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	<title>O que der e vier &#187; Brasil</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; Brasil</title>
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		<title>Dica de filme: &#8220;O Clube do Imperador&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 21:02:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Outro dia assisti meio por acaso ao filme “O clube do imperador”(Emperor&#8217;s Club), de 2002 e que por aqui só saiu em vídeo. Uma pena. O filme é dirigido por Michael Hoffman e tem a participação brilhante de Kevin Kline e Emile Hirsch. William Hundert (Kline) é um professor de cultura ocidental  em uma tradicional [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1045&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia assisti meio por acaso ao filme “O clube do imperador”(<a href="http://www.imdb.com/title/tt0283530/">Emperor&#8217;s Club</a>), de 2002 e que por aqui só saiu em vídeo. Uma pena. O filme é dirigido por Michael Hoffman e tem a participação brilhante de Kevin Kline e Emile Hirsch.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-54-171.png"><img class="alignnone size-full wp-image-1048" title="Captura de tela 2010-11-02 às 16.54.17" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-54-171.png?w=500" alt=""   /></a></p>
<p>William Hundert (Kline) é um professor de cultura ocidental  em uma tradicional escola de elite para garotos, idealista e quem tem a preocupação real de contribuir para a formação de seus alunos. Ética, moral e caráter são conceitos passados utilizando o exemplo de filósofos gregos e romanos. De nada adianta realizar se estas realizações não estiverem ancoradas solidamente nestes valores. “O caráter de um homem é o seu destino”, diz.</p>
<p>Com a chegada de um novo aluno, Sedgewick Bell (Emile Hirsch), o professor é desafiado como nunca fora antes. Hirsch é indisciplinado, mal educado, questionador e imoral.</p>
<p>Hundert encara o desafio de “corrigir” o garoto, colocando-o no caminho que considera correto. Seu trabalho aparentemente é recompensado: Bell passou a estudar e colocou como meta se classificar entre os três finalistas do concurso Julio Cesar. Ele quase consegue – fica com a quarta vaga – mas Hundert altera uma das notas para que seu pupilo regenerado atingisse a meta.</p>
<p>No concurso, Hundert descobre que Bell trapaceou para vencer, e pergunta a ele o porque, já que sabia a matéria. “Porque não?”, retrucou, mostrando que seria bem mais difícil mudar o comportamento aprendido com seu pai, um senador da república, do que o professor supunha.</p>
<p>Falando assim, o filme parece um pouco Sociedade dos Poetas Mortos: um professor apaixonado empenhando-se para ensinar alunos e, com isso, produzir grandes homens. Mas seria injusto ficar nessa comparação. Apesar de fama bem menor, Emperor’s Club é superior ao apresentar uma dubiedade importante.</p>
<p>De um lado, o filme nos faz acreditar na humanidade, no idealismo, na gratidão, no caráter. O exemplo mais contundente, além do próprio professor, que carregou a culpa de seu erro pelo resto da vida ao favorecer um aluno desonesto, reside no próprio aluno que fora prejudicado. Anos depois ao saber da injustiça, soube relevar o fato, mostrando grandeza (a cena final é especialmente tocante), apesar de ter sido algo muito duro na época: seu avô e seu pai haviam ganho o prestigioso prêmio, e a não classificação representou um enorme fracasso para o jovem gordinho e de óculos, cujas esperanças de ser alguém de destaque precisavam naquela conquista.</p>
<p>A escolha equivocada do professor nos faz lembrar que somos responsáveis por muitos outros destinos que não o nosso, queiramos ou não. Pequenos atos equivocados, até com a melhor das intenções (Hundert achava que “perderia” novamente Bell caso este não se classificasse por tão pouco), podem resultar em caminhos muitos distintos para os envolvidos, quando projetados no longo prazo.</p>
<p>Mas além da crença no perdão e na grandeza, o filme também passa a mensagem de que caráter não tem relação com sucesso. Mais ainda: a conduta errada pode ser recompensada, ao menos materialmente, como pode ser percebido pelo status financeiro de Bell muitos anos depois de sair da escola.  Há um ceticismo implícito no sucesso de Bell (e de seu pai): a sociedade não recompensa pelos meios, mas sim pelos fins; o que conta é o resultado, não o processo. Lembrei aqui de um post antigo que escrevi sobre liderança (<a href="http://blog.oquederevier.com/2008/12/07/lideranca-uma-outra-abordagem/">O lado menos nobre da liderança</a>), em que menciono um trecho que gosto muito em um dos livros do Paul Auster, falando justamente sobre malandros e o sucesso.</p>
<p>Esse comportamento do fim justificar os meios está permeado em nossa sociedade, queiramos ou não. Quer um exemplo? O coroado time de vôlei masculino do Brasil, dirigido pelo incontestável Bernardinho, que perdeu um jogo para cair em uma chave mais fácil no mundial. Podemos ficar chocados e condenar o ato, mas cuidado com a hipocrisia: eles serão, no final, cobrados pelo resultado, e se comportam alinhados a essa cobrança. Essa postura é irmã siamesa do “rouba mas faz”,  etc.</p>
<p>É interessante que o professor tenta, infrutiferamente, mudar o comportamento do aluno e, depois do homem que se formou a partir daquelas bases. Mas não estão na mesma sintonia – Bell não vai pensar como Hundert e, portanto, é imune aos argumentos buscados nos valores morais. Não se muda o caráter de alguém, afinal, propõe o filme. O único momento em que Bell titubeia em sua conduta inescrupulosa ocorre quando o filho pequeno escuta sem querer o pai falando de suas trapaças. Ele se envergonha, mostrando que, no final, sabe que está errado, sabe que há um comportamento aceitável e outro inaceitável, há uma ética presente em todos os humanos, independentemente da origem e criação.</p>
<p>O Clube do Imperador é um filme que merece ser visto. Além de ótima produção, bate fundo na tecla dos valores pessoais e da sociedade, tema muito oportuno ao momento atual da política, da economia e do meio ambiente mundial.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-56-00.png"><img class="alignnone size-full wp-image-1049" title="Captura de tela 2010-11-02 às 16.56.00" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-56-00.png?w=500" alt=""   /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1045&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sobre fins e recomeços</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Mar 2010 23:47:49 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[No final de semana passado, fui para Tiradentes, em Minas Gerais, descansar e fotografar. Acho que não conhecia Tiradentes – talvez já tenha ido em uma excursão do colegial, mas se fui, estava certamente interessado à época em outras coisas – e minha vontade de conhecê-la cresceu depois que li um dos livros do Eduardo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=976&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No final de semana passado, fui para Tiradentes, em Minas Gerais, descansar e fotografar. Acho que não conhecia Tiradentes – talvez já tenha ido em uma excursão do colegial, mas se fui, estava certamente interessado à época em outras coisas – e minha vontade de conhecê-la cresceu depois que li um dos livros do <a href="http://www.palestrantes.org/palestrante.asp?ID=22">Eduardo Giannetti</a>, todos escritos em longos retiros feitos na vila colonial, hospedando-se no antigo <a href="http://www.solardaponte.com.br/">Solar da Ponte</a>.</p>
