatar merecia uma história mais consistente, menos óbvia e infantil, menos Romeu e Julieta com final feliz, que acabou apenas servindo como invólucro para embalar as peripécias tecnológicas e a incrível criatividade visual. Uma pena.</p>
<p>PS: recebi esse link aqui comparando <a href="http://failblog.org/2010/01/10/avatar-plot-fail/">Avatar com Pocahontas</a> <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>(Vai, pode meter o pau agora).</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-29-as-20-48-14.png"><img class="alignnone size-full wp-image-944" title="Captura de tela 2010-01-29 às 20.48.14" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-29-as-20-48-14.png?w=500&#038;h=261" alt="" width="500" height="261" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=945&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Going to California</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/10/09/going-to-california/</link>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 00:54:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Turismo]]></category>
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		<description><![CDATA[Chegou o dia. Nessa sexta, 09/10, vamos fazer uma viagem inédita. Apesar das várias viagens neste ano, esta é a única de férias mesmo (bem, teve uma semana no Pantanal). Mas o ineditismo não está aí (ainda bem). Quatro ex-colegas de faculdade, que moraram na mesma república, em Piracicaba, se reúnem 20 anos depois para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=813&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chegou o dia. Nessa sexta, 09/10, vamos fazer uma viagem inédita. Apesar das várias viagens neste ano, esta é a única de férias mesmo (bem, teve uma semana no Pantanal).</p>
<p>Mas o ineditismo não está aí (ainda bem). Quatro ex-colegas de faculdade, que moraram na mesma república, em Piracicaba, se reúnem 20 anos depois para fazer uma espécie de mid-life trip, a la <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sideways">Sideways</a>. Vamos desembarcar em Los Angeles, subir pela Highway 01, passando por Santa Bárbara (região onde foi filmado o Sideways), chegando a Monterey, onde ficaremos dois dias (Carmel, etc).</p>
<p>Depois, seguimos para o Napa Valley, onde ficaremos mais dois dias visitando as vinícolas. Já contratamos um passeio de balão e lá faremos nosso Gala Dinner, sob minha responsabilidade.  Depois de tanto vinho, subimos a montanha e vamos ficar mais dois dias no <a href="http://www.nps.gov/yose/index.htm">Yosemite National Park</a>, que já conheço, mas que nunca vou me cansar de ir. E, finalmente, terminamos com dois dias em San Francisco!</p>
<p>Vou tentar atualizar o blog de lá. A ideia é fazer uma espécie de diário de bordo&#8230;mas não garanto. Na pior das hipóteses, escrevo depois, com várias fotos!</p>
<p>Até lá!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=813&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Fotografando o Pantanal matogrossense</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/08/02/fotografando-o-pantanal-matogrossense/</link>
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		<pubDate>Sun, 02 Aug 2009 13:58:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Turismo]]></category>
		<category><![CDATA[Viagens]]></category>
		<category><![CDATA[aventura]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou de volta, após 6 dias de imersão completa e higiene mental no Pantanal. Fui fazer um safári fotográfico organizado pela Techimage, tendo como instrutor o Bruno Sellmer, que conhece muito de fotografia e de vida selvagem. Ficamos no hotel fazenda Baía das Pedras, entre Aquidauana e Corumbá, no chamado Pantanal da Nhecolândia, a 300 [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=707&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou de volta, após 6 dias de imersão completa e higiene mental no Pantanal. Fui fazer um safári fotográfico organizado pela <a href="http://www.techimage.com.br">Techimage</a>, tendo como instrutor o Bruno Sellmer, que conhece muito de fotografia e de vida selvagem.</p>
<p>Ficamos no <a href="http://www.baiadaspedras.com.br">hotel fazenda Baía das Pedras</a>, entre Aquidauana e Corumbá, no chamado Pantanal da Nhecolândia, a 300 km de Campo Grande.</p>
