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	<title>O que der e vier &#187; carreira</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; carreira</title>
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		<title>Quando éramos reis</title>
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		<pubDate>Wed, 19 May 2010 01:28:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Você nunca sabe aonde as conversas de bar podem nos levar. A rigor, você nunca sabe aonde qualquer conversa vai nos levar, mas se for para ir a algum lugar inesperado, as de bar saem sempre na frente porque, via de regra, são acompanhadas de bebidas, e bebidas têm esse poder mais do que qualquer [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=1018&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Você nunca sabe aonde as conversas de bar podem nos levar. A rigor, você nunca sabe aonde qualquer conversa vai nos levar, mas se for para ir a algum lugar inesperado, as de bar saem sempre na frente porque, via de regra, são acompanhadas de bebidas, e bebidas têm esse poder mais do que qualquer outra coisa.</p>
<p>Outro dia, plena segunda-feira em São Paulo, um inocente happy hour com amigos e amigos dos amigos me levou ao passado, ao início da minha trajetória profissional. Um dos amigos foi meu primeiro sócio em uma outra empresa, quando eu não tinha nem um ano de formado; olhando fotos antigas daquela época, me assusto de ver minha cara de moleque já achando que poderia ganhar a vida como gente grande.</p>
<p>Tínhamos todos os sonhos do mundo e a ingenuidade de achar que poderíamos realizá-los. Não que hoje não tenhamos os mesmos sonhos, quer dizer,  alguns dos mesmos e outros ainda, mas hoje já olhamos com certa desconfiança para nossa capacidade de realização, bem menor do que a de sonhar, que continua a mesma… Sabemos, pela experiência desses 15 e poucos anos vividos desde então, que somos bons, mas não tanto quanto achávamos que fôssemos. E aprendemos que há limites, que nem cinco vidas seriam suficientes para fazer tudo aquilo que queremos.</p>
<p>Mas não há como olhar para trás com algum sentimento de vitória, de realização. Naquela época, não sabíamos nada mas criamos um mercado que não existia. Tudo bem, se não fôssemos nós, seriam outros depois, mas o que interessa é que fomos nós que fizemos. Não descobrimos nenhuma teoria da relatividade, não propusemos nenhuma origem das espécies, não ficamos famosos, mas fizemos história, ainda que no nosso micro-mundo de então. Claro, muita gente foi muito mais longe com muito menos, mas também um monte de gente (muito mais, aliás), não foi a lugar nenhum com muito mais. E, afinal, foi o que conseguimos. E, mais importante, aprendemos que podemos.</p>
<p>Lembro-me do investimento inicial, do grande passo que, achava, seria suficiente para permitir todo o resto. Pedi um dinheiro emprestado para o meu pai: 150 URVs, que depois virou Reais, para comprar 1/3 de fax, que seria o que eu precisava para fazer a minha vida. Lembro-me até hoje desse momento. R$ 450,00 foi o investimento dos três sócios para o bem mais precioso que precisávamos: um velho aparelho de fax, através do qual, por uma tecnologia que até hoje me assombra, enviávamos pedidos escritos a mão para a empresa que nos fornecia o produto dourado como ouro e que ninguém conhecia aqui no Brasil.</p>
<p>E esse investimento que estava fora do meu alcance como recém-formado, que andava por aí a bordo de um chevette 86, foi mesmo o bastante para todo o resto, talvez pela única razão de acreditar nessa tolice improvável e simplesmente ir em frente.</p>
<p>Lembramos e rimos do início, quando após 2 meses de insucessos, desistimos. Estávamos em um feriado de outubro em Ubatuba, discutindo na praia o que havia dado de errado. Dois moleques (ele um pouco mais velho) tentando dissecar o insucesso daquilo que era para ser um grande estouro. Onde erramos? O produto não era bom? Não era competitivo? Por que os clientes não compravam? Naquela época, não sabíamos ainda que as coisas não são tão óbvias e diretas assim, e que precisa mais do que essas coisas, ou às vezes muito menos, para se ter sucesso.</p>
<p>Na praia, eu pensava o que faria depois. Sempre aquela cobrança exagerada e que, com o tempo, vai sendo aplainada, o que não sei se é bom ou ruim. Por mais de uma vez nesse período considerava que havia feito escolhas erradas, desde a faculdade até o que nela fiz, e que havia jogado fora as oportunidades que me foram dadas, como a melhor escola, vivência no exterior e um ambiente culto. Aos 23 anos, considerei algumas vezes que as cartas todas estavam na mesa e que eu havia feito as jogadas erradas; só me restaria esperar pelo final da partida e assimilar o prejuízo total. Aos 23 anos…</p>
<p>Chegando em casa do feriado, olhei o fax e a secretária eletrônica piscava, com 5 recados. Estranho, quase ninguém me ligava. Ouvi os recados e, para minha surpresa, eram 5 potenciais clientes querendo comprar nosso produto! Liguei para meus sócios e dei a notícia inesperada: estávamos vivos; era prudente tentar mais um pouco e ver aonde aquilo ia dar. O resto, como se diz, é história. Uma história que não foi fácil, mas que foi e vem sendo escrita desde então.</p>
<p>Lembro-me de um outro período, já com um escritório e uma secretária de 18 anos contratada em 5 minutos, candidata única à vaga, e que ficou conosco por 6 anos….No ano seguinte, vendendo como nunca, a empresa que nos fornecia o produto cancelou todas as vendas e deixamos todos os clientes sem produto. Recordo-me de ter dispensado a secretária naquela tarde, tirado o telefone do gancho, sentado no canto da sala, e chorado. Era, decididamente, o fim. No dia seguinte, a Telefónica me ligou dizendo que havia algum problema com nossa linha, porque havíamos recebido cerca de 500 ligações não completadas em uma tarde…</p>
<p>Pensando bem, acho que naquela época era tudo mais fácil. O mundo girava a uma velocidade menor, a pressão não era tão grande como hoje, não tinha internet nivelando as informações para quase todo mundo. Mas talvez esteja apenas sendo saudosista. Talvez o mundo esteja só diferente, mas as oportunidades continuam existindo, só que um jeito novo. Não sei. Devo mesmo estar errado.</p>
<p>É sempre bom olhar para trás e tirar desse exercício uma série de lições. A primeira é nunca esquecer as bases, a origem, as dificuldades que já foram maiores do que são hoje mas que, naquela época, pareciam mais contornáveis do que as atuais. Éramos mais irresponsáveis, mais corajosos, com menos daquele ceticismo que as porradas da vida acabam nos infundindo. E, por isso, podíamos realizar mais do que hoje. Essa é a segunda lição: com o tempo, nós nos tornamos os principais obstáculos de nós mesmos. Ficamos menos permeáveis, nos acomodamos, aprendemos a respeitar as dificuldades (às vezes mais do que deveríamos), sabemos que não somos infalíveis e os melhores do mundo. Ficamos, enfim, com um certo medo e acovardados. E assim reduzimos o nosso horizonte.</p>
<p>A principal lição, creio, é a relativização das dificuldades. Tantas vezes morri e tantas vezes renasci, que simplesmente aprendi a não temer. Sei que estou sendo contraditório, mas como disse Walt Whitman, “me contradigo? Pois bem, então me contradigo!”: por um lado, lá atrás achávamos que tudo podíamos; hoje, sabemos que pouco podemos, ou pelo menos bem menos do que gostaríamos; por outro, naquela época as intempéries eram tidas como o apocalipse; hoje, são apenas contratempos, que, no final, serão de alguma forma contornadas. Vai saber….</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1018/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1018/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1018/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1018/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1018/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1018/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1018/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1018/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1018/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1018/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=1018&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Como Shackleton contratava</title>