<div id="attachment_974" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4373.jpg"><img class="size-full wp-image-974" title="IMG_4373" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4373.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></a><p class="wp-caption-text">Solar da Ponte</p></div>
<p>Um conjunto de circustâncias me fez ir para lá e, claro, fiquei hospedado no mesmo Solar da Ponte, uma casarão histórico localizado perto do centrinho e que prima pela exclusividade e pelo bom gosto. Cada quarto (a pousada possui 18) é decorado de um jeito diferente e pude entender perfeitamente porque o Giannetti hiberna nesse lugar para escrever seus ensaios. Talvez em me sinta também inspirado por lugares como esse, guardadas as devidas proporções.</p>
<p>Como você pode ter percebido, não tenho escrito muito, nem fotografado. Essas coisas – a inspiração, a vontade de escrever ou fotografar, a auto-avaliação favorável do trabalho, a ponto de se permitir expor – vêm em ondas, e em parte fui para Tiradentes em busca de uma nova onda.</p>
<div id="attachment_975" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4467.jpg"><img class="size-full wp-image-975" title="IMG_4467" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4467.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></a><p class="wp-caption-text">Tiradentes de noite, com chuva, vazia</p></div>
<p>Tiradentes é uma espécie de Paraty das montanhas, porém menos badalada. Mas não é sobre Tiradentes que quero escrever – há montes de textos na internet, e minhas fotos aqui, no <a href="http://facebook.com/marcelo.decarvalho">Facebook</a> e no <a href="www.flickr.com/marpcar">Flickr</a> falarão melhor do que minhas palavras.</p>
<p>Quero escrever sobre uma mesa. Uma mesa grande, rústica, de peroba maciça com pés de braúna carregados de história. E que agora me acompanhará, seja onde for.</p>
<p>No domingo, andando meio que sem rumo definido pela cidade, fui atraído por um atelier (o único que entrei, tanto lá quanto na vila vizinha de Bichinho) faceado por um belo gramado com árvores, na lateral mais escondida do Solar. Vendo minha indecisão (entro ou não entro? Afinal, definitivamente não vou comprar nada. Não, o momento não é de comprar nada. Ando gastando muito já, estamos investindo na empresa, os desafios deste 2010 são grandes e, ainda por cima, nem sei ainda onde vou morar, já que supostamente estou de mudança de cidade), a proprietária me convidou dizendo que não custava nada entrar.</p>
<div id="attachment_977" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4374.jpg"><img class="size-full wp-image-977" title="IMG_4374" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4374.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></a><p class="wp-caption-text">A casa/atelier à direita, atrás das árvores</p></div>
<p>Entrei. Tocava MPB, e o atelier, que na verdade era a casa da artista, abria para um jardim muito integrado com a casa antiga, com piso de madeira e diversos móveis o objetos: tudo à venda. Ela me explicou: estavam de mudança para Portugal, decidiram partir e vendiam tudo – móveis, objetos de arte, utensílios, muita coisa antiga, garimpada nos lugares  mais improváveis: uma luminária italiana adquirida em uma estação ferroviária a ser demolida, por exemplo, e daí por diante.</p>
<p>Em um dos cômodos, a mesa. Olhei para ela, fizemos um comentário qualquer, e continuei andando, percorrendo a casa e me perguntando porquê partiriam, porquê sairiam daquele lugar que parecia perfeito, para que ir a Portugal começar tudo de novo? A necessidade de recomeçar não respeita esse tipo de coisa, pensei.</p>
<div id="attachment_979" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4496.jpg"><img class="size-full wp-image-979" title="IMG_4496" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4496.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></a><p class="wp-caption-text">Capela, de noite</p></div>
<p>Depois de percorrer toda a casa, perguntei o preço da mesa. Não sei porque perguntei – afinal não havia a menor chance de comprá-la, pelos motivos já expostos. Pelo que era, não parecia caro, ainda mais depois de saber que os pés de braúna vieram de uma ponte construída por Juscelino Kubitschek em sua cidade natal – Diamantina &#8211; quando este fora governador de Minas Gerais (início da década de 50), e que ela havia comprado quando a ponte foi demolida.</p>
<p>Saí, nem telefone peguei. Afinal, se não iria comprar a mesa, para que perder tempo ou gerar expectativas nela e em mim? Fui embora, voltei para BH, onde tinha um congresso.</p>
<p>Foi quando as coisas começaram a mudar. Comentei com alguém sobre a mesa de Tiradentes e fui recebido com um “você tem que comprar essa mesa!”. E o pior é que eu sabia que tinha. Na verdade, já tinha comprado no mesmo momento em que a vi. O resto todo foi só o processo de adaptação ao fato, talvez a tentativa de resistir a algo que, a princípio, não teria qualquer sentido de ser.</p>
<p>Liguei para o Solar e pedi para irem até lá pegar o telefone. A proprietária sabia de quem se tratava assim que o pessoal foi lá – talvez ela também já soubesse (Fechei o negócio nesse domingo à noite. Ela me disse que já vendera 60% e que provavelmente iria adiantar a partida. Havia reservado a mesa para mim até essa segunda. Fiz uma boa compra, ela disse. Por estar enganado, mas acho que ela gostou de &#8220;eu&#8221; ter comprado a mesa. Conforta dar um bom destino mesmo para o que não nos serve mais.).</p>
<p>Não sei exatamente porque comprei a tal mesa. Racionalmente, me convenci de que se tratava de um bom investimento. Uma mesa dessas em São Paulo custa bem mais caro – a artista mesmo me disse isso. Pronto, estava justificado o investimento. Mas obviamente não foi isso que me motivou, afinal há inúmeros investimentos bem mais simples de se fazer do que comprar uma mesa de 2,38m sem ao certo saber para onde levá-la.</p>
<div id="attachment_980" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4398.jpg"><img class="size-full wp-image-980" title="IMG_4398" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4398.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></a><p class="wp-caption-text">Tiradentes</p></div>
<p>Estranhas essas coisas, essas vidas que se cruzam ou se tocam sem razão aparente, e deixam alguma coisa uma para a outra. A artista, por razões que não sei e nunca vou saber, decidiu recomeçar em outro lugar, despindo-se dos pertences que não mais lhe são úteis, ou que lhe trazem lembranças que convém ser esquecidas, vai saber. Entre esses despojos, uma mesa que, por alguma razão que igualmente desconheço, elegi meio que ao acaso como símbolo de um recomeço qualquer, vai saber. Os restos que representam um fim para uns é a matéria-prima da reconstrução para outros. O que descobriu mesmo Lavoisier?</p>
<p>Olhando para frente, vejo mais dúvidas do que certezas. Ainda não sei onde vou morar, mas sei que onde for haverá comigo uma mesa centenária, uma peça única, uma obra de arte, carregando as marcas do tempo, ancorada em pés fortes de braúna que lhe darão a sustentação necessária, tal qual suas raízes um dia lhe deram.</p>
