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	<title>O que der e vier &#187; Psicologia</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; Psicologia</title>
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		<title>Dica de filme: &#8220;O Clube do Imperador&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 21:02:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Outro dia assisti meio por acaso ao filme “O clube do imperador”(Emperor&#8217;s Club), de 2002 e que por aqui só saiu em vídeo. Uma pena. O filme é dirigido por Michael Hoffman e tem a participação brilhante de Kevin Kline e Emile Hirsch. William Hundert (Kline) é um professor de cultura ocidental  em uma tradicional [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1045&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia assisti meio por acaso ao filme “O clube do imperador”(<a href="http://www.imdb.com/title/tt0283530/">Emperor&#8217;s Club</a>), de 2002 e que por aqui só saiu em vídeo. Uma pena. O filme é dirigido por Michael Hoffman e tem a participação brilhante de Kevin Kline e Emile Hirsch.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-54-171.png"><img class="alignnone size-full wp-image-1048" title="Captura de tela 2010-11-02 às 16.54.17" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-54-171.png?w=500" alt=""   /></a></p>
<p>William Hundert (Kline) é um professor de cultura ocidental  em uma tradicional escola de elite para garotos, idealista e quem tem a preocupação real de contribuir para a formação de seus alunos. Ética, moral e caráter são conceitos passados utilizando o exemplo de filósofos gregos e romanos. De nada adianta realizar se estas realizações não estiverem ancoradas solidamente nestes valores. “O caráter de um homem é o seu destino”, diz.</p>
<p>Com a chegada de um novo aluno, Sedgewick Bell (Emile Hirsch), o professor é desafiado como nunca fora antes. Hirsch é indisciplinado, mal educado, questionador e imoral.</p>
<p>Hundert encara o desafio de “corrigir” o garoto, colocando-o no caminho que considera correto. Seu trabalho aparentemente é recompensado: Bell passou a estudar e colocou como meta se classificar entre os três finalistas do concurso Julio Cesar. Ele quase consegue – fica com a quarta vaga – mas Hundert altera uma das notas para que seu pupilo regenerado atingisse a meta.</p>
<p>No concurso, Hundert descobre que Bell trapaceou para vencer, e pergunta a ele o porque, já que sabia a matéria. “Porque não?”, retrucou, mostrando que seria bem mais difícil mudar o comportamento aprendido com seu pai, um senador da república, do que o professor supunha.</p>
<p>Falando assim, o filme parece um pouco Sociedade dos Poetas Mortos: um professor apaixonado empenhando-se para ensinar alunos e, com isso, produzir grandes homens. Mas seria injusto ficar nessa comparação. Apesar de fama bem menor, Emperor’s Club é superior ao apresentar uma dubiedade importante.</p>
<p>De um lado, o filme nos faz acreditar na humanidade, no idealismo, na gratidão, no caráter. O exemplo mais contundente, além do próprio professor, que carregou a culpa de seu erro pelo resto da vida ao favorecer um aluno desonesto, reside no próprio aluno que fora prejudicado. Anos depois ao saber da injustiça, soube relevar o fato, mostrando grandeza (a cena final é especialmente tocante), apesar de ter sido algo muito duro na época: seu avô e seu pai haviam ganho o prestigioso prêmio, e a não classificação representou um enorme fracasso para o jovem gordinho e de óculos, cujas esperanças de ser alguém de destaque precisavam naquela conquista.</p>
<p>A escolha equivocada do professor nos faz lembrar que somos responsáveis por muitos outros destinos que não o nosso, queiramos ou não. Pequenos atos equivocados, até com a melhor das intenções (Hundert achava que “perderia” novamente Bell caso este não se classificasse por tão pouco), podem resultar em caminhos muitos distintos para os envolvidos, quando projetados no longo prazo.</p>
<p>Mas além da crença no perdão e na grandeza, o filme também passa a mensagem de que caráter não tem relação com sucesso. Mais ainda: a conduta errada pode ser recompensada, ao menos materialmente, como pode ser percebido pelo status financeiro de Bell muitos anos depois de sair da escola.  Há um ceticismo implícito no sucesso de Bell (e de seu pai): a sociedade não recompensa pelos meios, mas sim pelos fins; o que conta é o resultado, não o processo. Lembrei aqui de um post antigo que escrevi sobre liderança (<a href="http://blog.oquederevier.com/2008/12/07/lideranca-uma-outra-abordagem/">O lado menos nobre da liderança</a>), em que menciono um trecho que gosto muito em um dos livros do Paul Auster, falando justamente sobre malandros e o sucesso.</p>
<p>Esse comportamento do fim justificar os meios está permeado em nossa sociedade, queiramos ou não. Quer um exemplo? O coroado time de vôlei masculino do Brasil, dirigido pelo incontestável Bernardinho, que perdeu um jogo para cair em uma chave mais fácil no mundial. Podemos ficar chocados e condenar o ato, mas cuidado com a hipocrisia: eles serão, no final, cobrados pelo resultado, e se comportam alinhados a essa cobrança. Essa postura é irmã siamesa do “rouba mas faz”,  etc.</p>
<p>É interessante que o professor tenta, infrutiferamente, mudar o comportamento do aluno e, depois do homem que se formou a partir daquelas bases. Mas não estão na mesma sintonia – Bell não vai pensar como Hundert e, portanto, é imune aos argumentos buscados nos valores morais. Não se muda o caráter de alguém, afinal, propõe o filme. O único momento em que Bell titubeia em sua conduta inescrupulosa ocorre quando o filho pequeno escuta sem querer o pai falando de suas trapaças. Ele se envergonha, mostrando que, no final, sabe que está errado, sabe que há um comportamento aceitável e outro inaceitável, há uma ética presente em todos os humanos, independentemente da origem e criação.</p>
<p>O Clube do Imperador é um filme que merece ser visto. Além de ótima produção, bate fundo na tecla dos valores pessoais e da sociedade, tema muito oportuno ao momento atual da política, da economia e do meio ambiente mundial.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-56-00.png"><img class="alignnone size-full wp-image-1049" title="Captura de tela 2010-11-02 às 16.56.00" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-56-00.png?w=500" alt=""   /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1045&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Certezas e incertezas, presente e futuro</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Apr 2010 01:27:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dando continuidade ao post anterior, eis a minha história, apresentada como trabalho de conclusão do workshop de fotografia que fiz na Califórnia. O trabalho era apresentar uma história a partir de 5 a 7 fotos tiradas durante o workshop. Tema livre, fotos livres. Um desafio, portanto. Procurei trabalhar com quatro conceitos: presente e futuro, certezas e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=991&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dando continuidade ao <a href="http://blog.oquederevier.com/2010/04/28/every-picture-tells-a-story/">post anterior</a>, eis a minha história, apresentada como trabalho de conclusão do workshop de fotografia que fiz na Califórnia. O trabalho era apresentar uma história a partir de 5 a 7 fotos tiradas durante o workshop. Tema livre, fotos livres. Um desafio, portanto.</p>
<p>Procurei trabalhar com quatro conceitos: presente e futuro, certezas e incertezas. Na verdade, sobre as mudanças pelas quais todos nós passamos, e que nos afetam, demandando um novo equilíbrio, que nem sempre vem imediatamente. Nas fotos, o primeiro plano representa o presente, o horizonte ou segundo plano representa o futuro. O foco representa as certezas, o fora de foco representa as incertezas.</p>