<p>Foi minha primeira viagem fotográfica e estava meio temeroso em relação ao que viria pela frente. Meu equipamento é relativamente básico e nunca fotografei natureza e animais selvagens.</p>
<p>O Pantanal é realmente incrível. Fora das águas, é uma região de solo arenoso, muito pobre, uma savana seca e com árvores em geral pequenas e retorcidas. Quase uma transição para caatinga. Um silêncio árido e deserto, em tons de bege e marrom, desolado mesmo. Improvável encontrar vida selvagem ali.</p>
<p>Mas daí que vêm as surpresas. Vimos nada menos do que 116 espécies de animais, a maior parte na Vazante do Castelo, uma faixa de muitas dezenas de km que alaga no verão e corre em direção ao Rio Negro, e que vai secando e represando os peixes, criando um banquete para os animais.</p>
<p>Aprendi que para fazer fotos boas de animais você precisa: 1) acordar bem cedo; 2) saber utilizar bem as luzes que a natureza oferece; 3) ter paciência; 4) não ter frescura de entrar de roupa nos brejos e áreas alagadas, pegar carrapato, ser picado por centenas de mosquitos e, eventualmente, ser atacado por um porco selvagem, como foi o meu caso; 5) tirar várias fotos para, de repente, fazer “a foto”; 6) ter sorte para ver aquela espécie, com aquela luz, naquela distância e no enquadramento perfeito. Acho que evoluí bastante em fotografia nesses seis dias.</p>
<p>O mais incrível do Pantanal, sem dúvida, são o nascer e o por do sol. Logo no segundo dia, pegamos o por do sol mais bonito que já vi. O dia estava nublado e quando já não tínhamos muitas esperanças de fotografar o final de tarde, eis que o sol surgiu por baixo das nuvens, acendendo-as e criando um espetáculo maravilhoso: tons de azul, amarelo, laranja e vermelho vivo foram se alternando. A máquina batia as fotos quase que sozinha.</p>
<p>Vale aqui uma menção especial ao Baía das Pedras. Uma fazenda de gado de corte, com 16.000 hectares, cuja proprietária, a Rita (que é prima do poeta Manoel de Barros), transformou em pousada. A pousada é uma casa da fazenda, simples mas muito confortável; o atendimento é impecável e exclusivo e a comida, maravilhosa (engordei 3 kg em 6 dias!). Você não se sente em uma pousada, mas sim como convidado em uma casa de fazenda.  Entre os passeios possíveis está uma cavalgada com os peões da fazenda, acompanhando a lida do gado, aprendendo um pouco da vida e da história do pantaneiro.</p>
<p>É pena que os brasileiros não conheçam esse paraíso: 90% dos hóspedes são estrangeiros, principalmente europeus. Aliás, quem visita o Pantanal são os estrangeiros, a ponto dos guias se referirem a muitas das espécies pelos seus nomes em inglês. Como me disse a Rita, o brasileiro prefere Miami, gastando a mesma coisa.</p>
<p>Se você gostar de natureza e quiser passar alguns dias longe de tudo, sem celular (tem internet para emergências), recomendo o Pantanal e a Baía das Pedras.</p>
<p>Abaixo, algumas fotos das mais de mil que tirei. Vou selecionar umas 50 e colocar no <a href="http://www.flickr.com/marpcar">meu Flickr</a>.</p>
<p>Obs: a Márcia, do blog <a href="http://marciabenetti.blogspot.com">Patifaria</a>, <a href="http://marciabenetti.blogspot.com/2009/08/pantanal.html">linkou minhas fotos no blog dela</a>. Obrigado Márcia!!</p>
<p> </p>
<div id="attachment_706" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-706" title="veado campeiro" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_4813_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Para fazer essa foto, foram uns 30 minutos de aproximação, andando com água até o joelho em um brejo. Mas valeu a pena, não?" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Para fazer essa foto, foram uns 30 minutos de aproximação, andando com água até o joelho em um brejo. Mas valeu a pena, não?</p></div>
<div id="attachment_708" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-708" title="Tapicuru" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_5518_2502x1899.jpg?w=500&#038;h=379" alt="Um tapicuru, com a luz perfeita" width="500" height="379" /><p class="wp-caption-text">Um tapicuru, com a luz perfeita</p></div>
<div id="attachment_709" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-709" title="por do sol" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_4882_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="precisa falar alguma coisa?" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">precisa falar alguma coisa?</p></div>
