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	<title>O que der e vier &#187; Filosofia</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; Filosofia</title>
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		<title>A melhor autobiografia que já li</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Jan 2011 23:17:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Difícil escrever depois de tanto tempo. Estou há dias ensaiando, sem ânimo suficiente, sempre pré-concluindo que dará trabalho demais para resultado de menos. Na verdade, estou há meses ensaiando sem encontrar temas adequados que resultem em algo decente, sem muita exposição, que é a minha tônica atual. Acho que, no final, até agradeço essa ausência: [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1067&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Difícil escrever depois de tanto tempo. Estou há dias ensaiando, sem ânimo suficiente, sempre pré-concluindo que dará trabalho demais para resultado de menos. Na verdade, estou há meses ensaiando sem encontrar temas adequados que resultem em algo decente, sem muita exposição, que é a minha tônica atual. Acho que, no final, até agradeço essa ausência: me poupa de pensar mais do que já penso e também de ter de organizar as ideias no papel, sem saber o que irei encontrar ao terminar – acho que não ando querendo encontrar nada que já não saiba.</p>
<p>Primeiro dia do ano, chuvoso, não há muito a fazer, então vamos lá. O tema que me faz escrever é a biografia do ex-tenista <a href="http://www.andreagassi.com">Andre Agassi</a> (“Open”, na versão original, mas somente Agassi em português), meu contemporâneo de início de 1970. Devorei esse livro de 500 páginas em 3 dias e lembrei, mais do que nunca, que sempre há dois livros escritos em um: o livro realmente escrito pelo autor e aquele que repercute na cabeça de quem lê, que terá contornos muito particulares.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/01/agassi11.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1070" title="agassi1" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/01/agassi11.jpg?w=500" alt=""   /></a></p>
<p>Nunca fui grande fã de tênis, mas lembro-me de quando Agassi ganhou de Luiz Mattar seu primeiro torneio profissional, creio que em1987, em Itaparica, na Bahia. Duvido que alguém que não era grande fã de tênis irá se lembrar disso. Simplesmente não há motivo para isso! Andre um tenista iniciante e o torneio era sem muita importância, mas, por alguma razão, aquilo entrou e não saiu mais da minha memória, como muitas outras coisas, é verdade. Como diz Agassi no livro, “minha memória não é como minha sacola de tênis: não consigo controlar o que há lá dentro. Tudo entra e nada parece sair”.</p>
<p>O ponto central da autobiografia, que foi colocada no papel de forma brilhante por J.R. Moehringer (de <em>Sede de Viver</em>), são as contradições que caracterizam a figura de Agassi. Para começar, ele odiava tênis ou, talvez melhor colocado, uma parte dele odiava. Mesmo assim, foi o quinto melhor tenista da história e o único a ganhar o Grand Slam de carreira – os quatro principais torneios e a medalha de ouro olímpica. Como alguém que odiava o que fazia poderia ir tão longe? De onde vinha toda essa motivação, se dentro dele mesmo ela aparentemente inexistia?</p>
<p>Parte da resposta, além da contradição em si (afinal, parte dele amava o tênis, ainda que sem saber ao certo disso), estava na obsessão, no “instinto assassino” que tinha em quadra (segundo definição do pai) e no perfeccionismo, injetado desde criança pelo seu pai violento e obsessivo, que o forçada a horas intermináveis de treinos, quando as outras crianças estavam brincando ou estudando. Para se ter uma ideia do que foi o pai dele, foi forçado a tomar anfetaminas para melhorar o desempenho quando era apenas um garoto.</p>
<p>A influência negativa do pai impactou por toda sua vida. Agassi lutou contra ela o quanto pode, e das maneiras mais distintas: além de detestar o esporte que definiu sua trajetória, sempre conviveu com a autodestruição e autossabotagem, como que tentando mostrar para si e para os outros que aquele não era ele. Envolveu-se com drogas; perdeu partidas de propósito ou sabendo que iria perder, até <em>desejando</em> perder; certa vez quebrou todos os seus troféus e, em outra, deu suas raquetes para mendigos, dizendo que nunca mais jogaria tênis. Fisicamente, novamente as contradições: apesar de um problema congênito nas costas que lhe causava dores incríveis, foi conhecido como um dos jogadores com a melhor movimentação de fundo de quadra do circuito.</p>
<p>A busca pelo auto-conhecimento permeia toda a sua história, a partir da primeira frase no livro: “abro os olhos e não sei onde estou, nem quem sou. Isso Não é nenhuma novidade, pois passei metade da minha vida sem saber”. Não é o tipo de frase inicial que se espera na biografia de um dos esportistas de maior sucesso da história, mas passa logo de cara a mensagem: não espere (somente) o relato sucessivo de conquistas e lembranças boas e ruins, mas principalmente a tentativa de alguém que, a despeito do sucesso crescente, não sabia ao certo o que estava fazendo ali, se tudo aquilo de fato lhe pertencia ou era ele. Apenas desconfiava que não, que era uma fraude, uma farsa que assinava embaixo. Alguém que, aos olhos do mundo, era um prodígio, um sucesso, mas que, de noite, no escuro, com a cabeça no travesseiro, queria simplesmente largar tudo e ir embora, fazer alguma coisa diferente, sem saber o que.</p>
<p>Com o tempo, Agassi começa a aceitar as contradições como parte de sua  pessoa, sem tentar lutar contra elas. Aceita que quer jogar tudo para o alto mas, ao mesmo tempo, não está preparado para isso. Aceita que tem o instinto assassino, mas por vezes tudo o que quer é perder o jogo e ir embora. Aceita que, apesar de todo o sucesso e todo o dinheiro, continua não tendo todas as respostas – talvez tenha até mais perguntas do que respostas.</p>
<p>Em certo momento, ao falar do pai que, além de violento não demonstrava qualquer tipo de empatia e compaixão, sendo completamente obcecado pelo tênis, ele diz algo como “poucos de nós têm a graça do auto-conhecimento e, até que isso aconteça, talvez o melhor seja sermos consistentes”. A consistência é, assim, uma auto-defesa, uma maneira de não ter de lidar com as contradições, com as ideias opostas habitando o mesmo cérebro, cada uma puxando para um lado. Alguém disse (Einstein?) que gênio é aquele que consegue lidar com duas ideias opostas e ainda assim manter a sanidade.</p>
<p>Ao final, Agassi se rende a sua personalidade contraditória, usando uma citação que sempre gostei muito &#8211; aliás, à medida que fui lendo o livro, a lembrança dessa citação me foi crescendo, até que no final, a encontrei: “<em>Eu me contradigo? Muito bem, então eu me contradigo</em>”- Walt Whitman.</p>
<p>O livro, como se percebe, não é apenas destinado a fãs do tênis, ainda que estes certamente terão enorme prazer em lembrar de jogos e torneios memoráveis, agora sob a visão de um dos protagonistas. Há passagens engraçadas, como o dia em que Agassi e sua equipe viram um cara desengonçado jogar um tênis horrível, dizendo entre si que esse jogador não teria a menor chance no circuito profissional – esse jogador viria a ser…Pete Sampras, seu maior rival e um dos maiores de todos os tempos.  O livro prende do começo ao fim e o capítulo final é simplesmente grandioso, um verdadeiro <em>match point</em>.</p>
<p>Há, acima de tudo, um processo generoso de franqueza, parte da jornada de auto-conhecimento que Agassi decidiu dividir com o mundo, a começar pela capa (e pelo título original), em que seu rosto nu, sem expressão, ocupa a totalidade.</p>
<p>Não sei porque exatamente esse livro me impactou tanto (ou talvez , no fundo, saiba): nunca fui esportista de elite, muito menos famoso, não vejo graça alguma em Las Vegas (de onde ele é e onde mora até hoje com sua segunda esposa, a super-tenista Stefanie Graf e dois filhos) e nem cheguei perto de me casar com a Brooke Shields.</p>