<p>Há momentos em que temos certeza de tudo. Tudo é claro, brilhante, quase perfeito. Não há dúvidas, não há preocupação com o futuro. O presente ocupa todos os espaços e parece eterno. Podemos tudo, somos imortais, o instante parece eterno. Sim, há momentos ou fases como essa, e a foto que usei para expressar isso foi essa:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4806.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-992" title="IMG_4806" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4806.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>Mas as coisas não são assim. O mundo se movimenta, os fatos se apressam, tudo, no final, tende à desordem. O nível de entropia sempre cresce, define a física. E contra a física, não adianta teimar. Por vezes, navegamos em águas turbulentas, que nos levarão a lugares inesperados e a princípio indesejáveis. A mudança é inerente à vida, mas como a tememos…A foto que usei para expressar a mudança foi essa:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/marcelocarvalho2.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-993" title="MarceloCarvalho2" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/marcelocarvalho2.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>E então começamos a nos confundir, a perder as referências. O futuro já é não tão claro como antes. O que vem por aí? As certezas do início, de repente, se perdem e o futuro assusta. Perde-se a harmonia e tudo parece vir em alta velocidade, um redemoinho inesperado e sem saída:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4872.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-994" title="IMG_4872" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4872.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>A mudança, enfim, nos atordoa. Nem presente nem futuro ficam claros, as referências são perdidas de vez e nos vemos à deriva, longe de encontrar um porto seguro. O que deu errado? Como perdemos o chão, se estávamos tão ancorados? Tudo era perfeito – ou, aos olhos de agora, pareciam… Nesse momento, tudo se mistura de forma caótica, e o que vemos é apenas uma imagem do que deve ser a realidade:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4926.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-995" title="IMG_4926" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4926.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>Ainda, o temor persiste, algo tenebroso, escuro. Mas a harmonia começa a voltar, começamos a vislumbrar onde estamos, é o início da transição: (observação: o Frans Lanting achou que essa imagem poderia ser suprimida, apesar de belíssima; mas como eu era o dono da história e queria incluir de qualquer jeito, ele deixou…rs).</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_5812-1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-996" title="IMG_5812-1" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_5812-1.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>De repente, aos poucos, tudo começa a se encaixar. Um novo equilíbrio se estabelece. O presente volta a ser belo e harmônico. E o futuro, embora distante e, então aprendemos, incerto, será uma sequência natural do presente:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4789.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-997" title="IMG_4789" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/img_4789.jpg?w=500" alt=""   /></a></p>
<p>Enfim, é preciso entender que tudo flui, tanto os melhores como os piores momentos. E que o segredo é não complicar aquilo que, no fundo, pode ser simples:</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/marcelocarvalho7.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-998" title="MarceloCarvalho7" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/04/marcelocarvalho7.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>Foi mais ou menos isso que apresentei, levando em conta as dificuldades de apresentar isso em inglês. Tenho a impressão que foi a que mais repercutiu, assim, nas pessoas. Afinal, todo mundo já passou por processos difíceis, seja no aspecto pessoal, profissional, ou na família. Todo mundo perdeu o chão, para depois recuperar lá na frente, de uma forma diferente e, não raro, melhor do que antes.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/991/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=991&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sobre fins e recomeços</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Mar 2010 23:47:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No final de semana passado, fui para Tiradentes, em Minas Gerais, descansar e fotografar. Acho que não conhecia Tiradentes – talvez já tenha ido em uma excursão do colegial, mas se fui, estava certamente interessado à época em outras coisas – e minha vontade de conhecê-la cresceu depois que li um dos livros do Eduardo [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=976&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>No final de semana passado, fui para Tiradentes, em Minas Gerais, descansar e fotografar. Acho que não conhecia Tiradentes – talvez já tenha ido em uma excursão do colegial, mas se fui, estava certamente interessado à época em outras coisas – e minha vontade de conhecê-la cresceu depois que li um dos livros do <a href="http://www.palestrantes.org/palestrante.asp?ID=22">Eduardo Giannetti</a>, todos escritos em longos retiros feitos na vila colonial, hospedando-se no antigo <a href="http://www.solardaponte.com.br/">Solar da Ponte</a>.</p>
<div id="attachment_974" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4373.jpg"><img class="size-full wp-image-974" title="IMG_4373" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4373.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></a><p class="wp-caption-text">Solar da Ponte</p></div>
<p>Um conjunto de circustâncias me fez ir para lá e, claro, fiquei hospedado no mesmo Solar da Ponte, uma casarão histórico localizado perto do centrinho e que prima pela exclusividade e pelo bom gosto. Cada quarto (a pousada possui 18) é decorado de um jeito diferente e pude entender perfeitamente porque o Giannetti hiberna nesse lugar para escrever seus ensaios. Talvez em me sinta também inspirado por lugares como esse, guardadas as devidas proporções.</p>
<p>Como você pode ter percebido, não tenho escrito muito, nem fotografado. Essas coisas – a inspiração, a vontade de escrever ou fotografar, a auto-avaliação favorável do trabalho, a ponto de se permitir expor – vêm em ondas, e em parte fui para Tiradentes em busca de uma nova onda.</p>
<div id="attachment_975" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4467.jpg"><img class="size-full wp-image-975" title="IMG_4467" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4467.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></a><p class="wp-caption-text">Tiradentes de noite, com chuva, vazia</p></div>
<p>Tiradentes é uma espécie de Paraty das montanhas, porém menos badalada. Mas não é sobre Tiradentes que quero escrever – há montes de textos na internet, e minhas fotos aqui, no <a href="http://facebook.com/marcelo.decarvalho">Facebook</a> e no <a href="www.flickr.com/marpcar">Flickr</a> falarão melhor do que minhas palavras.</p>
<p>Quero escrever sobre uma mesa. Uma mesa grande, rústica, de peroba maciça com pés de braúna carregados de história. E que agora me acompanhará, seja onde for.</p>
<p>No domingo, andando meio que sem rumo definido pela cidade, fui atraído por um atelier (o único que entrei, tanto lá quanto na vila vizinha de Bichinho) faceado por um belo gramado com árvores, na lateral mais escondida do Solar. Vendo minha indecisão (entro ou não entro? Afinal, definitivamente não vou comprar nada. Não, o momento não é de comprar nada. Ando gastando muito já, estamos investindo na empresa, os desafios deste 2010 são grandes e, ainda por cima, nem sei ainda onde vou morar, já que supostamente estou de mudança de cidade), a proprietária me convidou dizendo que não custava nada entrar.</p>
<div id="attachment_977" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4374.jpg"><img class="size-full wp-image-977" title="IMG_4374" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4374.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></a><p class="wp-caption-text">A casa/atelier à direita, atrás das árvores</p></div>
<p>Entrei. Tocava MPB, e o atelier, que na verdade era a casa da artista, abria para um jardim muito integrado com a casa antiga, com piso de madeira e diversos móveis o objetos: tudo à venda. Ela me explicou: estavam de mudança para Portugal, decidiram partir e vendiam tudo – móveis, objetos de arte, utensílios, muita coisa antiga, garimpada nos lugares  mais improváveis: uma luminária italiana adquirida em uma estação ferroviária a ser demolida, por exemplo, e daí por diante.</p>
<p>Em um dos cômodos, a mesa. Olhei para ela, fizemos um comentário qualquer, e continuei andando, percorrendo a casa e me perguntando porquê partiriam, porquê sairiam daquele lugar que parecia perfeito, para que ir a Portugal começar tudo de novo? A necessidade de recomeçar não respeita esse tipo de coisa, pensei.</p>
