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	<title>O que der e vier &#187; Ética</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; Ética</title>
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		<title>Como Shackleton contratava</title>
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		<pubDate>Sat, 08 May 2010 23:50:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O irlandês Ernest Shackleton é considerado um dos maiores líderes que já existiu, apesar de não ter conseguido conquistar quase nenhum dos objetivos a que se propôs. A sua fama mundial ocorreu após a malsucedida viagem do barco Endurance a Antártida, quando ele e sua tripulação sobreviveram durante dois anos, de 1914 a 1916, nos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=1004&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O irlandês <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ernest_Shackleton">Ernest Shackleton</a> é considerado um dos maiores líderes que já existiu, apesar de não ter conseguido conquistar quase nenhum dos objetivos a que se propôs. A sua fama mundial ocorreu após a malsucedida viagem do barco <em>Endurance</em> a Antártida, quando ele e sua tripulação sobreviveram durante dois anos, de 1914 a 1916, nos confins gelados do pólo sul, quando o navio foi esmagado pelo gelo e naufragou.</p>
<p>O incrível é que todos os membros da tripulação sobreviveram, não só em boas condições físicas, mas também emocionais. Longe de casa, sob um frio intenso e a 2 mil quilômetros da civilização, a chance do grupo esmorecer ou se dividir eram significativas – quase uma certeza diante de tanto stress e desafio.</p>
<p>Mas havia Shackleton. Para ele, o cuidado com o bem-estar da equipe era essencial, exigindo em troca a lealdade e o trabalho. Essas informações estão no livro <em>S<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=705974&amp;sid=8739129841258738995369032&amp;k5=B4D0FEB&amp;uid=">hackleton – Uma lição de coragem</a>, </em> que disseca o estilo de liderança do explorador e que estou lendo. O livro clássico sobre a expedição do Endurance é  <em><a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=771891&amp;sid=8739129841258738995369032&amp;k5=3258B6C9&amp;uid=">A incrível viagem de Shackleton</a></em>, de Alfred Lansing. Um detalhe interessante é que a expedição, cujo objetivo era cruzar o continente antártico, já que o pólo já havia sido atingido por Amundsen, contava com o fotógrafo Frank Hurley, que documentou de forma brilhante a viagem que tinha tudo para ser trágica. O registro fotográfico dá alma e materializa as impressões que são passadas pelos livros. <a href="http://www.shackleton-endurance.com/images.html">Neste site</a>, há um belo registro das fotos da expedição.</p>
<div id="attachment_1006" class="wp-caption alignnone" style="width: 316px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-13.png"><img class="size-full wp-image-1006" title="Captura de tela 2010-05-08 às 20.26.13" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-13.png?w=306&#038;h=413" alt="" width="306" height="413" /></a><p class="wp-caption-text">Shackleton</p></div>
<p>Entre os aspectos que explicam o sucesso diante de tanta adversidade está o processo de contratação de Shackleton, que era, no mínimo, pouco convencional, embora criterioso: Shackleton dava uma importância enorme para ter pessoas excepcionais em sua equipe, mesclando experiência com juventude, mas sempre tendo o caráter como qualidade eliminatória.</p>
<p>Para a expedição do <em>Endurance</em>,  ele recebeu nada menos do que 5.000 pedidos de interessados, para selecionar cerca de 30 pessoas. A pré-seleção foi feita por Frank Wild, que já havia estado com ele na expedição do Nimrod, que quase havia chegado ao pólo. Wild separou inicialmente os candidatos em “loucos”, “fora de questão” e “possíveis”. Shackleton então analisava a pilha dos possíveis e entrevistava os que achava que tinham potencial. Como ele organizava sua equipe?</p>
<ul>
<li><span style="text-decoration:underline;">Formava um núcleo de profissionais experientes</span>: eram confiáveis, faziam o trabalho pesado quando a coisa apertava e criavam uma atmosfera profissional. Shackleton buscou quem ele conhecia, além de recomendações de outros exploradores. Procurava pessoas que exerceriam uma influência benéfica sobre os mais jovens, especialmente nos momento críticos. Um dos homens nessa posição era Tom Crean, que fizera parte da expedição de Scott, salvando a vida de um tenente. Crean tivera uma carreira irregular na Marinha, com rebaixamentos por embriaguês e comportamento inadequado. Com Scott, era apenas marinheiro, mas Shackleton colocou-o como segundo oficial de náutica.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Tinha um substituto confiável e leal, que partilhava de suas noções de liderança</span>.  Frank Wild era esse homem. Para Shackleton, Wild tinha tudo que precisava em um número 2: lealdade, bom humor, honradez, força e experiência. Um dos marinheiros disse sobre Wild: “é nosso segundo homem e de longe o mais popular (com exceção de nosso chefe) entre nós”.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Buscava pessoas que compartilhavam de sua visão e entusiasmo pela exploração.</span> Nesse sentido, ele queria para o <em>Endurance</em> um comandante meio fanfarrão. Frank Worsley foi o selecionado – era ousado e excêntrico, meio doido até. Mas gostava de uma boa piada e de conversa, o que era importante para atravessar situações difíceis.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Fazia entrevistas pouco convencionais para identificar o que queria</span>. Shackleton procurava, acima de tudo, avaliar personalidades. Mantinha conversas descontraídas, em que buscava detectar entusiasmo, otimismo e capacidade de fazer parte de uma equipe. Para um dos candidatos, Raymond Priestley, ele perguntou se sabia cantar e se saberia reconhecer ouro caso o visse. O candidato, surpreso, disse que não, mas foi contratado mesmo assim, apesar de terem diversas pessoas com qualificações maiores do que a dele.  Shackleton viu nele algo que gostava e, de fato, Priestley se revelou um dos membros mais valiosos do grupo.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Buscava pessoas otimistas, que tinham maior propensão para o trabalho em equipe</span>. Um dos seus objetivos era encontrar pessoas felizes. Durante a entrevista de Hussey, ele ficou andando de um lado para o outro, parecendo não prestar muita atenção. Depois, disse: “Você serve”.  Hussey disse que o Chefe (como era conhecido) havia dito depois que o contratara porque ele parecia engraçado…De fato, mostrou-se incrivelmente engraçado, tocava banjo e foi importantíssimo para manter o moral elevado durante os piores momentos (além de ter talento, pois vinha de uma expedição ao Sudão).</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Contratava pessoas que realmente queriam o emprego</span>. Alguns candidatos haviam recebido um telegrama na tarde anterior, pedindo para encontrar-se com Shackleton na manhã seguinte. Dois deles não foram e, de repente, o terceiro apareceu todo molhado, dizendo que estava em outra cidade, tomara vários trens e ali estava. Foi contratado na hora.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Buscava gente que trabalhava duro, independentemente da hierarquia</span>. Não havia passageiros no <em>Endurance</em>, todo mundo mais ou menos dividia as tarefas. Médicos ajudavam na cozinha, todo mundo era de utilidade pública. Não havia espaço para prima donnas. Quando podia, testava as pessoas em trabalhos árduos antes de contratar.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Contratava quem tinha conhecimentos que lhe faltavam</span>, como cientistas altamente qualificados. No Endurance, tinha um grande fotógrafo (Hurley), um biólogo experiente, um físico de Cambridge, etc.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Certificava-se de que todos sabiam o que deles era esperado</span> e, para isso, era muito claro na comunicação, inclusive escrita. Nunca iludia ninguém com falsas promessas, especificava as tarefas, o pagamento, etc.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Equipava a equipe com o que tinha de melhor em relação a equipamentos</span>. Sabia que um equipamento ruim poderia colocar a vida das pessoas em risco. Para ele, instrumentos ordinários desperdiçavam tempo e dinheiro. Tudo no <em>Endurance</em> era do que tinha de melhor na época.</li>
