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	<title>O que der e vier &#187; Cinema</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; Cinema</title>
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		<title>Sobre ter altas expectativas a respeito das coisas</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 22:50:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar. Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=957&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar.</p>
<p>Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há trabalhos mostrando) que quanto maior a expectativa, melhor tende a ser o resultado final. O fato é que o mundo não te dá mais do que você pede a ele, pelo menos na maior parte das situações. Assim, quem espera muito da vida (não no sentido passivo da espera), tende a ir mais longe. “Nothing ventured, nothing gained”. And that’s it. Ao menos potencialmente.</p>
<p>Um estudo feito pelos psicólogos americanos Sydney Siegel e Lawrence Fouraker demonstrou que a expectativa elevada (ou, nesse caso, a meta) influencia o resultado. Eles dividiram voluntários em dois grupos. Em ambos foi passado que teriam de vender um certo produto e caso atingissem a meta pré-estabelecida, eles poderiam ficar com o lucro obtido e passariam a uma segunda rodada. A diferença foi que, para o primeiro grupo, foi passada uma meta de <strong>2,10 dólares</strong> enquanto que, para o segundo grupo, a meta estabelecida mais ambiciosa, <strong>6,10 dólares</strong>. Muitos vendedores dos dois grupos atingiram a meta, mas no segundo grupo o lucro médio foi de <strong>6,25 dólares</strong> enquanto que no primeiro grupo, de meta mais modesta, o lucro médio foi de apenas <strong>3,35 dólares</strong>. Nesse caso, a expectativa foi gerada externamente, mas pouco importa: resultou em desempenho superior.</p>
<p>Empresas mais ambiciosas, pessoas mais ambiciosas, tendem a ir mais longe porque se motivam a obter mais do mundo, desde que suas metas sejam realistas. A Teoria das Expectativas de Vroom sugere que a motivação, isto é, o <em>motivo para ação</em>,  depende do produto entre a Valência = vontade que alguém tem de obter algo, o que é dado pela relevância que esse algo tem para ela, e a Expectativa da se atingir esse algo. Expectativa, nesse caso, significa o quanto a pessoa acredita que de fato possa atingir esse objetivo.</p>
<p>Assim, se alguém não tem objetivo de alcançar algo (valência zero) o produto será zero e não haverá motivação. Ela não sairá do lugar. Da mesma forma, ainda que a valência seja elevada, se a expectativa de se atingir esse algo for zero, também não haverá estímulo para se mover. Exemplo: você pode querer ser campeão mundial de Fórmula 1, mas se considerar que essa meta não pode ser atingida por não ser realista, então não terá motivação para persegui-la.</p>
<p>Desta forma, pessoas com expectativas mais altas, ou metas mais elevadas, pessoais ou profissionais, se motivarão a conquistar essas metas, desde que tenham real expectativa de consegui-las. Nesse ponto, há pessoas que, pela análise convencional, estão “fora da realidade”, que acreditarão em metas que não são realistas &#8211; talvez uma forma de auto-engano &#8211; mas que terão motivação para alcançá-las. E, às vezes, conseguirão, surpreendendo a todos.</p>
<p>(Não sei porque, mas me lembrei agora daquela cena do filme <a href="http://www.meucinemabrasileiro.com/filmes/dois-filhos-de-francisco/dois-filhos-de-francisco.asp">Dois Filhos de Francisco</a>, em que o Francisco diz que queria tornar famosa a dupla formada pelos filhos [Zezé de Camargo e seu irmão que faleceu logo depois]. Ele comprou centenas de fichas telefônicas e ligou para a rádio seguidas vezes, até que a música deles foi selecionada entre as mais pedidas do dia. O resto é história, depois de muita água passada debaixo da ponte, claro&#8230;)</p>
<p>Até aí, tudo bem. Mas, voltando à pergunta original, e no aspecto pessoal, de satisfação? Será que ter expectativas elevadas, ainda que isso resulte em uma vida mais rica materialmente e mais cheia de “histórias para contar”, tornará alguém mais feliz do que aquele que se contenta com menos, seja no aspecto material, seja no aspecto pessoal?</p>
<p>Acredito que não.  Ou, pelo menos, provavelmente não. Se você esperava emagrecer 2 kg e emagreceu 4, ficará satisfeito. Mas se a expectativa era emagrecer 6&#8230;Com metas mais altas, a frustração está mais próxima e o tombo, maior. O paradoxo é que, provavelmente, aquele que quer emagrecer 6 kg, desde que seja uma meta realista, deve conseguir emagrecer mais do que aquele que tem meta de 4 kg. Assim, a expectativa alta gera resultado melhor, mas a chance de desapontamento é maior. Quanto maior o ganho potencial, maior o risco.</p>
<p>Mas e se expectativa elevada for cumprida? Terá esse indivíduo satisfação muito superior? Ainda assim, creio que aquele que tem expectativas elevadas a respeito da vida ficará em posição desfavorável no quesito satisfação. A expectativa elevada anda de mãos dadas com a necessidade contínua de querer sempre mais e melhor, empurrando a zona de satisfação sempre para frente. Nada é suficiente, nunca é suficiente.</p>
<p>Complementando o raciocínio acima, há ainda uma outra possível associação. Indivíduos com altas expectativas a respeito de tudo desconhecem que a vida não é feita de eras de felicidade, mas sim de momentos de felicidade, como disse Nietzsche. Essas pessoas talvez estejam sempre esperando o momento supremo, a pessoa perfeita, o emprego ideal – afinal esperam sempre o melhor de tudo – e sempre farão o possível para alcançá-los, para logo perceber – mais uma vez &#8211; que poderia ser melhor. Sempre poderia. Como escreveu <a href="http://www.releituras.com/vcarvalho_velhotemaI.asp">meu bisavô</a> em sua poesia mais famosa, “Velho Tema”:</p>
<p><em>Só a leve esperança, em toda a vida,<br />
Disfarça a pena de viver, mais nada;<br />
Nem é mais a existência, resumida,<br />
Que uma grande esperança malograda.</em></p>
<p><em>O eterno sonho da alma desterrada<br />
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,<br />
É uma hora feliz, sempre adiada<br />
E que não chega nunca em toda a vida.</em></p>
<p><em>Essa felicidade que supomos,<br />
Árvore milagrosa que sonhamos<br />
Toda arreada de dourados pomos,</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Existe, sim: mas nós não a alcançamos<br />
Porque está sempre apenas onde a pomos<br />
E nunca a pomos onde nós estamos.</em></p>
<p>Já que falei do filme Dois Filhos de Francisco, vou citar uma das cenas finais, em que Zezé, já rico e famoso, volta para visitar o casebre em que morava com a família, antes de tudo acontecer. Se não me falha a memória, ele diz algo como “foi a época mais feliz da minha vida”&#8230;Pelo filme, percebe-se que ele é alguém com altas expectativas, foi lá e fez, mas pelo jeito não resolveu. Parece, olhando assim, que as expectativas elevadas são uma ilusão auto-imposta não para de fato conquistar grandes coisas, mas para tapar o sol com a peneira, resolver internamente aquilo que não está e não será resolvido. Quando não se consegue lidar com o presente, depositando no futuro e em suas conquistas a suposta satisfação permanente. “The best is always to come&#8230;.”.</p>
<p>Barry Schwartz, no seu ótimo <a href="http://blog.oquederevier.com/tag/barry-schwartz/">Paradoxo da Escolha</a>, mostra que o índice de depressão e suicídio nos indivíduos maximizadores é maior do que nos demais. Indivíduos maximizadores são aqueles que só se contentam com o melhor, isto é, possuem alta expectativa a respeito de tudo. Aqui, há ainda a correlação positiva entre ter altas expectativas e assumir para si a responsabilidade pelo fracasso, o que coloca um peso ainda maior para as frustrações. O maximizador é escravo de suas próprias expectativas.</p>
<p>Triste paradoxo. É provável que grande parte das contribuições feitas à história humana tenha sido feita por indivíduos que tinham altas expectativas. Afinal, não é fácil se destacar, criar algo novo, fazer a diferença. Citando a frase de Bernard Shaw (de novo estou citando Shaw!), “<em>há dois tipos de pessoas, aquelas que se adaptam ao mundo e aquelas que tentam adaptar o mundo a elas. Todo progresso vem necessariamente do segundo tipo”</em>.  Eles foram lá, e fizeram, contra tudo e contra todos.  E mudaram a ordem das coisas.</p>
<p>Mas talvez, dentro de si, aquele incômodo sempre continuou, de um lado, impulsionando-os a fazer mais e mais, de outra impedindo-os de usufruir daquilo que conquistaram. O legado que deixaram ao mundo é maior do que o que construíram para si mesmos.</p>
<p>E, claro, para cada um que fez história, quantos potenciais gênios, empresários, educadores revolucionários, se perderam e não foram nem uma sombra daquilo que poderiam ter sido, justamente pela frustação paralisante que se instalou ao perceberem o quão longe estavam de suas elevadas aspirações?</p>
