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	<title>O que der e vier &#187; Pessoas</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; Pessoas</title>
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		<title>Certezas e incertezas, presente e futuro</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2010/04/29/certezas-e-incertezas-presente-e-futuro/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Apr 2010 01:27:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
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		<description><![CDATA[Dando continuidade ao post anterior, eis a minha história, apresentada como trabalho de conclusão do workshop de fotografia que fiz na Califórnia. O trabalho era apresentar uma história a partir de 5 a 7 fotos tiradas durante o workshop. Tema livre, fotos livres. Um desafio, portanto. Procurei trabalhar com quatro conceitos: presente e futuro, certezas e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=991&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dando continuidade ao <a href="http://blog.oquederevier.com/2010/04/28/every-picture-tells-a-story/">post anterior</a>, eis a minha história, apresentada como trabalho de conclusão do workshop de fotografia que fiz na Califórnia. O trabalho era apresentar uma história a partir de 5 a 7 fotos tiradas durante o workshop. Tema livre, fotos livres. Um desafio, portanto.</p>
<p>Procurei trabalhar com quatro conceitos: presente e futuro, certezas e incertezas. Na verdade, sobre as mudanças pelas quais todos nós passamos, e que nos afetam, demandando um novo equilíbrio, que nem sempre vem imediatamente. Nas fotos, o primeiro plano representa o presente, o horizonte ou segundo plano representa o futuro. O foco representa as certezas, o fora de foco representa as incertezas.</p>
<p>Há momentos em que temos certeza de tudo. Tudo é claro, brilhante, quase perfeito. Não há dúvidas, não há preocupação com o futuro. O presente ocupa todos os espaços e parece eterno. Podemos tudo, somos imortais, o instante parece eterno. Sim, há momentos ou fases como essa, e a foto que usei para expressar isso foi essa:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4806.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-992" title="IMG_4806" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4806.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>Mas as coisas não são assim. O mundo se movimenta, os fatos se apressam, tudo, no final, tende à desordem. O nível de entropia sempre cresce, define a física. E contra a física, não adianta teimar. Por vezes, navegamos em águas turbulentas, que nos levarão a lugares inesperados e a princípio indesejáveis. A mudança é inerente à vida, mas como a tememos…A foto que usei para expressar a mudança foi essa:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/marcelocarvalho2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-993" title="MarceloCarvalho2" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/marcelocarvalho2.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>E então começamos a nos confundir, a perder as referências. O futuro já é não tão claro como antes. O que vem por aí? As certezas do início, de repente, se perdem e o futuro assusta. Perde-se a harmonia e tudo parece vir em alta velocidade, um redemoinho inesperado e sem saída:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4872.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-994" title="IMG_4872" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4872.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>A mudança, enfim, nos atordoa. Nem presente nem futuro ficam claros, as referências são perdidas de vez e nos vemos à deriva, longe de encontrar um porto seguro. O que deu errado? Como perdemos o chão, se estávamos tão ancorados? Tudo era perfeito – ou, aos olhos de agora, pareciam… Nesse momento, tudo se mistura de forma caótica, e o que vemos é apenas uma imagem do que deve ser a realidade:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4926.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-995" title="IMG_4926" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4926.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>Ainda, o temor persiste, algo tenebroso, escuro. Mas a harmonia começa a voltar, começamos a vislumbrar onde estamos, é o início da transição: (observação: o Frans Lanting achou que essa imagem poderia ser suprimida, apesar de belíssima; mas como eu era o dono da história e queria incluir de qualquer jeito, ele deixou…rs).</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_5812-1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-996" title="IMG_5812-1" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_5812-1.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>De repente, aos poucos, tudo começa a se encaixar. Um novo equilíbrio se estabelece. O presente volta a ser belo e harmônico. E o futuro, embora distante e, então aprendemos, incerto, será uma sequência natural do presente:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4789.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-997" title="IMG_4789" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4789.jpg?w=499&#038;h=333" alt="" width="499" height="333" /></a></p>
<p>Enfim, é preciso entender que tudo flui, tanto os melhores como os piores momentos. E que o segredo é não complicar aquilo que, no fundo, pode ser simples:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/marcelocarvalho7.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-998" title="MarceloCarvalho7" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/marcelocarvalho7.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>Foi mais ou menos isso que apresentei, levando em conta as dificuldades de apresentar isso em inglês. Tenho a impressão que foi a que mais repercutiu, assim, nas pessoas. Afinal, todo mundo já passou por processos difíceis, seja no aspecto pessoal, profissional, ou na família. Todo mundo perdeu o chão, para depois recuperar lá na frente, de uma forma diferente e, não raro, melhor do que antes.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=991&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um mundo de conexões…será mesmo?</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 15:08:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A revista The Economist publicou, ao final de janeiro, um especial a respeito da transformação que as redes sociais vêm exercendo na vida das pessoas e nos negócios. “A World of Connections”, era o título do especial, muito bem escrito, como sempre se espera da Economist. De fato, as conexões digitais marcam de forma cada [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=972&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A revista The Economist publicou, ao final de janeiro, um especial a respeito da transformação que as redes sociais vêm exercendo na vida das pessoas e nos negócios. “<a href="http://www.economist.com/specialreports/displaystory.cfm?story_id=9032088">A World of Connections</a>”, era o título do especial, muito bem escrito, como sempre se espera da Economist.</p>
<p>De fato, as conexões digitais marcam de forma cada vez mais intensa nosso modo de viver e de fazer negócios. Facebook, Twitter, Orkut, LinkedIn, Flickr…até o hoje já velho email! São as ferramentas que moldam nossas relações, nossas conexões. São elas que nos permitem nos conectarmos a pessoas próximas e a pessoas não tão próximas assim, muitas das quais não vemos há tantos anos que teríamos dificuldade de reconhecê-las na rua.</p>