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		<pubDate>Sat, 08 May 2010 23:50:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O irlandês Ernest Shackleton é considerado um dos maiores líderes que já existiu, apesar de não ter conseguido conquistar quase nenhum dos objetivos a que se propôs. A sua fama mundial ocorreu após a malsucedida viagem do barco Endurance a Antártida, quando ele e sua tripulação sobreviveram durante dois anos, de 1914 a 1916, nos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=1004&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O irlandês <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ernest_Shackleton">Ernest Shackleton</a> é considerado um dos maiores líderes que já existiu, apesar de não ter conseguido conquistar quase nenhum dos objetivos a que se propôs. A sua fama mundial ocorreu após a malsucedida viagem do barco <em>Endurance</em> a Antártida, quando ele e sua tripulação sobreviveram durante dois anos, de 1914 a 1916, nos confins gelados do pólo sul, quando o navio foi esmagado pelo gelo e naufragou.</p>
<p>O incrível é que todos os membros da tripulação sobreviveram, não só em boas condições físicas, mas também emocionais. Longe de casa, sob um frio intenso e a 2 mil quilômetros da civilização, a chance do grupo esmorecer ou se dividir eram significativas – quase uma certeza diante de tanto stress e desafio.</p>
<p>Mas havia Shackleton. Para ele, o cuidado com o bem-estar da equipe era essencial, exigindo em troca a lealdade e o trabalho. Essas informações estão no livro <em>S<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=705974&amp;sid=8739129841258738995369032&amp;k5=B4D0FEB&amp;uid=">hackleton – Uma lição de coragem</a>, </em> que disseca o estilo de liderança do explorador e que estou lendo. O livro clássico sobre a expedição do Endurance é  <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=771891&amp;sid=8739129841258738995369032&amp;k5=3258B6C9&amp;uid=">A incrível viagem de Shackleton</a></em>, de Alfred Lansing. Um detalhe interessante é que a expedição, cujo objetivo era cruzar o continente antártico, já que o pólo já havia sido atingido por Amundsen, contava com o fotógrafo Frank Hurley, que documentou de forma brilhante a viagem que tinha tudo para ser trágica. O registro fotográfico dá alma e materializa as impressões que são passadas pelos livros. <a href="http://www.shackleton-endurance.com/images.html">Neste site</a>, há um belo registro das fotos da expedição.</p>
<div id="attachment_1006" class="wp-caption alignnone" style="width: 316px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-13.png"><img class="size-full wp-image-1006" title="Captura de tela 2010-05-08 às 20.26.13" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-13.png?w=306&#038;h=413" alt="" width="306" height="413" /></a><p class="wp-caption-text">Shackleton</p></div>
<p>Entre os aspectos que explicam o sucesso diante de tanta adversidade está o processo de contratação de Shackleton, que era, no mínimo, pouco convencional, embora criterioso: Shackleton dava uma importância enorme para ter pessoas excepcionais em sua equipe, mesclando experiência com juventude, mas sempre tendo o caráter como qualidade eliminatória.</p>
<p>Para a expedição do <em>Endurance</em>,  ele recebeu nada menos do que 5.000 pedidos de interessados, para selecionar cerca de 30 pessoas. A pré-seleção foi feita por Frank Wild, que já havia estado com ele na expedição do Nimrod, que quase havia chegado ao pólo. Wild separou inicialmente os candidatos em “loucos”, “fora de questão” e “possíveis”. Shackleton então analisava a pilha dos possíveis e entrevistava os que achava que tinham potencial. Como ele organizava sua equipe?</p>
<ul>
<li><span style="text-decoration:underline;">Formava um núcleo de profissionais experientes</span>: eram confiáveis, faziam o trabalho pesado quando a coisa apertava e criavam uma atmosfera profissional. Shackleton buscou quem ele conhecia, além de recomendações de outros exploradores. Procurava pessoas que exerceriam uma influência benéfica sobre os mais jovens, especialmente nos momento críticos. Um dos homens nessa posição era Tom Crean, que fizera parte da expedição de Scott, salvando a vida de um tenente. Crean tivera uma carreira irregular na Marinha, com rebaixamentos por embriaguês e comportamento inadequado. Com Scott, era apenas marinheiro, mas Shackleton colocou-o como segundo oficial de náutica.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Tinha um substituto confiável e leal, que partilhava de suas noções de liderança</span>.  Frank Wild era esse homem. Para Shackleton, Wild tinha tudo que precisava em um número 2: lealdade, bom humor, honradez, força e experiência. Um dos marinheiros disse sobre Wild: “é nosso segundo homem e de longe o mais popular (com exceção de nosso chefe) entre nós”.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Buscava pessoas que compartilhavam de sua visão e entusiasmo pela exploração.</span> Nesse sentido, ele queria para o <em>Endurance</em> um comandante meio fanfarrão. Frank Worsley foi o selecionado – era ousado e excêntrico, meio doido até. Mas gostava de uma boa piada e de conversa, o que era importante para atravessar situações difíceis.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Fazia entrevistas pouco convencionais para identificar o que queria</span>. Shackleton procurava, acima de tudo, avaliar personalidades. Mantinha conversas descontraídas, em que buscava detectar entusiasmo, otimismo e capacidade de fazer parte de uma equipe. Para um dos candidatos, Raymond Priestley, ele perguntou se sabia cantar e se saberia reconhecer ouro caso o visse. O candidato, surpreso, disse que não, mas foi contratado mesmo assim, apesar de terem diversas pessoas com qualificações maiores do que a dele.  Shackleton viu nele algo que gostava e, de fato, Priestley se revelou um dos membros mais valiosos do grupo.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Buscava pessoas otimistas, que tinham maior propensão para o trabalho em equipe</span>. Um dos seus objetivos era encontrar pessoas felizes. Durante a entrevista de Hussey, ele ficou andando de um lado para o outro, parecendo não prestar muita atenção. Depois, disse: “Você serve”.  Hussey disse que o Chefe (como era conhecido) havia dito depois que o contratara porque ele parecia engraçado…De fato, mostrou-se incrivelmente engraçado, tocava banjo e foi importantíssimo para manter o moral elevado durante os piores momentos (além de ter talento, pois vinha de uma expedição ao Sudão).</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Contratava pessoas que realmente queriam o emprego</span>. Alguns candidatos haviam recebido um telegrama na tarde anterior, pedindo para encontrar-se com Shackleton na manhã seguinte. Dois deles não foram e, de repente, o terceiro apareceu todo molhado, dizendo que estava em outra cidade, tomara vários trens e ali estava. Foi contratado na hora.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Buscava gente que trabalhava duro, independentemente da hierarquia</span>. Não havia passageiros no <em>Endurance</em>, todo mundo mais ou menos dividia as tarefas. Médicos ajudavam na cozinha, todo mundo era de utilidade pública. Não havia espaço para prima donnas. Quando podia, testava as pessoas em trabalhos árduos antes de contratar.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Contratava quem tinha conhecimentos que lhe faltavam</span>, como cientistas altamente qualificados. No Endurance, tinha um grande fotógrafo (Hurley), um biólogo experiente, um físico de Cambridge, etc.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Certificava-se de que todos sabiam o que deles era esperado</span> e, para isso, era muito claro na comunicação, inclusive escrita. Nunca iludia ninguém com falsas promessas, especificava as tarefas, o pagamento, etc.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Equipava a equipe com o que tinha de melhor em relação a equipamentos</span>. Sabia que um equipamento ruim poderia colocar a vida das pessoas em risco. Para ele, instrumentos ordinários desperdiçavam tempo e dinheiro. Tudo no <em>Endurance</em> era do que tinha de melhor na época.</li>
</ul>
<p>Gostei bastante dessas dicas, especialmente em relação às características que valorizava nas pessoas: visão compartilhada, otimismo e entusiasmo, vontade de trabalhar, facilidade de trabalhar em equipe e conhecimento.</p>
<div id="attachment_1005" class="wp-caption alignnone" style="width: 364px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-42.png"><img class="size-full wp-image-1005" title="Captura de tela 2010-05-08 às 20.26.42" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-42.png?w=354&#038;h=474" alt="" width="354" height="474" /></a><p class="wp-caption-text">O Endurance aprisionado no gelo</p></div>