<p>Sei apenas que foi criada uma conexão; ou, quem sabe, essa conexão sempre existira &#8211; a explicação para que eu tenha guardado na memória, sem qualquer razão aparente, aquela distante vitória inicial em Itaparica. Era como se, por algum motivo desconhecido, eu tivesse instintivamente captado, em meio ao caos de informações sem importância que, naquele momento, algo relevante estava começando a acontecer.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/01/agassis1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1072" title="agassis" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/01/agassis1.jpg?w=500" alt=""   /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1067/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1067/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1067/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1067/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1067/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1067/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1067/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1067/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1067/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1067/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1067/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1067/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1067/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1067/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1067&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Dica de filme: &#8220;O Clube do Imperador&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 21:02:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Outro dia assisti meio por acaso ao filme “O clube do imperador”(Emperor&#8217;s Club), de 2002 e que por aqui só saiu em vídeo. Uma pena. O filme é dirigido por Michael Hoffman e tem a participação brilhante de Kevin Kline e Emile Hirsch. William Hundert (Kline) é um professor de cultura ocidental  em uma tradicional [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1045&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia assisti meio por acaso ao filme “O clube do imperador”(<a href="http://www.imdb.com/title/tt0283530/">Emperor&#8217;s Club</a>), de 2002 e que por aqui só saiu em vídeo. Uma pena. O filme é dirigido por Michael Hoffman e tem a participação brilhante de Kevin Kline e Emile Hirsch.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-54-171.png"><img class="alignnone size-full wp-image-1048" title="Captura de tela 2010-11-02 às 16.54.17" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-54-171.png?w=500" alt=""   /></a></p>
<p>William Hundert (Kline) é um professor de cultura ocidental  em uma tradicional escola de elite para garotos, idealista e quem tem a preocupação real de contribuir para a formação de seus alunos. Ética, moral e caráter são conceitos passados utilizando o exemplo de filósofos gregos e romanos. De nada adianta realizar se estas realizações não estiverem ancoradas solidamente nestes valores. “O caráter de um homem é o seu destino”, diz.</p>
<p>Com a chegada de um novo aluno, Sedgewick Bell (Emile Hirsch), o professor é desafiado como nunca fora antes. Hirsch é indisciplinado, mal educado, questionador e imoral.</p>
<p>Hundert encara o desafio de “corrigir” o garoto, colocando-o no caminho que considera correto. Seu trabalho aparentemente é recompensado: Bell passou a estudar e colocou como meta se classificar entre os três finalistas do concurso Julio Cesar. Ele quase consegue – fica com a quarta vaga – mas Hundert altera uma das notas para que seu pupilo regenerado atingisse a meta.</p>
<p>No concurso, Hundert descobre que Bell trapaceou para vencer, e pergunta a ele o porque, já que sabia a matéria. “Porque não?”, retrucou, mostrando que seria bem mais difícil mudar o comportamento aprendido com seu pai, um senador da república, do que o professor supunha.</p>
<p>Falando assim, o filme parece um pouco Sociedade dos Poetas Mortos: um professor apaixonado empenhando-se para ensinar alunos e, com isso, produzir grandes homens. Mas seria injusto ficar nessa comparação. Apesar de fama bem menor, Emperor’s Club é superior ao apresentar uma dubiedade importante.</p>
<p>De um lado, o filme nos faz acreditar na humanidade, no idealismo, na gratidão, no caráter. O exemplo mais contundente, além do próprio professor, que carregou a culpa de seu erro pelo resto da vida ao favorecer um aluno desonesto, reside no próprio aluno que fora prejudicado. Anos depois ao saber da injustiça, soube relevar o fato, mostrando grandeza (a cena final é especialmente tocante), apesar de ter sido algo muito duro na época: seu avô e seu pai haviam ganho o prestigioso prêmio, e a não classificação representou um enorme fracasso para o jovem gordinho e de óculos, cujas esperanças de ser alguém de destaque precisavam naquela conquista.</p>
<p>A escolha equivocada do professor nos faz lembrar que somos responsáveis por muitos outros destinos que não o nosso, queiramos ou não. Pequenos atos equivocados, até com a melhor das intenções (Hundert achava que “perderia” novamente Bell caso este não se classificasse por tão pouco), podem resultar em caminhos muitos distintos para os envolvidos, quando projetados no longo prazo.</p>
<p>Mas além da crença no perdão e na grandeza, o filme também passa a mensagem de que caráter não tem relação com sucesso. Mais ainda: a conduta errada pode ser recompensada, ao menos materialmente, como pode ser percebido pelo status financeiro de Bell muitos anos depois de sair da escola.  Há um ceticismo implícito no sucesso de Bell (e de seu pai): a sociedade não recompensa pelos meios, mas sim pelos fins; o que conta é o resultado, não o processo. Lembrei aqui de um post antigo que escrevi sobre liderança (<a href="http://blog.oquederevier.com/2008/12/07/lideranca-uma-outra-abordagem/">O lado menos nobre da liderança</a>), em que menciono um trecho que gosto muito em um dos livros do Paul Auster, falando justamente sobre malandros e o sucesso.</p>
<p>Esse comportamento do fim justificar os meios está permeado em nossa sociedade, queiramos ou não. Quer um exemplo? O coroado time de vôlei masculino do Brasil, dirigido pelo incontestável Bernardinho, que perdeu um jogo para cair em uma chave mais fácil no mundial. Podemos ficar chocados e condenar o ato, mas cuidado com a hipocrisia: eles serão, no final, cobrados pelo resultado, e se comportam alinhados a essa cobrança. Essa postura é irmã siamesa do “rouba mas faz”,  etc.</p>
<p>É interessante que o professor tenta, infrutiferamente, mudar o comportamento do aluno e, depois do homem que se formou a partir daquelas bases. Mas não estão na mesma sintonia – Bell não vai pensar como Hundert e, portanto, é imune aos argumentos buscados nos valores morais. Não se muda o caráter de alguém, afinal, propõe o filme. O único momento em que Bell titubeia em sua conduta inescrupulosa ocorre quando o filho pequeno escuta sem querer o pai falando de suas trapaças. Ele se envergonha, mostrando que, no final, sabe que está errado, sabe que há um comportamento aceitável e outro inaceitável, há uma ética presente em todos os humanos, independentemente da origem e criação.</p>
<p>O Clube do Imperador é um filme que merece ser visto. Além de ótima produção, bate fundo na tecla dos valores pessoais e da sociedade, tema muito oportuno ao momento atual da política, da economia e do meio ambiente mundial.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-56-00.png"><img class="alignnone size-full wp-image-1049" title="Captura de tela 2010-11-02 às 16.56.00" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-56-00.png?w=500" alt=""   /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1045&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sobre ter altas expectativas a respeito das coisas</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 22:50:56 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar. Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=957&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar.</p>
<p>Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há trabalhos mostrando) que quanto maior a expectativa, melhor tende a ser o resultado final. O fato é que o mundo não te dá mais do que você pede a ele, pelo menos na maior parte das situações. Assim, quem espera muito da vida (não no sentido passivo da espera), tende a ir mais longe. “Nothing ventured, nothing gained”. And that’s it. Ao menos potencialmente.</p>
<p>Um estudo feito pelos psicólogos americanos Sydney Siegel e Lawrence Fouraker demonstrou que a expectativa elevada (ou, nesse caso, a meta) influencia o resultado. Eles dividiram voluntários em dois grupos. Em ambos foi passado que teriam de vender um certo produto e caso atingissem a meta pré-estabelecida, eles poderiam ficar com o lucro obtido e passariam a uma segunda rodada. A diferença foi que, para o primeiro grupo, foi passada uma meta de <strong>2,10 dólares</strong> enquanto que, para o segundo grupo, a meta estabelecida mais ambiciosa, <strong>6,10 dólares</strong>. Muitos vendedores dos dois grupos atingiram a meta, mas no segundo grupo o lucro médio foi de <strong>6,25 dólares</strong> enquanto que no primeiro grupo, de meta mais modesta, o lucro médio foi de apenas <strong>3,35 dólares</strong>. Nesse caso, a expectativa foi gerada externamente, mas pouco importa: resultou em desempenho superior.</p>