<p>Somos parte, portanto, de uma grande engrenagem de conexões que nos coloca em contato com o mundo, criando uma sensação de proximidade e de pertencimento 24 horas por dia, 7 dias por semana.</p>
<p>Mas há preços a se pagar. Estar <em>full time</em> conectado a centenas de pessoas gera uma demanda de compromissos sociais (virtuais) que, obviamente, não têm condições de ser cumprida se não à custa da qualidade da interação.  Sempre tem alguém fazendo aniversário, escrevendo um post, publicando uma foto, etc., e faz parte do jogo interagir com esse conteúdo produzido pelos amigos. A solução, ainda que insconcientemente, é a brevidade,  a rapidez e, claro, a superficialidade.</p>
<p>Aliado a essa demanda virtual que desemboca em pessoas de carne e osso, cujo dia continua tendo 24 horas, há esse mundo frenético de hoje, em que a multiplicidade de compromissos e tarefas faz com que estejamos sempre correndo atrás, numa ansiedade crescente sem solução aparente, uma vez que a velocidade da informação só se faz aumentar. É um email atrás do outro, uma demanda atrás da outra, de forma tão efêmera que tudo parece igual em importância: são, no final, demandas que precisam ser “ticadas”, sejam elas quais forem, pessoais ou profissionais (e viva os gurus e manuais da gestão do tempo, o melhor negócio do mundo: demanda crescente e sem solução; sempre haverá mercado…).</p>
<p>E o irônico disso tudo é que, salvo poucas exceções, não estamos criando um legado que justifique essa dedicação desmedida ao resultado. Ou estamos? Esse crime parece não compensar…</p>
<p>Temos, enfim, um mundo que, de um lado, nos leva ao distanciamento entre as pessoas, ao cada um por si (cuide do seu que eu cuido do meu e assim a coisa supostamente anda) e, de outro, uma ferramenta que permite aparentemente compensar esse distanciamento crescente imposto aos poucos, por nós mesmos, sem percebermos. O casamento da fome com a vontade de comer!</p>
<p>Jeffrey Cole, um dos maiores especialistas da internet, disse que  algo que ninguém previu foi a explosão das redes sociais, essa necessidade global de se comunicar com seus pares e de gerar “conteúdo”. Pois me parece claro que o sucesso das redes sociais está muito ligado ao individualismo das últimas décadas: é, na verdade, a resposta possível da espécie a ele. Somos, biologicamente, uma espécie gregária, que assim sobreviveu e evoluiu. Temos necessidade do contato. As redes sociais são a versão moderna do bando, do coletivo, necessário à sobrevivência.</p>
<p>Mas não há almoço grátis: a quantidade desse contato superficial não substitui  a qualidade do contato à moda antiga, certamente presente em menor número, mas em intensidade muito maior. Edu Lobo, no filme sobre a vida do Vinicius (coincidentemente, menciono novamente o filme, mas é realmente emblemático para alguns dos argumentos aqui colocados), disse que Vinicius era do tipo que “ligava para saber como as pessoas estavam”. Você imaginou hoje alguém ligando para o outro para saber como a pessoa está, sem algum motivo especial? Qual foi a última vez que alguém lhe ligou para perguntar como você estava, assim, do nada? E qual foi a última vez que você ligou para alguém com esse propósito? No mundo de hoje, esse comportamento é altamente improvável, exceto talvez para alguém que tenha muito tempo livre ou que não faça parte desse mundo.  O que temos, na verdade, é o oposto: gasta-se 30 segundos ou menos para dar parabéns por email, por exemplo, ou via Facebook, e estamos resolvidos (isso quando lembramos do aniversário); cumprimos nossas obrigações para com nossos amigos, ou para com nossa rede de contatos, para usar o termo mais correto hoje (não que eu seja diferente, que fique claro…).</p>
<p>A profusão de contatos superficiais e efêmeros na verdade disfarça, sem pesar a consciência de ninguém, o enorme fosso que vai se formando na vida afetiva das pessoas: o acúmulo de não-contato  E, quanto maior esse fosso, mais as pessoas tentam compensar mergulhando nas redes coletivas, tarefa em muito facilitada pelos celulares, que nos colocam em “contato” com o mundo o tempo todo. São, enfim, milhões e milhões de pessoas solitárias mas solidárias nessa solidão, tentando criar sentido ao enviar mensagens de 140 caracteres e textos curtos recheados de pontos de exclamação e ícones de sorrisos, etc., substitutos meio tortos da interação cara a cara, olho no olho. Ou, vá lá, via telefone, uma forma de contato que hoje em alguns casos já passa a ser luxo.</p>
<p>Claro que tem o lado positivo disso tudo. As redes sociais e a comunicação digital como um todo permitem que se acompanhe a vida de muitas pessoas próximas, de uma forma que seria impossível por outras vias. Ainda que de forma superficial, você pode dar um “oi” para quem não é tão próximo. É possível conhecer pessoas legais, que passam a fazer parte de sua rede de amigos. E, claro, tem gente (muita) que acaba casando com alguém que conheceu online. Porém, a crítica que faço é que essa vantagem está, conscientemente ou não, sendo ampliada para muito além de seu uso saudável. Está se constituindo no substituto das interações que moldaram as relações humanas. E isso não me parece bom.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=972&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Sobre ter altas expectativas a respeito das coisas</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2010/02/02/sobre-ter-altas-expectativas-a-respeito-das-coisas/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 22:50:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar. Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=957&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar.</p>
<p>Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há trabalhos mostrando) que quanto maior a expectativa, melhor tende a ser o resultado final. O fato é que o mundo não te dá mais do que você pede a ele, pelo menos na maior parte das situações. Assim, quem espera muito da vida (não no sentido passivo da espera), tende a ir mais longe. “Nothing ventured, nothing gained”. And that’s it. Ao menos potencialmente.</p>
<p>Um estudo feito pelos psicólogos americanos Sydney Siegel e Lawrence Fouraker demonstrou que a expectativa elevada (ou, nesse caso, a meta) influencia o resultado. Eles dividiram voluntários em dois grupos. Em ambos foi passado que teriam de vender um certo produto e caso atingissem a meta pré-estabelecida, eles poderiam ficar com o lucro obtido e passariam a uma segunda rodada. A diferença foi que, para o primeiro grupo, foi passada uma meta de <strong>2,10 dólares</strong> enquanto que, para o segundo grupo, a meta estabelecida mais ambiciosa, <strong>6,10 dólares</strong>. Muitos vendedores dos dois grupos atingiram a meta, mas no segundo grupo o lucro médio foi de <strong>6,25 dólares</strong> enquanto que no primeiro grupo, de meta mais modesta, o lucro médio foi de apenas <strong>3,35 dólares</strong>. Nesse caso, a expectativa foi gerada externamente, mas pouco importa: resultou em desempenho superior.</p>
<p>Empresas mais ambiciosas, pessoas mais ambiciosas, tendem a ir mais longe porque se motivam a obter mais do mundo, desde que suas metas sejam realistas. A Teoria das Expectativas de Vroom sugere que a motivação, isto é, o <em>motivo para ação</em>,  depende do produto entre a Valência = vontade que alguém tem de obter algo, o que é dado pela relevância que esse algo tem para ela, e a Expectativa da se atingir esse algo. Expectativa, nesse caso, significa o quanto a pessoa acredita que de fato possa atingir esse objetivo.</p>