<div id="attachment_979" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4496.jpg"><img class="size-full wp-image-979" title="IMG_4496" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4496.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></a><p class="wp-caption-text">Capela, de noite</p></div>
<p>Depois de percorrer toda a casa, perguntei o preço da mesa. Não sei porque perguntei – afinal não havia a menor chance de comprá-la, pelos motivos já expostos. Pelo que era, não parecia caro, ainda mais depois de saber que os pés de braúna vieram de uma ponte construída por Juscelino Kubitschek em sua cidade natal – Diamantina &#8211; quando este fora governador de Minas Gerais (início da década de 50), e que ela havia comprado quando a ponte foi demolida.</p>
<p>Saí, nem telefone peguei. Afinal, se não iria comprar a mesa, para que perder tempo ou gerar expectativas nela e em mim? Fui embora, voltei para BH, onde tinha um congresso.</p>
<p>Foi quando as coisas começaram a mudar. Comentei com alguém sobre a mesa de Tiradentes e fui recebido com um “você tem que comprar essa mesa!”. E o pior é que eu sabia que tinha. Na verdade, já tinha comprado no mesmo momento em que a vi. O resto todo foi só o processo de adaptação ao fato, talvez a tentativa de resistir a algo que, a princípio, não teria qualquer sentido de ser.</p>
<p>Liguei para o Solar e pedi para irem até lá pegar o telefone. A proprietária sabia de quem se tratava assim que o pessoal foi lá – talvez ela também já soubesse (Fechei o negócio nesse domingo à noite. Ela me disse que já vendera 60% e que provavelmente iria adiantar a partida. Havia reservado a mesa para mim até essa segunda. Fiz uma boa compra, ela disse. Por estar enganado, mas acho que ela gostou de &#8220;eu&#8221; ter comprado a mesa. Conforta dar um bom destino mesmo para o que não nos serve mais.).</p>
<p>Não sei exatamente porque comprei a tal mesa. Racionalmente, me convenci de que se tratava de um bom investimento. Uma mesa dessas em São Paulo custa bem mais caro – a artista mesmo me disse isso. Pronto, estava justificado o investimento. Mas obviamente não foi isso que me motivou, afinal há inúmeros investimentos bem mais simples de se fazer do que comprar uma mesa de 2,38m sem ao certo saber para onde levá-la.</p>
<div id="attachment_980" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4398.jpg"><img class="size-full wp-image-980" title="IMG_4398" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/img_4398.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></a><p class="wp-caption-text">Tiradentes</p></div>
<p>Estranhas essas coisas, essas vidas que se cruzam ou se tocam sem razão aparente, e deixam alguma coisa uma para a outra. A artista, por razões que não sei e nunca vou saber, decidiu recomeçar em outro lugar, despindo-se dos pertences que não mais lhe são úteis, ou que lhe trazem lembranças que convém ser esquecidas, vai saber. Entre esses despojos, uma mesa que, por alguma razão que igualmente desconheço, elegi meio que ao acaso como símbolo de um recomeço qualquer, vai saber. Os restos que representam um fim para uns é a matéria-prima da reconstrução para outros. O que descobriu mesmo Lavoisier?</p>
<p>Olhando para frente, vejo mais dúvidas do que certezas. Ainda não sei onde vou morar, mas sei que onde for haverá comigo uma mesa centenária, uma peça única, uma obra de arte, carregando as marcas do tempo, ancorada em pés fortes de braúna que lhe darão a sustentação necessária, tal qual suas raízes um dia lhe deram.</p>
<div id="attachment_978" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/portugal-025.jpg"><img class="size-full wp-image-978" title="portugal 025" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/03/portugal-025.jpg?w=500&#038;h=752" alt="" width="500" height="752" /></a><p class="wp-caption-text">A mesa</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/976/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=976&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um mundo de conexões…será mesmo?</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 15:08:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A revista The Economist publicou, ao final de janeiro, um especial a respeito da transformação que as redes sociais vêm exercendo na vida das pessoas e nos negócios. “A World of Connections”, era o título do especial, muito bem escrito, como sempre se espera da Economist. De fato, as conexões digitais marcam de forma cada [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=972&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A revista The Economist publicou, ao final de janeiro, um especial a respeito da transformação que as redes sociais vêm exercendo na vida das pessoas e nos negócios. “<a href="http://www.economist.com/specialreports/displaystory.cfm?story_id=9032088">A World of Connections</a>”, era o título do especial, muito bem escrito, como sempre se espera da Economist.</p>
<p>De fato, as conexões digitais marcam de forma cada vez mais intensa nosso modo de viver e de fazer negócios. Facebook, Twitter, Orkut, LinkedIn, Flickr…até o hoje já velho email! São as ferramentas que moldam nossas relações, nossas conexões. São elas que nos permitem nos conectarmos a pessoas próximas e a pessoas não tão próximas assim, muitas das quais não vemos há tantos anos que teríamos dificuldade de reconhecê-las na rua.</p>
<p>Somos parte, portanto, de uma grande engrenagem de conexões que nos coloca em contato com o mundo, criando uma sensação de proximidade e de pertencimento 24 horas por dia, 7 dias por semana.</p>
<p>Mas há preços a se pagar. Estar <em>full time</em> conectado a centenas de pessoas gera uma demanda de compromissos sociais (virtuais) que, obviamente, não têm condições de ser cumprida se não à custa da qualidade da interação.  Sempre tem alguém fazendo aniversário, escrevendo um post, publicando uma foto, etc., e faz parte do jogo interagir com esse conteúdo produzido pelos amigos. A solução, ainda que insconcientemente, é a brevidade,  a rapidez e, claro, a superficialidade.</p>
<p>Aliado a essa demanda virtual que desemboca em pessoas de carne e osso, cujo dia continua tendo 24 horas, há esse mundo frenético de hoje, em que a multiplicidade de compromissos e tarefas faz com que estejamos sempre correndo atrás, numa ansiedade crescente sem solução aparente, uma vez que a velocidade da informação só se faz aumentar. É um email atrás do outro, uma demanda atrás da outra, de forma tão efêmera que tudo parece igual em importância: são, no final, demandas que precisam ser “ticadas”, sejam elas quais forem, pessoais ou profissionais (e viva os gurus e manuais da gestão do tempo, o melhor negócio do mundo: demanda crescente e sem solução; sempre haverá mercado…).</p>
<p>E o irônico disso tudo é que, salvo poucas exceções, não estamos criando um legado que justifique essa dedicação desmedida ao resultado. Ou estamos? Esse crime parece não compensar…</p>
<p>Temos, enfim, um mundo que, de um lado, nos leva ao distanciamento entre as pessoas, ao cada um por si (cuide do seu que eu cuido do meu e assim a coisa supostamente anda) e, de outro, uma ferramenta que permite aparentemente compensar esse distanciamento crescente imposto aos poucos, por nós mesmos, sem percebermos. O casamento da fome com a vontade de comer!</p>
<p>Jeffrey Cole, um dos maiores especialistas da internet, disse que  algo que ninguém previu foi a explosão das redes sociais, essa necessidade global de se comunicar com seus pares e de gerar “conteúdo”. Pois me parece claro que o sucesso das redes sociais está muito ligado ao individualismo das últimas décadas: é, na verdade, a resposta possível da espécie a ele. Somos, biologicamente, uma espécie gregária, que assim sobreviveu e evoluiu. Temos necessidade do contato. As redes sociais são a versão moderna do bando, do coletivo, necessário à sobrevivência.</p>
<p>Mas não há almoço grátis: a quantidade desse contato superficial não substitui  a qualidade do contato à moda antiga, certamente presente em menor número, mas em intensidade muito maior. Edu Lobo, no filme sobre a vida do Vinicius (coincidentemente, menciono novamente o filme, mas é realmente emblemático para alguns dos argumentos aqui colocados), disse que Vinicius era do tipo que “ligava para saber como as pessoas estavam”. Você imaginou hoje alguém ligando para o outro para saber como a pessoa está, sem algum motivo especial? Qual foi a última vez que alguém lhe ligou para perguntar como você estava, assim, do nada? E qual foi a última vez que você ligou para alguém com esse propósito? No mundo de hoje, esse comportamento é altamente improvável, exceto talvez para alguém que tenha muito tempo livre ou que não faça parte desse mundo.  O que temos, na verdade, é o oposto: gasta-se 30 segundos ou menos para dar parabéns por email, por exemplo, ou via Facebook, e estamos resolvidos (isso quando lembramos do aniversário); cumprimos nossas obrigações para com nossos amigos, ou para com nossa rede de contatos, para usar o termo mais correto hoje (não que eu seja diferente, que fique claro…).</p>