<p>Empresas mais ambiciosas, pessoas mais ambiciosas, tendem a ir mais longe porque se motivam a obter mais do mundo, desde que suas metas sejam realistas. A Teoria das Expectativas de Vroom sugere que a motivação, isto é, o <em>motivo para ação</em>,  depende do produto entre a Valência = vontade que alguém tem de obter algo, o que é dado pela relevância que esse algo tem para ela, e a Expectativa de se atingir esse algo. Expectativa, nesse caso, significa o quanto a pessoa acredita que de fato possa atingir esse objetivo.</p>
<p>Assim, se alguém não tem objetivo de alcançar algo (valência zero) o produto será zero e não haverá motivação. Ela não sairá do lugar. Da mesma forma, ainda que a valência seja elevada, se a expectativa de se atingir esse algo for zero, também não haverá estímulo para se mover. Exemplo: você pode querer ser campeão mundial de Fórmula 1, mas se considerar que essa meta não pode ser atingida por não ser realista, então não terá motivação para persegui-la.</p>
<p>Desta forma, pessoas com expectativas mais altas, ou metas mais elevadas, pessoais ou profissionais, se motivarão a conquistar essas metas, desde que tenham real expectativa de consegui-las. Nesse ponto, há pessoas que, pela análise convencional, estão “fora da realidade”, que acreditarão em metas que não são realistas &#8211; talvez uma forma de auto-engano &#8211; mas que terão motivação para alcançá-las. E, às vezes, conseguirão, surpreendendo a todos.</p>
<p>(Não sei porque, mas me lembrei agora daquela cena do filme <a href="http://www.meucinemabrasileiro.com/filmes/dois-filhos-de-francisco/dois-filhos-de-francisco.asp">Dois Filhos de Francisco</a>, em que o Francisco diz que queria tornar famosa a dupla formada pelos filhos [Zezé de Camargo e seu irmão que faleceu logo depois]. Ele comprou centenas de fichas telefônicas e ligou para a rádio seguidas vezes, até que a música deles foi selecionada entre as mais pedidas do dia. O resto é história, depois de muita água passada debaixo da ponte, claro&#8230;)</p>
<p>Até aí, tudo bem. Mas, voltando à pergunta original, e no aspecto pessoal, de satisfação? Será que ter expectativas elevadas, ainda que isso resulte em uma vida mais rica materialmente e mais cheia de “histórias para contar”, tornará alguém mais feliz do que aquele que se contenta com menos, seja no aspecto material, seja no aspecto pessoal?</p>
<p>Acredito que não.  Ou, pelo menos, provavelmente não. Se você esperava emagrecer 2 kg e emagreceu 4, ficará satisfeito. Mas se a expectativa era emagrecer 6&#8230;Com metas mais altas, a frustração está mais próxima e o tombo, maior. O paradoxo é que, provavelmente, aquele que quer emagrecer 6 kg, desde que seja uma meta realista, deve conseguir emagrecer mais do que aquele que tem meta de 4 kg. Assim, a expectativa alta gera resultado melhor, mas a chance de desapontamento é maior. Quanto maior o ganho potencial, maior o risco.</p>
<p>Mas e se expectativa elevada for cumprida? Terá esse indivíduo satisfação muito superior? Ainda assim, creio que aquele que tem expectativas elevadas a respeito da vida ficará em posição desfavorável no quesito satisfação. A expectativa elevada anda de mãos dadas com a necessidade contínua de querer sempre mais e melhor, empurrando a zona de satisfação sempre para frente. Nada é suficiente, nunca é suficiente.</p>
<p>Complementando o raciocínio acima, há ainda uma outra possível associação. Indivíduos com altas expectativas a respeito de tudo desconhecem que a vida não é feita de eras de felicidade, mas sim de momentos de felicidade, como disse Nietzsche. Essas pessoas talvez estejam sempre esperando o momento supremo, a pessoa perfeita, o emprego ideal – afinal esperam sempre o melhor de tudo – e sempre farão o possível para alcançá-los, para logo perceber – mais uma vez &#8211; que poderia ser melhor. Sempre poderia. Como escreveu <a href="http://www.releituras.com/vcarvalho_velhotemaI.asp">meu bisavô</a> em sua poesia mais famosa, “Velho Tema”:</p>
<p><em>Só a leve esperança, em toda a vida,<br />
Disfarça a pena de viver, mais nada;<br />
Nem é mais a existência, resumida,<br />
Que uma grande esperança malograda.</em></p>
<p><em>O eterno sonho da alma desterrada<br />
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,<br />
É uma hora feliz, sempre adiada<br />
E que não chega nunca em toda a vida.</em></p>
<p><em>Essa felicidade que supomos,<br />
Árvore milagrosa que sonhamos<br />
Toda arreada de dourados pomos,</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Existe, sim: mas nós não a alcançamos<br />
Porque está sempre apenas onde a pomos<br />
E nunca a pomos onde nós estamos.</em></p>
<p>Já que falei do filme Dois Filhos de Francisco, vou citar uma das cenas finais, em que Zezé, já rico e famoso, volta para visitar o casebre em que morava com a família, antes de tudo acontecer. Se não me falha a memória, ele diz algo como “foi a época mais feliz da minha vida”&#8230;Pelo filme, percebe-se que ele é alguém com altas expectativas, foi lá e fez, mas pelo jeito não resolveu. Parece, olhando assim, que as expectativas elevadas são uma ilusão auto-imposta não para de fato conquistar grandes coisas, mas para tapar o sol com a peneira, resolver internamente aquilo que não está e não será resolvido. Quando não se consegue lidar com o presente, depositando no futuro e em suas conquistas a suposta satisfação permanente. “The best is always to come&#8230;.”.</p>
<p>Barry Schwartz, no seu ótimo <a href="http://blog.oquederevier.com/tag/barry-schwartz/">Paradoxo da Escolha</a>, mostra que o índice de depressão e suicídio nos indivíduos maximizadores é maior do que nos demais. Indivíduos maximizadores são aqueles que só se contentam com o melhor, isto é, possuem alta expectativa a respeito de tudo. Aqui, há ainda a correlação positiva entre ter altas expectativas e assumir para si a responsabilidade pelo fracasso, o que coloca um peso ainda maior para as frustrações. O maximizador é escravo de suas próprias expectativas.</p>
<p>Triste paradoxo. É provável que grande parte das contribuições feitas à história humana tenha sido feita por indivíduos que tinham altas expectativas. Afinal, não é fácil se destacar, criar algo novo, fazer a diferença. Citando a frase de Bernard Shaw (de novo estou citando Shaw!), “<em>há dois tipos de pessoas, aquelas que se adaptam ao mundo e aquelas que tentam adaptar o mundo a elas. Todo progresso vem necessariamente do segundo tipo”</em>.  Eles foram lá, e fizeram, contra tudo e contra todos.  E mudaram a ordem das coisas.</p>
<p>Mas talvez, dentro de si, aquele incômodo sempre continuou, de um lado, impulsionando-os a fazer mais e mais, de outra impedindo-os de usufruir daquilo que conquistaram. O legado que deixaram ao mundo é maior do que o que construíram para si mesmos.</p>
<p>E, claro, para cada um que fez história, quantos potenciais gênios, empresários, educadores revolucionários, se perderam e não foram nem uma sombra daquilo que poderiam ter sido, justamente pela frustação paralisante que se instalou ao perceberem o quão longe estavam de suas elevadas aspirações?</p>
<p>Nesse sentido, invejo aquele que se contenta com pouco, que se surpreende positivamente com cada mínima conquista, que quase nada espera a ponto de quase tudo servir. Esse, certamente, é mais feliz. Olhando por esse lado, no entanto, a felicidade me parece algo um tanto medíocre, uma monotonia pouco digna para justificar, de fato, o efêmero momento que representa nossa passagem por esse mundo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=957&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Equilibrista: metáfora da vida</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 20:08:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[O que der e vier]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
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		<category><![CDATA[Equilibrista]]></category>
		<category><![CDATA[França]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2009]]></category>
		<category><![CDATA[torres gêmeas]]></category>
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		<description><![CDATA[O Equilibrista (Man on Wire) é o documentário vencedor do Oscar 2009, que mostra a vida de Philippe Petit, o francês que passou a vida andando sobre a corda bamba. Literalmente, não só metaforicamente, como todos nós. Quando jovem, na sala de espera de um dentista, ele viu uma matéria em uma revista sobre o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=926&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Equilibrista (Man on Wire) é o documentário vencedor do Oscar 2009, que mostra a vida de Philippe Petit, o francês que passou a vida andando sobre a corda bamba. Literalmente, não só metaforicamente, como todos nós.</p>
