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	<title>O que der e vier &#187; Poesia</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; Poesia</title>
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		<title>Certezas e incertezas, presente e futuro</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2010/04/29/certezas-e-incertezas-presente-e-futuro/</link>
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		<pubDate>Thu, 29 Apr 2010 01:27:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dando continuidade ao post anterior, eis a minha história, apresentada como trabalho de conclusão do workshop de fotografia que fiz na Califórnia. O trabalho era apresentar uma história a partir de 5 a 7 fotos tiradas durante o workshop. Tema livre, fotos livres. Um desafio, portanto. Procurei trabalhar com quatro conceitos: presente e futuro, certezas e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=991&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dando continuidade ao <a href="http://blog.oquederevier.com/2010/04/28/every-picture-tells-a-story/">post anterior</a>, eis a minha história, apresentada como trabalho de conclusão do workshop de fotografia que fiz na Califórnia. O trabalho era apresentar uma história a partir de 5 a 7 fotos tiradas durante o workshop. Tema livre, fotos livres. Um desafio, portanto.</p>
<p>Procurei trabalhar com quatro conceitos: presente e futuro, certezas e incertezas. Na verdade, sobre as mudanças pelas quais todos nós passamos, e que nos afetam, demandando um novo equilíbrio, que nem sempre vem imediatamente. Nas fotos, o primeiro plano representa o presente, o horizonte ou segundo plano representa o futuro. O foco representa as certezas, o fora de foco representa as incertezas.</p>
<p>Há momentos em que temos certeza de tudo. Tudo é claro, brilhante, quase perfeito. Não há dúvidas, não há preocupação com o futuro. O presente ocupa todos os espaços e parece eterno. Podemos tudo, somos imortais, o instante parece eterno. Sim, há momentos ou fases como essa, e a foto que usei para expressar isso foi essa:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4806.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-992" title="IMG_4806" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4806.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>Mas as coisas não são assim. O mundo se movimenta, os fatos se apressam, tudo, no final, tende à desordem. O nível de entropia sempre cresce, define a física. E contra a física, não adianta teimar. Por vezes, navegamos em águas turbulentas, que nos levarão a lugares inesperados e a princípio indesejáveis. A mudança é inerente à vida, mas como a tememos…A foto que usei para expressar a mudança foi essa:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/marcelocarvalho2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-993" title="MarceloCarvalho2" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/marcelocarvalho2.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>E então começamos a nos confundir, a perder as referências. O futuro já é não tão claro como antes. O que vem por aí? As certezas do início, de repente, se perdem e o futuro assusta. Perde-se a harmonia e tudo parece vir em alta velocidade, um redemoinho inesperado e sem saída:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4872.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-994" title="IMG_4872" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4872.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>A mudança, enfim, nos atordoa. Nem presente nem futuro ficam claros, as referências são perdidas de vez e nos vemos à deriva, longe de encontrar um porto seguro. O que deu errado? Como perdemos o chão, se estávamos tão ancorados? Tudo era perfeito – ou, aos olhos de agora, pareciam… Nesse momento, tudo se mistura de forma caótica, e o que vemos é apenas uma imagem do que deve ser a realidade:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4926.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-995" title="IMG_4926" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4926.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>Ainda, o temor persiste, algo tenebroso, escuro. Mas a harmonia começa a voltar, começamos a vislumbrar onde estamos, é o início da transição: (observação: o Frans Lanting achou que essa imagem poderia ser suprimida, apesar de belíssima; mas como eu era o dono da história e queria incluir de qualquer jeito, ele deixou…rs).</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_5812-1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-996" title="IMG_5812-1" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_5812-1.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>De repente, aos poucos, tudo começa a se encaixar. Um novo equilíbrio se estabelece. O presente volta a ser belo e harmônico. E o futuro, embora distante e, então aprendemos, incerto, será uma sequência natural do presente:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4789.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-997" title="IMG_4789" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4789.jpg?w=499&#038;h=333" alt="" width="499" height="333" /></a></p>
<p>Enfim, é preciso entender que tudo flui, tanto os melhores como os piores momentos. E que o segredo é não complicar aquilo que, no fundo, pode ser simples:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/marcelocarvalho7.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-998" title="MarceloCarvalho7" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/marcelocarvalho7.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>Foi mais ou menos isso que apresentei, levando em conta as dificuldades de apresentar isso em inglês. Tenho a impressão que foi a que mais repercutiu, assim, nas pessoas. Afinal, todo mundo já passou por processos difíceis, seja no aspecto pessoal, profissional, ou na família. Todo mundo perdeu o chão, para depois recuperar lá na frente, de uma forma diferente e, não raro, melhor do que antes.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=991&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sobre ter altas expectativas a respeito das coisas</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 22:50:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar. Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=957&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar.</p>