<div id="attachment_1007" class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-30-14.png"><img class="size-full wp-image-1007" title="Captura de tela 2010-05-08 às 20.30.14" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-30-14.png?w=400&#038;h=268" alt="" width="400" height="268" /></a><p class="wp-caption-text">Essa foto foi tirada por Frans Lanting, no exato local em que o grupo de 6 pessoas liderado por Shackleton saiu em busca de ajuda em um pequeno bote. No primeiro plano, a foto desse momento, tirada por Hurley.</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=1004&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Certa tarde em Guangzhou</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 22:08:18 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Aconteceu há quase 5 anos, quando a turma do MBA estava fazendo viagem de duas semanas a China. Era a primeira viagem organizada pela FIA para este país; as expectativas eram grandes. Logo no começo, tivemos um final de tarde livre e um pequeno grupo resolveu andar por um parque nas imediações do hotel. Guangzhou, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=968&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aconteceu há quase 5 anos, quando a turma do MBA estava fazendo viagem de duas semanas a China. Era a primeira viagem organizada pela FIA para este país; as expectativas eram grandes. Logo no começo, tivemos um final de tarde livre e um pequeno grupo resolveu andar por um parque nas imediações do hotel. <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Guangzhou">Guangzhou</a>, antiga Cantão, fica no sul da China, mais ou menos perto de Hong Kong (falando nisso, me lembrei de uma história nossa de Hong Kong que vou contar depois&#8230;haha). Estava quente, absurdamente quente, e muito úmido, mas muito mesmo. Uma verdadeira sauna.</p>
<p>Depois de caminhar um tanto, vimos um campo de futebol, de areia, onde jogavam uns chineses, todos de chuteira, meião, e tudo o mais, devendo ter uns  18 anos em média, ou no máximo.</p>
<p>Não podendo ver uma bola, sugeri para o nosso grupo desafiar os chineses – estávamos em cinco, alguns de calça comprida, outros de sapato ou chinelo. A ideia seria jogar só 5 minutos para tirar uma foto e depois contar para o resto da turma. E, de qualquer forma, chinês é a princípio ruim de bola….</p>
<p>A conversa foi complicada, porque eles não falavam inglês e nós, obviamente, não éramos versados em mandarim. Mas a língua do futebol é universal e logo estávamos nos entendendo.</p>
<p>Quando viram que éramos do Brasil, os chineses assustaram e já iam desistindo do confronto das duas potências, até que um deles deu uma olhada melhor em nossa equipe e convenceu os outros a jogar. Certamente não éramos o que eles estavam acostumados a ver em se tratando de futebol brasileiro.</p>
<p>Os chineses, jogando em casa e, em plena forma, começaram o jogo a mil; logo estava 2&#215;0 e rapidamente esquecemos os cinco minutos  previstos; de repente, estávamos numa batalha campal pela nossa honra. De uma forma ou de outra, sendo malandro em alguns momentos, conseguimos equilibrar a partida. Lembro até hoje que, quando um chinês tentou me driblar, e chutei para a lateral e xinguei: “Aqui não, seu chinês filho da puta!” Depois de 1 hora, completamente exaustos, achamos por bem encerrar a brincadeira com o diplomático placar de 4&#215;4.</p>
<p>Como eu estava de sapato, optei por jogar descalço naquele campo de areia e pedregulho. Foi só no final que percebi que alguma coisa com meus pés não estava boa…quando olhei, a sola de cada pé tinha uns 3 buracos em carne viva, do tamanho de uma moeda de um real, cheios de areia. Ardia…</p>
<p>Passei o resto da viagem de chinelo, sentindo a cada dia a reprovação visual do coordenador da viagem. Afinal, éramos executivos a trabalho e não moleques de férias (pelo menos a princípio…). Na cidade seguinte, em Shanghai, precisei ir ao médico porque as feridas haviam inflamado, o que era de se esperar considerando o calor, a umidade e o local, impossível de se cicatrizar a não ser que eu ficasse deitado o dia todo.</p>
<p>A dor passa, a ferida cicatriza, e ficam as lembranças. É curioso: analisando hoje, essa é mesmo a melhor lembrança da viagem.</p>
<p>Desde então, muitas outras turmas se passaram e foram para a China; centenas de alunos se sucederam.  Mas, certa vez, alguém lá da coordenação do curso me disse que a façanha da turma 26 é lembrada até hoje: aquela foi a turma que, numa certa tarde de junho, fez algo único, fora do roteiro e, com isso, fez a diferença, deixando sua marca. <em>Think about it!</em></p>
<p>(Se alguém do MBA que estava lá ler esse texto, pode confirmar!)</p>
<div id="attachment_966" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/02/copy-of-futebol-010.jpg"><img class="size-full wp-image-966" title="Copy of futebol 010" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/02/copy-of-futebol-010.jpg?w=500&#038;h=375" alt="" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">O estado do time brasileiro após a partida</p></div>
<div id="attachment_967" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/02/futebol-006.jpg"><img class="size-full wp-image-967" title="futebol 006" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/02/futebol-006.jpg?w=500&#038;h=375" alt="" width="500" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Tentando diálogo com os nativos</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/968/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=968&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sobre ter altas expectativas a respeito das coisas</title>
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		<comments>http://blog.oquederevier.com/2010/02/02/sobre-ter-altas-expectativas-a-respeito-das-coisas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 22:50:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
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		<description><![CDATA[É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar. Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=957&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar.</p>
<p>Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há trabalhos mostrando) que quanto maior a expectativa, melhor tende a ser o resultado final. O fato é que o mundo não te dá mais do que você pede a ele, pelo menos na maior parte das situações. Assim, quem espera muito da vida (não no sentido passivo da espera), tende a ir mais longe. “Nothing ventured, nothing gained”. And that’s it. Ao menos potencialmente.</p>
<p>Um estudo feito pelos psicólogos americanos Sydney Siegel e Lawrence Fouraker demonstrou que a expectativa elevada (ou, nesse caso, a meta) influencia o resultado. Eles dividiram voluntários em dois grupos. Em ambos foi passado que teriam de vender um certo produto e caso atingissem a meta pré-estabelecida, eles poderiam ficar com o lucro obtido e passariam a uma segunda rodada. A diferença foi que, para o primeiro grupo, foi passada uma meta de <strong>2,10 dólares</strong> enquanto que, para o segundo grupo, a meta estabelecida mais ambiciosa, <strong>6,10 dólares</strong>. Muitos vendedores dos dois grupos atingiram a meta, mas no segundo grupo o lucro médio foi de <strong>6,25 dólares</strong> enquanto que no primeiro grupo, de meta mais modesta, o lucro médio foi de apenas <strong>3,35 dólares</strong>. Nesse caso, a expectativa foi gerada externamente, mas pouco importa: resultou em desempenho superior.</p>
<p>Empresas mais ambiciosas, pessoas mais ambiciosas, tendem a ir mais longe porque se motivam a obter mais do mundo, desde que suas metas sejam realistas. A Teoria das Expectativas de Vroom sugere que a motivação, isto é, o <em>motivo para ação</em>,  depende do produto entre a Valência = vontade que alguém tem de obter algo, o que é dado pela relevância que esse algo tem para ela, e a Expectativa da se atingir esse algo. Expectativa, nesse caso, significa o quanto a pessoa acredita que de fato possa atingir esse objetivo.</p>
<p>Assim, se alguém não tem objetivo de alcançar algo (valência zero) o produto será zero e não haverá motivação. Ela não sairá do lugar. Da mesma forma, ainda que a valência seja elevada, se a expectativa de se atingir esse algo for zero, também não haverá estímulo para se mover. Exemplo: você pode querer ser campeão mundial de Fórmula 1, mas se considerar que essa meta não pode ser atingida por não ser realista, então não terá motivação para persegui-la.</p>