<div id="attachment_978" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/portugal-025.jpg"><img class="size-full wp-image-978" title="portugal 025" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/portugal-025.jpg?w=500&#038;h=752" alt="" width="500" height="752" /></a><p class="wp-caption-text">A mesa</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=976&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Certa tarde em Guangzhou</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 22:08:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Aconteceu há quase 5 anos, quando a turma do MBA estava fazendo viagem de duas semanas a China. Era a primeira viagem organizada pela FIA para este país; as expectativas eram grandes. Logo no começo, tivemos um final de tarde livre e um pequeno grupo resolveu andar por um parque nas imediações do hotel. Guangzhou, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=968&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aconteceu há quase 5 anos, quando a turma do MBA estava fazendo viagem de duas semanas a China. Era a primeira viagem organizada pela FIA para este país; as expectativas eram grandes. Logo no começo, tivemos um final de tarde livre e um pequeno grupo resolveu andar por um parque nas imediações do hotel. <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Guangzhou">Guangzhou</a>, antiga Cantão, fica no sul da China, mais ou menos perto de Hong Kong (falando nisso, me lembrei de uma história nossa de Hong Kong que vou contar depois&#8230;haha). Estava quente, absurdamente quente, e muito úmido, mas muito mesmo. Uma verdadeira sauna.</p>
<p>Depois de caminhar um tanto, vimos um campo de futebol, de areia, onde jogavam uns chineses, todos de chuteira, meião, e tudo o mais, devendo ter uns  18 anos em média, ou no máximo.</p>
<p>Não podendo ver uma bola, sugeri para o nosso grupo desafiar os chineses – estávamos em cinco, alguns de calça comprida, outros de sapato ou chinelo. A ideia seria jogar só 5 minutos para tirar uma foto e depois contar para o resto da turma. E, de qualquer forma, chinês é a princípio ruim de bola….</p>
<p>A conversa foi complicada, porque eles não falavam inglês e nós, obviamente, não éramos versados em mandarim. Mas a língua do futebol é universal e logo estávamos nos entendendo.</p>
<p>Quando viram que éramos do Brasil, os chineses assustaram e já iam desistindo do confronto das duas potências, até que um deles deu uma olhada melhor em nossa equipe e convenceu os outros a jogar. Certamente não éramos o que eles estavam acostumados a ver em se tratando de futebol brasileiro.</p>
<p>Os chineses, jogando em casa e, em plena forma, começaram o jogo a mil; logo estava 2&#215;0 e rapidamente esquecemos os cinco minutos  previstos; de repente, estávamos numa batalha campal pela nossa honra. De uma forma ou de outra, sendo malandro em alguns momentos, conseguimos equilibrar a partida. Lembro até hoje que, quando um chinês tentou me driblar, e chutei para a lateral e xinguei: “Aqui não, seu chinês filho da puta!” Depois de 1 hora, completamente exaustos, achamos por bem encerrar a brincadeira com o diplomático placar de 4&#215;4.</p>
<p>Como eu estava de sapato, optei por jogar descalço naquele campo de areia e pedregulho. Foi só no final que percebi que alguma coisa com meus pés não estava boa…quando olhei, a sola de cada pé tinha uns 3 buracos em carne viva, do tamanho de uma moeda de um real, cheios de areia. Ardia…</p>
<p>Passei o resto da viagem de chinelo, sentindo a cada dia a reprovação visual do coordenador da viagem. Afinal, éramos executivos a trabalho e não moleques de férias (pelo menos a princípio…). Na cidade seguinte, em Shanghai, precisei ir ao médico porque as feridas haviam inflamado, o que era de se esperar considerando o calor, a umidade e o local, impossível de se cicatrizar a não ser que eu ficasse deitado o dia todo.</p>
<p>A dor passa, a ferida cicatriza, e ficam as lembranças. É curioso: analisando hoje, essa é mesmo a melhor lembrança da viagem.</p>
<p>Desde então, muitas outras turmas se passaram e foram para a China; centenas de alunos se sucederam.  Mas, certa vez, alguém lá da coordenação do curso me disse que a façanha da turma 26 é lembrada até hoje: aquela foi a turma que, numa certa tarde de junho, fez algo único, fora do roteiro e, com isso, fez a diferença, deixando sua marca. <em>Think about it!</em></p>
<p>(Se alguém do MBA que estava lá ler esse texto, pode confirmar!)</p>
<div id="attachment_966" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/02/copy-of-futebol-010.jpg"><img class="size-full wp-image-966" title="Copy of futebol 010" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/02/copy-of-futebol-010.jpg?w=500&#038;h=375" alt="" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">O estado do time brasileiro após a partida</p></div>
<div id="attachment_967" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/02/futebol-006.jpg"><img class="size-full wp-image-967" title="futebol 006" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/02/futebol-006.jpg?w=500&#038;h=375" alt="" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Tentando diálogo com os nativos</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=968&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Os famosos e o Twitter</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 21:38:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acredito que uma das razões que explica o sucesso do Twitter é a possibilidade de seguir pessoas famosas que normalmente não estão ao alcance dos cidadãos comuns. De repente, esse cidadão pode acompanhar em tempo real o dia-dia e as opiniões de celebridades normalmente inacessíveis, como políticos, esportistas, artistas, modelos, apresentadores de TV, etc.  O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=902&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito que uma das razões que explica o sucesso do Twitter é a possibilidade de seguir pessoas famosas que normalmente não estão ao alcance dos cidadãos comuns. De repente, esse cidadão pode acompanhar em tempo real o dia-dia e as opiniões de celebridades normalmente inacessíveis, como políticos, esportistas, artistas, modelos, apresentadores de TV, etc.  O que realmente pensam? O que estão fazendo nesse exato momento em que você, por exemplo, está no trânsito esperando para chegar em casa? Essa sincronicidade de tempo gera proximidade, intimidade, de ambas as partes.</p>
<p>O interessante é analisar por qual razão as celebridades (não todas, claro) aderiram ao Twitter e o usam com intensidade. Há, evidentemente, a auto-propaganda; ser uma celebridade via de regra significa também saber ocupar os espaços, estar na mídia, e o Twittter é uma nova mídia, cujo potencial veio à tona na campanha do Obama à presidência dos EUA (obs: o Obama assumiu que não era ele quem tuitava).</p>
<p>Há, também, o ego. Celebridade que se preze tem um ego colossal (caso contrário não conseguiria lidar com a pressão e com a vigilância que a fama traz) e nada melhor para alimentar esse ego do que estar diretamente em contato com milhares, centenas de milhares de fãs. O número de seguidores diz muito sobre a influência de cada um. Como bem colocou meu sócio <a href="http://blog.miguelcavalcanti.com/">Miguel Cavalcanti</a>, se o número de seguidores não aparecesse, a atratividade da ferramenta cairia muito.</p>
<p>E tem mais: quem falar mal…pode ser sumariamente bloqueado, eliminando-se o problema. Assim, fica ao alcance de cada um evitar a crítica direta e selecionar só os elogios.</p>
<p>Mas acredito que existam outras razões menos óbvias e que não estão sendo comentadas. Eu pelo menos, não vi nada a respeito, embora não seja exatamente um ávido devorador de informações online. Acho que, pelo Twitter, o “famoso” pode mostrar seu lado “gente comum”, de uma maneira direta e sem intermediários. Pelo Twitter, não é mais aquele personagem que é retratado nas revistas, jornais e TV; não é necessariamente o famoso em seu horário de trabalho e, portanto, sujeito às restrições que o cargo lhe impõe.</p>
