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	<title>O que der e vier &#187; Mundo</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; Mundo</title>
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		<title>Avatar merecia mais</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 23:44:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Antes de escrever sobre Avatar, fiz uma consultazinha na internet e conversei com algumas pessoas que viram o filme.  Fiquei surpreso – quase só críticas favoráveis e pessoas que respeito intelectualmente gostaram muito do filme. Será que vimos o mesmo filme? Será que minha avaliação está errada, sou insensível, exigente, obtuso? Será que minhas expectativas [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=945&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de escrever sobre <a href="http://www.avatarfilme.com.br/">Avatar</a>, fiz uma consultazinha na internet e conversei com algumas pessoas que viram o filme.  Fiquei surpreso – quase só críticas favoráveis e pessoas que respeito intelectualmente gostaram muito do filme.</p>
<p>Será que vimos o mesmo filme? Será que minha avaliação está errada, sou insensível, exigente, obtuso? Será que minhas expectativas estavam exageradas e equivocadas? Vamos ser justos: Avatar é um show, uma super-produção primorosa. Em 3D, você de fato entra nas cenas. A realidade virtual criada por James Cameron é perfeita. É uma obra-prima na forma. Mas no conteúdo…</p>
<p>O roteiro é fraco, óbvio, chega a afrontar nossa inteligência. Os diálogos são pobres e os personagens totalmente clichês, ainda que em geral bem interpretados: o heroí, a heroína, os ajudantes dos dois, o vilão (excelente, por sinal, o ponto alto do enredo), e assim por diante. Tudo bem, é possível ter esses clichês e fazer um grande filme. Mas não é o caso. A história é previsível do começo ao fim, você fica esperando algo diferente e simplesmente não vem nada, até o ponto em que você se contenta em apreciar o visual e os efeitos.  Infelizmente, tive que ver o filme dublado, o que é de lascar, e isso talvez tenha contribuído negativamente.</p>
<p>O filme procura ainda passar uma mensagem educativa: que temos de proteger o meio-ambiente, caso contrário destruiremos nosso planeta. Ok, concordo.  Mas essa abordagem seria válida e potencialmente impactante caso esse tema não fizesse parte da nossa agenda. Nesse caso, mesmo com uma historinha boba, Avatar teria um impacto ao trazer à tona um tema novo e relevante. Mas, pombas, esse é o principal tema discutido no mundo atual! O grande desafio que temos é como conciliar o aumento da renda de grande parte da população mundial, que vai se refletir em maior consumo, com a necessidade de utilização racional dos recursos naturais.</p>
<p>Ainda não sabemos ao certo como fazer isso, como a COP15 demonstrou em dezembro. Mas a discussão está em todos os jornais, TVs, internet, governos, empresas. Talvez quando Cameron começou a trabalhar a ideia, há 10 ou 12 anos, fosse um tema de vanguarda. Hoje, é <em>main stream</em>. Não me parece necessário gastar US$ 300 milhões e empregar uma metáfora da destruição de um outro planeta para passar essa mensagem. Talvez eu esteja exagerando; talvez eu seja mais consciente a respeito dessas questões, do que a maior parte da população mundial &#8211; afinal me informo minimamente. Faço, então, uma ressalva: talvez o filme tenha êxito ao passar essa mensagem, ainda que de uma maneira água com açúcar. Para mim, porém, Avatar foi inócuo nesse sentido.</p>
<p>Mesmo com esses tropeços, o filme se salvaria, tamanha a qualidade da produção e a inovação visual. Mas Avatar ainda abusa dos lugares-comuns: a culpa pelo extermínio de populações tecnologicamente menos favorecidas, o amor impossível (me pareceu muito um Dança com Lobos: uma civilização mais avançada destrói a outra, até que surge um amor para complicar…), a culpa pelas conseqüências – psicológicas inclusive &#8211; da Guerra do Vietnã e afins, o velho embate entre o bem e o mal, Davi contra Golias, e assim por diante.</p>
<p>De fato, o diretor caracterizou as duas civilizações em conflito como totalmente antagônicas, colocando-as em pontos absolutamente opostos em relação aos aspectos éticos. De um lado, o “povo do céu”, isto é, nós, armados, poderosos e sem escrúpulos, querendo explorar um metal raro presente no subsolo de Pandora; de outro, uma tribo alienígena (metáfora clara dos povos indígenas que foram exterminados) que vive em total comunhão com a natureza,  de modo absolutamente idílico &#8211; Pandora, de fato, assemelha-se a uma espécie de paraíso. Nesse sentido, Cameron se mostra um grande pessimista com os rumos da raça humana: em 2154, teremos destruído todo o verde daqui e o próximo passo é fazer o mesmo por lá.</p>
<p>Há ainda um <em>gran finale</em>, e se você não viu o filme, aconselho a parar por aqui. Diante da possibilidade de voltar para a Terra ou mudar definitivamente para Pandora e se tornar um Na’vi, abandonando sua versão humana, o herói Jake não hesita: se “suicida” como humano para viver no paraíso de Pandora com sua amada nativa. É a utopia em seu grau extremo: abandonar a própria vida, o próprio mundo, e viver no Eden. Isso dá mais uma longa análise, mas deixa pra lá…</p>
<p>Você vai achar que não recomendo o filme. De forma alguma. Avatar é bom? Depende do que se busca e talvez aí esteja meu erro com essa análise bem crítica. Se a ideia é ver um belo roteiro e uma história inteligente, esqueça. Se o objetivo é se divertir com uma criação brilhante, vá fundo que a diversão é garantida. As duas horas e meia de filme passam rapidamente e você embarca mesmo em uma viagem. Mas mesmo por isso, por ter feito algo tão grandioso e com tanto potencial, James Cameron poderia ter marcado época e feito um filme melhor. Avatar merecia uma história mais consistente, menos óbvia e infantil, menos Romeu e Julieta com final feliz, que acabou apenas servindo como invólucro para embalar as peripécias tecnológicas e a incrível criatividade visual. Uma pena.</p>
<p>PS: recebi esse link aqui comparando <a href="http://failblog.org/2010/01/10/avatar-plot-fail/">Avatar com Pocahontas</a> <img src='http://s.wordpress.com/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>(Vai, pode meter o pau agora).</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-29-as-20-48-14.png"><img class="alignnone size-full wp-image-944" title="Captura de tela 2010-01-29 às 20.48.14" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-29-as-20-48-14.png?w=500&#038;h=261" alt="" width="500" height="261" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/945/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=945&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Jornais não conseguem ir além da discussão cobrar ou não pelo conteúdo</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/12/02/jornais-nao-conseguem-ir-alem-da-discussao-cobrar-ou-nao-pelo-conteudo/</link>
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		<pubDate>Wed, 02 Dec 2009 22:11:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nessa quarta, dia 2/12, o Estadão trouxe as conclusões do 62° congresso da Associação Mundial de Jornais (WAN). A julgar pela matéria, os jornais continuarão tendo tempos turbulentos: receitas de assinaturas decrescentes e publicidade online que não cresce na mesma velocidade, e poucas alternativas de gerar renda adicional. As possibilidades de crescimento de um negócio [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=855&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nessa quarta, dia 2/12, o Estadão trouxe as conclusões do 62° congresso da Associação Mundial de Jornais (WAN). A julgar pela matéria, os jornais continuarão tendo tempos turbulentos: receitas de assinaturas decrescentes e publicidade online que não cresce na mesma velocidade, e poucas alternativas de gerar renda adicional. As possibilidades de crescimento de um negócio com esse são, por consequência, muito baixas.</p>
<p>A internet como negócio já fez pelo menos 10 anos, mas os jornais não conseguem sair da discussão sobre cobrar ou não pelo conteúdo. Se cobrarem, correm o risco (eu diria que mais do que o risco, estarão selando seu destino) de perder uma enxurrada de visitantes online; se não cobrarem, não terão como compensar a natural perda de assinantes da versão impressa. E a publicidade online não cresce na mesma velocidade. É um dilema, sem dúvida, e nada simples de se resolver.</p>