<p>Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há trabalhos mostrando) que quanto maior a expectativa, melhor tende a ser o resultado final. O fato é que o mundo não te dá mais do que você pede a ele, pelo menos na maior parte das situações. Assim, quem espera muito da vida (não no sentido passivo da espera), tende a ir mais longe. “Nothing ventured, nothing gained”. And that’s it. Ao menos potencialmente.</p>
<p>Um estudo feito pelos psicólogos americanos Sydney Siegel e Lawrence Fouraker demonstrou que a expectativa elevada (ou, nesse caso, a meta) influencia o resultado. Eles dividiram voluntários em dois grupos. Em ambos foi passado que teriam de vender um certo produto e caso atingissem a meta pré-estabelecida, eles poderiam ficar com o lucro obtido e passariam a uma segunda rodada. A diferença foi que, para o primeiro grupo, foi passada uma meta de <strong>2,10 dólares</strong> enquanto que, para o segundo grupo, a meta estabelecida mais ambiciosa, <strong>6,10 dólares</strong>. Muitos vendedores dos dois grupos atingiram a meta, mas no segundo grupo o lucro médio foi de <strong>6,25 dólares</strong> enquanto que no primeiro grupo, de meta mais modesta, o lucro médio foi de apenas <strong>3,35 dólares</strong>. Nesse caso, a expectativa foi gerada externamente, mas pouco importa: resultou em desempenho superior.</p>
<p>Empresas mais ambiciosas, pessoas mais ambiciosas, tendem a ir mais longe porque se motivam a obter mais do mundo, desde que suas metas sejam realistas. A Teoria das Expectativas de Vroom sugere que a motivação, isto é, o <em>motivo para ação</em>,  depende do produto entre a Valência = vontade que alguém tem de obter algo, o que é dado pela relevância que esse algo tem para ela, e a Expectativa da se atingir esse algo. Expectativa, nesse caso, significa o quanto a pessoa acredita que de fato possa atingir esse objetivo.</p>
<p>Assim, se alguém não tem objetivo de alcançar algo (valência zero) o produto será zero e não haverá motivação. Ela não sairá do lugar. Da mesma forma, ainda que a valência seja elevada, se a expectativa de se atingir esse algo for zero, também não haverá estímulo para se mover. Exemplo: você pode querer ser campeão mundial de Fórmula 1, mas se considerar que essa meta não pode ser atingida por não ser realista, então não terá motivação para persegui-la.</p>
<p>Desta forma, pessoas com expectativas mais altas, ou metas mais elevadas, pessoais ou profissionais, se motivarão a conquistar essas metas, desde que tenham real expectativa de consegui-las. Nesse ponto, há pessoas que, pela análise convencional, estão “fora da realidade”, que acreditarão em metas que não são realistas &#8211; talvez uma forma de auto-engano &#8211; mas que terão motivação para alcançá-las. E, às vezes, conseguirão, surpreendendo a todos.</p>
<p>(Não sei porque, mas me lembrei agora daquela cena do filme <a href="http://www.meucinemabrasileiro.com/filmes/dois-filhos-de-francisco/dois-filhos-de-francisco.asp">Dois Filhos de Francisco</a>, em que o Francisco diz que queria tornar famosa a dupla formada pelos filhos [Zezé de Camargo e seu irmão que faleceu logo depois]. Ele comprou centenas de fichas telefônicas e ligou para a rádio seguidas vezes, até que a música deles foi selecionada entre as mais pedidas do dia. O resto é história, depois de muita água passada debaixo da ponte, claro&#8230;)</p>
<p>Até aí, tudo bem. Mas, voltando à pergunta original, e no aspecto pessoal, de satisfação? Será que ter expectativas elevadas, ainda que isso resulte em uma vida mais rica materialmente e mais cheia de “histórias para contar”, tornará alguém mais feliz do que aquele que se contenta com menos, seja no aspecto material, seja no aspecto pessoal?</p>
<p>Acredito que não.  Ou, pelo menos, provavelmente não. Se você esperava emagrecer 2 kg e emagreceu 4, ficará satisfeito. Mas se a expectativa era emagrecer 6&#8230;Com metas mais altas, a frustração está mais próxima e o tombo, maior. O paradoxo é que, provavelmente, aquele que quer emagrecer 6 kg, desde que seja uma meta realista, deve conseguir emagrecer mais do que aquele que tem meta de 4 kg. Assim, a expectativa alta gera resultado melhor, mas a chance de desapontamento é maior. Quanto maior o ganho potencial, maior o risco.</p>
<p>Mas e se expectativa elevada for cumprida? Terá esse indivíduo satisfação muito superior? Ainda assim, creio que aquele que tem expectativas elevadas a respeito da vida ficará em posição desfavorável no quesito satisfação. A expectativa elevada anda de mãos dadas com a necessidade contínua de querer sempre mais e melhor, empurrando a zona de satisfação sempre para frente. Nada é suficiente, nunca é suficiente.</p>
<p>Complementando o raciocínio acima, há ainda uma outra possível associação. Indivíduos com altas expectativas a respeito de tudo desconhecem que a vida não é feita de eras de felicidade, mas sim de momentos de felicidade, como disse Nietzsche. Essas pessoas talvez estejam sempre esperando o momento supremo, a pessoa perfeita, o emprego ideal – afinal esperam sempre o melhor de tudo – e sempre farão o possível para alcançá-los, para logo perceber – mais uma vez &#8211; que poderia ser melhor. Sempre poderia. Como escreveu <a href="http://www.releituras.com/vcarvalho_velhotemaI.asp">meu bisavô</a> em sua poesia mais famosa, “Velho Tema”:</p>
<p><em>Só a leve esperança, em toda a vida,<br />
Disfarça a pena de viver, mais nada;<br />
Nem é mais a existência, resumida,<br />
Que uma grande esperança malograda.</em></p>
<p><em>O eterno sonho da alma desterrada<br />
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,<br />
É uma hora feliz, sempre adiada<br />
E que não chega nunca em toda a vida.</em></p>
<p><em>Essa felicidade que supomos,<br />
Árvore milagrosa que sonhamos<br />