</ul>
<p>Gostei bastante dessas dicas, especialmente em relação às características que valorizava nas pessoas: visão compartilhada, otimismo e entusiasmo, vontade de trabalhar, facilidade de trabalhar em equipe e conhecimento.</p>
<div id="attachment_1005" class="wp-caption alignnone" style="width: 364px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-42.png"><img class="size-full wp-image-1005" title="Captura de tela 2010-05-08 às 20.26.42" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-26-42.png?w=354&#038;h=474" alt="" width="354" height="474" /></a><p class="wp-caption-text">O Endurance aprisionado no gelo</p></div>
<div id="attachment_1007" class="wp-caption alignnone" style="width: 410px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-30-14.png"><img class="size-full wp-image-1007" title="Captura de tela 2010-05-08 às 20.30.14" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/captura-de-tela-2010-05-08-as-20-30-14.png?w=400&#038;h=268" alt="" width="400" height="268" /></a><p class="wp-caption-text">Essa foto foi tirada por Frans Lanting, no exato local em que o grupo de 6 pessoas liderado por Shackleton saiu em busca de ajuda em um pequeno bote. No primeiro plano, a foto desse momento, tirada por Hurley.</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1004/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=1004&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Avatar merecia mais</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 23:44:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Antes de escrever sobre Avatar, fiz uma consultazinha na internet e conversei com algumas pessoas que viram o filme.  Fiquei surpreso – quase só críticas favoráveis e pessoas que respeito intelectualmente gostaram muito do filme. Será que vimos o mesmo filme? Será que minha avaliação está errada, sou insensível, exigente, obtuso? Será que minhas expectativas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=945&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de escrever sobre <a href="http://www.avatarfilme.com.br/">Avatar</a>, fiz uma consultazinha na internet e conversei com algumas pessoas que viram o filme.  Fiquei surpreso – quase só críticas favoráveis e pessoas que respeito intelectualmente gostaram muito do filme.</p>
<p>Será que vimos o mesmo filme? Será que minha avaliação está errada, sou insensível, exigente, obtuso? Será que minhas expectativas estavam exageradas e equivocadas? Vamos ser justos: Avatar é um show, uma super-produção primorosa. Em 3D, você de fato entra nas cenas. A realidade virtual criada por James Cameron é perfeita. É uma obra-prima na forma. Mas no conteúdo…</p>
<p>O roteiro é fraco, óbvio, chega a afrontar nossa inteligência. Os diálogos são pobres e os personagens totalmente clichês, ainda que em geral bem interpretados: o heroí, a heroína, os ajudantes dos dois, o vilão (excelente, por sinal, o ponto alto do enredo), e assim por diante. Tudo bem, é possível ter esses clichês e fazer um grande filme. Mas não é o caso. A história é previsível do começo ao fim, você fica esperando algo diferente e simplesmente não vem nada, até o ponto em que você se contenta em apreciar o visual e os efeitos.  Infelizmente, tive que ver o filme dublado, o que é de lascar, e isso talvez tenha contribuído negativamente.</p>
<p>O filme procura ainda passar uma mensagem educativa: que temos de proteger o meio-ambiente, caso contrário destruiremos nosso planeta. Ok, concordo.  Mas essa abordagem seria válida e potencialmente impactante caso esse tema não fizesse parte da nossa agenda. Nesse caso, mesmo com uma historinha boba, Avatar teria um impacto ao trazer à tona um tema novo e relevante. Mas, pombas, esse é o principal tema discutido no mundo atual! O grande desafio que temos é como conciliar o aumento da renda de grande parte da população mundial, que vai se refletir em maior consumo, com a necessidade de utilização racional dos recursos naturais.</p>
<p>Ainda não sabemos ao certo como fazer isso, como a COP15 demonstrou em dezembro. Mas a discussão está em todos os jornais, TVs, internet, governos, empresas. Talvez quando Cameron começou a trabalhar a ideia, há 10 ou 12 anos, fosse um tema de vanguarda. Hoje, é <em>main stream</em>. Não me parece necessário gastar US$ 300 milhões e empregar uma metáfora da destruição de um outro planeta para passar essa mensagem. Talvez eu esteja exagerando; talvez eu seja mais consciente a respeito dessas questões, do que a maior parte da população mundial &#8211; afinal me informo minimamente. Faço, então, uma ressalva: talvez o filme tenha êxito ao passar essa mensagem, ainda que de uma maneira água com açúcar. Para mim, porém, Avatar foi inócuo nesse sentido.</p>
<p>Mesmo com esses tropeços, o filme se salvaria, tamanha a qualidade da produção e a inovação visual. Mas Avatar ainda abusa dos lugares-comuns: a culpa pelo extermínio de populações tecnologicamente menos favorecidas, o amor impossível (me pareceu muito um Dança com Lobos: uma civilização mais avançada destrói a outra, até que surge um amor para complicar…), a culpa pelas conseqüências – psicológicas inclusive &#8211; da Guerra do Vietnã e afins, o velho embate entre o bem e o mal, Davi contra Golias, e assim por diante.</p>
<p>De fato, o diretor caracterizou as duas civilizações em conflito como totalmente antagônicas, colocando-as em pontos absolutamente opostos em relação aos aspectos éticos. De um lado, o “povo do céu”, isto é, nós, armados, poderosos e sem escrúpulos, querendo explorar um metal raro presente no subsolo de Pandora; de outro, uma tribo alienígena (metáfora clara dos povos indígenas que foram exterminados) que vive em total comunhão com a natureza,  de modo absolutamente idílico &#8211; Pandora, de fato, assemelha-se a uma espécie de paraíso. Nesse sentido, Cameron se mostra um grande pessimista com os rumos da raça humana: em 2154, teremos destruído todo o verde daqui e o próximo passo é fazer o mesmo por lá.</p>
<p>Há ainda um <em>gran finale</em>, e se você não viu o filme, aconselho a parar por aqui. Diante da possibilidade de voltar para a Terra ou mudar definitivamente para Pandora e se tornar um Na’vi, abandonando sua versão humana, o herói Jake não hesita: se “suicida” como humano para viver no paraíso de Pandora com sua amada nativa. É a utopia em seu grau extremo: abandonar a própria vida, o próprio mundo, e viver no Eden. Isso dá mais uma longa análise, mas deixa pra lá…</p>
<p>Você vai achar que não recomendo o filme. De forma alguma. Avatar é bom? Depende do que se busca e talvez aí esteja meu erro com essa análise bem crítica. Se a ideia é ver um belo roteiro e uma história inteligente, esqueça. Se o objetivo é se divertir com uma criação brilhante, vá fundo que a diversão é garantida. As duas horas e meia de filme passam rapidamente e você embarca mesmo em uma viagem. Mas mesmo por isso, por ter feito algo tão grandioso e com tanto potencial, James Cameron poderia ter marcado época e feito um filme melhor. Avatar merecia uma história mais consistente, menos óbvia e infantil, menos Romeu e Julieta com final feliz, que acabou apenas servindo como invólucro para embalar as peripécias tecnológicas e a incrível criatividade visual. Uma pena.</p>
<p>PS: recebi esse link aqui comparando <a href="http://failblog.org/2010/01/10/avatar-plot-fail/">Avatar com Pocahontas</a> <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>(Vai, pode meter o pau agora).</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-29-as-20-48-14.png"><img class="alignnone size-full wp-image-944" title="Captura de tela 2010-01-29 às 20.48.14" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-29-as-20-48-14.png?w=500&#038;h=261" alt="" width="500" height="261" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=945&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Propaganda da Vivo: eficiência, inteligência e emoção</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2010/01/19/propaganda-da-vivo-eficiencia-inteligencia-e-emocao/</link>
