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	<title>O que der e vier &#187; Comunicação</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; Comunicação</title>
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		<title>Como Shackleton contratava</title>
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		<pubDate>Sat, 08 May 2010 23:50:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O irlandês Ernest Shackleton é considerado um dos maiores líderes que já existiu, apesar de não ter conseguido conquistar quase nenhum dos objetivos a que se propôs. A sua fama mundial ocorreu após a malsucedida viagem do barco Endurance a Antártida, quando ele e sua tripulação sobreviveram durante dois anos, de 1914 a 1916, nos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=1004&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O irlandês <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ernest_Shackleton">Ernest Shackleton</a> é considerado um dos maiores líderes que já existiu, apesar de não ter conseguido conquistar quase nenhum dos objetivos a que se propôs. A sua fama mundial ocorreu após a malsucedida viagem do barco <em>Endurance</em> a Antártida, quando ele e sua tripulação sobreviveram durante dois anos, de 1914 a 1916, nos confins gelados do pólo sul, quando o navio foi esmagado pelo gelo e naufragou.</p>
<p>O incrível é que todos os membros da tripulação sobreviveram, não só em boas condições físicas, mas também emocionais. Longe de casa, sob um frio intenso e a 2 mil quilômetros da civilização, a chance do grupo esmorecer ou se dividir eram significativas – quase uma certeza diante de tanto stress e desafio.</p>
<p>Mas havia Shackleton. Para ele, o cuidado com o bem-estar da equipe era essencial, exigindo em troca a lealdade e o trabalho. Essas informações estão no livro <em>S<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=705974&amp;sid=8739129841258738995369032&amp;k5=B4D0FEB&amp;uid=">hackleton – Uma lição de coragem</a>, </em> que disseca o estilo de liderança do explorador e que estou lendo. O livro clássico sobre a expedição do Endurance é  <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=771891&amp;sid=8739129841258738995369032&amp;k5=3258B6C9&amp;uid=">A incrível viagem de Shackleton</a></em>, de Alfred Lansing. Um detalhe interessante é que a expedição, cujo objetivo era cruzar o continente antártico, já que o pólo já havia sido atingido por Amundsen, contava com o fotógrafo Frank Hurley, que documentou de forma brilhante a viagem que tinha tudo para ser trágica. O registro fotográfico dá alma e materializa as impressões que são passadas pelos livros. <a href="http://www.shackleton-endurance.com/images.html">Neste site</a>, há um belo registro das fotos da expedição.</p>
<div id="attachment_1006" class="wp-caption alignnone" style="width: 316px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-13.png"><img class="size-full wp-image-1006" title="Captura de tela 2010-05-08 às 20.26.13" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-13.png?w=306&#038;h=413" alt="" width="306" height="413" /></a><p class="wp-caption-text">Shackleton</p></div>
<p>Entre os aspectos que explicam o sucesso diante de tanta adversidade está o processo de contratação de Shackleton, que era, no mínimo, pouco convencional, embora criterioso: Shackleton dava uma importância enorme para ter pessoas excepcionais em sua equipe, mesclando experiência com juventude, mas sempre tendo o caráter como qualidade eliminatória.</p>
<p>Para a expedição do <em>Endurance</em>,  ele recebeu nada menos do que 5.000 pedidos de interessados, para selecionar cerca de 30 pessoas. A pré-seleção foi feita por Frank Wild, que já havia estado com ele na expedição do Nimrod, que quase havia chegado ao pólo. Wild separou inicialmente os candidatos em “loucos”, “fora de questão” e “possíveis”. Shackleton então analisava a pilha dos possíveis e entrevistava os que achava que tinham potencial. Como ele organizava sua equipe?</p>
<ul>
<li><span style="text-decoration:underline;">Formava um núcleo de profissionais experientes</span>: eram confiáveis, faziam o trabalho pesado quando a coisa apertava e criavam uma atmosfera profissional. Shackleton buscou quem ele conhecia, além de recomendações de outros exploradores. Procurava pessoas que exerceriam uma influência benéfica sobre os mais jovens, especialmente nos momento críticos. Um dos homens nessa posição era Tom Crean, que fizera parte da expedição de Scott, salvando a vida de um tenente. Crean tivera uma carreira irregular na Marinha, com rebaixamentos por embriaguês e comportamento inadequado. Com Scott, era apenas marinheiro, mas Shackleton colocou-o como segundo oficial de náutica.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Tinha um substituto confiável e leal, que partilhava de suas noções de liderança</span>.  Frank Wild era esse homem. Para Shackleton, Wild tinha tudo que precisava em um número 2: lealdade, bom humor, honradez, força e experiência. Um dos marinheiros disse sobre Wild: “é nosso segundo homem e de longe o mais popular (com exceção de nosso chefe) entre nós”.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Buscava pessoas que compartilhavam de sua visão e entusiasmo pela exploração.</span> Nesse sentido, ele queria para o <em>Endurance</em> um comandante meio fanfarrão. Frank Worsley foi o selecionado – era ousado e excêntrico, meio doido até. Mas gostava de uma boa piada e de conversa, o que era importante para atravessar situações difíceis.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Fazia entrevistas pouco convencionais para identificar o que queria</span>. Shackleton procurava, acima de tudo, avaliar personalidades. Mantinha conversas descontraídas, em que buscava detectar entusiasmo, otimismo e capacidade de fazer parte de uma equipe. Para um dos candidatos, Raymond Priestley, ele perguntou se sabia cantar e se saberia reconhecer ouro caso o visse. O candidato, surpreso, disse que não, mas foi contratado mesmo assim, apesar de terem diversas pessoas com qualificações maiores do que a dele.  Shackleton viu nele algo que gostava e, de fato, Priestley se revelou um dos membros mais valiosos do grupo.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Buscava pessoas otimistas, que tinham maior propensão para o trabalho em equipe</span>. Um dos seus objetivos era encontrar pessoas felizes. Durante a entrevista de Hussey, ele ficou andando de um lado para o outro, parecendo não prestar muita atenção. Depois, disse: “Você serve”.  Hussey disse que o Chefe (como era conhecido) havia dito depois que o contratara porque ele parecia engraçado…De fato, mostrou-se incrivelmente engraçado, tocava banjo e foi importantíssimo para manter o moral elevado durante os piores momentos (além de ter talento, pois vinha de uma expedição ao Sudão).</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Contratava pessoas que realmente queriam o emprego</span>. Alguns candidatos haviam recebido um telegrama na tarde anterior, pedindo para encontrar-se com Shackleton na manhã seguinte. Dois deles não foram e, de repente, o terceiro apareceu todo molhado, dizendo que estava em outra cidade, tomara vários trens e ali estava. Foi contratado na hora.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Buscava gente que trabalhava duro, independentemente da hierarquia</span>. Não havia passageiros no <em>Endurance</em>, todo mundo mais ou menos dividia as tarefas. Médicos ajudavam na cozinha, todo mundo era de utilidade pública. Não havia espaço para prima donnas. Quando podia, testava as pessoas em trabalhos árduos antes de contratar.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Contratava quem tinha conhecimentos que lhe faltavam</span>, como cientistas altamente qualificados. No Endurance, tinha um grande fotógrafo (Hurley), um biólogo experiente, um físico de Cambridge, etc.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Certificava-se de que todos sabiam o que deles era esperado</span> e, para isso, era muito claro na comunicação, inclusive escrita. Nunca iludia ninguém com falsas promessas, especificava as tarefas, o pagamento, etc.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Equipava a equipe com o que tinha de melhor em relação a equipamentos</span>. Sabia que um equipamento ruim poderia colocar a vida das pessoas em risco. Para ele, instrumentos ordinários desperdiçavam tempo e dinheiro. Tudo no <em>Endurance</em> era do que tinha de melhor na época.</li>