<p>Pelo Twitter, um pouco do ser humano real aparece. Afinal, toda celebridade acaba sendo muito mais o que se espera que ela seja do que o que ela é realmente. E o Twitter acerta um pouco essa conta. Esses famosos, justamente por não poderem ser eles mesmos em seu dia-a-dia dada a responsabilidade que têm, a imagem a zelar (o impacto de um escândalo como o que envolveu Tiger Woods certamente seria menor em alguém menos exposto), acabaram encontrando no Twitter uma maneira de mostrar quem realmente são – e o melhor, restrito a 140 caracteres, isto é, a exposição não é tão grande assim e o risco de escorregar, bem menor, embora existente (claro).</p>
<p>É possível que os famosos tenham essas necessidade até mais do que o cidadão comum, que não carrega um peso tão grande e que cujos erros tendem a ter impactos bem menos devastadores ou irreversíveis. Não sou uma celebridade, mas imagino que aquela sensação de ser famoso e ao mesmo tempo só, isolado, diminui via Twitter.</p>
<p>Também, via Twitter os famosos não correm o risco de ter uma frase retirada de contexto e ser amplificada de forma a prejudicá-lo, intencionalmente ou não. Não há a edição de um jornalista, por exemplo. É lógico que há o outro lado: falou besteira, não tem a quem culpar. Mas ainda assim pode ser mais confortável correr esse risco do que ter surpresas com interpretações equivocadas de terceiros, incompetência ou maldade mesmo. Em uma extensão  desse raciocínio, vale lembrar que o Twitter ainda não foi totalmente descoberto pela mídia. Ainda não são tão frequentes as matérias nas mídias tradicionais criticando ou ironizando o que os famosos tuitaram. É possível que, quando todas as mídias descobrirem esse “potencial”, os famosos se inibam mais e a nova ferramenta perca bastante sua força.</p>
<p>Enquanto isso não ocorre, o povo se diverte, acompanha seus ídolos, interage com eles de uma forma que nunca sonhou e, com isso, contribui para tornar o Twitter a febre que se tornou.</p>
<p>PS: outras contribuições do <a href="http://blog.miguelcavalcanti.com/">Miguel</a> &#8211; os empregadores das celebridades não têm mais como monetizar esse monte de seguidores. As centenas de milhares de seguidores do William Bonner, por exemplo, são um ativo dele. Se ele sair, leva todo mundo! Quando perceberam isso, já era tarde&#8230;ainda, há o fato da exposição sem o controle do empregador. O mesmo Bonner, por exemplo, que só aparece no JN todo formatadinho, no Twitter está livre, leve e solto, e pode dar suas escorregadas e, numa dessas, prejudicar  a si e a Globo. O Boris Casoy, por exemplo, é um que não poderia ter Twitter em hipótese alguma. =)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=902&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Será que temos infra-estrutura para virar o Brasil que esperamos?</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 09:58:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No final do ano passado, fui pegar um vôo em Congonhas e não havia vaga em nenhum dos cinco andares do estacionamento do Aeroporto. Tudo lotado. Detalhe: é um Aeroporto remodelado recentemente, incluindo a construção do próprio estacionamento. Fiquei com uma sensação de que o Brasil já está maior do que poderia. Falta esqueleto para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=898&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No final do ano passado, fui pegar um vôo em Congonhas e não havia vaga em nenhum dos cinco andares do estacionamento do Aeroporto. Tudo lotado. Detalhe: é um Aeroporto remodelado recentemente, incluindo a construção do próprio estacionamento. Fiquei com uma sensação de que o Brasil já está maior do que poderia. Falta esqueleto para o corpo poder crescer, e esse esqueleto atende pelo nome de infra-estrutura.</p>
<p>Há inúmeros outros exemplos que nos sugerem que há um problema significativo de infra-estrutura que pode limitar nosso crescimento: trânsito caótico nas grandes cidades, problemas sérios com transporte público, apagões misteriosos, problemas (nem sempre transparentes) em telefonia e comunicações, estradas sem condição de receber o tráfego que recebem, e por aí vai. Você certamente saberá listar outros gargalos que afetam o seu dia-a-dia.</p>
<p>E nós achamos que está tudo bem, afinal chegou a nossa hora e o Brasil está crescendo. No Brasil, vem o crescimento primeiro e depois, quem sabe, a infra-estrutura. Somos uma China às avessas. Falam que seremos a quinta economia do mundo daqui a dez anos ou menos. Em 2050, nossa economia será 10 vezes maior que a atual. Já pensou nisso? O que necessitaremos de investimentos? Talvez não estejamos acostumados a crescer continuamente a 4-5% ao ano e não tenhamos entendido ainda o que implica esse crescimento em relação a investimentos quando se fala de um país das dimensões e da população do Brasil. Parece aquele time de segunda divisão que comemora o acesso à primeira, sem perceber que se não fizer investimentos, cairá novamente no ano seguinte. Mas continuará comemorando que, um dia, subiu! Talvez até com alguma razão, ficamos comemorando anos o combate à inflação, e agora as políticas sociais. What is next?, é o que deveríamos estar perguntando agora.</p>
<p>Falta visão dos governantes. O que dizer diante dos Arrudas, Sarneys, etc da vida? Mas não é só isso. Funcionamos na base de eventos, episódios críticos que demandam uma ação imediata (Lembram-se de Congonhas novamente? Precisou cair o avião da TAM para terminarem de arrumar a pista que sabiam estar inadequada.). Não há (ainda) efetivamente planejamento de longo prazo. O Brasil é o país do “agora”. Talvez por isso os juros sejam historicamente altos no país: postergar o consumo de hoje, o momento de hoje, é algo muito caro às pessoas. O amanhã que se dane. E isso se reflete na visão de longo prazo, na estratégia de quem nos dirige.</p>
<p>Esse é um ano eleitoral. Acho interessante avaliarmos se algum dos candidatos possui a visão de que será preciso criar a estrutura para o crescimento que esperamos. Até agora não vi nada. Vamos aguardar o início da campanha para ver.</p>
<p>Mas aí surge um outro problema. Falta dinheiro para investir, porque, entre outras coisas, o gasto público é alto e, mais uma vez, não consideramos isso um problema, afinal estamos crescendo e a Economist falou que o Brasil está bem na foto. Para que botar o dedo na ferida? Vamos é comemorar!</p>
<p>Sem reduzir o gasto público e, consequentemente, sem recursos para investir aquilo que precisa ser investido para o país rodar em uma escala maior, precisamos de outras alternativas. Talvez tenhamos que trocar comida, que sabemos produzir bem e que será um bem caro a outros países que também precisam crescer, como a China, por investimentos externos em infra-estrutura. Sei lá, seria uma espécie de PPP. Pode parecer uma volta ao Brasil colonial, mas se fizermos direito dessa vez, temos condições de criar a estrutura que precisamos para ter o tamanho que o mundo espera de nós.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=898&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Meu primeiro “prêmio” fotográfico</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Dec 2009 21:38:51 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Graças a uma amiga, fiquei sabendo de um concurso para escolha de 12 fotos para o calendário 2010 do Senar/CNA, sob o tema “Homens e mulheres construindo o agronegócio brasileiro”. Havia ainda alguns dias para enviar quantas fotos quisesse para o concurso. Li rapidamente  o regulamento, sem muito ânimo, e acabei optando por mandar uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=858&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Graças a uma amiga, fiquei sabendo de um concurso para escolha de 12 fotos para <a href="http://www.canaldoprodutor.com.br/noticias/divulgação-do-resultado-do-concurso-fotográfico-do-sistema-cna">o calendário 2010 do Senar/CNA</a>, sob o tema “Homens e mulheres construindo o agronegócio brasileiro”.</p>