<p>Assim, se alguém não tem objetivo de alcançar algo (valência zero) o produto será zero e não haverá motivação. Ela não sairá do lugar. Da mesma forma, ainda que a valência seja elevada, se a expectativa de se atingir esse algo for zero, também não haverá estímulo para se mover. Exemplo: você pode querer ser campeão mundial de Fórmula 1, mas se considerar que essa meta não pode ser atingida por não ser realista, então não terá motivação para persegui-la.</p>
<p>Desta forma, pessoas com expectativas mais altas, ou metas mais elevadas, pessoais ou profissionais, se motivarão a conquistar essas metas, desde que tenham real expectativa de consegui-las. Nesse ponto, há pessoas que, pela análise convencional, estão “fora da realidade”, que acreditarão em metas que não são realistas &#8211; talvez uma forma de auto-engano &#8211; mas que terão motivação para alcançá-las. E, às vezes, conseguirão, surpreendendo a todos.</p>
<p>(Não sei porque, mas me lembrei agora daquela cena do filme <a href="http://www.meucinemabrasileiro.com/filmes/dois-filhos-de-francisco/dois-filhos-de-francisco.asp">Dois Filhos de Francisco</a>, em que o Francisco diz que queria tornar famosa a dupla formada pelos filhos [Zezé de Camargo e seu irmão que faleceu logo depois]. Ele comprou centenas de fichas telefônicas e ligou para a rádio seguidas vezes, até que a música deles foi selecionada entre as mais pedidas do dia. O resto é história, depois de muita água passada debaixo da ponte, claro&#8230;)</p>
<p>Até aí, tudo bem. Mas, voltando à pergunta original, e no aspecto pessoal, de satisfação? Será que ter expectativas elevadas, ainda que isso resulte em uma vida mais rica materialmente e mais cheia de “histórias para contar”, tornará alguém mais feliz do que aquele que se contenta com menos, seja no aspecto material, seja no aspecto pessoal?</p>
<p>Acredito que não.  Ou, pelo menos, provavelmente não. Se você esperava emagrecer 2 kg e emagreceu 4, ficará satisfeito. Mas se a expectativa era emagrecer 6&#8230;Com metas mais altas, a frustração está mais próxima e o tombo, maior. O paradoxo é que, provavelmente, aquele que quer emagrecer 6 kg, desde que seja uma meta realista, deve conseguir emagrecer mais do que aquele que tem meta de 4 kg. Assim, a expectativa alta gera resultado melhor, mas a chance de desapontamento é maior. Quanto maior o ganho potencial, maior o risco.</p>
<p>Mas e se expectativa elevada for cumprida? Terá esse indivíduo satisfação muito superior? Ainda assim, creio que aquele que tem expectativas elevadas a respeito da vida ficará em posição desfavorável no quesito satisfação. A expectativa elevada anda de mãos dadas com a necessidade contínua de querer sempre mais e melhor, empurrando a zona de satisfação sempre para frente. Nada é suficiente, nunca é suficiente.</p>
<p>Complementando o raciocínio acima, há ainda uma outra possível associação. Indivíduos com altas expectativas a respeito de tudo desconhecem que a vida não é feita de eras de felicidade, mas sim de momentos de felicidade, como disse Nietzsche. Essas pessoas talvez estejam sempre esperando o momento supremo, a pessoa perfeita, o emprego ideal – afinal esperam sempre o melhor de tudo – e sempre farão o possível para alcançá-los, para logo perceber – mais uma vez &#8211; que poderia ser melhor. Sempre poderia. Como escreveu <a href="http://www.releituras.com/vcarvalho_velhotemaI.asp">meu bisavô</a> em sua poesia mais famosa, “Velho Tema”:</p>
<p><em>Só a leve esperança, em toda a vida,<br />
Disfarça a pena de viver, mais nada;<br />
Nem é mais a existência, resumida,<br />
Que uma grande esperança malograda.</em></p>
<p><em>O eterno sonho da alma desterrada<br />
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,<br />
É uma hora feliz, sempre adiada<br />
E que não chega nunca em toda a vida.</em></p>
<p><em>Essa felicidade que supomos,<br />
Árvore milagrosa que sonhamos<br />
Toda arreada de dourados pomos,</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Existe, sim: mas nós não a alcançamos<br />
Porque está sempre apenas onde a pomos<br />
E nunca a pomos onde nós estamos.</em></p>
<p>Já que falei do filme Dois Filhos de Francisco, vou citar uma das cenas finais, em que Zezé, já rico e famoso, volta para visitar o casebre em que morava com a família, antes de tudo acontecer. Se não me falha a memória, ele diz algo como “foi a época mais feliz da minha vida”&#8230;Pelo filme, percebe-se que ele é alguém com altas expectativas, foi lá e fez, mas pelo jeito não resolveu. Parece, olhando assim, que as expectativas elevadas são uma ilusão auto-imposta não para de fato conquistar grandes coisas, mas para tapar o sol com a peneira, resolver internamente aquilo que não está e não será resolvido. Quando não se consegue lidar com o presente, depositando no futuro e em suas conquistas a suposta satisfação permanente. “The best is always to come&#8230;.”.</p>
<p>Barry Schwartz, no seu ótimo <a href="http://blog.oquederevier.com/tag/barry-schwartz/">Paradoxo da Escolha</a>, mostra que o índice de depressão e suicídio nos indivíduos maximizadores é maior do que nos demais. Indivíduos maximizadores são aqueles que só se contentam com o melhor, isto é, possuem alta expectativa a respeito de tudo. Aqui, há ainda a correlação positiva entre ter altas expectativas e assumir para si a responsabilidade pelo fracasso, o que coloca um peso ainda maior para as frustrações. O maximizador é escravo de suas próprias expectativas.</p>
<p>Triste paradoxo. É provável que grande parte das contribuições feitas à história humana tenha sido feita por indivíduos que tinham altas expectativas. Afinal, não é fácil se destacar, criar algo novo, fazer a diferença. Citando a frase de Bernard Shaw (de novo estou citando Shaw!), “<em>há dois tipos de pessoas, aquelas que se adaptam ao mundo e aquelas que tentam adaptar o mundo a elas. Todo progresso vem necessariamente do segundo tipo”</em>.  Eles foram lá, e fizeram, contra tudo e contra todos.  E mudaram a ordem das coisas.</p>
<p>Mas talvez, dentro de si, aquele incômodo sempre continuou, de um lado, impulsionando-os a fazer mais e mais, de outra impedindo-os de usufruir daquilo que conquistaram. O legado que deixaram ao mundo é maior do que o que construíram para si mesmos.</p>
<p>E, claro, para cada um que fez história, quantos potenciais gênios, empresários, educadores revolucionários, se perderam e não foram nem uma sombra daquilo que poderiam ter sido, justamente pela frustação paralisante que se instalou ao perceberem o quão longe estavam de suas elevadas aspirações?</p>
<p>Nesse sentido, invejo aquele que se contenta com pouco, que se surpreende positivamente com cada mínima conquista, que quase nada espera a ponto de quase tudo servir. Esse, certamente, é mais feliz. Olhando por esse lado, no entanto, a felicidade me parece algo um tanto medíocre, uma monotonia pouco digna para justificar, de fato, o efêmero momento que representa nossa passagem por esse mundo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=957&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Equilibrista: metáfora da vida</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 20:08:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[torres gêmeas]]></category>
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		<description><![CDATA[O Equilibrista (Man on Wire) é o documentário vencedor do Oscar 2009, que mostra a vida de Philippe Petit, o francês que passou a vida andando sobre a corda bamba. Literalmente, não só metaforicamente, como todos nós. Quando jovem, na sala de espera de um dentista, ele viu uma matéria em uma revista sobre o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=926&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Equilibrista (Man on Wire) é o documentário vencedor do Oscar 2009, que mostra a vida de Philippe Petit, o francês que passou a vida andando sobre a corda bamba. Literalmente, não só metaforicamente, como todos nós.</p>