<p>A profusão de contatos superficiais e efêmeros na verdade disfarça, sem pesar a consciência de ninguém, o enorme fosso que vai se formando na vida afetiva das pessoas: o acúmulo de não-contato  E, quanto maior esse fosso, mais as pessoas tentam compensar mergulhando nas redes coletivas, tarefa em muito facilitada pelos celulares, que nos colocam em “contato” com o mundo o tempo todo. São, enfim, milhões e milhões de pessoas solitárias mas solidárias nessa solidão, tentando criar sentido ao enviar mensagens de 140 caracteres e textos curtos recheados de pontos de exclamação e ícones de sorrisos, etc., substitutos meio tortos da interação cara a cara, olho no olho. Ou, vá lá, via telefone, uma forma de contato que hoje em alguns casos já passa a ser luxo.</p>
<p>Claro que tem o lado positivo disso tudo. As redes sociais e a comunicação digital como um todo permitem que se acompanhe a vida de muitas pessoas próximas, de uma forma que seria impossível por outras vias. Ainda que de forma superficial, você pode dar um “oi” para quem não é tão próximo. É possível conhecer pessoas legais, que passam a fazer parte de sua rede de amigos. E, claro, tem gente (muita) que acaba casando com alguém que conheceu online. Porém, a crítica que faço é que essa vantagem está, conscientemente ou não, sendo ampliada para muito além de seu uso saudável. Está se constituindo no substituto das interações que moldaram as relações humanas. E isso não me parece bom.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=972&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sobre ter altas expectativas a respeito das coisas</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 22:50:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar. Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=957&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar.</p>
<p>Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há trabalhos mostrando) que quanto maior a expectativa, melhor tende a ser o resultado final. O fato é que o mundo não te dá mais do que você pede a ele, pelo menos na maior parte das situações. Assim, quem espera muito da vida (não no sentido passivo da espera), tende a ir mais longe. “Nothing ventured, nothing gained”. And that’s it. Ao menos potencialmente.</p>
<p>Um estudo feito pelos psicólogos americanos Sydney Siegel e Lawrence Fouraker demonstrou que a expectativa elevada (ou, nesse caso, a meta) influencia o resultado. Eles dividiram voluntários em dois grupos. Em ambos foi passado que teriam de vender um certo produto e caso atingissem a meta pré-estabelecida, eles poderiam ficar com o lucro obtido e passariam a uma segunda rodada. A diferença foi que, para o primeiro grupo, foi passada uma meta de <strong>2,10 dólares</strong> enquanto que, para o segundo grupo, a meta estabelecida mais ambiciosa, <strong>6,10 dólares</strong>. Muitos vendedores dos dois grupos atingiram a meta, mas no segundo grupo o lucro médio foi de <strong>6,25 dólares</strong> enquanto que no primeiro grupo, de meta mais modesta, o lucro médio foi de apenas <strong>3,35 dólares</strong>. Nesse caso, a expectativa foi gerada externamente, mas pouco importa: resultou em desempenho superior.</p>
<p>Empresas mais ambiciosas, pessoas mais ambiciosas, tendem a ir mais longe porque se motivam a obter mais do mundo, desde que suas metas sejam realistas. A Teoria das Expectativas de Vroom sugere que a motivação, isto é, o <em>motivo para ação</em>,  depende do produto entre a Valência = vontade que alguém tem de obter algo, o que é dado pela relevância que esse algo tem para ela, e a Expectativa de se atingir esse algo. Expectativa, nesse caso, significa o quanto a pessoa acredita que de fato possa atingir esse objetivo.</p>
<p>Assim, se alguém não tem objetivo de alcançar algo (valência zero) o produto será zero e não haverá motivação. Ela não sairá do lugar. Da mesma forma, ainda que a valência seja elevada, se a expectativa de se atingir esse algo for zero, também não haverá estímulo para se mover. Exemplo: você pode querer ser campeão mundial de Fórmula 1, mas se considerar que essa meta não pode ser atingida por não ser realista, então não terá motivação para persegui-la.</p>
<p>Desta forma, pessoas com expectativas mais altas, ou metas mais elevadas, pessoais ou profissionais, se motivarão a conquistar essas metas, desde que tenham real expectativa de consegui-las. Nesse ponto, há pessoas que, pela análise convencional, estão “fora da realidade”, que acreditarão em metas que não são realistas &#8211; talvez uma forma de auto-engano &#8211; mas que terão motivação para alcançá-las. E, às vezes, conseguirão, surpreendendo a todos.</p>
<p>(Não sei porque, mas me lembrei agora daquela cena do filme <a href="http://www.meucinemabrasileiro.com/filmes/dois-filhos-de-francisco/dois-filhos-de-francisco.asp">Dois Filhos de Francisco</a>, em que o Francisco diz que queria tornar famosa a dupla formada pelos filhos [Zezé de Camargo e seu irmão que faleceu logo depois]. Ele comprou centenas de fichas telefônicas e ligou para a rádio seguidas vezes, até que a música deles foi selecionada entre as mais pedidas do dia. O resto é história, depois de muita água passada debaixo da ponte, claro&#8230;)</p>
<p>Até aí, tudo bem. Mas, voltando à pergunta original, e no aspecto pessoal, de satisfação? Será que ter expectativas elevadas, ainda que isso resulte em uma vida mais rica materialmente e mais cheia de “histórias para contar”, tornará alguém mais feliz do que aquele que se contenta com menos, seja no aspecto material, seja no aspecto pessoal?</p>
<p>Acredito que não.  Ou, pelo menos, provavelmente não. Se você esperava emagrecer 2 kg e emagreceu 4, ficará satisfeito. Mas se a expectativa era emagrecer 6&#8230;Com metas mais altas, a frustração está mais próxima e o tombo, maior. O paradoxo é que, provavelmente, aquele que quer emagrecer 6 kg, desde que seja uma meta realista, deve conseguir emagrecer mais do que aquele que tem meta de 4 kg. Assim, a expectativa alta gera resultado melhor, mas a chance de desapontamento é maior. Quanto maior o ganho potencial, maior o risco.</p>
<p>Mas e se expectativa elevada for cumprida? Terá esse indivíduo satisfação muito superior? Ainda assim, creio que aquele que tem expectativas elevadas a respeito da vida ficará em posição desfavorável no quesito satisfação. A expectativa elevada anda de mãos dadas com a necessidade contínua de querer sempre mais e melhor, empurrando a zona de satisfação sempre para frente. Nada é suficiente, nunca é suficiente.</p>
<p>Complementando o raciocínio acima, há ainda uma outra possível associação. Indivíduos com altas expectativas a respeito de tudo desconhecem que a vida não é feita de eras de felicidade, mas sim de momentos de felicidade, como disse Nietzsche. Essas pessoas talvez estejam sempre esperando o momento supremo, a pessoa perfeita, o emprego ideal – afinal esperam sempre o melhor de tudo – e sempre farão o possível para alcançá-los, para logo perceber – mais uma vez &#8211; que poderia ser melhor. Sempre poderia. Como escreveu <a href="http://www.releituras.com/vcarvalho_velhotemaI.asp">meu bisavô</a> em sua poesia mais famosa, “Velho Tema”:</p>
<p><em>Só a leve esperança, em toda a vida,<br />
Disfarça a pena de viver, mais nada;<br />
Nem é mais a existência, resumida,<br />
Que uma grande esperança malograda.</em></p>
<p><em>O eterno sonho da alma desterrada<br />
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,<br />
É uma hora feliz, sempre adiada<br />
E que não chega nunca em toda a vida.</em></p>
<p><em>Essa felicidade que supomos,<br />
Árvore milagrosa que sonhamos<br />
Toda arreada de dourados pomos,</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Existe, sim: mas nós não a alcançamos<br />
Porque está sempre apenas onde a pomos<br />
E nunca a pomos onde nós estamos.</em></p>