Toda arreada de dourados pomos,</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Existe, sim: mas nós não a alcançamos<br />
Porque está sempre apenas onde a pomos<br />
E nunca a pomos onde nós estamos.</em></p>
<p>Já que falei do filme Dois Filhos de Francisco, vou citar uma das cenas finais, em que Zezé, já rico e famoso, volta para visitar o casebre em que morava com a família, antes de tudo acontecer. Se não me falha a memória, ele diz algo como “foi a época mais feliz da minha vida”&#8230;Pelo filme, percebe-se que ele é alguém com altas expectativas, foi lá e fez, mas pelo jeito não resolveu. Parece, olhando assim, que as expectativas elevadas são uma ilusão auto-imposta não para de fato conquistar grandes coisas, mas para tapar o sol com a peneira, resolver internamente aquilo que não está e não será resolvido. Quando não se consegue lidar com o presente, depositando no futuro e em suas conquistas a suposta satisfação permanente. “The best is always to come&#8230;.”.</p>
<p>Barry Schwartz, no seu ótimo <a href="http://blog.oquederevier.com/tag/barry-schwartz/">Paradoxo da Escolha</a>, mostra que o índice de depressão e suicídio nos indivíduos maximizadores é maior do que nos demais. Indivíduos maximizadores são aqueles que só se contentam com o melhor, isto é, possuem alta expectativa a respeito de tudo. Aqui, há ainda a correlação positiva entre ter altas expectativas e assumir para si a responsabilidade pelo fracasso, o que coloca um peso ainda maior para as frustrações. O maximizador é escravo de suas próprias expectativas.</p>
<p>Triste paradoxo. É provável que grande parte das contribuições feitas à história humana tenha sido feita por indivíduos que tinham altas expectativas. Afinal, não é fácil se destacar, criar algo novo, fazer a diferença. Citando a frase de Bernard Shaw (de novo estou citando Shaw!), “<em>há dois tipos de pessoas, aquelas que se adaptam ao mundo e aquelas que tentam adaptar o mundo a elas. Todo progresso vem necessariamente do segundo tipo”</em>.  Eles foram lá, e fizeram, contra tudo e contra todos.  E mudaram a ordem das coisas.</p>
<p>Mas talvez, dentro de si, aquele incômodo sempre continuou, de um lado, impulsionando-os a fazer mais e mais, de outra impedindo-os de usufruir daquilo que conquistaram. O legado que deixaram ao mundo é maior do que o que construíram para si mesmos.</p>
<p>E, claro, para cada um que fez história, quantos potenciais gênios, empresários, educadores revolucionários, se perderam e não foram nem uma sombra daquilo que poderiam ter sido, justamente pela frustação paralisante que se instalou ao perceberem o quão longe estavam de suas elevadas aspirações?</p>
<p>Nesse sentido, invejo aquele que se contenta com pouco, que se surpreende positivamente com cada mínima conquista, que quase nada espera a ponto de quase tudo servir. Esse, certamente, é mais feliz. Olhando por esse lado, no entanto, a felicidade me parece algo um tanto medíocre, uma monotonia pouco digna para justificar, de fato, o efêmero momento que representa nossa passagem por esse mundo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=957&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Haver &#8211; Vinicius de Moraes</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 01:20:30 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Vinicius de Moraes]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu não costumo publicar textos de outras pessoas no blog, mas vou abrir exceção a essa poesia do Vinicius e que não conhecia. Fiquei conhecendo por influência da amiga Ana Maria Almada, do blog Menina de Cachos. Obrigado Ana, mais uma vez! Mas&#8230;um momento. Pensando bem, acho que eu até tenho algum direito de publicar [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=942&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não costumo publicar textos de outras pessoas no blog, mas vou abrir exceção a essa poesia do Vinicius e que não conhecia. Fiquei conhecendo por influência da amiga Ana Maria Almada, do blog <a href="http://meninadecachos.blogspot.com/">Menina de Cachos</a>. Obrigado Ana, mais uma vez!</p>
<p>Mas&#8230;um momento. Pensando bem, acho que eu até tenho algum direito de publicar coisas do Vinicius. Afinal &#8211; a maioria não sabe &#8211; <strong>mas minha avó paterna foi a primeira musa do poetinha</strong>. De fato, a primeira poesia escrita por ele foi a ela destinada &#8211; acho que com 9 anos (ele era precoce&#8230;). Assim, eu sou mais ou menos um neto torto do Vinicius, vai&#8230;</p>
<p>Aliás, falando nele, o que será que existe no filme Vinicius, que faz com que a gente veja, reveja e reveja, e sempre se emocione? Pelo menos comigo é assim. Enfim, O Haver, belíssima poesia dele, seguido de vídeo (Ana de novo):</p>
<p>O HAVER</p>
<p><em>Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura<br />
Essa intimidade perfeita com o silêncio<br />
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo:<br />
— Perdoai! — eles não têm culpa de ter nascido&#8230;</p>
<p>Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo<br />
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo<br />
De ferir tocando, essa forte mão de homem<br />
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.</p>
<p>Resta essa imobilidade, essa economia de gestos<br />
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito<br />
Essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível<br />
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.</p>
<p>Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento<br />
Da matéria em repouso, essa angústia de simultaneidade<br />
Do tempo, essa lenta decomposição poética<br />
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.</p>
<p>Resta esse coração queimando como um círio<br />
Numa catedral em ruínas, essa tristeza<br />
Diante do cotidiano, ou essa súbita alegria<br />
Ao ouvir na madrugada passos que se perdem sem memória&#8230;</p>
<p>Resta essa vontade de chorar diante da beleza<br />
Essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido<br />
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa<br />