<p>Desta forma, pessoas com expectativas mais altas, ou metas mais elevadas, pessoais ou profissionais, se motivarão a conquistar essas metas, desde que tenham real expectativa de consegui-las. Nesse ponto, há pessoas que, pela análise convencional, estão “fora da realidade”, que acreditarão em metas que não são realistas &#8211; talvez uma forma de auto-engano &#8211; mas que terão motivação para alcançá-las. E, às vezes, conseguirão, surpreendendo a todos.</p>
<p>(Não sei porque, mas me lembrei agora daquela cena do filme <a href="http://www.meucinemabrasileiro.com/filmes/dois-filhos-de-francisco/dois-filhos-de-francisco.asp">Dois Filhos de Francisco</a>, em que o Francisco diz que queria tornar famosa a dupla formada pelos filhos [Zezé de Camargo e seu irmão que faleceu logo depois]. Ele comprou centenas de fichas telefônicas e ligou para a rádio seguidas vezes, até que a música deles foi selecionada entre as mais pedidas do dia. O resto é história, depois de muita água passada debaixo da ponte, claro&#8230;)</p>
<p>Até aí, tudo bem. Mas, voltando à pergunta original, e no aspecto pessoal, de satisfação? Será que ter expectativas elevadas, ainda que isso resulte em uma vida mais rica materialmente e mais cheia de “histórias para contar”, tornará alguém mais feliz do que aquele que se contenta com menos, seja no aspecto material, seja no aspecto pessoal?</p>
<p>Acredito que não.  Ou, pelo menos, provavelmente não. Se você esperava emagrecer 2 kg e emagreceu 4, ficará satisfeito. Mas se a expectativa era emagrecer 6&#8230;Com metas mais altas, a frustração está mais próxima e o tombo, maior. O paradoxo é que, provavelmente, aquele que quer emagrecer 6 kg, desde que seja uma meta realista, deve conseguir emagrecer mais do que aquele que tem meta de 4 kg. Assim, a expectativa alta gera resultado melhor, mas a chance de desapontamento é maior. Quanto maior o ganho potencial, maior o risco.</p>
<p>Mas e se expectativa elevada for cumprida? Terá esse indivíduo satisfação muito superior? Ainda assim, creio que aquele que tem expectativas elevadas a respeito da vida ficará em posição desfavorável no quesito satisfação. A expectativa elevada anda de mãos dadas com a necessidade contínua de querer sempre mais e melhor, empurrando a zona de satisfação sempre para frente. Nada é suficiente, nunca é suficiente.</p>
<p>Complementando o raciocínio acima, há ainda uma outra possível associação. Indivíduos com altas expectativas a respeito de tudo desconhecem que a vida não é feita de eras de felicidade, mas sim de momentos de felicidade, como disse Nietzsche. Essas pessoas talvez estejam sempre esperando o momento supremo, a pessoa perfeita, o emprego ideal – afinal esperam sempre o melhor de tudo – e sempre farão o possível para alcançá-los, para logo perceber – mais uma vez &#8211; que poderia ser melhor. Sempre poderia. Como escreveu <a href="http://www.releituras.com/vcarvalho_velhotemaI.asp">meu bisavô</a> em sua poesia mais famosa, “Velho Tema”:</p>
<p><em>Só a leve esperança, em toda a vida,<br />
Disfarça a pena de viver, mais nada;<br />
Nem é mais a existência, resumida,<br />
Que uma grande esperança malograda.</em></p>
<p><em>O eterno sonho da alma desterrada<br />
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,<br />
É uma hora feliz, sempre adiada<br />
E que não chega nunca em toda a vida.</em></p>
<p><em>Essa felicidade que supomos,<br />
Árvore milagrosa que sonhamos<br />
Toda arreada de dourados pomos,</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Existe, sim: mas nós não a alcançamos<br />
Porque está sempre apenas onde a pomos<br />
E nunca a pomos onde nós estamos.</em></p>
<p>Já que falei do filme Dois Filhos de Francisco, vou citar uma das cenas finais, em que Zezé, já rico e famoso, volta para visitar o casebre em que morava com a família, antes de tudo acontecer. Se não me falha a memória, ele diz algo como “foi a época mais feliz da minha vida”&#8230;Pelo filme, percebe-se que ele é alguém com altas expectativas, foi lá e fez, mas pelo jeito não resolveu. Parece, olhando assim, que as expectativas elevadas são uma ilusão auto-imposta não para de fato conquistar grandes coisas, mas para tapar o sol com a peneira, resolver internamente aquilo que não está e não será resolvido. Quando não se consegue lidar com o presente, depositando no futuro e em suas conquistas a suposta satisfação permanente. “The best is always to come&#8230;.”.</p>
<p>Barry Schwartz, no seu ótimo <a href="http://blog.oquederevier.com/tag/barry-schwartz/">Paradoxo da Escolha</a>, mostra que o índice de depressão e suicídio nos indivíduos maximizadores é maior do que nos demais. Indivíduos maximizadores são aqueles que só se contentam com o melhor, isto é, possuem alta expectativa a respeito de tudo. Aqui, há ainda a correlação positiva entre ter altas expectativas e assumir para si a responsabilidade pelo fracasso, o que coloca um peso ainda maior para as frustrações. O maximizador é escravo de suas próprias expectativas.</p>
<p>Triste paradoxo. É provável que grande parte das contribuições feitas à história humana tenha sido feita por indivíduos que tinham altas expectativas. Afinal, não é fácil se destacar, criar algo novo, fazer a diferença. Citando a frase de Bernard Shaw (de novo estou citando Shaw!), “<em>há dois tipos de pessoas, aquelas que se adaptam ao mundo e aquelas que tentam adaptar o mundo a elas. Todo progresso vem necessariamente do segundo tipo”</em>.  Eles foram lá, e fizeram, contra tudo e contra todos.  E mudaram a ordem das coisas.</p>
<p>Mas talvez, dentro de si, aquele incômodo sempre continuou, de um lado, impulsionando-os a fazer mais e mais, de outra impedindo-os de usufruir daquilo que conquistaram. O legado que deixaram ao mundo é maior do que o que construíram para si mesmos.</p>
<p>E, claro, para cada um que fez história, quantos potenciais gênios, empresários, educadores revolucionários, se perderam e não foram nem uma sombra daquilo que poderiam ter sido, justamente pela frustação paralisante que se instalou ao perceberem o quão longe estavam de suas elevadas aspirações?</p>
<p>Nesse sentido, invejo aquele que se contenta com pouco, que se surpreende positivamente com cada mínima conquista, que quase nada espera a ponto de quase tudo servir. Esse, certamente, é mais feliz. Olhando por esse lado, no entanto, a felicidade me parece algo um tanto medíocre, uma monotonia pouco digna para justificar, de fato, o efêmero momento que representa nossa passagem por esse mundo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=957&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Você é tímido e quer ser palestrante? Dicas</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2010/01/20/voce-e-timido-e-quer-ser-palestrante-dicas/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 21:42:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não sou daqueles palestrantes que têm o dom da comunicação. Pelo contrário: minha timidez praticamente me impedia de falar ao público. Há uns 8-9 anos (ou seja, eu já era bem crescido), tive que pedir emprestado um lenço ao participar de um programa de TV ao vivo, de tanto que suava. Eu simplesmente travava. Porém, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=922&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sou daqueles palestrantes que têm o dom da comunicação. Pelo contrário: minha timidez praticamente me impedia de falar ao público. Há uns 8-9 anos (ou seja, eu já era bem crescido), tive que pedir emprestado um lenço ao participar de um programa de TV ao vivo, de tanto que suava. Eu simplesmente travava.</p>
<p>Porém, com o tempo, pela necessidade ou desafio, não sei, fui controlando o processo, a ponto de hoje ser bem razoável. Dou entre 20 e 30 palestras por ano, sendo que nem é meu interesse aumentar essa quantidade, já que tenho outras atribuições na empresa. Dessas palestras, 3 foram no exterior, em outra língua.</p>
<p>Outro dia estava pensando o que havia mudado para que passasse de um desastre total para alguém que dá conta do recado e, nessas divagações, pensei que talvez pudesse dar umas dicas que funcionaram para mim – e que talvez funcionem para pessoas como eu – que não são comunicadores natos. Vamos lá então:</p>
<ol>