</ul>
<p>Gostei bastante dessas dicas, especialmente em relação às características que valorizava nas pessoas: visão compartilhada, otimismo e entusiasmo, vontade de trabalhar, facilidade de trabalhar em equipe e conhecimento.</p>
<div id="attachment_1005" class="wp-caption alignnone" style="width: 364px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-42.png"><img class="size-full wp-image-1005" title="Captura de tela 2010-05-08 às 20.26.42" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-42.png?w=354&#038;h=474" alt="" width="354" height="474" /></a><p class="wp-caption-text">O Endurance aprisionado no gelo</p></div>
<div id="attachment_1007" class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-30-14.png"><img class="size-full wp-image-1007" title="Captura de tela 2010-05-08 às 20.30.14" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-30-14.png?w=400&#038;h=268" alt="" width="400" height="268" /></a><p class="wp-caption-text">Essa foto foi tirada por Frans Lanting, no exato local em que o grupo de 6 pessoas liderado por Shackleton saiu em busca de ajuda em um pequeno bote. No primeiro plano, a foto desse momento, tirada por Hurley.</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=1004&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um mundo de conexões…será mesmo?</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2010/03/09/um-mundo-de-conexoes%e2%80%a6sera-mesmo/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 15:08:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A revista The Economist publicou, ao final de janeiro, um especial a respeito da transformação que as redes sociais vêm exercendo na vida das pessoas e nos negócios. “A World of Connections”, era o título do especial, muito bem escrito, como sempre se espera da Economist. De fato, as conexões digitais marcam de forma cada [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=972&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A revista The Economist publicou, ao final de janeiro, um especial a respeito da transformação que as redes sociais vêm exercendo na vida das pessoas e nos negócios. “<a href="http://www.economist.com/specialreports/displaystory.cfm?story_id=9032088">A World of Connections</a>”, era o título do especial, muito bem escrito, como sempre se espera da Economist.</p>
<p>De fato, as conexões digitais marcam de forma cada vez mais intensa nosso modo de viver e de fazer negócios. Facebook, Twitter, Orkut, LinkedIn, Flickr…até o hoje já velho email! São as ferramentas que moldam nossas relações, nossas conexões. São elas que nos permitem nos conectarmos a pessoas próximas e a pessoas não tão próximas assim, muitas das quais não vemos há tantos anos que teríamos dificuldade de reconhecê-las na rua.</p>
<p>Somos parte, portanto, de uma grande engrenagem de conexões que nos coloca em contato com o mundo, criando uma sensação de proximidade e de pertencimento 24 horas por dia, 7 dias por semana.</p>
<p>Mas há preços a se pagar. Estar <em>full time</em> conectado a centenas de pessoas gera uma demanda de compromissos sociais (virtuais) que, obviamente, não têm condições de ser cumprida se não à custa da qualidade da interação.  Sempre tem alguém fazendo aniversário, escrevendo um post, publicando uma foto, etc., e faz parte do jogo interagir com esse conteúdo produzido pelos amigos. A solução, ainda que insconcientemente, é a brevidade,  a rapidez e, claro, a superficialidade.</p>
<p>Aliado a essa demanda virtual que desemboca em pessoas de carne e osso, cujo dia continua tendo 24 horas, há esse mundo frenético de hoje, em que a multiplicidade de compromissos e tarefas faz com que estejamos sempre correndo atrás, numa ansiedade crescente sem solução aparente, uma vez que a velocidade da informação só se faz aumentar. É um email atrás do outro, uma demanda atrás da outra, de forma tão efêmera que tudo parece igual em importância: são, no final, demandas que precisam ser “ticadas”, sejam elas quais forem, pessoais ou profissionais (e viva os gurus e manuais da gestão do tempo, o melhor negócio do mundo: demanda crescente e sem solução; sempre haverá mercado…).</p>
<p>E o irônico disso tudo é que, salvo poucas exceções, não estamos criando um legado que justifique essa dedicação desmedida ao resultado. Ou estamos? Esse crime parece não compensar…</p>
<p>Temos, enfim, um mundo que, de um lado, nos leva ao distanciamento entre as pessoas, ao cada um por si (cuide do seu que eu cuido do meu e assim a coisa supostamente anda) e, de outro, uma ferramenta que permite aparentemente compensar esse distanciamento crescente imposto aos poucos, por nós mesmos, sem percebermos. O casamento da fome com a vontade de comer!</p>
<p>Jeffrey Cole, um dos maiores especialistas da internet, disse que  algo que ninguém previu foi a explosão das redes sociais, essa necessidade global de se comunicar com seus pares e de gerar “conteúdo”. Pois me parece claro que o sucesso das redes sociais está muito ligado ao individualismo das últimas décadas: é, na verdade, a resposta possível da espécie a ele. Somos, biologicamente, uma espécie gregária, que assim sobreviveu e evoluiu. Temos necessidade do contato. As redes sociais são a versão moderna do bando, do coletivo, necessário à sobrevivência.</p>
<p>Mas não há almoço grátis: a quantidade desse contato superficial não substitui  a qualidade do contato à moda antiga, certamente presente em menor número, mas em intensidade muito maior. Edu Lobo, no filme sobre a vida do Vinicius (coincidentemente, menciono novamente o filme, mas é realmente emblemático para alguns dos argumentos aqui colocados), disse que Vinicius era do tipo que “ligava para saber como as pessoas estavam”. Você imaginou hoje alguém ligando para o outro para saber como a pessoa está, sem algum motivo especial? Qual foi a última vez que alguém lhe ligou para perguntar como você estava, assim, do nada? E qual foi a última vez que você ligou para alguém com esse propósito? No mundo de hoje, esse comportamento é altamente improvável, exceto talvez para alguém que tenha muito tempo livre ou que não faça parte desse mundo.  O que temos, na verdade, é o oposto: gasta-se 30 segundos ou menos para dar parabéns por email, por exemplo, ou via Facebook, e estamos resolvidos (isso quando lembramos do aniversário); cumprimos nossas obrigações para com nossos amigos, ou para com nossa rede de contatos, para usar o termo mais correto hoje (não que eu seja diferente, que fique claro…).</p>
<p>A profusão de contatos superficiais e efêmeros na verdade disfarça, sem pesar a consciência de ninguém, o enorme fosso que vai se formando na vida afetiva das pessoas: o acúmulo de não-contato  E, quanto maior esse fosso, mais as pessoas tentam compensar mergulhando nas redes coletivas, tarefa em muito facilitada pelos celulares, que nos colocam em “contato” com o mundo o tempo todo. São, enfim, milhões e milhões de pessoas solitárias mas solidárias nessa solidão, tentando criar sentido ao enviar mensagens de 140 caracteres e textos curtos recheados de pontos de exclamação e ícones de sorrisos, etc., substitutos meio tortos da interação cara a cara, olho no olho. Ou, vá lá, via telefone, uma forma de contato que hoje em alguns casos já passa a ser luxo.</p>
<p>Claro que tem o lado positivo disso tudo. As redes sociais e a comunicação digital como um todo permitem que se acompanhe a vida de muitas pessoas próximas, de uma forma que seria impossível por outras vias. Ainda que de forma superficial, você pode dar um “oi” para quem não é tão próximo. É possível conhecer pessoas legais, que passam a fazer parte de sua rede de amigos. E, claro, tem gente (muita) que acaba casando com alguém que conheceu online. Porém, a crítica que faço é que essa vantagem está, conscientemente ou não, sendo ampliada para muito além de seu uso saudável. Está se constituindo no substituto das interações que moldaram as relações humanas. E isso não me parece bom.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=972&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Você é tímido e quer ser palestrante? Dicas</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2010/01/20/voce-e-timido-e-quer-ser-palestrante-dicas/</link>