<p>Nesse sentido, invejo aquele que se contenta com pouco, que se surpreende positivamente com cada mínima conquista, que quase nada espera a ponto de quase tudo servir. Esse, certamente, é mais feliz. Olhando por esse lado, no entanto, a felicidade me parece algo um tanto medíocre, uma monotonia pouco digna para justificar, de fato, o efêmero momento que representa nossa passagem por esse mundo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=957&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Avatar merecia mais</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 23:44:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Antes de escrever sobre Avatar, fiz uma consultazinha na internet e conversei com algumas pessoas que viram o filme.  Fiquei surpreso – quase só críticas favoráveis e pessoas que respeito intelectualmente gostaram muito do filme. Será que vimos o mesmo filme? Será que minha avaliação está errada, sou insensível, exigente, obtuso? Será que minhas expectativas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=945&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de escrever sobre <a href="http://www.avatarfilme.com.br/">Avatar</a>, fiz uma consultazinha na internet e conversei com algumas pessoas que viram o filme.  Fiquei surpreso – quase só críticas favoráveis e pessoas que respeito intelectualmente gostaram muito do filme.</p>
<p>Será que vimos o mesmo filme? Será que minha avaliação está errada, sou insensível, exigente, obtuso? Será que minhas expectativas estavam exageradas e equivocadas? Vamos ser justos: Avatar é um show, uma super-produção primorosa. Em 3D, você de fato entra nas cenas. A realidade virtual criada por James Cameron é perfeita. É uma obra-prima na forma. Mas no conteúdo…</p>
<p>O roteiro é fraco, óbvio, chega a afrontar nossa inteligência. Os diálogos são pobres e os personagens totalmente clichês, ainda que em geral bem interpretados: o heroí, a heroína, os ajudantes dos dois, o vilão (excelente, por sinal, o ponto alto do enredo), e assim por diante. Tudo bem, é possível ter esses clichês e fazer um grande filme. Mas não é o caso. A história é previsível do começo ao fim, você fica esperando algo diferente e simplesmente não vem nada, até o ponto em que você se contenta em apreciar o visual e os efeitos.  Infelizmente, tive que ver o filme dublado, o que é de lascar, e isso talvez tenha contribuído negativamente.</p>
<p>O filme procura ainda passar uma mensagem educativa: que temos de proteger o meio-ambiente, caso contrário destruiremos nosso planeta. Ok, concordo.  Mas essa abordagem seria válida e potencialmente impactante caso esse tema não fizesse parte da nossa agenda. Nesse caso, mesmo com uma historinha boba, Avatar teria um impacto ao trazer à tona um tema novo e relevante. Mas, pombas, esse é o principal tema discutido no mundo atual! O grande desafio que temos é como conciliar o aumento da renda de grande parte da população mundial, que vai se refletir em maior consumo, com a necessidade de utilização racional dos recursos naturais.</p>
<p>Ainda não sabemos ao certo como fazer isso, como a COP15 demonstrou em dezembro. Mas a discussão está em todos os jornais, TVs, internet, governos, empresas. Talvez quando Cameron começou a trabalhar a ideia, há 10 ou 12 anos, fosse um tema de vanguarda. Hoje, é <em>main stream</em>. Não me parece necessário gastar US$ 300 milhões e empregar uma metáfora da destruição de um outro planeta para passar essa mensagem. Talvez eu esteja exagerando; talvez eu seja mais consciente a respeito dessas questões, do que a maior parte da população mundial &#8211; afinal me informo minimamente. Faço, então, uma ressalva: talvez o filme tenha êxito ao passar essa mensagem, ainda que de uma maneira água com açúcar. Para mim, porém, Avatar foi inócuo nesse sentido.</p>
<p>Mesmo com esses tropeços, o filme se salvaria, tamanha a qualidade da produção e a inovação visual. Mas Avatar ainda abusa dos lugares-comuns: a culpa pelo extermínio de populações tecnologicamente menos favorecidas, o amor impossível (me pareceu muito um Dança com Lobos: uma civilização mais avançada destrói a outra, até que surge um amor para complicar…), a culpa pelas conseqüências – psicológicas inclusive &#8211; da Guerra do Vietnã e afins, o velho embate entre o bem e o mal, Davi contra Golias, e assim por diante.</p>
<p>De fato, o diretor caracterizou as duas civilizações em conflito como totalmente antagônicas, colocando-as em pontos absolutamente opostos em relação aos aspectos éticos. De um lado, o “povo do céu”, isto é, nós, armados, poderosos e sem escrúpulos, querendo explorar um metal raro presente no subsolo de Pandora; de outro, uma tribo alienígena (metáfora clara dos povos indígenas que foram exterminados) que vive em total comunhão com a natureza,  de modo absolutamente idílico &#8211; Pandora, de fato, assemelha-se a uma espécie de paraíso. Nesse sentido, Cameron se mostra um grande pessimista com os rumos da raça humana: em 2154, teremos destruído todo o verde daqui e o próximo passo é fazer o mesmo por lá.</p>
<p>Há ainda um <em>gran finale</em>, e se você não viu o filme, aconselho a parar por aqui. Diante da possibilidade de voltar para a Terra ou mudar definitivamente para Pandora e se tornar um Na’vi, abandonando sua versão humana, o herói Jake não hesita: se “suicida” como humano para viver no paraíso de Pandora com sua amada nativa. É a utopia em seu grau extremo: abandonar a própria vida, o próprio mundo, e viver no Eden. Isso dá mais uma longa análise, mas deixa pra lá…</p>
<p>Você vai achar que não recomendo o filme. De forma alguma. Avatar é bom? Depende do que se busca e talvez aí esteja meu erro com essa análise bem crítica. Se a ideia é ver um belo roteiro e uma história inteligente, esqueça. Se o objetivo é se divertir com uma criação brilhante, vá fundo que a diversão é garantida. As duas horas e meia de filme passam rapidamente e você embarca mesmo em uma viagem. Mas mesmo por isso, por ter feito algo tão grandioso e com tanto potencial, James Cameron poderia ter marcado época e feito um filme melhor. Avatar merecia uma história mais consistente, menos óbvia e infantil, menos Romeu e Julieta com final feliz, que acabou apenas servindo como invólucro para embalar as peripécias tecnológicas e a incrível criatividade visual. Uma pena.</p>
<p>PS: recebi esse link aqui comparando <a href="http://failblog.org/2010/01/10/avatar-plot-fail/">Avatar com Pocahontas</a> <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>(Vai, pode meter o pau agora).</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-29-as-20-48-14.png"><img class="alignnone size-full wp-image-944" title="Captura de tela 2010-01-29 às 20.48.14" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-29-as-20-48-14.png?w=500&#038;h=261" alt="" width="500" height="261" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=945&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Equilibrista: metáfora da vida</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 20:08:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Equilibrista (Man on Wire) é o documentário vencedor do Oscar 2009, que mostra a vida de Philippe Petit, o francês que passou a vida andando sobre a corda bamba. Literalmente, não só metaforicamente, como todos nós. Quando jovem, na sala de espera de um dentista, ele viu uma matéria em uma revista sobre o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=926&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Equilibrista (Man on Wire) é o documentário vencedor do Oscar 2009, que mostra a vida de Philippe Petit, o francês que passou a vida andando sobre a corda bamba. Literalmente, não só metaforicamente, como todos nós.</p>
<p>Quando jovem, na sala de espera de um dentista, ele viu uma matéria em uma revista sobre o projeto de construção das torres gêmeas. Instintivamente, fez um traço entre as duas, arrancou a página da revista e…pronto, seu objetivo de vida estava traçado.</p>
<p>Aguardou a construção das torres, causou espanto ao (ilegalmente, sempre) cruzar a Notre Dame pelos ares, depois uma ponte em Sidney, e assim por diante, sempre aguardando aquele que se tornou seu projeto principal: andar sobre um cabo de aço a 450 metros de altura, em plena New York, entre as torres do World Trade Center.</p>
<p>Para realizar seu projeto, como todo gênio &#8211; para o bem ou para o mal – contou com ajudantes que encamparam o projeto de forma até mais intensa do que ele próprio, principalmente sua namorada e seu melhor amigo, que durante meses traçaram a melhor estratégia e organizaram a empreitada em seus mínimos detalhes.</p>
<p>O documentário mostra como esse bando de loucos, inseridos na contra-cultura da década de 70, conseguiu burlar a segurança e instalar um cabo de aço para cruzar os 70 metros entre as finadas torres e realizar o feito que assombrou a todos na época, no dia 7 de agosto de 1974. E até hoje impressiona, basta ver o filme.</p>