<p>Já que falei do filme Dois Filhos de Francisco, vou citar uma das cenas finais, em que Zezé, já rico e famoso, volta para visitar o casebre em que morava com a família, antes de tudo acontecer. Se não me falha a memória, ele diz algo como “foi a época mais feliz da minha vida”&#8230;Pelo filme, percebe-se que ele é alguém com altas expectativas, foi lá e fez, mas pelo jeito não resolveu. Parece, olhando assim, que as expectativas elevadas são uma ilusão auto-imposta não para de fato conquistar grandes coisas, mas para tapar o sol com a peneira, resolver internamente aquilo que não está e não será resolvido. Quando não se consegue lidar com o presente, depositando no futuro e em suas conquistas a suposta satisfação permanente. “The best is always to come&#8230;.”.</p>
<p>Barry Schwartz, no seu ótimo <a href="http://blog.oquederevier.com/tag/barry-schwartz/">Paradoxo da Escolha</a>, mostra que o índice de depressão e suicídio nos indivíduos maximizadores é maior do que nos demais. Indivíduos maximizadores são aqueles que só se contentam com o melhor, isto é, possuem alta expectativa a respeito de tudo. Aqui, há ainda a correlação positiva entre ter altas expectativas e assumir para si a responsabilidade pelo fracasso, o que coloca um peso ainda maior para as frustrações. O maximizador é escravo de suas próprias expectativas.</p>
<p>Triste paradoxo. É provável que grande parte das contribuições feitas à história humana tenha sido feita por indivíduos que tinham altas expectativas. Afinal, não é fácil se destacar, criar algo novo, fazer a diferença. Citando a frase de Bernard Shaw (de novo estou citando Shaw!), “<em>há dois tipos de pessoas, aquelas que se adaptam ao mundo e aquelas que tentam adaptar o mundo a elas. Todo progresso vem necessariamente do segundo tipo”</em>.  Eles foram lá, e fizeram, contra tudo e contra todos.  E mudaram a ordem das coisas.</p>
<p>Mas talvez, dentro de si, aquele incômodo sempre continuou, de um lado, impulsionando-os a fazer mais e mais, de outra impedindo-os de usufruir daquilo que conquistaram. O legado que deixaram ao mundo é maior do que o que construíram para si mesmos.</p>
<p>E, claro, para cada um que fez história, quantos potenciais gênios, empresários, educadores revolucionários, se perderam e não foram nem uma sombra daquilo que poderiam ter sido, justamente pela frustação paralisante que se instalou ao perceberem o quão longe estavam de suas elevadas aspirações?</p>
<p>Nesse sentido, invejo aquele que se contenta com pouco, que se surpreende positivamente com cada mínima conquista, que quase nada espera a ponto de quase tudo servir. Esse, certamente, é mais feliz. Olhando por esse lado, no entanto, a felicidade me parece algo um tanto medíocre, uma monotonia pouco digna para justificar, de fato, o efêmero momento que representa nossa passagem por esse mundo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=957&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>O Equilibrista: metáfora da vida</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jan 2010 20:08:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O Equilibrista (Man on Wire) é o documentário vencedor do Oscar 2009, que mostra a vida de Philippe Petit, o francês que passou a vida andando sobre a corda bamba. Literalmente, não só metaforicamente, como todos nós. Quando jovem, na sala de espera de um dentista, ele viu uma matéria em uma revista sobre o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=926&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Equilibrista (Man on Wire) é o documentário vencedor do Oscar 2009, que mostra a vida de Philippe Petit, o francês que passou a vida andando sobre a corda bamba. Literalmente, não só metaforicamente, como todos nós.</p>
<p>Quando jovem, na sala de espera de um dentista, ele viu uma matéria em uma revista sobre o projeto de construção das torres gêmeas. Instintivamente, fez um traço entre as duas, arrancou a página da revista e…pronto, seu objetivo de vida estava traçado.</p>
<p>Aguardou a construção das torres, causou espanto ao (ilegalmente, sempre) cruzar a Notre Dame pelos ares, depois uma ponte em Sidney, e assim por diante, sempre aguardando aquele que se tornou seu projeto principal: andar sobre um cabo de aço a 450 metros de altura, em plena New York, entre as torres do World Trade Center.</p>
<p>Para realizar seu projeto, como todo gênio &#8211; para o bem ou para o mal – contou com ajudantes que encamparam o projeto de forma até mais intensa do que ele próprio, principalmente sua namorada e seu melhor amigo, que durante meses traçaram a melhor estratégia e organizaram a empreitada em seus mínimos detalhes.</p>
<p>O documentário mostra como esse bando de loucos, inseridos na contra-cultura da década de 70, conseguiu burlar a segurança e instalar um cabo de aço para cruzar os 70 metros entre as finadas torres e realizar o feito que assombrou a todos na época, no dia 7 de agosto de 1974. E até hoje impressiona, basta ver o filme.</p>
<p>A história é carregada de simbolismos profundos. Após a realização da travessia, foi-se a namorada, foi-se o melhor amigo. Era como se um ciclo – para todos – havia se completado. Não sem emoção, ainda que muitos anos depois, como é possível perceber pelos depoimentos. Aquilo que os unia era maior do que ele e do que eles. Após cruzar as torres, Philippe não era mais o mesmo – afinal, ele era um projeto, e o projeto fora concluído. O que viria depois, não se sabe, mas certamente não carregaria mais o vínculo que culminou com aquele objetivo.</p>
<p>A travessia, em si, é emblemática: ao deixar a primeira torre em direção à segunda, Philippe estava cruzando uma nova fronteira de vida, para si e para os seus. Talvez as pessoas se aproximem em função disto – de necessidades mútuas que, uma vez satisfeitas, se extinguem, e com elas o elo que vincula um ao outro.</p>
<p>Há também a questão pessoal que envolve o Equilibrista. Até que ponto vale a pena uma vida ser pautada por um único objetivo, por mais incrível que seja? Está certo, talvez toda vida tenha um propósito de ser heróica, e o heroísmo de Philippe era esse. Mas será que há limites a partir do qual o propósito passa a comandar a vida de uma pessoa, a ponto de torná-la mera passageira ou expectadora do seu destino?</p>
<p>Parece que sim. A certa altura, diante das dificuldades que quase o fizeram desistir, Philippe admite, ainda que não diretamente, o perigo dessa situação: “precisava naufragar na ilha deserta do meu sonho”, disse.  Naufragar na ilha deserta. Sabia que, por maior que fosse a conquista, do outro lado haveria o naufrágio. Haveria o vazio de uma conquista definitiva, precoce, do objetivo de sua vida conquistado. A partir dali, tudo seria passado. Sua vida seria uma retrospectiva; afinal, nada do que faria a seguir equivaleria em grandeza com o que acabara de fazer. E mais: não bastasse ser uma ilha, isolada por definição, ainda por cima, deserta. O destino de um só. Os sonhos são sempre individuais. As conquistas e tragédias, idem.</p>
<p>“Há duas tragédias na vida de um homem. Uma é não conquistar aquilo que deseja. A outra, é conquistar”, escreveu Bernard Shaw. A conquista de Philippe, ao mesmo tempo, era sua perdição, quase seu epílogo. O naufrágio do qual ele temia, mas não poderia evitar. Ou nao seria ele. O fato é que não há escapatória contra aquilo que precisa acontecer.</p>
<p>Talvez o prazer esteja na busca, na possibilidade, na meta a ser alcançada, não na conquista em si, como disse Shaw. A tragédia é que, quanto maior a meta, maior o prazer de buscá-la, maior o (efêmero) prazer de conquistá-la, mas maior o naufrágio, pois maior o vazio posterior.</p>
<p>Como o Equilibrista, andamos na corda bamba, entre aquilo que queremos conquistar e aquilo que de fato conquistamos, sempre correndo o risco de escorregar no meio do caminho. Dessa tensão talvez irreconciliável, extraímos nossos propósitos e, quem sabe, nossa felicidade, ainda que por instantes fugazes.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-24-as-10-20-30.png"><img class="alignnone size-full wp-image-927" title="Captura de tela 2010-01-24 às 10.20.30" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/01/captura-de-tela-2010-01-24-as-10-20-30.png?w=500" alt=""   /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/926/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=926&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Os famosos e o Twitter</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 21:38:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Acredito que uma das razões que explica o sucesso do Twitter é a possibilidade de seguir pessoas famosas que normalmente não estão ao alcance dos cidadãos comuns. De repente, esse cidadão pode acompanhar em tempo real o dia-dia e as opiniões de celebridades normalmente inacessíveis, como políticos, esportistas, artistas, modelos, apresentadores de TV, etc.  O [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=902&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito que uma das razões que explica o sucesso do Twitter é a possibilidade de seguir pessoas famosas que normalmente não estão ao alcance dos cidadãos comuns. De repente, esse cidadão pode acompanhar em tempo real o dia-dia e as opiniões de celebridades normalmente inacessíveis, como políticos, esportistas, artistas, modelos, apresentadores de TV, etc.  O que realmente pensam? O que estão fazendo nesse exato momento em que você, por exemplo, está no trânsito esperando para chegar em casa? Essa sincronicidade de tempo gera proximidade, intimidade, de ambas as partes.</p>