		<comments>http://blog.oquederevier.com/2010/01/20/voce-e-timido-e-quer-ser-palestrante-dicas/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 21:42:52 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Não sou daqueles palestrantes que têm o dom da comunicação. Pelo contrário: minha timidez praticamente me impedia de falar ao público. Há uns 8-9 anos (ou seja, eu já era bem crescido), tive que pedir emprestado um lenço ao participar de um programa de TV ao vivo, de tanto que suava. Eu simplesmente travava. Porém, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=922&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sou daqueles palestrantes que têm o dom da comunicação. Pelo contrário: minha timidez praticamente me impedia de falar ao público. Há uns 8-9 anos (ou seja, eu já era bem crescido), tive que pedir emprestado um lenço ao participar de um programa de TV ao vivo, de tanto que suava. Eu simplesmente travava.</p>
<p>Porém, com o tempo, pela necessidade ou desafio, não sei, fui controlando o processo, a ponto de hoje ser bem razoável. Dou entre 20 e 30 palestras por ano, sendo que nem é meu interesse aumentar essa quantidade, já que tenho outras atribuições na empresa. Dessas palestras, 3 foram no exterior, em outra língua.</p>
<p>Outro dia estava pensando o que havia mudado para que passasse de um desastre total para alguém que dá conta do recado e, nessas divagações, pensei que talvez pudesse dar umas dicas que funcionaram para mim – e que talvez funcionem para pessoas como eu – que não são comunicadores natos. Vamos lá então:</p>
<ol>
<li><span style="text-decoration:underline;">Domine o assunto</span>: não aceite falar sobre aquilo que você não sabe. Ou você fará feio, ou acabará por ignorar o tema e falar sobre o que sabe (o que implica em fazer feio de qualquer forma).  Dentro do seu tema, evite incluir itens sobre os quais você não tem muito conhecimento. Conhecendo o tema, a auto-confiança melhora e a chance da palestra ser boa é bem maior.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Conheça a seqüência de slides</span>: se você estiver usando Powerpoint, precisa conhecer bem a seqüência de slides de forma a criar uma transição lógica entre eles, um encadeamento que seja compreensível para a plateia. Não economize tempo se preparando. Dentro disso, nunca inclua slides com tópicos feitos por terceiros, porque cada um tem seu estilo de raciocinar. É comum, no meio da palestra, você parar para pensar: “mas o que mesmo ele queria dizer com isso? Não pode.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Ache seu estilo</span>: se você não é daqueles que fazem piadas e todo mundo ri, não tente fazer piadas. Você provavelmente se sairá melhor dentro do seu estilo do que tentando imitar um suposto padrão que simplesmente não é o seu jeito.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Não corra</span>: é fundamental saber a duração da apresentação e se nesse tempo eventuais perguntas já estarão incluídas. Como você sabe a duração da palestra e conhece seu ritmo, não coloque slides a mais do que conseguirá abordar. A pior coisa é ter que correr ou ficar pulando slides sem mostrar por falta de tempo. Demonstra amadorismo, despreparo. Se você não conhece seu ritmo ou o tempo que cada quadro irá gastar, simule antes.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Use slides sem excesso de informação</span>: slide não é livro; o ideal é ter apenas tópicos e o restante, você fala. Se você tiver que ler todos os slides, não precisa da palestra, é só enviar o PDF. Palestra boa é aquela que só com o PDF a pessoa não entende muita coisa. Isso vale para gráficos e tabelas: não inclua dados que não serão discutidos na hora.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Conheça a platéia</span>: cada público tem conhecimento e interesse distintos. Não use o mesmo conteúdo e a mesma forma independentemente  da platéia.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Evite ao máximo mudanças de última hora</span>: certa vez, minutos antes de entrar para dar uma palestra de 1 hora, me foi avisado que eu teria apenas 30 minutos por causa de atrasos na programação. Se você tem alta capacidade de improvisação, pode até achar razoável a mudança. No meu caso, ou é o tempo previsto (e cabe a você também respeitar esse tempo), ou nada feito (um ou outro ajuste claro que cabe, mas metade do tempo, não dá).</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Conheça o evento, os parceiros, as empresas</span>: são muito comuns gafes do tipo falar mal de um patrocinador do evento, ou até do cliente (sim, isso existe!), sem perceber na hora. Ok, se você quiser falar mal, vá em frente, mas se não é sua intenção se indispor, vale a pena dar uma pesquisada. Às vezes você consegue passar o recado de uma outra forma e evita saias-justas.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Tenha seu material atualizado:</span> se você fala de temas dinâmicos (como tendências de mercado), não dá para utilizar dados defasados. Quando alguém coloca um gráfico cujo último dado, digamos, é de 2006, causa uma tremenda má impressão. Dependendo da situação, 2 meses ou até 1 semana já se considera defasado.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Cuidados com formatação e ortografia:</span> evite ao máximo erros de português, cores que não permitem boa leitura, fonte muito pequena, etc. A apresentação não é só conteúdo; forma importa bastante e pode jogar por terra um bom conteúdo.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Tente se ver do outro lado</span>: hoje, eu procuro, à medida que falo, imaginar como a palestra está indo. É comum as pessoas falarem como se não houvesse ninguém na sala. É preciso criar a conexão, olhando as expressões, vendo se tem gente dormindo, percebendo se o nível de impaciência aumentou. Acho que hoje, de certa forma, consigo imaginar se as coisas estão indo bem ou não. Nem sempre você acerta, nem sempre cria uma química com a plateia. Mas cabe a você tentar sentir isso em tempo real para procurar corrigir.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Esteja descansado</span>: nem sempre isso é possível, mas muitas vezes é o cansaço pode ser minimizado. Hoje, eu não faço mais coisas do tipo chegar as 3 da manhã no aeroporto, ou dirigir 6 horas até chegar ao local da palestra. Chego de véspera, com calma. Com meu notebook, telefone e internet, tanto faz onde estou. E também não fico em qualquer lugar, porque preciso estar descansado e com alto astral para dar uma boa palestra (sem falar na questão da auto-valorização: como você vai cobrar um valor decente caso se sujeite a qualquer coisa?).</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Mantenha exigência elevada em relação ao material que preparou e ao formato da apresentação</span>. Se você for exigente e gostar do que apresenta, provavelmente o cliente e ouvintes também gostarão. Seja crítico quando as coisas não forem tão bem, mas não desanime. Comemore quando seu desempenho for bom e receber elogios. Seja melhor da próxima vez.</li>
</ol>
<p>Estas são as minhas sugestões. Talvez algumas delas funcionem para você. Você tem alguma dica que não está incluída nessa lista?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=922&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Propaganda da Vivo: eficiência, inteligência e emoção</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2010/01/19/propaganda-da-vivo-eficiencia-inteligencia-e-emocao/</link>
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		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 20:07:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Africa]]></category>
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		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[Grupo ABC]]></category>
		<category><![CDATA[propaganda]]></category>
		<category><![CDATA[separação]]></category>
		<category><![CDATA[Vivo]]></category>