<p>A história é carregada de simbolismos profundos. Após a realização da travessia, foi-se a namorada, foi-se o melhor amigo. Era como se um ciclo – para todos – havia se completado. Não sem emoção, ainda que muitos anos depois, como é possível perceber pelos depoimentos. Aquilo que os unia era maior do que ele e do que eles. Após cruzar as torres, Philippe não era mais o mesmo – afinal, ele era um projeto, e o projeto fora concluído. O que viria depois, não se sabe, mas certamente não carregaria mais o vínculo que culminou com aquele objetivo.</p>
<p>A travessia, em si, é emblemática: ao deixar a primeira torre em direção à segunda, Philippe estava cruzando uma nova fronteira de vida, para si e para os seus. Talvez as pessoas se aproximem em função disto – de necessidades mútuas que, uma vez satisfeitas, se extinguem, e com elas o elo que vincula um ao outro.</p>
<p>Há também a questão pessoal que envolve o Equilibrista. Até que ponto vale a pena uma vida ser pautada por um único objetivo, por mais incrível que seja? Está certo, talvez toda vida tenha um propósito de ser heróica, e o heroísmo de Philippe era esse. Mas será que há limites a partir do qual o propósito passa a comandar a vida de uma pessoa, a ponto de torná-la mera passageira ou expectadora do seu destino?</p>
<p>Parece que sim. A certa altura, diante das dificuldades que quase o fizeram desistir, Philippe admite, ainda que não diretamente, o perigo dessa situação: “precisava naufragar na ilha deserta do meu sonho”, disse.  Naufragar na ilha deserta. Sabia que, por maior que fosse a conquista, do outro lado haveria o naufrágio. Haveria o vazio de uma conquista definitiva, precoce, do objetivo de sua vida conquistado. A partir dali, tudo seria passado. Sua vida seria uma retrospectiva; afinal, nada do que faria a seguir equivaleria em grandeza com o que acabara de fazer. E mais: não bastasse ser uma ilha, isolada por definição, ainda por cima, deserta. O destino de um só. Os sonhos são sempre individuais. As conquistas e tragédias, idem.</p>
<p>“Há duas tragédias na vida de um homem. Uma é não conquistar aquilo que deseja. A outra, é conquistar”, escreveu Bernard Shaw. A conquista de Philippe, ao mesmo tempo, era sua perdição, quase seu epílogo. O naufrágio do qual ele temia, mas não poderia evitar. Ou nao seria ele. O fato é que não há escapatória contra aquilo que precisa acontecer.</p>
<p>Talvez o prazer esteja na busca, na possibilidade, na meta a ser alcançada, não na conquista em si, como disse Shaw. A tragédia é que, quanto maior a meta, maior o prazer de buscá-la, maior o (efêmero) prazer de conquistá-la, mas maior o naufrágio, pois maior o vazio posterior.</p>
<p>Como o Equilibrista, andamos na corda bamba, entre aquilo que queremos conquistar e aquilo que de fato conquistamos, sempre correndo o risco de escorregar no meio do caminho. Dessa tensão talvez irreconciliável, extraímos nossos propósitos e, quem sabe, nossa felicidade, ainda que por instantes fugazes.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-24-as-10-20-30.png"><img class="alignnone size-full wp-image-927" title="Captura de tela 2010-01-24 às 10.20.30" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-24-as-10-20-30.png?w=340&#038;h=500" alt="" width="340" height="500" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=926&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>The Phantom of the Opera is here&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Nov 2009 19:38:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Andrew Lloyd Weber]]></category>
		<category><![CDATA[Fantasma da Ópera]]></category>
		<category><![CDATA[Londres]]></category>
		<category><![CDATA[Phantom of the Opera]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah Brightman]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Londres, abril de 2007. Participando de um congresso, resolvi em uma das noites assistir ao Fantasma da Ópera no Teatro Majesty. Casa cheia, peça aplaudida de pé, uma verdadeira apoteose, você sai meio anestesiado. Do meu lado, uma mulher comenta com a amiga, sintetizando a razão de tamanho sucesso: “It’s so powerful!&#8221; Um vendedor esperto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=838&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/11/captura-de-tela-2009-11-21-as-18-44-271.png"><img class="alignnone size-medium wp-image-840" title="Captura de tela 2009-11-21 às 18.44.27" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/11/captura-de-tela-2009-11-21-as-18-44-271.png?w=183&#038;h=300" alt="" width="183" height="300" /></a></p>
<p>Londres, abril de 2007. Participando de um congresso, resolvi em uma das noites assistir ao <a href="http://www.thephantomoftheopera.com">Fantasma da Ópera no Teatro Majesty</a>. Casa cheia, peça aplaudida de pé, uma verdadeira apoteose, você sai meio anestesiado. Do meu lado, uma mulher comenta com a amiga, sintetizando a razão de tamanho sucesso: “It’s so powerful!&#8221;</p>
<p>Um vendedor esperto vendia DVDs do <a href="http://phantomthemovie.warnerbros.com/">filme de 2004 &#8211;  (dirigido por Joel Schumacher</a>), na porta do teatro a preços exorbitantes. Lógico que comprei o meu, para só depois lembrar que o sistema Pal-m não funciona aqui…Desde então, o filme permaneceu intacto na gaveta que fica embaixo da TV.</p>
<p>Semana passada, no Shopping Iguatemi, São Paulo. Lembrei que precisava comprar um CD de presente para alguém e vi, a minha frente, as Lojas Americanas e entrei. Não custa tentar, pensei, embora à medida que andava pela loja foi ficando claro que o melhor seria sair correndo dali e ir para a Livraria Cultura do Villa-Lobos.</p>
<p>De fato, o CD que eu queria não tinha (a vendedora nunca tinha ouvido falar na Céu). Na saída, eis que olho para um display de ofertas e lá estava ele, pedindo para ser comprado: o DVD do Fantasma da Ópera, de Joel Schumacher, por R$ 12,90. Naquele momento, comprendi a verdadeira razão de eu ter entrado naquela loja…era hora de rever o Fantasma.</p>
<p>Trata-se do musical de maior sucesso da história. Mais do que isso: a versão produzida por Andrew Lloyd Webber é a peça de entretenimento de maior sucesso já feita, em qualquer mídia que se considere. Segundo o <a href="http://www.thephantomoftheopera.com/">site oficial</a>,  já foi visto por mas de 100 milhões de pessoas em 14 línguas, desde que estreiou no Majesty, Londres, em 27 de setembro de 1986, chegando depois a New York em janeiro de 1988. Na Broadway, já foi encenado mais de 9000 vezes e em Londres, outras tantas. Foi o Fantasma da Ópera que projetou, por exemplo, a cantora <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sarah_Brightman">Sarah Brightman</a>, então esposa de Webber - (que estourou com o sucesso <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Lp7rZEKClk4&amp;feature=related">Time to Say Goodbye,  com Andrea Bocelli</a>). E não ficou apenas no teatro: já teve nada menos do que 18 versões para o cinema.</p>
<p>Mas porque o romance escrito por Gaston Leroux em 1910 e depois adaptado ao teatro fez tanto  tanto sucesso? Temas que lidam com o mistério sempre têm apelo e, talvez, aí resida parte do sucesso. A história do fantasma/homem deformado/gênio da música que vive nos porões da ópera de Paris e que mantém uma estranha relação com uma jovem cantora lírica tem os ingredientes para tal. A música também é especial. Uma após outra, Andrew Lloyd Weber compôs uma obra-prima. Aliás, o que dizer de alguém que compôs Cats (de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=4-L6rEm0rnY">Memory</a>), Evita (de Don’t’ Cry for me Argentina, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=2shR99NnwCA">veja versão com a Sinead O&#8217;Connor</a>, minha preferida, não se compara com a Madonna) e Jesus Cristo Superstar? Ele é um gênio, tal como o Fantasma…assim como Charles Hart, o letrista, que captou a essência da peça de maneira perfeita. A humanidade sabe reconhecer uma verdadeira obra de arte (há esperança!).</p>
<p>O enredo e a música são essenciais para o sucesso, mas acho que o que faz a diferença é que o filme tem um fundo psicológico complexo, lida com diversas questões que caracterizam a essência humana.</p>
<p>Diante da riqueza de possibilidades e de intepretações, a que mais me chama a atenção é a ambivalência presente do começo ao fim: a luz e a escuridão; o pecado e a virtude; a genialidade e a loucura; a beleza e a feiúra; o padrão aceito por todos e o preconceito; o yin e o yang, enfim, presente na própria essência humana.</p>
<p>De um lado, Christine, a soprano protagonista, vive um romance com o jovem Raoul, patrocinador da Ópera e com quem teria uma vida normal, sendo sua companheira; de outro, a atração meio doentia em relação ao Fantasma, que a seduz e a aprisiona com sua música e a quem Christine confunde com seu pai, cuja perda nunca superou. Christine precisa superar a morte do pai, eliminar os vínculos do passado e ser ela mesma.</p>