<p>Havia ainda alguns dias para enviar quantas fotos quisesse para o concurso. Li rapidamente  o regulamento, sem muito ânimo, e acabei optando por mandar uma única foto, no último dia do concurso. Por mais improvável que seja, não tenho fotos de agronegócio – na verdade, há explicação: como trabalho com isso, raramente estou com máquina fotográfica e, quando estou, não tenho tempo e <em>mindset</em> para fotografar bem. Por isso, e por uma certa falta de ânimo, só mandei uma única foto, de um peão pantaneiro tocando a boiada.</p>
<p>A foto foi tirada na <a href="http://www.baiadaspedras.com.br/">Fazenda Baía das Pedras</a>, em Aquidauana, MS, e ficou bonita, apesar de poder ser melhor. Era final de tarde, a luz estava perfeita e os trajes do peão e do cavalo deram um colorido bonito, contrastando com a brancura do gado. Acho que defendi bem a foto, ao explicar que a produção agropecuária é feita de pessoas como esse peão, anônimas, cujos esforços somados geram a opulência e os grandes números que hoje chamamos de agronegócio e que sustentam há anos a balança comercial do país.</p>
<p>Apesar disso, não achei que iria ter minha foto selecionada –  e há momentos em que você questiona sua própria obra, como se tudo de repente parecesse medíocre. Estou em um desses momentos.</p>
<p>Três ou quatro dias depois, recebi um telefonema informando que minha foto havia sido selecionada, dentre as 425 enviadas. Apesar de não pretender ganhar dinheiro com a fotografia, a sensação foi interessante.</p>
<p>Como cedi os direitos de uso para eles, não vou publicar a foto aqui. Mas publico uma outra foto, da mesma série, que gostei até mais do que a premiada, mas que provavelmente não seria selecionada em função da temática do concurso.</p>
<p>Essas fotos foram tiradas com a minha câmera “antiga”, uma Canon Powershot SX 10 IS que, pelas suas limitações, me forçou a ir mais longe e compensar “na raça”; me fez aprender mais. Em outubro, comprei um belo equipamento, mas não vendi minha câmera antiga, que é muito prática e não faz feio, mesmo não sendo uma DSLR. Também, ou na verdade, não vendi porque criei laços com ela em função de ter sido minha primeira câmera com o propósito de tirar fotos de forma um pouco mais técnica.</p>
<p>Hoje, meu equipamento é muito melhor do que eu, fazendo-me sentir até intimidado. Subjetivamente ou não, minha produção fotográfica deu uma estagnada e cheguei a me questionar se realmente tenho algum talento ou se as pessoas mais próximas são simplesmente gentis.</p>
<p>O fato é que, no meio dessa entressafra fotográfica, esse prêmio, ainda que modesto sob o aspecto técnico, teve um simbolismo importante para trazer de volta um estímulo que estava bem escondido.  Andei até pensando em fazer um workshop no exterior – quem sabe algum lugar remoto da Ásia, África, ou mesmo América do Norte…</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/12/img_5315.jpg"><img class="alignnone size-medium wp-image-859" title="IMG_5315" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/12/img_5315.jpg?w=300&#038;h=225" alt="" width="300" height="225" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/858/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/858/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/858/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=858&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Brasileirão e a ética do brasileiro</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 23:34:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Campeonato Brasileiro, apesar do baixo nível técnico e da ausência de times e mesmo jogadores que empolguem, chega ao final com grandes expectativas. Em parte, essas expectativas derivam da possibilidade de diversas equipes ganharem o torneio,  alternando-se na liderança a cada rodada, tornando risíveis as probabilidades matemáticas, sempre publicadas pelos jornais após os jogos. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=854&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Campeonato Brasileiro, apesar do baixo nível técnico e da ausência de times e mesmo jogadores que empolguem, chega ao final com grandes expectativas. Em parte, essas expectativas derivam da possibilidade de diversas equipes ganharem o torneio,  alternando-se na liderança a cada rodada, tornando risíveis as probabilidades matemáticas, sempre publicadas pelos jornais após os jogos.</p>
<p>Afora essa saudável disputa, a outra razão pela qual o campeonato termina carregado de expectativas é o inusitado fato de que, se o Grêmio vencer o Flamengo no Rio de Janeiro, muito provavelmente dará o título a seu arqui-rival, o Internacional. Que situação! Deverá o Grêmio entregar o jogo ao Flamengo, evitando o triunfo de seu maior inimigo?</p>
<p>Vários comentaristas e as pessoas em geral consideram normal o torcedor gremista pedir que seu time entregue o jogo; afinal, para o Grêmio é só mais um jogo, facilmente cambiável pela alegria de ver a perda do título colorado. Mais do que isso: por ser o protagonista dessa perda, não interessa por que meios. O que não pode, concordam cheios de pudor e aparente decência, é a diretoria pedir para o time entregar o jogo. Isso sim seria anti-ético.</p>
<p>Engraçado. Não me parece “normal” que o torcedor peça para o time entregar o jogo para evitar mal maior. Uma coisa é torcer contra o inimigo; outra, bem diferente, é prejudicar a si próprio, se vender (sim, é uma venda, não monetária, mas uma venda) em troca de ver o tropeço alheio.</p>
<p>Onde anda o tal “fair-play”, o reconhecimento de que existem limites e aspectos éticos mais importantes do que o título em si, ou, no caso, o triunfo do concorrente? É claro que o gremista não ficaria de qualquer forma satisfeito com a (improvável) vitória do Inter, mas mil vezes agüentar as gozações e aceitar a derrota, aceitar que o rival foi mais competente e, caso ganhasse, ganharia licitamente, do que trocar a consciência tranqüila pela alegria de poder prejudicar o rival, sem qualquer vantagem adicional que não saborear a tristeza alheia. Mesmo porquê, nesse raciocínio, amanhã pode ser a sua vez de estar na posição colorada (ou na posição säopaulina, corinthianos!).</p>
<p>Vivo em Marte, dirão. Sim, devo viver, afinal esse comportamento de levar vantagem em tudo está entranhado em nossa consciência. Paro de escrever por um momento: acabo de ver matéria sobre esse mesmo tema no Jornal Nacional: o tratamento não é que se trata de absurdo, de um deslize moral, mas sim de algo “pitoresco”, fruto da rivalidade, até “saudável”. Nem uma entrevista sequer de alguém chamando para a questão básica: qual é o papel do esporte, onde está o ideal Olímpico? Claro, o futebol deixou de ser um esporte há muito, e nunca flertou muito bem com as Olimpíadas. Talvez por isso.</p>
