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	<title>O que der e vier &#187; Economia</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; Economia</title>
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		<title>Sobre ter altas expectativas a respeito das coisas</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 22:50:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar. Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=957&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar.</p>
<p>Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há trabalhos mostrando) que quanto maior a expectativa, melhor tende a ser o resultado final. O fato é que o mundo não te dá mais do que você pede a ele, pelo menos na maior parte das situações. Assim, quem espera muito da vida (não no sentido passivo da espera), tende a ir mais longe. “Nothing ventured, nothing gained”. And that’s it. Ao menos potencialmente.</p>
<p>Um estudo feito pelos psicólogos americanos Sydney Siegel e Lawrence Fouraker demonstrou que a expectativa elevada (ou, nesse caso, a meta) influencia o resultado. Eles dividiram voluntários em dois grupos. Em ambos foi passado que teriam de vender um certo produto e caso atingissem a meta pré-estabelecida, eles poderiam ficar com o lucro obtido e passariam a uma segunda rodada. A diferença foi que, para o primeiro grupo, foi passada uma meta de <strong>2,10 dólares</strong> enquanto que, para o segundo grupo, a meta estabelecida mais ambiciosa, <strong>6,10 dólares</strong>. Muitos vendedores dos dois grupos atingiram a meta, mas no segundo grupo o lucro médio foi de <strong>6,25 dólares</strong> enquanto que no primeiro grupo, de meta mais modesta, o lucro médio foi de apenas <strong>3,35 dólares</strong>. Nesse caso, a expectativa foi gerada externamente, mas pouco importa: resultou em desempenho superior.</p>
<p>Empresas mais ambiciosas, pessoas mais ambiciosas, tendem a ir mais longe porque se motivam a obter mais do mundo, desde que suas metas sejam realistas. A Teoria das Expectativas de Vroom sugere que a motivação, isto é, o <em>motivo para ação</em>,  depende do produto entre a Valência = vontade que alguém tem de obter algo, o que é dado pela relevância que esse algo tem para ela, e a Expectativa da se atingir esse algo. Expectativa, nesse caso, significa o quanto a pessoa acredita que de fato possa atingir esse objetivo.</p>
<p>Assim, se alguém não tem objetivo de alcançar algo (valência zero) o produto será zero e não haverá motivação. Ela não sairá do lugar. Da mesma forma, ainda que a valência seja elevada, se a expectativa de se atingir esse algo for zero, também não haverá estímulo para se mover. Exemplo: você pode querer ser campeão mundial de Fórmula 1, mas se considerar que essa meta não pode ser atingida por não ser realista, então não terá motivação para persegui-la.</p>
<p>Desta forma, pessoas com expectativas mais altas, ou metas mais elevadas, pessoais ou profissionais, se motivarão a conquistar essas metas, desde que tenham real expectativa de consegui-las. Nesse ponto, há pessoas que, pela análise convencional, estão “fora da realidade”, que acreditarão em metas que não são realistas &#8211; talvez uma forma de auto-engano &#8211; mas que terão motivação para alcançá-las. E, às vezes, conseguirão, surpreendendo a todos.</p>
<p>(Não sei porque, mas me lembrei agora daquela cena do filme <a href="http://www.meucinemabrasileiro.com/filmes/dois-filhos-de-francisco/dois-filhos-de-francisco.asp">Dois Filhos de Francisco</a>, em que o Francisco diz que queria tornar famosa a dupla formada pelos filhos [Zezé de Camargo e seu irmão que faleceu logo depois]. Ele comprou centenas de fichas telefônicas e ligou para a rádio seguidas vezes, até que a música deles foi selecionada entre as mais pedidas do dia. O resto é história, depois de muita água passada debaixo da ponte, claro&#8230;)</p>
<p>Até aí, tudo bem. Mas, voltando à pergunta original, e no aspecto pessoal, de satisfação? Será que ter expectativas elevadas, ainda que isso resulte em uma vida mais rica materialmente e mais cheia de “histórias para contar”, tornará alguém mais feliz do que aquele que se contenta com menos, seja no aspecto material, seja no aspecto pessoal?</p>
<p>Acredito que não.  Ou, pelo menos, provavelmente não. Se você esperava emagrecer 2 kg e emagreceu 4, ficará satisfeito. Mas se a expectativa era emagrecer 6&#8230;Com metas mais altas, a frustração está mais próxima e o tombo, maior. O paradoxo é que, provavelmente, aquele que quer emagrecer 6 kg, desde que seja uma meta realista, deve conseguir emagrecer mais do que aquele que tem meta de 4 kg. Assim, a expectativa alta gera resultado melhor, mas a chance de desapontamento é maior. Quanto maior o ganho potencial, maior o risco.</p>
<p>Mas e se expectativa elevada for cumprida? Terá esse indivíduo satisfação muito superior? Ainda assim, creio que aquele que tem expectativas elevadas a respeito da vida ficará em posição desfavorável no quesito satisfação. A expectativa elevada anda de mãos dadas com a necessidade contínua de querer sempre mais e melhor, empurrando a zona de satisfação sempre para frente. Nada é suficiente, nunca é suficiente.</p>
<p>Complementando o raciocínio acima, há ainda uma outra possível associação. Indivíduos com altas expectativas a respeito de tudo desconhecem que a vida não é feita de eras de felicidade, mas sim de momentos de felicidade, como disse Nietzsche. Essas pessoas talvez estejam sempre esperando o momento supremo, a pessoa perfeita, o emprego ideal – afinal esperam sempre o melhor de tudo – e sempre farão o possível para alcançá-los, para logo perceber – mais uma vez &#8211; que poderia ser melhor. Sempre poderia. Como escreveu <a href="http://www.releituras.com/vcarvalho_velhotemaI.asp">meu bisavô</a> em sua poesia mais famosa, “Velho Tema”:</p>
<p><em>Só a leve esperança, em toda a vida,<br />
Disfarça a pena de viver, mais nada;<br />
Nem é mais a existência, resumida,<br />
Que uma grande esperança malograda.</em></p>
<p><em>O eterno sonho da alma desterrada<br />
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,<br />
É uma hora feliz, sempre adiada<br />
E que não chega nunca em toda a vida.</em></p>
<p><em>Essa felicidade que supomos,<br />
Árvore milagrosa que sonhamos<br />
Toda arreada de dourados pomos,</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Existe, sim: mas nós não a alcançamos<br />
Porque está sempre apenas onde a pomos<br />
E nunca a pomos onde nós estamos.</em></p>