<div id="attachment_711" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-711" title="Cavalo pantaneiro" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_5315_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Cavalo pantaneiro na lida do gado" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Cavalo pantaneiro na lida do gado</p></div>
<div id="attachment_712" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-712" title="Bruno Sellmer" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_5476_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="O Bruno fotografando os jacarés. " width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">O Bruno fotografando os jacarés. </p></div>
<div id="attachment_713" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-713" title="outro por do sol" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_5356_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Outro por do sol, diferente do primeiro. Mas tão bonito quanto!" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Outro por do sol, diferente do primeiro. Mas tão bonito quanto!</p></div>
<div id="attachment_714" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-714" title="quati" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_5768_2512x1928.jpg?w=500&#038;h=383" alt="Na última manhã, com uma bela luz, um quati curioso deixou-se fotografar bem de perto " width="500" height="383" /><p class="wp-caption-text">Na última manhã, com uma bela luz, um quati curioso deixou-se fotografar bem de perto </p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=707&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">marcelopcarvalho</media:title>
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			<media:title type="html">veado campeiro</media:title>
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			<media:title type="html">Tapicuru</media:title>
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			<media:title type="html">por do sol</media:title>
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			<media:title type="html">Cavalo pantaneiro</media:title>
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		<media:content url="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_5476_3648x2736.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">Bruno Sellmer</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_5356_3648x2736.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">outro por do sol</media:title>
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			<media:title type="html">quati</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>Globo Repórter sobre a Amazônia: belo documentário</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/07/25/globo-reporter-sobre-a-amazonia-belo-documentario/</link>
		<comments>http://blog.oquederevier.com/2009/07/25/globo-reporter-sobre-a-amazonia-belo-documentario/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 25 Jul 2009 22:30:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Assisti ontem ao Globo Repórter sobre os confins da Amazônia, na fronteira com a Colômbia. Mais um sobre esse tema: devem ter sido feitos mais de dez ao longo das últimas décadas. Podem falar o que quiser da Globo (discurso velho, esse, aliás), mas uma coisa é inegável: o padrão Globo de qualidade é de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=703&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assisti ontem ao Globo Repórter sobre os confins da Amazônia, na fronteira com a Colômbia. Mais um sobre esse tema: devem ter sido feitos mais de dez ao longo das últimas décadas.</p>
<p>Podem falar o que quiser da Globo (discurso velho, esse, aliás), mas uma coisa é inegável: o padrão Globo de qualidade é de tirar o chapéu.</p>
<p>A fotografia estava magnífica; o roteiro, idem, bem como as entrevistas feitas. Tudo. Um trabalho absolutamente essencial para conhecermos mais esse Brasil escondido, em parte parado no tempo e aprisionado pela natureza, e que só conhecemos superficialmente ou mesmo equivocadamente.</p>
<p>O documentário mostrou a vida das pessoas nas áreas de fronteira, acessíveis somente após horas de barco pelos rios da região. Ao ser questionada sobre o que não poderia faltar ali, a mulher ribeirinha foi rápida: “o anzol”. Outra mulher disse que, para eles, o leite em pó valia mais do que o ouro.</p>