<p>Quando jovem, na sala de espera de um dentista, ele viu uma matéria em uma revista sobre o projeto de construção das torres gêmeas. Instintivamente, fez um traço entre as duas, arrancou a página da revista e…pronto, seu objetivo de vida estava traçado.</p>
<p>Aguardou a construção das torres, causou espanto ao (ilegalmente, sempre) cruzar a Notre Dame pelos ares, depois uma ponte em Sidney, e assim por diante, sempre aguardando aquele que se tornou seu projeto principal: andar sobre um cabo de aço a 450 metros de altura, em plena New York, entre as torres do World Trade Center.</p>
<p>Para realizar seu projeto, como todo gênio &#8211; para o bem ou para o mal – contou com ajudantes que encamparam o projeto de forma até mais intensa do que ele próprio, principalmente sua namorada e seu melhor amigo, que durante meses traçaram a melhor estratégia e organizaram a empreitada em seus mínimos detalhes.</p>
<p>O documentário mostra como esse bando de loucos, inseridos na contra-cultura da década de 70, conseguiu burlar a segurança e instalar um cabo de aço para cruzar os 70 metros entre as finadas torres e realizar o feito que assombrou a todos na época, no dia 7 de agosto de 1974. E até hoje impressiona, basta ver o filme.</p>
<p>A história é carregada de simbolismos profundos. Após a realização da travessia, foi-se a namorada, foi-se o melhor amigo. Era como se um ciclo – para todos – havia se completado. Não sem emoção, ainda que muitos anos depois, como é possível perceber pelos depoimentos. Aquilo que os unia era maior do que ele e do que eles. Após cruzar as torres, Philippe não era mais o mesmo – afinal, ele era um projeto, e o projeto fora concluído. O que viria depois, não se sabe, mas certamente não carregaria mais o vínculo que culminou com aquele objetivo.</p>
<p>A travessia, em si, é emblemática: ao deixar a primeira torre em direção à segunda, Philippe estava cruzando uma nova fronteira de vida, para si e para os seus. Talvez as pessoas se aproximem em função disto – de necessidades mútuas que, uma vez satisfeitas, se extinguem, e com elas o elo que vincula um ao outro.</p>
<p>Há também a questão pessoal que envolve o Equilibrista. Até que ponto vale a pena uma vida ser pautada por um único objetivo, por mais incrível que seja? Está certo, talvez toda vida tenha um propósito de ser heróica, e o heroísmo de Philippe era esse. Mas será que há limites a partir do qual o propósito passa a comandar a vida de uma pessoa, a ponto de torná-la mera passageira ou expectadora do seu destino?</p>
<p>Parece que sim. A certa altura, diante das dificuldades que quase o fizeram desistir, Philippe admite, ainda que não diretamente, o perigo dessa situação: “precisava naufragar na ilha deserta do meu sonho”, disse.  Naufragar na ilha deserta. Sabia que, por maior que fosse a conquista, do outro lado haveria o naufrágio. Haveria o vazio de uma conquista definitiva, precoce, do objetivo de sua vida conquistado. A partir dali, tudo seria passado. Sua vida seria uma retrospectiva; afinal, nada do que faria a seguir equivaleria em grandeza com o que acabara de fazer. E mais: não bastasse ser uma ilha, isolada por definição, ainda por cima, deserta. O destino de um só. Os sonhos são sempre individuais. As conquistas e tragédias, idem.</p>
<p>“Há duas tragédias na vida de um homem. Uma é não conquistar aquilo que deseja. A outra, é conquistar”, escreveu Bernard Shaw. A conquista de Philippe, ao mesmo tempo, era sua perdição, quase seu epílogo. O naufrágio do qual ele temia, mas não poderia evitar. Ou nao seria ele. O fato é que não há escapatória contra aquilo que precisa acontecer.</p>
<p>Talvez o prazer esteja na busca, na possibilidade, na meta a ser alcançada, não na conquista em si, como disse Shaw. A tragédia é que, quanto maior a meta, maior o prazer de buscá-la, maior o (efêmero) prazer de conquistá-la, mas maior o naufrágio, pois maior o vazio posterior.</p>
<p>Como o Equilibrista, andamos na corda bamba, entre aquilo que queremos conquistar e aquilo que de fato conquistamos, sempre correndo o risco de escorregar no meio do caminho. Dessa tensão talvez irreconciliável, extraímos nossos propósitos e, quem sabe, nossa felicidade, ainda que por instantes fugazes.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-24-as-10-20-30.png"><img class="alignnone size-full wp-image-927" title="Captura de tela 2010-01-24 às 10.20.30" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-24-as-10-20-30.png?w=500" alt=""   /></a></p>
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		<title>Um ano de “O que der e vier”</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 19:46:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Pereira de Carvalho]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje, o blog fez um ano. Em 30/11/08, escrevi “Nothing ventured, nothing gained”, o primeiro de 132 posts, o que dá uma média de um a cada 3 dias, ou um pouco menos. É como um filho: você bota no mundo, cria expectativas, até tentar moldar, mas ele adquire vida própria e vira alguma coisa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=846&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, o blog fez um ano. Em 30/11/08, escrevi “<a href="http://wp.me/pnPqN-3">Nothing ventured, nothing gained</a>”, o primeiro de 132 posts, o que dá uma média de um a cada 3 dias, ou um pouco menos.</p>
<p>É como um filho: você bota no mundo, cria expectativas, até tentar moldar, mas ele adquire vida própria e vira alguma coisa diferente do que você imaginava.</p>
<p>No caso do blog, isso é até natural (do filho também, mas obviamente por outras razões). Afinal, o blog é um reflexo de seu autor, e seu autor não é o mesmo ao longo do tempo. Muda e, com ele, muda também o blog. Um paradoxo: o blog cria vida própria em certo sentido, mas estará sempre subjugado a seu criador. Talvez sejamos nós mesmos que criamos vida própria, diferente do que achamos que somos.</p>
<p>Gostaria de presentear esse companheiro de horas críticas, que sempre aceitou tudo, sem reclamar com um momento mais criativo de minha parte. Nesses últimos meses, como já escrevi recentemente, a inspiração me tem faltado, junto com outras coisas mais, como tempo e dedicação. E talvez certa angústia, que sempre é uma artista poderosa. Mas essas coisas não escolhem hora para aparecer e voltar a sumir sem aviso prévio. Paciência, ele há de se acostumar, caso sobreviva por muito mais tempo.</p>
<p>Nesse período, ele me proporcionou bons momentos. Escrevi algumas coisas das quais gostei; mas nunca revisitei os textos, principalmente os mais pessoais, talvez por medo do que poderia vir a encontrar, medo de ter exagerado na exposição pessoal que um exercício dessa natureza sempre exige, medo de ver como eu era e o que pensava em determinados momentos. É até possível que me surpreendesse positivamente.</p>
<p>Como um filho, o parto não foi fácil; como o parto, teve um bocado de dor em sua origem, até que seu autor, meio que aos trancos e barrancos, fosse se adaptando aos novos tempos.</p>
<p>No primeiro texto que escrevi fui sincero ao avisar que seria um projeto pessoal, de mim para mim mesmo, o que em parte foi mesmo verdade, mas claro só em parte. Nunca tive o interesse de ter milhares de acessos, a responsabilidade seria muito grande e a exposição, idem. Quem fosse para acessar, acabaria acessando. Os que gostassem, voltariam.</p>
<p>Mas acho que, nesse projeto pessoal, ao longo do trajeto, sobrou algo para outras pessoas, que buscaram algum conhecimento, ideias, apoio e talvez até entretenimento em um ou outro post. Algumas dessas pessoas eu nem conhecia – em especial a <a href="http://meninadecachos.blogspot.com/">Ana</a>, a <a href="http://marciabenetti.blogspot.com/">Márcia</a>, e o <a href="http://rodolfo.typepad.com/">Rodolfo</a>, todos blogueiros e que, graças a esse negócio de tecnologia que eu meti  o pau alguns posts atrás, pude conhecer. E há, claro, muitos outros que já conhecia, ou que conheci pessoalmente nesse ano, e que também gastaram parte do seu tempo livre visitando meus textos.</p>
<p>O blog inicia seu segundo ano com expectativas, mas sem ao certo saber como vai se desenvolver, que rumos tomará, como servirá ao seu autor. A incerteza, afinal, já nasceu com ele, pelo próprio título. Seja para exposição de ideias quaisquer; seja para discorrer sobre gestão e empreendedorismo; seja para comentar fatos do dia-a-dia, filmes, livros,  música, vinhos e comida;  seja para comentar e publicar fotografias, o hobby que finalmente resolvi encarar; seja para dividir com os leitores minhas experiências de viagem (nos últimos 2 anos, foram 10 viagens internacionais!!); seja para dar vazão a questões mais pessoais que precisam ganhar o papel para, quem sabe, serem melhor compreendidas. O que der e vier está aí para tudo isso.</p>