<li><span style="text-decoration:underline;">Domine o assunto</span>: não aceite falar sobre aquilo que você não sabe. Ou você fará feio, ou acabará por ignorar o tema e falar sobre o que sabe (o que implica em fazer feio de qualquer forma).  Dentro do seu tema, evite incluir itens sobre os quais você não tem muito conhecimento. Conhecendo o tema, a auto-confiança melhora e a chance da palestra ser boa é bem maior.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Conheça a seqüência de slides</span>: se você estiver usando Powerpoint, precisa conhecer bem a seqüência de slides de forma a criar uma transição lógica entre eles, um encadeamento que seja compreensível para a plateia. Não economize tempo se preparando. Dentro disso, nunca inclua slides com tópicos feitos por terceiros, porque cada um tem seu estilo de raciocinar. É comum, no meio da palestra, você parar para pensar: “mas o que mesmo ele queria dizer com isso? Não pode.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Ache seu estilo</span>: se você não é daqueles que fazem piadas e todo mundo ri, não tente fazer piadas. Você provavelmente se sairá melhor dentro do seu estilo do que tentando imitar um suposto padrão que simplesmente não é o seu jeito.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Não corra</span>: é fundamental saber a duração da apresentação e se nesse tempo eventuais perguntas já estarão incluídas. Como você sabe a duração da palestra e conhece seu ritmo, não coloque slides a mais do que conseguirá abordar. A pior coisa é ter que correr ou ficar pulando slides sem mostrar por falta de tempo. Demonstra amadorismo, despreparo. Se você não conhece seu ritmo ou o tempo que cada quadro irá gastar, simule antes.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Use slides sem excesso de informação</span>: slide não é livro; o ideal é ter apenas tópicos e o restante, você fala. Se você tiver que ler todos os slides, não precisa da palestra, é só enviar o PDF. Palestra boa é aquela que só com o PDF a pessoa não entende muita coisa. Isso vale para gráficos e tabelas: não inclua dados que não serão discutidos na hora.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Conheça a platéia</span>: cada público tem conhecimento e interesse distintos. Não use o mesmo conteúdo e a mesma forma independentemente  da platéia.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Evite ao máximo mudanças de última hora</span>: certa vez, minutos antes de entrar para dar uma palestra de 1 hora, me foi avisado que eu teria apenas 30 minutos por causa de atrasos na programação. Se você tem alta capacidade de improvisação, pode até achar razoável a mudança. No meu caso, ou é o tempo previsto (e cabe a você também respeitar esse tempo), ou nada feito (um ou outro ajuste claro que cabe, mas metade do tempo, não dá).</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Conheça o evento, os parceiros, as empresas</span>: são muito comuns gafes do tipo falar mal de um patrocinador do evento, ou até do cliente (sim, isso existe!), sem perceber na hora. Ok, se você quiser falar mal, vá em frente, mas se não é sua intenção se indispor, vale a pena dar uma pesquisada. Às vezes você consegue passar o recado de uma outra forma e evita saias-justas.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Tenha seu material atualizado:</span> se você fala de temas dinâmicos (como tendências de mercado), não dá para utilizar dados defasados. Quando alguém coloca um gráfico cujo último dado, digamos, é de 2006, causa uma tremenda má impressão. Dependendo da situação, 2 meses ou até 1 semana já se considera defasado.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Cuidados com formatação e ortografia:</span> evite ao máximo erros de português, cores que não permitem boa leitura, fonte muito pequena, etc. A apresentação não é só conteúdo; forma importa bastante e pode jogar por terra um bom conteúdo.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Tente se ver do outro lado</span>: hoje, eu procuro, à medida que falo, imaginar como a palestra está indo. É comum as pessoas falarem como se não houvesse ninguém na sala. É preciso criar a conexão, olhando as expressões, vendo se tem gente dormindo, percebendo se o nível de impaciência aumentou. Acho que hoje, de certa forma, consigo imaginar se as coisas estão indo bem ou não. Nem sempre você acerta, nem sempre cria uma química com a plateia. Mas cabe a você tentar sentir isso em tempo real para procurar corrigir.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Esteja descansado</span>: nem sempre isso é possível, mas muitas vezes é o cansaço pode ser minimizado. Hoje, eu não faço mais coisas do tipo chegar as 3 da manhã no aeroporto, ou dirigir 6 horas até chegar ao local da palestra. Chego de véspera, com calma. Com meu notebook, telefone e internet, tanto faz onde estou. E também não fico em qualquer lugar, porque preciso estar descansado e com alto astral para dar uma boa palestra (sem falar na questão da auto-valorização: como você vai cobrar um valor decente caso se sujeite a qualquer coisa?).</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Mantenha exigência elevada em relação ao material que preparou e ao formato da apresentação</span>. Se você for exigente e gostar do que apresenta, provavelmente o cliente e ouvintes também gostarão. Seja crítico quando as coisas não forem tão bem, mas não desanime. Comemore quando seu desempenho for bom e receber elogios. Seja melhor da próxima vez.</li>
</ol>
<p>Estas são as minhas sugestões. Talvez algumas delas funcionem para você. Você tem alguma dica que não está incluída nessa lista?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=922&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>2009: Balanço Final</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/12/24/2009-balanco-final/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Dec 2009 13:26:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
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		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
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		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Drummond]]></category>
		<category><![CDATA[Promessas de ano novo]]></category>

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		<description><![CDATA[Constato constrangido e meio perplexo: nesse ano que passou eu não cumpri a maior parte das metas que havia traçado ao final de 2008. Algumas não consegui cumprir, outras não quis; mudaram as premissas, o que está ok, afinal não me parece nada bom ter sua vida programada como um jogo de computador, imune a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=888&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Constato constrangido e meio perplexo: nesse ano que passou eu não cumpri a maior parte das metas que havia traçado ao final de 2008. Algumas não consegui cumprir, outras não quis; mudaram as premissas, o que está ok, afinal não me parece nada bom ter sua vida programada como um jogo de computador, imune a surpresas que são sempre o tempero da vida, sejam boas ou más.</p>
<p>Mas não estive parado, e só se esbarra em algo novo quando se está em movimento. Aliás, me movimentei: dentro daquilo que pude contabilizar, foram 25 viagens aéreas dentro do Brasil e 5 no exterior, quase tudo a trabalho, mas nunca se está 100% a trabalho, não?: lá fora, fui para Austrália, Espanha, Chile, Alemanha  e Estados Unidos. Gosto de viajar e acho que cada vez mais as viagens farão parte do que faço. A vida acontece fora do meu escritório, é fora que tenho a inspiração e obtenho a renovação e a energia para enfrentar o dia-a-dia e para me reinventar.</p>
<p>O que mais fiz em 2009?</p>
<p>Passei a levar mais a sério o hobby da fotografia, fazendo dois cursos, lendo a respeito, praticando. É uma atividade da qual extraio grande prazer. Pode parecer idiota, mas o efeito que uma foto bem tirada gera, ou um elogio a ela feito por outras pessoas, tem maior impacto em mim hoje do que um trabalho bem feito ou um elogio ao trabalho bem feito. Talvez por já ser de certa forma reconhecido pelo que faço, e a fotografia é um desafio novo. Ainda não sei.</p>
<p>(Tenho certeza que a demanda por fotografia vai aumentar muito no mundo: todo mundo gosta é a única forma de arte que você não precisa ter uma habilidade específica e muito treino até produzir  algo razoável – a fotografia vai ser o futebol das artes, acredite).</p>