<p>Já que falei do filme Dois Filhos de Francisco, vou citar uma das cenas finais, em que Zezé, já rico e famoso, volta para visitar o casebre em que morava com a família, antes de tudo acontecer. Se não me falha a memória, ele diz algo como “foi a época mais feliz da minha vida”&#8230;Pelo filme, percebe-se que ele é alguém com altas expectativas, foi lá e fez, mas pelo jeito não resolveu. Parece, olhando assim, que as expectativas elevadas são uma ilusão auto-imposta não para de fato conquistar grandes coisas, mas para tapar o sol com a peneira, resolver internamente aquilo que não está e não será resolvido. Quando não se consegue lidar com o presente, depositando no futuro e em suas conquistas a suposta satisfação permanente. “The best is always to come&#8230;.”.</p>
<p>Barry Schwartz, no seu ótimo <a href="http://blog.oquederevier.com/tag/barry-schwartz/">Paradoxo da Escolha</a>, mostra que o índice de depressão e suicídio nos indivíduos maximizadores é maior do que nos demais. Indivíduos maximizadores são aqueles que só se contentam com o melhor, isto é, possuem alta expectativa a respeito de tudo. Aqui, há ainda a correlação positiva entre ter altas expectativas e assumir para si a responsabilidade pelo fracasso, o que coloca um peso ainda maior para as frustrações. O maximizador é escravo de suas próprias expectativas.</p>
<p>Triste paradoxo. É provável que grande parte das contribuições feitas à história humana tenha sido feita por indivíduos que tinham altas expectativas. Afinal, não é fácil se destacar, criar algo novo, fazer a diferença. Citando a frase de Bernard Shaw (de novo estou citando Shaw!), “<em>há dois tipos de pessoas, aquelas que se adaptam ao mundo e aquelas que tentam adaptar o mundo a elas. Todo progresso vem necessariamente do segundo tipo”</em>.  Eles foram lá, e fizeram, contra tudo e contra todos.  E mudaram a ordem das coisas.</p>
<p>Mas talvez, dentro de si, aquele incômodo sempre continuou, de um lado, impulsionando-os a fazer mais e mais, de outra impedindo-os de usufruir daquilo que conquistaram. O legado que deixaram ao mundo é maior do que o que construíram para si mesmos.</p>
<p>E, claro, para cada um que fez história, quantos potenciais gênios, empresários, educadores revolucionários, se perderam e não foram nem uma sombra daquilo que poderiam ter sido, justamente pela frustação paralisante que se instalou ao perceberem o quão longe estavam de suas elevadas aspirações?</p>
<p>Nesse sentido, invejo aquele que se contenta com pouco, que se surpreende positivamente com cada mínima conquista, que quase nada espera a ponto de quase tudo servir. Esse, certamente, é mais feliz. Olhando por esse lado, no entanto, a felicidade me parece algo um tanto medíocre, uma monotonia pouco digna para justificar, de fato, o efêmero momento que representa nossa passagem por esse mundo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=957&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Será que temos infra-estrutura para virar o Brasil que esperamos?</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Jan 2010 09:58:04 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[No final do ano passado, fui pegar um vôo em Congonhas e não havia vaga em nenhum dos cinco andares do estacionamento do Aeroporto. Tudo lotado. Detalhe: é um Aeroporto remodelado recentemente, incluindo a construção do próprio estacionamento. Fiquei com uma sensação de que o Brasil já está maior do que poderia. Falta esqueleto para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=898&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No final do ano passado, fui pegar um vôo em Congonhas e não havia vaga em nenhum dos cinco andares do estacionamento do Aeroporto. Tudo lotado. Detalhe: é um Aeroporto remodelado recentemente, incluindo a construção do próprio estacionamento. Fiquei com uma sensação de que o Brasil já está maior do que poderia. Falta esqueleto para o corpo poder crescer, e esse esqueleto atende pelo nome de infra-estrutura.</p>
<p>Há inúmeros outros exemplos que nos sugerem que há um problema significativo de infra-estrutura que pode limitar nosso crescimento: trânsito caótico nas grandes cidades, problemas sérios com transporte público, apagões misteriosos, problemas (nem sempre transparentes) em telefonia e comunicações, estradas sem condição de receber o tráfego que recebem, e por aí vai. Você certamente saberá listar outros gargalos que afetam o seu dia-a-dia.</p>
<p>E nós achamos que está tudo bem, afinal chegou a nossa hora e o Brasil está crescendo. No Brasil, vem o crescimento primeiro e depois, quem sabe, a infra-estrutura. Somos uma China às avessas. Falam que seremos a quinta economia do mundo daqui a dez anos ou menos. Em 2050, nossa economia será 10 vezes maior que a atual. Já pensou nisso? O que necessitaremos de investimentos? Talvez não estejamos acostumados a crescer continuamente a 4-5% ao ano e não tenhamos entendido ainda o que implica esse crescimento em relação a investimentos quando se fala de um país das dimensões e da população do Brasil. Parece aquele time de segunda divisão que comemora o acesso à primeira, sem perceber que se não fizer investimentos, cairá novamente no ano seguinte. Mas continuará comemorando que, um dia, subiu! Talvez até com alguma razão, ficamos comemorando anos o combate à inflação, e agora as políticas sociais. What is next?, é o que deveríamos estar perguntando agora.</p>
<p>Falta visão dos governantes. O que dizer diante dos Arrudas, Sarneys, etc da vida? Mas não é só isso. Funcionamos na base de eventos, episódios críticos que demandam uma ação imediata (Lembram-se de Congonhas novamente? Precisou cair o avião da TAM para terminarem de arrumar a pista que sabiam estar inadequada.). Não há (ainda) efetivamente planejamento de longo prazo. O Brasil é o país do “agora”. Talvez por isso os juros sejam historicamente altos no país: postergar o consumo de hoje, o momento de hoje, é algo muito caro às pessoas. O amanhã que se dane. E isso se reflete na visão de longo prazo, na estratégia de quem nos dirige.</p>
<p>Esse é um ano eleitoral. Acho interessante avaliarmos se algum dos candidatos possui a visão de que será preciso criar a estrutura para o crescimento que esperamos. Até agora não vi nada. Vamos aguardar o início da campanha para ver.</p>
<p>Mas aí surge um outro problema. Falta dinheiro para investir, porque, entre outras coisas, o gasto público é alto e, mais uma vez, não consideramos isso um problema, afinal estamos crescendo e a Economist falou que o Brasil está bem na foto. Para que botar o dedo na ferida? Vamos é comemorar!</p>