<p>Anais Nin, que gosto de citar e ainda vou ler, disse “escrevo para um mundo onde se possa viver”. Não tenho essa pretensão; escrevo, no máximo, para um mundo onde eu possa viver. Já está bom demais, não?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=846&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Quer viver mais? Seja generoso</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 01:05:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ética]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
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		<description><![CDATA[Recebi um texto legal sobre longevidade, que dizia que ser generoso faz você viver mais. Um estudo nos Estados Unidos revelou que pessoas empenhadas em ajudar o próximo reduzem em 60% o risco de morte precoce. Segundo especialistas brasileiros, isto estaria ligado ao fato de que, ao ajudar o próximo, a pessoa se sente mais [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=760&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recebi um texto legal sobre longevidade, que dizia que ser generoso faz você viver mais. Um estudo nos Estados Unidos revelou que pessoas empenhadas em ajudar o próximo reduzem em 60% o risco de morte precoce. Segundo especialistas brasileiros, isto estaria ligado ao fato de que, ao ajudar o próximo, a pessoa se sente mais útil, dando um sentido maior à sua vida. Isso também reforça os vínculos afetivos, que seria mais uma razão para (o organismo) querer viver mais. Por outro lado, o egocêntrico tem o dobro de chances de morrer cedo.</p>
<p>Ser generoso, doar-se, fazer o bem, está, dessa forma, intimamente ligado a manter laços afetivos fortes com aqueles que estão à sua volta. E isso faz viver mais, segundo o artigo.</p>
<p>Lembrei-me na hora (mais uma vez) do livro <a href="http://blog.oquederevier.com/2008/12/14/critica-de-livro-outliers-fora-de-serie-de-malcolm-gladwell/">Fora de Série (Outliers)</a>, do Malcolm Gladwell, que conta, no prefácio, a história de uma pequena cidade de imigrantes italianos nos Estados Unidos, chamada Roseto, na Pennsylvania. Um médico chamado Stewart Wolf, especializado em digestão, soube que raramente havia uma pessoa com menos de 65 anos que tinha problemas cardíacos nessa cidade. Isso foi em 1950, antes dos remédios para redução do colesterol. Os infartos eram a principal causa de morte em homens com menos de 65 anos. Em Roseto, a taxa era simplesmente a metade daquela vigente na época no país. Somando-se todas as doenças, a incidência era 30 a 35% mais baixa do que no restante dos EUA.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-761" title="RosetoPaBurroughSign_opt" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/rosetopaburroughsign_opt.jpg?w=500" alt="RosetoPaBurroughSign_opt"   /></p>
<p>Wolf resolveu investigar o porquê. De início, espantou-se com o fato de não haver suicídios, alcoolismo ou uso de drogas. O número de crimes era mínimo e quase ninguém dependia da previdência social. Não havia ninguém com úlceras pépticas. As pessoas morriam de velhice.</p>
<p>Indo mais a fundo, ele tentou encontrar explicações na alimentação. Mas logo viu que os habitantes cozinhavam com banha de porco e não com azeite de oliva. Nutricionistas avaliaram que 41% das calorias (altíssimo) eram provenientes de gorduras. Não era a dieta, portanto.</p>
<p>Também, não havia esportistas e muitos até eram fumantes, além de obesos. Tudo errado. Wolf considerou então a genética, mas novamente não encontrou explicação, visto que seus parentes em outras regiões dos EUA não tinham a mesma saúde deles, nem mesmo em cidades de imigrantes vizinhas a Roseto.</p>
<p>Ele passou a desconfiar que talvez algum aspecto comportamental fosse a explicação. A diferença estava na intensa interação entre as pessoas e forte preservação dos clãs familiares, muitas vezes com 3 gerações familiares vivendo sob o mesmo teto. Isso ele não havia encontrado em nenhum lugar. Essas pessoas tinham um sentimento de utilidade coletiva, uma razão de ser, que ia além de sua individualidade e era responsável por aumentar significativamente sua expectativa de vida. Essa interação está ligada à generosidade, no sentido de se doar para a comunidade, ser importante para ela, ter uma vida plena de sentido. Talvez isso aumente o grau de felicidade e também contribua para uma vida mais longa.</p>
<p>Gladwell finaliza o prefácio dizendo que “é preciso aceitar a ideia de que os valores do mundo que habitamos e as pessoas que nos cercam exercem um grande efeito em que nós somos”. E, incrível, em quanto duramos nessa nossa passagem por aqui.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-762" title="rosetoscholl" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/rosetoscholl.jpg?w=500" alt="rosetoscholl"   /></p>
<p>É algo realmente notável. Fiquei pensando se não há um forte componente evolutivo nisso (não adianta, tudo começa ou acaba em Darwin). Se a generosidade está relacionada à vida em comunidade, talvez tenhamos sido selecionados para ser generosos por natureza. Imagino que para nossos ancestrais hominídeos a vida coletiva era fundamental para a sobrevivência. Se todos fossem individualistas, egocêntricos e excessivamente auto-centrados, provavelmente a comunidade desapareceria. Seria presa fácil para animais selvagens, não conseguiria caçar, etc. Assim, geração após geração, fomos sendo selecionados para viver em comunidade, o que implica em se doar, ser generoso.</p>
<p>Hoje é que está tudo invertido. Interessante Roseto ser justamente nos Estados Unidos, a meca do individualismo. Lá, talvez essa ausência da vida em comunidade tente ser substituída por alternativas como o rigor quase obsessivo nas questões de alimentação e exercício, visando diminuir a incidência de problemas de saúde. Uma tentativa de compensação, provavelmente capenga. O resto do mundo desenvolvido não está muito atrás (nós incluídos), afinal o padrão de competição mundial vigente é o norte-americano. Se quiser fazer parte&#8230;<em></em></p>
<p>Mas talvez haja uma reversão em curso no mundo, simbolizada por aspectos isolados, que, em conjunto, podem significar a construção de um novo padrão. Eleição do Obama, preocupação crescente com as mudanças climáticas, crescimento da importância da responsabilidade social das empresas, fortalecimento das ONGs, todos estes podem ser indicativos que estamos buscando inconscientemente o retorno ao que está impresso em nosso código genético: viver melhor em sociedade e, por conseqüência, dar mais sentido à nossa vida e assim viver mais. Talvez, enfim, o ser humano seja geneticamente programado para ser bom e generoso.</p>
<p> <em>(Será que a internet e suas comunidades também significam uma tentativa de dar mais sentido às vidas das pessoas, uma maneira talvez torta de compensar o stress, a competitividade, o individualismo e o egocentrismo, a corrida atrás do próprio rabo que se tornou grande parte da nossa existência? Será que o Facebook, o Orkut, o Flickr, o Twitter, etc., conseguirão ser bem sucedidos no papel de Roseto virtual?)</em></p>
<p> A revista National Geographic de novembro de 2005 trouxe uma matéria chamada “The Secrets of Long Life”. Eles estudaram porque habitantes de três regiões distintas do mundo viviam mais do que os outros. Essas três comunidades eram Okinawa, no Japão; a Sardenha, na Itália; e Loma Linda, uma comunidade de adventistas do sétimo dia na Califórnia. Cada um tinha características específicas que levavam a uma vida mais longa, e obviamente há outros aspectos que não só a vida em comunidade e que estão relacionados à longevidade. Veja na figura abaixo o que encontraram em cada uma delas e o que estava presente em todas elas. Certamente não é coincidência! Pessoalmente, se é para viver mais, eu voto na Sardenha&#8230;rs.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-763" title="natgeolongevity" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/natgeolongevity.jpg?w=500&#038;h=370" alt="natgeolongevity" width="500" height="370" /></p>
<p>Dedico esse texto aos meus avós, Lucy e Moacyr, 85 e 87 anos. Finalmente descobri porquê  eles vão chegar aos 100 facilmente!!</p>
<p><img class="alignnone size-medium wp-image-764" title="IMG_4217" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_4217.jpg?w=300&#038;h=225" alt="IMG_4217" width="300" height="225" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/760/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=760&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O eterno conflito de dar esmolas na rua</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jul 2009 23:17:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ética]]></category>