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		<description><![CDATA[Seguindo a dica do Luiz Marinho, vi o novo filme da Vivo, criado pela agência Africa, do Grupo ABC. Em meio a tanta propaganda nivelada por baixo, que afronta nossa inteligência, o bom senso e não raro até a ética, esse filme vai na direção oposta: é inteligente, tem bom gosto e passa a mensagem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=919&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seguindo a dica do <a href="http://marinhonoblog.blogspot.com">Luiz Marinho</a>, vi o novo filme da Vivo, criado pela agência Africa, do Grupo ABC. Em meio a tanta propaganda nivelada por baixo, que afronta nossa inteligência, o bom senso e não raro até a ética, esse filme vai na direção oposta: é inteligente, tem bom gosto e passa a mensagem que a empresa quer passar, utilizando um tema complicado mas cada vez mais presente na vida das pessoas (e que, por mais incrível que possa ser, é ainda um tabu).</p>
<p>Belo filme, impactante. Ainda mais para quem, como eu, viveu e vive essa situação de uma forma muito semelhante.</p>
<p>Parabéns a Vivo e a Africa. É a melhor propaganda que vi nos últimos anos.</p>
<p>O filme:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2010/01/19/propaganda-da-vivo-eficiencia-inteligencia-e-emocao/"><img src="http://img.youtube.com/vi/99CdKh-T3gg/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=919&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Os famosos e o Twitter</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2010/01/06/os-famosos-e-o-twitter/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 21:38:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[celebridade]]></category>
		<category><![CDATA[fama]]></category>
		<category><![CDATA[Twitter]]></category>

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		<description><![CDATA[Acredito que uma das razões que explica o sucesso do Twitter é a possibilidade de seguir pessoas famosas que normalmente não estão ao alcance dos cidadãos comuns. De repente, esse cidadão pode acompanhar em tempo real o dia-dia e as opiniões de celebridades normalmente inacessíveis, como políticos, esportistas, artistas, modelos, apresentadores de TV, etc.  O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=902&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito que uma das razões que explica o sucesso do Twitter é a possibilidade de seguir pessoas famosas que normalmente não estão ao alcance dos cidadãos comuns. De repente, esse cidadão pode acompanhar em tempo real o dia-dia e as opiniões de celebridades normalmente inacessíveis, como políticos, esportistas, artistas, modelos, apresentadores de TV, etc.  O que realmente pensam? O que estão fazendo nesse exato momento em que você, por exemplo, está no trânsito esperando para chegar em casa? Essa sincronicidade de tempo gera proximidade, intimidade, de ambas as partes.</p>
<p>O interessante é analisar por qual razão as celebridades (não todas, claro) aderiram ao Twitter e o usam com intensidade. Há, evidentemente, a auto-propaganda; ser uma celebridade via de regra significa também saber ocupar os espaços, estar na mídia, e o Twittter é uma nova mídia, cujo potencial veio à tona na campanha do Obama à presidência dos EUA (obs: o Obama assumiu que não era ele quem tuitava).</p>
<p>Há, também, o ego. Celebridade que se preze tem um ego colossal (caso contrário não conseguiria lidar com a pressão e com a vigilância que a fama traz) e nada melhor para alimentar esse ego do que estar diretamente em contato com milhares, centenas de milhares de fãs. O número de seguidores diz muito sobre a influência de cada um. Como bem colocou meu sócio <a href="http://blog.miguelcavalcanti.com/">Miguel Cavalcanti</a>, se o número de seguidores não aparecesse, a atratividade da ferramenta cairia muito.</p>
<p>E tem mais: quem falar mal…pode ser sumariamente bloqueado, eliminando-se o problema. Assim, fica ao alcance de cada um evitar a crítica direta e selecionar só os elogios.</p>
<p>Mas acredito que existam outras razões menos óbvias e que não estão sendo comentadas. Eu pelo menos, não vi nada a respeito, embora não seja exatamente um ávido devorador de informações online. Acho que, pelo Twitter, o “famoso” pode mostrar seu lado “gente comum”, de uma maneira direta e sem intermediários. Pelo Twitter, não é mais aquele personagem que é retratado nas revistas, jornais e TV; não é necessariamente o famoso em seu horário de trabalho e, portanto, sujeito às restrições que o cargo lhe impõe.</p>
<p>Pelo Twitter, um pouco do ser humano real aparece. Afinal, toda celebridade acaba sendo muito mais o que se espera que ela seja do que o que ela é realmente. E o Twitter acerta um pouco essa conta. Esses famosos, justamente por não poderem ser eles mesmos em seu dia-a-dia dada a responsabilidade que têm, a imagem a zelar (o impacto de um escândalo como o que envolveu Tiger Woods certamente seria menor em alguém menos exposto), acabaram encontrando no Twitter uma maneira de mostrar quem realmente são – e o melhor, restrito a 140 caracteres, isto é, a exposição não é tão grande assim e o risco de escorregar, bem menor, embora existente (claro).</p>
<p>É possível que os famosos tenham essas necessidade até mais do que o cidadão comum, que não carrega um peso tão grande e que cujos erros tendem a ter impactos bem menos devastadores ou irreversíveis. Não sou uma celebridade, mas imagino que aquela sensação de ser famoso e ao mesmo tempo só, isolado, diminui via Twitter.</p>
<p>Também, via Twitter os famosos não correm o risco de ter uma frase retirada de contexto e ser amplificada de forma a prejudicá-lo, intencionalmente ou não. Não há a edição de um jornalista, por exemplo. É lógico que há o outro lado: falou besteira, não tem a quem culpar. Mas ainda assim pode ser mais confortável correr esse risco do que ter surpresas com interpretações equivocadas de terceiros, incompetência ou maldade mesmo. Em uma extensão  desse raciocínio, vale lembrar que o Twitter ainda não foi totalmente descoberto pela mídia. Ainda não são tão frequentes as matérias nas mídias tradicionais criticando ou ironizando o que os famosos tuitaram. É possível que, quando todas as mídias descobrirem esse “potencial”, os famosos se inibam mais e a nova ferramenta perca bastante sua força.</p>
<p>Enquanto isso não ocorre, o povo se diverte, acompanha seus ídolos, interage com eles de uma forma que nunca sonhou e, com isso, contribui para tornar o Twitter a febre que se tornou.</p>
<p>PS: outras contribuições do <a href="http://blog.miguelcavalcanti.com/">Miguel</a> &#8211; os empregadores das celebridades não têm mais como monetizar esse monte de seguidores. As centenas de milhares de seguidores do William Bonner, por exemplo, são um ativo dele. Se ele sair, leva todo mundo! Quando perceberam isso, já era tarde&#8230;ainda, há o fato da exposição sem o controle do empregador. O mesmo Bonner, por exemplo, que só aparece no JN todo formatadinho, no Twitter está livre, leve e solto, e pode dar suas escorregadas e, numa dessas, prejudicar  a si e a Globo. O Boris Casoy, por exemplo, é um que não poderia ter Twitter em hipótese alguma. =)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=902&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Jornais não conseguem ir além da discussão cobrar ou não pelo conteúdo</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/12/02/jornais-nao-conseguem-ir-alem-da-discussao-cobrar-ou-nao-pelo-conteudo/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 Dec 2009 22:11:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
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		<description><![CDATA[Nessa quarta, dia 2/12, o Estadão trouxe as conclusões do 62° congresso da Associação Mundial de Jornais (WAN). A julgar pela matéria, os jornais continuarão tendo tempos turbulentos: receitas de assinaturas decrescentes e publicidade online que não cresce na mesma velocidade, e poucas alternativas de gerar renda adicional. As possibilidades de crescimento de um negócio [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=855&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nessa quarta, dia 2/12, o Estadão trouxe as conclusões do 62° congresso da Associação Mundial de Jornais (WAN). A julgar pela matéria, os jornais continuarão tendo tempos turbulentos: receitas de assinaturas decrescentes e publicidade online que não cresce na mesma velocidade, e poucas alternativas de gerar renda adicional. As possibilidades de crescimento de um negócio com esse são, por consequência, muito baixas.</p>