<p>Como os jornais (e as demais mídias impressas também) só conseguem analisar uma única opção de viabilização de seus negócios em uma época de grandes e definitivas mudanças, surgem as mais variadas fórmulas para que a cobrança de conteúdo online seja bem sucedida. No início do ano, um expert disse que o futuro estaria nos micropagamentos: cada matéria custaria um pouquinho e caberia ao leitor pagar para lê-la, criando um veículo praticamente personalizado. A crescente facilidade e a ampliação dos sistemas de compensação online certamente viabilizariam essa estratégia, mas será mesmo que as pessoas gostariam de ter que decidir se pagariam ou não para ler cada matéria?</p>
<p>Acho válido testar, sem dúvida, afinal estamos em águas inexploradas (parafraseando Alan Greenspan), onde tudo é possível encontrar, até monstros marinhos até então presentes apenas em nossa imaginação.  Mas me parece perigoso basear um plano de negócios a partir dessa premissa. As pessoas já precisam tomar inúmeras decisões diariamente em suas vidas. A era da escolha, a despeito do evidente benefício, traz também o ônus da decisão onipresente. É um peso, e talvez as pessoas simplesmente não queiram ter de decidir se devem ou não ler cada notícia ou matéria. E falta tempo para isso.</p>
<p>Além disso, com a facilidade de cópia e distribuição da informação e do enorme número de sites, fatalmente a informação paga aparecerá gratuitamente em algum outro lugar. Claro, talvez seja possível criar um policiamento global e um arcabouço jurídico para evitar pirataria; mesmo que isso seja possível, seria irresponsável do ponto de vista empresarial depositar nessa possibilidade a viabilização de seu negócio.</p>
<p>E, mais ainda, talvez isso vá contra a própria natureza da internet.  Não que não exista espaço para conteúdo pago – certamente existirá – mas acho difícil que qualquer negócio em web (deve haver exceções, mas exceções são sempre exceções) seja baseado nesse conteúdo como fonte principal de renda.</p>
<p><a href="http://sethgodin.typepad.com">Seth Godin</a>, o guru de marketing, escreveu outro dia um artigo dizendo que “para quem é martelo, tudo que vê pela frente é prego”.  Esse ditado serve muito bem aos jornais e às demais formas de mídia tradicional. Foram martelo a vida inteira, estruturaram seus negócios a partir do martelo, e tudo que conseguem ver pela frente são pregos. Só que, para sua infelicidade, há bem mais que pregos e, pior, os pregos estão cada vez mais raros.</p>
<p>O que os jornais não percebem é que não estão mais no negócio de informação, mas sim no negócio de atração de leitores. A diferença é considerável: enquanto no primeiro caso – na visão tradicional – seu produto-fim é a informação, no segundo – que deveria ser a visão atual – a informação é apenas um meio para atrair usuários e formar comunidades. E, pelo seu expertise, podem ser obviamente bons nessa missão de atrair leitores via informação de qualidade.</p>
<p>Se eu fosse um jornal online,  consideraria estratégico atrair leitores e criaria uma divisão autônoma para estudar possíveis formas de monetizar estes usuários, indo bem além da venda de informação pura e simples. A gama de potenciais serviços ofertados é enorme (inclusive relacionados a informação), mas só poderá ser efetivamente explorada sem os vícios do passado, utilizando pessoas que possam usar mais ferramentas e não somente o martelo.</p>
<p>É claro que não é algo fácil, como qualquer mudança radical de modelo de negócios. É evidente que o pirateamento da informação continuará,  o que demandará a criação rápida de outros serviços para prender (ou fidelizar, para usar um termo mais politicamente correto) os leitores.</p>
<p>Dificil ou não, é a realidade, contra a qual me parece inócuo lutar. O fato é que os jornais vivem um momento de ruptura em seus modelos de negócio. É isso, ou talvez fechar as portas. O uso de internet só crescerá, assim como a fragmentação das mídias, tornando o problema atual ainda mais grave.</p>
<p>É irônico e emblemático que, após 62 congressos, a associação mundial de jornais não encare esta realidade que afeta e coloca em risco seu modelo tradicional de negócios. Isto é compreensível; afinal, 62 anos sugerem um setor maduro, que soube desenvolver martelos altamente eficazes e identificar pregos de todos os formatos e tamanhos. Resta saber se, apesar disso, terá condições de se reinventar em um cenário em que os pregos escassearão e os martelos serão cada vez menos necessários.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=855&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sou um dinossauro à beira da extinção?</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/10/28/sou-um-dinossauro-a-beira-da-extincao/</link>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 23:19:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É assim que às vezes me sinto. Começo mesmo a achar que estou ficando ultrapassado.  E já aviso que vou escrever absurdos que irão contra o censo comum destes novos tempos. Recomeçando: ultrapassado. Explico: a forma como absorvo informação é incompatível com essa avalanche caótica, compartimentalizada e superficial de mensagens cuja expressão máxima é o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=825&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É assim que às vezes me sinto. Começo mesmo a achar que estou ficando ultrapassado.  E já aviso que vou escrever absurdos que irão contra o censo comum destes novos tempos.</p>
<p>Recomeçando: ultrapassado. Explico: a forma como absorvo informação é incompatível com essa avalanche caótica, compartimentalizada e superficial de mensagens cuja expressão máxima é o Twitter, a ante-sala do grunhido, segundo o Saramago, certamente um dinossauro ainda mais jurássico do que eu.</p>
<p>Sou daqueles que precisa ir a fundo na argumentação de um autor para poder compreender suas hipóteses e seu raciocínio e, mais importante, tentar incorporá-los na minha forma de ver as coisas ou aplicá-los no dia-a-dia profissional, por exemplo. Em livros de negócios, sou daqueles que lêem o rodapé, as notas no final do livro, dou uma passada na bibliografia. Não sou daqueles que vai se contentar com um link que leva à fórmula de sucesso do último empreendedor da internet mundial.</p>
<p>Com esse método quelônico de obtenção de novas informações, vou certamente ficar para trás, perdendo feio para aqueles que se adaptam bem a essa nova realidade em que tudo é repassado na forma de pequenos fragmentos descontextualizados e desconexos (falando mais especificamente do Twitter): dicas sensacionais para os negócios e para a vida pessoal, alguém reclamando de insônia, outro fazendo auto-propaganda, de repente o Millôr escrevendo algo inteligente, uma notícia aqui e ali, um outro tentando emplacar uma frase supostamente inteligente e que possa ser retuitada e ganhar o mundo, um outro ainda deixando todos a par de sua rotina diária, etc. (não que eu seja diferente, o que não quer dizer que não possa criticar, muito pelo contrário&#8230;).</p>
<p>É como ficar na frente da televisão durante horas, só mudando de canal, sem realmente ver nada direito. Você ouve o galo cantar, mas não sabe aonde. Talvez nem tenha sido um galo. Não importa – parece que já tem outra coisa cantando.   É assim que me sinto com o Twitter, a nova febre da humanidade, ainda que nem seus fundadores saibam exatamente para que serve e como ganhar dinheiro com isso (aliás, só alguém ultrapassado como eu fica preocupado com essas coisas mundanas – o uso vai aparecer mais para frente, e não interessa ganhar dinheiro, o que vale é criar a  “rede”. Sei.).</p>
<p>Colocando um olhar externo sobre esses tempos, acho que existe um deslumbramento infantil e escapista nisso tudo. É importante estar na moda, fazer o que os outros fazem, e é isso que os outros estão fazendo. As pessoas não param muito para pensar, até porque não adianta pensar sobre algo que está só começando; o futuro é incerto, o que importa é pegar a onda.</p>
<p>Também, as pessoas se sentem maravilhadas com a possibilidade de aparecer para o mundo (só que não dá para todo mundo aparecer para o mundo e daí você vai perceber que aparece mesmo para uns poucos!!), de finalmente dar vazão a alguma coisa que não tinha como ganhar o mundo no universo pré-internet, e o resultado é um tsunami de informações que tornam impossível ter a atenção suficiente para separar o joio do trigo. O Herbert Simon, Prêmio Nobel de Economia, cunhou a expressão “A riqueza de informação cria a pobreza de atenção”. Nada mais correto: é muita coisa, o bom vai se perder no meio de uma imensidão de inutilidades.</p>