<p>Quando jovem, na sala de espera de um dentista, ele viu uma matéria em uma revista sobre o projeto de construção das torres gêmeas. Instintivamente, fez um traço entre as duas, arrancou a página da revista e…pronto, seu objetivo de vida estava traçado.</p>
<p>Aguardou a construção das torres, causou espanto ao (ilegalmente, sempre) cruzar a Notre Dame pelos ares, depois uma ponte em Sidney, e assim por diante, sempre aguardando aquele que se tornou seu projeto principal: andar sobre um cabo de aço a 450 metros de altura, em plena New York, entre as torres do World Trade Center.</p>
<p>Para realizar seu projeto, como todo gênio &#8211; para o bem ou para o mal – contou com ajudantes que encamparam o projeto de forma até mais intensa do que ele próprio, principalmente sua namorada e seu melhor amigo, que durante meses traçaram a melhor estratégia e organizaram a empreitada em seus mínimos detalhes.</p>
<p>O documentário mostra como esse bando de loucos, inseridos na contra-cultura da década de 70, conseguiu burlar a segurança e instalar um cabo de aço para cruzar os 70 metros entre as finadas torres e realizar o feito que assombrou a todos na época, no dia 7 de agosto de 1974. E até hoje impressiona, basta ver o filme.</p>
<p>A história é carregada de simbolismos profundos. Após a realização da travessia, foi-se a namorada, foi-se o melhor amigo. Era como se um ciclo – para todos – havia se completado. Não sem emoção, ainda que muitos anos depois, como é possível perceber pelos depoimentos. Aquilo que os unia era maior do que ele e do que eles. Após cruzar as torres, Philippe não era mais o mesmo – afinal, ele era um projeto, e o projeto fora concluído. O que viria depois, não se sabe, mas certamente não carregaria mais o vínculo que culminou com aquele objetivo.</p>
<p>A travessia, em si, é emblemática: ao deixar a primeira torre em direção à segunda, Philippe estava cruzando uma nova fronteira de vida, para si e para os seus. Talvez as pessoas se aproximem em função disto – de necessidades mútuas que, uma vez satisfeitas, se extinguem, e com elas o elo que vincula um ao outro.</p>
<p>Há também a questão pessoal que envolve o Equilibrista. Até que ponto vale a pena uma vida ser pautada por um único objetivo, por mais incrível que seja? Está certo, talvez toda vida tenha um propósito de ser heróica, e o heroísmo de Philippe era esse. Mas será que há limites a partir do qual o propósito passa a comandar a vida de uma pessoa, a ponto de torná-la mera passageira ou expectadora do seu destino?</p>
<p>Parece que sim. A certa altura, diante das dificuldades que quase o fizeram desistir, Philippe admite, ainda que não diretamente, o perigo dessa situação: “precisava naufragar na ilha deserta do meu sonho”, disse.  Naufragar na ilha deserta. Sabia que, por maior que fosse a conquista, do outro lado haveria o naufrágio. Haveria o vazio de uma conquista definitiva, precoce, do objetivo de sua vida conquistado. A partir dali, tudo seria passado. Sua vida seria uma retrospectiva; afinal, nada do que faria a seguir equivaleria em grandeza com o que acabara de fazer. E mais: não bastasse ser uma ilha, isolada por definição, ainda por cima, deserta. O destino de um só. Os sonhos são sempre individuais. As conquistas e tragédias, idem.</p>
<p>“Há duas tragédias na vida de um homem. Uma é não conquistar aquilo que deseja. A outra, é conquistar”, escreveu Bernard Shaw. A conquista de Philippe, ao mesmo tempo, era sua perdição, quase seu epílogo. O naufrágio do qual ele temia, mas não poderia evitar. Ou nao seria ele. O fato é que não há escapatória contra aquilo que precisa acontecer.</p>
<p>Talvez o prazer esteja na busca, na possibilidade, na meta a ser alcançada, não na conquista em si, como disse Shaw. A tragédia é que, quanto maior a meta, maior o prazer de buscá-la, maior o (efêmero) prazer de conquistá-la, mas maior o naufrágio, pois maior o vazio posterior.</p>
<p>Como o Equilibrista, andamos na corda bamba, entre aquilo que queremos conquistar e aquilo que de fato conquistamos, sempre correndo o risco de escorregar no meio do caminho. Dessa tensão talvez irreconciliável, extraímos nossos propósitos e, quem sabe, nossa felicidade, ainda que por instantes fugazes.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-24-as-10-20-30.png"><img class="alignnone size-full wp-image-927" title="Captura de tela 2010-01-24 às 10.20.30" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-24-as-10-20-30.png?w=340&#038;h=500" alt="" width="340" height="500" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=926&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Você é tímido e quer ser palestrante? Dicas</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2010/01/20/voce-e-timido-e-quer-ser-palestrante-dicas/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 21:42:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não sou daqueles palestrantes que têm o dom da comunicação. Pelo contrário: minha timidez praticamente me impedia de falar ao público. Há uns 8-9 anos (ou seja, eu já era bem crescido), tive que pedir emprestado um lenço ao participar de um programa de TV ao vivo, de tanto que suava. Eu simplesmente travava. Porém, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=922&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não sou daqueles palestrantes que têm o dom da comunicação. Pelo contrário: minha timidez praticamente me impedia de falar ao público. Há uns 8-9 anos (ou seja, eu já era bem crescido), tive que pedir emprestado um lenço ao participar de um programa de TV ao vivo, de tanto que suava. Eu simplesmente travava.</p>
<p>Porém, com o tempo, pela necessidade ou desafio, não sei, fui controlando o processo, a ponto de hoje ser bem razoável. Dou entre 20 e 30 palestras por ano, sendo que nem é meu interesse aumentar essa quantidade, já que tenho outras atribuições na empresa. Dessas palestras, 3 foram no exterior, em outra língua.</p>
<p>Outro dia estava pensando o que havia mudado para que passasse de um desastre total para alguém que dá conta do recado e, nessas divagações, pensei que talvez pudesse dar umas dicas que funcionaram para mim – e que talvez funcionem para pessoas como eu – que não são comunicadores natos. Vamos lá então:</p>
<ol>