<p>Trabalhei menos, mas de forma mais inteligente e sem deixar que coisas pequenas adquirissem uma proporção maior do que representavam. Depois de uns coices da vida, você aprende a relativizar os problemas, fica mais humilde também. Os resultados vieram, não só por isso, claro. Com ou sem crise, foi nosso melhor ano e de certa forma é uma vitória perceber que uma fase de ajustes difíceis na vida pessoal não atrapalhou significativamente a vida profissional. E, mais importante, chego ao final do ano com novos projetos e ideias.</p>
<p>Conheci pessoas novas, menos talvez do que talvez devesse conhecer, mas cada um de nós tem seu ritmo e suas premissas, e sair totalmente deles nem sempre é o melhor caminho. Reforcei laços profissionais, de amizade e familiares, talvez menos do que devesse, mas sei que fui na direção certa; fiz uma viagem com três velhos amigos da época da faculdade, coisa que pouca gente pode fazer ou, mesmo que possa, não faz.</p>
<p>Aliás, se há uma sensação que me acompanha nesse final de ano, talvez construída ao longo de um ano de certa forma introspectivo, de pausa para balanço, é que podemos fazer bem mais do que efetivamente fazemos, seja pessoalmente, socialmente, profissionalmente. É fácil nos acomodarmos, envelhecermos o espírito. O único medo que realmente tenho é o da acomodação, que é uma espécie de jogar de toalhas quando a luta nem começou, ou está apenas em seu início. Quantas coisas estão ao nosso alcance e não fazemos, procrastinamos, acordamos mais tarde, deixamos para amanhã ou depois de amanhã, ou apenas não temos e nunca vamos ter a energia para nos movimentarmos?</p>
<p>Não sei quais são as metas que terei para 2010. Só sei que terei uma regra: manter a peteca no alto, manter as exigências em alto grau, mas no sentido saudável, e fazer tudo aquilo que sei que posso e quero fazer.  Vejo à minha frente uma folha de papel a ser desenhada, a meu lado as ferramentas que preciso e constato que tenho as habilidades e a disposição para preenchê-la.</p>
<p>Obrigado a todos que frequentaram esse espaço em 2009; estaremos juntos em 2010. Obrigado aos que tiveram paciência comigo, os que acreditaram em mim e me incentivaram. Obrigado a todos que cruzaram meu caminho e deixaram, de uma forma ou de outra, sua contribuição.</p>
<p>Antes de terminar, uma menção especial ao Schummacher, 40 anos, e que volta a Fórmula 1 em 2010 competindo de igual para igual com os garotos. Como em 2010 também faço 40 (apesar de me sentir com 20), torço pelo sucesso dele, que mostra que mais do que idade, o que conta mesmo é a vontade e a cabeça. Sucesso pra nós em 2010, Schummacher!</p>
<p>Frase final do poema Receita de Ano Novo,  do Drummond: “É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.” Bela frase, vamos pensar nela; vale mais do que mil promessas e metas que ficarão nas gavetas.</p>
<p>PS: “When you make a difference, you also make a connection”. Essa frase de Seth Godin está no e-book gratuito que ele produziu junto com mais de setenta “grandes pensadores”, como ele diz, a respeito de temas importantes para pensarmos para 2010. <a href="http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2009/12/what-matters-now-get-the-free-ebook.html">Faça o download aqui</a>, vale a pena.</p>
<p><strong>Receita de ano novo &#8211; Carlos Drummond de Andrade</strong></p>
<p><em>Para você ganhar belíssimo Ano Novo<br />
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,<br />
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido<br />
(mal vivido talvez ou sem sentido)<br />
para você ganhar um ano<br />
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,<br />
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;<br />
novo<br />
até no coração das coisas menos percebidas<br />
(a começar pelo seu interior)<br />
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,<br />
mas com ele se come, se passeia,<br />
se ama, se compreende, se trabalha,<br />
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,<br />
não precisa expedir nem receber mensagens<br />
(planta recebe mensagens?<br />
passa telegramas?)</em></p>
<p><em><br />
Não precisa<br />
fazer lista de boas intenções<br />
para arquivá-las na gaveta.<br />
Não precisa chorar arrependido<br />
pelas besteiras consumidas<br />
nem parvamente acreditar<br />
que por decreto de esperança<br />
a partir de janeiro as coisas mudem<br />
e seja tudo claridade, recompensa,<br />
justiça entre os homens e as nações,<br />
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,<br />
direitos respeitados, começando<br />
pelo direito augusto de viver.</em></p>
<p><em><br />
Para ganhar um Ano Novo<br />
que mereça este nome,<br />
você, meu caro, tem de merecê-lo,<br />
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,<br />
mas tente, experimente, consciente.<br />
É dentro de você que o Ano Novo<br />
cochila e espera desde sempre.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=888&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Minha definição de sucesso</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/09/15/minha-definicao-de-sucesso/</link>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 02:41:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[carreira]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[sucesso]]></category>

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		<description><![CDATA[O Washington Olivetto diz que sucesso é poder ser amigo de seus ídolos. Eu acho que pode ser por aí mesmo. Com variações. Na minha visão, sucesso é poder escolher para quem dedicar seus melhores esforços. É, em última análise, ter a liberdade e a autonomia de dizer “não” quando simplesmente não vale a pena [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=775&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/09/05/serie-grandes-publicitarios-impressoes-sobre-o-washington-olivetto/">Washington Olivetto</a> diz que sucesso é poder ser amigo de seus ídolos. Eu acho que pode ser por aí mesmo. Com variações.</p>
<p>Na minha visão, sucesso é poder escolher para quem dedicar seus melhores esforços. É, em última análise, ter a liberdade e a autonomia de dizer “não” quando simplesmente não vale a pena dizer “sim”. E se esse &#8220;não&#8221; comprometer o negócio ou a carreira, ter a confiança e a persistência de achar uma alternativa. Sucesso é ir poder dormir tranqüilo ao tomar uma decisão que, a princípio, pode te prejudicar, mas mantém intactos os seus valores. Já passei por várias destas decisões dolorosas. Arrependo-me só das que fui contra mim mesmo. Sucesso não é dar uma de Nelsinho Piquet&#8230;</p>
<p>Sucesso é não se submeter ao mundo. É perguntar porque não?, e não simplesmente repetir padrões que alguém lá atrás impôs. Sucesso é colocar a empresa a serviço da sua causa, da sua vida, não o oposto. E sei o que estou falando: já fiz o oposto, e não funcionou&#8230;</p>
<p>Sucesso é você criar relações comerciais com pessoas que você admira pelo que fazem e pelo que são. É poder ajudá-las em seus projetos e saber que elas também te ajudam nos seus porque acreditam em você. É ser respeitado pelo que você é, e não pela empresa que carrega seu nome no cartão de visitas, ou pelo cargo que ocupa. Ou mesmo por suas realizações passadas. Só pelo que você é. No final, negócios são feitos por pessoas.  </p>
<p>Como algo que flutua na correnteza e que sempre vai parar no lugar que precisa parar, independentemente da sua vontade, percebo que só consigo produzir por uma causa que considere válida. Ou por pessoas ou empresas que considere dignas. Meu talento, pouco ou muito, não está a serviço de qualquer um. Sou seletivo, assim fui e assim vou continuar sendo. Nunca vou ser unanimidade, nunca ganharei eleição alguma. Há um preço a se pagar, mas o que não embute um preço a se pagar? A questão é escolher o que você está disposto a pagar: qual é a moeda que realmente vale para você. Pensando bem, acho que só me relaciono com pessoas e empresas que considero valerem a pena, cada uma por sua razão (não financeiras; isso é conseqüência). Talvez o Washington tenha razão.</p>
<p>Por outro lado, procuro achar valor nas pessoas. Aprendi a ser humilde a ponto de não fazer pré-julgamentos. Pelo menos, tento (sou humano&#8230;). Admiro pessoas que são absolutamente incompatíveis entre si. E sou amigo delas. Genuinamente. Não as admiro incondicionalmente; sei entender seus argumentos, suas fraquezas, seus motivos. São menos dignos do que os meus? Não tenho essa pretensão. Não sou dono da verdade. </p>