<p>Mas quem é “ela mesma”? Alguém que deveria viver uma vida convencional, na luz, ou entregar-se à escuridão, de onde realmente brotava seu talento? Qual seria, afinal, sua razão de ser, qual seria o papel que lhe caberia nesse mundo, se é que se pode colocar dessa forma?  Ao viver com Raoul, seu talento minguaria e ela abandonaria sua carreira promissora, para viver como esposa dedicada e mãe (como está colocado na epígrafe de seu túmulo), mas seria &#8220;livre&#8221;; ao ficar com o Fantasma, estaria &#8220;presa&#8221; em seu conflito psicológico para sempre, mas cantaria. Há solução para esse conflito aparentemente insolúvel, que simplesmente nos lembra que não há soluções perfeitas e que escolhas sempre envolvem renúncias?</p>
<p>Não é fácil para ela. A sua resposta a essas questões varia de acordo com as cirscunstâncias e com o poder de sedução de ambos os pretendentes, cada um com seus argumentos.  Aliás, os momentos em que o Fantasma canta Music of the Night e Point of no Return são dois grandes momentos de sedução via música…</p>
<p>Music of the Night – original do filme:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/11/28/the-phantom-of-the-opera-is-here/"><img src="http://img.youtube.com/vi/GHAauiJwwmU/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Ao final, Christine escolhe Raoul; para felicidade de todos, o mal foi vencido, a solução convencional se sobrepôs ao bizarro, nos consolando também. Afinal, com a escolha dela, nossas possibilidades sombrias e inquietações são de certa forma enterradas. Mas não foi uma escolha fácil: dá a impressão que sua mente vai para um lado, mas o coração vai para o outro (“você resiste, mas sua alma obedece”, canta o Fantasma). Na música tema dela com Raoul, ela suplica: “Diga que me ama em todos os momentos em que estiver desperto, encha meus pensamentos com histórias de verão. Diga que precisa de mim ao seu lado agora e sempre…”.  Ela precisa disso para afastar os “maus pensamentos” que inundam sua alma.</p>
<p>O lado sombrio, se está presente até na mente da bela e ingênua Christine, estará então presente em qualquer mente, ainda que com contornos diferentes (afinal, &#8220;The Phantom of the Opera is here, inside my mind&#8230;&#8221;). O sucesso do musical, de certa forma, reside na possibilidade de flertar com o sombrio sem riscos para quem assiste. Ou, mais ainda, o reconhecimento de que não estamos sozinhos e que até a bela soprano tem recônditos proibidos em sua mente, que precisam de muita razão e reforço diário para são serem visitados.</p>
<p>Mesmo com a vitória da luz sobre as trevas, ao final não se sabe se a escolha foi a melhor. Christine morreu bem antes de Raoul que, ao final do filme, coloca sobre seu túmulo o macaquinho persa que toca música, que foi encontrado nas dependências do Fantasma e que acaba sendo a metáfora do Fantasma. É uma cena de grande simbolismo: Raoul estaria devolvendo Christine ao Fantasma? Terá sido um reconhecimento tardio por parte de Raoul de que, ao tirá-la do teatro e transformá-la apenas em mãe e esposa dedicada (não que seja pouco!) havia eliminado sua essência, aprisionando-a de uma outra maneira, não menos ruim do que se tivesse ficado sob a tutela do Fantasma?  Será um recado de que não adianta ir contra sua natureza, que razão nenhuma supera a emoção, e que sempre há um preço a pagar ao se escolher a via racional (não sei do que Christine morreu&#8230;mas não parece que teve uma vida plena)? Não que Christine não amasse de alguma forma Raoul &#8211; mais uma ambivalência presente.</p>
<p>São diversas as possibilidades de interpretação. Aqui, enfoco mais o dilema de Christine, mas certamente o Fantasma também dá boas análises. A história ecoa em cada um, de forma particular. Se você viu a peça ou o filme, comente abaixo o que achou e qual foi a sua visão.</p>
<p>(É interessante que, na primeira versão feita para o cinema, o Fantasma era um louco, totalmente disforme, fácil de ser odiado. Já na versão de Schumacher, foi interpretado por Gerard Butler, o protagonista de PS, I love you…).</p>
<p>Achei diversos vídeos legais no YouTube:</p>
<p>Além de Music of the Night, outras músicas de trilha sonora:</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=XjM1Lrsb7I8&amp;feature=fvst">Think of me &#8211; original do filme</a></p>
<p>Música tema &#8211; The Phantom of the opera e Wish you were somehow here again, cantadas pela Sarah Brightman</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/11/28/the-phantom-of-the-opera-is-here/"><img src="http://img.youtube.com/vi/vo6Vd7XyU2I/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=8VgLKXD-BoY&amp;feature=related">Versão da música tema com o Nightwish</a>– mostrando que, apesar dos vocais meio over, os grupos de heavy metal tem mesmo grandes músicos</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=D5ou3gZg0sE">Angel of music</a> – cantada por Emmy Rossum, a Christine do filme</p>
<p>All I ask of you – música tema de Raoul e Christine:</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=ETz8P1KIFOM&amp;feature=related">Por Carreras, Pavarotti e Plácido Domingo</a>. Com todo respeito ao Pavarotti, que faz a voz da Christine, ficou faltando a voz feminina</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Tl6oZc7YSe8&amp;feature=related">Versão com a Emmy Rossum</a> (Christine e Patrick Wilson &#8211; Raoul)</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=RxKjDUrmecA">Masquarade</a>- original no filme</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Dp4UqGxOeHk&amp;feature=related">The Point of no return</a> &#8211; original do filme</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/838/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/838/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/838/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/838/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/838/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/838/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/838/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/838/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/838/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/838/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=838&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Os 10 melhores filmes que vi recentemente</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/10/29/os-10-melhores-filmes-que-vi-recentemente/</link>
		<comments>http://blog.oquederevier.com/2009/10/29/os-10-melhores-filmes-que-vi-recentemente/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 29 Oct 2009 21:24:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava com este post semi-pronto há algum tempo e agora acabei. Resolvi fazer uma listinha básica dos 10 melhores filmes que vi recentemente. Não é uma resenha; talvez até faça alguma resenha de um ou mais deles mais para frente. É engraçado, porque tenho certeza que vi outros que na hora achei muito bons, mas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=827&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava com este post semi-pronto há algum tempo e agora acabei. Resolvi fazer uma listinha básica dos 10 melhores filmes que vi recentemente. Não é uma resenha; talvez até faça alguma resenha de um ou mais deles mais para frente.</p>
<p>É engraçado, porque tenho certeza que vi outros que na hora achei muito bons, mas por alguma razão, não lembro. Procurei incluir apenas filmes relativamente novos – eu revi recentemente <a href="http://www.adorocinema.com/filmes/encontros-e-desencontros">Encontros e Desencontros</a> (Lost in Translation), da Sofia Coppola, tendo a Scarlett Johansson despontando, contracenando magnificamente com o Bill Murray, mas não incluí na lista porque é antigo (de 2003). Mas ficaria fácil no topo da minha lista dos 10 preferidos do momento se fosse recente.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-828" title="lost in translation" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/10/lost-in-translation.png?w=197&#038;h=300" alt="lost in translation" width="197" height="300" /></p>
<p>Também, revi por acaso o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sideways">Sideways</a>, voltando de avião de Berlim. O filme teve um sentido especial nesse momento porque 2 semanas depois eu estava indo <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/10/24/uma-semana-na-california-com-vinhos-e-velhos-amigos/">pro meu Sideways</a>.</p>
<p>Segue a lista, não está em ordem necessariamente de preferência.</p>
<p><a href="http://cinecartografo.wordpress.com/2009/01/10/o-lutador-the-wrestler-2008/">O Lutador</a> (The Wrestler, 2008 – Darren Aronofski). O filme retrata a decadência de um lutador de wrestling (não sei em português), interpretado por Mickey Rourke, que passou na vida real por uma trajetória muito parecida, o que engrandece o filme. De fato, a interpretação dele é magistral, a história é muito verossímil e, talvez por isso, difícil de assistir. Afinal, o medo da decadência sempre existe. A fotografia é sombria, melancólica; o filme tem relativamente poucos diálogos.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-830" title="Wrestler" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/10/wrestler.png?w=191&#038;h=293" alt="Wrestler" width="191" height="293" /></p>