<li><span style="text-decoration:underline;">Domine o assunto</span>: não aceite falar sobre aquilo que você não sabe. Ou você fará feio, ou acabará por ignorar o tema e falar sobre o que sabe (o que implica em fazer feio de qualquer forma).  Dentro do seu tema, evite incluir itens sobre os quais você não tem muito conhecimento. Conhecendo o tema, a auto-confiança melhora e a chance da palestra ser boa é bem maior.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Conheça a seqüência de slides</span>: se você estiver usando Powerpoint, precisa conhecer bem a seqüência de slides de forma a criar uma transição lógica entre eles, um encadeamento que seja compreensível para a plateia. Não economize tempo se preparando. Dentro disso, nunca inclua slides com tópicos feitos por terceiros, porque cada um tem seu estilo de raciocinar. É comum, no meio da palestra, você parar para pensar: “mas o que mesmo ele queria dizer com isso? Não pode.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Ache seu estilo</span>: se você não é daqueles que fazem piadas e todo mundo ri, não tente fazer piadas. Você provavelmente se sairá melhor dentro do seu estilo do que tentando imitar um suposto padrão que simplesmente não é o seu jeito.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Não corra</span>: é fundamental saber a duração da apresentação e se nesse tempo eventuais perguntas já estarão incluídas. Como você sabe a duração da palestra e conhece seu ritmo, não coloque slides a mais do que conseguirá abordar. A pior coisa é ter que correr ou ficar pulando slides sem mostrar por falta de tempo. Demonstra amadorismo, despreparo. Se você não conhece seu ritmo ou o tempo que cada quadro irá gastar, simule antes.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Use slides sem excesso de informação</span>: slide não é livro; o ideal é ter apenas tópicos e o restante, você fala. Se você tiver que ler todos os slides, não precisa da palestra, é só enviar o PDF. Palestra boa é aquela que só com o PDF a pessoa não entende muita coisa. Isso vale para gráficos e tabelas: não inclua dados que não serão discutidos na hora.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Conheça a platéia</span>: cada público tem conhecimento e interesse distintos. Não use o mesmo conteúdo e a mesma forma independentemente  da platéia.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Evite ao máximo mudanças de última hora</span>: certa vez, minutos antes de entrar para dar uma palestra de 1 hora, me foi avisado que eu teria apenas 30 minutos por causa de atrasos na programação. Se você tem alta capacidade de improvisação, pode até achar razoável a mudança. No meu caso, ou é o tempo previsto (e cabe a você também respeitar esse tempo), ou nada feito (um ou outro ajuste claro que cabe, mas metade do tempo, não dá).</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Conheça o evento, os parceiros, as empresas</span>: são muito comuns gafes do tipo falar mal de um patrocinador do evento, ou até do cliente (sim, isso existe!), sem perceber na hora. Ok, se você quiser falar mal, vá em frente, mas se não é sua intenção se indispor, vale a pena dar uma pesquisada. Às vezes você consegue passar o recado de uma outra forma e evita saias-justas.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Tenha seu material atualizado:</span> se você fala de temas dinâmicos (como tendências de mercado), não dá para utilizar dados defasados. Quando alguém coloca um gráfico cujo último dado, digamos, é de 2006, causa uma tremenda má impressão. Dependendo da situação, 2 meses ou até 1 semana já se considera defasado.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Cuidados com formatação e ortografia:</span> evite ao máximo erros de português, cores que não permitem boa leitura, fonte muito pequena, etc. A apresentação não é só conteúdo; forma importa bastante e pode jogar por terra um bom conteúdo.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Tente se ver do outro lado</span>: hoje, eu procuro, à medida que falo, imaginar como a palestra está indo. É comum as pessoas falarem como se não houvesse ninguém na sala. É preciso criar a conexão, olhando as expressões, vendo se tem gente dormindo, percebendo se o nível de impaciência aumentou. Acho que hoje, de certa forma, consigo imaginar se as coisas estão indo bem ou não. Nem sempre você acerta, nem sempre cria uma química com a plateia. Mas cabe a você tentar sentir isso em tempo real para procurar corrigir.</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Esteja descansado</span>: nem sempre isso é possível, mas muitas vezes é o cansaço pode ser minimizado. Hoje, eu não faço mais coisas do tipo chegar as 3 da manhã no aeroporto, ou dirigir 6 horas até chegar ao local da palestra. Chego de véspera, com calma. Com meu notebook, telefone e internet, tanto faz onde estou. E também não fico em qualquer lugar, porque preciso estar descansado e com alto astral para dar uma boa palestra (sem falar na questão da auto-valorização: como você vai cobrar um valor decente caso se sujeite a qualquer coisa?).</li>
<li><span style="text-decoration:underline;">Mantenha exigência elevada em relação ao material que preparou e ao formato da apresentação</span>. Se você for exigente e gostar do que apresenta, provavelmente o cliente e ouvintes também gostarão. Seja crítico quando as coisas não forem tão bem, mas não desanime. Comemore quando seu desempenho for bom e receber elogios. Seja melhor da próxima vez.</li>
</ol>
<p>Estas são as minhas sugestões. Talvez algumas delas funcionem para você. Você tem alguma dica que não está incluída nessa lista?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/922/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=922&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Propaganda da Vivo: eficiência, inteligência e emoção</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 20:07:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Seguindo a dica do Luiz Marinho, vi o novo filme da Vivo, criado pela agência Africa, do Grupo ABC. Em meio a tanta propaganda nivelada por baixo, que afronta nossa inteligência, o bom senso e não raro até a ética, esse filme vai na direção oposta: é inteligente, tem bom gosto e passa a mensagem [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=919&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Seguindo a dica do <a href="http://marinhonoblog.blogspot.com">Luiz Marinho</a>, vi o novo filme da Vivo, criado pela agência Africa, do Grupo ABC. Em meio a tanta propaganda nivelada por baixo, que afronta nossa inteligência, o bom senso e não raro até a ética, esse filme vai na direção oposta: é inteligente, tem bom gosto e passa a mensagem que a empresa quer passar, utilizando um tema complicado mas cada vez mais presente na vida das pessoas (e que, por mais incrível que possa ser, é ainda um tabu).</p>
<p>Belo filme, impactante. Ainda mais para quem, como eu, viveu e vive essa situação de uma forma muito semelhante.</p>
<p>Parabéns a Vivo e a Africa. É a melhor propaganda que vi nos últimos anos.</p>
<p>O filme:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2010/01/19/propaganda-da-vivo-eficiencia-inteligencia-e-emocao/"><img src="http://img.youtube.com/vi/99CdKh-T3gg/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/919/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=919&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Os famosos e o Twitter</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2010/01/06/os-famosos-e-o-twitter/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 21:38:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
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		<category><![CDATA[celebridade]]></category>
		<category><![CDATA[fama]]></category>
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		<description><![CDATA[Acredito que uma das razões que explica o sucesso do Twitter é a possibilidade de seguir pessoas famosas que normalmente não estão ao alcance dos cidadãos comuns. De repente, esse cidadão pode acompanhar em tempo real o dia-dia e as opiniões de celebridades normalmente inacessíveis, como políticos, esportistas, artistas, modelos, apresentadores de TV, etc.  O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=902&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito que uma das razões que explica o sucesso do Twitter é a possibilidade de seguir pessoas famosas que normalmente não estão ao alcance dos cidadãos comuns. De repente, esse cidadão pode acompanhar em tempo real o dia-dia e as opiniões de celebridades normalmente inacessíveis, como políticos, esportistas, artistas, modelos, apresentadores de TV, etc.  O que realmente pensam? O que estão fazendo nesse exato momento em que você, por exemplo, está no trânsito esperando para chegar em casa? Essa sincronicidade de tempo gera proximidade, intimidade, de ambas as partes.</p>