Piedade de sua inútil poesia e sua força inútil.</p>
<p>Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado<br />
De pequenos absurdos, essa tola capacidade<br />
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil<br />
E essa coragem de comprometer-se sem necessidade.</p>
<p>Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza<br />
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser<br />
E ao mesmo tempo esse desejo de servir, essa<br />
Contemporaneidade com o amanhã dos que não têm ontem nem hoje.</p>
<p>Resta essa faculdade incoercível de sonhar<br />
E transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade<br />
De aceitá-la tal como é, e essa visão<br />
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante</p>
<p>E desnecessária presciência, e essa memória anterior<br />
De mundos inexistentes, e esse heroísmo<br />
Estático, e essa pequenina luz indecifrável<br />
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.</p>
<p>Resta essa obstinação em não fugir do labirinto<br />
Na busca desesperada de alguma porta quem sabe inexistente<br />
E essa coragem indizível diante do Grande Medo<br />
E ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer dentro da treva.</p>
<p>Resta esse desejo de sentir-se igual a todos<br />
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem história<br />
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho, essa vaidade<br />
De não querer ser príncipe senão do próprio reino.</p>
<p>Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento<br />
Esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável<br />
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços<br />
E esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.</p>
<p>Resta esse diálogo cotidiano com a morte, esse fascínio<br />
Pelo momento a vir, quando, emocionada<br />
Ela virá me abrir a porta como uma velha amante<br />
Sem saber que é a minha mais nova namorada.<br />
</em></p>
<p>A poesia narrada pelo Vinicius, musicada pelo Edu Lobo: <span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2010/01/29/o-haver-vinicius-de-moraes/"><img src="http://img.youtube.com/vi/u6LcZfStlfc/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/942/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/942/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/942/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/942/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/942/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/942/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/942/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/942/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/942/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/942/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=942&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>2009: Balanço Final</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/12/24/2009-balanco-final/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Dec 2009 13:26:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Viagens]]></category>
		<category><![CDATA[carreira]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Drummond]]></category>
		<category><![CDATA[Promessas de ano novo]]></category>

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		<description><![CDATA[Constato constrangido e meio perplexo: nesse ano que passou eu não cumpri a maior parte das metas que havia traçado ao final de 2008. Algumas não consegui cumprir, outras não quis; mudaram as premissas, o que está ok, afinal não me parece nada bom ter sua vida programada como um jogo de computador, imune a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=888&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Constato constrangido e meio perplexo: nesse ano que passou eu não cumpri a maior parte das metas que havia traçado ao final de 2008. Algumas não consegui cumprir, outras não quis; mudaram as premissas, o que está ok, afinal não me parece nada bom ter sua vida programada como um jogo de computador, imune a surpresas que são sempre o tempero da vida, sejam boas ou más.</p>
<p>Mas não estive parado, e só se esbarra em algo novo quando se está em movimento. Aliás, me movimentei: dentro daquilo que pude contabilizar, foram 25 viagens aéreas dentro do Brasil e 5 no exterior, quase tudo a trabalho, mas nunca se está 100% a trabalho, não?: lá fora, fui para Austrália, Espanha, Chile, Alemanha  e Estados Unidos. Gosto de viajar e acho que cada vez mais as viagens farão parte do que faço. A vida acontece fora do meu escritório, é fora que tenho a inspiração e obtenho a renovação e a energia para enfrentar o dia-a-dia e para me reinventar.</p>
<p>O que mais fiz em 2009?</p>
<p>Passei a levar mais a sério o hobby da fotografia, fazendo dois cursos, lendo a respeito, praticando. É uma atividade da qual extraio grande prazer. Pode parecer idiota, mas o efeito que uma foto bem tirada gera, ou um elogio a ela feito por outras pessoas, tem maior impacto em mim hoje do que um trabalho bem feito ou um elogio ao trabalho bem feito. Talvez por já ser de certa forma reconhecido pelo que faço, e a fotografia é um desafio novo. Ainda não sei.</p>
<p>(Tenho certeza que a demanda por fotografia vai aumentar muito no mundo: todo mundo gosta é a única forma de arte que você não precisa ter uma habilidade específica e muito treino até produzir  algo razoável – a fotografia vai ser o futebol das artes, acredite).</p>
<p>Trabalhei menos, mas de forma mais inteligente e sem deixar que coisas pequenas adquirissem uma proporção maior do que representavam. Depois de uns coices da vida, você aprende a relativizar os problemas, fica mais humilde também. Os resultados vieram, não só por isso, claro. Com ou sem crise, foi nosso melhor ano e de certa forma é uma vitória perceber que uma fase de ajustes difíceis na vida pessoal não atrapalhou significativamente a vida profissional. E, mais importante, chego ao final do ano com novos projetos e ideias.</p>