<p>O interessante é analisar por qual razão as celebridades (não todas, claro) aderiram ao Twitter e o usam com intensidade. Há, evidentemente, a auto-propaganda; ser uma celebridade via de regra significa também saber ocupar os espaços, estar na mídia, e o Twittter é uma nova mídia, cujo potencial veio à tona na campanha do Obama à presidência dos EUA (obs: o Obama assumiu que não era ele quem tuitava).</p>
<p>Há, também, o ego. Celebridade que se preze tem um ego colossal (caso contrário não conseguiria lidar com a pressão e com a vigilância que a fama traz) e nada melhor para alimentar esse ego do que estar diretamente em contato com milhares, centenas de milhares de fãs. O número de seguidores diz muito sobre a influência de cada um. Como bem colocou meu sócio <a href="http://blog.miguelcavalcanti.com/">Miguel Cavalcanti</a>, se o número de seguidores não aparecesse, a atratividade da ferramenta cairia muito.</p>
<p>E tem mais: quem falar mal…pode ser sumariamente bloqueado, eliminando-se o problema. Assim, fica ao alcance de cada um evitar a crítica direta e selecionar só os elogios.</p>
<p>Mas acredito que existam outras razões menos óbvias e que não estão sendo comentadas. Eu pelo menos, não vi nada a respeito, embora não seja exatamente um ávido devorador de informações online. Acho que, pelo Twitter, o “famoso” pode mostrar seu lado “gente comum”, de uma maneira direta e sem intermediários. Pelo Twitter, não é mais aquele personagem que é retratado nas revistas, jornais e TV; não é necessariamente o famoso em seu horário de trabalho e, portanto, sujeito às restrições que o cargo lhe impõe.</p>
<p>Pelo Twitter, um pouco do ser humano real aparece. Afinal, toda celebridade acaba sendo muito mais o que se espera que ela seja do que o que ela é realmente. E o Twitter acerta um pouco essa conta. Esses famosos, justamente por não poderem ser eles mesmos em seu dia-a-dia dada a responsabilidade que têm, a imagem a zelar (o impacto de um escândalo como o que envolveu Tiger Woods certamente seria menor em alguém menos exposto), acabaram encontrando no Twitter uma maneira de mostrar quem realmente são – e o melhor, restrito a 140 caracteres, isto é, a exposição não é tão grande assim e o risco de escorregar, bem menor, embora existente (claro).</p>
<p>É possível que os famosos tenham essas necessidade até mais do que o cidadão comum, que não carrega um peso tão grande e que cujos erros tendem a ter impactos bem menos devastadores ou irreversíveis. Não sou uma celebridade, mas imagino que aquela sensação de ser famoso e ao mesmo tempo só, isolado, diminui via Twitter.</p>
<p>Também, via Twitter os famosos não correm o risco de ter uma frase retirada de contexto e ser amplificada de forma a prejudicá-lo, intencionalmente ou não. Não há a edição de um jornalista, por exemplo. É lógico que há o outro lado: falou besteira, não tem a quem culpar. Mas ainda assim pode ser mais confortável correr esse risco do que ter surpresas com interpretações equivocadas de terceiros, incompetência ou maldade mesmo. Em uma extensão  desse raciocínio, vale lembrar que o Twitter ainda não foi totalmente descoberto pela mídia. Ainda não são tão frequentes as matérias nas mídias tradicionais criticando ou ironizando o que os famosos tuitaram. É possível que, quando todas as mídias descobrirem esse “potencial”, os famosos se inibam mais e a nova ferramenta perca bastante sua força.</p>
<p>Enquanto isso não ocorre, o povo se diverte, acompanha seus ídolos, interage com eles de uma forma que nunca sonhou e, com isso, contribui para tornar o Twitter a febre que se tornou.</p>
<p>PS: outras contribuições do <a href="http://blog.miguelcavalcanti.com/">Miguel</a> &#8211; os empregadores das celebridades não têm mais como monetizar esse monte de seguidores. As centenas de milhares de seguidores do William Bonner, por exemplo, são um ativo dele. Se ele sair, leva todo mundo! Quando perceberam isso, já era tarde&#8230;ainda, há o fato da exposição sem o controle do empregador. O mesmo Bonner, por exemplo, que só aparece no JN todo formatadinho, no Twitter está livre, leve e solto, e pode dar suas escorregadas e, numa dessas, prejudicar  a si e a Globo. O Boris Casoy, por exemplo, é um que não poderia ter Twitter em hipótese alguma. =)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=902&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Most of the time…</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Dec 2009 17:39:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Bob Dylan]]></category>
		<category><![CDATA[Most of the Time]]></category>
		<category><![CDATA[Paul Simon]]></category>
		<category><![CDATA[Sounds of Silence]]></category>

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		<description><![CDATA[Bob Dylan é um gênio. Já disse isso aqui, e provavelmente ainda direi outras vezes. Vai fazer 50 anos de carreira e conseguiu se manter em evidência, reinventando-se constantemente, (quase) sempre com grande qualidade e originalidade. Ele é um mestre da música e da letra. Abaixo, um pequeno exemplo do por quê.  Most of the [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=876&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bob Dylan é um gênio. Já disse isso aqui, e provavelmente ainda direi outras vezes. Vai fazer 50 anos de carreira e conseguiu se manter em evidência, reinventando-se constantemente, (quase) sempre com grande qualidade e originalidade.</p>
<p>Ele é um mestre da música e da letra. Abaixo, um pequeno exemplo do por quê.  <em>Most of the time</em> é uma balada que quer dizer uma coisa dizendo constantemente o seu inverso – daí a genialidade dele.</p>
<p>A maior parte do tempo é tudo isso que a letra diz – o problema é o que existe quando não se está no “most of the time”: momentos que, embora possam ser curtos, perdemos nossas referências, não nos reconhecemos como gostaríamos que fosse, nos sujeitamos a fantasmas do passado, e assim por diante. É o <em>Hello darkness my old friend, I’ve come to talk with you again</em>, de Sounds of Silence (Paul Simon, outro gênio).</p>
<p>A melodia também parece se transformar, apesar de se manter a mesma o tempo todo: no início, uma música comum, até sobria; depois vai soando melancólica, à medida que percebemos aonde ele quer chegar com ela.</p>
<p>Ao final, é inevitável ficar com a sensação de que “most of the time” parece muito bom mas, no fundo, não é suficiente. Por mais que tentemos nos convencer do contrário, como o próprio Dylan tenta. E a diferença do <em>most of the time</em> para o <em>all the time</em> pode ser tão grande como entre falar e quase falar. Há solução?</p>
<p>E, já ia me esquecendo (propositadamente?), o <em>Most of the time</em> dele tem como pano de fundo um alguém que se partiu.</p>
<p>Abaixo da letra, vídeo dele no You Tube.</p>
<p><em>Most Of The Time</em></p>
<p><em><a href="http://www.bobdylan.com/">Bob Dylan</a></em></p>
<p>Most of the time</p>
<p>I&#8217;m clear focused all around,<br />
Most of the time<br />
I can keep both feet on the ground,<br />
I can follow the path, I can read the signs,<br />
Stay right with it, when the road unwinds,<br />
I can handle whatever I stumble upon,<br />
I don&#8217;t even notice she&#8217;s gone,<br />
Most of the time.</p>
<p>Most of the time<br />
It&#8217;s well understood,<br />
Most of the time<br />
I wouldn&#8217;t change it if I could,<br />
I can&#8217;t make it all match up, I can hold my own,<br />
I can deal with the situation right down to the bone,<br />
I can survive, I can endure<br />
And I don&#8217;t even think about her<br />
Most of the time.</p>
<p>Most of the time<br />
My head is on straight,<br />
Most of the time<br />
I&#8217;m strong enough not to hate.<br />
I don&#8217;t build up illusion &#8217;till it makes me sick,<br />