<p>O interessante é analisar por qual razão as celebridades (não todas, claro) aderiram ao Twitter e o usam com intensidade. Há, evidentemente, a auto-propaganda; ser uma celebridade via de regra significa também saber ocupar os espaços, estar na mídia, e o Twittter é uma nova mídia, cujo potencial veio à tona na campanha do Obama à presidência dos EUA (obs: o Obama assumiu que não era ele quem tuitava).</p>
<p>Há, também, o ego. Celebridade que se preze tem um ego colossal (caso contrário não conseguiria lidar com a pressão e com a vigilância que a fama traz) e nada melhor para alimentar esse ego do que estar diretamente em contato com milhares, centenas de milhares de fãs. O número de seguidores diz muito sobre a influência de cada um. Como bem colocou meu sócio <a href="http://blog.miguelcavalcanti.com/">Miguel Cavalcanti</a>, se o número de seguidores não aparecesse, a atratividade da ferramenta cairia muito.</p>
<p>E tem mais: quem falar mal…pode ser sumariamente bloqueado, eliminando-se o problema. Assim, fica ao alcance de cada um evitar a crítica direta e selecionar só os elogios.</p>
<p>Mas acredito que existam outras razões menos óbvias e que não estão sendo comentadas. Eu pelo menos, não vi nada a respeito, embora não seja exatamente um ávido devorador de informações online. Acho que, pelo Twitter, o “famoso” pode mostrar seu lado “gente comum”, de uma maneira direta e sem intermediários. Pelo Twitter, não é mais aquele personagem que é retratado nas revistas, jornais e TV; não é necessariamente o famoso em seu horário de trabalho e, portanto, sujeito às restrições que o cargo lhe impõe.</p>
<p>Pelo Twitter, um pouco do ser humano real aparece. Afinal, toda celebridade acaba sendo muito mais o que se espera que ela seja do que o que ela é realmente. E o Twitter acerta um pouco essa conta. Esses famosos, justamente por não poderem ser eles mesmos em seu dia-a-dia dada a responsabilidade que têm, a imagem a zelar (o impacto de um escândalo como o que envolveu Tiger Woods certamente seria menor em alguém menos exposto), acabaram encontrando no Twitter uma maneira de mostrar quem realmente são – e o melhor, restrito a 140 caracteres, isto é, a exposição não é tão grande assim e o risco de escorregar, bem menor, embora existente (claro).</p>
<p>É possível que os famosos tenham essas necessidade até mais do que o cidadão comum, que não carrega um peso tão grande e que cujos erros tendem a ter impactos bem menos devastadores ou irreversíveis. Não sou uma celebridade, mas imagino que aquela sensação de ser famoso e ao mesmo tempo só, isolado, diminui via Twitter.</p>
<p>Também, via Twitter os famosos não correm o risco de ter uma frase retirada de contexto e ser amplificada de forma a prejudicá-lo, intencionalmente ou não. Não há a edição de um jornalista, por exemplo. É lógico que há o outro lado: falou besteira, não tem a quem culpar. Mas ainda assim pode ser mais confortável correr esse risco do que ter surpresas com interpretações equivocadas de terceiros, incompetência ou maldade mesmo. Em uma extensão  desse raciocínio, vale lembrar que o Twitter ainda não foi totalmente descoberto pela mídia. Ainda não são tão frequentes as matérias nas mídias tradicionais criticando ou ironizando o que os famosos tuitaram. É possível que, quando todas as mídias descobrirem esse “potencial”, os famosos se inibam mais e a nova ferramenta perca bastante sua força.</p>
<p>Enquanto isso não ocorre, o povo se diverte, acompanha seus ídolos, interage com eles de uma forma que nunca sonhou e, com isso, contribui para tornar o Twitter a febre que se tornou.</p>
<p>PS: outras contribuições do <a href="http://blog.miguelcavalcanti.com/">Miguel</a> &#8211; os empregadores das celebridades não têm mais como monetizar esse monte de seguidores. As centenas de milhares de seguidores do William Bonner, por exemplo, são um ativo dele. Se ele sair, leva todo mundo! Quando perceberam isso, já era tarde&#8230;ainda, há o fato da exposição sem o controle do empregador. O mesmo Bonner, por exemplo, que só aparece no JN todo formatadinho, no Twitter está livre, leve e solto, e pode dar suas escorregadas e, numa dessas, prejudicar  a si e a Globo. O Boris Casoy, por exemplo, é um que não poderia ter Twitter em hipótese alguma. =)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=902&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>2009: Balanço Final</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/12/24/2009-balanco-final/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Dec 2009 13:26:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
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		<category><![CDATA[Drummond]]></category>
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		<description><![CDATA[Constato constrangido e meio perplexo: nesse ano que passou eu não cumpri a maior parte das metas que havia traçado ao final de 2008. Algumas não consegui cumprir, outras não quis; mudaram as premissas, o que está ok, afinal não me parece nada bom ter sua vida programada como um jogo de computador, imune a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=888&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Constato constrangido e meio perplexo: nesse ano que passou eu não cumpri a maior parte das metas que havia traçado ao final de 2008. Algumas não consegui cumprir, outras não quis; mudaram as premissas, o que está ok, afinal não me parece nada bom ter sua vida programada como um jogo de computador, imune a surpresas que são sempre o tempero da vida, sejam boas ou más.</p>
<p>Mas não estive parado, e só se esbarra em algo novo quando se está em movimento. Aliás, me movimentei: dentro daquilo que pude contabilizar, foram 25 viagens aéreas dentro do Brasil e 5 no exterior, quase tudo a trabalho, mas nunca se está 100% a trabalho, não?: lá fora, fui para Austrália, Espanha, Chile, Alemanha  e Estados Unidos. Gosto de viajar e acho que cada vez mais as viagens farão parte do que faço. A vida acontece fora do meu escritório, é fora que tenho a inspiração e obtenho a renovação e a energia para enfrentar o dia-a-dia e para me reinventar.</p>
<p>O que mais fiz em 2009?</p>
<p>Passei a levar mais a sério o hobby da fotografia, fazendo dois cursos, lendo a respeito, praticando. É uma atividade da qual extraio grande prazer. Pode parecer idiota, mas o efeito que uma foto bem tirada gera, ou um elogio a ela feito por outras pessoas, tem maior impacto em mim hoje do que um trabalho bem feito ou um elogio ao trabalho bem feito. Talvez por já ser de certa forma reconhecido pelo que faço, e a fotografia é um desafio novo. Ainda não sei.</p>
<p>(Tenho certeza que a demanda por fotografia vai aumentar muito no mundo: todo mundo gosta é a única forma de arte que você não precisa ter uma habilidade específica e muito treino até produzir  algo razoável – a fotografia vai ser o futebol das artes, acredite).</p>
<p>Trabalhei menos, mas de forma mais inteligente e sem deixar que coisas pequenas adquirissem uma proporção maior do que representavam. Depois de uns coices da vida, você aprende a relativizar os problemas, fica mais humilde também. Os resultados vieram, não só por isso, claro. Com ou sem crise, foi nosso melhor ano e de certa forma é uma vitória perceber que uma fase de ajustes difíceis na vida pessoal não atrapalhou significativamente a vida profissional. E, mais importante, chego ao final do ano com novos projetos e ideias.</p>