<p>Conheci pessoas novas, menos talvez do que talvez devesse conhecer, mas cada um de nós tem seu ritmo e suas premissas, e sair totalmente deles nem sempre é o melhor caminho. Reforcei laços profissionais, de amizade e familiares, talvez menos do que devesse, mas sei que fui na direção certa; fiz uma viagem com três velhos amigos da época da faculdade, coisa que pouca gente pode fazer ou, mesmo que possa, não faz.</p>
<p>Aliás, se há uma sensação que me acompanha nesse final de ano, talvez construída ao longo de um ano de certa forma introspectivo, de pausa para balanço, é que podemos fazer bem mais do que efetivamente fazemos, seja pessoalmente, socialmente, profissionalmente. É fácil nos acomodarmos, envelhecermos o espírito. O único medo que realmente tenho é o da acomodação, que é uma espécie de jogar de toalhas quando a luta nem começou, ou está apenas em seu início. Quantas coisas estão ao nosso alcance e não fazemos, procrastinamos, acordamos mais tarde, deixamos para amanhã ou depois de amanhã, ou apenas não temos e nunca vamos ter a energia para nos movimentarmos?</p>
<p>Não sei quais são as metas que terei para 2010. Só sei que terei uma regra: manter a peteca no alto, manter as exigências em alto grau, mas no sentido saudável, e fazer tudo aquilo que sei que posso e quero fazer.  Vejo à minha frente uma folha de papel a ser desenhada, a meu lado as ferramentas que preciso e constato que tenho as habilidades e a disposição para preenchê-la.</p>
<p>Obrigado a todos que frequentaram esse espaço em 2009; estaremos juntos em 2010. Obrigado aos que tiveram paciência comigo, os que acreditaram em mim e me incentivaram. Obrigado a todos que cruzaram meu caminho e deixaram, de uma forma ou de outra, sua contribuição.</p>
<p>Antes de terminar, uma menção especial ao Schummacher, 40 anos, e que volta a Fórmula 1 em 2010 competindo de igual para igual com os garotos. Como em 2010 também faço 40 (apesar de me sentir com 20), torço pelo sucesso dele, que mostra que mais do que idade, o que conta mesmo é a vontade e a cabeça. Sucesso pra nós em 2010, Schummacher!</p>
<p>Frase final do poema Receita de Ano Novo,  do Drummond: “É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.” Bela frase, vamos pensar nela; vale mais do que mil promessas e metas que ficarão nas gavetas.</p>
<p>PS: “When you make a difference, you also make a connection”. Essa frase de Seth Godin está no e-book gratuito que ele produziu junto com mais de setenta “grandes pensadores”, como ele diz, a respeito de temas importantes para pensarmos para 2010. <a href="http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2009/12/what-matters-now-get-the-free-ebook.html">Faça o download aqui</a>, vale a pena.</p>
<p><strong>Receita de ano novo &#8211; Carlos Drummond de Andrade</strong></p>
<p><em>Para você ganhar belíssimo Ano Novo<br />
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,<br />
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido<br />
(mal vivido talvez ou sem sentido)<br />
para você ganhar um ano<br />
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,<br />
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;<br />
novo<br />
até no coração das coisas menos percebidas<br />
(a começar pelo seu interior)<br />
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,<br />
mas com ele se come, se passeia,<br />
se ama, se compreende, se trabalha,<br />
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,<br />
não precisa expedir nem receber mensagens<br />
(planta recebe mensagens?<br />
passa telegramas?)</em></p>
<p><em><br />
Não precisa<br />
fazer lista de boas intenções<br />
para arquivá-las na gaveta.<br />
Não precisa chorar arrependido<br />
pelas besteiras consumidas<br />
nem parvamente acreditar<br />
que por decreto de esperança<br />
a partir de janeiro as coisas mudem<br />
e seja tudo claridade, recompensa,<br />
justiça entre os homens e as nações,<br />
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,<br />
direitos respeitados, começando<br />
pelo direito augusto de viver.</em></p>
<p><em><br />
Para ganhar um Ano Novo<br />
que mereça este nome,<br />
você, meu caro, tem de merecê-lo,<br />
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,<br />
mas tente, experimente, consciente.<br />
É dentro de você que o Ano Novo<br />
cochila e espera desde sempre.</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/888/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=888&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Most of the time…</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/12/12/most-of-the-time%e2%80%a6/</link>
		<comments>http://blog.oquederevier.com/2009/12/12/most-of-the-time%e2%80%a6/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 17:39:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Bob Dylan]]></category>
		<category><![CDATA[Most of the Time]]></category>
		<category><![CDATA[Paul Simon]]></category>
		<category><![CDATA[Sounds of Silence]]></category>

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		<description><![CDATA[Bob Dylan é um gênio. Já disse isso aqui, e provavelmente ainda direi outras vezes. Vai fazer 50 anos de carreira e conseguiu se manter em evidência, reinventando-se constantemente, (quase) sempre com grande qualidade e originalidade. Ele é um mestre da música e da letra. Abaixo, um pequeno exemplo do por quê.  Most of the [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=876&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bob Dylan é um gênio. Já disse isso aqui, e provavelmente ainda direi outras vezes. Vai fazer 50 anos de carreira e conseguiu se manter em evidência, reinventando-se constantemente, (quase) sempre com grande qualidade e originalidade.</p>
<p>Ele é um mestre da música e da letra. Abaixo, um pequeno exemplo do por quê.  <em>Most of the time</em> é uma balada que quer dizer uma coisa dizendo constantemente o seu inverso – daí a genialidade dele.</p>
<p>A maior parte do tempo é tudo isso que a letra diz – o problema é o que existe quando não se está no “most of the time”: momentos que, embora possam ser curtos, perdemos nossas referências, não nos reconhecemos como gostaríamos que fosse, nos sujeitamos a fantasmas do passado, e assim por diante. É o <em>Hello darkness my old friend, I’ve come to talk with you again</em>, de Sounds of Silence (Paul Simon, outro gênio).</p>