<p>A internet como negócio já fez pelo menos 10 anos, mas os jornais não conseguem sair da discussão sobre cobrar ou não pelo conteúdo. Se cobrarem, correm o risco (eu diria que mais do que o risco, estarão selando seu destino) de perder uma enxurrada de visitantes online; se não cobrarem, não terão como compensar a natural perda de assinantes da versão impressa. E a publicidade online não cresce na mesma velocidade. É um dilema, sem dúvida, e nada simples de se resolver.</p>
<p>Como os jornais (e as demais mídias impressas também) só conseguem analisar uma única opção de viabilização de seus negócios em uma época de grandes e definitivas mudanças, surgem as mais variadas fórmulas para que a cobrança de conteúdo online seja bem sucedida. No início do ano, um expert disse que o futuro estaria nos micropagamentos: cada matéria custaria um pouquinho e caberia ao leitor pagar para lê-la, criando um veículo praticamente personalizado. A crescente facilidade e a ampliação dos sistemas de compensação online certamente viabilizariam essa estratégia, mas será mesmo que as pessoas gostariam de ter que decidir se pagariam ou não para ler cada matéria?</p>
<p>Acho válido testar, sem dúvida, afinal estamos em águas inexploradas (parafraseando Alan Greenspan), onde tudo é possível encontrar, até monstros marinhos até então presentes apenas em nossa imaginação.  Mas me parece perigoso basear um plano de negócios a partir dessa premissa. As pessoas já precisam tomar inúmeras decisões diariamente em suas vidas. A era da escolha, a despeito do evidente benefício, traz também o ônus da decisão onipresente. É um peso, e talvez as pessoas simplesmente não queiram ter de decidir se devem ou não ler cada notícia ou matéria. E falta tempo para isso.</p>
<p>Além disso, com a facilidade de cópia e distribuição da informação e do enorme número de sites, fatalmente a informação paga aparecerá gratuitamente em algum outro lugar. Claro, talvez seja possível criar um policiamento global e um arcabouço jurídico para evitar pirataria; mesmo que isso seja possível, seria irresponsável do ponto de vista empresarial depositar nessa possibilidade a viabilização de seu negócio.</p>
<p>E, mais ainda, talvez isso vá contra a própria natureza da internet.  Não que não exista espaço para conteúdo pago – certamente existirá – mas acho difícil que qualquer negócio em web (deve haver exceções, mas exceções são sempre exceções) seja baseado nesse conteúdo como fonte principal de renda.</p>
<p><a href="http://sethgodin.typepad.com">Seth Godin</a>, o guru de marketing, escreveu outro dia um artigo dizendo que “para quem é martelo, tudo que vê pela frente é prego”.  Esse ditado serve muito bem aos jornais e às demais formas de mídia tradicional. Foram martelo a vida inteira, estruturaram seus negócios a partir do martelo, e tudo que conseguem ver pela frente são pregos. Só que, para sua infelicidade, há bem mais que pregos e, pior, os pregos estão cada vez mais raros.</p>
<p>O que os jornais não percebem é que não estão mais no negócio de informação, mas sim no negócio de atração de leitores. A diferença é considerável: enquanto no primeiro caso – na visão tradicional – seu produto-fim é a informação, no segundo – que deveria ser a visão atual – a informação é apenas um meio para atrair usuários e formar comunidades. E, pelo seu expertise, podem ser obviamente bons nessa missão de atrair leitores via informação de qualidade.</p>
<p>Se eu fosse um jornal online,  consideraria estratégico atrair leitores e criaria uma divisão autônoma para estudar possíveis formas de monetizar estes usuários, indo bem além da venda de informação pura e simples. A gama de potenciais serviços ofertados é enorme (inclusive relacionados a informação), mas só poderá ser efetivamente explorada sem os vícios do passado, utilizando pessoas que possam usar mais ferramentas e não somente o martelo.</p>
<p>É claro que não é algo fácil, como qualquer mudança radical de modelo de negócios. É evidente que o pirateamento da informação continuará,  o que demandará a criação rápida de outros serviços para prender (ou fidelizar, para usar um termo mais politicamente correto) os leitores.</p>
<p>Dificil ou não, é a realidade, contra a qual me parece inócuo lutar. O fato é que os jornais vivem um momento de ruptura em seus modelos de negócio. É isso, ou talvez fechar as portas. O uso de internet só crescerá, assim como a fragmentação das mídias, tornando o problema atual ainda mais grave.</p>
<p>É irônico e emblemático que, após 62 congressos, a associação mundial de jornais não encare esta realidade que afeta e coloca em risco seu modelo tradicional de negócios. Isto é compreensível; afinal, 62 anos sugerem um setor maduro, que soube desenvolver martelos altamente eficazes e identificar pregos de todos os formatos e tamanhos. Resta saber se, apesar disso, terá condições de se reinventar em um cenário em que os pregos escassearão e os martelos serão cada vez menos necessários.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=855&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um ano de “O que der e vier”</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 19:46:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
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		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
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		<category><![CDATA[Marcelo Pereira de Carvalho]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje, o blog fez um ano. Em 30/11/08, escrevi “Nothing ventured, nothing gained”, o primeiro de 132 posts, o que dá uma média de um a cada 3 dias, ou um pouco menos. É como um filho: você bota no mundo, cria expectativas, até tentar moldar, mas ele adquire vida própria e vira alguma coisa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=846&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, o blog fez um ano. Em 30/11/08, escrevi “<a href="http://wp.me/pnPqN-3">Nothing ventured, nothing gained</a>”, o primeiro de 132 posts, o que dá uma média de um a cada 3 dias, ou um pouco menos.</p>
<p>É como um filho: você bota no mundo, cria expectativas, até tentar moldar, mas ele adquire vida própria e vira alguma coisa diferente do que você imaginava.</p>
<p>No caso do blog, isso é até natural (do filho também, mas obviamente por outras razões). Afinal, o blog é um reflexo de seu autor, e seu autor não é o mesmo ao longo do tempo. Muda e, com ele, muda também o blog. Um paradoxo: o blog cria vida própria em certo sentido, mas estará sempre subjugado a seu criador. Talvez sejamos nós mesmos que criamos vida própria, diferente do que achamos que somos.</p>
<p>Gostaria de presentear esse companheiro de horas críticas, que sempre aceitou tudo, sem reclamar com um momento mais criativo de minha parte. Nesses últimos meses, como já escrevi recentemente, a inspiração me tem faltado, junto com outras coisas mais, como tempo e dedicação. E talvez certa angústia, que sempre é uma artista poderosa. Mas essas coisas não escolhem hora para aparecer e voltar a sumir sem aviso prévio. Paciência, ele há de se acostumar, caso sobreviva por muito mais tempo.</p>
<p>Nesse período, ele me proporcionou bons momentos. Escrevi algumas coisas das quais gostei; mas nunca revisitei os textos, principalmente os mais pessoais, talvez por medo do que poderia vir a encontrar, medo de ter exagerado na exposição pessoal que um exercício dessa natureza sempre exige, medo de ver como eu era e o que pensava em determinados momentos. É até possível que me surpreendesse positivamente.</p>
<p>Como um filho, o parto não foi fácil; como o parto, teve um bocado de dor em sua origem, até que seu autor, meio que aos trancos e barrancos, fosse se adaptando aos novos tempos.</p>