<p>Sem reduzir o gasto público e, consequentemente, sem recursos para investir aquilo que precisa ser investido para o país rodar em uma escala maior, precisamos de outras alternativas. Talvez tenhamos que trocar comida, que sabemos produzir bem e que será um bem caro a outros países que também precisam crescer, como a China, por investimentos externos em infra-estrutura. Sei lá, seria uma espécie de PPP. Pode parecer uma volta ao Brasil colonial, mas se fizermos direito dessa vez, temos condições de criar a estrutura que precisamos para ter o tamanho que o mundo espera de nós.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/898/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=898&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Rio 2016: o mundo definitivamente aposta no Brasil</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/10/02/rio-2016-o-mundo-definitivamente-aposta-no-brasil/</link>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 20:44:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Rio de Janeiro levou as Olimpíadas de 2016. Ganhou de Chicago (Estados Unidos, maior economia do mundo), Tóquio (Japão, segunda maior economia do mundo) e Madri (Espanha, nona no ranking). A escolha das sedes olímpicas vai muito além do fato esportivo em si, tanto que os líderes dos quatro países estavam presentes, buscando sensibilizar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=806&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Rio de Janeiro levou as Olimpíadas de 2016. Ganhou de Chicago (Estados Unidos, maior economia do mundo), Tóquio (Japão, segunda maior economia do mundo) e Madri (Espanha, nona no ranking).</p>
<p>A escolha das sedes olímpicas vai muito além do fato esportivo em si, tanto que os líderes dos quatro países estavam presentes, buscando sensibilizar os membros do COI para suas candidaturas. Como um cheque em branco, o país escolhido recebe um enorme voto de confiança para realizar o principal evento esportivo (e cultural) mundial.  Se esse cheque vai para países desenvolvidos, que já realizaram outras Olimpíadas, esse cheque em branco tem pouco risco de apresentar surpresas; dá-lo, porém, a um país emergente, a uma cidade carregada de problemas e sem a infra-estrutura adequada, ou é uma irresponsabilidade coletiva dos membros do COI, ou é a prova definitiva de que o mundo está vendo o Brasil de outra forma, ainda que muitos de nós não tenhamos a mesma visão. Prefiro apostar na segunda hipótese. Já tinha, inclusive, escrito sobre isso: <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/06/21/o-brasil-ja-e-visto-como-potencia/">O Brasil já é visto como potência</a>.</p>
<p>A escolha do Rio como sede das Olimpíadas é parte de um processo de diluição do poder econômico e político entre novos atores. Pequim 2008 também foi parte desse processo em que o mundo reconhece cada vez mais que o crescimento econômico virá da periferia e não do centro do capitalismo, como de costume. É a era dos BRICs, e o Brasil é central nesse processo, constituindo-se em um pivô regional relevante e estratégico em diversas variáveis que serão fundamentais no tabuleiro de forças do futuro, principalmente na questão ambiental e na produção de alimentos. Alguns países emergentes mudaram de status no cenário mundial: a percepção de risco diminuiu; suas moedas se valorizaram frente ao dólar e mesmo frente a outras moedas fortes; passaram a ser ouvidos em assuntos mais estratégicos.</p>
<p>Claro que há o outro lado da moeda, e que não pode ser ignorado. Os investimentos serão significativos (porque não investir em educação, saúde, segurança?); há sempre a suspeita de desvio de verbas, a farra com o dinheiro público; haverá uso demagógico dessa conquista; o Brasil não é uma potência olímpica; as obras se tornarão elefantes brancos após os Jogos, e por aí vai.</p>
<p>Tudo isso pode ser verdade, ou não. Cabe ao Brasil mostrar que pode dar conta do recado e que esse reconhecimento mundial é justo e acertado. Estaremos nos holofotes, afinal o Rio venceu “na marra”: pode ter um bom projeto, mas está tudo ainda por fazer. Em que pese o carisma do Lula, o trabalho do COB e o fato do Brasil estar na moda, o fato é que recebemos um enorme voto de confiança.</p>
<p>Nesse sentido, terá de haver transparência na prestação de contas e a imprensa terá um papel fundamental nisso. Terá de haver investimentos para amenizar os problemas crônicos da cidade. Será necessário fazer investimentos no esporte de base para não fazermos um papel secundário nos Jogos.</p>
<p>Uma coisa é clara: a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 é a prova evidente de que o Brasil é a bola da vez, ou uma delas. O cavalo está passando arreado e é a nossa chance de aproveitar. Talvez tenha chegado a vez do eterno país do futuro virar do presente.</p>
<p>Mas, alto lá. Até agora, pelo menos no que se refere aos Jogos Olímpicos, o marketing foi bem feito; mas o trabalho só começou. É preciso entregar o prometido. As expectativas são altas e agora vem a hora da verdade. Se a lição de casa for feita, Rio 2016 terá um saldo positivo para o país, podendo significar o carimbo de “aprovado” em nosso passaporte para o futuro. Se não&#8230;</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-807" title="rio2016" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/10/rio2016.jpg?w=214&#038;h=111" alt="rio2016" width="214" height="111" /></p>
<p>Obs: O <a href="http://http://www.canchallena.com/1181612">La Nación, da Argentina, falou a mesma coisa que eu</a> &#8211; destaco o trecho final:</p>
<p><em>&#8220;Lejos de leerse como un hecho aislado, la obsesión que el gobierno brasileño mostró por los Juegos Olímpicos debe interpretarse como una actitud de un país que aún con su compleja problemática social, actúa como potencia y pretende que así sea percibida en el campo internacional. No faltará la oportunidad: en el 2014 y 2016 el mundo tendrá sus ojos puestos en Brasil&#8221;.</em>  </p>
<p>PS: No Twitter – se o Lula fosse bom mesmo, traria para o Brasil as Olimpíadas de Inverno. São Roque 2018!!!</p>
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		<title>O eterno conflito de dar esmolas na rua</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jul 2009 23:17:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gente pedindo dinheiro nas esquinas e calçadas sempre incomoda. Há diversos conflitos envolvidos nessa simples decisão que diariamente nos joga na cara as desigualdades que ainda existem e a nossa própria indiferença à questão. Melhor, certamente, não dar nada: primeiro, ouvimos falar – e provavelmente em parte é verdade – de pessoas exploradas por outras, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=688&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gente pedindo dinheiro nas esquinas e calçadas sempre incomoda. Há diversos conflitos envolvidos nessa simples decisão que diariamente nos joga na cara as desigualdades que ainda existem e a nossa própria indiferença à questão.</p>