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		<description><![CDATA[Gente pedindo dinheiro nas esquinas e calçadas sempre incomoda. Há diversos conflitos envolvidos nessa simples decisão que diariamente nos joga na cara as desigualdades que ainda existem e a nossa própria indiferença à questão. Melhor, certamente, não dar nada: primeiro, ouvimos falar – e provavelmente em parte é verdade – de pessoas exploradas por outras, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=688&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gente pedindo dinheiro nas esquinas e calçadas sempre incomoda. Há diversos conflitos envolvidos nessa simples decisão que diariamente nos joga na cara as desigualdades que ainda existem e a nossa própria indiferença à questão.</p>
<p>Melhor, certamente, não dar nada: primeiro, ouvimos falar – e provavelmente em parte é verdade – de pessoas exploradas por outras, criando uma verdadeira indústria da esmola. Se a prática de dar esmolas se torna corriqueira entre todos os cidadãos que podem fazê-lo, certamente virará um bom negócio, e não parece nada viável regulamentar a atividade, restringindo a prática àqueles que não são explorados por espertalhões. Também, o que dizer daquelas pessoas que de fato não precisam e até nos enganam? Falsos deficientes, pessoas que poderiam estar trabalhando e não estão por ser mais fácil ficar nas ruas. Há, também, o comparativo e, com ele, a indignação: vira e mexe surgem matérias que nos surpreendem com a quantia arrecadada por algo que se caracteriza como um “trabalho” como outro qualquer. Como somos trouxas! E há, claro, as crianças, que deveriam estar nas escolas e nas casas, e não nas ruas.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-689" title="esmola1" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/07/esmola1.jpg?w=500" alt="esmola1"   /></p>
<p>Tudo isso é correto e inquestionável (estou desconsiderando o argumento &#8220;não é problema meu&#8221;, que, infelizmente, talvez seja o mais prevalente). Porém, o problema continua, ainda que existam distorções. Há pessoas – e muitas – cuja única alternativa ao menos a curto prazo é pedir dinheiro. E há nós, com dinheiro, passando todos os dias por elas e tendo de lidar com nosso conflito pessoal de dar ou não dar a maldita (ou bendita?) esmola.</p>
<p>De certa forma, argumentar racionalmente a inadequação e o equívoco de dar esmolas é jogar o problema para longe de nós e ficar com a consciência tranqüila. Talvez uma hipocrisia inconsciente, amparada por bons argumentos e ótimas intenções.</p>
<p>Já ia me esquecendo da saída elegante que, além de aliviar nossa consciência, nos transforma em cidadãos preocupados com o bem-estar da sociedade: melhor do que dar esmolas é criar condições para que essas pessoas se insiram no mercado de trabalho como todos nós um dia fizemos.</p>
<p>Novamente, correto. Mas o problema continua e nos encara diariamente: enquanto essas melhores condições não chegam, ainda que aos poucos estejam chegando, devemos ou não dar esmola? Ainda que ajudemos a criar estas condições, ainda que doemos dinheiro para entidades que farão esse trabalho, ainda que sejamos bons patrões e chefes, veremos todos os dias alguém necessitado pedindo ajuda. Devemos ajudar ao próximo, que está ali? Ou a ajuda ficará sempre para o “próximo”, não a esse que nos pede (humor negro)? Ou, ainda, ajudaremos apenas o “próximo”, isto é, aquele que está próximo de nós, aumentando o fosso entre os nossos e os outros?</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-690" title="esmola2" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/07/esmola2.jpg?w=500" alt="esmola2"   /></p>
<p>Dar o auxílio pode não ser tão desproposital assim. De início, fui cético em relação ao Fome Zero e, mais recentemente, ao Bolsa-Família promovidos pelo governo Lula: o caminho não é dar dinheiro ou comida, mas sim criar empregos! É verdade, mas é inegável que o Bolsa-Família irrigou com renda muitas regiões carentes e movimentou as economias locais. Se você não concorda, veja onde tem se dado o crescimento de empresas como Nestlé ou Unilever, onde muitos de nós trabalhamos: no Nordeste, região mais beneficiada pelo programa, onde 40% da renda está atrelada ao Bolsa-Família e ao salário-mínimo. Claro, ele não resolve no longo prazo, mas talvez seja um dinheiro bem gasto pelo governo, dentre tantos usos mal feitos dos recursos arrecadados. E as pessoas precisam comer hoje, não quando as melhores condições chegarem. Melhor o aproximadamente agora do que o exatamente nunca.</p>
<p>Muitas vezes tiramos conclusões falsas a partir de premissas verdadeiras. Ou conclusões que queremos concluir. Como escreveu Anaïs Nin, “não vemos as coisas como elas são, mas sim como nós somos”.</p>
<p>Dou um exemplo. Nos países desenvolvidos, muitas ONGs e trabalhadores têm criticado os baixos salários e as condições de trabalho de países em desenvolvimento, como os do Sudeste Asiático. Faltou perguntar às pessoas que estão conseguindo esses trabalhos mal remunerados e inaceitáveis se estão melhores ou piores com eles. Apostaria que melhores – a China que o diga. Certo, há o trabalho infantil da Nike e coisas afins. Certamente há abusos que devem ser combatidos, mas é preciso analisar a floresta e não cada árvore individualmente. Mas não é só isso. O que não se diz é que a motivação por trás dessas críticas via de regra não é exatamente nobre como parece: o que está em jogo é a perda de milhões de empregos em função do <em>outsourcing</em> e dos investimentos diretos das empresas nesses países onde o custo do trabalho é mais barato. Viés protecionista disfarçado de altruísmo.</p>
<p>No caso das esmolas, o raciocínio é análogo: há abusos, não é uma solução definitiva, há outras formas de se fazer. Mas continua sendo uma solução parcial, ao alcance de todos, para fazer mais um pouco de justiça social. Se não me engano, Ricardo Semler, no seu livro “<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1672779">Você está louco!</a>”, fala do hábito existente em países muçulmanos das pessoas andarem com sacos de moedas para distribuir aos carentes, contribuindo para a manutenção do tecido social nessas sociedades. É uma maneira de humanizar as relações, tornar os mais abastados mais próximos dos menos abastados. É diferente de doar dinheiro a uma instituição de caridade sem nunca visitá-la. O contato ocorre ali, frente a frente, olhos nos olhos, todos os dias.</p>
<p>Bem, eu não dou esmola. Normalmente, não dou. Primeiro, uma questão de ordem prática: não tenho como dar para todos os que pedem e, como não sei quem de fato merece, acabo não dando para ninguém. Às  vezes (ainda bem) não tenho trocado. Às vezes estou preocupado com meus problemas e aquilo me irrita ainda mais. Para aplacar a consciência, racionalizo usando os argumentos colocados no início do texto.</p>
<p>Mas o problema continua e a consciência, lá no fundo, incomoda. Afinal, a realidade está ali, diante de nossos olhos, e ela não é bonita. E isso tem um efeito muito maior do que argumentos lógicos.</p>
<p>Tenho, então, um mecanismo ainda mais eficaz para concluir que sou “de bem” e estou certo em não contribuir: admito o remorso, me condeno e fico mais tranqüilo comigo mesmo. Isso tudo, claro, passada a oportunidade de contribuir.</p>
<p>Cabe aqui o poema “Viajando num carro confortável”, de Bertold Brecht, citado pelo economista e filósofo Eduardo Giannetti em seu magnífico “<a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/1068803/auto-engano">Auto-Engano</a>”:</p>
<address><em>“Viajando num carro confortável</em></address>
<address><em>Por uma estrada chuvosa do interior</em></address>
<address><em>Avistamos ao cair da noite um homem rústico</em></address>
<address><em>Solicitando-nos condução com um gesto humilde.</em></address>
<address><em>Tínhamos teto e tínhamos espaço e seguimos em frente</em></address>
<address><em>E ouvimos a mim dizer num tom de voz árido: “Não,</em></address>
<address><em>Não podemos levar ninguém conosco”.</em></address>
<address><em>Tínhamos avançado já boa distância, um dia de viagem talvez,</em></address>
<address><em>Quando subitamente fiquei chocado com esta voz minha</em></address>
<address><em>Com este comportamento meu</em></address>
<address><em>E todo este mundo”.</em></address>
<p> </p>
<p>Assim como no caso da esmola, há sempre argumentos para justificarmos: pode ser perigoso dar carona a alguém; não tenho culpa se essa pessoa não tem carro (eu tenho o meu e ganhei com meu honesto suor); é preciso criar condições para todos terem o seu carro; é perigoso ficar nas estradas pedindo carona, etc.</p>