<p>Conheci pessoas novas, menos talvez do que talvez devesse conhecer, mas cada um de nós tem seu ritmo e suas premissas, e sair totalmente deles nem sempre é o melhor caminho. Reforcei laços profissionais, de amizade e familiares, talvez menos do que devesse, mas sei que fui na direção certa; fiz uma viagem com três velhos amigos da época da faculdade, coisa que pouca gente pode fazer ou, mesmo que possa, não faz.</p>
<p>Aliás, se há uma sensação que me acompanha nesse final de ano, talvez construída ao longo de um ano de certa forma introspectivo, de pausa para balanço, é que podemos fazer bem mais do que efetivamente fazemos, seja pessoalmente, socialmente, profissionalmente. É fácil nos acomodarmos, envelhecermos o espírito. O único medo que realmente tenho é o da acomodação, que é uma espécie de jogar de toalhas quando a luta nem começou, ou está apenas em seu início. Quantas coisas estão ao nosso alcance e não fazemos, procrastinamos, acordamos mais tarde, deixamos para amanhã ou depois de amanhã, ou apenas não temos e nunca vamos ter a energia para nos movimentarmos?</p>
<p>Não sei quais são as metas que terei para 2010. Só sei que terei uma regra: manter a peteca no alto, manter as exigências em alto grau, mas no sentido saudável, e fazer tudo aquilo que sei que posso e quero fazer.  Vejo à minha frente uma folha de papel a ser desenhada, a meu lado as ferramentas que preciso e constato que tenho as habilidades e a disposição para preenchê-la.</p>
<p>Obrigado a todos que frequentaram esse espaço em 2009; estaremos juntos em 2010. Obrigado aos que tiveram paciência comigo, os que acreditaram em mim e me incentivaram. Obrigado a todos que cruzaram meu caminho e deixaram, de uma forma ou de outra, sua contribuição.</p>
<p>Antes de terminar, uma menção especial ao Schummacher, 40 anos, e que volta a Fórmula 1 em 2010 competindo de igual para igual com os garotos. Como em 2010 também faço 40 (apesar de me sentir com 20), torço pelo sucesso dele, que mostra que mais do que idade, o que conta mesmo é a vontade e a cabeça. Sucesso pra nós em 2010, Schummacher!</p>
<p>Frase final do poema Receita de Ano Novo,  do Drummond: “É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.” Bela frase, vamos pensar nela; vale mais do que mil promessas e metas que ficarão nas gavetas.</p>
<p>PS: “When you make a difference, you also make a connection”. Essa frase de Seth Godin está no e-book gratuito que ele produziu junto com mais de setenta “grandes pensadores”, como ele diz, a respeito de temas importantes para pensarmos para 2010. <a href="http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2009/12/what-matters-now-get-the-free-ebook.html">Faça o download aqui</a>, vale a pena.</p>
<p><strong>Receita de ano novo &#8211; Carlos Drummond de Andrade</strong></p>
<p><em>Para você ganhar belíssimo Ano Novo<br />
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,<br />
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido<br />
(mal vivido talvez ou sem sentido)<br />
para você ganhar um ano<br />
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,<br />
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;<br />
novo<br />
até no coração das coisas menos percebidas<br />
(a começar pelo seu interior)<br />
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,<br />
mas com ele se come, se passeia,<br />
se ama, se compreende, se trabalha,<br />
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,<br />
não precisa expedir nem receber mensagens<br />
(planta recebe mensagens?<br />
passa telegramas?)</em></p>
<p><em><br />
Não precisa<br />
fazer lista de boas intenções<br />
para arquivá-las na gaveta.<br />
Não precisa chorar arrependido<br />
pelas besteiras consumidas<br />
nem parvamente acreditar<br />
que por decreto de esperança<br />
a partir de janeiro as coisas mudem<br />
e seja tudo claridade, recompensa,<br />
justiça entre os homens e as nações,<br />
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,<br />
direitos respeitados, começando<br />
pelo direito augusto de viver.</em></p>
<p><em><br />
Para ganhar um Ano Novo<br />
que mereça este nome,<br />
você, meu caro, tem de merecê-lo,<br />
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,<br />
mas tente, experimente, consciente.<br />
É dentro de você que o Ano Novo<br />
cochila e espera desde sempre.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=888&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Most of the time…</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/12/12/most-of-the-time%e2%80%a6/</link>
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		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 17:39:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Bob Dylan]]></category>
		<category><![CDATA[Most of the Time]]></category>
		<category><![CDATA[Paul Simon]]></category>
		<category><![CDATA[Sounds of Silence]]></category>

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		<description><![CDATA[Bob Dylan é um gênio. Já disse isso aqui, e provavelmente ainda direi outras vezes. Vai fazer 50 anos de carreira e conseguiu se manter em evidência, reinventando-se constantemente, (quase) sempre com grande qualidade e originalidade. Ele é um mestre da música e da letra. Abaixo, um pequeno exemplo do por quê.  Most of the [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=876&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bob Dylan é um gênio. Já disse isso aqui, e provavelmente ainda direi outras vezes. Vai fazer 50 anos de carreira e conseguiu se manter em evidência, reinventando-se constantemente, (quase) sempre com grande qualidade e originalidade.</p>
<p>Ele é um mestre da música e da letra. Abaixo, um pequeno exemplo do por quê.  <em>Most of the time</em> é uma balada que quer dizer uma coisa dizendo constantemente o seu inverso – daí a genialidade dele.</p>
<p>A maior parte do tempo é tudo isso que a letra diz – o problema é o que existe quando não se está no “most of the time”: momentos que, embora possam ser curtos, perdemos nossas referências, não nos reconhecemos como gostaríamos que fosse, nos sujeitamos a fantasmas do passado, e assim por diante. É o <em>Hello darkness my old friend, I’ve come to talk with you again</em>, de Sounds of Silence (Paul Simon, outro gênio).</p>
<p>A melodia também parece se transformar, apesar de se manter a mesma o tempo todo: no início, uma música comum, até sobria; depois vai soando melancólica, à medida que percebemos aonde ele quer chegar com ela.</p>
<p>Ao final, é inevitável ficar com a sensação de que “most of the time” parece muito bom mas, no fundo, não é suficiente. Por mais que tentemos nos convencer do contrário, como o próprio Dylan tenta. E a diferença do <em>most of the time</em> para o <em>all the time</em> pode ser tão grande como entre falar e quase falar. Há solução?</p>
<p>E, já ia me esquecendo (propositadamente?), o <em>Most of the time</em> dele tem como pano de fundo um alguém que se partiu.</p>
<p>Abaixo da letra, vídeo dele no You Tube.</p>
<p><em>Most Of The Time</em></p>
<p><em><a href="http://www.bobdylan.com/">Bob Dylan</a></em></p>
<p>Most of the time</p>
<p>I&#8217;m clear focused all around,<br />
Most of the time<br />
I can keep both feet on the ground,<br />
I can follow the path, I can read the signs,<br />
Stay right with it, when the road unwinds,<br />
I can handle whatever I stumble upon,<br />