<p>Melhor, certamente, não dar nada: primeiro, ouvimos falar – e provavelmente em parte é verdade – de pessoas exploradas por outras, criando uma verdadeira indústria da esmola. Se a prática de dar esmolas se torna corriqueira entre todos os cidadãos que podem fazê-lo, certamente virará um bom negócio, e não parece nada viável regulamentar a atividade, restringindo a prática àqueles que não são explorados por espertalhões. Também, o que dizer daquelas pessoas que de fato não precisam e até nos enganam? Falsos deficientes, pessoas que poderiam estar trabalhando e não estão por ser mais fácil ficar nas ruas. Há, também, o comparativo e, com ele, a indignação: vira e mexe surgem matérias que nos surpreendem com a quantia arrecadada por algo que se caracteriza como um “trabalho” como outro qualquer. Como somos trouxas! E há, claro, as crianças, que deveriam estar nas escolas e nas casas, e não nas ruas.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-689" title="esmola1" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/07/esmola1.jpg?w=263&#038;h=228" alt="esmola1" width="263" height="228" /></p>
<p>Tudo isso é correto e inquestionável (estou desconsiderando o argumento &#8220;não é problema meu&#8221;, que, infelizmente, talvez seja o mais prevalente). Porém, o problema continua, ainda que existam distorções. Há pessoas – e muitas – cuja única alternativa ao menos a curto prazo é pedir dinheiro. E há nós, com dinheiro, passando todos os dias por elas e tendo de lidar com nosso conflito pessoal de dar ou não dar a maldita (ou bendita?) esmola.</p>
<p>De certa forma, argumentar racionalmente a inadequação e o equívoco de dar esmolas é jogar o problema para longe de nós e ficar com a consciência tranqüila. Talvez uma hipocrisia inconsciente, amparada por bons argumentos e ótimas intenções.</p>
<p>Já ia me esquecendo da saída elegante que, além de aliviar nossa consciência, nos transforma em cidadãos preocupados com o bem-estar da sociedade: melhor do que dar esmolas é criar condições para que essas pessoas se insiram no mercado de trabalho como todos nós um dia fizemos.</p>
<p>Novamente, correto. Mas o problema continua e nos encara diariamente: enquanto essas melhores condições não chegam, ainda que aos poucos estejam chegando, devemos ou não dar esmola? Ainda que ajudemos a criar estas condições, ainda que doemos dinheiro para entidades que farão esse trabalho, ainda que sejamos bons patrões e chefes, veremos todos os dias alguém necessitado pedindo ajuda. Devemos ajudar ao próximo, que está ali? Ou a ajuda ficará sempre para o “próximo”, não a esse que nos pede (humor negro)? Ou, ainda, ajudaremos apenas o “próximo”, isto é, aquele que está próximo de nós, aumentando o fosso entre os nossos e os outros?</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-690" title="esmola2" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/07/esmola2.jpg?w=302&#038;h=201" alt="esmola2" width="302" height="201" /></p>
<p>Dar o auxílio pode não ser tão desproposital assim. De início, fui cético em relação ao Fome Zero e, mais recentemente, ao Bolsa-Família promovidos pelo governo Lula: o caminho não é dar dinheiro ou comida, mas sim criar empregos! É verdade, mas é inegável que o Bolsa-Família irrigou com renda muitas regiões carentes e movimentou as economias locais. Se você não concorda, veja onde tem se dado o crescimento de empresas como Nestlé ou Unilever, onde muitos de nós trabalhamos: no Nordeste, região mais beneficiada pelo programa, onde 40% da renda está atrelada ao Bolsa-Família e ao salário-mínimo. Claro, ele não resolve no longo prazo, mas talvez seja um dinheiro bem gasto pelo governo, dentre tantos usos mal feitos dos recursos arrecadados. E as pessoas precisam comer hoje, não quando as melhores condições chegarem. Melhor o aproximadamente agora do que o exatamente nunca.</p>
<p>Muitas vezes tiramos conclusões falsas a partir de premissas verdadeiras. Ou conclusões que queremos concluir. Como escreveu Anaïs Nin, “não vemos as coisas como elas são, mas sim como nós somos”.</p>
<p>Dou um exemplo. Nos países desenvolvidos, muitas ONGs e trabalhadores têm criticado os baixos salários e as condições de trabalho de países em desenvolvimento, como os do Sudeste Asiático. Faltou perguntar às pessoas que estão conseguindo esses trabalhos mal remunerados e inaceitáveis se estão melhores ou piores com eles. Apostaria que melhores – a China que o diga. Certo, há o trabalho infantil da Nike e coisas afins. Certamente há abusos que devem ser combatidos, mas é preciso analisar a floresta e não cada árvore individualmente. Mas não é só isso. O que não se diz é que a motivação por trás dessas críticas via de regra não é exatamente nobre como parece: o que está em jogo é a perda de milhões de empregos em função do <em>outsourcing</em> e dos investimentos diretos das empresas nesses países onde o custo do trabalho é mais barato. Viés protecionista disfarçado de altruísmo.</p>
<p>No caso das esmolas, o raciocínio é análogo: há abusos, não é uma solução definitiva, há outras formas de se fazer. Mas continua sendo uma solução parcial, ao alcance de todos, para fazer mais um pouco de justiça social. Se não me engano, Ricardo Semler, no seu livro “<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1672779">Você está louco!</a>”, fala do hábito existente em países muçulmanos das pessoas andarem com sacos de moedas para distribuir aos carentes, contribuindo para a manutenção do tecido social nessas sociedades. É uma maneira de humanizar as relações, tornar os mais abastados mais próximos dos menos abastados. É diferente de doar dinheiro a uma instituição de caridade sem nunca visitá-la. O contato ocorre ali, frente a frente, olhos nos olhos, todos os dias.</p>
<p>Bem, eu não dou esmola. Normalmente, não dou. Primeiro, uma questão de ordem prática: não tenho como dar para todos os que pedem e, como não sei quem de fato merece, acabo não dando para ninguém. Às  vezes (ainda bem) não tenho trocado. Às vezes estou preocupado com meus problemas e aquilo me irrita ainda mais. Para aplacar a consciência, racionalizo usando os argumentos colocados no início do texto.</p>
<p>Mas o problema continua e a consciência, lá no fundo, incomoda. Afinal, a realidade está ali, diante de nossos olhos, e ela não é bonita. E isso tem um efeito muito maior do que argumentos lógicos.</p>
<p>Tenho, então, um mecanismo ainda mais eficaz para concluir que sou “de bem” e estou certo em não contribuir: admito o remorso, me condeno e fico mais tranqüilo comigo mesmo. Isso tudo, claro, passada a oportunidade de contribuir.</p>
<p>Cabe aqui o poema “Viajando num carro confortável”, de Bertold Brecht, citado pelo economista e filósofo Eduardo Giannetti em seu magnífico “<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1068803/auto-engano">Auto-Engano</a>”:</p>
<address><em>“Viajando num carro confortável</em></address>
<address><em>Por uma estrada chuvosa do interior</em></address>
<address><em>Avistamos ao cair da noite um homem rústico</em></address>
<address><em>Solicitando-nos condução com um gesto humilde.</em></address>
<address><em>Tínhamos teto e tínhamos espaço e seguimos em frente</em></address>
<address><em>E ouvimos a mim dizer num tom de voz árido: “Não,</em></address>
<address><em>Não podemos levar ninguém conosco”.</em></address>