<p>Mas o problema não é só do futebol. Esse esporte é um símbolo do Brasil e do brasileiro. Sua ética, em maior ou menor grau, representa a nossa ética. Fico pensando com que autoridade nos assombramos com os Arrudas da vida, quando achamos normal que o torcedor gremista queira que sua equipe entregue o jogo. Achamos até legal, correto esse comportamento, quando essa simples possibilidade já soaria absurda caso houvesse valores decentes e alguma ética.</p>
<p>Na semana passada, o mundo viu Thierry Henry colocar escandalosamente a mão na bola, resultando no gol salvador bem no final do jogo contra Irlanda,  colocando a França na Copa e eliminando injustamente os irlandeses. O que fez Henry após a partida? Pediu desculpas aos irlandeses e disse que a solução mais justa seria a realização de uma nova partida. Pode-se dizer que ele poderia não ter colocado a mão na bola, que agora é fácil justificar e sair de bom moço. Qualquer um que já jogou algum esporte minimamente a sério sabe que há reações instintivas ligadas a sobrevivência – simplesmente não há tempo de se raciocinar – quanto mais quando o que está em jogo é a garantia da participação em uma Copa do Mundo que ia inacreditavelmente escapando a forte e tradicional França. Qual seria a reação do jogador brasileiro médio, em uma situação dessas, após colocar a mão na bola? Será que pediria uma nova partida e pediria desculpas ao adversário ainda no campo? Será que a imprensa e as pessoas em geral o considerariam majoritariamente desonesto, ou “esperto”? Tenho dúvidas, mas temo que a maioria consideraria um ato de esperteza, como la Mano de Dios de Maradona, na Copa de 86. E, claro, quando falo do jogador brasileiro “médio”, estou falando do brasileiro “médio.</p>
<p>É irônico que o Brasileirão termine dessa forma, caprichosamente expondo nossas fraturas éticas futebolísticas, que tão bem podem ser extrapoladas para nossa própria sociedade. A rigor, nessas alturas, se o Grêmio vai entregar o jogo para o Flamengo, nem interessa muito (curiosamente, parece que o Grêmio escalará uma “equipe mista”: os diretores, assim, lavam as mãos). Com esse episódio, já perdemos, e de goleada, o jogo da ética e dos valores que moldam uma sociedade decente.</p>
<p>PS: nada contra o Grêmio ou os gremistas; qualquer grande time e torcida provavelmente protanizaria o mesmo papelão, caso estive em posição semelhante.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=854&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Rio 2016: o mundo definitivamente aposta no Brasil</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/10/02/rio-2016-o-mundo-definitivamente-aposta-no-brasil/</link>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 20:44:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<category><![CDATA[Rio2016]]></category>

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		<description><![CDATA[O Rio de Janeiro levou as Olimpíadas de 2016. Ganhou de Chicago (Estados Unidos, maior economia do mundo), Tóquio (Japão, segunda maior economia do mundo) e Madri (Espanha, nona no ranking). A escolha das sedes olímpicas vai muito além do fato esportivo em si, tanto que os líderes dos quatro países estavam presentes, buscando sensibilizar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=806&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Rio de Janeiro levou as Olimpíadas de 2016. Ganhou de Chicago (Estados Unidos, maior economia do mundo), Tóquio (Japão, segunda maior economia do mundo) e Madri (Espanha, nona no ranking).</p>
<p>A escolha das sedes olímpicas vai muito além do fato esportivo em si, tanto que os líderes dos quatro países estavam presentes, buscando sensibilizar os membros do COI para suas candidaturas. Como um cheque em branco, o país escolhido recebe um enorme voto de confiança para realizar o principal evento esportivo (e cultural) mundial.  Se esse cheque vai para países desenvolvidos, que já realizaram outras Olimpíadas, esse cheque em branco tem pouco risco de apresentar surpresas; dá-lo, porém, a um país emergente, a uma cidade carregada de problemas e sem a infra-estrutura adequada, ou é uma irresponsabilidade coletiva dos membros do COI, ou é a prova definitiva de que o mundo está vendo o Brasil de outra forma, ainda que muitos de nós não tenhamos a mesma visão. Prefiro apostar na segunda hipótese. Já tinha, inclusive, escrito sobre isso: <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/06/21/o-brasil-ja-e-visto-como-potencia/">O Brasil já é visto como potência</a>.</p>
<p>A escolha do Rio como sede das Olimpíadas é parte de um processo de diluição do poder econômico e político entre novos atores. Pequim 2008 também foi parte desse processo em que o mundo reconhece cada vez mais que o crescimento econômico virá da periferia e não do centro do capitalismo, como de costume. É a era dos BRICs, e o Brasil é central nesse processo, constituindo-se em um pivô regional relevante e estratégico em diversas variáveis que serão fundamentais no tabuleiro de forças do futuro, principalmente na questão ambiental e na produção de alimentos. Alguns países emergentes mudaram de status no cenário mundial: a percepção de risco diminuiu; suas moedas se valorizaram frente ao dólar e mesmo frente a outras moedas fortes; passaram a ser ouvidos em assuntos mais estratégicos.</p>
<p>Claro que há o outro lado da moeda, e que não pode ser ignorado. Os investimentos serão significativos (porque não investir em educação, saúde, segurança?); há sempre a suspeita de desvio de verbas, a farra com o dinheiro público; haverá uso demagógico dessa conquista; o Brasil não é uma potência olímpica; as obras se tornarão elefantes brancos após os Jogos, e por aí vai.</p>
<p>Tudo isso pode ser verdade, ou não. Cabe ao Brasil mostrar que pode dar conta do recado e que esse reconhecimento mundial é justo e acertado. Estaremos nos holofotes, afinal o Rio venceu “na marra”: pode ter um bom projeto, mas está tudo ainda por fazer. Em que pese o carisma do Lula, o trabalho do COB e o fato do Brasil estar na moda, o fato é que recebemos um enorme voto de confiança.</p>
<p>Nesse sentido, terá de haver transparência na prestação de contas e a imprensa terá um papel fundamental nisso. Terá de haver investimentos para amenizar os problemas crônicos da cidade. Será necessário fazer investimentos no esporte de base para não fazermos um papel secundário nos Jogos.</p>
<p>Uma coisa é clara: a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 é a prova evidente de que o Brasil é a bola da vez, ou uma delas. O cavalo está passando arreado e é a nossa chance de aproveitar. Talvez tenha chegado a vez do eterno país do futuro virar do presente.</p>
<p>Mas, alto lá. Até agora, pelo menos no que se refere aos Jogos Olímpicos, o marketing foi bem feito; mas o trabalho só começou. É preciso entregar o prometido. As expectativas são altas e agora vem a hora da verdade. Se a lição de casa for feita, Rio 2016 terá um saldo positivo para o país, podendo significar o carimbo de “aprovado” em nosso passaporte para o futuro. Se não&#8230;</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-807" title="rio2016" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/10/rio2016.jpg?w=500" alt="rio2016"   /></p>
<p>Obs: O <a href="http://http://www.canchallena.com/1181612">La Nación, da Argentina, falou a mesma coisa que eu</a> &#8211; destaco o trecho final:</p>
<p><em>&#8220;Lejos de leerse como un hecho aislado, la obsesión que el gobierno brasileño mostró por los Juegos Olímpicos debe interpretarse como una actitud de un país que aún con su compleja problemática social, actúa como potencia y pretende que así sea percibida en el campo internacional. No faltará la oportunidad: en el 2014 y 2016 el mundo tendrá sus ojos puestos en Brasil&#8221;.</em>  </p>