<p>A melodia também parece se transformar, apesar de se manter a mesma o tempo todo: no início, uma música comum, até sobria; depois vai soando melancólica, à medida que percebemos aonde ele quer chegar com ela.</p>
<p>Ao final, é inevitável ficar com a sensação de que “most of the time” parece muito bom mas, no fundo, não é suficiente. Por mais que tentemos nos convencer do contrário, como o próprio Dylan tenta. E a diferença do <em>most of the time</em> para o <em>all the time</em> pode ser tão grande como entre falar e quase falar. Há solução?</p>
<p>E, já ia me esquecendo (propositadamente?), o <em>Most of the time</em> dele tem como pano de fundo um alguém que se partiu.</p>
<p>Abaixo da letra, vídeo dele no You Tube.</p>
<p><em>Most Of The Time</em></p>
<p><em><a href="http://www.bobdylan.com/">Bob Dylan</a></em></p>
<p>Most of the time</p>
<p>I&#8217;m clear focused all around,<br />
Most of the time<br />
I can keep both feet on the ground,<br />
I can follow the path, I can read the signs,<br />
Stay right with it, when the road unwinds,<br />
I can handle whatever I stumble upon,<br />
I don&#8217;t even notice she&#8217;s gone,<br />
Most of the time.</p>
<p>Most of the time<br />
It&#8217;s well understood,<br />
Most of the time<br />
I wouldn&#8217;t change it if I could,<br />
I can&#8217;t make it all match up, I can hold my own,<br />
I can deal with the situation right down to the bone,<br />
I can survive, I can endure<br />
And I don&#8217;t even think about her<br />
Most of the time.</p>
<p>Most of the time<br />
My head is on straight,<br />
Most of the time<br />
I&#8217;m strong enough not to hate.<br />
I don&#8217;t build up illusion &#8217;till it makes me sick,<br />
I ain&#8217;t afraid of confusion no matter how thick<br />
I can smile in the face of mankind.<br />
Don&#8217;t even remember what her lips felt like on mine<br />
Most of the time.</p>
<p>Most of the time<br />
She ain&#8217;t even in my mind,<br />
I wouldn&#8217;t know her if I saw her<br />
She&#8217;s that far behind.<br />
Most of the time<br />
I can&#8217;t even be sure<br />
If she was ever with me<br />
If I was ever with her.<br />
Most of the time</p>
<p>I&#8217;m halfway content,<br />
Most of the time<br />
I know exactly where I went,<br />
I don&#8217;t cheat on myself, I don&#8217;t run and hide,<br />
Hide from the feelings, that are buried inside,<br />
I don&#8217;t compromise and I don&#8217;t pretend,<br />
I don&#8217;t even care if I ever see her again<br />
Most of the time.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/12/12/most-of-the-time%e2%80%a6/"><img src="http://img.youtube.com/vi/DnhV-LcVvUc/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=876&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		</media:content>

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	</item>
		<item>
		<title>Toledo, de El Greco, sobre o mítico Tejo, de Caiero</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/05/08/toledo-de-el-greco-sobre-o-mitico-tejo-de-caiero/</link>
		<comments>http://blog.oquederevier.com/2009/05/08/toledo-de-el-greco-sobre-o-mitico-tejo-de-caiero/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 08 May 2009 02:58:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Turismo]]></category>
		<category><![CDATA[Viagens]]></category>
		<category><![CDATA[Alberto Caiero]]></category>
		<category><![CDATA[El Greco]]></category>
		<category><![CDATA[Espanha]]></category>
		<category><![CDATA[Fernando Pessoa]]></category>
		<category><![CDATA[Tejo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://blog.oquederevier.com/?p=573</guid>
		<description><![CDATA[Toledo ou Segóvia? Difícil escolha. Tinha apenas um dia, só uma das duas cidades espanholas poderia ser visitada. Segóvia, do aqueduto romano, da catedral gótica e do Alcazár que mais parece um castelo de conto de fadas. Toledo, cidade medieval no topo de uma colina, rodeada pelo principal rio da Península Ibérica. A possibilidade de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=573&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Toledo ou Segóvia? Difícil escolha. Tinha apenas um dia, só uma das duas cidades espanholas poderia ser visitada. Segóvia, do aqueduto romano, da catedral gótica e do Alcazár que mais parece um castelo de conto de fadas. Toledo, cidade medieval no topo de uma colina, rodeada pelo principal rio da Península Ibérica.</p>
<p>A possibilidade de conhecer o mítico Tejo (ou Tajo, como é conhecido na Espanha) falou mais alto. Fui para Toledo.  </p>
<p>A vontade de ver o Tejo nasceu do poema de Fernando Pessoa, em que o Tejo não é exatamente o protagonista. Esse belíssimo poema, talvez meu favorito por representar tanta coisa de uma forma absolutamente simples e definitiva, escrito sob o heterônimo Alberto Caiero, que Pessoa chamou de seu mestre, me acompanha há muito tempo: sua primeira estrofe foi o tema do vestibular da Fuvest, vinte e tantos anos atrás. Lembro-me como se fosse hoje, como todos os momentos importantes em nossas vidas.</p>
<p>Depois de meia hora no trem de alta velocidade, tomado na estação Atocha (que sofreu os atentados terroristas em 2004), estava eu ali, cruzando a ponte sobre o Tejo de meu imaginário.</p>
<p>Toledo, essa pequena cidade de ruelas entrelaçadas, em que se sobressaltam o Alcazár e a imponente e impressionante catedral. Toledo, em que as culturas espanhola, árabe e judia se interpuseram dando um resultado único. Toledo, emoldurada pelo Tejo que corre manso ao pé da montanha.</p>
<p>Parêntesis: descobri que Alberto Caiero, o primeiro heterônimo de Fernando Pessoa, surgiu em 8 de março de 1914, quando o poeta português, em uma espécie de êxtase, escreveu diversos poemas do “seu mestre”. Curioso descobrir que a parição do primeiro heterônimo surgiu no dia do meu aniversário.</p>