<p>A matéria mostrou também os heróis anônimos da região como os militares, que carregam a tripla missão de vigiar as fronteiras, ajudar os ribeirinhos e mapear a Amazônia. Fiquei pensando quanta coisa nós não sabemos ou, pior, sabemos da forma errada, fazendo julgamentos equivocados.</p>
<p>Enfim, um programa bom de se ver, tanto pela qualidade jornalística como pela mensagem otimista de que a Amazônia é nossa e tem muita coisa ainda protegida.</p>
<p><a href="http://g1.globo.com/globoreporter/0,,MUL1242492-16619,00-CONHECA+REGIAO+DA+AMAZONIA+QUE+ESTA+FORA+DO+MAPA.html">Veja o texto e o vídeo clicando aqui</a>.</p>
<p>Bom, faço uma pausa de uma semana, em que, creio, não conseguirei atualizar o blog por estar no meio do Pantanal, fazendo um workshop de fotografia.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/703/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=703&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Chegadas e partidas. Acima de tudo, memórias</title>
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		<pubDate>Sun, 24 May 2009 17:28:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Outro dia fui pegar um filme. Tarefa árdua: sempre tenho a expectativa de que encontrarei alguma coisa que valha a pena assistir, mas à medida que percorro as prateleiras, vou encarando a realidade. Os poucos que merecem atenção quase sempre já foram vistos. E olha que não sou nenhum cinéfilo. A última tentativa foi a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=613&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia fui pegar um filme. Tarefa árdua: sempre tenho a expectativa de que encontrarei alguma coisa que valha a pena assistir, mas à medida que percorro as prateleiras, vou encarando a realidade. Os poucos que merecem atenção quase sempre já foram vistos. E olha que não sou nenhum cinéfilo.</p>
<p>A última tentativa foi a seção de dicas. Depois de pegar uns dois ou três que não me animaram, vejo um filme que tem na capa Kevin Spacey, Julianne Moore, Judi Dench e Cate Blanchett. Elenco, esse tem, pensei. Peguei a capa para checar: Chegadas e Partidas (<em>The Shipping News</em>), baseado em uma obra vencedora do Pulitzer e dirigido por Lasse Hallström (de Regras da Vida e Chocolate). Até aqui, passou no crivo. Vou à sinopse do verso:</p>
<p><em>“Quoyle (Kevin Spacey) é um nova-iorquino infeliz e solitário que perde sua esposa (Cate Blanchett) em um acidente de carro. Transtornado, ele viaja com sua tia (Judy Dench) e sua filha para Newfoundland, uma região peculiar, onde viviam seus antepassados. Quoyle se fixa como repórter no jornal local e a cada artigo que escreve, a noção que tem de sua própria vida muda, assim como a impressão que tinha daquela comunidade. O novo emprego, o novo relacionamento com a misteriosa Wavey (Julianne Moore) e a belíssima Newfoundland mudam a vida de Quoyle para sempre”.</em></p>
<p>Veja o trailer:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/05/24/chegadas-e-partidas-acima-de-tudo-memorias/"><img src="http://img.youtube.com/vi/8x1z8IK-L0U/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Ali, parado na loja, retrocedo 23 anos. Outubro de 1986, segundo colegial, eu tentando ir para o Canadá, fazer intercâmbio. Todo mundo na época ia para os Estados Unidos; quase ninguém ia para o Canadá. Para ser diferente, acho, me decidi pelo Canadá.</p>
<p>Depois de alguns meses de espera, comecei a encarar que não iria funcionar: a STB (Student Travel Bureau) não havia conseguido sequer uma família para me receber. O Canadá definitivamente não era um destino comum naqueles dias. Ou eu tive azar. O semestre já avançava e cada vez mais seria difícil conciliar os anos letivos.</p>
<p>Em uma tarde como qualquer outra recebo um telefonema da dona da empresa. A boa notícia: havia uma família canadense interessada em receber um brasileiro! A má: o local era, digamos, pouco convencional. Uma ilha no Atlântico Norte, para onde, segundo ela, nenhum estudante brasileiro havia ido até então: a mesma <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Newfoundland_and_Labrador">Newfoundland</a>  do filme que eu segurava naquele momento, uma ilha quase do tamanho da Inglaterra, mas habitada por pouco mais de 500 mil pessoas. A província mais pobre do Canadá, que engloba a porção terrestre chamada de Labrador, que se tornou nossa conhecida pelo jogo de WAR muito antes do cachorro se popularizar. A ilha também chamada de Terra Nova em função da colonização portuguesa em algumas partes. O local em cuja costa o Titanic afundou e que, apesar da latitude não tão alta, é gélida por receber as correntes da Groelândia. Newfoundland, onde Marconi fez a primeira transmissão telegráfica intercontinental, em 1901. Onde a América foi realmente descoberta pelos vikings, mais de 500 anos de Colombo chegar ao Caribe. O local que possui um fuso horário único: se aqui são 9 horas, lá são oito e meia&#8230;</p>