<p><a href="http://www.estomagoofilme.com.br/">Estômago</a> &#8211; (nacional, 2007 – Marcos Jorge): mais um ótimo filme nacional, com roteiro bem original e uma interpretação fantástica do ator João Miguel, que é muuuuito bom. Meio comédia, meio tragédia, o filme trata da vida de um nordestino que chega a São Paulo e aprende a cozinhar – e como ninguém. O principal tema do filme é o poder – se as pessoas dependem de você para alguma coisa, você tem poder – na vida há os que devoram e os que são devorados Foi isso que Nonato (personagem do João Miguel), aprendeu.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-831" title="Estomago" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/10/estomago.png?w=199&#038;h=300" alt="Estomago" width="199" height="300" /></p>
<p><a href="http://www.interfilmes.com/filme_17881_A.Vida.dos.Outros-%28Das.Leben.der.Anderen.The.Lives.Of.Others%29.html">A Vida dos Outros</a> (Das Leben  der Anderen, 2006 &#8211; Florian Henckel von Donnersmarck): vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro; obra-prima. Um filmaço mesmo, com uma fotografia belíssima, personagens muito ricos e uma interpretação magistral do ator principal, Ülrich Muhe, que estava com câncer e veio a falecer logo depois. O filme trata do totalitarismo na Alemanha Oriental, no pós-guerra. Talvez faça uma resenha dele depois. Um dos melhores filmes que já vi, com um dos finais mais tocantes que vi.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-832" title="avidadosoutros" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/10/avidadosoutros.png?w=213&#038;h=300" alt="avidadosoutros" width="213" height="300" /></p>
<p><a href="http://www.thegrantorino.com/">Gran Torino</a> &#8211; (Clint Eastwood, 2008): mais uma obra-prima do Clint Eastwood, que se supera a cada filme. Pensei agora: a temática tem muito a ver com O Visitante (ver abaixo), que veio antes. Mas Gran Torino vai bem mais a fundo, está em outro patamar. Imperdível.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-833" title="Gran torino" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/10/gran-torino.png?w=201&#038;h=300" alt="Gran torino" width="201" height="300" /></p>
<p>Pensando bem, acho que estes foram os 5 que mais gostei.</p>
<p>Os outros cinco:</p>
<p><a href="http://www.cranik.com/filme_aoutra.html">A Outra</a> (The Other Boleyn Girl, 2008 &#8211; Justin Chadwick): um filme com a Natalie Portman e a Scarlett Johansson não precisa de muito mais…mas ele tem. Uma bela história sobre as irmãs Bolena, envolvendo poder e traição no trono inglês, com  um fundo psicológico bastante forte. Um grande filme.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-834" title="A Outra" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/10/a-outra.png?w=203&#038;h=300" alt="A Outra" width="203" height="300" /></p>
<p><a href="http://cinema.uol.com.br/ultnot/2009/03/12/ult26u27958.jhtm">O Visitante</a> (The Visitor, 2007 &#8211; Thomas McCarthy). O último que vi. Uma história bem atual,  que trata de dois temas. Primeiro, a imigração e a situação dos imigrantes nos EUA pós-11 de setembro; Segundo, da solidão, do propósito da vida e da coragem de tentar mudar as coisas. Um belo filme, bem kafkiano, em que o ator principal, Richard Jenkins, faz a diferença.  Lembrei do texto que escrevi sobre a palestra do <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/03/07/barry-schwartz-na-ted-09-o-resgate-da-moral-e-da-virtude/">Barry Schwartz na TED</a>.</p>
<p><img title="Visitante" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/10/visitante.png?w=207&#038;h=300" alt="Visitante" width="207" height="300" /></p>
<p><a href="http://www.cafenapolitica.com.br/cinema/critica-do-filme-a-partida.html">A Partida</a> (Departures, 2008 &#8211; Yojiro Takita).  Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano, um filme bem pouco convencional, trata de um jovem sem perspectiva, que vai para o interior junto com sua esposa e lá arruma um emprego como maquiador de cadáveres. O emprego é mal visto por todos, mas ele persiste e, com ele, descobre de novo a alegria de viver.</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-835" title="Apartida" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/10/apartida.png?w=205&#038;h=300" alt="Apartida" width="205" height="300" /></p>
<p>Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road, 2009 – Sam Mendes). Já escrevi sobre ele – achei excelente, com super atuações do Leonardo di Caprio e, principalmente, da Kate Winslet.  Veja o que <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/07/06/a-vida-e-o-que-se-faz-dela/">escrevi sobre ele</a>. <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/07/06/a-vida-e-o-que-se-faz-dela/"></a></p>
<p>Coisas que Perdemos pelo Caminho (Things we lost in the fire, 2007 – Susanne Bier) Já escrevi sobre ele, <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/02/18/critica-de-filme-coisas-que-perdemos-pelo-caminho/">aqui</a>. Halle Barry e Benício del Toro em grande forma. <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/02/18/critica-de-filme-coisas-que-perdemos-pelo-caminho/"></a></p>
<p>Frost/Nixon: já resenhei de forma mais completa, <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/08/16/frostnixon-vai-bem-alem-da-politica-e-dos-estados-unidos/">aqui</a>.</p>
<p><strong><span style="text-decoration:underline;">Menções bem honrosas:</span></strong></p>
<p>Sangue Negro</p>
<p>Linha de Passe – meu post sobre ele, <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/07/06/a-vida-e-o-que-se-faz-dela/">aqui</a><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/07/06/a-vida-e-o-que-se-faz-dela/"></a>.</p>
<p>Desejo e Reparação</p>
<p>Obrigado por Fumar &#8211; meu post sobre ele, <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/01/11/critica-de-filme-obrigado-por-fumar/">aqui</a>. <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/01/11/critica-de-filme-obrigado-por-fumar/"></a></p>
<p>O Curioso Caso de Benjamin Button – meu post sobre ele, <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/05/18/filme-o-curioso-caso-de-benjamin-button-reflexoes/">aqui</a>.<a href="http://blog.oquederevier.com/2009/05/18/filme-o-curioso-caso-de-benjamin-button-reflexoes/"></a></p>
<p>Amores Brutos</p>
<p>Na Natureza Selvagem</p>
<p>Ainda não assisti Bastardos Inglórios. Ufa, esse deu trabalho, haja link e figura!!</p>
<p>&nbsp;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/827/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/827/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/827/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=827&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Frost/Nixon vai bem além da política (e dos Estados Unidos)</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/08/16/frostnixon-vai-bem-alem-da-politica-e-dos-estados-unidos/</link>
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		<pubDate>Sun, 16 Aug 2009 20:23:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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		<category><![CDATA[Lula]]></category>
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		<category><![CDATA[Sarney]]></category>

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		<description><![CDATA[Assisti ao filme Frost/Nixon (2008), de Ron Howard, de A Mente Brilhante. O filme retrata a série de entrevistas conduzidas pelo apresentador britânico David Frost (interpretado por Michael Sheen) com o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon (interpretado magistralmente por Frank Langella) e que havia renunciado em função do escândalo Watergate. O filme foi indicado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=731&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assisti ao filme <a href="http://www.frostnixon.net/">Frost/Nixon </a>(2008), de Ron Howard, de A Mente Brilhante. O filme retrata a série de entrevistas conduzidas pelo apresentador britânico David Frost (interpretado por Michael Sheen) com o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon (interpretado magistralmente por Frank Langella) e que havia renunciado em função do escândalo Watergate.</p>
<p>O filme foi indicado a 5 Oscar, incluindo o de melhor filme e melhor ator. Nada mais justo. Muito mais do que um documentário sobre uma entrevista histórica, o filme se desenvolve a partir do embate entre dois personagens complexos e que depositam na entrevista a grande chance de suas vidas. Nixon, ao conceder a entrevista a um apresentador sem qualquer experiência política e de sem muita credibilidade, via a oportunidade de se reerguer e eventualmente retomar sua carreira política. Frost, jovem, confiante e ambicioso, procurava alcançar fama ainda maior do que a que já tinha, que seria obtida caso derrotasse o ex-presidente, isto é, se conseguisse arrancar a confissão sobre Watergate e um pedido de desculpas à nação. A obtenção da verdade, nesse caso, era apenas o meio de atingir sua meta pessoal.</p>