<address><em>Tínhamos avançado já boa distância, um dia de viagem talvez,</em></address>
<address><em>Quando subitamente fiquei chocado com esta voz minha</em></address>
<address><em>Com este comportamento meu</em></address>
<address><em>E todo este mundo”.</em></address>
<p> </p>
<p>Assim como no caso da esmola, há sempre argumentos para justificarmos: pode ser perigoso dar carona a alguém; não tenho culpa se essa pessoa não tem carro (eu tenho o meu e ganhei com meu honesto suor); é preciso criar condições para todos terem o seu carro; é perigoso ficar nas estradas pedindo carona, etc.</p>
<p>Tudo isso é verniz, que não resiste à consciência crítica e sempre presente. A única arma que silencia o conflito é o auto-engano. Como explica Giannetti, “é doce imaginar-se firme, generoso e solidário no abstrato, enquanto a tentação de não sê-lo é remota e o desafio é apenas hipotético. (&#8230;.). O tempo contudo, vira. E quando ele vira – quando a oportunidade concreta por fim se oferece de provarmos na prática que somos de fato tudo aquilo que imaginamos ser -, a voz que ouvimos deixa, com freqüência, de ser a nossa. Ações falam. E o que nossas ações falam nem sempre é o que nos acostumamos a ouvir, em silêncio, enquanto o futuro é algo em aberto, a promessa, generosa, e o desafio, remoto”.</p>
<p>E agora, você continua vendo a questão da esmola sob a mesma ótica dos argumentos tradicionalmente empregados (ainda que corretos, repito), ou sua perspectiva sobre o tema ficou mais nebulosa?   </p>
<p>Talvez eu tenha causado mais confusão do que esclarecimento. Mais dúvidas do que certezas. Mais contradições do que coerências. Se fiz isso, então sinto-me satisfeito por aproximar-me da realidade. Como escreveu Novalis, “cada ser humano é uma pequena sociedade”. Há muitas vozes e visões dentro de cada um. E, ademais, como escreveu Giannetti, “é apenas na lógica, não na vida, que contradições não podem existir”.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-691" title="esmola3" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/07/esmola3.jpg?w=419&#038;h=292" alt="esmola3" width="419" height="292" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=688&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Brasil já é visto como potência</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/06/21/o-brasil-ja-e-visto-como-potencia/</link>
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		<pubDate>Sun, 21 Jun 2009 15:29:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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		<description><![CDATA[Há algum tempo escrevi um post dizendo que o Brasil estava mudando para melhor e começava a adquirir o status de economia dinâmica e de grande futuro. Falei que havia uma mudança de mentalidade no empresariado e que o governo atual, dando seqüência ao anterior, estava fazendo tudo certo na área econômica. O Brasil parece [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=668&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há algum tempo escrevi um <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/02/10/o-brasil-esta-mudando-e-para-melhor/">post dizendo que o Brasil estava mudando para melhor</a> e começava a adquirir o status de economia dinâmica e de grande futuro. Falei que havia uma mudança de mentalidade no empresariado e que o governo atual, dando seqüência ao anterior, estava fazendo tudo certo na área econômica. O Brasil parece começar a pensar grande.</p>
<p>Nessa semana, tive uma comprovação disso da boca de alguém que certamente tem cacife para discorrer sobre o tema: o Presidente do Conselho Geral da OMC (Organização Mundial do Comércio), o embaixador chileno Mário Matus. Jantamos juntos em Valdívia, no Chile, por ocasião de um evento em que ambos palestramos.</p>
<p>O embaixador disse algumas coisas interessantes. Primeiro, que o Brasil já é visto como potência e não mais como um país secundário no cenário internacional. Segundo, que o país vem atuando nos fóruns internacionais de acordo com seu novo papel no cenário mundial do comércio. Sabe a força que tem e vem conduzindo o G-20 de forma muito competente. Outro dia, um conhecido me perguntou a respeito dessas mudanças em curso, se o mundo estava vendo o Brasil de outro jeito; eu disse que  sim, mas antes de tudo parece-me que nós estamos nos vendo de uma outra maneira, e isso é que faz a diferença perante ao mundo.</p>
<p>Acho importante termos isso em mente ao invés da tradicional ladainha de se auto-desvalorizar, como estamos acostumados. Aliás, falar bem da gente sem ignorar os problemas é fundamental. Na minha apresentação, dei uma visão bastante otimista do futuro e isso causou um impacto positivo na percepção das pessoas.</p>
<p>Mesmo com todos os problemas que às vezes nos desanimam, o fato é que i) estamos no caminho certo, e ii) temos uma grande população e em crescimento, o que é fator fundamental para a definição do tamanho de nossa economia no futuro. Segundo o Goldman Sachs, para 2050 o Brasil será a quarta maior economia mundial, atrás da China, dos Estados Unidos e da Índia.</p>
<p>O Chile, por sua vez, é um país admirável sob o ponto-de-vista de organização e projeto de futuro, além de ter vinhos ótimos e esqui, tornando-o ainda mais atrativo. Mas é pequeno, com menos de 20 milhões de habitantes, o que limita seu poder de fogo e seu lugar no cenário mundial. De qualquer forma, é interessante analisar os fatores que estão fazendo com que investidores da  Nova Zelândia invistam na produção de leite desse país:</p>
<p>- qualidade e disponibilidade da mão-de-obra</p>
<p>- competitividade da mão-de-obra</p>
<p>- fundamentos macroeconômicos sólidos</p>
<p>- valores e identidade cultural</p>
<p>- estabilidade econômica</p>
<p>- estabilidade política</p>
<p>- respeito e funcionamento das instituições</p>
<p>- respeito à propriedade privada</p>
<p>- economia social de mercado</p>
<p>- mercado financeiro competitivo e saudável</p>
<p>- boa infra-estrutura</p>
<p>- posicionamento progressista em relação ao comércio internacional (uma das economias mais abertas)</p>
<p>- ambiente para se fazer negócios</p>
<p>Estamos atrás em diversos aspectos, com certeza, mas o porte de nossa economia, hoje a décima do mundo e subindo, aliada aos acertos na área econômica, fazem com que possamos esperar um futuro ainda mais promissor.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/668/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/668/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/668/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/668/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/668/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/668/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/668/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/668/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/668/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/668/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=668&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Entrevista do Gustavo Cerbasi, no Digestivo Cultural</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/06/05/entrevista-do-gustavo-cerbasi-no-digestivo-cultural/</link>