<p>Ainda, o fenômeno das redes sociais virtuais pode ser a necessidade das pessoas de fazer parte de alguma coisa, de ser reconhecidas; é também a expressão atual do milenar hábito gregário do ser humano, que vem sendo continuamente achatado nessa sociedade individualizada, e que gera pessoas simplesmente carentes, que precisam de companhia, proteção e aprovação.</p>
<p>É possível que eu esteja errado, e bem provável que esteja exagerando. Há, claro, o lado positivo disso tudo. Só que, neste texto, optei por expressar o lado negativo, ainda que de forma potencialmente exagerada: o objetivo era esse mesmo, visando estimular a reflexão de quem vê a coisa de forma diferente da minha.</p>
<p>Às vezes ser polêmico tem seu valor. O Alvin Toffler (outro paleolítico)  não engole isso de inteligência coletiva.  As massas escolhem errado. Deixa o Chris Anderson ou o Jeff Howe ouvirem isso&#8230;Mas o Toffler merece um crédito, afinal “previu” o futuro melhor do que ninguém (ah, mas o Anderson e o Howe criam o futuro! Pode até ser, mas quando a coisa é unânime, fico preocupado&#8230;).  Quando li isso do Toffler, eu parei pra pensar na questão.</p>
<p>Voltando ao meu problema inicial. O que me preocupa em relação ao conhecimento é que ninguém vai mais a fundo em nada. As pessoas buscam pílulas de informações que sequer utilizam, porque precisam buscar novas pílulas amanhã. Eu não consigo estruturar um raciocínio decente em cima dessa areia movediça, mas fico com a sensação de que estou perdendo o passo até ser finalmente extinto.</p>
<p>Nesse ambiente, é inconcebível perder tempo, por exemplo, lendo um livro de 800 páginas (no momento, eu estou lendo um livro de 800 páginas&#8230;). Imagine quantos posts em blogs e no Twitter eu poderia ler, quantas fotos no Flickr eu poderia comentar e com isso dar a senha para outros comentarem as minhas também, ao invés de ficar preso por semanas em um texto “ineficiente” à la Grande Sertão-Veredas? O mundo lá fora corre e eu lendo um livro de 800 páginas, enquanto circularam pelo menos 15 listas das 10 melhores dicas disso e daquilo!! (e sabe-se lá se alguém realmente vai conseguir implantá-las, ou só está enganando a si próprio e procrastinando, não fazendo aquilo que sabe que precisa ser feito, mas isso é outra história).</p>
<p>(Aliás, o que um defasado como eu diria sobre dicas de negócios? Vá ler o Porter, o Kotler, o Mintzberg, o  Christensen, o Adam Smith&#8230;vá direto à fonte, entenda o raciocínio de quem de fato produziu algo que agrega, ainda que, no fundo, você saiba que isso não vá resolver a vida de ninguém).</p>
<p>Mas&#8230;e se eu fizer mesmo parte de um mundo em extinção? Será que hoje em dia Grande Sertão-Veredas serve mesmo para alguma coisa, exceto passar no vestibular? Indo mais além, para que serve cultura e conhecimento, se a regra que impera é a superficialidade, a quantidade em detrimento da qualidade, a transitoriedade, o “líquido, do Zigmunt Bauman?  Pra que livros, museus, história, geografia, política, se o namorado da Demi Moore tem mais de 1 milhão de seguidores no Twitter? Quais são os valores que determinarão o sucesso daqui para frente? O que é mais importante – conseguir mobilizar um número enorme de pessoas nas redes sociais, ter seguidores como um Antônio Conselheiro tinha, ainda que você só escreva bobagens, ou ter algum conhecimento, em tempos em que está tudo disponível a um clique, no Google (e depois virão os implantes cerebrais mesmo)?  Boas dúvidas&#8230;</p>
<p>Esse texto pode parecer pessimista, mas não é exatamente essa a questão. Talvez a geração mais nova não entenda nada do que escrevi, assim como nunca terão passado um fax ou colocado uma carta no correio. Aliás, sou de uma geração de transição, aquela que ainda tenta pegar o bonde,  mas constata que ele anda cada vez mais rápido. E que ainda acha que o bonde pode estar indo para o lado errado&#8230;</p>
<p>Talvez seja este o problema: essas preocupações todas podem ser tão somente uma espécie de canto do cisne, inócuo, que soa indiferente para quem vive perfeitamente bem sem saber onde o galo cantou ou se, de fato, aquilo era mesmo um galo.</p>
<p>PS: A cada dia, eu deixo de seguir determinado número de pessoas no Twitter. Meu principal critério é o número de tuitadas: comecei a cortar os que tuitavam demais. Pensando bem, gosto cada vez mais de seguir aquelas pessoas que nunca tuítam (tem acento?) nada.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=825&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Rio 2016: o mundo definitivamente aposta no Brasil</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/10/02/rio-2016-o-mundo-definitivamente-aposta-no-brasil/</link>
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		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 20:44:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
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		<description><![CDATA[O Rio de Janeiro levou as Olimpíadas de 2016. Ganhou de Chicago (Estados Unidos, maior economia do mundo), Tóquio (Japão, segunda maior economia do mundo) e Madri (Espanha, nona no ranking). A escolha das sedes olímpicas vai muito além do fato esportivo em si, tanto que os líderes dos quatro países estavam presentes, buscando sensibilizar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=806&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Rio de Janeiro levou as Olimpíadas de 2016. Ganhou de Chicago (Estados Unidos, maior economia do mundo), Tóquio (Japão, segunda maior economia do mundo) e Madri (Espanha, nona no ranking).</p>
<p>A escolha das sedes olímpicas vai muito além do fato esportivo em si, tanto que os líderes dos quatro países estavam presentes, buscando sensibilizar os membros do COI para suas candidaturas. Como um cheque em branco, o país escolhido recebe um enorme voto de confiança para realizar o principal evento esportivo (e cultural) mundial.  Se esse cheque vai para países desenvolvidos, que já realizaram outras Olimpíadas, esse cheque em branco tem pouco risco de apresentar surpresas; dá-lo, porém, a um país emergente, a uma cidade carregada de problemas e sem a infra-estrutura adequada, ou é uma irresponsabilidade coletiva dos membros do COI, ou é a prova definitiva de que o mundo está vendo o Brasil de outra forma, ainda que muitos de nós não tenhamos a mesma visão. Prefiro apostar na segunda hipótese. Já tinha, inclusive, escrito sobre isso: <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/06/21/o-brasil-ja-e-visto-como-potencia/">O Brasil já é visto como potência</a>.</p>
<p>A escolha do Rio como sede das Olimpíadas é parte de um processo de diluição do poder econômico e político entre novos atores. Pequim 2008 também foi parte desse processo em que o mundo reconhece cada vez mais que o crescimento econômico virá da periferia e não do centro do capitalismo, como de costume. É a era dos BRICs, e o Brasil é central nesse processo, constituindo-se em um pivô regional relevante e estratégico em diversas variáveis que serão fundamentais no tabuleiro de forças do futuro, principalmente na questão ambiental e na produção de alimentos. Alguns países emergentes mudaram de status no cenário mundial: a percepção de risco diminuiu; suas moedas se valorizaram frente ao dólar e mesmo frente a outras moedas fortes; passaram a ser ouvidos em assuntos mais estratégicos.</p>
<p>Claro que há o outro lado da moeda, e que não pode ser ignorado. Os investimentos serão significativos (porque não investir em educação, saúde, segurança?); há sempre a suspeita de desvio de verbas, a farra com o dinheiro público; haverá uso demagógico dessa conquista; o Brasil não é uma potência olímpica; as obras se tornarão elefantes brancos após os Jogos, e por aí vai.</p>
<p>Tudo isso pode ser verdade, ou não. Cabe ao Brasil mostrar que pode dar conta do recado e que esse reconhecimento mundial é justo e acertado. Estaremos nos holofotes, afinal o Rio venceu “na marra”: pode ter um bom projeto, mas está tudo ainda por fazer. Em que pese o carisma do Lula, o trabalho do COB e o fato do Brasil estar na moda, o fato é que recebemos um enorme voto de confiança.</p>
<p>Nesse sentido, terá de haver transparência na prestação de contas e a imprensa terá um papel fundamental nisso. Terá de haver investimentos para amenizar os problemas crônicos da cidade. Será necessário fazer investimentos no esporte de base para não fazermos um papel secundário nos Jogos.</p>
<p>Uma coisa é clara: a escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 é a prova evidente de que o Brasil é a bola da vez, ou uma delas. O cavalo está passando arreado e é a nossa chance de aproveitar. Talvez tenha chegado a vez do eterno país do futuro virar do presente.</p>