<p>Ambos jogam tudo nessa mistura de luta de boxe e poker jogada em diversas rodadas de 2 horas, que durou na vida real um total de 12 horas. Nixon se mostra um político de primeiro nível, com raciocínio rápido e uma retórica impressionante, mostrando a Frost que o desafio seria muito maior do que este havia imaginado. Por trás desta fachada, porém, vai se percebendo um Nixon solitário, carente e culpado, complexo psicologicamente – e por isso tão interessante.</p>
<p>Já Frost, que sempre aparece com um sorriso de sucesso e confiança no rosto, também esconde seus medos, como fica claro quando Carol (Rebecca Hall) começa a fazer perguntas pessoais e ele imediatamente desconversa e passa a questioná-la. À medida que a série de entrevistas se desenrola, Frost vai percebendo que tanto quanto a chance de alcançar o estrelato, está a possibilidade de afundar sua até então bem sucedida carreira como apresentador. A partir de certo momento, na verdade, ele lutava pela sua sobrevivência mais do que pela conquista que buscava quando propôs o desafio.</p>
<p>Assim se dá a batalha da vida de ambos, muito mais relevante do que a questão histórica ou política, que aliás é muito bem contextualizada nas duas horas de filme. A filmagem muito bem feita e o trabalho eficiente dos atores coadjuvantes, entre eles Kevin Beacon, fazem deste filme realmente um filmaço.</p>
<p>As cenas finais conseguem dar a dimensão psicológica do que foi o embate em que apenas um sairia vencedor. A saída de Nixon após a última entrevista e sua interação com o cachorro no colo de uma mulher são magníficas, bem como o encontro dois após a série de entrevistas.</p>
<p>Ao final, fiquei com a impressão que o vencedor da disputa celebrou bem menos a vitória do que deveria, ou mesmo de que seus assessores fizeram. É como se a disputa tivesse exigido tanto dele, colocando tanto peso no processo, que a partir de certo momento a vitória se constituía em um mero detalhe. Ou que, reconhecendo que tivera um adversário de peso, o respeitasse, como um lutador de boxe que, após vencer seu adversário, o abraça como se fosse um dos seus.</p>
<p>O filme permitiria que muitos outros aspectos fossem analisados, pois há uma riqueza psicológica muito grande. Mas seria influenciar demais quem não viu e pretende vê-lo, de forma que paro por aqui.</p>
<p>Provavelmente pouca gente viu ou vai ver esse filme, por se tratar de uma temática política, de 30 anos atrás e distante de nós. É uma pena. Tanto pelo filme em si, que é um dos melhores que vi recentemente, como pela temática que não está tão distante assim:</p>
<p>No clímax do filme, em que Nixon admite para um Frost perplexo que “quando um presidente faz algo ilegal, passa a não ser ilegal por ser feito justamente pelo presidente”, imediatamente lembrei-me do presidente Lula justificando os atos ilegais do Sarney dizendo que ele não seria um cidadão comum, como se estivesse, portanto, acima da lei. Incrível a semelhança de conceito de ambos em relação a esse item. <em>What a shame.</em></p>
<p>Abaixo, um trailer do filme e um trecho da entrevista real, que vale a pena ver:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/08/16/frostnixon-vai-bem-alem-da-politica-e-dos-estados-unidos/"><img src="http://img.youtube.com/vi/lP_l2IFiQzs/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/08/16/frostnixon-vai-bem-alem-da-politica-e-dos-estados-unidos/"><img src="http://img.youtube.com/vi/jw6LhKCYUCQ/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=731&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>A vida é o que você faz dela</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/07/06/a-vida-e-o-que-se-faz-dela/</link>
		<comments>http://blog.oquederevier.com/2009/07/06/a-vida-e-o-que-se-faz-dela/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2009 01:57:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Foi Apenas um Sonho]]></category>
		<category><![CDATA[Linha de Passe]]></category>

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		<description><![CDATA[Outro dia vi Foi Apenhas um Sonho (Revolutionary Road), do Sam Mendes (de Beleza Americana), com o Leonardo DiCaprio e a Kate Winslet. Um grande filme, com interpretações magistrais do DiCaprio, que já há tempos não é somente um rostinho bonito, e principalmente da Kate Winslet, que está simplesmente soberba. Os dois formam um casal [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=676&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia vi <em>Foi Apenhas um Sonho (<a href="http://www.revolutionaryroadmovie.com/">Revolutionary Road</a>)</em>, do Sam Mendes (de Beleza Americana), com o Leonardo DiCaprio e a Kate Winslet. Um grande filme, com interpretações magistrais do DiCaprio, que já há tempos não é somente um rostinho bonito, e principalmente da Kate Winslet, que está simplesmente soberba.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-677" title="revolutionaryroad" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/07/revolutionaryroad.jpg?w=500&#038;h=82" alt="revolutionaryroad" width="500" height="82" /></p>
<p>Os dois formam um casal que, no início da vida, se acha especial e infalível, com todas as possibilidades do mundo à sua escolha (remeteu-me agora à célebre cena do DiCaprio em Titanic, protagonizado pelos dois: “I am the king of the world!”, lembram-se?).</p>
<p>A necessidade de ganhar a vida e dois filhos pequenos vão colocando os dois na trilha convencional na qual a maior parte das pessoas passa sua existência. Como disse Woody Allen, “a realidade é uma merda, mas é o único lugar onde se pode comer um bom bife”.</p>
<p>April (a personagem de Kate) é uma atriz fracassada enquanto Frank (DiCaprio) trabalha em uma empresa, ganha bem, mas leva uma vida sem sentido, apesar do sucesso material. Percebendo a areia movediça em que estão pouco a pouco afundando, April propõe ao marido largarem tudo e ir para Paris, tentar ganhar a vida de uma forma diferente. Pelo menos tentar fazer alguma coisa diferente.</p>
<p>O casal enfrenta a resistência de todos – não é fácil enfrentar o <em>establishment</em>, especialmente por fazer com que as outras pessoas tenham de trazer à tona suas próprias frustrações pelos seus projetos não realizados e trajetórias equivocadas, sem que tenham a coragem de retomar o leme de suas vidas.</p>
<p>O único que compreende perfeitamente a proposta radical de ruptura decidida pelo casal é um vizinho problemático, recém-saído de uma internação psiquiátrica. Ok, essa parte pode ser meio clichê demais, mas serve ao propósito de mostrar que não é fácil “chutar o balde” das convenções sociais.</p>
<p>Só que a realidade não é tão simples assim&#8230; e não falarei mais sobre a história, que é um verdadeiro tapa na cara que nos acorda para os riscos embutidos nos planos não realizados, nos sonhos abandonados, nos passos não dados, nas oportunidades perdidas, nos perigos de se ficar na zona de conforto, na falta de coragem para mudar o curso das coisas quando está clara a necessidade de mudar, na constatação de que, um dia após o outro, devagar e imperceptivelmente, corremos o risco de ir parar bem longe de onde esperávamos ir, a ponto de não poder mais voltar.</p>
<p>O que, no final das contas, temos a perder? Dinheiro, status, segurança são suficientes para, lá na frente, olharmos para trás e afirmarmos com convicção que “valeu a pena”? Ou o que deveria contar é buscar um sentido para nossa existência, que vai além daquilo que a sociedade reconhece como padrão de sucesso?</p>
<p>O filme mostra que a vida é o que você faz dela. Esse é, aliás, o subtítulo do filme <strong><a href="http://www.paramountpictures.com.br/linhadepasse/">Linha de Passe</a></strong>, do Walter Salles e Daniela Thomas, que assisti ontem. Outro belo filme, mas que se passa no extremo oposto: uma família pobre no centro de São Paulo, uma mulher grávida sem marido e quatro filhos, que busca um futuro diferente mesmo diante da implausibilidade de se alcançar esse futuro (afinal, que alternativa mesmo eles têm para continuar vivendo?). Nesse caso, não há zona de conforto, apenas um desconforto constante, que sufoca e contra o qual se tenta fazer alguma coisa, nem que seja apelar para a religião ou, até, cair na criminalidade. Diante das dificuldades, a única opção é continuar a lutar e fazer o possível para mudar. Pessoas querendo desesperadamente mudar o rumo de suas vidas enquanto é tempo, mas limitadas pela absoluta falta de oportunidade.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-678" title="linhadepasse" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/07/linhadepasse.jpg?w=350&#038;h=511" alt="linhadepasse" width="350" height="511" /></p>