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		<pubDate>Fri, 05 Jun 2009 18:59:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[carreira]]></category>
		<category><![CDATA[Digestivo Cultural]]></category>
		<category><![CDATA[educação financeira]]></category>
		<category><![CDATA[Gustavo Cerbasi]]></category>
		<category><![CDATA[Julio Daio Borges]]></category>

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		<description><![CDATA[Recomendo a leitura da entrevista do Gustavo Cerbasi, no Digestivo Cultural, feita pelo Julio Daio Borges. Ele fala sobre educação financeira. Tem um trecho que tem a ver com os últimos posts, sobre serviços  e educação:  “Não nos falta uma revolução libertadora; o que falta é conhecimento, discernimento, educação: a parcela de culpa do Estado no [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=636&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recomendo a leitura da <a href="http://www.digestivocultural.com/entrevistas/entrevista.asp?codigo=21">entrevista do Gustavo Cerbasi</a>, no Digestivo Cultural, feita pelo <a href="http://twitter.com/digestivo">Julio Daio Borges</a>. Ele fala sobre educação financeira.</p>
<p>Tem um trecho que tem a ver com os últimos posts, sobre serviços  e educação:</p>
<p> <em>“Não nos falta uma revolução libertadora; o que falta é conhecimento, discernimento, educação: a parcela de culpa do Estado no problema está na nossa educação medíocre e passivística. Não aprendemos, nas escolas, a sermos cidadãos, mas sim a responder a questões de múltipla escolha. Você ainda sabe tirar a raiz de uma equação de quarto grau? Já esqueceu o nome do sobrinho do faraó da quinta dinastia egípcia? E a distribuição dos elétrons em um átomo? Por que aprendemos tanta coisa, mas esqueceram de nos ensinar a usar a previdência privada, a entender os motivos do pagamento de impostos, ou a perceber o que está por trás de uma tabela de financiamento? Por que o </em><a href="http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L8078.htm" target="_blank"><em>Código de Defesa do Consumidor</em></a><em> não caiu na prova?”</em></p>
<p>O cara realmente é diferenciado e merece o que vem conquistando.</p>
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		<title>Crítica de livro: Crowdsourcing &#8211; O Poder das Multidões, Jeff Howe</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/03/12/critica-de-livro-crowdsourcing-o-poder-das-multidoes-jeff-howe/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Mar 2009 21:55:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
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		<category><![CDATA[crowdsourcing]]></category>
		<category><![CDATA[Jeff Howe]]></category>
		<category><![CDATA[wikonomics]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabei de ler Crowdsourcing, de Jeff Howe, traduzido aqui com o duvidoso título &#8220;O Poder das Multidões&#8221;. É mais um livro na linha do Wikonomics, publicado há alguns anos, e que tenta desvendar essa nova era dos negócios em que o chamado &#8220;esforço coletivo&#8221; remodela os negócios, turbinado pela massificação da internet e de softwares [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=445&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-446" title="crowd" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/03/crowd.jpg?w=168&#038;h=255" alt="crowd" width="168" height="255" /></p>
<p>Acabei de ler Crowdsourcing, de <a href="http://crowdsourcing.typepad.com/" target="_blank">Jeff Howe</a>, traduzido aqui com o duvidoso título &#8220;O Poder das Multidões&#8221;.</p>
<p>É mais um livro na linha do Wikonomics, publicado há alguns anos, e que tenta desvendar essa nova era dos negócios em que o chamado &#8220;esforço coletivo&#8221; remodela os negócios, turbinado pela massificação da internet e de softwares de colaboração em massa.</p>
<p>Howe tem credenciais para essa tarefa. É editor da revista <em>Wired</em>, foi editor-sênior da Inside.com e colaborador da Village Voice. Além disso, foi quem criou o termo <em>Crowdsourcing</em> (que, justiça seja feita, é de difícil tradução). Porém, ao final do livro, que sem dúvida é interessante, traz insights e exemplos ilustrativos de como novos negócios estão sendo moldados, fica a sensação de que é mais uma publicação sobre o tema escrita por alguém que, usando o feliz termo que ele mesmo criou, é um imigrante digital e não um nativo digital, de forma que a visão muitas vezes parece de um outsider (talvez não tenha como ser de outro jeito ainda; como ele mesmo diz, o fenômeno está engatinhando e não sabemos que bicho vai dar). Mas o livro é bom para quem gosta da área e para quem precisa conhecer esse novo contexto. Na verdade, acho que todo mundo precisa!</p>
<p>A argumentação central do livro é que a utilização da sabedoria coletiva por parte das empresas abre um horizonte totalmente novo e cheio de oportunidades. Há inúmeras organizações cuja força de trabalho está quase que totalmente fora dela, seja na captação do talento de pessoas que não estão na folha de pagamento, seja pelo conteúdo gerado pelos usuários, que é transformado em negócio. Howe argumenta que o número de pessoas com educação superior e que não trabalha em sua profissão é significativo, o que gera uma capacidade intelectual disposta a se dedicar parcialmente e colaborar com iniciativas em suas áreas de formação, dando mais significado ao trabalho. Além disso, as pessoas têm necessidade de participar de comunidades, interagir, ter status, ganhar reputação, especialmente à medida que as comunidades, como fenômeno social, renascem, após o declínio do final do século passado.</p>
<p>A exploração da diversidade em uma comunidade é um conceito-chave. Citando outro livro e alguns exemplos, ele lembra que um grupo de especialistas normalmente é homogêneo, têm a mesma formação e, portanto, busca soluções equivalentes. &#8220;<strong>Duas cabeças não pensam melhor do que uma quando juntas formam uma única cabeça</strong>&#8220;, disse Scott Page. Já em um grupo heterogêneo &#8211; possível de se obter em uma comunidade aberta &#8211; perfis complementares melhoram substancialmente a capacidade de resolução de problemas.<strong> </strong>Ele complementa:<strong> a comunidade coleta o conhecimento coletivo, disperso em cada cidadão. A multidão é mais sábia do que seus indivíduos mais inteligentes. </strong> </p>