<div id="attachment_614" class="wp-caption alignnone" style="width: 268px"><img class="size-full wp-image-614" title="mapacanada" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/05/mapacanada.jpg?w=258&#038;h=449" alt="Morei na ilha, no extremo sudeste" width="258" height="449" /><p class="wp-caption-text">Morei na ilha, no extremo sudeste</p></div>
<p>E nada mais do que isso.</p>
<p>Detalhe: eu precisava decidir logo e partir em algo como três dias. Se não me falha a memória, minha mãe chegou em casa com o exemplar do mês da <em>National Geographic</em> que, para minha surpresa, trazia uma matéria sobre a ilha, apelidada de “The Rock”. Incrível coincidência. Confesso que fiquei apreensivo com o que vi na revista. Não era o Canadá das Rochosas de Vancouver, nem das pradarias centrais, muito menos das conhecidas Toronto e Montreal. Uma paisagem árida, em que pedras, montanhas, mar e gelo se misturavam e recebiam casas simples de madeira, caoticamente dispostas sobre palafitas, parecendo que a qualquer momento voariam. Se meu objetivo fosse fugir, me isolar, esse seria o lugar.</p>
<p>Três dias foram suficientes para trancar o colégio, tirar o visto, comprar as roupas de frio e, principalmente, me preparar mentalmente para a mudança repentina. Talvez tenha sido o oposto: se eu tivesse mais tempo para pensar, não teria ido. Depois de 30 horas de vôo e 9 aeroportos (sim, nove), cheguei exausto em uma quinta-feira à noite. A família me pegou no aeroporto, me levou para a casa e disse que, ao acordar na manhã seguinte, não teria ninguém em casa, apenas um <em>sheep dog</em> inofensivo. A comida estava na geladeira e eles chegariam ao final do dia. <em>That was it.</em></p>
<p>É necessário lembrar que naquela época não havia celular, internet, MSN, skype, câmeras de vídeo online, etc. Apenas ligações interurbanas, caras, que eram feitas a cada 1 ou 2 semanas, no máximo. Assim, ao acordar no dia seguinte, me dei conta que aquele lugar seria meu lar pelos próximos seis meses e que estaria completamente isolado do que conhecia. Ninguém falava português, não havia notícias do Brasil. Na segunda-feira, pensei, tinha de ir à escola, onde os dois primeiros meses do semestre escolar já tinham passado. Foi aterrador. O que afinal eu estava fazendo ali, quando cinco dias antes eu estava confortavelmente instalado em casa, sem cogitar qualquer possibilidade parecida com essa?</p>
<p>Morava a uns 2 km do Atlântico Norte, em uma boa casa de madeira, na beira de um lago relativamente pequeno (<em>Lawrence Pond</em>), cercado de florestas temperadas e colinas onde, com sorte, seria possível ver um alce. O acesso era por uma estradinha de terra que saia da “rodovia” que levava a St. John´s, a capital, distante uns 45 minutos dali. O ônibus da escola parava nessa encruzilhada todos os dias, no final da tarde. Eu caminhava por meia hora, muitas vezes sozinho, até chegar em casa.  </p>
<p>Cheguei no início do outono e fui embora no começo da primavera. Passei, portanto, um longo inverno nesse lugar que me pareceu à primeira vista incrivelmente inóspito, em que enfrentei temperaturas tão baixas como 30 ºC negativos. Em dias extremos, -50ºC. Cinquenta graus Celsius abaixo de zero&#8230; Na garagem de casa, ao invés de bicicleta, tínhamos “<em>snowmobiles</em>”, aquelas motos de neve que são uma diversão dirigir, exceto quando encalham.</p>
<p>O frio inclemente e o céu constantemente cinzento exercem efeitos nas pessoas. O “pai” da família em que morei era alcoólatra e, à medida que o inverno avançava, seu comportamento se deteriorava. Em algumas noites, agredia sua mulher. Uma vez, ameacei chamar a polícia, mas a “irmã” me dissuadiu da ideia.</p>