<p>Mas, alto lá. Até agora, pelo menos no que se refere aos Jogos Olímpicos, o marketing foi bem feito; mas o trabalho só começou. É preciso entregar o prometido. As expectativas são altas e agora vem a hora da verdade. Se a lição de casa for feita, Rio 2016 terá um saldo positivo para o país, podendo significar o carimbo de “aprovado” em nosso passaporte para o futuro. Se não&#8230;</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-807" title="rio2016" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/10/rio2016.jpg?w=214&#038;h=111" alt="rio2016" width="214" height="111" /></p>
<p>Obs: O <a href="http://http://www.canchallena.com/1181612">La Nación, da Argentina, falou a mesma coisa que eu</a> &#8211; destaco o trecho final:</p>
<p><em>&#8220;Lejos de leerse como un hecho aislado, la obsesión que el gobierno brasileño mostró por los Juegos Olímpicos debe interpretarse como una actitud de un país que aún con su compleja problemática social, actúa como potencia y pretende que así sea percibida en el campo internacional. No faltará la oportunidad: en el 2014 y 2016 el mundo tendrá sus ojos puestos en Brasil&#8221;.</em>  </p>
<p>PS: No Twitter – se o Lula fosse bom mesmo, traria para o Brasil as Olimpíadas de Inverno. São Roque 2018!!!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/806/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=806&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Amigos improváveis. Ou não.</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Oct 2009 01:43:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[amizades]]></category>
		<category><![CDATA[Berlim]]></category>
		<category><![CDATA[eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Madri]]></category>

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		<description><![CDATA[Começou em Madri, em abril. Éramos palestrantes do mesmo evento e, no jantar de gala, tivemos de sentar à mesa dos palestrantes, seguindo o protocolo britânico da empresa (britânica) que organizava o evento. Após o jantar de gala, que terminou por volta das 23 horas, achei que estava cedo para voltar com os demais participantes [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=803&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Começou em Madri, em abril.</p>
<p>Éramos palestrantes do mesmo evento e, no jantar de gala, tivemos de sentar à mesa dos palestrantes, seguindo o protocolo britânico da empresa (britânica) que organizava o evento.</p>
<p>Após o jantar de gala, que terminou por volta das 23 horas, achei que estava cedo para voltar com os demais participantes ao hotel e propus aos três uma volta noturna por Madri. Eu e o Rick já tínhamos dado nossas palestras, enquanto o Geoff e a Esther teriam que palestrar no dia seguinte cedo. Mas toparam. Fomos e vagamos pelo centro antigo de Madri por umas 2 horas, voltando depois ao Westin Plaza, onde estávamos hospedados.</p>
<p>Chegando lá, vendo a noite se acabar, propus brindarmos com um Xerez, que nunca haviam tomado. Paguei uma rodada e lá ficamos mais 1 hora, ou mais. E foi isso.</p>
<p>Cinco meses depois, Berlim. Semana passada. Os quatro reunidos novamente. Rick, o americano de ascedência húngara, vice-presidente executivo de uma empresa; Geoff, inglês, editor de uma revista especializada; Esther, francesa, analista de mercado de uma consultoria inglesa, e eu.</p>
<p>De novo, após o expediente normal de jantares e compromissos noturnos que acabavam antes da nossa noite, saímos para conhecer a “night” de Berlim. Em um dos dias, eu havia ido a outro jantar, quando, lá pelas 23:30, a Esther me ligou perguntando onde eu estava, que iriam me buscar&#8230;e vieram. Fomos parar na famosa (eu nunca ouvira falar) Oranienstrasse, na Berlim ex-oriental.</p>
<p>Estava bem vazia e decadente, uma gente estranha, góticos e prostitutas nas ruas, nada se compara à noite brasileira de qualquer forma. O melhor que achamos foi um bar indiano semi-vazio com um garçom paquistanês com o qual tivemos uma conversa improvável, no início da madrugada, tomando uma caipirinha de Pitu. Muito ruim, por sinal, mas estava valendo.</p>
<p>Apesar da boemia, todos os dias de manhã estávamos lá no evento e nos compromissos. Em um dos dias, eu e o Rick tínhamos um café da manhã com mais 5 ou 6 pessoas (as 7 da manhã, em outro hotel!) para discutir o posicionamento do setor na Conferência do Clima em Copenhague.  Ninguém merece, mas comparecemos. A condição velada para ficar até tarde era não deixar a peteca cair. Apelou, perdeu.</p>
<p>Eu não sou muito noturno nem boêmio, mas quando você está longe de casa, em um lugar diferente, acontecem coisas estranhas. É como se você criasse um hiato na sua vida e ficasse ali, por alguns dias, vivendo outra coisa, com outras pessoas. Talvez longe das restrições pessoais e profissionais, as pessoas podem ser mais elas mesmas nessas ocasiões, ou o que gostariam de ser. Sei lá.</p>
<p>No jantar de gala do evento, havia um grande painel onde um artista pintou em 2 horas um belo painel quadriculado, com cerca de mil quadrinhos vendidos por 5 euros cada. Como o clima era de festa e todo mundo havia bebido um pouco ou muito, as mil peças foram vendidas rapidamente (o cara faturou 5 mil euros pintando um troço que foi picado em mil partes e que você compra e depois se pergunta porque fez aquilo! Isso é que é arte..!).</p>
<p>Compramos 4 pedaços que formaram um quadrado e firmamos o compromisso de, nos próximos eventos, caso nos encontremos de novo, levarmos cada um a sua parte, como que simbolizando o nosso grupo, já veterano de duas batalhas.</p>
<p>O Rick perguntou a Esther o que havia nos unido, considerando as idades e origens distintas (e língua, no meu caso; a Esther é half-english, half-french). Para ela, foi a fala do Geoff, em sua palestra em Madri, em que disse que não saberia como seria a palestra porque estava sob os efeitos do passeio da noite anterior, guiado por um americano e um brasileiro loucos. Acho que ela tinha razão. O Geoff é mais velho, fala pouco, é observador, mas quando fala, é preciso. Também, talvez o que nos uniu foi o fato de cada um estar procurando naquele grupo alguma coisa, ainda que essa coisa não fosse algo explícito para ninguém. Ou quase isso.</p>
<p>Terminado o evento, cada um foi para sua casa. De Madri a Berlim, não trocamos um email sequer. Acredito que não será diferente agora.  Talvez nos encontremos novamente, por aí. Talvez não. Pelo sim, pelo não, vou levar meu pedaço do quadro.</p>
<p>Pensando bem, 5 euros ficou de graça para consolidar os momentos improváveis que passamos juntos.</p>
<div id="attachment_804" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-804" title="IMG_0647" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/10/img_0647.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Geoff, Rick, Esther e eu" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Geoff, Rick, Esther e eu</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/803/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/803/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/803/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/803/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/803/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/803/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/803/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/803/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/803/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/803/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=803&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Minhas fotos preferidas em Potsdam</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/09/29/minhas-fotos-preferidas-em-potsdam/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 01:11:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<description><![CDATA[Postdam fica a uns 25 minutos de trem de Berlim e é Patrimônio Histórico da Humanidade, com seus diversos castelos e jardins. Segundo a Wikipedia, Potsdam é capital federal do Estado de Brandemburgo e tem 146.000 habitantes. Eu fiquei com essa cidade na cabeça depois de conhecer um casal de alemães no Pantanal, que me [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=792&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Postdam fica a uns 25 minutos de trem de Berlim e é Patrimônio Histórico da Humanidade, com seus diversos castelos e jardins. Segundo a Wikipedia, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Potsdam">Potsdam</a> é capital federal do Estado de Brandemburgo e tem 146.000 habitantes. Eu fiquei com essa cidade na cabeça depois de conhecer um casal de alemães no Pantanal, que me disse que eu tinha que dar um jeito de ir para lá durante minha estadia em Berlim.</p>