<p>No primeiro texto que escrevi fui sincero ao avisar que seria um projeto pessoal, de mim para mim mesmo, o que em parte foi mesmo verdade, mas claro só em parte. Nunca tive o interesse de ter milhares de acessos, a responsabilidade seria muito grande e a exposição, idem. Quem fosse para acessar, acabaria acessando. Os que gostassem, voltariam.</p>
<p>Mas acho que, nesse projeto pessoal, ao longo do trajeto, sobrou algo para outras pessoas, que buscaram algum conhecimento, ideias, apoio e talvez até entretenimento em um ou outro post. Algumas dessas pessoas eu nem conhecia – em especial a <a href="http://meninadecachos.blogspot.com/">Ana</a>, a <a href="http://marciabenetti.blogspot.com/">Márcia</a>, e o <a href="http://rodolfo.typepad.com/">Rodolfo</a>, todos blogueiros e que, graças a esse negócio de tecnologia que eu meti  o pau alguns posts atrás, pude conhecer. E há, claro, muitos outros que já conhecia, ou que conheci pessoalmente nesse ano, e que também gastaram parte do seu tempo livre visitando meus textos.</p>
<p>O blog inicia seu segundo ano com expectativas, mas sem ao certo saber como vai se desenvolver, que rumos tomará, como servirá ao seu autor. A incerteza, afinal, já nasceu com ele, pelo próprio título. Seja para exposição de ideias quaisquer; seja para discorrer sobre gestão e empreendedorismo; seja para comentar fatos do dia-a-dia, filmes, livros,  música, vinhos e comida;  seja para comentar e publicar fotografias, o hobby que finalmente resolvi encarar; seja para dividir com os leitores minhas experiências de viagem (nos últimos 2 anos, foram 10 viagens internacionais!!); seja para dar vazão a questões mais pessoais que precisam ganhar o papel para, quem sabe, serem melhor compreendidas. O que der e vier está aí para tudo isso.</p>
<p>Anais Nin, que gosto de citar e ainda vou ler, disse “escrevo para um mundo onde se possa viver”. Não tenho essa pretensão; escrevo, no máximo, para um mundo onde eu possa viver. Já está bom demais, não?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=846&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sou um dinossauro à beira da extinção?</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/10/28/sou-um-dinossauro-a-beira-da-extincao/</link>
		<comments>http://blog.oquederevier.com/2009/10/28/sou-um-dinossauro-a-beira-da-extincao/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 23:19:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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		<description><![CDATA[É assim que às vezes me sinto. Começo mesmo a achar que estou ficando ultrapassado.  E já aviso que vou escrever absurdos que irão contra o censo comum destes novos tempos. Recomeçando: ultrapassado. Explico: a forma como absorvo informação é incompatível com essa avalanche caótica, compartimentalizada e superficial de mensagens cuja expressão máxima é o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=825&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É assim que às vezes me sinto. Começo mesmo a achar que estou ficando ultrapassado.  E já aviso que vou escrever absurdos que irão contra o censo comum destes novos tempos.</p>
<p>Recomeçando: ultrapassado. Explico: a forma como absorvo informação é incompatível com essa avalanche caótica, compartimentalizada e superficial de mensagens cuja expressão máxima é o Twitter, a ante-sala do grunhido, segundo o Saramago, certamente um dinossauro ainda mais jurássico do que eu.</p>
<p>Sou daqueles que precisa ir a fundo na argumentação de um autor para poder compreender suas hipóteses e seu raciocínio e, mais importante, tentar incorporá-los na minha forma de ver as coisas ou aplicá-los no dia-a-dia profissional, por exemplo. Em livros de negócios, sou daqueles que lêem o rodapé, as notas no final do livro, dou uma passada na bibliografia. Não sou daqueles que vai se contentar com um link que leva à fórmula de sucesso do último empreendedor da internet mundial.</p>
<p>Com esse método quelônico de obtenção de novas informações, vou certamente ficar para trás, perdendo feio para aqueles que se adaptam bem a essa nova realidade em que tudo é repassado na forma de pequenos fragmentos descontextualizados e desconexos (falando mais especificamente do Twitter): dicas sensacionais para os negócios e para a vida pessoal, alguém reclamando de insônia, outro fazendo auto-propaganda, de repente o Millôr escrevendo algo inteligente, uma notícia aqui e ali, um outro tentando emplacar uma frase supostamente inteligente e que possa ser retuitada e ganhar o mundo, um outro ainda deixando todos a par de sua rotina diária, etc. (não que eu seja diferente, o que não quer dizer que não possa criticar, muito pelo contrário&#8230;).</p>
<p>É como ficar na frente da televisão durante horas, só mudando de canal, sem realmente ver nada direito. Você ouve o galo cantar, mas não sabe aonde. Talvez nem tenha sido um galo. Não importa – parece que já tem outra coisa cantando.   É assim que me sinto com o Twitter, a nova febre da humanidade, ainda que nem seus fundadores saibam exatamente para que serve e como ganhar dinheiro com isso (aliás, só alguém ultrapassado como eu fica preocupado com essas coisas mundanas – o uso vai aparecer mais para frente, e não interessa ganhar dinheiro, o que vale é criar a  “rede”. Sei.).</p>
<p>Colocando um olhar externo sobre esses tempos, acho que existe um deslumbramento infantil e escapista nisso tudo. É importante estar na moda, fazer o que os outros fazem, e é isso que os outros estão fazendo. As pessoas não param muito para pensar, até porque não adianta pensar sobre algo que está só começando; o futuro é incerto, o que importa é pegar a onda.</p>
<p>Também, as pessoas se sentem maravilhadas com a possibilidade de aparecer para o mundo (só que não dá para todo mundo aparecer para o mundo e daí você vai perceber que aparece mesmo para uns poucos!!), de finalmente dar vazão a alguma coisa que não tinha como ganhar o mundo no universo pré-internet, e o resultado é um tsunami de informações que tornam impossível ter a atenção suficiente para separar o joio do trigo. O Herbert Simon, Prêmio Nobel de Economia, cunhou a expressão “A riqueza de informação cria a pobreza de atenção”. Nada mais correto: é muita coisa, o bom vai se perder no meio de uma imensidão de inutilidades.</p>
<p>Ainda, o fenômeno das redes sociais virtuais pode ser a necessidade das pessoas de fazer parte de alguma coisa, de ser reconhecidas; é também a expressão atual do milenar hábito gregário do ser humano, que vem sendo continuamente achatado nessa sociedade individualizada, e que gera pessoas simplesmente carentes, que precisam de companhia, proteção e aprovação.</p>
<p>É possível que eu esteja errado, e bem provável que esteja exagerando. Há, claro, o lado positivo disso tudo. Só que, neste texto, optei por expressar o lado negativo, ainda que de forma potencialmente exagerada: o objetivo era esse mesmo, visando estimular a reflexão de quem vê a coisa de forma diferente da minha.</p>
<p>Às vezes ser polêmico tem seu valor. O Alvin Toffler (outro paleolítico)  não engole isso de inteligência coletiva.  As massas escolhem errado. Deixa o Chris Anderson ou o Jeff Howe ouvirem isso&#8230;Mas o Toffler merece um crédito, afinal “previu” o futuro melhor do que ninguém (ah, mas o Anderson e o Howe criam o futuro! Pode até ser, mas quando a coisa é unânime, fico preocupado&#8230;).  Quando li isso do Toffler, eu parei pra pensar na questão.</p>
<p>Voltando ao meu problema inicial. O que me preocupa em relação ao conhecimento é que ninguém vai mais a fundo em nada. As pessoas buscam pílulas de informações que sequer utilizam, porque precisam buscar novas pílulas amanhã. Eu não consigo estruturar um raciocínio decente em cima dessa areia movediça, mas fico com a sensação de que estou perdendo o passo até ser finalmente extinto.</p>
<p>Nesse ambiente, é inconcebível perder tempo, por exemplo, lendo um livro de 800 páginas (no momento, eu estou lendo um livro de 800 páginas&#8230;). Imagine quantos posts em blogs e no Twitter eu poderia ler, quantas fotos no Flickr eu poderia comentar e com isso dar a senha para outros comentarem as minhas também, ao invés de ficar preso por semanas em um texto “ineficiente” à la Grande Sertão-Veredas? O mundo lá fora corre e eu lendo um livro de 800 páginas, enquanto circularam pelo menos 15 listas das 10 melhores dicas disso e daquilo!! (e sabe-se lá se alguém realmente vai conseguir implantá-las, ou só está enganando a si próprio e procrastinando, não fazendo aquilo que sabe que precisa ser feito, mas isso é outra história).</p>