		<comments>http://blog.oquederevier.com/2010/01/19/propaganda-da-vivo-eficiencia-inteligencia-e-emocao/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 20:07:56 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Seguindo a dica do Luiz Marinho, vi o novo filme da Vivo, criado pela agência Africa, do Grupo ABC. Em meio a tanta propaganda nivelada por baixo, que afronta nossa inteligência, o bom senso e não raro até a ética, esse filme vai na direção oposta: é inteligente, tem bom gosto e passa a mensagem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=919&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seguindo a dica do <a href="http://marinhonoblog.blogspot.com">Luiz Marinho</a>, vi o novo filme da Vivo, criado pela agência Africa, do Grupo ABC. Em meio a tanta propaganda nivelada por baixo, que afronta nossa inteligência, o bom senso e não raro até a ética, esse filme vai na direção oposta: é inteligente, tem bom gosto e passa a mensagem que a empresa quer passar, utilizando um tema complicado mas cada vez mais presente na vida das pessoas (e que, por mais incrível que possa ser, é ainda um tabu).</p>
<p>Belo filme, impactante. Ainda mais para quem, como eu, viveu e vive essa situação de uma forma muito semelhante.</p>
<p>Parabéns a Vivo e a Africa. É a melhor propaganda que vi nos últimos anos.</p>
<p>O filme:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2010/01/19/propaganda-da-vivo-eficiencia-inteligencia-e-emocao/"><img src="http://img.youtube.com/vi/99CdKh-T3gg/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=919&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>O Brasileirão e a ética do brasileiro</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/12/01/o-brasileirao-e-a-etica-do-brasileiro/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Dec 2009 23:34:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
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		<category><![CDATA[Inter]]></category>
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		<description><![CDATA[O Campeonato Brasileiro, apesar do baixo nível técnico e da ausência de times e mesmo jogadores que empolguem, chega ao final com grandes expectativas. Em parte, essas expectativas derivam da possibilidade de diversas equipes ganharem o torneio,  alternando-se na liderança a cada rodada, tornando risíveis as probabilidades matemáticas, sempre publicadas pelos jornais após os jogos. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=854&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Campeonato Brasileiro, apesar do baixo nível técnico e da ausência de times e mesmo jogadores que empolguem, chega ao final com grandes expectativas. Em parte, essas expectativas derivam da possibilidade de diversas equipes ganharem o torneio,  alternando-se na liderança a cada rodada, tornando risíveis as probabilidades matemáticas, sempre publicadas pelos jornais após os jogos.</p>
<p>Afora essa saudável disputa, a outra razão pela qual o campeonato termina carregado de expectativas é o inusitado fato de que, se o Grêmio vencer o Flamengo no Rio de Janeiro, muito provavelmente dará o título a seu arqui-rival, o Internacional. Que situação! Deverá o Grêmio entregar o jogo ao Flamengo, evitando o triunfo de seu maior inimigo?</p>
<p>Vários comentaristas e as pessoas em geral consideram normal o torcedor gremista pedir que seu time entregue o jogo; afinal, para o Grêmio é só mais um jogo, facilmente cambiável pela alegria de ver a perda do título colorado. Mais do que isso: por ser o protagonista dessa perda, não interessa por que meios. O que não pode, concordam cheios de pudor e aparente decência, é a diretoria pedir para o time entregar o jogo. Isso sim seria anti-ético.</p>
<p>Engraçado. Não me parece “normal” que o torcedor peça para o time entregar o jogo para evitar mal maior. Uma coisa é torcer contra o inimigo; outra, bem diferente, é prejudicar a si próprio, se vender (sim, é uma venda, não monetária, mas uma venda) em troca de ver o tropeço alheio.</p>
<p>Onde anda o tal “fair-play”, o reconhecimento de que existem limites e aspectos éticos mais importantes do que o título em si, ou, no caso, o triunfo do concorrente? É claro que o gremista não ficaria de qualquer forma satisfeito com a (improvável) vitória do Inter, mas mil vezes agüentar as gozações e aceitar a derrota, aceitar que o rival foi mais competente e, caso ganhasse, ganharia licitamente, do que trocar a consciência tranqüila pela alegria de poder prejudicar o rival, sem qualquer vantagem adicional que não saborear a tristeza alheia. Mesmo porquê, nesse raciocínio, amanhã pode ser a sua vez de estar na posição colorada (ou na posição säopaulina, corinthianos!).</p>
<p>Vivo em Marte, dirão. Sim, devo viver, afinal esse comportamento de levar vantagem em tudo está entranhado em nossa consciência. Paro de escrever por um momento: acabo de ver matéria sobre esse mesmo tema no Jornal Nacional: o tratamento não é que se trata de absurdo, de um deslize moral, mas sim de algo “pitoresco”, fruto da rivalidade, até “saudável”. Nem uma entrevista sequer de alguém chamando para a questão básica: qual é o papel do esporte, onde está o ideal Olímpico? Claro, o futebol deixou de ser um esporte há muito, e nunca flertou muito bem com as Olimpíadas. Talvez por isso.</p>
<p>Mas o problema não é só do futebol. Esse esporte é um símbolo do Brasil e do brasileiro. Sua ética, em maior ou menor grau, representa a nossa ética. Fico pensando com que autoridade nos assombramos com os Arrudas da vida, quando achamos normal que o torcedor gremista queira que sua equipe entregue o jogo. Achamos até legal, correto esse comportamento, quando essa simples possibilidade já soaria absurda caso houvesse valores decentes e alguma ética.</p>
<p>Na semana passada, o mundo viu Thierry Henry colocar escandalosamente a mão na bola, resultando no gol salvador bem no final do jogo contra Irlanda,  colocando a França na Copa e eliminando injustamente os irlandeses. O que fez Henry após a partida? Pediu desculpas aos irlandeses e disse que a solução mais justa seria a realização de uma nova partida. Pode-se dizer que ele poderia não ter colocado a mão na bola, que agora é fácil justificar e sair de bom moço. Qualquer um que já jogou algum esporte minimamente a sério sabe que há reações instintivas ligadas a sobrevivência – simplesmente não há tempo de se raciocinar – quanto mais quando o que está em jogo é a garantia da participação em uma Copa do Mundo que ia inacreditavelmente escapando a forte e tradicional França. Qual seria a reação do jogador brasileiro médio, em uma situação dessas, após colocar a mão na bola? Será que pediria uma nova partida e pediria desculpas ao adversário ainda no campo? Será que a imprensa e as pessoas em geral o considerariam majoritariamente desonesto, ou “esperto”? Tenho dúvidas, mas temo que a maioria consideraria um ato de esperteza, como la Mano de Dios de Maradona, na Copa de 86. E, claro, quando falo do jogador brasileiro “médio”, estou falando do brasileiro “médio.</p>
<p>É irônico que o Brasileirão termine dessa forma, caprichosamente expondo nossas fraturas éticas futebolísticas, que tão bem podem ser extrapoladas para nossa própria sociedade. A rigor, nessas alturas, se o Grêmio vai entregar o jogo para o Flamengo, nem interessa muito (curiosamente, parece que o Grêmio escalará uma “equipe mista”: os diretores, assim, lavam as mãos). Com esse episódio, já perdemos, e de goleada, o jogo da ética e dos valores que moldam uma sociedade decente.</p>
<p>PS: nada contra o Grêmio ou os gremistas; qualquer grande time e torcida provavelmente protanizaria o mesmo papelão, caso estive em posição semelhante.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/854/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=854&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Minha definição de sucesso</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/09/15/minha-definicao-de-sucesso/</link>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 02:41:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[carreira]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[sucesso]]></category>

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		<description><![CDATA[O Washington Olivetto diz que sucesso é poder ser amigo de seus ídolos. Eu acho que pode ser por aí mesmo. Com variações. Na minha visão, sucesso é poder escolher para quem dedicar seus melhores esforços. É, em última análise, ter a liberdade e a autonomia de dizer “não” quando simplesmente não vale a pena [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=775&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/09/05/serie-grandes-publicitarios-impressoes-sobre-o-washington-olivetto/">Washington Olivetto</a> diz que sucesso é poder ser amigo de seus ídolos. Eu acho que pode ser por aí mesmo. Com variações.</p>