<p>A agenda estava apertada e o único jeito de ir (tirando o domingo que usei para conhecer Berlim) seria matar algum período do congresso em que estava. O dia todo – que seria o ideal – não dava. Mas meio período seria possível. Peguei uma tarde que não traria nada de interessante e tomei o trem para Potsdam.</p>
<p>Na verdade, ao chegar à estação, sem ter passagem, dei de cara com o trem dizendo “Potsdam” e todo mundo entrando. Era pegar ou largar, e talvez ficar tarde demais para ir. Perguntei a uma menina se tinha como comprar a passagem dentro do trem e ela me olhou como se eu tivesse vindo direto de Marte. “I Don´t know&#8230;you can try”, ela disse, meio que rindo. Eu “traiei”, mas não rolou, também ninguém me cobrou e cheguei lá como clandestino, mas com o firme propósito de comprar uma passagem retroativa e compensar minha “gersada” talvez tipicamente brasileira.</p>
<p>Eu tinha pouco tempo e tinha de ser eficiente para conhecer o essencial e fotografar. Ao chegar à cidade, demorei uns 20 minutos para conseguir me movimentar. Vi um cara que deveria ser um guia turístico e pedi informações básicas. Ele me deu um guia da cidade (utilíssimo), me indicou quais linhas de ônibus tomar e o melhor roteiro para quem tem apenas 3 horas para conhecer a cidade. Até aí, tudo indo 100%. Quem tem boca vai a Roma – nesse caso, a Potsdam.</p>
<p>O problema é que Potsdam fica na ex-Alemanha Oriental: as pessoas simplesmente não falam inglês (os mais velhos devem falar alguma coisa de russo),  e eu não falo alemão. Ou seja, a comunicação foi complicada até que uma alma bondosa (os mais jovens – alguns – falam inglês) resolveu me ajudar e me explicar o que o motorista do ônibus tentava me dizer: ele não tinha troco e eu deveria comprar a passagem do ônibus lá dentro da estação, e que ele me esperaria (e todos os demais passageiros idem) caso eu fosse rápido. Corri para a estação e, no guichê, a mulher me explicou: “Sua passagem de Berlim para cá vale para os trajetos de ônibus em Potsdam, você não precisa comprar”. Tive que confessar o crime: “É que eu vim sem passagem&#8230;”. “Ohhh&#8230;”, disse ela.</p>
<p>Resolvido o caso e tendo comprado a passagem de ida, de volta e tudo o mais, voltei ao ônibus e fui aceito pelo motorista. Tudo o que eu precisava fazer agora era validar meu ticket na máquina – mas tentei fazê-lo na máquina errada – para o olhar incrédulo de todos os passageiros. O fato é que você paga esses micos ao ir para lugares novos. Solte-os em Mombuca e aposto que não chegarão nem em Charqueada.</p>
<p>Além do charmoso centro histórico e dos lagos (estes não visitei), Potsdam tem como principal ponto o Parque Real de Sanssouci, com seus castelos em vários estilos: o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Novo_Pal%C3%A1cio_de_Potsdam">Palácio Novo</a>, barroco e que foi o Palácio Real da Prússia; o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Schloss_Charlottenhof">Schloss Charlottenhof</a>, neoclássico; o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Orangerieschloss">Orangerie</a>, renascentista,  e o mais famoso, o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sanssouci">Sanssouci</a>, no melhor estilo Rococó e que foi construído para o rei Frederico o Grande desfrutar da vida sem preocupação (“Sans souci”). Tem também a casa de chá chinesa, obviamente com influência chinesa.</p>
<p>Postdam tem importância histórica ao ter sediado a <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Confer%C3%AAncia_de_Potsdam">Conferência de Postdam</a>, em 1945, quando Stalin, Churchill e Truman decidiram o que fazer com a Alemanha rendida na guerra. Consta que foi ali que Truman decidiu jogar as bombas atômicas em Hiroshima e Nagazaki. Este foi também o último encontro dos aliados da Segunda Guerra Mundial – depois disso, a distância entre União Soviética e Estados Unidos só se fez aumentar, culminando na Guerra Fria, cujo auge se deu nas décadas de 60 e 70.</p>
<p>Abaixo, algumas fotos que gostei da minha curta mas proveitosa estadia em Potsdam. Eu realmente gosto de fazer essas coisas nas minhas viagens.</p>
<div id="attachment_793" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-793" title="IMG_0508" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0508.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Esculturas bem dramáticas no Novo Palácio" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Esculturas bem dramáticas no Novo Palácio</p></div>
<div id="attachment_794" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-794" title="IMG_0523" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0523.jpg?w=500&#038;h=320" alt="Fora do caminho; tirada do terraço do Schloss Charlottenhof" width="500" height="320" /><p class="wp-caption-text">Fora do caminho; tirada do terraço do Schloss Charlottenhof</p></div>
<div id="attachment_795" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-795" title="IMG_0549" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0549.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Na escadaria do romântico Castelo renascentista Orangerie" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Na escadaria do romântico Castelo renascentista Orangerie</p></div>
<div id="attachment_796" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-796" title="IMG_0563" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0563.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Ainda no Orangerie. Gostei muito dessa foto, não sei exatamente porque." width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Ainda no Orangerie. Gostei muito dessa foto, não sei exatamente porque.</p></div>
<div id="attachment_797" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-797" title="IMG_0574" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0574.jpg?w=500&#038;h=666" alt="Passado, presente e futuro no Sanssouci. E eu dando uma de paparazzi." width="500" height="666" /><p class="wp-caption-text">Passado, presente e futuro no Sanssouci. E eu dando uma de paparazzi.</p></div>
<div id="attachment_798" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-798" title="IMG_0579" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0579.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Nos fundos do Sanssouci." width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Nos fundos do Sanssouci.</p></div>
<div id="attachment_799" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-799" title="IMG_0598" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0598.jpg?w=500&#038;h=666" alt="Nas belas vinhas dos terraços do Sanssouci" width="500" height="666" /><p class="wp-caption-text">Nas belas vinhas dos terraços do Sanssouci</p></div>
<p> </p>
<div id="attachment_800" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-800" title="IMG_0561" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0561.jpg?w=500&#038;h=375" alt="E um pouco do novo..." width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">E um pouco do novo...</p></div>
<p> Tem tantas outras&#8230;aos poucos vou colocando no <a href="http://www.flickr.com/marpcar">Flickr</a>&#8230;</p>
<p>Valeu a pena, não? Uma boa foto deve liberar alguma dose de endorfina e nos faz sentir melhor&#8230;</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/792/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/792/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/792/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/792/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/792/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/792/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/792/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/792/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/792/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/792/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=792&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Andando em Berlim (vídeos incluídos depois de publicar)</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/09/26/andando-em-berlim/</link>
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		<pubDate>Sat, 26 Sep 2009 14:45:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geografia]]></category>
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		<category><![CDATA[Mundo]]></category>