<p>Abaixo, o belo Tejo e algumas fotos de Toledo. A seguir, o poema de Caiero. Em Toledo, não deixe de visitar a Categral, a Igreja de San Tomé, com a obra-prima de El Greco, o Museo de Santa Cruz, a Igreja de los Jesuitas, o Monasterio de San Juan de los Reyes e a Igreja visigoda de San Román. E ande pela cidade, meio sem rumo, para descobrir seus segredos.</p>
<div id="attachment_574" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-574" title="IMG_2415_3648x2736" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/05/img_2415_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Eis o Tejo" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Eis o Tejo</p></div>
<div id="attachment_575" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-575" title="IMG_2332_3648x2736" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/05/img_2332_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Uma ruela de Toledo" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Uma ruela de Toledo</p></div>
<div id="attachment_576" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-576" title="IMG_2404_3648x2736" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/05/img_2404_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Igreja de los Jesuitas, que tem a melhor vista de Toledo" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Igreja de los Jesuitas, que tem a melhor vista de Toledo</p></div>
<div id="attachment_578" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-578" title="IMG_2351_3648x2736" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/05/img_2351_3648x2736.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Monasterio de los Reyes" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Monasterio de los Reyes</p></div>
<div id="attachment_580" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-580" title="IMG_2375_3648x2736" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/05/img_2375_3648x27361.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Um muro árabe se descortina" width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Um muro árabe se descortina</p></div>
<p>XX &#8211; de O Guardador de Rebanhos</p>
<table border="0" cellpadding="0">
<tbody>
<tr>
<td>
<p align="left"><em><strong>    O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,</strong><br />
<strong>    Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia</strong><br />
<strong>    Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.</strong></em></p>
<p align="left"><em><strong>    O Tejo tem grandes navios</strong><br />
<strong>    E navega nele ainda,</strong><br />
<strong>    Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,</strong><br />
<strong>    A memória das naus.</strong></em></p>
<p align="left"><em><strong>    O Tejo desce de Espanha</strong><br />
<strong>    E o Tejo entra no mar em Portugal.  </strong><br />
<strong>    Toda a gente sabe isso.</strong><br />
<strong>    Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia</strong><br />
<strong>    E para onde ele vai</strong><br />
<strong>    E donde ele vem.</strong><br />
<strong>    E por isso porque pertence a menos gente, </strong><br />
<strong>    É mais livre e maior o rio da minha aldeia.  </strong></em></p>
<p align="left"><em><strong>    Pelo Tejo vai-se para o Mundo.</strong><br />
<strong>    Para além do Tejo há a América</strong><br />
<strong>    E a fortuna daqueles que a encontram.  </strong><br />
<strong>    Ninguém nunca pensou no que há para além</strong><br />
<strong>    Do rio da minha aldeia.</strong></em></p>
<p align="left"><em><strong>    O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.  </strong><br />
<strong>    Quem está ao pé dele está só ao pé dele.</strong></em></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>Alberto Caiero</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/573/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/573/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/573/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=573&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Pausas de outono</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/04/09/pausas-de-outono/</link>
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		<pubDate>Thu, 09 Apr 2009 03:07:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Drummond]]></category>
		<category><![CDATA[outono]]></category>

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		<description><![CDATA[A vida necessita de pausas, escreveu Drummond. Às vezes, as pausas e descontinuidades vêm de fora: uma mudança de cidade, de trabalho, um problema de saúde, a perda de alguém, o fim de um relacionamento. Outras vezes, é um processo interno, que irrompe quando não cabe mais na gente. É incrível como a natureza também [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=506&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A vida necessita de pausas, escreveu Drummond. Às vezes, as pausas e descontinuidades vêm de fora: uma mudança de cidade, de trabalho, um problema de saúde, a perda de alguém, o fim de um relacionamento. Outras vezes, é um processo interno, que irrompe quando não cabe mais na gente.</p>
<p>É incrível como a natureza também tem suas pausas. Nas latitudes mais altas, o outono marca o início da pausa biológica, que se instala definitivamente no inverno. Os dias ficam curtos, muitas plantas dormem, perdendo as folhas, em um colorido amarelo-laranja-vermelho,  alguns animais chegam a hibernar. Nessas regiões, o inverno não é um período propício à vida.</p>
<p>Na primavera, porém, tudo começa a se revigorar. Uma vez, em uma fria madrugada de novembro em Wisconsin, nos Estados Unidos, um americano chegou a se emocionar ao falar do verão: &#8220;Everything burst in life!&#8221;, disse ele, como que afastando mentalmente o frio e o cinza opressivos da época. Tudo explode mesmo em vida, e a escassez dessa condição ao longo do ano faz com que as pessoas aprendam a valorizar esse momento especial. A manutenção da vida, a começar pela curta janela disponível para a produção de alimentos, depende da primavera e do verão. É provável que essa condição influencie a capacidade de organização, a previdência. É a estória da cigarra e da formiga. O outono e o inverno são os interstícios necessários para que a compensação venha a seguir, em grandes doses. É a pausa necessária, imposta pela natureza. O preparo da renovação. É preciso respeitar e tolerar essa imposição, lidar com ela. Em se plantando, nem tudo dá. Pelo menos, não em qualquer época.</p>