<p>Na minha visão, sucesso é poder escolher para quem dedicar seus melhores esforços. É, em última análise, ter a liberdade e a autonomia de dizer “não” quando simplesmente não vale a pena dizer “sim”. E se esse &#8220;não&#8221; comprometer o negócio ou a carreira, ter a confiança e a persistência de achar uma alternativa. Sucesso é ir poder dormir tranqüilo ao tomar uma decisão que, a princípio, pode te prejudicar, mas mantém intactos os seus valores. Já passei por várias destas decisões dolorosas. Arrependo-me só das que fui contra mim mesmo. Sucesso não é dar uma de Nelsinho Piquet&#8230;</p>
<p>Sucesso é não se submeter ao mundo. É perguntar porque não?, e não simplesmente repetir padrões que alguém lá atrás impôs. Sucesso é colocar a empresa a serviço da sua causa, da sua vida, não o oposto. E sei o que estou falando: já fiz o oposto, e não funcionou&#8230;</p>
<p>Sucesso é você criar relações comerciais com pessoas que você admira pelo que fazem e pelo que são. É poder ajudá-las em seus projetos e saber que elas também te ajudam nos seus porque acreditam em você. É ser respeitado pelo que você é, e não pela empresa que carrega seu nome no cartão de visitas, ou pelo cargo que ocupa. Ou mesmo por suas realizações passadas. Só pelo que você é. No final, negócios são feitos por pessoas.  </p>
<p>Como algo que flutua na correnteza e que sempre vai parar no lugar que precisa parar, independentemente da sua vontade, percebo que só consigo produzir por uma causa que considere válida. Ou por pessoas ou empresas que considere dignas. Meu talento, pouco ou muito, não está a serviço de qualquer um. Sou seletivo, assim fui e assim vou continuar sendo. Nunca vou ser unanimidade, nunca ganharei eleição alguma. Há um preço a se pagar, mas o que não embute um preço a se pagar? A questão é escolher o que você está disposto a pagar: qual é a moeda que realmente vale para você. Pensando bem, acho que só me relaciono com pessoas e empresas que considero valerem a pena, cada uma por sua razão (não financeiras; isso é conseqüência). Talvez o Washington tenha razão.</p>
<p>Por outro lado, procuro achar valor nas pessoas. Aprendi a ser humilde a ponto de não fazer pré-julgamentos. Pelo menos, tento (sou humano&#8230;). Admiro pessoas que são absolutamente incompatíveis entre si. E sou amigo delas. Genuinamente. Não as admiro incondicionalmente; sei entender seus argumentos, suas fraquezas, seus motivos. São menos dignos do que os meus? Não tenho essa pretensão. Não sou dono da verdade. </p>
<p>Acho, enfim, que sucesso é poder ser você, sem máscaras, e conseguir ir frente assim (ou apesar disso, para os mais realistas). Sucesso é ser você e encontrar um jeito do mundo te aceitar desse jeito.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/775/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=775&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Quer viver mais? Seja generoso</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/09/07/quer-viver-mais-seja-generoso/</link>
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		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 01:05:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebi um texto legal sobre longevidade, que dizia que ser generoso faz você viver mais. Um estudo nos Estados Unidos revelou que pessoas empenhadas em ajudar o próximo reduzem em 60% o risco de morte precoce. Segundo especialistas brasileiros, isto estaria ligado ao fato de que, ao ajudar o próximo, a pessoa se sente mais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=760&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recebi um texto legal sobre longevidade, que dizia que ser generoso faz você viver mais. Um estudo nos Estados Unidos revelou que pessoas empenhadas em ajudar o próximo reduzem em 60% o risco de morte precoce. Segundo especialistas brasileiros, isto estaria ligado ao fato de que, ao ajudar o próximo, a pessoa se sente mais útil, dando um sentido maior à sua vida. Isso também reforça os vínculos afetivos, que seria mais uma razão para (o organismo) querer viver mais. Por outro lado, o egocêntrico tem o dobro de chances de morrer cedo.</p>
<p>Ser generoso, doar-se, fazer o bem, está, dessa forma, intimamente ligado a manter laços afetivos fortes com aqueles que estão à sua volta. E isso faz viver mais, segundo o artigo.</p>
<p>Lembrei-me na hora (mais uma vez) do livro <a href="http://blog.oquederevier.com/2008/12/14/critica-de-livro-outliers-fora-de-serie-de-malcolm-gladwell/">Fora de Série (Outliers)</a>, do Malcolm Gladwell, que conta, no prefácio, a história de uma pequena cidade de imigrantes italianos nos Estados Unidos, chamada Roseto, na Pennsylvania. Um médico chamado Stewart Wolf, especializado em digestão, soube que raramente havia uma pessoa com menos de 65 anos que tinha problemas cardíacos nessa cidade. Isso foi em 1950, antes dos remédios para redução do colesterol. Os infartos eram a principal causa de morte em homens com menos de 65 anos. Em Roseto, a taxa era simplesmente a metade daquela vigente na época no país. Somando-se todas as doenças, a incidência era 30 a 35% mais baixa do que no restante dos EUA.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-761" title="RosetoPaBurroughSign_opt" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/rosetopaburroughsign_opt.jpg?w=400&#038;h=300" alt="RosetoPaBurroughSign_opt" width="400" height="300" /></p>
<p>Wolf resolveu investigar o porquê. De início, espantou-se com o fato de não haver suicídios, alcoolismo ou uso de drogas. O número de crimes era mínimo e quase ninguém dependia da previdência social. Não havia ninguém com úlceras pépticas. As pessoas morriam de velhice.</p>
<p>Indo mais a fundo, ele tentou encontrar explicações na alimentação. Mas logo viu que os habitantes cozinhavam com banha de porco e não com azeite de oliva. Nutricionistas avaliaram que 41% das calorias (altíssimo) eram provenientes de gorduras. Não era a dieta, portanto.</p>
<p>Também, não havia esportistas e muitos até eram fumantes, além de obesos. Tudo errado. Wolf considerou então a genética, mas novamente não encontrou explicação, visto que seus parentes em outras regiões dos EUA não tinham a mesma saúde deles, nem mesmo em cidades de imigrantes vizinhas a Roseto.</p>
<p>Ele passou a desconfiar que talvez algum aspecto comportamental fosse a explicação. A diferença estava na intensa interação entre as pessoas e forte preservação dos clãs familiares, muitas vezes com 3 gerações familiares vivendo sob o mesmo teto. Isso ele não havia encontrado em nenhum lugar. Essas pessoas tinham um sentimento de utilidade coletiva, uma razão de ser, que ia além de sua individualidade e era responsável por aumentar significativamente sua expectativa de vida. Essa interação está ligada à generosidade, no sentido de se doar para a comunidade, ser importante para ela, ter uma vida plena de sentido. Talvez isso aumente o grau de felicidade e também contribua para uma vida mais longa.</p>
<p>Gladwell finaliza o prefácio dizendo que “é preciso aceitar a ideia de que os valores do mundo que habitamos e as pessoas que nos cercam exercem um grande efeito em que nós somos”. E, incrível, em quanto duramos nessa nossa passagem por aqui.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-762" title="rosetoscholl" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/rosetoscholl.jpg?w=360&#038;h=254" alt="rosetoscholl" width="360" height="254" /></p>
<p>É algo realmente notável. Fiquei pensando se não há um forte componente evolutivo nisso (não adianta, tudo começa ou acaba em Darwin). Se a generosidade está relacionada à vida em comunidade, talvez tenhamos sido selecionados para ser generosos por natureza. Imagino que para nossos ancestrais hominídeos a vida coletiva era fundamental para a sobrevivência. Se todos fossem individualistas, egocêntricos e excessivamente auto-centrados, provavelmente a comunidade desapareceria. Seria presa fácil para animais selvagens, não conseguiria caçar, etc. Assim, geração após geração, fomos sendo selecionados para viver em comunidade, o que implica em se doar, ser generoso.</p>