I ain&#8217;t afraid of confusion no matter how thick<br />
I can smile in the face of mankind.<br />
Don&#8217;t even remember what her lips felt like on mine<br />
Most of the time.</p>
<p>Most of the time<br />
She ain&#8217;t even in my mind,<br />
I wouldn&#8217;t know her if I saw her<br />
She&#8217;s that far behind.<br />
Most of the time<br />
I can&#8217;t even be sure<br />
If she was ever with me<br />
If I was ever with her.<br />
Most of the time</p>
<p>I&#8217;m halfway content,<br />
Most of the time<br />
I know exactly where I went,<br />
I don&#8217;t cheat on myself, I don&#8217;t run and hide,<br />
Hide from the feelings, that are buried inside,<br />
I don&#8217;t compromise and I don&#8217;t pretend,<br />
I don&#8217;t even care if I ever see her again<br />
Most of the time.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/12/12/most-of-the-time%e2%80%a6/"><img src="http://img.youtube.com/vi/DnhV-LcVvUc/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/876/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=876&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um ano de “O que der e vier”</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2009 19:46:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[blog]]></category>
		<category><![CDATA[Marcelo Pereira de Carvalho]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje, o blog fez um ano. Em 30/11/08, escrevi “Nothing ventured, nothing gained”, o primeiro de 132 posts, o que dá uma média de um a cada 3 dias, ou um pouco menos. É como um filho: você bota no mundo, cria expectativas, até tentar moldar, mas ele adquire vida própria e vira alguma coisa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=846&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, o blog fez um ano. Em 30/11/08, escrevi “<a href="http://wp.me/pnPqN-3">Nothing ventured, nothing gained</a>”, o primeiro de 132 posts, o que dá uma média de um a cada 3 dias, ou um pouco menos.</p>
<p>É como um filho: você bota no mundo, cria expectativas, até tentar moldar, mas ele adquire vida própria e vira alguma coisa diferente do que você imaginava.</p>
<p>No caso do blog, isso é até natural (do filho também, mas obviamente por outras razões). Afinal, o blog é um reflexo de seu autor, e seu autor não é o mesmo ao longo do tempo. Muda e, com ele, muda também o blog. Um paradoxo: o blog cria vida própria em certo sentido, mas estará sempre subjugado a seu criador. Talvez sejamos nós mesmos que criamos vida própria, diferente do que achamos que somos.</p>
<p>Gostaria de presentear esse companheiro de horas críticas, que sempre aceitou tudo, sem reclamar com um momento mais criativo de minha parte. Nesses últimos meses, como já escrevi recentemente, a inspiração me tem faltado, junto com outras coisas mais, como tempo e dedicação. E talvez certa angústia, que sempre é uma artista poderosa. Mas essas coisas não escolhem hora para aparecer e voltar a sumir sem aviso prévio. Paciência, ele há de se acostumar, caso sobreviva por muito mais tempo.</p>
<p>Nesse período, ele me proporcionou bons momentos. Escrevi algumas coisas das quais gostei; mas nunca revisitei os textos, principalmente os mais pessoais, talvez por medo do que poderia vir a encontrar, medo de ter exagerado na exposição pessoal que um exercício dessa natureza sempre exige, medo de ver como eu era e o que pensava em determinados momentos. É até possível que me surpreendesse positivamente.</p>
<p>Como um filho, o parto não foi fácil; como o parto, teve um bocado de dor em sua origem, até que seu autor, meio que aos trancos e barrancos, fosse se adaptando aos novos tempos.</p>
<p>No primeiro texto que escrevi fui sincero ao avisar que seria um projeto pessoal, de mim para mim mesmo, o que em parte foi mesmo verdade, mas claro só em parte. Nunca tive o interesse de ter milhares de acessos, a responsabilidade seria muito grande e a exposição, idem. Quem fosse para acessar, acabaria acessando. Os que gostassem, voltariam.</p>
<p>Mas acho que, nesse projeto pessoal, ao longo do trajeto, sobrou algo para outras pessoas, que buscaram algum conhecimento, ideias, apoio e talvez até entretenimento em um ou outro post. Algumas dessas pessoas eu nem conhecia – em especial a <a href="http://meninadecachos.blogspot.com/">Ana</a>, a <a href="http://marciabenetti.blogspot.com/">Márcia</a>, e o <a href="http://rodolfo.typepad.com/">Rodolfo</a>, todos blogueiros e que, graças a esse negócio de tecnologia que eu meti  o pau alguns posts atrás, pude conhecer. E há, claro, muitos outros que já conhecia, ou que conheci pessoalmente nesse ano, e que também gastaram parte do seu tempo livre visitando meus textos.</p>
<p>O blog inicia seu segundo ano com expectativas, mas sem ao certo saber como vai se desenvolver, que rumos tomará, como servirá ao seu autor. A incerteza, afinal, já nasceu com ele, pelo próprio título. Seja para exposição de ideias quaisquer; seja para discorrer sobre gestão e empreendedorismo; seja para comentar fatos do dia-a-dia, filmes, livros,  música, vinhos e comida;  seja para comentar e publicar fotografias, o hobby que finalmente resolvi encarar; seja para dividir com os leitores minhas experiências de viagem (nos últimos 2 anos, foram 10 viagens internacionais!!); seja para dar vazão a questões mais pessoais que precisam ganhar o papel para, quem sabe, serem melhor compreendidas. O que der e vier está aí para tudo isso.</p>
<p>Anais Nin, que gosto de citar e ainda vou ler, disse “escrevo para um mundo onde se possa viver”. Não tenho essa pretensão; escrevo, no máximo, para um mundo onde eu possa viver. Já está bom demais, não?</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/846/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=846&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>The Phantom of the Opera is here&#8230;</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/11/28/the-phantom-of-the-opera-is-here/</link>
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		<pubDate>Sat, 28 Nov 2009 19:38:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Andrew Lloyd Weber]]></category>
		<category><![CDATA[Fantasma da Ópera]]></category>
		<category><![CDATA[Londres]]></category>
		<category><![CDATA[Phantom of the Opera]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah Brightman]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Londres, abril de 2007. Participando de um congresso, resolvi em uma das noites assistir ao Fantasma da Ópera no Teatro Majesty. Casa cheia, peça aplaudida de pé, uma verdadeira apoteose, você sai meio anestesiado. Do meu lado, uma mulher comenta com a amiga, sintetizando a razão de tamanho sucesso: “It’s so powerful!&#8221; Um vendedor esperto [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=838&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/11/captura-de-tela-2009-11-21-as-18-44-271.png"><img class="alignnone size-medium wp-image-840" title="Captura de tela 2009-11-21 às 18.44.27" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/11/captura-de-tela-2009-11-21-as-18-44-271.png?w=183&#038;h=300" alt="" width="183" height="300" /></a></p>
<p>Londres, abril de 2007. Participando de um congresso, resolvi em uma das noites assistir ao <a href="http://www.thephantomoftheopera.com">Fantasma da Ópera no Teatro Majesty</a>. Casa cheia, peça aplaudida de pé, uma verdadeira apoteose, você sai meio anestesiado. Do meu lado, uma mulher comenta com a amiga, sintetizando a razão de tamanho sucesso: “It’s so powerful!&#8221;</p>
<p>Um vendedor esperto vendia DVDs do <a href="http://phantomthemovie.warnerbros.com/">filme de 2004 &#8211;  (dirigido por Joel Schumacher</a>), na porta do teatro a preços exorbitantes. Lógico que comprei o meu, para só depois lembrar que o sistema Pal-m não funciona aqui…Desde então, o filme permaneceu intacto na gaveta que fica embaixo da TV.</p>
<p>Semana passada, no Shopping Iguatemi, São Paulo. Lembrei que precisava comprar um CD de presente para alguém e vi, a minha frente, as Lojas Americanas e entrei. Não custa tentar, pensei, embora à medida que andava pela loja foi ficando claro que o melhor seria sair correndo dali e ir para a Livraria Cultura do Villa-Lobos.</p>
<p>De fato, o CD que eu queria não tinha (a vendedora nunca tinha ouvido falar na Céu). Na saída, eis que olho para um display de ofertas e lá estava ele, pedindo para ser comprado: o DVD do Fantasma da Ópera, de Joel Schumacher, por R$ 12,90. Naquele momento, comprendi a verdadeira razão de eu ter entrado naquela loja…era hora de rever o Fantasma.</p>