<p>(Aliás, o que um defasado como eu diria sobre dicas de negócios? Vá ler o Porter, o Kotler, o Mintzberg, o  Christensen, o Adam Smith&#8230;vá direto à fonte, entenda o raciocínio de quem de fato produziu algo que agrega, ainda que, no fundo, você saiba que isso não vá resolver a vida de ninguém).</p>
<p>Mas&#8230;e se eu fizer mesmo parte de um mundo em extinção? Será que hoje em dia Grande Sertão-Veredas serve mesmo para alguma coisa, exceto passar no vestibular? Indo mais além, para que serve cultura e conhecimento, se a regra que impera é a superficialidade, a quantidade em detrimento da qualidade, a transitoriedade, o “líquido, do Zigmunt Bauman?  Pra que livros, museus, história, geografia, política, se o namorado da Demi Moore tem mais de 1 milhão de seguidores no Twitter? Quais são os valores que determinarão o sucesso daqui para frente? O que é mais importante – conseguir mobilizar um número enorme de pessoas nas redes sociais, ter seguidores como um Antônio Conselheiro tinha, ainda que você só escreva bobagens, ou ter algum conhecimento, em tempos em que está tudo disponível a um clique, no Google (e depois virão os implantes cerebrais mesmo)?  Boas dúvidas&#8230;</p>
<p>Esse texto pode parecer pessimista, mas não é exatamente essa a questão. Talvez a geração mais nova não entenda nada do que escrevi, assim como nunca terão passado um fax ou colocado uma carta no correio. Aliás, sou de uma geração de transição, aquela que ainda tenta pegar o bonde,  mas constata que ele anda cada vez mais rápido. E que ainda acha que o bonde pode estar indo para o lado errado&#8230;</p>
<p>Talvez seja este o problema: essas preocupações todas podem ser tão somente uma espécie de canto do cisne, inócuo, que soa indiferente para quem vive perfeitamente bem sem saber onde o galo cantou ou se, de fato, aquilo era mesmo um galo.</p>
<p>PS: A cada dia, eu deixo de seguir determinado número de pessoas no Twitter. Meu principal critério é o número de tuitadas: comecei a cortar os que tuitavam demais. Pensando bem, gosto cada vez mais de seguir aquelas pessoas que nunca tuítam (tem acento?) nada.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=825&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Série grandes publicitários: impressões sobre o Washington Olivetto</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Sep 2009 14:41:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No curso com grandes publicitários na Casa do Saber, tivemos nessa semana o privilégio de conhecer um pouco do Washington Olivetto que, como disse o Celso Loducca, é o “primeiro da série” de grandes publicitários que o Brasil produziu a partir daquela época. Como alguém lá conseguiu perguntar a ele, Washington Olivetto é uma lenda [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=755&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No curso com <a href="http://www.casadosaber.com.br/curso.php?cid=1672">grandes publicitários na Casa do Saber</a>, tivemos nessa semana o privilégio de conhecer um pouco do Washington Olivetto que, como disse o Celso Loducca, é o “primeiro da série” de grandes publicitários que o Brasil produziu a partir daquela época.</p>
<div id="attachment_756" class="wp-caption alignnone" style="width: 89px"><img class="size-full wp-image-756" title="washington" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/washington.gif?w=79&#038;h=80" alt="Foto: site da W/Brasil" width="79" height="80" /><p class="wp-caption-text">Foto: site da W/Brasil</p></div>
<p>Como alguém lá conseguiu perguntar a ele, Washington Olivetto é uma lenda vida (quase matou o cara&#8230;rs). Campanhas como a do Bombril, Valisére , Cofap, etc. são dele. Ele certamente fez história na publicidade e no cenário cultural do Brasil dos últimos 30 anos.</p>
<p>Filme do Valisére:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/09/05/serie-grandes-publicitarios-impressoes-sobre-o-washington-olivetto/"><img src="http://img.youtube.com/vi/JlIAtOVY4qo/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>O <a href="http://leokuba.com.br/">Leo Kuba</a>, que também está participando do curso, definiu bem em <a href="http://www.leokuba.com.br/2009/09/washington-olivetto-na-casa-do-saber-o-outlier-brasileiro.html">seu post</a>: o W.O. é um perfeito “Outlier” brasileiro, utilizando o conceito do livro  Fora de Série, escrito pelo Malcolm Gladwell (<a href="http://blog.oquederevier.com/2008/12/14/critica-de-livro-outliers-fora-de-serie-de-malcolm-gladwell/">leia aqui</a> o resumo que fiz do livro).</p>
<p>Além do talento, ele encontrou o ambiente propício para florescer: a propaganda havia se profissionalizado na geração anterior e, naquele momento, o consumidor brasileiro começava a ter acesso à infinidade de produtos e opções que têm hoje. Pode-se dizer que aquele momento marcou a migração da era da demanda para a era da oferta, e a propaganda era a maneira de diferenciar os produtos. Também, foi o momento da forte expansão da televisão a cores, canalizando a audiência e colocando a faca na mão de quem já tinha o queijo. Também, ele trabalhou muito, aprendeu e soube aproveitar a chance. O Washington era a pessoa certa, na hora certa, fazendo a coisa certa. Não podia dar outra coisa. Ele reconhece que, hoje, é muito mais difícil aparecer um Washington Olivetto.</p>
<p>Segundo o Malcolm Gladwell, as pessoas que se destacam a ponto de se tornar um Fora de Série reúnem talento + treinamento (as 10.000 horas de prática) + ambiente correto (formação, rede de relacionamentos, momento histórico, etc).</p>
<p>Outra coisa interessante do bate-papo com ele é que, apesar de ter um perfil completamente oposto ao do Nizan Guanaes (bem menos agressivo, mais conciliador), tem grande ambição de fazer a diferença e ser “o melhor do mundo”, uma profunda obsessão por estar sempre pedalando e fazendo acontecer. Lembrei-me do <a href="http://blog.piapara.com/2009/03/04/o-conceito-do-porco-espinho-do-livro-good-to-great/">conceito do porco espinho do Jim Collins</a>: escolher algo em que você pode ser o melhor do mundo, te dê paixão e tenha mercado. Na confluência destes três círculos está o sucesso.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-758" title="porcoespinho" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/porcoespinho.jpg?w=376&#038;h=336" alt="porcoespinho" width="376" height="336" /> </p>
<p>Aliás, falando em obsessão por realizar, lembrei do que o Nizan falou como seu principal temor: medo de se acomodar. Engraçado esse medo, que de certa forma também tenho. Parece que o sentido da vida dessas pessoas (daí falo do Nizan e talvez de mim) está em estar sempre criando o novo, que seria o corolário de não se acomodar. Talvez não queiram pensar na hipótese de se ver sem estar empreendendo. Talvez apenas sejam assim mesmo e está tudo certo, não sendo exatamente um problema ou uma fuga.</p>
<p>Outros fatos interessantes sobre o Washington:</p>
<p>-faz propaganda porque consegue reunir nela a escrita e a venda. Com isso, consegue ser muito bom. Se não fosse publicitário, seria alguma mais ou menos em alguma outra coisa. E mais ou menos não serve para ele. Muitos publicitários viraram publicitários porque dava mais dinheiro e status do que jornalismo, por exemplo. Ele não.</p>
<p>- aliás, ele tem bem esse conceito do “ser o melhor do mundo”. Sabia que na música nunca seria um Caetano, então decidiu não ser músico. Difícil a vida de quem pensa assim (chance de muitas frustrações), mas provavelmente quem está no topo em cada área pensa assim. <em>There is a price to pay.</em></p>
<p>- sempre teve amigos mais velhos, lia muito. Era amigo do Caetano, Gil, etc. lá no início do tropicalismo. Ou seja, teve influência que ajudou em sua formação, entendeu muito bem a indústria cultural, o que permitiu que criasse para a galera, como ele mesmo diz. Sabe atingir o grande público.</p>