<p>Aqui, praticamente não temos isso. Claro, as temperaturas caem, chove mais ou menos, os dias ficam mais curtos. Mas, comparativamente, a condição tropical nos mantém ativos o ano todo, sem os vales de introspecção do outono e do inverno, e sem os picos de exuberância da primavera e do curto verão. É praticamente um contínuo. A natureza não nos dá as pausas que Drummond pedia. Nossa natureza não desacelera, não nos sinaliza a necessidade de desaceleração. Temos que criar nossas próprias pausas, nossas próprias entressafras.</p>
<p>Os sinais do outono são bem menos pronunciados do que nas latitudes mais altas. Mas é possível improvisar; quem sabe achar nos detalhes as evidências da necessária desaceleração biológica? Nas fotos abaixo, as folhas de plátano, espécie exótica,  sempre nos lembram nessa época do ano que temos sim nossas pausas outonais,  embora sem a contundência dos climas mais frios. Folhas de plátano, essa bela espécie exótica, em três condições distintas de luz. </p>
<div id="attachment_507" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-507" title="img_1691" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/img_1691.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Nas primeiras luzes da manhã, tirada com ISO 80 e white balance para luz fluorescente, gerando um efeito legal." width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">No meio da manhã, tirada com ISO 80 e e toda a claridade e definição possíveis.</p></div>
<div id="attachment_508" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-508" title="img_1422boa" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/img_1422boa.jpg?w=500&#038;h=375" alt="A última luz da tarde, intensificando o dourado das folhas prestes a cair. Foto com ISO 800, mas ainda assim sub-exposta propositalmente, escurecendo as folhas do fundo e realçando ainda mais as da frente." width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">A última luz da tarde, intensificando o dourado das folhas prestes a cair. Foto com ISO 800, mas ainda assim sub-exposta propositalmente, escurecendo as folhas do fundo e realçando ainda mais as da frente.</p></div>
<div id="attachment_509" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-509" title="img_0036top" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/img_0036top.jpg?w=500&#038;h=375" alt="Contra a lua cheia..." width="500" height="375" /><p class="wp-caption-text">Contra a lua cheia...</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/506/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/506/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/506/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=506&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>De Saramago</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/03/05/de-saramago/</link>
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		<pubDate>Thu, 05 Mar 2009 00:53:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Saramago]]></category>

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		<description><![CDATA[Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara. Para Ensaio sobre a Cegueira.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=425&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Se podes olhar, vê.<br />
Se podes ver, repara.</em></p>
<p>Para Ensaio sobre a Cegueira.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/425/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/425/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/425/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=425&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Torneira seca</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/02/04/torneira-seca/</link>
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		<pubDate>Wed, 04 Feb 2009 13:08:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[José Paulo Paes]]></category>

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		<description><![CDATA[Um post rápido, poesia de José Paulo Paes: a torneira seca (mas pior: a falta de sede) a luz apagada (mas pior: o gosto do escuro) a porta fechada (mas pior: a chave por dentro) José Paulo Paes (1926-1988 ) foi poeta, tradutor, crítico e ensaísta.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=335&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um post rápido, poesia de José Paulo Paes:</p>
<p>a torneira seca<br />
(mas pior: a falta de sede)<br />
a luz apagada<br />
(mas pior: o gosto do escuro)<br />
a porta fechada (mas pior: a chave por dentro)</p>
<p><strong>José Paulo Paes </strong>(1926-1988 ) foi poeta, tradutor, crítico e ensaísta.<strong> </strong></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-336" title="ze" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/02/ze.jpg?w=151&#038;h=205" alt="ze" width="151" height="205" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/335/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/335/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/335/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=335&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Melancolia &#8211; Flávio Carvalho Ferraz</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/01/11/melancolia-flavio-carvalho-ferraz/</link>
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		<pubDate>Sun, 11 Jan 2009 10:40:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Eu luto contra o luto but the mourning wakes up early in the morning.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=171&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
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contra o luto</p>
<p><em>but the mourning<br />
wakes up early<br />
in the morning.</em></p>
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