<p>Trata-se do musical de maior sucesso da história. Mais do que isso: a versão produzida por Andrew Lloyd Webber é a peça de entretenimento de maior sucesso já feita, em qualquer mídia que se considere. Segundo o <a href="http://www.thephantomoftheopera.com/">site oficial</a>,  já foi visto por mas de 100 milhões de pessoas em 14 línguas, desde que estreiou no Majesty, Londres, em 27 de setembro de 1986, chegando depois a New York em janeiro de 1988. Na Broadway, já foi encenado mais de 9000 vezes e em Londres, outras tantas. Foi o Fantasma da Ópera que projetou, por exemplo, a cantora <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sarah_Brightman">Sarah Brightman</a>, então esposa de Webber - (que estourou com o sucesso <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Lp7rZEKClk4&amp;feature=related">Time to Say Goodbye,  com Andrea Bocelli</a>). E não ficou apenas no teatro: já teve nada menos do que 18 versões para o cinema.</p>
<p>Mas porque o romance escrito por Gaston Leroux em 1910 e depois adaptado ao teatro fez tanto  tanto sucesso? Temas que lidam com o mistério sempre têm apelo e, talvez, aí resida parte do sucesso. A história do fantasma/homem deformado/gênio da música que vive nos porões da ópera de Paris e que mantém uma estranha relação com uma jovem cantora lírica tem os ingredientes para tal. A música também é especial. Uma após outra, Andrew Lloyd Weber compôs uma obra-prima. Aliás, o que dizer de alguém que compôs Cats (de <a href="http://www.youtube.com/watch?v=4-L6rEm0rnY">Memory</a>), Evita (de Don’t’ Cry for me Argentina, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=2shR99NnwCA">veja versão com a Sinead O&#8217;Connor</a>, minha preferida, não se compara com a Madonna) e Jesus Cristo Superstar? Ele é um gênio, tal como o Fantasma…assim como Charles Hart, o letrista, que captou a essência da peça de maneira perfeita. A humanidade sabe reconhecer uma verdadeira obra de arte (há esperança!).</p>
<p>O enredo e a música são essenciais para o sucesso, mas acho que o que faz a diferença é que o filme tem um fundo psicológico complexo, lida com diversas questões que caracterizam a essência humana.</p>
<p>Diante da riqueza de possibilidades e de intepretações, a que mais me chama a atenção é a ambivalência presente do começo ao fim: a luz e a escuridão; o pecado e a virtude; a genialidade e a loucura; a beleza e a feiúra; o padrão aceito por todos e o preconceito; o yin e o yang, enfim, presente na própria essência humana.</p>
<p>De um lado, Christine, a soprano protagonista, vive um romance com o jovem Raoul, patrocinador da Ópera e com quem teria uma vida normal, sendo sua companheira; de outro, a atração meio doentia em relação ao Fantasma, que a seduz e a aprisiona com sua música e a quem Christine confunde com seu pai, cuja perda nunca superou. Christine precisa superar a morte do pai, eliminar os vínculos do passado e ser ela mesma.</p>
<p>Mas quem é “ela mesma”? Alguém que deveria viver uma vida convencional, na luz, ou entregar-se à escuridão, de onde realmente brotava seu talento? Qual seria, afinal, sua razão de ser, qual seria o papel que lhe caberia nesse mundo, se é que se pode colocar dessa forma?  Ao viver com Raoul, seu talento minguaria e ela abandonaria sua carreira promissora, para viver como esposa dedicada e mãe (como está colocado na epígrafe de seu túmulo), mas seria &#8220;livre&#8221;; ao ficar com o Fantasma, estaria &#8220;presa&#8221; em seu conflito psicológico para sempre, mas cantaria. Há solução para esse conflito aparentemente insolúvel, que simplesmente nos lembra que não há soluções perfeitas e que escolhas sempre envolvem renúncias?</p>
<p>Não é fácil para ela. A sua resposta a essas questões varia de acordo com as cirscunstâncias e com o poder de sedução de ambos os pretendentes, cada um com seus argumentos.  Aliás, os momentos em que o Fantasma canta Music of the Night e Point of no Return são dois grandes momentos de sedução via música…</p>
<p>Music of the Night – original do filme:</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/11/28/the-phantom-of-the-opera-is-here/"><img src="http://img.youtube.com/vi/GHAauiJwwmU/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Ao final, Christine escolhe Raoul; para felicidade de todos, o mal foi vencido, a solução convencional se sobrepôs ao bizarro, nos consolando também. Afinal, com a escolha dela, nossas possibilidades sombrias e inquietações são de certa forma enterradas. Mas não foi uma escolha fácil: dá a impressão que sua mente vai para um lado, mas o coração vai para o outro (“você resiste, mas sua alma obedece”, canta o Fantasma). Na música tema dela com Raoul, ela suplica: “Diga que me ama em todos os momentos em que estiver desperto, encha meus pensamentos com histórias de verão. Diga que precisa de mim ao seu lado agora e sempre…”.  Ela precisa disso para afastar os “maus pensamentos” que inundam sua alma.</p>
<p>O lado sombrio, se está presente até na mente da bela e ingênua Christine, estará então presente em qualquer mente, ainda que com contornos diferentes (afinal, &#8220;The Phantom of the Opera is here, inside my mind&#8230;&#8221;). O sucesso do musical, de certa forma, reside na possibilidade de flertar com o sombrio sem riscos para quem assiste. Ou, mais ainda, o reconhecimento de que não estamos sozinhos e que até a bela soprano tem recônditos proibidos em sua mente, que precisam de muita razão e reforço diário para são serem visitados.</p>
<p>Mesmo com a vitória da luz sobre as trevas, ao final não se sabe se a escolha foi a melhor. Christine morreu bem antes de Raoul que, ao final do filme, coloca sobre seu túmulo o macaquinho persa que toca música, que foi encontrado nas dependências do Fantasma e que acaba sendo a metáfora do Fantasma. É uma cena de grande simbolismo: Raoul estaria devolvendo Christine ao Fantasma? Terá sido um reconhecimento tardio por parte de Raoul de que, ao tirá-la do teatro e transformá-la apenas em mãe e esposa dedicada (não que seja pouco!) havia eliminado sua essência, aprisionando-a de uma outra maneira, não menos ruim do que se tivesse ficado sob a tutela do Fantasma?  Será um recado de que não adianta ir contra sua natureza, que razão nenhuma supera a emoção, e que sempre há um preço a pagar ao se escolher a via racional (não sei do que Christine morreu&#8230;mas não parece que teve uma vida plena)? Não que Christine não amasse de alguma forma Raoul &#8211; mais uma ambivalência presente.</p>
<p>São diversas as possibilidades de interpretação. Aqui, enfoco mais o dilema de Christine, mas certamente o Fantasma também dá boas análises. A história ecoa em cada um, de forma particular. Se você viu a peça ou o filme, comente abaixo o que achou e qual foi a sua visão.</p>
<p>(É interessante que, na primeira versão feita para o cinema, o Fantasma era um louco, totalmente disforme, fácil de ser odiado. Já na versão de Schumacher, foi interpretado por Gerard Butler, o protagonista de PS, I love you…).</p>
<p>Achei diversos vídeos legais no YouTube:</p>
<p>Além de Music of the Night, outras músicas de trilha sonora:</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=XjM1Lrsb7I8&amp;feature=fvst">Think of me &#8211; original do filme</a></p>
<p>Música tema &#8211; The Phantom of the opera e Wish you were somehow here again, cantadas pela Sarah Brightman</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/11/28/the-phantom-of-the-opera-is-here/"><img src="http://img.youtube.com/vi/vo6Vd7XyU2I/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=8VgLKXD-BoY&amp;feature=related">Versão da música tema com o Nightwish</a>– mostrando que, apesar dos vocais meio over, os grupos de heavy metal tem mesmo grandes músicos</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=D5ou3gZg0sE">Angel of music</a> – cantada por Emmy Rossum, a Christine do filme</p>
<p>All I ask of you – música tema de Raoul e Christine:</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=ETz8P1KIFOM&amp;feature=related">Por Carreras, Pavarotti e Plácido Domingo</a>. Com todo respeito ao Pavarotti, que faz a voz da Christine, ficou faltando a voz feminina</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Tl6oZc7YSe8&amp;feature=related">Versão com a Emmy Rossum</a> (Christine e Patrick Wilson &#8211; Raoul)</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=RxKjDUrmecA">Masquarade</a>- original no filme</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=Dp4UqGxOeHk&amp;feature=related">The Point of no return</a> &#8211; original do filme</p>
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