<p>Hoje é que está tudo invertido. Interessante Roseto ser justamente nos Estados Unidos, a meca do individualismo. Lá, talvez essa ausência da vida em comunidade tente ser substituída por alternativas como o rigor quase obsessivo nas questões de alimentação e exercício, visando diminuir a incidência de problemas de saúde. Uma tentativa de compensação, provavelmente capenga. O resto do mundo desenvolvido não está muito atrás (nós incluídos), afinal o padrão de competição mundial vigente é o norte-americano. Se quiser fazer parte&#8230;<em></em></p>
<p>Mas talvez haja uma reversão em curso no mundo, simbolizada por aspectos isolados, que, em conjunto, podem significar a construção de um novo padrão. Eleição do Obama, preocupação crescente com as mudanças climáticas, crescimento da importância da responsabilidade social das empresas, fortalecimento das ONGs, todos estes podem ser indicativos que estamos buscando inconscientemente o retorno ao que está impresso em nosso código genético: viver melhor em sociedade e, por conseqüência, dar mais sentido à nossa vida e assim viver mais. Talvez, enfim, o ser humano seja geneticamente programado para ser bom e generoso.</p>
<p> <em>(Será que a internet e suas comunidades também significam uma tentativa de dar mais sentido às vidas das pessoas, uma maneira talvez torta de compensar o stress, a competitividade, o individualismo e o egocentrismo, a corrida atrás do próprio rabo que se tornou grande parte da nossa existência? Será que o Facebook, o Orkut, o Flickr, o Twitter, etc., conseguirão ser bem sucedidos no papel de Roseto virtual?)</em></p>
<p> A revista National Geographic de novembro de 2005 trouxe uma matéria chamada “The Secrets of Long Life”. Eles estudaram porque habitantes de três regiões distintas do mundo viviam mais do que os outros. Essas três comunidades eram Okinawa, no Japão; a Sardenha, na Itália; e Loma Linda, uma comunidade de adventistas do sétimo dia na Califórnia. Cada um tinha características específicas que levavam a uma vida mais longa, e obviamente há outros aspectos que não só a vida em comunidade e que estão relacionados à longevidade. Veja na figura abaixo o que encontraram em cada uma delas e o que estava presente em todas elas. Certamente não é coincidência! Pessoalmente, se é para viver mais, eu voto na Sardenha&#8230;rs.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-763" title="natgeolongevity" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/natgeolongevity.jpg?w=500&#038;h=370" alt="natgeolongevity" width="500" height="370" /></p>
<p>Dedico esse texto aos meus avós, Lucy e Moacyr, 85 e 87 anos. Finalmente descobri porquê  eles vão chegar aos 100 facilmente!!</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-764" title="IMG_4217" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_4217.jpg?w=300&#038;h=225" alt="IMG_4217" width="300" height="225" /></p>
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		<title>Frost/Nixon vai bem além da política (e dos Estados Unidos)</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Aug 2009 20:23:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Assisti ao filme Frost/Nixon (2008), de Ron Howard, de A Mente Brilhante. O filme retrata a série de entrevistas conduzidas pelo apresentador britânico David Frost (interpretado por Michael Sheen) com o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon (interpretado magistralmente por Frank Langella) e que havia renunciado em função do escândalo Watergate. O filme foi indicado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=731&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assisti ao filme <a href="http://www.frostnixon.net/">Frost/Nixon </a>(2008), de Ron Howard, de A Mente Brilhante. O filme retrata a série de entrevistas conduzidas pelo apresentador britânico David Frost (interpretado por Michael Sheen) com o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon (interpretado magistralmente por Frank Langella) e que havia renunciado em função do escândalo Watergate.</p>
<p>O filme foi indicado a 5 Oscar, incluindo o de melhor filme e melhor ator. Nada mais justo. Muito mais do que um documentário sobre uma entrevista histórica, o filme se desenvolve a partir do embate entre dois personagens complexos e que depositam na entrevista a grande chance de suas vidas. Nixon, ao conceder a entrevista a um apresentador sem qualquer experiência política e de sem muita credibilidade, via a oportunidade de se reerguer e eventualmente retomar sua carreira política. Frost, jovem, confiante e ambicioso, procurava alcançar fama ainda maior do que a que já tinha, que seria obtida caso derrotasse o ex-presidente, isto é, se conseguisse arrancar a confissão sobre Watergate e um pedido de desculpas à nação. A obtenção da verdade, nesse caso, era apenas o meio de atingir sua meta pessoal.</p>
<p>Ambos jogam tudo nessa mistura de luta de boxe e poker jogada em diversas rodadas de 2 horas, que durou na vida real um total de 12 horas. Nixon se mostra um político de primeiro nível, com raciocínio rápido e uma retórica impressionante, mostrando a Frost que o desafio seria muito maior do que este havia imaginado. Por trás desta fachada, porém, vai se percebendo um Nixon solitário, carente e culpado, complexo psicologicamente – e por isso tão interessante.</p>
<p>Já Frost, que sempre aparece com um sorriso de sucesso e confiança no rosto, também esconde seus medos, como fica claro quando Carol (Rebecca Hall) começa a fazer perguntas pessoais e ele imediatamente desconversa e passa a questioná-la. À medida que a série de entrevistas se desenrola, Frost vai percebendo que tanto quanto a chance de alcançar o estrelato, está a possibilidade de afundar sua até então bem sucedida carreira como apresentador. A partir de certo momento, na verdade, ele lutava pela sua sobrevivência mais do que pela conquista que buscava quando propôs o desafio.</p>
<p>Assim se dá a batalha da vida de ambos, muito mais relevante do que a questão histórica ou política, que aliás é muito bem contextualizada nas duas horas de filme. A filmagem muito bem feita e o trabalho eficiente dos atores coadjuvantes, entre eles Kevin Beacon, fazem deste filme realmente um filmaço.</p>
<p>As cenas finais conseguem dar a dimensão psicológica do que foi o embate em que apenas um sairia vencedor. A saída de Nixon após a última entrevista e sua interação com o cachorro no colo de uma mulher são magníficas, bem como o encontro dois após a série de entrevistas.</p>
<p>Ao final, fiquei com a impressão que o vencedor da disputa celebrou bem menos a vitória do que deveria, ou mesmo de que seus assessores fizeram. É como se a disputa tivesse exigido tanto dele, colocando tanto peso no processo, que a partir de certo momento a vitória se constituía em um mero detalhe. Ou que, reconhecendo que tivera um adversário de peso, o respeitasse, como um lutador de boxe que, após vencer seu adversário, o abraça como se fosse um dos seus.</p>
<p>O filme permitiria que muitos outros aspectos fossem analisados, pois há uma riqueza psicológica muito grande. Mas seria influenciar demais quem não viu e pretende vê-lo, de forma que paro por aqui.</p>
<p>Provavelmente pouca gente viu ou vai ver esse filme, por se tratar de uma temática política, de 30 anos atrás e distante de nós. É uma pena. Tanto pelo filme em si, que é um dos melhores que vi recentemente, como pela temática que não está tão distante assim:</p>
<p>No clímax do filme, em que Nixon admite para um Frost perplexo que “quando um presidente faz algo ilegal, passa a não ser ilegal por ser feito justamente pelo presidente”, imediatamente lembrei-me do presidente Lula justificando os atos ilegais do Sarney dizendo que ele não seria um cidadão comum, como se estivesse, portanto, acima da lei. Incrível a semelhança de conceito de ambos em relação a esse item. <em>What a shame.</em></p>
<p>Abaixo, um trailer do filme e um trecho da entrevista real, que vale a pena ver:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/08/16/frostnixon-vai-bem-alem-da-politica-e-dos-estados-unidos/"><img src="http://img.youtube.com/vi/lP_l2IFiQzs/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/08/16/frostnixon-vai-bem-alem-da-politica-e-dos-estados-unidos/"><img src="http://img.youtube.com/vi/jw6LhKCYUCQ/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=731&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Conversa com Nizan Guanaes</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/08/15/conversa-com-nizan-guanaes/</link>