<p>Acho, enfim, que sucesso é poder ser você, sem máscaras, e conseguir ir frente assim (ou apesar disso, para os mais realistas). Sucesso é ser você e encontrar um jeito do mundo te aceitar desse jeito.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=775&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Contratação de pessoas: uma visão diferente</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/07/05/contratacao-de-pessoas-uma-visao-diferente/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Jul 2009 23:30:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[carreira]]></category>
		<category><![CDATA[contratação]]></category>
		<category><![CDATA[empresa]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[gestão de pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[recursos humanos]]></category>

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		<description><![CDATA[Qualquer empresa, mas principalmente as pequenas, precisam de gente que quer crescer e ir além dos seus limites, caso contrário a própria organização não irá crescer. E, se não crescer, as melhores pessoas acabarão saindo em busca de melhores oportunidades. Uma organização de pequeno porte e sem as melhores pessoas&#8230;bem, as possibilidades de sucesso são [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=674&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Qualquer empresa, mas principalmente as pequenas, precisam de gente que quer crescer e ir além dos seus limites, caso contrário a própria organização não irá crescer. E, se não crescer, as melhores pessoas acabarão saindo em busca de melhores oportunidades. Uma organização de pequeno porte e sem as melhores pessoas&#8230;bem, as possibilidades de sucesso são remotas. Em última análise, a organização trabalha para as pessoas que nela estão, suprindo suas necessidades profissionais e, em parte, pessoais.</p>
<p>É muito difícil contratar pessoas. Se assim não fosse, não teríamos profissionais e empresas especializados nisso e inúmeros testes psicológicos, dinâmicas de grupo, etc, que visam diminuir a chance de erro nessa tarefa complicada que é escolher alguém sem que se possa ao certo saber o resultado final.</p>
<p>Não sou especialista nisso e, talvez até por isso mesmo, tenho procurado avaliar outros aspectos que não apenas o currículo ou as entrevistas e testes convencionais. Há algumas características que, quando identifico em algum candidato, presto uma atenção especial.</p>
<p>A primeira delas é a pessoa demonstrar que quer aprender: não temer enfrentar seus pontos fracos, correr o risco de ir além do que acham que são. Certa vez, uma candidata reconheceu que tinha dificuldades em falar ao telefone com as pessoas, sentia-se inibida, mas que precisava enfrentar esse bloqueio para se desenvolver (era seu primeiro trabalho, tendo menos de 20 anos à época). O trabalho envolvia em grande parte atendimento a clientes via fone, de forma que, em uma análise fria, a candidata não era qualificada para o cargo. Porém, o fato de reconhecer isso e de querer enfrentar esse medo mostrou honestidade e atitude: essa pessoa estava indo atrás daquilo que poderia ser, e não daquilo que era. <strong>Quando se avalia a aptidão de alguém para determinada tarefa, estamos analisando o passado, não o futuro do candidato.</strong> Estamos avaliando o que ela foi até então ou, no máximo, o que é hoje, não o que poderá vir a ser. E pessoas que não têm medo de enfrentar seus pontos fracos são importantes para uma organização que terá de enfrentar novas situações e seus próprios pontos fracos pela frente, uma organização que terá de ser, no futuro, algo diferente do que é hoje.</p>
<p>Outro aspecto interessante que procuro identificar e se essa pessoa precisa provar alguma coisa a alguém, principalmente para a família. Talvez pessoas que têm irmãos bem sucedidos, talvez pessoas que escolheram caminhos pouco convencionais na carreira ou no campo pessoal, ou mesmo que se sintam preteridas em relação ao restante da família. Sei que essa abordagem não é ortodoxa e que muitas vezes essa situação não produz exatamente pessoas diferenciadas, mas pessoas apáticas e com auto-estima prejudicada. Mas, quando isso não ocorre, o resultado são pessoas com bastante vontade de ir além e mostrar ao mundo seu valor. São pessoas em busca de uma chance para brilhar, ainda que inicialmente o histórico as limite até que ganhem a confiança necessária.</p>
<p>Gosto também de contratar pessoas cujas famílias já tiveram mais posses nas gerações anteriores, principalmente na geração imediatamente anterior. Gente que viu o sucesso escapar na geração dos pais e teve de enfrentar a decadência. Essas pessoas carregam na memória aquilo que a família já foi, ainda que seja nas histórias e nos álbuns de família quando o passado glorioso é mais distante. Acho que essa situação as faz mais ambiciosas no sentido de reconquistar aquilo que já tiveram ou que deveriam ter tido.</p>
<p>Nessa linha, gosto também de pessoas que tiveram exemplos negativos na família a respeito de como construir uma carreira de sucesso. Pais que tinham talento mas que, por escolhas erradas, não tiveram o sucesso que deles se esperava; pessoas promissoras que falharam em entender o contexto, ter paciência, ousar na hora certa, lidar corretamente com dinheiro e investimentos, aprender a engolir certos sapos e a se relacionar bem com o meio – claro &#8211; porque ninguém vai a lugar nenhum sozinho, por melhor que seja. O exemplo negativo nos faz amadurecer – aprender com os erros dos outros é uma ferramenta importante e quando isso se dá no campo profissional, a pessoa tem a chance de analisar as causas do fracasso e, com isso, moldar o seu sucesso.</p>
<p>Apresso-me em dizer que estas ideias (acho) não têm fundamentação teórica, talvez até sejam em sua maioria equivocadas. Também, reconheço que essa análise não substitui as ferramentas tradicionais de seleção e que não se deve basear uma contratação somente nelas. Mais ainda, que somente pessoas com estas características servirão para a empresa.</p>
<p>Por outro lado, já tive exemplos suficientes para sugerir que essas características podem esconder profissionais que têm alta resiliência, não têm medo de aprender e que querem ir mais longe, três características fundamentais para o desenvolvimento de qualquer organização.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/674/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/674/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/674/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/674/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/674/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/674/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/674/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/674/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/674/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/674/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=674&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Difícil dar um título para esse post&#8230;</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/06/30/dificil-dar-um-titulo-para-esse-post/</link>
		<comments>http://blog.oquederevier.com/2009/06/30/dificil-dar-um-titulo-para-esse-post/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2009 02:49:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
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		<category><![CDATA[Uberlândia]]></category>

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		<description><![CDATA[Fiquei ausente durante algum tempo: uma viagem internacional e, em seguida, nosso principal evento do ano, em Uberlândia. Dessa vez, para quase 1.000 pessoas, recorde em todos esses anos e, ao mesmo tempo, um número que já nasce pequeno para 2010. Vou sempre dois dias antes, sozinho, de carro. 500 km em que vou mentalizando [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=671&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fiquei ausente durante algum tempo: uma viagem internacional e, em seguida, nosso principal evento do ano, em Uberlândia. Dessa vez, para quase 1.000 pessoas, recorde em todos esses anos e, ao mesmo tempo, um número que já nasce pequeno para 2010.</p>
<p>Vou sempre dois dias antes, sozinho, de carro. 500 km em que vou mentalizando o desafio à frente, reunindo a energia necessária. É uma espécie de ritual: paro nos mesmos postos de estrada, marco a primeira reunião de preparação no mesmo horário todas as vezes, descarrego o carro sozinho na doca do centro de eventos, um trabalho anônimo e braçal mesmo, como que fazendo um exercício de humildade para o que vem a seguir. É uma repetição necessária e bem-vinda, pois remete a memórias de um temor positivo, de boas expectativas e, sobretudo, de finais felizes.</p>