<p>Tudo isso é verniz, que não resiste à consciência crítica e sempre presente. A única arma que silencia o conflito é o auto-engano. Como explica Giannetti, “é doce imaginar-se firme, generoso e solidário no abstrato, enquanto a tentação de não sê-lo é remota e o desafio é apenas hipotético. (&#8230;.). O tempo contudo, vira. E quando ele vira – quando a oportunidade concreta por fim se oferece de provarmos na prática que somos de fato tudo aquilo que imaginamos ser -, a voz que ouvimos deixa, com freqüência, de ser a nossa. Ações falam. E o que nossas ações falam nem sempre é o que nos acostumamos a ouvir, em silêncio, enquanto o futuro é algo em aberto, a promessa, generosa, e o desafio, remoto”.</p>
<p>E agora, você continua vendo a questão da esmola sob a mesma ótica dos argumentos tradicionalmente empregados (ainda que corretos, repito), ou sua perspectiva sobre o tema ficou mais nebulosa?   </p>
<p>Talvez eu tenha causado mais confusão do que esclarecimento. Mais dúvidas do que certezas. Mais contradições do que coerências. Se fiz isso, então sinto-me satisfeito por aproximar-me da realidade. Como escreveu Novalis, “cada ser humano é uma pequena sociedade”. Há muitas vozes e visões dentro de cada um. E, ademais, como escreveu Giannetti, “é apenas na lógica, não na vida, que contradições não podem existir”.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-691" title="esmola3" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/07/esmola3.jpg?w=500" alt="esmola3"   /></p>
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		<title>Filme: O Curioso Caso de Benjamin Button &#8211; reflexões</title>
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		<pubDate>Mon, 18 May 2009 21:13:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Curioso Caso de Benjamin Button (de Dave Fincher, com Brad Pitt e Cate Blanchett) é um dos melhores filmes que vi nos últimos anos. Não vou entrar no mérito da produção em si, que é primorosa e passa voando apesar de durar 2 horas e meia, mas sim da história baseada em um conto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=597&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-598" title="BenjaminButton" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/05/benjaminbutton.jpg?w=500" alt="BenjaminButton"   /></p>
<p>O Curioso Caso de Benjamin Button (de Dave Fincher, com Brad Pitt e Cate Blanchett) é um dos melhores filmes que vi nos últimos anos. Não vou entrar no mérito da produção em si, que é primorosa e passa voando apesar de durar 2 horas e meia, mas sim da história baseada em um conto de F. Scott Fitzgerald e o que ela nos faz refletir.No começo do século XX, um bebê nasce com uma estranha anomalia: possui o corpo de um velho de 80 anos que começa a “crescer ao contrário”: à medida que os anos passam, vai rejuvenescendo. Levanta-se da cadeira de rodas, vai ganhando força, trabalha em um navio, vai ficando com as feições de um jovem (à certa altura, vira Brad Pitt), vira adolescente, criança&#8230;</p>
<p>O tema básico do filme é o medo da morte, da qual não se escapa mesmo se, hipoteticamente, fizéssemos o caminho inverso como fez o personagem do filme: começássemos morrendo e fôssemos ficando jovens, até desaparecer novamente. De um jeito ou de outro, ela estará lá, seja como conseqüência natural da exaustão do invólucro, como a concebemos, ou pela hipótese fantástica de se andar contra o relógio. Esses dois caminhos contrários que acabam se encontrando nos fazem refletir que infância e velhice, nascimento e morte estão mais próximos do que se pensa.</p>
<p>No caso do filme, a angústia da situação é ainda maior, tanto pelo fato da implausibilidade biológica e do estranhamento, como pelo fato de se tratar de um processo isolado: enquanto todos no filme seguem seu curso normal, Button vai sozinho em direção à sua morte única, que se funde à sua própria concepção.</p>
<p>A passagem do tempo é inequívoca, cujo resultado final todos sabemos, só nos falta saber quando. Porém, estamos todos no mesmo barco, o que aumenta um pouco nosso conforto. O processo de passagem do tempo é comum a todos: daqui há 10 anos, estaremos todos mais velhos, mas vamos todos desaguar no mesmo mar, percorrendo o mesmo rio, ainda que em momentos diferentes.</p>
<p>A vida ao contrário, tendo como tema a finitude, apresenta uma situação distinta. Alguém rema contra a corrente e cruzará por um instante fugaz com todos os demais. Passando a curva do rio na direção oposta, não há mais volta. A mensagem é clara: aproveite o momento, o hoje, carpe diem. Na vida normal, não sabemos como será o amanhã. Na de Button, sabe-se que ele simplesmente não existirá. A distância entre as pessoas queridas só aumentará. Será que estamos deixando passar os momentos do presente, desdenhando das possibilidades, subestimando os efeitos do relógio, esperando um futuro que talvez não venha ou que, se vier, não será como esperamos?</p>
<p>Por fim, uma outra reflexão pode ser feita, não sob a ótica do rejuvenescimento físico, mas mental. Esse sim, está ao nosso alcance, fruto do acúmulo de experiências, da sabedoria, da percepção de que nada é para sempre, de que os problemas que consideramos problemas são insignificantes perto do que representa aproximar-se irremediavelmente da foz, sem chances de voltar à nascente. “Eu era mais velho naquela época, sou muito mais novo do que isso agora”, cantou Bob Dylan em My Back Pages.</p>
<p>De alguma forma, a hipótese absurda vivida por Benjamin Button, se de um lado nos joga na cara que não há escapatória para o ciclo biológico, restando-nos aproveitar o momento o melhor que cada um puder, de outro pode contribuir para avançarmos um pouco no processo de rejuvenescimento que ocorre dentro de cada um.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/05/18/filme-o-curioso-caso-de-benjamin-button-reflexoes/"><img src="http://img.youtube.com/vi/tFk0T0eQonw/2.jpg" alt="" /></a></span>
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	</item>
		<item>
		<title>Barry Schwartz na TED 09: o resgate da moral e da virtude</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Mar 2009 16:31:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ética]]></category>
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		<category><![CDATA[moral]]></category>
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		<description><![CDATA[Assisti online à palestra de Barry Schwartz na TED 2009 (Technology, Entertainment and Design &#8211; thanks Miguel).  Barry é autor do Paradoxo da Escolha, que resumi aqui em quatro posts sobre o assunto (Veja aqui o último e você tem o link para todos). Ele fala sobre vários assuntos, fazendo uma real conexão entre eles: [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=427&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assisti online à palestra de Barry Schwartz na TED 2009 (Technology, Entertainment and Design &#8211; thanks Miguel).  Barry é autor do Paradoxo da Escolha, que resumi aqui em quatro posts sobre o assunto (<a href="http://blog.oquederevier.com/2009/02/14/resenha-de-livro-o-paradoxo-da-escolha-%e2%80%93-porque-mais-e-menos-de-barry-schwartz-parte-final/" target="_blank">Veja aqui o último e você tem o link para todos</a>).</p>
<p>Ele fala sobre vários assuntos, fazendo uma real conexão entre eles: sabedoria, regras, improviso, caráter, virtude, moral, motivação, educação. Tudo isso em 20 minutos, mas com enorme impacto e fundamento. Nos faz parar para pensar, o maior objetivo de qualquer palestra ou outra forma de comunicação.</p>
<p>Barry mostra acima de tudo uma enorme esperança no potencial humano de melhorar o mundo, desde que nos esforcemos para tal e mudemos alguns comportamentos.</p>
<div id="attachment_428" class="wp-caption alignleft" style="width: 88px"><img class="size-thumbnail wp-image-428" title="schwartz-barry" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/03/schwartz-barry.jpg?w=78&#038;h=96" alt="Barry Schwartz" width="78" height="96" /><p class="wp-caption-text">Barry Schwartz</p></div>
<p> </p>
<p>Talvez isso já esteja ocorrendo. Ele cita Barack Obama que, em seu discurso de posse, chamou pela  virtude para resolver os problemas financeiros em que os Estados Unidos (principalmente) envolveram o mundo. É uma revisão de prioridades, partindo da constatação de que o interesse financeiro foi muito longe a ponto de se perder o controle e jogar o mundo num quase caos econômico e perda generalizada de confiança. &#8220;<em>We must ask not just if it is profitable,but if it is right</em>,&#8221; disse Obama  (&#8220;Devemos nos perguntar não apenas se é lucrativo, mas se é correto&#8221;). O capitalismo, os países, as corporações e, no fundo, as pessoas, têm responsabilidades.</p>