<p>Diante de Linha de Passe, o conflito de Foi Apenas um Sonho se torna ainda mais dramático: nada pode ser pior do que ter a chance de mudar quando se pode mudar e simplesmente desistir.</p>
<p>Trailer de Foi Apenas um Sonho:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/07/06/a-vida-e-o-que-se-faz-dela/"><img src="http://img.youtube.com/vi/gf0VqzuWedU/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Trailer de Linha de Passe: </p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/07/06/a-vida-e-o-que-se-faz-dela/"><img src="http://img.youtube.com/vi/htb3pX-6CVA/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/676/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/676/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/676/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/676/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/676/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/676/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/676/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/676/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/676/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/676/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=676&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Filme: O Curioso Caso de Benjamin Button &#8211; reflexões</title>
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		<pubDate>Mon, 18 May 2009 21:13:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Benjamin Button]]></category>
		<category><![CDATA[carpe diem]]></category>
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		<description><![CDATA[O Curioso Caso de Benjamin Button (de Dave Fincher, com Brad Pitt e Cate Blanchett) é um dos melhores filmes que vi nos últimos anos. Não vou entrar no mérito da produção em si, que é primorosa e passa voando apesar de durar 2 horas e meia, mas sim da história baseada em um conto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=597&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
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<p>O Curioso Caso de Benjamin Button (de Dave Fincher, com Brad Pitt e Cate Blanchett) é um dos melhores filmes que vi nos últimos anos. Não vou entrar no mérito da produção em si, que é primorosa e passa voando apesar de durar 2 horas e meia, mas sim da história baseada em um conto de F. Scott Fitzgerald e o que ela nos faz refletir.No começo do século XX, um bebê nasce com uma estranha anomalia: possui o corpo de um velho de 80 anos que começa a “crescer ao contrário”: à medida que os anos passam, vai rejuvenescendo. Levanta-se da cadeira de rodas, vai ganhando força, trabalha em um navio, vai ficando com as feições de um jovem (à certa altura, vira Brad Pitt), vira adolescente, criança&#8230;</p>
<p>O tema básico do filme é o medo da morte, da qual não se escapa mesmo se, hipoteticamente, fizéssemos o caminho inverso como fez o personagem do filme: começássemos morrendo e fôssemos ficando jovens, até desaparecer novamente. De um jeito ou de outro, ela estará lá, seja como conseqüência natural da exaustão do invólucro, como a concebemos, ou pela hipótese fantástica de se andar contra o relógio. Esses dois caminhos contrários que acabam se encontrando nos fazem refletir que infância e velhice, nascimento e morte estão mais próximos do que se pensa.</p>
<p>No caso do filme, a angústia da situação é ainda maior, tanto pelo fato da implausibilidade biológica e do estranhamento, como pelo fato de se tratar de um processo isolado: enquanto todos no filme seguem seu curso normal, Button vai sozinho em direção à sua morte única, que se funde à sua própria concepção.</p>
<p>A passagem do tempo é inequívoca, cujo resultado final todos sabemos, só nos falta saber quando. Porém, estamos todos no mesmo barco, o que aumenta um pouco nosso conforto. O processo de passagem do tempo é comum a todos: daqui há 10 anos, estaremos todos mais velhos, mas vamos todos desaguar no mesmo mar, percorrendo o mesmo rio, ainda que em momentos diferentes.</p>
<p>A vida ao contrário, tendo como tema a finitude, apresenta uma situação distinta. Alguém rema contra a corrente e cruzará por um instante fugaz com todos os demais. Passando a curva do rio na direção oposta, não há mais volta. A mensagem é clara: aproveite o momento, o hoje, carpe diem. Na vida normal, não sabemos como será o amanhã. Na de Button, sabe-se que ele simplesmente não existirá. A distância entre as pessoas queridas só aumentará. Será que estamos deixando passar os momentos do presente, desdenhando das possibilidades, subestimando os efeitos do relógio, esperando um futuro que talvez não venha ou que, se vier, não será como esperamos?</p>
<p>Por fim, uma outra reflexão pode ser feita, não sob a ótica do rejuvenescimento físico, mas mental. Esse sim, está ao nosso alcance, fruto do acúmulo de experiências, da sabedoria, da percepção de que nada é para sempre, de que os problemas que consideramos problemas são insignificantes perto do que representa aproximar-se irremediavelmente da foz, sem chances de voltar à nascente. “Eu era mais velho naquela época, sou muito mais novo do que isso agora”, cantou Bob Dylan em My Back Pages.</p>
<p>De alguma forma, a hipótese absurda vivida por Benjamin Button, se de um lado nos joga na cara que não há escapatória para o ciclo biológico, restando-nos aproveitar o momento o melhor que cada um puder, de outro pode contribuir para avançarmos um pouco no processo de rejuvenescimento que ocorre dentro de cada um.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/05/18/filme-o-curioso-caso-de-benjamin-button-reflexoes/"><img src="http://img.youtube.com/vi/tFk0T0eQonw/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
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		<title>Filme: Não estou lá (I am not there, 2007), biografia de Bob Dylan</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/04/05/filme-nao-estou-la-i-am-not-there-2007-biografia-de-bob-dylan/</link>
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		<pubDate>Sun, 05 Apr 2009 00:30:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Bob Dylan]]></category>
		<category><![CDATA[J.D. Salinger]]></category>
		<category><![CDATA[Não estou lá]]></category>
		<category><![CDATA[O Apanhador no Campo de Centeio]]></category>

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		<description><![CDATA[Retratar a vida de Bob Dylan não é tarefa fácil. Ele é indefinível, uma metamorfose ambulante, para usar a expressão do Raul Seixas, na falta de uma melhor. Por isso, é o que é: um gênio, inclassificável. Sim, gênio, porque alguém que produziu o que ele vem produzindo há décadas, em quantidade e qualidade, só [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=500&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="left"><img class="alignnone size-full wp-image-501" title="imnotthereposter" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/imnotthereposter.jpg?w=200&#038;h=296" alt="imnotthereposter" width="200" height="296" /></p>
<p align="left">Retratar a vida de Bob Dylan não é tarefa fácil. Ele é indefinível, uma metamorfose ambulante, para usar a expressão do Raul Seixas, na falta de uma melhor. Por isso, é o que é: um gênio, inclassificável. Sim, gênio, porque alguém que produziu o que ele vem produzindo há décadas, em quantidade e qualidade, só pode ser classificado como um gênio (você já percebeu que minha análise não é isenta).</p>
<p align="left">Por tudo isso, o desafio de fazer um filme biográfico de Dylan é considerável. Para dar conta do recado, o diretor Todd Haynes utiliza seis atores diferentes para retratar o artista em suas diferentes fases, cada um com um nome diferente, sendo um deles um garoto negro de 11 anos (Marcus Carl Franklin) e uma mulher (Cate Blanchett, simplesmente fantástica e sem dúvida o melhor Dylan). Integram ainda o elenco de primeira Richard Gere, Heath Ledger, Christian Bale, Ben Whishaw (os demais Dylans) e Julianne Moore, no papel de Joan Baez, ela também com outro nome no filme. A trilha sonora, como não poderia deixar de ser, é puro Dylan, ainda que vários clássicos não tenham sido incluídos, até porque o filme precisaria ter umas 4 horas para uma boa amostra de sua obra.</p>
<p align="left">O filme não tenta explicar ou caricaturar Bob Dylan &#8211; apenas traz, de forma interposta, às vezes meio caótica (no bom sentido), os vários Dylans: poeta, músico de protesto, pai de família, meio marginal, iconoclasta, religioso, recluso. Há alucinações, sonhos e uma morte simbólica do músico, logo no começo. Mostra, também, como a imprensa, o público e a sociedade tentam, de forma infrutífera, rotulá-lo. Bob não está nem aí para os rótulos: tem sido capaz de se reinventar, abandonando o que deu certo em troca de fazer o que acha certo, o que acha melhor para si naquele momento.</p>