I don&#8217;t even notice she&#8217;s gone,<br />
Most of the time.</p>
<p>Most of the time<br />
It&#8217;s well understood,<br />
Most of the time<br />
I wouldn&#8217;t change it if I could,<br />
I can&#8217;t make it all match up, I can hold my own,<br />
I can deal with the situation right down to the bone,<br />
I can survive, I can endure<br />
And I don&#8217;t even think about her<br />
Most of the time.</p>
<p>Most of the time<br />
My head is on straight,<br />
Most of the time<br />
I&#8217;m strong enough not to hate.<br />
I don&#8217;t build up illusion &#8217;till it makes me sick,<br />
I ain&#8217;t afraid of confusion no matter how thick<br />
I can smile in the face of mankind.<br />
Don&#8217;t even remember what her lips felt like on mine<br />
Most of the time.</p>
<p>Most of the time<br />
She ain&#8217;t even in my mind,<br />
I wouldn&#8217;t know her if I saw her<br />
She&#8217;s that far behind.<br />
Most of the time<br />
I can&#8217;t even be sure<br />
If she was ever with me<br />
If I was ever with her.<br />
Most of the time</p>
<p>I&#8217;m halfway content,<br />
Most of the time<br />
I know exactly where I went,<br />
I don&#8217;t cheat on myself, I don&#8217;t run and hide,<br />
Hide from the feelings, that are buried inside,<br />
I don&#8217;t compromise and I don&#8217;t pretend,<br />
I don&#8217;t even care if I ever see her again<br />
Most of the time.</p>
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		<title>Uma história incrível e real</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Dec 2009 22:51:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[acaso]]></category>
		<category><![CDATA[coincidência]]></category>
		<category><![CDATA[contos]]></category>
		<category><![CDATA[Paul Auster]]></category>

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		<description><![CDATA[Li agora O Caderno Vermelho (por influência da Márcia Benetti), livrinho que Paul Auster escreveu em 2000, relatando episódios em que o acaso e a coincidência influenciaram e, em alguns casos, até alteraram radicalmente a vida de seus protagonistas. São histórias reais, vividas por Auster, sua família e conhecidos. Algumas são fatos banais do cotidiano, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=863&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Li agora O Caderno Vermelho (por influência da <a href="http://marciabenetti.blogspot.com/">Márcia Benetti</a>), livrinho que Paul Auster escreveu em 2000, relatando episódios em que o acaso e a coincidência influenciaram e, em alguns casos, até alteraram radicalmente a vida de seus protagonistas. São histórias reais, vividas por Auster, sua família e conhecidos. Algumas são fatos banais do cotidiano, mas que, por alguma razão pessoal, deixaram impressões duradouras e marcantes em suas trajetórias a partir dali. Com base nele, resolvi relatar aqui um fato ocorrido com minha irmã, meio no estilo Auster. Todas as informações são reais, tais como ocorreram.</em></p>
<p>Minha irmã havia se mudado com a família para uma nova casa. Após morar em apartamento durante vários anos, surgiu uma ótima oportunidade justamente no momento em que o proprietário do apartamento em que morava solicitava o imóvel.</p>
<p>A oportunidade era uma casa antiga mas confortável, em um local aprazível do Jardim Paulistano, perto da Rebouças. A casa era da família do seu marido e estava locada há vários anos. Talvez tenha passado por uma ou duas reformas (não sei ao certo precisar) e, com uma última interferência feita pelo meu pai, ganhou um ar de modernidade e de conforto que normalmente as casas antigas carecem.</p>
<p>Uns dois meses depois, minha mãe, junto com a neta – filha da minha irmã &#8211; resolveu fazer uma ordem em sua casa, esvaziando armários que há muito não eram mexidos. Era um daqueles momentos em que se decide rever o passado e se livrar daquilo que, deixara de fazer sentido, mas que permanecera armazenado simplesmente por mero esquecimento, esperando o dia do descarte.</p>
<p>Entre os itens achados, alguns eram jogados no lixo, outros guardados novamente (por alguma razão, ainda faziam sentido de ser, pelo menos até a próxima faxina) e outros eram dados a seus proprietários – no caso eu, minha irmã e meu irmão – que tinham a incumbência de decidir pelo seu destino.</p>
<p>Nessa arrumação, minha sobrinha achou um diário de sua mãe, de quando ela tinha provavelmente uns dez anos (ela deve saber a idade exata) e levou para casa para mostrar à mãe. Dentro dele, além das anotações referentes a impressões do dia-a-dia feitas por uma garotinha de dez anos, havia adesivos, papéis de carta colados e recados de amigas, que tomavam emprestado o diário para devolver no dia seguinte, com uma mensagem prometendo amizade eterna ou algo assim.</p>
<p>Uma dessas mensagens era de uma amiga a qual não via havia quase vinte anos, ou seja, seu último contato havia se dado pouco após a redação desta nota. Era a mensagem mais pessoal de todas e, ao final, uma frase pouco comum para uma pequena menina, seguida de um endereço: “Se precisar de mim, você sabe onde me encontrar: Rua tal, número tal”. Era o único endereço escrito em todo o diário &#8211; minha irmã teve o cuidado de checar depois.</p>
<p>Por mais incrível que pareça, a “Rua tal, número tal”, era a casa para a qual minha irmã havia se mudado recentemente. Em função das reformas e do tempo passado desde então, ela não se lembrara, mas diante dessa revelação, aos poucos a memória foi sendo resgatada. Ela lembrou que, na velha garagem transformada em quarto de brinquedos onde hoje seus filhos brincam, ela havia brincado com sua amiga quando tinha quase a mesma idade de seus filhos. Mais ainda: ela lia essa mensagem muito provavelmente no mesmo local onde havia sido escrita, já que a amiga tomou emprestado o diário e levado para casa, como era de praxe.</p>
<p>Em sua infância, ela freqüentara a casa para a qual, sem saber, tinha se mudado recentemente (e que vinha a ser propriedade da família de seu futuro marido). Ainda que a origem social comum a ambas restrinja a ocorrência dessa possibilidade a alguns bairros específicos da metrópole de 10 milhões de pessoas, o episódio não deixa de ser absolutamente improvável.</p>
<p>Mas a história não termina aí. Na verdade, o mais absurdo veio a acontecer após essa descoberta. Um tio nosso, ao saber do estranho episódio e sendo afeito a temas espirituais, disse que nada disso era simples coincidência: que ela procurasse a amiga, que com certeza estava precisando muito de sua ajuda.</p>
<p>Minha irmã não deu muita importância ao fato até que, cerca de duas semanas após a descoberta e a conversa com o tio, encontrou sua cunhada, que disse ter conhecido recentemente uma menina que havia morado naquela casa. Como foi feito o contato entre ambas e como o assunto entrou na conversa das duas é algo que não me lembro ou não me foi dito. Só sei que a amiga sabia que meu cunhado morava na mesma casa que ela havia morado, mas não que minha irmã morava lá e que era casada com ele.</p>
<p>Surpresa ainda com mais essa coincidência, minha irmã perguntou como a amiga de infância  estava, já que não a vira durante todo esse tempo, nem tivera notícias da outra. Nada bem, foi a resposta de sua cunhada. Há cerca de duas semanas, ela tentou se matar.</p>
<p>Sem compreender direito o significado de tudo aquilo, minha irmã se recordou que, há exatas duas semanas estava lendo em sua nova casa seu antigo diário e, nele, a mensagem escrita por sua velha colega de escola, mais de vinte anos atrás.</p>
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