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		<pubDate>Sat, 15 Aug 2009 14:44:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Semana passada tivemos o segundo encontro com grandes publicitários na Casa do Saber. O entrevistado da vez foi Nizan Guanaes, da DM9DDB, África, Grupo ABC, etc, etc. Quem é Nizan Guanaes? Uma improvável mistura do trio Lehmann/Sicupira/Telles, do GP, com Dorival Caymmi – foco em resultados, meritocracia, trabalho árduo, mas ao mesmo tempo baiano da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=728&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Semana passada tivemos o segundo encontro com <a href="http://www.casadosaber.com.br/curso.php?cid=1672">grandes publicitários</a> na <a href="http://www.casadosaber.com.br/main.php?std=17/08/2009&amp;td=17/08/2009">Casa do Saber</a>. O entrevistado da vez foi Nizan Guanaes, da DM9DDB, África, Grupo ABC, etc, etc.</p>
<p>Quem é Nizan Guanaes? Uma improvável mistura do trio Lehmann/Sicupira/Telles, do GP, com Dorival Caymmi – foco em resultados, meritocracia, trabalho árduo, mas ao mesmo tempo baiano da forma mais baiana possível, espelhada em Caymmi e Jorge Amado – alguém complexo, portanto.</p>
<p>A primeira coisa que chama a atenção no Nizan é a sua energia e seu magnetismo, muito diferente do <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/08/07/seis-visoes-sobre-o-que-se-passa-na-cabeca-de-um-grande-publicitario-1-alexandre-gama/">Alexandre Gama</a>, que me pareceu alguém mais, digamos, cerebral e introvertido. Nizan domina o ambiente em que está, é rápido no raciocínio, surpreende com analogias criativas, abusa de palavrões e de algum sarcasmo (como ele disse, “se eu falar generalidades, vocês não vão se lembrar de nada do que falei”). Na hora do intervalo, ninguém se levantou, como se todos estivessem anestesiados pela sua presença. Um cara poderoso, sem dúvida.</p>
<p>Nizan reúne, ao mesmo tempo, características aparentemente contraditórias: é artista criativo e empresário implacável. São dele peças brilhantes como a propaganda da Folha de S. Paulo, sobre como se conta mentiras falando apenas verdades:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/08/15/conversa-com-nizan-guanaes/"><img src="http://img.youtube.com/vi/xmbM8XGMZxI/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>É músico, e a música para ele é seu oxigênio, como definiu ao final. O outro lado: deu para perceber que trabalhar com ele não é fácil. Na falta de uma definição melhor, ele me pareceu um trator, quem conseguir que o acompanhe e terá sua recompensa. Quem não conseguir (e imagino que a maioria não consegue), fica sem dó pelo caminho. Deu a entender também que trata as pessoas de forma diferenciada, dependendo de sua importância relativa (“uma coisa é eu falar com o Celso [Loducca], que é meu sócio&#8230;”).</p>
<p>Difícil defini-lo. Talvez o mais fácil seja colocar algumas frases e o leitor que construa sua imagem.</p>
<p>“Acredito em Deus, mas luto para que ele acredite em mim”</p>
<p>“Meta é a negação da criatividade – mas isso está errado!”</p>
<p>“É preciso treinar muito para parecer natural” (citando Fernanda Montenegro).</p>
<p>“Prometo glória, não paz” (aos que trabalham com ele).</p>
<p>“Sucesso é ter uma empresa rentável e da qual se orgulha”.</p>
<p>“Sou vulgar, mas minha obra não é”.</p>
<p>“Sucesso só vem quando você faz alguma coisa contra a sua natureza”. (a vida do homem se resume a domar a natureza, completou). Essa frase é a que melhor explica a “essência Nizan”: alguém inquieto, inconformado, que procura domar o mundo à sua volta e mostrar que tudo que quer é possível.</p>
<p>“Maior medo: se acomodar” (olha aí de novo o fato de ser inconformado).</p>
<p>“O que pede a Deus: paz”. (e que nunca vai ter, a não ser que mude seu jeito de ser).</p>
<p>“Pensar atormenta; ele pensa muito”. (“A maior felicidade é ser burro, fazer um trabalho braçal”).</p>
<p>“Sou ansioso e contraditório. Aliás, o homem é Fernando Pessoa, com seus heterônimos e suas várias personalidades”.</p>
<p>“Mudar é muito difícil. É como cagar um côco”. (Deve ser alguma expressão baiana&#8230;rs).</p>
<p>“Quem quiser ter um diferencial precisa ter uma formação heterodoxa. Quer ser um grande decorador, vá estudar história”.</p>
<p>“Se não está difícil, você está no lugar errado”.</p>
<p>“Se está tudo muito fácil, é assalto.”</p>
<p>“Só os débeis-mentais não voltam atrás”. (sobre erros).</p>
<p>“rabo não tem Alzheimer” (sobre o efeito do aprendizado a partir dos erros).</p>
<p>“Não submete ninguém a nada que não se submeta”. (Ou seja, é muito exigente consigo próprio e exige dos outros o mesmo).</p>
<p>&#8220;O Brasil está num puta caminho&#8221;.</p>
<p>Polêmico, criativo, exigente, determinado, imprevisível, duro, grosso, provavelmente difícil de se lidar. Essa é a imagem que criei do Nizan nessas 2 horas de bate-papo.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-729" title="nizan-guanaes" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/nizan-guanaes.jpg?w=202&#038;h=257" alt="nizan-guanaes" width="202" height="257" /></p>
<p>Foto: <a href="http://ogestor.wordpress.com/2009/06/22/aprendiz-7-quem-sera-o-novo-apresentador/">http://ogestor.wordpress.com/2009/06/22/aprendiz-7-quem-sera-o-novo-apresentador/</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/728/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=728&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Seis visões sobre o que se passa na cabeça de um grande publicitário: 1. Alexandre Gama</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2009 01:46:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Assisti nessa semana ao primeiro encontro com grandes publicitários na Casa do Saber. O entrevistado foi o Alexandre Gama, fundador da agência NEOGAMA, hoje NEOGAMABBH. O entrevistador dos seis encontros programados é o Celso Loducca, também ele um grande publicitário. Porque fui fazer esse curso, considerando que não tenho relação direta com publicidade? Acho potencialmente [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=717&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assisti nessa semana ao primeiro encontro com <a href="http://www.casadosaber.com.br/curso.php?cid=1672">grandes publicitários</a> na <a href="http://www.casadosaber.com.br/">Casa do Saber</a>. O entrevistado foi o Alexandre Gama, fundador da agência NEOGAMA, hoje <a href="http://neogamabbh.com.br/">NEOGAMABBH</a>. O entrevistador dos seis encontros programados é o Celso Loducca, também ele um grande publicitário.</p>
<p>Porque fui fazer esse curso, considerando que não tenho relação direta com publicidade? Acho potencialmente produtivo ter contato de vez em quando com coisas fora do seu dia-a-dia. Não raro esbarramos em uma ideia, um conceito, uma visão que podem ser implementados no negócio ou até na concepção de um novo projeto. E você só esbarra em algo se estiver em movimento. O mundo acontece fora da empresa, e não dentro dela.</p>
<p>Também, gosto de biografias e de ouvir o que pessoas de destaque têm a dizer sobre sua trajetória, seus erros, medos, pontos fortes e fracos e visão de futuro. Não necessariamente aquelas com sucesso financeiro, mas sim, destaque: que conquistaram o que se propuseram a conquistar (eticamente, supõe-se) e para as quais as pessoas param para ouvir. Na pior das hipóteses, é uma oportunidade de ouvir alguém inteligente ser entrevistado por outra pessoa inteligente.</p>
<p>Eu conhecia pouco do Alexandre Gama, para não dizer nada. O formato adotado (primeiro, entrevistas tipo Café Filosófico, e depois perguntas da plateia), a ausência de filmagem e gravação (e imprensa) e a sala pequena criam as condições para que o entrevistado fique mais à vontade e vá mais a fundo nas questões pessoais e profissionais. E o Loducca, lógico, sabe conduzir bem, até porque está duplamente “em casa”: além de ser sócio da Casa do Saber, é publicitário e conhece todos eles muito bem.</p>