<p>PS: No Twitter – se o Lula fosse bom mesmo, traria para o Brasil as Olimpíadas de Inverno. São Roque 2018!!!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=806&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Série grandes publicitários: impressões sobre o Washington Olivetto</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Sep 2009 14:41:23 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Washington Olivetto]]></category>

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		<description><![CDATA[No curso com grandes publicitários na Casa do Saber, tivemos nessa semana o privilégio de conhecer um pouco do Washington Olivetto que, como disse o Celso Loducca, é o “primeiro da série” de grandes publicitários que o Brasil produziu a partir daquela época. Como alguém lá conseguiu perguntar a ele, Washington Olivetto é uma lenda [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=755&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No curso com <a href="http://www.casadosaber.com.br/curso.php?cid=1672">grandes publicitários na Casa do Saber</a>, tivemos nessa semana o privilégio de conhecer um pouco do Washington Olivetto que, como disse o Celso Loducca, é o “primeiro da série” de grandes publicitários que o Brasil produziu a partir daquela época.</p>
<div id="attachment_756" class="wp-caption alignnone" style="width: 89px"><img class="size-full wp-image-756" title="washington" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/washington.gif?w=500" alt="Foto: site da W/Brasil"   /><p class="wp-caption-text">Foto: site da W/Brasil</p></div>
<p>Como alguém lá conseguiu perguntar a ele, Washington Olivetto é uma lenda vida (quase matou o cara&#8230;rs). Campanhas como a do Bombril, Valisére , Cofap, etc. são dele. Ele certamente fez história na publicidade e no cenário cultural do Brasil dos últimos 30 anos.</p>
<p>Filme do Valisére:</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/09/05/serie-grandes-publicitarios-impressoes-sobre-o-washington-olivetto/"><img src="http://img.youtube.com/vi/JlIAtOVY4qo/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>O <a href="http://leokuba.com.br/">Leo Kuba</a>, que também está participando do curso, definiu bem em <a href="http://www.leokuba.com.br/2009/09/washington-olivetto-na-casa-do-saber-o-outlier-brasileiro.html">seu post</a>: o W.O. é um perfeito “Outlier” brasileiro, utilizando o conceito do livro  Fora de Série, escrito pelo Malcolm Gladwell (<a href="http://blog.oquederevier.com/2008/12/14/critica-de-livro-outliers-fora-de-serie-de-malcolm-gladwell/">leia aqui</a> o resumo que fiz do livro).</p>
<p>Além do talento, ele encontrou o ambiente propício para florescer: a propaganda havia se profissionalizado na geração anterior e, naquele momento, o consumidor brasileiro começava a ter acesso à infinidade de produtos e opções que têm hoje. Pode-se dizer que aquele momento marcou a migração da era da demanda para a era da oferta, e a propaganda era a maneira de diferenciar os produtos. Também, foi o momento da forte expansão da televisão a cores, canalizando a audiência e colocando a faca na mão de quem já tinha o queijo. Também, ele trabalhou muito, aprendeu e soube aproveitar a chance. O Washington era a pessoa certa, na hora certa, fazendo a coisa certa. Não podia dar outra coisa. Ele reconhece que, hoje, é muito mais difícil aparecer um Washington Olivetto.</p>
<p>Segundo o Malcolm Gladwell, as pessoas que se destacam a ponto de se tornar um Fora de Série reúnem talento + treinamento (as 10.000 horas de prática) + ambiente correto (formação, rede de relacionamentos, momento histórico, etc).</p>
<p>Outra coisa interessante do bate-papo com ele é que, apesar de ter um perfil completamente oposto ao do Nizan Guanaes (bem menos agressivo, mais conciliador), tem grande ambição de fazer a diferença e ser “o melhor do mundo”, uma profunda obsessão por estar sempre pedalando e fazendo acontecer. Lembrei-me do <a href="http://blog.piapara.com/2009/03/04/o-conceito-do-porco-espinho-do-livro-good-to-great/">conceito do porco espinho do Jim Collins</a>: escolher algo em que você pode ser o melhor do mundo, te dê paixão e tenha mercado. Na confluência destes três círculos está o sucesso.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-758" title="porcoespinho" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/porcoespinho.jpg?w=500" alt="porcoespinho"   /> </p>
<p>Aliás, falando em obsessão por realizar, lembrei do que o Nizan falou como seu principal temor: medo de se acomodar. Engraçado esse medo, que de certa forma também tenho. Parece que o sentido da vida dessas pessoas (daí falo do Nizan e talvez de mim) está em estar sempre criando o novo, que seria o corolário de não se acomodar. Talvez não queiram pensar na hipótese de se ver sem estar empreendendo. Talvez apenas sejam assim mesmo e está tudo certo, não sendo exatamente um problema ou uma fuga.</p>
<p>Outros fatos interessantes sobre o Washington:</p>
<p>-faz propaganda porque consegue reunir nela a escrita e a venda. Com isso, consegue ser muito bom. Se não fosse publicitário, seria alguma mais ou menos em alguma outra coisa. E mais ou menos não serve para ele. Muitos publicitários viraram publicitários porque dava mais dinheiro e status do que jornalismo, por exemplo. Ele não.</p>
<p>- aliás, ele tem bem esse conceito do “ser o melhor do mundo”. Sabia que na música nunca seria um Caetano, então decidiu não ser músico. Difícil a vida de quem pensa assim (chance de muitas frustrações), mas provavelmente quem está no topo em cada área pensa assim. <em>There is a price to pay.</em></p>
<p>- sempre teve amigos mais velhos, lia muito. Era amigo do Caetano, Gil, etc. lá no início do tropicalismo. Ou seja, teve influência que ajudou em sua formação, entendeu muito bem a indústria cultural, o que permitiu que criasse para a galera, como ele mesmo diz. Sabe atingir o grande público.</p>
<p>- parece ser muito bom em criar relacionamentos que duram a vida toda. Citou o Zurita, que conheceu quando este era gerente de produto e ele diretor de criação da agência. Com certeza o fato da conta da Nestlé ser em grande parte da W/Brasil tem a ver com isso.</p>
<p>- acha importante andar com pessoas diferentes, ver coisas diferentes. Hoje, a propaganda está muito igual, publicitário só anda com publicitário, casa com publicitário, etc. A forma importa mais do que o conteúdo.</p>
<p>- parece ser um cara mais light para se trabalhar, mas teme que seu jeito relativament <em>easy going</em> de ser (foi um dos padrinhos da democracia corinthiana) está defasado: “as pessoas preferem trabalhar por pressão, ao invés de por tesão”. Nas entrelinhas, deu a entender que o esquema pressão dá mais resultados.</p>
<p>- ele deu uma definição que nunca tinha ouvido falar sobre sucesso: “sucesso é poder ser amigo de seus ídolos”.  Preciso pensar nisso.</p>
<p>- disse que não tem medo de “porra nenhuma”: já se ferrou muito e saiu de tudo. Segundo ele, costuma se dar muito bem, mas quando se ferra, é também com tudo que tem direito (ex: seqüestro). Depois corrigiu: tem medo de não estar presente para o filho que teve aos 50 anos.</p>
<p>- não tem preconceito de informação (aberto para coisas diferentes daquilo que pensa ou sabe).</p>
<p>- “a melhor propaganda é aquela que parece que o produto que fez para si próprio”.</p>
<p>- sobre tecnologia atual: “a grande maioria das pessoas que usa Twitter não sabe escrever longo o que é fácil, imagine escrever curto o que é difícil&#8230;”</p>