<p>- parece ser muito bom em criar relacionamentos que duram a vida toda. Citou o Zurita, que conheceu quando este era gerente de produto e ele diretor de criação da agência. Com certeza o fato da conta da Nestlé ser em grande parte da W/Brasil tem a ver com isso.</p>
<p>- acha importante andar com pessoas diferentes, ver coisas diferentes. Hoje, a propaganda está muito igual, publicitário só anda com publicitário, casa com publicitário, etc. A forma importa mais do que o conteúdo.</p>
<p>- parece ser um cara mais light para se trabalhar, mas teme que seu jeito relativament <em>easy going</em> de ser (foi um dos padrinhos da democracia corinthiana) está defasado: “as pessoas preferem trabalhar por pressão, ao invés de por tesão”. Nas entrelinhas, deu a entender que o esquema pressão dá mais resultados.</p>
<p>- ele deu uma definição que nunca tinha ouvido falar sobre sucesso: “sucesso é poder ser amigo de seus ídolos”.  Preciso pensar nisso.</p>
<p>- disse que não tem medo de “porra nenhuma”: já se ferrou muito e saiu de tudo. Segundo ele, costuma se dar muito bem, mas quando se ferra, é também com tudo que tem direito (ex: seqüestro). Depois corrigiu: tem medo de não estar presente para o filho que teve aos 50 anos.</p>
<p>- não tem preconceito de informação (aberto para coisas diferentes daquilo que pensa ou sabe).</p>
<p>- “a melhor propaganda é aquela que parece que o produto que fez para si próprio”.</p>
<p>- sobre tecnologia atual: “a grande maioria das pessoas que usa Twitter não sabe escrever longo o que é fácil, imagine escrever curto o que é difícil&#8230;”</p>
<p>- hoje há publicitários famosíssimos, faltam só os anúncios&#8230;</p>
<p>- campanhas recusadas pelo cliente são fatos da vida, não interessa se é o W.O. em início de carreira ou na semana passada. Quando a recusa é injusta, só resta ficar bravo. Quando é justa, daí é pior: você se sente realmente medíocre. Legal ele reconhecer isso.</p>
<p>Eu já conhecia um pouco do W.O. porque li o livro “<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/292999/na+toca+dos+leoes">Na toca dos leões</a>”, escrito pelo Fernando Morais e que fala da trajetória dele e da <a href="http://www.sitedaw.com.br/homepage.wbr">W/Brasil</a>. Mas fazia tempo, e nada melhor do que uma conversa mais pessoal. De defeito evidente, o fato de ser corinthiano doente. De resto, reforcei a impressão que tinha dele: um fora de série, com todo direito a sê-lo.</p>
<p>Semana que vem tem o Roberto Justus.</p>
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		<title>Conversa com Nizan Guanaes</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/08/15/conversa-com-nizan-guanaes/</link>
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		<pubDate>Sat, 15 Aug 2009 14:44:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Casa do Saber]]></category>
		<category><![CDATA[Nizan Guanaes]]></category>
		<category><![CDATA[Publicidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Semana passada tivemos o segundo encontro com grandes publicitários na Casa do Saber. O entrevistado da vez foi Nizan Guanaes, da DM9DDB, África, Grupo ABC, etc, etc. Quem é Nizan Guanaes? Uma improvável mistura do trio Lehmann/Sicupira/Telles, do GP, com Dorival Caymmi – foco em resultados, meritocracia, trabalho árduo, mas ao mesmo tempo baiano da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=728&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Semana passada tivemos o segundo encontro com <a href="http://www.casadosaber.com.br/curso.php?cid=1672">grandes publicitários</a> na <a href="http://www.casadosaber.com.br/main.php?std=17/08/2009&amp;td=17/08/2009">Casa do Saber</a>. O entrevistado da vez foi Nizan Guanaes, da DM9DDB, África, Grupo ABC, etc, etc.</p>
<p>Quem é Nizan Guanaes? Uma improvável mistura do trio Lehmann/Sicupira/Telles, do GP, com Dorival Caymmi – foco em resultados, meritocracia, trabalho árduo, mas ao mesmo tempo baiano da forma mais baiana possível, espelhada em Caymmi e Jorge Amado – alguém complexo, portanto.</p>
<p>A primeira coisa que chama a atenção no Nizan é a sua energia e seu magnetismo, muito diferente do <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/08/07/seis-visoes-sobre-o-que-se-passa-na-cabeca-de-um-grande-publicitario-1-alexandre-gama/">Alexandre Gama</a>, que me pareceu alguém mais, digamos, cerebral e introvertido. Nizan domina o ambiente em que está, é rápido no raciocínio, surpreende com analogias criativas, abusa de palavrões e de algum sarcasmo (como ele disse, “se eu falar generalidades, vocês não vão se lembrar de nada do que falei”). Na hora do intervalo, ninguém se levantou, como se todos estivessem anestesiados pela sua presença. Um cara poderoso, sem dúvida.</p>
<p>Nizan reúne, ao mesmo tempo, características aparentemente contraditórias: é artista criativo e empresário implacável. São dele peças brilhantes como a propaganda da Folha de S. Paulo, sobre como se conta mentiras falando apenas verdades:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/08/15/conversa-com-nizan-guanaes/"><img src="http://img.youtube.com/vi/xmbM8XGMZxI/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>É músico, e a música para ele é seu oxigênio, como definiu ao final. O outro lado: deu para perceber que trabalhar com ele não é fácil. Na falta de uma definição melhor, ele me pareceu um trator, quem conseguir que o acompanhe e terá sua recompensa. Quem não conseguir (e imagino que a maioria não consegue), fica sem dó pelo caminho. Deu a entender também que trata as pessoas de forma diferenciada, dependendo de sua importância relativa (“uma coisa é eu falar com o Celso [Loducca], que é meu sócio&#8230;”).</p>
<p>Difícil defini-lo. Talvez o mais fácil seja colocar algumas frases e o leitor que construa sua imagem.</p>
<p>“Acredito em Deus, mas luto para que ele acredite em mim”</p>
<p>“Meta é a negação da criatividade – mas isso está errado!”</p>
<p>“É preciso treinar muito para parecer natural” (citando Fernanda Montenegro).</p>
<p>“Prometo glória, não paz” (aos que trabalham com ele).</p>
<p>“Sucesso é ter uma empresa rentável e da qual se orgulha”.</p>
<p>“Sou vulgar, mas minha obra não é”.</p>
<p>“Sucesso só vem quando você faz alguma coisa contra a sua natureza”. (a vida do homem se resume a domar a natureza, completou). Essa frase é a que melhor explica a “essência Nizan”: alguém inquieto, inconformado, que procura domar o mundo à sua volta e mostrar que tudo que quer é possível.</p>
<p>“Maior medo: se acomodar” (olha aí de novo o fato de ser inconformado).</p>
<p>“O que pede a Deus: paz”. (e que nunca vai ter, a não ser que mude seu jeito de ser).</p>
<p>“Pensar atormenta; ele pensa muito”. (“A maior felicidade é ser burro, fazer um trabalho braçal”).</p>
<p>“Sou ansioso e contraditório. Aliás, o homem é Fernando Pessoa, com seus heterônimos e suas várias personalidades”.</p>
<p>“Mudar é muito difícil. É como cagar um côco”. (Deve ser alguma expressão baiana&#8230;rs).</p>
<p>“Quem quiser ter um diferencial precisa ter uma formação heterodoxa. Quer ser um grande decorador, vá estudar história”.</p>
<p>“Se não está difícil, você está no lugar errado”.</p>
<p>“Se está tudo muito fácil, é assalto.”</p>
<p>“Só os débeis-mentais não voltam atrás”. (sobre erros).</p>
<p>“rabo não tem Alzheimer” (sobre o efeito do aprendizado a partir dos erros).</p>
<p>“Não submete ninguém a nada que não se submeta”. (Ou seja, é muito exigente consigo próprio e exige dos outros o mesmo).</p>
<p>&#8220;O Brasil está num puta caminho&#8221;.</p>
<p>Polêmico, criativo, exigente, determinado, imprevisível, duro, grosso, provavelmente difícil de se lidar. Essa é a imagem que criei do Nizan nessas 2 horas de bate-papo.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-729" title="nizan-guanaes" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/nizan-guanaes.jpg?w=202&#038;h=257" alt="nizan-guanaes" width="202" height="257" /></p>
<p>Foto: <a href="http://ogestor.wordpress.com/2009/06/22/aprendiz-7-quem-sera-o-novo-apresentador/">http://ogestor.wordpress.com/2009/06/22/aprendiz-7-quem-sera-o-novo-apresentador/</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=728&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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