<p>A entrevista foi realmente interessante. É claro que se trata de um cara inteligente, determinado, empreendedor, obsessivo e muito competente. Se não fosse por isso, não estaria sentado naquela cadeira como um dos grandes publicitários. Mas há mais a explorar do que sua trajetória de sucesso. É aí que fica interessante entrar.</p>
<p>Logo na primeira pergunta, sobre “quem é o Alexandre”, foram uns 10 minutos de auto-descrição, auto-confissão, etc. É incrível como o sucesso gera uma necessidade de compartilhamento normalmente pouco satisfeita no dia-a-dia. Não é só uma questão de ego, mas sim de diminuir um pouco o isolamento que o sucesso e a liderança cobram de quem está nessa posição. A pessoa bem sucedida sente a necessidade de contar como chegou até ali (talvez os publicitários tenham uma necessidade ainda maior&#8230;rsrs), fazer uma mea-culpa dos erros (o que é sempre mais fácil depois que você chegou lá), admitir pontos fracos (idem acima) e, no fundo, no fundo, mostrar aos outros como você é f&#8230;.., ainda que dizendo e se convencendo do contrário.</p>
<p>Na verdade, essa espécie de auto-negação só reforça seu ego: dizer por exemplo que você foi demitido no início da carreira por um erro grotesco, passou por momentos ridículos, comeu o pão que o diabo amassou e teve bastante sorte para chegar até onde chegou só reforça que você deve ser realmente muito bom.</p>
<p>Outro ponto que me chamou a atenção foi o fato dele dizer que não está preocupado com o que os outros pensam dele ou do trabalho dele &#8211; considerando que ele disse que não dá para dissociar a pessoa do trabalho realizado. Pareceu-me um contra-senso: afinal, para quem vive de imagem, o que os outros pensam do trabalho dele (e, por extensão, dele) é tudo! Ou deveria ser. Depois, refleti: quando você atinge certo ponto, de fato a opinião dos outros fica menos importante. Você não tem mais o que provar para ninguém, ou pelo menos tem menos a provar e pode se dar ao luxo de se importar menos com as opiniões alheias, ainda que isso vá contra a própria natureza de seu trabalho. É claro que ele se preocupa; apenas sabe que é maior do que essas opiniões, mesmo porque certamente já errou, sobreviveu para saber disso e sabe do seu valor. E os outros também, o que reforça a necessidade dele não precisar se preocupar com os outros.</p>
<p>Com a experiência, você aprende que mesmo as falhas mais graves sempre carregam a possibilidade de recuperação. Também, você começa a não valorizar tanto problemas que, depois, parecem pequenos, principalmente depois que a vida te dá alguns coices, diminuindo suas verdades e te deixando mais humilde. Isso foi possível perceber também na entrevista e para mim é um fator indispensável para a manutenção do sucesso. O Alexandre não é <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/06/09/sobre-modestia-e-humildade/">modesto (disse não ter medo de nada no trabalho, isto é, confia no seu taco), mas é humilde para saber que é falível e que a fama e o sucesso podem ser transitórios</a>.</p>
<p>O conselho que ele daria para ele mesmo seria “pegar mais leve” se pudesse voltar atrás. Mas, vai saber, ele chegou até lá pegando pesado; é mais fácil falar pra pegar leve depois que se conseguiu o sucesso esperado. Será que ele estaria ali se tivesse pego mais leve? Ele disse não ser uma pessoa difícil de lidar no dia-a-dia; o que pede é que é difícil&#8230;</p>
<p>Um aspecto legal que ele falou é que quem escreve tem condições de pensar melhor, porque escrever demanda a organização das ideias de uma forma estruturada e sistematizada. E que, para escrever bem, é preciso ler muito. Segundo ele, na geração atual se escreve pior do que na dele, com o que concordo.</p>
<p>Por fim, surgiu um dilema bem interessante: a questão da sustentabilidade. Ao ser levantada a questão da sociedade de consumo e da influência da publicidade nisso tudo, ele saiu-se com uma resposta elegante: “é uma associação ingênua; a publicidade é a ferramenta que existe porque há uma demanda por parte da sociedade que se definiu como de consumo. Só existimos porque há uma demanda para isso.” Ou algo assim.</p>
<p>Mas não acho que seja bem assim. A publicidade estimula o desejo de consumo tanto quanto existe porque existe o desejo de consumo. Uma coisa alimenta a outra. E ele deixou nas entrelinhas que a publicidade terá um dilema, tanto que ele enfatizou muito a questão da sustentabilidade. Um dilema significativo, aliás.</p>
<p>Uma das formas dele equacionar esse dilema no plano pessoal, pelo que deu para perceber, é aplicar parte dos lucros em causas ambientais, como ONGs e afins. Seria a forma de “devolver à sociedade”, para usar expressão que ele mesmo usou e que gera uma certa dubiedade: devolver porque, ele se acha devedor? Pegou o que não devia? Ou é a maneira dele de continuar sendo herói, visto que já conquistou o que queria no plano financeiro? Na verdade, pouco importa. Acho válido que ele pense assim, ainda mais alguém da área de comunicação, que pode inclusive influenciar clientes do porte do Bradesco, por exemplo, a desenvolver estratégias de comunicação e ações efetivas baseadas na sustentabilidade. Essa é a outra maneira dele incorporar a sustentabilidade e ir, de alguma maneira, resolvendo o conflito da sociedade do consumo, turbinada pela publicidade, e a necessidade de consumir menos e de forma mais sustentável.</p>
<p>Por fim, uma frase legal que ele falou. &#8220;Quando você não desiste, o mundo desiste e abre as portas.&#8221; Muitas vezes, é verdade. Nem sempre, mas o suficiente para não desistir.</p>
<p>Semana que vem tem o Nizan Guanaes. Vamos ver.</p>
<div id="attachment_718" class="wp-caption alignnone" style="width: 235px"><img class="size-medium wp-image-718" title="alexandregama" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/alexandregama.jpg?w=225&#038;h=300" alt="Alexandre Gama" width="225" height="300" /><p class="wp-caption-text">Alexandre Gama</p></div>
<p>Foto: <a href="http://www.gm.org.br/">Grupo de Mídia</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/717/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/717/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/717/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=717&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>O eterno conflito de dar esmolas na rua</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jul 2009 23:17:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Gente pedindo dinheiro nas esquinas e calçadas sempre incomoda. Há diversos conflitos envolvidos nessa simples decisão que diariamente nos joga na cara as desigualdades que ainda existem e a nossa própria indiferença à questão. Melhor, certamente, não dar nada: primeiro, ouvimos falar – e provavelmente em parte é verdade – de pessoas exploradas por outras, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=688&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gente pedindo dinheiro nas esquinas e calçadas sempre incomoda. Há diversos conflitos envolvidos nessa simples decisão que diariamente nos joga na cara as desigualdades que ainda existem e a nossa própria indiferença à questão.</p>
<p>Melhor, certamente, não dar nada: primeiro, ouvimos falar – e provavelmente em parte é verdade – de pessoas exploradas por outras, criando uma verdadeira indústria da esmola. Se a prática de dar esmolas se torna corriqueira entre todos os cidadãos que podem fazê-lo, certamente virará um bom negócio, e não parece nada viável regulamentar a atividade, restringindo a prática àqueles que não são explorados por espertalhões. Também, o que dizer daquelas pessoas que de fato não precisam e até nos enganam? Falsos deficientes, pessoas que poderiam estar trabalhando e não estão por ser mais fácil ficar nas ruas. Há, também, o comparativo e, com ele, a indignação: vira e mexe surgem matérias que nos surpreendem com a quantia arrecadada por algo que se caracteriza como um “trabalho” como outro qualquer. Como somos trouxas! E há, claro, as crianças, que deveriam estar nas escolas e nas casas, e não nas ruas.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-689" title="esmola1" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/07/esmola1.jpg?w=263&#038;h=228" alt="esmola1" width="263" height="228" /></p>