<p> Há, ainda a questão da quantidade: por mais que você tenha bons funcionários, as melhores pessoas trabalharão fora de sua empresa (é uma questão estatística: a Procter &amp; Gamble, por exemplo, tem 8.500 pesquisadores e descobriu na multidão 1,5 milhão de pessoas com qualificações interessantes).</p>
<p> Crowdsourcing não tem a densidade de Wikonomics, mas avança em alguns pontos. Um deles é o reconhecimento de que modelos de negócios com forte participação da coletividade gerando conteúdo dificilmente se sustentarão sem alguma contrapartida financeira aos colaboradores, especialmente se seu objetivo for ganhar dinheiro. Se essa for sua intenção, diz ele, é bom pensar em formas de dividir os ganhos com a comunidade que gera conteúdo relevante. Sobre conteúdo, ele cita a Lei de Sturgeon: 90% do que é produzido na rede é lixo (alguns acham essa projeção otimista). Outro dado interessante: a relação 1-10-89 &#8211; 1% gera conteúdo, 10% avalia/comenta, 89% consomem.</p>
<p>Outro avanço, natural até pelo fato de vir alguns anos depois de Wikonomics, é a caracterização de modelos de negócios que dão certo utilizando a coletividade. Que me lembre &#8211; e confesso que preciso reler este livro &#8211; Wikonomics mostrava com clareza como a internet e a colaboração da massa destruía valor (Wikipedia x Britannica, etc), mas era muito pouco farta em exemplos de sucesso.  Mesmo assim, Crowdsourcing não traz informações financeiras suficientes que permitam uma análise mais minuciosa das empresas.</p>
<p>Apesar de se colocar como um observador externo, em alguns momentos Howe é parcial. Na parte mais complicada, ele argumenta que a comunidade está sempre certa, o que é perigosamente equivocado.  &#8220;Tome uma atitude prática e democrática, permitindo que a multidão garimpe a fim de encontrar os diamantes melhores e mais brilhantes&#8221;, conclui. Talvez não seja sempre assim. O &#8220;efeito manada&#8221;, por exemplo, pode resultar em desastres, e Howe, parecendo encantado com aquilo que de fato a comunidade pode fazer, ignora isso. Apesar dele citar o livro <em>Cult of the Amateur</em>, de Andrew Keen, que argumenta que estamos vivendo uma era de mediocridade, em que amadores substituem profissionais e são valorizados pela multidão, não explorou muito esse assunto &#8211; ficando a impressão de que ele defende a inteligência da multidão, mas não tem argumentos para contrapor o risco do &#8220;efeito manada&#8221; e da supremacia da mediocridade que, em muitos casos, ocorre.</p>
<p>Entre os exemplos legais citados no livro, destaco:</p>
<p><a href="http://www.threadless.com/">www.threadless.com</a>: uma empresa que faz camisetas utilizando de forma muito bem sucedida a rede de usuários. Os usuários podem enviar estampas que, se aprovadas, são produzidas pela empresa. Os vencedores recebem camisetas gratuitamente e um prêmio em dinheiro, embora o maior benefício seja a reputação. Quem faz a seleção inicial são os próprios usuários do site, de forma que a empresa acaba se convertendo em um grande <em>focus group</em>, com pouquíssima chance de criar produtos que venham a encalhar. A empresa recebe semanalmente cerca de 1.000 desenhos que são votados pelos 600.000 participantes, que escolhem as 100 melhores. Destas, a empresa escolhe 9 camisetas para impressão.  Vendia, à época do livro, 90 mil camisetas mensais com margens de lucro muito altas.  A Threadless é, na verdade, uma empresa que vende <span style="text-decoration:underline;">Comunidade</span> e não <span style="text-decoration:underline;">Camisetas</span>.  Conceito interessante.</p>
<p> <a href="http://www.istockphoto.com/">www.istockphoto.com</a>: uma empresa que vende imagens enviadas por usuários da comunidade, com uma qualidade um pouco inferior às fotos vendidas pelos bancos de imagens profissionais, mas a uma fração do preço. A iStockphoto reduziu o faturamento dos grandes bancos de imagem em 99% e acabou sendo comprada por um deles, a Getty Images, vendendo 18 milhões de fotos e faturando US$ 72 milhões por ano.</p>
<p><a href="http://www.innocentive.com/">www.innocentive.com</a>: essa é das mais interessantes, já tendo sido comentada no Wikonomics. É uma rede de cientistas em diversas áreas que podem resolver problemas ou desenvolver soluções para empresas. Hoje, são mais de 160.000 pesquisadores em todo o mundo. Quando a equipe de P&amp;D de uma empresa empaca na solução de um problema, joga na rede. Se alguém resolver, ganha um valor em dinheiro, mantendo a propriedade intelectual. Um aspecto legal da lógica desse negócio é que, na rede, a empresa acessa profissionais com perfil diferente daquele existente internamente. Dessa forma, alguém com uma formação distinta, aplicando uma solução heterodoxa, pode resolver um problema ou trazer uma solução relevante.  É o Teorema da Capacidade de Superação da Diversidade, de Scott Page: <strong>as pessoas que você menos esperaria que pudessem resolver um problema são exatamente as que têm mais chances de solucioná-lo.</strong></p>
<p>Seria interessante termos dados financeiros sobre ela, mas o livro não os traz.</p>
<p>SETI@home: é uma iniciativa da Universidade de Berkeley, na Califórnia, cujo objetivo é varrer dados captados por grandes telescópios que são analisados por computadores de 3 milhões de usuários. Como isso é feito? Você instala um protetor de tela em seu micro e ajuda a tentar descobrir se há vida fora da Terra. É um exemplo de compartilhamento de recursos ociosos (no caso a capacidade de processamento de computadores pessoais) e da importância de se conseguir quebrar uma tarefa em pequenas partes, aspecto essencial do trabalho coletivo via internet.</p>
<p> <a href="http://www.topcoder.com/">www.topcoder.com</a>: essa empresa começou fazendo concursos de programação para programadores de computador, em que os melhores recebiam prêmios em dinheiro, patrocinados por grandes empresas do setor, que assim identificariam novos talentos. No início de 2006, a empresa tinha 70.000 programadores cadastrados, reunindo provavelmente os melhores programadores jovens do mundo. Com isso, começou a oferecer serviços de programação, em que a tarefa era quebrada em pequenos blocos e juntada depois. Os programas da TopCoder têm 0,98 bug a cada 100 mil linhas, ao passo que a média do setor é de 6,além de ser feitos muito mais rapidamente.</p>
<p>Há ainda cases como a Wikipedia, Google, Netflix, Digg.com, Marketocracy, Current TV, IdeaStorm, American Idol, Kiva, SellaBand e outros.</p>