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		<description><![CDATA[Acabei de voltar de Berlim, onde passei uma semana participando de dois congressos. Tive muito pouco tempo livre, mas deu para pegar um pouco da cidade e fotografar. Antes de tudo, Berlim tem uma história recente própria e ainda muito presente em função do Muro, que dividiu a cidade entre 1961 e 1989. Talvez pelo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=777&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_778" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-778" title="IMG_0477_3578x2603" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0477_3578x2603.jpg?w=500&#038;h=363" alt="o rio Spree, visto do Monumento à Vitória" width="500" height="363" /><p class="wp-caption-text">o rio Spree, visto do Monumento à Vitória</p></div>
<p>Acabei de voltar de Berlim, onde passei uma semana participando de dois congressos. Tive muito pouco tempo livre, mas deu para pegar um pouco da cidade e fotografar.</p>
<p>Antes de tudo, Berlim tem uma história recente própria e ainda muito presente em função do Muro, que dividiu a cidade entre 1961 e 1989. Talvez pelo passado sombrio, a cidade hoje transpira uma intensidade que vi em poucos lugares. Os 3,5 milhões de habitantes parecem a cada momento celebrar a reconquista que significou a reunificação da cidade (e do país), que foi dividida ao meio após o final da segunda guerra mundial (o muro veio depois), sendo o símbolo máximo da Cortina de Ferro e da Guerra Fria. [PS: um alemão me disse que o que de fato unificou o país, o que significou a prova definita da nova Alemanha (ou da velha), foi a Copa do Mundo de 2006. O futebol, sempre...]</p>
<div id="attachment_779" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-779" title="IMG_0141_3648x2736" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0141_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Postsdammer Platz, no domingo da maratona de Berlim" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Potsdamer Platz, no domingo da maratona de Berlim</p></div>
<p>E, como não podia deixar de ser, Berlim carrega o peso da guerra e das barbaridades cometidas pelos nazistas, cujo quartel general ficava lá mesmo. Além do belo Memorial ao Holocausto e respectivo museu, há também o Museu Judeu.</p>
<p>Um dos pontos altos da semana foi o jantar de gala do evento, realizado no Hangar 2 do velho aeroporto Tempelhof, no centro de Berlim e que foi efetivamente o principal aeroporto alemão na segunda guerra. As luzes se apagaram e foi passado um vídeo sobre a reunificação do país contado ao vivo por um narrador. Ao final, cai uma cortina, como se fosse um muro, e lá estão todas as mesas esperando pelos mais de 1.000 convidados. Bem emocionante, principalmente depois da fala do chairman do evento, ele mesmo nascido na Alemanha Oriental e que tinha 33 anos quando o muro caiu. Esse é um daqueles exemplos de que só quem viveu sabe o que significa. Mas dá para imaginar o que é, de repente, um muro separar uma cidade e uma cerca cortar ao meio um país.</p>
<p>Veja aqui um vídeo legal sobre a reunificação das Alemanhas e a queda do muro. Emociona.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/09/26/andando-em-berlim/"><img src="http://img.youtube.com/vi/MM2qq5J5A1s/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<div id="attachment_780" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-780" title="IMG_0300_3648x2736" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0300_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Domingo de sol, perto da Categral de Berlim" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Domingo de sol, perto da Catedral de Berlim</p></div>
<p>Aliás, notei que uma das partes mais interessantes da cidade (embora certamente menos bem cuidada na época), ficava na Berlim Oriental: o centro histórico, com a ilha dos Museus e a maior parte dos canais &#8211; li que Berlim tem mais pontes do que Veneza e mais canais do que Amsterdam.</p>
<p><span style="text-decoration:underline;">Coisas que vale a pena fazer em Berlim</span></p>
<p>No primeiro dia em uma cidade nova, eu gosto de andar, sem perder muito tempo dentro de museus, shoppings, etc. Nesse dia, absorvo o espírito da cidade e depois vem o resto. É o momento de entender a cidade. E Berlim é ótima para caminhar, além de ter um sistema de metrô bem decente e completo.</p>
<p>Meu hotel ficava no final da Kurfürstendamm, uma espécie de Oscar Freire local. Era um hotel pequeno, novo, meio tecno, mas gostei. A atmosfera ali é a melhor possível, com vários restaurantes de bom nível com mesas ao ar livre e as lojas de grife de sempre.</p>
<div id="attachment_781" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-781" title="IMG_0105_3169x2328" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0105_3169x2328.jpg?w=500&#038;h=367" alt="A Kurfürstendamm à noite" width="500" height="367" /><p class="wp-caption-text">A Kurfürstendamm à noite</p></div>
<p>Ali na Ku Damm, como é chamada a avenida, eu pegava o metrô estação na Adenauerplatz, a uma 5 quadras, e dali ia para o centro: Postdamer Platz, onde tudo começa e onde hoje o que se vê são edifícios futuristas como o Sony Center. Perto dali, a uns 500 metros ao sul está a Topografia do Terror e uma longa seção do Muro. Ali era o quartel general da Gestapo e hoje basicamente há ruínas e um painel de fotos relatando as barbaridades do nazismo.</p>
<p>Achei o vídeo abaixo sobre Berlim após a Segunda Guerra. O vídeo começa no portão de Brandemburgo e vai em direção ao Leste, pela Unter den Linden, avenida que percorrei a pé. Talvez para mim seja diferente porque estive lá na semana passada, mas vejam se não é emocionante pensar que há menos de 70 anos a cidade estava assim:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/09/26/andando-em-berlim/"><img src="http://img.youtube.com/vi/-gZJ-FJi8Dw/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p>Saindo de Postdamer Platz para Norte, mais uns 500 metros e passa-se pelo Memorial do Holocausto, que consiste de 2711 blocos de concreto, simulando túmulos de alturas variáveis, formando uma espécie de labirinto em que é impossível não brincar. Um jeito ao mesmo tempo sério e divertido de lidar com a história por trás do memorial, cujo museu vale a pena ver também.</p>
<div id="attachment_782" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-782" title="IMG_0101_2736x3648" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0101_2736x3648.jpg?w=500&#038;h=666" alt="Igreja destruída pela guerra, no início da Kurfürstendamm" width="500" height="666" /><p class="wp-caption-text">Igreja destruída pela guerra, no início da Kurfürstendamm</p></div>
<p>Logo após, chega-se ao cartão postal de Berlim: o Portão de Brandenburgo com a escultura da quadriga de cavalos que foi roubada por Napoleão quando da invasão francesa e remontada em Paris em sinal de humilhação aos alemães.</p>
<p>Ao lado do Portão, ao Norte, o austero prédio do parlamento, o Reichstag com sua cúpula de vidro que parece ser um must, mas que não consegui ir por causa da fila e de outras prioridades. Quem foi disse que vale a pena. O Reichstag fica às margens do rio Spree e, do outro lado dele, o complexo que (acho) faz parte do parlamento e que é chamado de “washing machine” (veja abaixo porque).</p>
<div id="attachment_783" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-783" title="IMG_0440" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0440.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Washing machine" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Washing machine</p></div>
<p>A partir daí, pode-se tomar dois caminhos. O primeiro é virar a esquerda a caminhar pelas margens do Spree, dentro do Tiergarten, um enorme jardim público (mais parece uma floresta) de quase 300 hectares em pleno coração de Berlim, que se pode ter uma ideia melhor do que significa ao subir no momento à Vitória. O que se vê nesse caminho são gramados e encostas cheias de pessoas e alguns bares onde se toma uma bela cerveja alemã vendo os infindáveis barcos de turistas passando pelo rio Spree.</p>
<p>A outra alternativa é pegar a direita e entrar de vez no que era a Berlim Oriental (o muro passava bem ali, no Portão de Brandenburgo). O ponto final é Alexanderplatz, que ficou famosa pelo filme do Fassbinder, mas antes dela há a catedral e a ilha dos museus. O Pergamonmuseum vale a pena (não tive muito tempo de visitar os museus, só tive 1 dia livre e optei por caminhar e fotografar). Tive a sorte de estar lá no dia da maratona, que contou com 40 mil pessoas e o tempo, perfeito, daí minha preferência pelos locais abertos. Outro museu que parece valer apena é o DDR, que mostra como era a Alemanha Oriental no auge da Guerra Fria.</p>
<p>Uma dica final: Berlim é plana e é ótima para se pedalar. É fácil alugar uma bicicleta e as vias para ciclistas estão em todos os lugares, nas amplas calçadas da cidade. Talvez essa seja a melhor maneira de conhecer Berlim para quem não precisar parar a cada 10 metros para fotografar.</p>