<p>Não queria desistir. Aos poucos, fui me adaptando, desenvolvendo defesas e identificando aspectos positivos naquela aparente loucura em que me meti aos 16 anos. A gente é mais forte do que imagina. Na escola, fui bem recebido por todos: era o primeiro estrangeiro a freqüentar as salas da Queen Elizabeth High School; saído do Santa Cruz, ia muito bem nas matérias apesar das dificuldades iniciais com a língua e me tornei bastante popular entre professores e alunos. Comecei a fazer amigos e me integrar. Na casa, a “mãe”, Sharon, era quem eu tinha mais proximidade.</p>
<p>Fiz coisas que dificilmente faria em outros lugares. Andei sobre o mar congelado; comi carne de foca e de alce; fiz <em>trekking</em> com sapatos de neve; dirigi <em>snowmobiles</em>; fiz <em>ice-fishing</em> (pesca em lagos congelados, através de um buraco feito no gelo); patinei no Lawrence Pond congelado, à frente da casa; vi icebergs. Mais do que isso, testei minha resiliência, minha capacidade de suportar adversidades e me manter no prumo.</p>
<p>Depois de 6 meses, a volta. Sabia que não retornaria tão cedo para aquele lugar tão improvável, que nada tem a ver com a imagem que fazemos do Canadá. Mesmo com tudo o que passei – e talvez por isso – criei laços com o lugar e com algumas pessoas. Não foi tão fácil partir, por mais estranho que pareça.</p>
<p>Com o passar do tempo, fui percebendo que havia vivido algo muito exclusivo, e que passar por aquela prova era uma etapa necessária em minha formação. E, de alguma maneira, sabia disso. Não teria sido a mesma coisa se eu tivesse ido para Toronto, Montreal ou Vancouver.</p>
<p> Até hoje, não conheço nenhum brasileiro que foi para Newfoundland; mesmo quando falo para canadenses, a cara é sempre de surpresa: “Newfoundland? O que você foi fazer lá? Não há nada lá&#8230;”, é a pergunta que mais ouço deles. Seria como um estrangeiro vir ao Brasil e ir morar em Roraima. O lugar pertence a poucas pessoas, e sou uma delas.</p>
<p>Hoje, ironicamente, os tempos estão mudando. Essa província esquecida e que vivia da pesca do bacalhau é das que mais crescem no país, graças ao petróleo encontrado há alguns anos.</p>
<p>Nunca mais voltei, apesar de ter ido para o Canadá outras vezes. Não era a hora. Outro dia, achei uma foto da Sharon na internet, 20 anos mais velha e bem mais gorda. O casal se separou logo depois da minha saída, como seria esperado. Ainda vou voltar e tentar achar Lawrence Pond. Quem sabe, encontrar pessoas daquela época.</p>
<p>Lógico que peguei o filme. A cena mais marcante, para mim, foi o barco se aproximando da ilha, levando Quoyle, a tia e a menina. O forte personagem vivido por Judi Dench (a tia) olha o bloco maciço de rocha, neve e gelo, encravado sobre o mar frio e cinzento, e diz, com o olhar perdido no horizonte, carregado de lembranças:</p>
<p><em>“Leva tempo para se acostumar com o ritmo daqui. É um lugar único. Quem veio para cá antes, veio por acaso. Quem ficou, aprendeu que coisas estranhas acontecem. Agouros e almas penadas. Magia&#8230;”</em></p>
<p>Ah, o filme? Não é espetacular, mas é sem dúvida, bom. Mas, claro, não tenho como analisá-lo com toda a isenção que deveria&#8230;</p>
<p>Achei essa foto de Lawrence Pond no Flickr! Alguém tem dúvida que a internet mudou o mundo? É de <a href="http://www.flickr.com/photos/stephennorman/2507416222/">Stephen Norman</a>, habitante de Mount Pearl, lá perto:</p>
<div id="attachment_615" class="wp-caption alignnone" style="width: 506px"><img class="size-full wp-image-615" title="lawrence pond" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/05/lawrence-pond.jpg?w=496&#038;h=197" alt="Cruzei muitas vezes esse lago totalmente congelado; nunca o vi assim" width="496" height="197" /><p class="wp-caption-text">Cruzei muitas vezes esse lago totalmente congelado; nunca o vi assim</p></div>
<p>Achei também o lago no Google Earth:</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-617" title="lawrencepond_mapa" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/05/lawrencepond_mapa.jpg?w=500&#038;h=398" alt="lawrencepond_mapa" width="500" height="398" /></p>
<p>Será que localizei a casa (o lado era com certeza esse, e a posição também)?</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-618" title="casacanada" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/05/casacanada.jpg?w=500&#038;h=407" alt="casacanada" width="500" height="407" /></p>
<p>Eis que acho uma foto da estradinha, <a href="http://www.flickr.com/photos/hpatey/40270222/">Lawrence Pond Road</a>, mirando o mar da Conception Bay. E não é mais de terra! A foto é de <a href="http://www.flickr.com/photos/hpatey/">H. Patey</a>.</p>