<p>Tudo isso é correto e inquestionável (estou desconsiderando o argumento &#8220;não é problema meu&#8221;, que, infelizmente, talvez seja o mais prevalente). Porém, o problema continua, ainda que existam distorções. Há pessoas – e muitas – cuja única alternativa ao menos a curto prazo é pedir dinheiro. E há nós, com dinheiro, passando todos os dias por elas e tendo de lidar com nosso conflito pessoal de dar ou não dar a maldita (ou bendita?) esmola.</p>
<p>De certa forma, argumentar racionalmente a inadequação e o equívoco de dar esmolas é jogar o problema para longe de nós e ficar com a consciência tranqüila. Talvez uma hipocrisia inconsciente, amparada por bons argumentos e ótimas intenções.</p>
<p>Já ia me esquecendo da saída elegante que, além de aliviar nossa consciência, nos transforma em cidadãos preocupados com o bem-estar da sociedade: melhor do que dar esmolas é criar condições para que essas pessoas se insiram no mercado de trabalho como todos nós um dia fizemos.</p>
<p>Novamente, correto. Mas o problema continua e nos encara diariamente: enquanto essas melhores condições não chegam, ainda que aos poucos estejam chegando, devemos ou não dar esmola? Ainda que ajudemos a criar estas condições, ainda que doemos dinheiro para entidades que farão esse trabalho, ainda que sejamos bons patrões e chefes, veremos todos os dias alguém necessitado pedindo ajuda. Devemos ajudar ao próximo, que está ali? Ou a ajuda ficará sempre para o “próximo”, não a esse que nos pede (humor negro)? Ou, ainda, ajudaremos apenas o “próximo”, isto é, aquele que está próximo de nós, aumentando o fosso entre os nossos e os outros?</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-690" title="esmola2" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/07/esmola2.jpg?w=302&#038;h=201" alt="esmola2" width="302" height="201" /></p>
<p>Dar o auxílio pode não ser tão desproposital assim. De início, fui cético em relação ao Fome Zero e, mais recentemente, ao Bolsa-Família promovidos pelo governo Lula: o caminho não é dar dinheiro ou comida, mas sim criar empregos! É verdade, mas é inegável que o Bolsa-Família irrigou com renda muitas regiões carentes e movimentou as economias locais. Se você não concorda, veja onde tem se dado o crescimento de empresas como Nestlé ou Unilever, onde muitos de nós trabalhamos: no Nordeste, região mais beneficiada pelo programa, onde 40% da renda está atrelada ao Bolsa-Família e ao salário-mínimo. Claro, ele não resolve no longo prazo, mas talvez seja um dinheiro bem gasto pelo governo, dentre tantos usos mal feitos dos recursos arrecadados. E as pessoas precisam comer hoje, não quando as melhores condições chegarem. Melhor o aproximadamente agora do que o exatamente nunca.</p>
<p>Muitas vezes tiramos conclusões falsas a partir de premissas verdadeiras. Ou conclusões que queremos concluir. Como escreveu Anaïs Nin, “não vemos as coisas como elas são, mas sim como nós somos”.</p>
<p>Dou um exemplo. Nos países desenvolvidos, muitas ONGs e trabalhadores têm criticado os baixos salários e as condições de trabalho de países em desenvolvimento, como os do Sudeste Asiático. Faltou perguntar às pessoas que estão conseguindo esses trabalhos mal remunerados e inaceitáveis se estão melhores ou piores com eles. Apostaria que melhores – a China que o diga. Certo, há o trabalho infantil da Nike e coisas afins. Certamente há abusos que devem ser combatidos, mas é preciso analisar a floresta e não cada árvore individualmente. Mas não é só isso. O que não se diz é que a motivação por trás dessas críticas via de regra não é exatamente nobre como parece: o que está em jogo é a perda de milhões de empregos em função do <em>outsourcing</em> e dos investimentos diretos das empresas nesses países onde o custo do trabalho é mais barato. Viés protecionista disfarçado de altruísmo.</p>
<p>No caso das esmolas, o raciocínio é análogo: há abusos, não é uma solução definitiva, há outras formas de se fazer. Mas continua sendo uma solução parcial, ao alcance de todos, para fazer mais um pouco de justiça social. Se não me engano, Ricardo Semler, no seu livro “<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1672779">Você está louco!</a>”, fala do hábito existente em países muçulmanos das pessoas andarem com sacos de moedas para distribuir aos carentes, contribuindo para a manutenção do tecido social nessas sociedades. É uma maneira de humanizar as relações, tornar os mais abastados mais próximos dos menos abastados. É diferente de doar dinheiro a uma instituição de caridade sem nunca visitá-la. O contato ocorre ali, frente a frente, olhos nos olhos, todos os dias.</p>
<p>Bem, eu não dou esmola. Normalmente, não dou. Primeiro, uma questão de ordem prática: não tenho como dar para todos os que pedem e, como não sei quem de fato merece, acabo não dando para ninguém. Às  vezes (ainda bem) não tenho trocado. Às vezes estou preocupado com meus problemas e aquilo me irrita ainda mais. Para aplacar a consciência, racionalizo usando os argumentos colocados no início do texto.</p>
<p>Mas o problema continua e a consciência, lá no fundo, incomoda. Afinal, a realidade está ali, diante de nossos olhos, e ela não é bonita. E isso tem um efeito muito maior do que argumentos lógicos.</p>
<p>Tenho, então, um mecanismo ainda mais eficaz para concluir que sou “de bem” e estou certo em não contribuir: admito o remorso, me condeno e fico mais tranqüilo comigo mesmo. Isso tudo, claro, passada a oportunidade de contribuir.</p>
<p>Cabe aqui o poema “Viajando num carro confortável”, de Bertold Brecht, citado pelo economista e filósofo Eduardo Giannetti em seu magnífico “<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1068803/auto-engano">Auto-Engano</a>”:</p>
<address><em>“Viajando num carro confortável</em></address>
<address><em>Por uma estrada chuvosa do interior</em></address>
<address><em>Avistamos ao cair da noite um homem rústico</em></address>
<address><em>Solicitando-nos condução com um gesto humilde.</em></address>
<address><em>Tínhamos teto e tínhamos espaço e seguimos em frente</em></address>
<address><em>E ouvimos a mim dizer num tom de voz árido: “Não,</em></address>
<address><em>Não podemos levar ninguém conosco”.</em></address>
<address><em>Tínhamos avançado já boa distância, um dia de viagem talvez,</em></address>
<address><em>Quando subitamente fiquei chocado com esta voz minha</em></address>
<address><em>Com este comportamento meu</em></address>
<address><em>E todo este mundo”.</em></address>
<p> </p>
<p>Assim como no caso da esmola, há sempre argumentos para justificarmos: pode ser perigoso dar carona a alguém; não tenho culpa se essa pessoa não tem carro (eu tenho o meu e ganhei com meu honesto suor); é preciso criar condições para todos terem o seu carro; é perigoso ficar nas estradas pedindo carona, etc.</p>
<p>Tudo isso é verniz, que não resiste à consciência crítica e sempre presente. A única arma que silencia o conflito é o auto-engano. Como explica Giannetti, “é doce imaginar-se firme, generoso e solidário no abstrato, enquanto a tentação de não sê-lo é remota e o desafio é apenas hipotético. (&#8230;.). O tempo contudo, vira. E quando ele vira – quando a oportunidade concreta por fim se oferece de provarmos na prática que somos de fato tudo aquilo que imaginamos ser -, a voz que ouvimos deixa, com freqüência, de ser a nossa. Ações falam. E o que nossas ações falam nem sempre é o que nos acostumamos a ouvir, em silêncio, enquanto o futuro é algo em aberto, a promessa, generosa, e o desafio, remoto”.</p>
<p>E agora, você continua vendo a questão da esmola sob a mesma ótica dos argumentos tradicionalmente empregados (ainda que corretos, repito), ou sua perspectiva sobre o tema ficou mais nebulosa?   </p>
<p>Talvez eu tenha causado mais confusão do que esclarecimento. Mais dúvidas do que certezas. Mais contradições do que coerências. Se fiz isso, então sinto-me satisfeito por aproximar-me da realidade. Como escreveu Novalis, “cada ser humano é uma pequena sociedade”. Há muitas vozes e visões dentro de cada um. E, ademais, como escreveu Giannetti, “é apenas na lógica, não na vida, que contradições não podem existir”.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-691" title="esmola3" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/07/esmola3.jpg?w=419&#038;h=292" alt="esmola3" width="419" height="292" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/688/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=688&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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