<div id="attachment_784" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-784" title="IMG_0390_3648x2736" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0390_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Canais do rio Spree, no centro histórico" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Canais do rio Spree, no centro histórico</p></div>
<p>Outra dica, antes que me esqueça. Se você tiver tempo, pegue um trem e vá para Postdam, a 15 minutos da estação Charlottenburg, que era do lado do meu hotel. É uma cidade vizinha, histórica, onde Churchill, Stalin e Truman decidiram o que fazer com a Alemanha no pós-guerra. A cidade é charmosa, cercada de belos lagos e castelos. Eu só tive uma tarde (na verdade, fugi do congresso em um dia chato) e me concentrei no parque Sanssouci, com o belo palácio que tem o mesmo nome. Mas as fotos de Potsdam eu coloco em outro post.</p>
<p>Não comprei nada por lá. Só trouxe mesmo as fotos, minhas impressões e lembranças especiais, como o jantar no <a href="http://www.petrocelli-berlin.de/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=62&amp;Itemid=54">Petrocelli</a>, no último dia. E paro por aqui&#8230;</p>
<div id="attachment_785" class="wp-caption alignnone" style="width: 509px"><img class="size-full wp-image-785" title="IMG_0180_3631x2341" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/09/img_0180_3631x2341.jpg?w=499&#038;h=322" alt="Monumento ao Holocausto com o Tiergarten ao fundo" width="499" height="322" /><p class="wp-caption-text">Monumento ao Holocausto com o Tiergarten ao fundo</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/777/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/777/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/777/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/777/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/777/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/777/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/777/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/777/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/777/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/777/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=777&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Frost/Nixon vai bem além da política (e dos Estados Unidos)</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Aug 2009 20:23:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Assisti ao filme Frost/Nixon (2008), de Ron Howard, de A Mente Brilhante. O filme retrata a série de entrevistas conduzidas pelo apresentador britânico David Frost (interpretado por Michael Sheen) com o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon (interpretado magistralmente por Frank Langella) e que havia renunciado em função do escândalo Watergate. O filme foi indicado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=731&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assisti ao filme <a href="http://www.frostnixon.net/">Frost/Nixon </a>(2008), de Ron Howard, de A Mente Brilhante. O filme retrata a série de entrevistas conduzidas pelo apresentador britânico David Frost (interpretado por Michael Sheen) com o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon (interpretado magistralmente por Frank Langella) e que havia renunciado em função do escândalo Watergate.</p>
<p>O filme foi indicado a 5 Oscar, incluindo o de melhor filme e melhor ator. Nada mais justo. Muito mais do que um documentário sobre uma entrevista histórica, o filme se desenvolve a partir do embate entre dois personagens complexos e que depositam na entrevista a grande chance de suas vidas. Nixon, ao conceder a entrevista a um apresentador sem qualquer experiência política e de sem muita credibilidade, via a oportunidade de se reerguer e eventualmente retomar sua carreira política. Frost, jovem, confiante e ambicioso, procurava alcançar fama ainda maior do que a que já tinha, que seria obtida caso derrotasse o ex-presidente, isto é, se conseguisse arrancar a confissão sobre Watergate e um pedido de desculpas à nação. A obtenção da verdade, nesse caso, era apenas o meio de atingir sua meta pessoal.</p>
<p>Ambos jogam tudo nessa mistura de luta de boxe e poker jogada em diversas rodadas de 2 horas, que durou na vida real um total de 12 horas. Nixon se mostra um político de primeiro nível, com raciocínio rápido e uma retórica impressionante, mostrando a Frost que o desafio seria muito maior do que este havia imaginado. Por trás desta fachada, porém, vai se percebendo um Nixon solitário, carente e culpado, complexo psicologicamente – e por isso tão interessante.</p>
<p>Já Frost, que sempre aparece com um sorriso de sucesso e confiança no rosto, também esconde seus medos, como fica claro quando Carol (Rebecca Hall) começa a fazer perguntas pessoais e ele imediatamente desconversa e passa a questioná-la. À medida que a série de entrevistas se desenrola, Frost vai percebendo que tanto quanto a chance de alcançar o estrelato, está a possibilidade de afundar sua até então bem sucedida carreira como apresentador. A partir de certo momento, na verdade, ele lutava pela sua sobrevivência mais do que pela conquista que buscava quando propôs o desafio.</p>
<p>Assim se dá a batalha da vida de ambos, muito mais relevante do que a questão histórica ou política, que aliás é muito bem contextualizada nas duas horas de filme. A filmagem muito bem feita e o trabalho eficiente dos atores coadjuvantes, entre eles Kevin Beacon, fazem deste filme realmente um filmaço.</p>
<p>As cenas finais conseguem dar a dimensão psicológica do que foi o embate em que apenas um sairia vencedor. A saída de Nixon após a última entrevista e sua interação com o cachorro no colo de uma mulher são magníficas, bem como o encontro dois após a série de entrevistas.</p>
<p>Ao final, fiquei com a impressão que o vencedor da disputa celebrou bem menos a vitória do que deveria, ou mesmo de que seus assessores fizeram. É como se a disputa tivesse exigido tanto dele, colocando tanto peso no processo, que a partir de certo momento a vitória se constituía em um mero detalhe. Ou que, reconhecendo que tivera um adversário de peso, o respeitasse, como um lutador de boxe que, após vencer seu adversário, o abraça como se fosse um dos seus.</p>
<p>O filme permitiria que muitos outros aspectos fossem analisados, pois há uma riqueza psicológica muito grande. Mas seria influenciar demais quem não viu e pretende vê-lo, de forma que paro por aqui.</p>
<p>Provavelmente pouca gente viu ou vai ver esse filme, por se tratar de uma temática política, de 30 anos atrás e distante de nós. É uma pena. Tanto pelo filme em si, que é um dos melhores que vi recentemente, como pela temática que não está tão distante assim:</p>
<p>No clímax do filme, em que Nixon admite para um Frost perplexo que “quando um presidente faz algo ilegal, passa a não ser ilegal por ser feito justamente pelo presidente”, imediatamente lembrei-me do presidente Lula justificando os atos ilegais do Sarney dizendo que ele não seria um cidadão comum, como se estivesse, portanto, acima da lei. Incrível a semelhança de conceito de ambos em relação a esse item. <em>What a shame.</em></p>
<p>Abaixo, um trailer do filme e um trecho da entrevista real, que vale a pena ver:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/08/16/frostnixon-vai-bem-alem-da-politica-e-dos-estados-unidos/"><img src="http://img.youtube.com/vi/lP_l2IFiQzs/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/08/16/frostnixon-vai-bem-alem-da-politica-e-dos-estados-unidos/"><img src="http://img.youtube.com/vi/jw6LhKCYUCQ/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=731&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Fotografando o Pantanal matogrossense</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/08/02/fotografando-o-pantanal-matogrossense/</link>
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		<pubDate>Sun, 02 Aug 2009 13:58:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estou de volta, após 6 dias de imersão completa e higiene mental no Pantanal. Fui fazer um safári fotográfico organizado pela Techimage, tendo como instrutor o Bruno Sellmer, que conhece muito de fotografia e de vida selvagem. Ficamos no hotel fazenda Baía das Pedras, entre Aquidauana e Corumbá, no chamado Pantanal da Nhecolândia, a 300 [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=707&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou de volta, após 6 dias de imersão completa e higiene mental no Pantanal. Fui fazer um safári fotográfico organizado pela <a href="http://www.techimage.com.br">Techimage</a>, tendo como instrutor o Bruno Sellmer, que conhece muito de fotografia e de vida selvagem.</p>