<div id="attachment_447" class="wp-caption alignnone" style="width: 158px"><img class="size-full wp-image-447" title="jeff-howe" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/03/jeff-howe.jpg?w=148&#038;h=130" alt="Jeff Howe" width="148" height="130" /><p class="wp-caption-text">Jeff Howe</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=445&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Brasil está mudando &#8211; e para melhor</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Feb 2009 14:10:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<description><![CDATA[Sem dúvida fatos como a eleição de José Sarney para a presidência do Senado, a política que continua como nos velhos tempos, o escândalo do corregedor da Câmara que construiu um castelo de milhões, o fisiologismo do PMDB, as escorregadas do presidente Lula, a burocracia, a carga tributária e a corrupção, entre outras mazelas, nos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=342&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sem dúvida fatos como a eleição de José Sarney para a presidência do Senado, a política que continua como nos velhos tempos, o escândalo do corregedor da Câmara que construiu um castelo de milhões, o fisiologismo do PMDB, as escorregadas do presidente Lula, a burocracia, a carga tributária e a corrupção, entre outras mazelas, nos desanimam e nos mostram o quanto o Brasil ainda precisa evoluir.Mas apesar de tudo isso, acredito que o Brasil está mudando para melhor -principalmente em função do empresariado. Lembro-me de ter lido um artigo há alguns anos dizendo que não havia nenhuma empresa global brasileira, porque no Brasil o projeto de poder é mais forte do que o projeto econômico. Em outras palavras, é melhor ser dono de algo pequeno do que ter uma parcela de algo bem maior. O artigo, escrito há apenas alguns anos pelo guru de meu amigo Celso, estava corretíssimo: o Brasil pensava pequeno; talvez fosse o complexo de inferioridade que Nelson Rodrigues definiu, ao explicar nosso fracasso na Copa de 50, em pleno Maracanã. Se Bill Gates pensasse assim, se preferisse manter o controle da Microsoft, certamente não teria criado o império que criou &#8211; é possível que nem teria saído da garagem onde a empresa foi concebida.</p>
<p>Bem, de lá para cá, utilizando o exemplo futebolístico, ganhamos cinco títulos mundiais, um prenúncio aplicado à bola de que algo estaria mudando. E está. Há dez anos, o Brasil não tinha nenhuma empresa entre as cem maiores empresas dos países emergentes, as &#8220;desafiantes globais&#8221;, como cunhou a revista The Economist. No ano passado, o Brasil tinha simplesmente treze empresas entre as cem maiores, atrás apenas da China (41) e da Índia (20). O México, 7, a outrora toda poderosa, 6 e os antes temidos Tigres Asiáticos, só 5.</p>
<p>Assistimos empresas com a Vale, se tornando um player global; assistimos a fusões entre bancos como o Itaú e o Unibanco, que entenderam que o jogo é para os grandes. Assistimos o desenvolvimento do agronegócio brasileiro, hoje referência em muitos segmentos, como o suco de laranja (diga-se de passagem, um dos primeiros a se internacionalizar, comprando empresas no principal país concorrente, os EUA), o complexo soja e o complexo cárneo. Nele, além de Perdigão e Sadia, destacam-se empresas do segmento bovino que cresceram muito, como o Marfrig e, principalmente, o Friboi, que comprou a Swift nos EUA, dez vezes maior, e se tornou só a maior empresa de processamento de carne bovina do mundo.</p>
<p>Mas é na cerveja que está nosso maior exemplo de pensar grande. O trio do GP, Jorge Paulo Lehmann, Beto Sicupira e Marcel Telles, ao adquirirem a Brahma no final da década de 80, deram o tom dos novos tempos. Fundiram-se com o principal concorrente, a Antarctica, criando a AmBev, depois fundida com a Interbrew, na Bélgica, para se tornar a segunda maior cervejaria do mundo, a InBev. E a gestão, apesar de minoritários, é dos brasileiros. O símbolo máximo desses novos tempos foi a aquisição da Anheuser Busch, dona da cerveja Budweiser, um ícone americano cuja negociação até o estado do Missouri tentou evitar.</p>
<p>Pense nisso: uma empresa administrada por brasileiros compra um ícone centenário nos EUA, cujas cores são as mesmas da bandeira norte-americana. Já não bastasse o impacto do negócio, fica o forte simbolismo desse fato.</p>
<p>Aliás, acho que essa turma formada pelo trio do GP, pelo Jorge Gerdau e alguns outros, influenciados por empresas líderes globais e pelo consultor mineiro Vicente Falconi, do INDG, são os vetores dessas mudanças.</p>
<p>Lembro-me aqui da biografia de Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, um livro essencial, escrito pelo Jorge Caldeira. Mauá, o primeiro empresário de fato que o Brasil teve, era um homem à frente do seu tempo. Tutorado por um inglês, ao longo do século XIX entendeu a lógica de se fazer negócios e de crescer, fez fortuna, enxergou longe, mas encontrou um império tacanho e mesquinho, governado por D. Pedro II e uma elite que definitivamente não favorecia o progresso, tendo que lugar a vida toda contra a estreiteza de visão. Lutamos há séculos contra essa chaga da falta de visão de longo prazo, mas acho que estamos vencendo.</p>
<p>São tempos passados. O ponto-chave é que, apesar dos Sarneys da vida, o empresariado vem mudando sua forma de pensar &#8211; passou a pensar grande. Aliado a isso, dois fatores importantes: primeiro, o governo reduziu o seu peso na regulamentação e mesmo no tamanho da economia, principalmente após as privatizações; e &#8211; é fundamental admitir &#8211; o governo tem acertado naquilo que é importante. Tem mantido uma política econômica ortodoxa, tem sido pragmático e parece ter entendido que há certos princípios de mercado que estão acima de questões ideológicas.</p>
<p>Parece pouco, mas não é. A Argentina, por exemplo, seguiu por outro caminho, pagou o preço e ainda vai pagar. O Brasil é sem dúvida o país emergente que hoje mais encanta o mercado internacional. A eleição de Lula e os temores por ela provocados se mostraram infundados. A democracia estava consolidada e o ambiente institucional dava provas de que havia de fato mudado.</p>
<p>Está certo que o mundo passou por momentos de ouro nos últimos anos, o que certamente ajudou. Está certo de que poderíamos ter feito muito mais, principalmente as reformas. Mesmo assim, o que foi feito não é desprezível. Não é à toa que o Brasil é o B da sigla &#8220;BRIC&#8221;, que reúne ainda Rússia, Índia e China. Não é à toa que o relatório da CIA, sobre cenários para 2020, coloca o Brasil como um importante pivô regional, integrado ás maiores economias mundiais. Finalmente, o Brasil parece caminhar para ocupar seu lugar de &#8220;país do futuro&#8221;.</p>
<p>Apesar da crise e dos problemas endêmicos que ainda temos, sou otimista quanto ao futuro e acho que o Brasil já é e continuará sendo um dos melhores lugares para se fazer negócios no mundo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/342/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/342/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/342/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=342&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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