<p>- hoje há publicitários famosíssimos, faltam só os anúncios&#8230;</p>
<p>- campanhas recusadas pelo cliente são fatos da vida, não interessa se é o W.O. em início de carreira ou na semana passada. Quando a recusa é injusta, só resta ficar bravo. Quando é justa, daí é pior: você se sente realmente medíocre. Legal ele reconhecer isso.</p>
<p>Eu já conhecia um pouco do W.O. porque li o livro “<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/292999/na+toca+dos+leoes">Na toca dos leões</a>”, escrito pelo Fernando Morais e que fala da trajetória dele e da <a href="http://www.sitedaw.com.br/homepage.wbr">W/Brasil</a>. Mas fazia tempo, e nada melhor do que uma conversa mais pessoal. De defeito evidente, o fato de ser corinthiano doente. De resto, reforcei a impressão que tinha dele: um fora de série, com todo direito a sê-lo.</p>
<p>Semana que vem tem o Roberto Justus.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/755/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/755/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/755/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/755/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/755/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/755/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/755/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/755/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/755/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/755/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/755/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/755/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/755/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/755/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=755&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Frost/Nixon vai bem além da política (e dos Estados Unidos)</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Aug 2009 20:23:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Frost]]></category>
		<category><![CDATA[Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Nixon]]></category>
		<category><![CDATA[Sarney]]></category>

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		<description><![CDATA[Assisti ao filme Frost/Nixon (2008), de Ron Howard, de A Mente Brilhante. O filme retrata a série de entrevistas conduzidas pelo apresentador britânico David Frost (interpretado por Michael Sheen) com o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon (interpretado magistralmente por Frank Langella) e que havia renunciado em função do escândalo Watergate. O filme foi indicado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=731&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assisti ao filme <a href="http://www.frostnixon.net/">Frost/Nixon </a>(2008), de Ron Howard, de A Mente Brilhante. O filme retrata a série de entrevistas conduzidas pelo apresentador britânico David Frost (interpretado por Michael Sheen) com o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon (interpretado magistralmente por Frank Langella) e que havia renunciado em função do escândalo Watergate.</p>
<p>O filme foi indicado a 5 Oscar, incluindo o de melhor filme e melhor ator. Nada mais justo. Muito mais do que um documentário sobre uma entrevista histórica, o filme se desenvolve a partir do embate entre dois personagens complexos e que depositam na entrevista a grande chance de suas vidas. Nixon, ao conceder a entrevista a um apresentador sem qualquer experiência política e de sem muita credibilidade, via a oportunidade de se reerguer e eventualmente retomar sua carreira política. Frost, jovem, confiante e ambicioso, procurava alcançar fama ainda maior do que a que já tinha, que seria obtida caso derrotasse o ex-presidente, isto é, se conseguisse arrancar a confissão sobre Watergate e um pedido de desculpas à nação. A obtenção da verdade, nesse caso, era apenas o meio de atingir sua meta pessoal.</p>
<p>Ambos jogam tudo nessa mistura de luta de boxe e poker jogada em diversas rodadas de 2 horas, que durou na vida real um total de 12 horas. Nixon se mostra um político de primeiro nível, com raciocínio rápido e uma retórica impressionante, mostrando a Frost que o desafio seria muito maior do que este havia imaginado. Por trás desta fachada, porém, vai se percebendo um Nixon solitário, carente e culpado, complexo psicologicamente – e por isso tão interessante.</p>
<p>Já Frost, que sempre aparece com um sorriso de sucesso e confiança no rosto, também esconde seus medos, como fica claro quando Carol (Rebecca Hall) começa a fazer perguntas pessoais e ele imediatamente desconversa e passa a questioná-la. À medida que a série de entrevistas se desenrola, Frost vai percebendo que tanto quanto a chance de alcançar o estrelato, está a possibilidade de afundar sua até então bem sucedida carreira como apresentador. A partir de certo momento, na verdade, ele lutava pela sua sobrevivência mais do que pela conquista que buscava quando propôs o desafio.</p>
<p>Assim se dá a batalha da vida de ambos, muito mais relevante do que a questão histórica ou política, que aliás é muito bem contextualizada nas duas horas de filme. A filmagem muito bem feita e o trabalho eficiente dos atores coadjuvantes, entre eles Kevin Beacon, fazem deste filme realmente um filmaço.</p>
<p>As cenas finais conseguem dar a dimensão psicológica do que foi o embate em que apenas um sairia vencedor. A saída de Nixon após a última entrevista e sua interação com o cachorro no colo de uma mulher são magníficas, bem como o encontro dois após a série de entrevistas.</p>
<p>Ao final, fiquei com a impressão que o vencedor da disputa celebrou bem menos a vitória do que deveria, ou mesmo de que seus assessores fizeram. É como se a disputa tivesse exigido tanto dele, colocando tanto peso no processo, que a partir de certo momento a vitória se constituía em um mero detalhe. Ou que, reconhecendo que tivera um adversário de peso, o respeitasse, como um lutador de boxe que, após vencer seu adversário, o abraça como se fosse um dos seus.</p>
<p>O filme permitiria que muitos outros aspectos fossem analisados, pois há uma riqueza psicológica muito grande. Mas seria influenciar demais quem não viu e pretende vê-lo, de forma que paro por aqui.</p>
<p>Provavelmente pouca gente viu ou vai ver esse filme, por se tratar de uma temática política, de 30 anos atrás e distante de nós. É uma pena. Tanto pelo filme em si, que é um dos melhores que vi recentemente, como pela temática que não está tão distante assim:</p>
<p>No clímax do filme, em que Nixon admite para um Frost perplexo que “quando um presidente faz algo ilegal, passa a não ser ilegal por ser feito justamente pelo presidente”, imediatamente lembrei-me do presidente Lula justificando os atos ilegais do Sarney dizendo que ele não seria um cidadão comum, como se estivesse, portanto, acima da lei. Incrível a semelhança de conceito de ambos em relação a esse item. <em>What a shame.</em></p>
<p>Abaixo, um trailer do filme e um trecho da entrevista real, que vale a pena ver:</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/08/16/frostnixon-vai-bem-alem-da-politica-e-dos-estados-unidos/"><img src="http://img.youtube.com/vi/lP_l2IFiQzs/2.jpg" alt="" /></a></span>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/08/16/frostnixon-vai-bem-alem-da-politica-e-dos-estados-unidos/"><img src="http://img.youtube.com/vi/jw6LhKCYUCQ/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=731&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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