<p>Indo na mesma linha, Barry acha que não serão mais regras e mais controles que resolverão a situação, ainda que em algum grau elas sejam necessárias &#8211; as regras de fato evitam o caos e o desastre. Mas, por outro lado, semeiam a mediocridade, em um processo de emburrecimento global em nome de uma aparente ordem.  Vejam esse exemplo:</p>
<p><em>&#8220;Um pai foi com o filho pequeno ver um jogo de futebol. No intervalo, o filho pediu uma limonada e o pai comprou o refresco. Porém, não percebeu que o produto não era exatamente uma limonada &#8211; continha 5% de álcool. O policial viu o menino bebendo a bebida alcoólica, chamou reforço policial e uma ambulância, que levou o menino diretamente para o hospital. Mesmo após constatar-se que o menino estava bem, as autoridades mantiveram a criança por 3 dias fora de sua casa e, após essa data, autorizaram o retorno desde que <strong>o pai não voltasse para casa</strong>! O pai ficou 15 dias em um hotel, impedido de retornar a sua casa &#8211; porque, inadvertidamente, comprou uma limonada que continha  5% de álcool para o filho! As autoridades reconheceram que odiavam ter de fazer aquilo &#8211; mas eram as regras, que devem ter sido criadas porque em algum momento crianças nas mesmas condições foram recolocadas em lares de fato perigosos&#8221;. </em></p>
<p>Barry diz que é preciso <span style="text-decoration:underline;">sabedoria prática</span> para saber quando uma regra deve ser quebrada; quando e como aplicar a exceção. E, para fazer isso, é necessário ter habilidade moral, virtude, caráter. Mais ainda: todas as pessoas cujo trabalho é lidar com outras pessoas precisam desenvolver essas habilidades, precisam aprender a ter sabedoria, o que se consegue com exemplos  e experiência.  Mesmo trabalhos aparentemente banais, braçais (ele dá belos exemplos de faxineiros de hospital), muitas vezes envolvem, ao final das contas, cuidar de pessoas e, para isso, é preciso ter flexibilidade e entender o contexto de cada momento. Não há regra que consiga prevenir todas as situações possíveis.  &#8220;Uma pessoa sábia consegue entender quando deve usar suas habilidades morais em prol dos objetivos corretos&#8221;, disse.</p>
<p>Barry diz que não é preciso ser brilhante para ser sábio, mas que sem sabedoria, o brilhantismo não é suficiente e pode trazer apenas mais problemas. Ainda, ele fala que uma pessoa sábia se faz ao longo do tempo, não sendo uma característica de nascença.</p>
<p>O grande problema: no mundo de hoje, a própria educação, padronizada, desestimula o improviso e a criatividade, simplesmente fazendo com que as pessoas (professores incluídos) não pensem mais, apenas sigam o protocolo, a regra. Em última análise, é isso: as regras e procedimentos em excesso matam o pensamento, a análise; por isso, prevêem o desastre, mas trazem como subproduto a mediocridade generalizada.</p>
<p>Ele faz também um paralelo com sistemas de incentivo, como bonificações (novamente o pano de fundo para os excessos do mercado financeiro). Segundo ele, embora aparentemente faça todo sentido dar um incentivo financeiro a mais para as pessoas aceitarem suas responsabilidades no trabalho, isso nem sempre dá certo.  Ele dá um exemplo da Suíça: ao perguntarem a cidadãos suíços se eles concordariam em ter perto de suas casas um depósito de lixo nuclear gerado pela própria Suíça, 50% dos entrevistados concordaram, entendendo que se tratava de um dever cívico. Para outro grupo,  a mesma questão foi colocada, adicionada da informação de que receberiam um valor em dinheiro (um salário adicional) para aceitar a &#8220;oferta&#8221;. Apenas 25% concordaram.O pagamento em dinheiro eliminou a moralidade da questão: as pessoas deixaram de perguntar o que é certo, como disse Obama.</p>
<p>Isso não quer dizer que as pessoas não devam receber incentivos ou que não devam ser remuneradas de acordo com o resultado de seu trabalho (ou que regras e procedimentos não sejam necessários). O que se pode depreender dessa situação é que: i) nenhum sistema de incentivo será suficiente para superar a má vontade, quando ela existe; ii) é possível ter incentivos, mas o excessos desmoraliza a atividade profissional:; as pessoas perdem estatura moral e a atividade perde moralidade. No final das contas, as pessoas de caráter ficam felizes ao fazer a coisa certa, bem feita.</p>
<p>Nesse sentido, Barry lembra que a coisa mais importante que as crianças precisam aprender é <span style="text-decoration:underline;">caráter</span>.</p>
<div id="attachment_429" class="wp-caption alignleft" style="width: 90px"><img class="size-thumbnail wp-image-429" title="marcovitch2" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/03/marcovitch2.jpg?w=80&#038;h=96" alt="Jacques Marcovitch" width="80" height="96" /><p class="wp-caption-text">Jacques Marcovitch</p></div>
<p>A solução ao alcance de cada um,  é simples: devemos celebrar exemplos morais, ainda que (ou talvez especialmente) sejam exemplos de heróis ordinários, como funcionários de limpeza de um hospital que fazem mais do que simplesmente esfregar o chão seguindo os procedimentos. Certa vez, o professor <a href="http://www.fundacaofia.com.br/professores/marcovitch" target="_blank">Jacques Marcovitch</a>  que sempre que passa ao lado de um policial, o cumprimenta e o agradece pelo serviço difícil e necessário que esse cidadão presta a todos. Esse vínculo, ao longo dos tempos, é que se perdeu.  </p>
<p>Por fim, Barry lembra que &#8220;estamos sempre ensinando; the camera is always on&#8221;. Devemos prestar atenção nos exemplos que damos, no que valorizamos no dia-a-dia. Só assim é possível realmente influenciar o mundo e mudar o que está errado. Ainda que vagarosamente.</p>
<p>Barry Schwartz me impressionou muito com o seu Paradoxo da Escolha; mais ainda quando trocamos alguns emails e impressões sobre o tema e, agora, definitivamente com essa palestra que, quem sabe, ajude a sinalizar novos tempos nesse repensar dos caminhos que escolhemos.</p>
<p>Clique abaixo para ver a palestra, em inglês. Vale a pena:</p>
<p><a href="http://www.presentationzen.com/presentationzen/2009/02/barry-schwartz-at-ted-the-need-for-virtue-practical-wisdom.html">http://www.presentationzen.com/presentationzen/2009/02/barry-schwartz-at-ted-the-need-for-virtue-practical-wisdom.html</a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/427/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/427/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/427/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/427/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/427/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/427/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/427/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/427/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/427/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/427/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/427/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/427/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/427/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/427/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=427&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Filosofia chinesa – o simbolismo através das plantas</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/03/02/filosofia-chinesa-%e2%80%93-o-simbolismo-atraves-das-plantas/</link>
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		<pubDate>Mon, 02 Mar 2009 00:37:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Segundo o poeta chinês Bai Juyi (803 DC), as qualidades do bambu são um exemplo de comportamento humano superior: diante da tempestade, o bambu se curva, mas não se parte, retornando à forma anterior após passada a tormenta. Um símbolo de resiliência. Seu caule oco representa a mente aberta. Li isso em uma placa no [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=406&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-408" title="bamboo_main" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/03/bamboo_main.jpg?w=500" alt="bamboo_main"   /></p>
<p>Segundo o poeta chinês Bai Juyi (803 DC), as qualidades do bambu são um exemplo de comportamento humano superior: diante da tempestade, o bambu se curva, mas não se parte, retornando à forma anterior após passada a tormenta. Um símbolo de <strong>resiliência</strong>. Seu caule oco representa a <strong>mente aberta</strong>.</p>
<p>Li isso em uma placa no Royal Botanical Gardens, em Melbourne, bem perto de onde tirei a foto abaixo, e achei que valia a pena trazer.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-407" title="img_1012" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/03/img_1012.jpg?w=500&#038;h=375" alt="img_1012" width="500" height="375" /></p>
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