<p><a href="http://www.flickr.com/search/?q=Newfoundland">Veja aqui outras fotos de Newfoundland no Flickr </a>(as minhas, antigas, preciso escanear):</p>
<p><a href="http://www.newfoundlandlabrador.com/#">Site oficial</a></p>
<p>E veja, se puder, o <a href="http://www.flickr.com/photos/djangomalone/3378604954/in/set-72157609455954867/">por do sol de inverno em St. John´s</a>. O fotógrafo (&#8220;<a href="http://www.flickr.com/people/djangomalone">Django Malone</a>&#8220;) tirou 292 fotos com intervalos de 8 segundos entre elas e fez um filme. Ficou top.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/613/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/613/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/613/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/613/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/613/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/613/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/613/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/613/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/613/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/613/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=613&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Amyr Klink, George Mallory e muitos outros&#8230;</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/01/08/amyr-klink-george-mallory-e-muitos-outros/</link>
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		<pubDate>Thu, 08 Jan 2009 01:35:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Baía de Paraty, aquele monte de ilhas. Um veleiro estranho, enorme, imponente, de certa forma ameaçador. Todo de alumínio, parecendo um barco abandonado, um submarino, uma carcaça. Era o Paratii 2, o veleiro polar mais eficiente do mundo, o barco do Amyr Klink, que fez a circunavegação da Antártica por uma rota nunca antes percorrida. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=139&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Baía de Paraty, aquele monte de ilhas. Um veleiro estranho, enorme, imponente, de certa forma ameaçador. Todo de alumínio, parecendo um barco abandonado, um submarino, uma carcaça. Era o Paratii 2, o veleiro polar mais eficiente do mundo, o barco do Amyr Klink, que fez a circunavegação da Antártica por uma rota nunca antes percorrida.</p>
<div id="attachment_140" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/img_0110.jpg?w=500&#038;h=375" alt="O Paratii 2, ali, na nossa frente" title="img_0110" width="500" height="375" class="size-full wp-image-140" /><p class="wp-caption-text">O Paratii 2, ali, na nossa frente</p></div>
<p>Como que por instinto, nos aproximamos. Não muito, vai saber&#8230; Ele estava lá, arrumando alguma coisa, talvez se preparando para alguma nova partida, nem que fosse para passar o reveillon de 2008/09 em algum lugar perto dali. </p>
<div id="attachment_141" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/img_0111.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Amyr Klink, de costas, no mastro da direita" title="img_0111" width="500" height="375" class="size-full wp-image-141" /><p class="wp-caption-text">Amyr Klink, de costas, no mastro da direita</p></div>
<p>“Amyr!!” Fotos, aquela tietagem. Ele se virou e acenou. Estava de bom humor. Talvez esteja acostumado. Ou, mais provável, estava em seu ambiente: no mar, ele vira gente. Acho que é preconceito meu, uma imagem equivocada. De qualquer modo, contraditório, o Amyr. Um ermitão, que busca a solidão, mas que acaba nos holofotes. Talvez ele goste dessa dualidade. Todas as pessoas interessantes são, de certa forma, contraditórias, dúbias. A previsibilidade é enfadonha.</p>
<p>Naquele momento, em que estávamos indo para a Praia Vermelha e depois para a Ilha do Catimbau (onde se come o melhor ceviche da Baía de Paraty), pensei no Amyr. O seu “ Cem dias entre céu e mar”, que narra sua travessia do Atlântico a remo, me marcou bastante. Ele estava ali. O que será que ele procura, com todas essas viagens? Ou, quem sabe, do que será que ele foge? </p>
<p>Talvez o melhor seja lembrar George Mallory, que participou das primeiras tentativas britânicas de escalar o Everest: “porque você quer escalar o Everest?”, alguém perguntou. “Porque ele está lá”, respondeu. Melhor não tentar encontrar explicação. Nem busca, nem fuga. </p>
<p>O Amyr tem essa citação, no “Mar Sem Fim”. É humilde e muito bonita:</p>