<p>Sinto-me praticamente em casa no hotel e no centro de eventos, apesar de passar ali somente 4 ou 5 dias por ano. Talvez porque aquele pedaço da cidade me traz muitas memórias importantes&#8230; Mas é mais do que isso. Já conheço e sinto-me próximo ao local e a várias pessoas que já sabem como funcionamos depois desses anos todos juntos. Fico um ano longe, mas é como se fosse um dia. Concluo que é a intensidade do que se vive que nos marca, mais do que a duração da experiência. De certa forma, todos ali se preparam para a batalha junto conosco; a deles, recomeçando diversas vezes por ano, a nossa, somente naquele momento, que não pode dar errado uma única vez.</p>
<p>De noite, vou jantar no Clementina, o restaurante do Plaza Shopping. Peço uma meia garrafa de vinho: só tem um Casa Rivas simples, Carmenere 2007, mas para a finalidade em questão, já serve. Torço para não encontrar ninguém, pois é o momento de concentração, de internalização e de reunião de forças para encarar o dia seguinte e as 1.000 pessoas que logo chegarão. É o antídoto prévio para o holofote em que todos os anos acabo me colocando por ser uma espécie de dono da festa. Talvez seja algo próximo ao que um esportista de ponta faz diante de uma grande competição. Não sei. Naquele momento, ninguém sabe quem eu sou e é exatamente disso que preciso antes de ter que aparecer.</p>
<p>No dia seguinte, já acordo preparado para a guerra, quase não sou mais eu. O dia é cheio, preciso acompanhar um pouco de tudo, as entrevistas, os imprevistos (dessa vez, o mais inusitado de todos, que me forçou a estruturar uma verdadeira operação FBI-SWAT junto com o pessoal da segurança) que vão sendo eliminados, com um efeito de prazer muito superior ao do stress inicial gerado ao se tomar conhecimento de cada problema.</p>
<p>No final, como sempre até agora, tudo de importante deu certo. Bato três vezes na madeira: são muitas as variáveis, grande parte delas fora de nosso alcance. Precisa-se também de sorte, e reconhecer isso é fundamental para tê-la sempre do seu lado. Olhando agora, nem pareço capaz de uma realização dessa magnitude (mas como, se é o décimo que fazemos?!). Sempre há o medo de, por alguma razão, até pela probabilidade estatística, as coisas desandarem. Talvez justamente por esse medo elas não tenham ainda (madeira de novo) desandado. Vale mais uma vez a frase do Spielberg: “me preparo para o pior e sou sempre surpreendido pelo melhor”.</p>
<p>Depois do evento, até então ia imediatamente embora. Dessa vez, estava mais cansado do que o normal e não quis encarar os 500 km no mesmo dia. Também, senti a necessidade de finalizar sozinho, de apagar as mesmas luzes que acendi alguns dias antes. Fiquei um dia a mais, jantei de novo no Clementina, recuperando a minha privacidade que foi testada e exposta nos três dias anteriores.</p>
<p>No dia seguinte, de manhã, fui tirar dinheiro no caixa eletrônico enquanto o shopping ainda estava fechado. Ao me ver, dois seguranças me seguiram e perguntaram o que queria, desconfiados. Curti o anonimato e a desconfiança;  ali, em traje de passeio e relaxado, certamente eu não parecia nem um pouco a pessoa que, até o dia anterior, havia conduzido um evento de grande porte naquele mesmo local e que havia planejado um esquema de defesa justamente com o responsável pela segurança do complexo.</p>
<p>Deixei a cidade já pensando em 2010, refletindo comigo se, de alguma forma, não preciso dessa adrenalina para preencher minhas lacunas, como quem se joga no vazio confiando que vai dar certo e, assim, consegue criar as ferramentas para ir mais longe a cada vez.</p>
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		<title>Sobre modéstia e humildade</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Jun 2009 01:51:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[carreira]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[humildade]]></category>
		<category><![CDATA[modéstia]]></category>

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		<description><![CDATA[Outro dia, em uma conversa profissional, um experiente executivo me falou que humildade era fundamental para o sucesso, mas que modéstia era o oposto: puxa tudo para baixo, a pessoa, a empresa, quem estiver do lado. Na hora, achei estranho colocar termos aparentemente tão próximos em espectros tão opostos. De fato, há uma similaridade semântica [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=645&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left">Outro dia, em uma conversa profissional, um experiente executivo me falou que humildade era fundamental para o sucesso, mas que modéstia era o oposto: puxa tudo para baixo, a pessoa, a empresa, quem estiver do lado.</p>
<p align="left">Na hora, achei estranho colocar termos aparentemente tão próximos em espectros tão opostos. De fato, há uma similaridade semântica entre ambas as expressões. Os dicionários refletem essa situação, muitas vezes colocando uma como sinônimo da outra.</p>
<p align="left">Refletindo melhor e indo atrás de outros significados, concluí que ele tinha razão. Modéstia (não vou abordar a falsa modéstia, que nada mais é do que pura hipocrisia) significa falta de vaidade, relutância de se gabar da habilidade e daquilo que se conquista. Indo adiante, significa falta de ambição, auto-imposição de limites, acanhamento, apequenamento. Não são características que favorecem o crescimento e o sucesso, seja lá qual for a sua definição de sucesso. Por essa análise, sujeito modesto é aquele que pensa pequeno, que quer pouco e que não demonstra aquilo que é, ou que pode ser. Uma frase que gosto e que procuro, dentro dos limites, aplicar, é que “não basta ser, é preciso parecer ser”. O modesto pode até ser, mas não parece.</p>
<p align="left">Humildade é diferente. Humildade é reconhecer que o sucesso de ontem não garante o sucesso de amanhã.  Que ninguém chega lá sozinho. Que ninguém é tão bom que não possa cair. Que ninguém sabe tudo que não possa aprender mais. Que o “chegar lá” é resultado de procurar a superação a cada dia que levantamos e vamos à luta, e não a colheita eterna de glórias passadas ou de simples retórica.</p>
<p align="left">Humildade é antônimo de arrogância, prepotência. Ingredientes fatais, que uma hora ou outra cobrarão o seu preço para aqueles que acham que são invencíveis, superiores, completamente autônomos e auto-suficientes.  Humildade é aquilo que nos mantém com os pés no chão, no trilho, com a noção da realidade bem presente, não importa o que já foi conquistado.</p>
<p align="left">Humildade, portanto, não tem nada a ver com modéstia. Temos a tendência de valorizar a modéstia talvez pela dificuldade de aceitar o sucesso, tido como algo negativo. Lucro vem de logro, que pode significar “enganar”. Um significado negativo para o lucro, que pressupõe que, para se lucrar, alguém está perdendo. Profit, do inglês, vem de pro-fit, ou seja, aquilo que cabe, aquilo que é justo. Isso tem um simbolismo interessante ao se analisar como as culturas latina e anglo-saxã encaram o lucro, o enriquecimento e o sucesso. Talvez, indo mais longe, como encaram a modéstia.</p>
<p align="left">Não sei se consegui ser claro e passar a mensagem. Modéstia anda lado a lado com auto-desvalorização, com baixas expectativas. Não há problema em reconhecer suas conquistas, suas habilidades e competências. Pelo contrário: você deve fazê-lo para se respeitar e para que os outros também te respeitem, para mostrar ao que veio. Mas seja humilde: tudo isso pouco valerá se você achar que se basta, que é um prodígio e que o mundo se curvará diante de você.</p>
<p align="left">Pensando nesses dois termos tão parecidos e tão distantes, me vem à cabeça o Pelé. Pelé nunca me pareceu modesto; fala dele na terceira pessoa, sempre soube que era bom, melhor do que os demais, sempre teve altas expectativas. Mas sempre foi humilde para treinar mais do que os outros, para saber que essa vantagem se anularia se, ao entrar em campo, não fizesse aquilo que se esperava dele (inclusive aquilo que ele esperava dele). Nunca achou que sua pré-condição seria suficiente para garantir seu sucesso. Por isso, foi Pelé: nada modesto na vida, mas extremamente humilde dentro das quatro linhas.</p>
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