<div id="attachment_502" class="wp-caption alignnone" style="width: 342px"><img class="size-full wp-image-502" title="bobdylan" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/bobdylan.jpg?w=332&#038;h=425" alt="Dylan, no início" width="332" height="425" /><p class="wp-caption-text">Dylan, no início</p></div>
<p align="left">Contraditório, subversivo, melancólico, distante, politicamente incorreto (quando não existia o termo), cético, irônico, por isso às vezes arrogante, Bob Dylan é, acima de tudo, independente. Não deve satisfação a ninguém, algo raro para quem tem fama e está sempre nos holofotes, viciando-se no sucesso. Aliás, Bob Dylan parece renegar o sucesso &#8211; parece não se importar com a aceitação de sua obra pelo público ou pela crítica. O filme retrata alguns episódios em que seus fãs o vaiaram em shows por mudar seu estilo, e ele demonstra não se importar, como se dissesse que é maior do que tudo isso ou, ao menos, não faz parte de tudo isso. Essa postura não convencional, que talvez irrite e sempre surpreenda, é sem dúvida combustível adicional para o seu sucesso.</p>
<p align="left">Aqui, um parêntesis. No ano passado, fui ao show dele no Via Funchal. A expectativa era enorme e a platéia, composta por fãs que pagaram várias centenas de reais pelo privilégio, esperava &#8220;o velho Dylan&#8221; (de novo, os rótulos). Com um som pesado (embora de qualidade, com uma banda fenomenal), praticamente sem interação, cantando quase de costas para o público, ele desfigurou diversas músicas a ponto de várias delas se tornarem irreconhecíveis. Não sei se é uma provocação, ou se ele é assim mesmo: faz parte do seu show.</p>
<p align="left">Fico pensando se há alguma relação entre essa independência e a qualidade da obra, o quanto ela consegue tocar as pessoas justamente por buscar lá dentro, sem interferências externas e outras preocupações, a sua inspiração. Apesar da enorme exposição, Dylan não sucumbe e consegue ser sempre ele mesmo, seja lá o que isso signifique (nem ele sabe e não faz questão de saber).</p>
<p align="left">Lembro-me agora de outra figura parecida, e que também exerce fascínio e influência, apesar de viver recluso há 40 anos. Trata-se de J.D. Salinger, que escreveu em 1951 &#8220;O Apanhador no Campo de Centeio&#8221;, o livro mais vendido no mundo depois da Bíblia e que, ainda hoje, vende 250.000 exemplares por ano. Dizendo que escreve para si mesmo e para o seu prazer, Salinger é outro que renegou o sucesso, de forma muito mais radical do que Dylan, claro: hoje, aos 90 anos, vive isolado, não concede entrevistas e não se deixa fotografar. E não publica nada há décadas.</p>
<div id="attachment_503" class="wp-caption alignnone" style="width: 207px"><img class="size-full wp-image-503" title="salinger2" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/salinger2.jpg?w=197&#038;h=262" alt="J.D. Salinger" width="197" height="262" /><p class="wp-caption-text">J.D. Salinger</p></div>
<p align="left">Talvez Dylan e Salinger sejam dois melancólicos, incrédulos. O melancólico é incurável, porque sabe a verdade sobre si mesmo (Freud?). É possível que nesse conhecimento da verdade esteja o real motivo para o sucesso de ambos: eles sabem como ninguém colocar o dedo na ferida que, até por instinto de sobrevivência, tendemos a evitar.</p>
<p align="left">Recomendo o filme, mesmo se você não for fã de Dylan.</p>
<div id="attachment_504" class="wp-caption alignnone" style="width: 199px"><img class="size-medium wp-image-504" title="catcher" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/catcher.jpg?w=189&#038;h=300" alt="O Apanhador no Campo de Centeio" width="189" height="300" /><p class="wp-caption-text">O Apanhador no Campo de Centeio</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/500/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/500/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/500/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/500/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/500/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/500/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/500/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/500/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/500/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/500/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=500&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Crítica de filme: Coisas que Perdemos pelo Caminho</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Feb 2009 01:24:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Benicio Del Toro]]></category>
		<category><![CDATA[Halle Barry]]></category>
		<category><![CDATA[Susanne Bier]]></category>

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		<description><![CDATA[Um dos filmes que gostei em 2008 foi Coisas que Perdemos pelo Caminho (Things we Lost in the Fire), da diretora dinamarquesa Susanne Bier e protagonizado por Benicio Del Toro e Halle Barry. Andei lendo umas críticas em alguns blogs e vi que a avaliação dos especialistas não é tão favorável assim. Como não sou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=370&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-369" title="coisas-que-perdemos" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/02/coisas-que-perdemos.jpg?w=200&#038;h=303" alt="coisas-que-perdemos" width="200" height="303" /></p>
<p>Um dos filmes que gostei em 2008 foi Coisas que Perdemos pelo Caminho (<em>Things we Lost in the Fire</em>), da diretora dinamarquesa Susanne Bier e protagonizado por Benicio Del Toro e Halle Barry.</p>
<p>Andei lendo umas críticas em alguns blogs e vi que a avaliação dos especialistas não é tão favorável assim. Como não sou especialista, minha opinião talvez valha alguma coisa para você, que não é cinéfilo assim como eu também não sou. Filme também é momento; se você assistir o filme certo, no dia certo, o impacto vai ser diferente.</p>
<p>Talvez tenha sido o caso deste filme cuidadoso e sensível, que fala sobre perdas inesperadas e irreparáveis. Audrey (Halle Barry) é casada com Brian (David Duchovny), tem dois filhos e vive uma vida feliz de classe média alta nos Estados Unidos. Brian sai de noite para comprar sorvete para os filhos e, em um estacionamento, presencia uma briga feia de um casal. Na tentativa de apartar, leva um tiro do marido enfurecido e morre. Uma morte besta, inesperada, igual às que vemos nos jornais quase toda semana. Por isso, a proximidade da situação com a vida real, o que faz com que o filme tenha o poder de tocar quem o assiste.</p>
<p>Jerry (Benicio Del Toro) é um amigo de infância de Brian, renegado por Audrey, inteligente e problemático, envolvido com drogas e tendo uma vida que simplesmente não deu certo. Brian era sua única referência positiva, sua esperança de ser alguma coisa melhor e, com a morte do amigo, o mundo o afunda ainda mais. Paradoxalmente, vê nessa perda a chance de se recuperar. Na verdade, não tem alternativa.</p>
<p>Susanne Bier lida com a perda de uma forma crua, direta, sem rodeios. A reconstrução da vida de ambos é tratada com sensibilidade e realismo. No caso de Audrey e sua família, é preciso recomeçar, com toda a impossibilidade que uma morte dessas aparentemente traz. Para Jerry, em uma interpretação magnífica de Benicio Del Toro, é a chance &#8211; talvez a última &#8211; de efetivamente começar.</p>
<p>A interação entre os dois, que se apóiam tortuosamente, movidos pelas circunstâncias, é o mote do filme. O ponto alto é quando Barry lembra de um incêndio na garagem, em que ela listou as coisas que o casal perdeu (Things we lost in the fire), percebendo agora que tudo aquilo era irrelevante perto da perda  bruta e definitiva do marido. No final das contas, é um processo de amadurecimento dela e de Jerry. O filme mostra que, apesar das perdas, por mais irreparáveis que sejam, é possível se reconstruir, não talvez de uma forma melhor, mas diferente e, nesse processo, voltar a viver e, quem sabe, ser feliz.</p>
<p>As tomadas são poéticas, com muitos closes, as interpretações dos atores principais são muito convincentes. É um belo filme, um drama não tão denso e profundo (não é um &#8220;A Liberdade é Azul&#8221;), mas na medida certa. Eu gostei e recomendo.  Apesar dos críticos não terem achado tudo isso.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/370/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/370/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/370/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/370/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/370/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/370/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/370/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/370/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/370/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/370/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=370&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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