<blockquote><p>“Hoje entendo bem meu pai: um homem precisa viajar. Por sua conta, não apenas por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.”</p></blockquote>
<p>Aqui, o Amyr declamando a citação:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/01/08/amyr-klink-george-mallory-e-muitos-outros/"><img src="http://img.youtube.com/vi/wFfeolX-Rrg/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>O Steven Spielberg tem uma passagem interessante, que vai na mesma linha. Certa vez, em uma entrevista, quando perguntaram sobre seu sucesso e sobre a vida segura que poderia dar aos filhos &#8211; coisa que ele mesmo não teve, ele disse: &#8220;A coisa mais importante eu não pude dar a eles: uma infância pobre&#8221;. É preciso ver o outro lado para tirar a sua medida.</p>
<p>Mas&#8230; não é só isso que move o Amyr, o Mallory e outros. Há uma vontade interior mais forte do que normalmente se encontra. Inconformismo. Essa talvez seja a verdadeira explicação.</p>
<p>Pensei que talvez eu tivesse alguma coisa de Amyr ou de Mallory, guardadas, é claro, as devidas proporções. Talvez seja um inconformismo, uma insatisfação, sede, energia, drive&#8230; É o mesmo impulso que forja um esportista, um cientista de destaque, alguém que busca superar (seus próprios) desafios. Alguém que quer mais. Acho que empreendedorismo, criatividade, necessidade de realização e de diferenciação fazem parte do mesmo pacote. Uns poucos viram Amyr, outros poucos viram eles mesmos, e está tudo certo. Outros não querem nada disso, e também está ok.</p>
<p>Vivi um dos meus momentos “Amyr”, ocorrido no deserto de Atacama, no Chile. Resolvi escalar uma montanha de 5.500 metros de altitude. Não é um programa comum para quem visita a região. Arrumamos dois guias andinos, um deles experiente, e fomos. A escalada foi difícil e demorou o dobro do previsto. Ao chegar ao topo, vi que a tarde começava a cair. Começamos a descer por uma vertente mais íngreme. O “experiente” guia confessou que não conhecia aquela montanha: assim como nós, era a primeira vez que a escalava.  A vertente tinha uns 1.000 metros de queda, toda de pedregulhos soltos, sem trilha. </p>
<p>Lembrei-me na hora de uma aula do MBA, sobre negociação, em que o professor falava sobre a importância de definir corretamente os objetivos ao negociar: “A maioria das mortes ocorre na descida dos grandes picos, não na subida”. Ou seja, o cara sobe, tira fotos, feliz da vida, e morre na descida. Fixou o objetivo errado: não era alcançar o cume, mas sim alcançar o cume e descer em segurança. Era tudo o que não fazíamos. </p>
<div id="attachment_145" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/img_2706.jpg?w=500&#038;h=375" alt="O topo à direita, longe" title="img_2706" width="500" height="375" class="size-full wp-image-145" /><p class="wp-caption-text">O topo à direita, longe</p></div>
<div id="attachment_142" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/img_2740.jpg?w=500&#038;h=375" alt="No topo" title="img_2740" width="500" height="375" class="size-full wp-image-142" /><p class="wp-caption-text">No topo</p></div>
<p>Chegamos à base já de noite, com lanternas. A van nos esperava e o dono da empresa de turismo confessou que havia colocado em alerta o resgate em San Pedro de Atacama: um helicóptero já estava a postos. Talvez virássemos notícia de jornal! </p>
<p>Quando me vi a salvo, quase agredi o guia. Chegando a San Pedro, fomos a um restaurante e pedi o melhor vinho da casa. Não é sempre que se comemora o fato de estar vivo.</p>
<p>No final das contas, tudo valeu a pena. O Amyr tem razão: é preciso o desafio e o risco para valorizar a segurança. Realizar. Ali, confirmei que a graça está nessas coisas. Será que algum dia vou sossegar? Temo que não. No fundo, espero que não. E viva o Amyr.</p>
<div id="attachment_143" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/img_2742.jpg?w=500&#038;h=375" alt="A volta" title="img_2742" width="500" height="375" class="size-full wp-image-143" /><p class="wp-caption-text">A volta</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/139/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/139/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/139/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=139&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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