<p>Ficamos no <a href="http://www.baiadaspedras.com.br">hotel fazenda Baía das Pedras</a>, entre Aquidauana e Corumbá, no chamado Pantanal da Nhecolândia, a 300 km de Campo Grande.</p>
<p>Foi minha primeira viagem fotográfica e estava meio temeroso em relação ao que viria pela frente. Meu equipamento é relativamente básico e nunca fotografei natureza e animais selvagens.</p>
<p>O Pantanal é realmente incrível. Fora das águas, é uma região de solo arenoso, muito pobre, uma savana seca e com árvores em geral pequenas e retorcidas. Quase uma transição para caatinga. Um silêncio árido e deserto, em tons de bege e marrom, desolado mesmo. Improvável encontrar vida selvagem ali.</p>
<p>Mas daí que vêm as surpresas. Vimos nada menos do que 116 espécies de animais, a maior parte na Vazante do Castelo, uma faixa de muitas dezenas de km que alaga no verão e corre em direção ao Rio Negro, e que vai secando e represando os peixes, criando um banquete para os animais.</p>
<p>Aprendi que para fazer fotos boas de animais você precisa: 1) acordar bem cedo; 2) saber utilizar bem as luzes que a natureza oferece; 3) ter paciência; 4) não ter frescura de entrar de roupa nos brejos e áreas alagadas, pegar carrapato, ser picado por centenas de mosquitos e, eventualmente, ser atacado por um porco selvagem, como foi o meu caso; 5) tirar várias fotos para, de repente, fazer “a foto”; 6) ter sorte para ver aquela espécie, com aquela luz, naquela distância e no enquadramento perfeito. Acho que evoluí bastante em fotografia nesses seis dias.</p>
<p>O mais incrível do Pantanal, sem dúvida, são o nascer e o por do sol. Logo no segundo dia, pegamos o por do sol mais bonito que já vi. O dia estava nublado e quando já não tínhamos muitas esperanças de fotografar o final de tarde, eis que o sol surgiu por baixo das nuvens, acendendo-as e criando um espetáculo maravilhoso: tons de azul, amarelo, laranja e vermelho vivo foram se alternando. A máquina batia as fotos quase que sozinha.</p>
<p>Vale aqui uma menção especial ao Baía das Pedras. Uma fazenda de gado de corte, com 16.000 hectares, cuja proprietária, a Rita (que é prima do poeta Manoel de Barros), transformou em pousada. A pousada é uma casa da fazenda, simples mas muito confortável; o atendimento é impecável e exclusivo e a comida, maravilhosa (engordei 3 kg em 6 dias!). Você não se sente em uma pousada, mas sim como convidado em uma casa de fazenda.  Entre os passeios possíveis está uma cavalgada com os peões da fazenda, acompanhando a lida do gado, aprendendo um pouco da vida e da história do pantaneiro.</p>
<p>É pena que os brasileiros não conheçam esse paraíso: 90% dos hóspedes são estrangeiros, principalmente europeus. Aliás, quem visita o Pantanal são os estrangeiros, a ponto dos guias se referirem a muitas das espécies pelos seus nomes em inglês. Como me disse a Rita, o brasileiro prefere Miami, gastando a mesma coisa.</p>
<p>Se você gostar de natureza e quiser passar alguns dias longe de tudo, sem celular (tem internet para emergências), recomendo o Pantanal e a Baía das Pedras.</p>
<p>Abaixo, algumas fotos das mais de mil que tirei. Vou selecionar umas 50 e colocar no <a href="http://www.flickr.com/marpcar">meu Flickr</a>.</p>
<p>Obs: a Márcia, do blog <a href="http://marciabenetti.blogspot.com">Patifaria</a>, <a href="http://marciabenetti.blogspot.com/2009/08/pantanal.html">linkou minhas fotos no blog dela</a>. Obrigado Márcia!!</p>
<p> </p>
<div id="attachment_706" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-706" title="veado campeiro" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_4813_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Para fazer essa foto, foram uns 30 minutos de aproximação, andando com água até o joelho em um brejo. Mas valeu a pena, não?" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Para fazer essa foto, foram uns 30 minutos de aproximação, andando com água até o joelho em um brejo. Mas valeu a pena, não?</p></div>
<div id="attachment_708" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-708" title="Tapicuru" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_5518_2502x1899.jpg?w=500&#038;h=379" alt="Um tapicuru, com a luz perfeita" width="500" height="379" /><p class="wp-caption-text">Um tapicuru, com a luz perfeita</p></div>
<div id="attachment_709" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-709" title="por do sol" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_4882_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="precisa falar alguma coisa?" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">precisa falar alguma coisa?</p></div>
<div id="attachment_711" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-711" title="Cavalo pantaneiro" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_5315_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Cavalo pantaneiro na lida do gado" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Cavalo pantaneiro na lida do gado</p></div>
<div id="attachment_712" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-712" title="Bruno Sellmer" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_5476_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="O Bruno fotografando os jacarés. " width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">O Bruno fotografando os jacarés. </p></div>
<div id="attachment_713" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-713" title="outro por do sol" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_5356_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Outro por do sol, diferente do primeiro. Mas tão bonito quanto!" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Outro por do sol, diferente do primeiro. Mas tão bonito quanto!</p></div>
<div id="attachment_714" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-714" title="quati" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/08/img_5768_2512x1928.jpg?w=500&#038;h=383" alt="Na última manhã, com uma bela luz, um quati curioso deixou-se fotografar bem de perto " width="500" height="383" /><p class="wp-caption-text">Na última manhã, com uma bela luz, um quati curioso deixou-se fotografar bem de perto </p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/707/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=707&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Para quem gosta de fotografia</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jul 2009 12:26:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fiquei &#8220;viciado&#8221; no Daily Dozen, da National Geographic Magazine. É uma seleção diária de 12 fotos enviadas pelos leitores e publicada no site da NGM. Cada foto conta uma história, que pode ser da família, de um local, de pessoas desconhecidas. São fotos variadas, de gente, lugares, tiradas por pessoas &#8220;normais&#8221;, no máximo fotógrafos amadores. Normalmente, fotos muito [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=697&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fiquei &#8220;viciado&#8221; no <a href="http://ngm.nationalgeographic.com/your-shot/daily-dozen">Daily Dozen</a>, da National Geographic Magazine. É uma seleção diária de 12 fotos enviadas pelos leitores e publicada no site da NGM. Cada foto conta uma história, que pode ser da família, de um local, de pessoas desconhecidas.</p>
<p>São fotos variadas, de gente, lugares, tiradas por pessoas &#8220;normais&#8221;, no máximo fotógrafos amadores. Normalmente, fotos muito boas. Acompanhando diariamente o que a editora Susan Welchman seleciona, é possível conhecer um  pouco do mundo e perceber como a fotografia é uma forma de arte que reduz nossa ignorânica e nos aproxima da natureza, das pessoas e da nossa própria história.</p>
<p><a href="http://ngm.nationalgeographic.com/your-shot/daily-dozen">Confira clicando aqui</a>.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/697/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/697/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/697/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/697/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/697/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/697/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/697/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/697/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/697/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/697/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=697&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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