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	<title>O que der e vier</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>De repente, Cartagena</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Feb 2012 15:58:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Sempre quis fazer uma viagem de última hora ao exterior, dessas decididas às pressas, sem planejamento. Uma espécie de excentricidade, um exagero. Um final de semana prolongado em New York, por exemplo, ou Paris; ou, mais ainda, Cidade do Cabo, na África do Sul. Buenos Aires não valeria porque é muito perto para ser considerado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1094&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1095" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-15-c3a0s-01-13-18.png"><img class="size-medium wp-image-1095" title="Páscoa, Cartagena ou Canárias?" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2012/02/captura-de-tela-2012-02-15-c3a0s-01-13-18.png?w=300&#038;h=257" alt="" width="300" height="257" /></a><p class="wp-caption-text">Páscoa, Cartagena ou Canárias?</p></div>
<p>Sempre quis fazer uma viagem de última hora ao exterior, dessas decididas às pressas, sem planejamento. Uma espécie de excentricidade, um exagero. Um final de semana prolongado em New York, por exemplo, ou Paris; ou, mais ainda, Cidade do Cabo, na África do Sul. Buenos Aires não valeria porque é muito perto para ser considerado uma extravagância.</p>
<p>Era uma espécie de conseqüência natural para quem escolheu ter empresa própria – com os benefícios e dificuldades embutidos nessa escolha.  Poder parar tudo momentaneamente  e ir para onde bem entender seria a suprema prova de liberdade – e todo empreendedor, acredito, tem na busca de liberdades como essa uma das razões para começar e desenvolver o seu negócio.</p>
<p>Minha maior “fantasia” desse tipo sempre foi com o esqui. Certa vez, me peguei numa quinta-feira de julho estudando qual seria a estação mais próxima a Piracicaba, onde moro. Concluí que, saindo de Guarulhos, em no máximo 5 horas estaria em La Parva ou Colorado, perto de Santiago. Ou seja, em menos de 9 horas estaria esquiando, saindo de Piracicaba e chegando 2 horas antes da partida. Dependendo do horário do vôo, com sorte ainda desceria alguma pista no mesmo dia: seria a liberdade em seu estado puro!</p>
<p>Porque não acordar numa sexta-feira igual a todas as outras e, em vez de ir ao escritório, ligar para o agente de viagens, colocar as roupas na mala e ir direto para o aeroporto, passando um final de semana a 3.000 metros de altitude – e tudo isso como quem decide ir até a esquina tomar um café na padaria? Não sei se é o cúmulo da liberdade, mas é próximo disso.</p>
<p>Essa fantasia nunca se realizou; sempre há algum compromisso, uma certa inércia e, claro, a questão financeira que assume quando a racionalidade vem à tona e você constata que viajar assim, de última hora, costuma sair caro: a liberdade, afinal, tem seu preço.</p>
<p>Dessa vez, porém, foi diferente. Uma série de circunstâncias me fez analisar a possibilidade de passar esse Carnaval em algum lugar do mundo, entre elas o fato de constatar que, na realidade, tenho essa flexibilidade nesse momento da vida. Porque não aproveitá-la? Esse pensamento subversivo tomou minha imaginação na segunda-feira cedo. E se eu mudasse os planos (que envolvem fazer a mesma coisa de sempre, nos mesmos lugares de sempre) e resolvesse ir o mais longe que desse nesse Carnaval, desde que justificando a viagem?  (ir para o Himalaia, por exemplo, foi desconsiderado por não atender esse requisito básico – um mínimo de custo/benefício e racionalidade ainda seriam considerados….).</p>
<p>Percebendo que a ideia ganhava força e que poderia se concretizar, o passo seguinte foi responder à pergunta: para onde eu vou? Logo estava com o Google Maps aberto, olhando o globo terrestre, à procura de algum canto que parecesse atrativo, isso menos de uma semana antes da data prevista para a viagem.</p>
<p>Sei lá porque cargas d’água, mas minha primeira escolha foi Cartagena, na Colômbia. Não sei se tem a ver com o fato de ser uma cidade histórica, ou se pelo fato de estar no Caribe; também, não conheço a Colômbia e, esqueci de dizer, um segundo critério além da localização minimamente acessível seria que fosse um país ou região que não conhecesse.</p>
<p>Nesse ponto, o sonho começou a desandar. Meu agente de viagens foi o culpado, após consultar as opções: “ficou louco? Você quer ir para Cartagena às vésperas do Carnaval, e espera encontrar passagem? Sem chance.”</p>
<p>Abandonada a primeira escolha, meio contrariado com o fato do mundo não estar colaborando com minha revolução particular, voltei ao Google Maps. A Ilha de Páscoa, no meio do Pacífico, parecia um destino atrativo. Dessa vez procurei eu mesmo e achei passagens: por módicos US$ 3.900, demorando mais de um dia para chegar e outro para voltar, eu poderia passar meu Carnaval improvisado no meio do Pacífico, onde uma civilização misteriosa floresceu e colapsou, deixando esculturas gigantes. Achei um pouco demais mesmo para quem estava prestes a cometer uma extravagância dessa natureza. Os moais teriam que esperar um pouco mais para me conhecer.</p>
<p>A próxima tentativa foi ainda mais radical: Ilhas Canárias, na costa do Marrocos. Reúne conforto, isolamento, história, mar, vulcões e beleza natural. Estava definido – é para lá que eu vou!</p>
<p>Novo balde de água fria. O preço agora seria de US$ 4.400, levando mais de um dia para chegar, com duas conexões, etc, etc. Mas como? Fica a apenas 3 horas de Madri. Porque esse preço? Não tem via Lisboa, ou ao menos pela África?, reclamei com meu agente de viagens, que a essa altura provavelmente queria me despachar para Miami e se dedicar a clientes menos complicados. Não tinha, disse ele, me explicando de novo: “não é um local exatamente muito fácil de se chegar…assim, de última hora, nessa época&#8230;”</p>
<p>Uma ponta de frustração foi tomando conta. Agora que eu podia e queria, não tinha como. Onde está o mundo globalizado, em que tudo está acessível a qualquer momento, hiper-conectado? Cadê o Mundo Plano, do Friedman? Como alguém que se dispõe a ir para qualquer lugar (ou quase isso) não consegue achar uma opção aceitável, a não ser demorando quase como se fosse de jangada, e pagando os olhos da cara? Em que mundo estamos, em que ano estamos?</p>
<p>Comecei a pensar que talvez me enfurnar em algum lugar da Serra da Canastra poderia ser uma alternativa. Bem, não deixaria de ser uma viagem de última hora e, além de tudo, gastaria bem menos, por mais caro que esteja tudo aqui no Brasil.</p>
<p>Mas para quem se imaginou na Lanzarote de Saramago, a Serra da Canastra soaria como uma grande derrota. Voltei ao Google Maps já meio desacorçoado, quando meu agente de viagens me ligou com boas novas: havia uma passagem para Cartagena, saindo no domingo. Mais cara do que a passagem normal, mas dentro daquilo que pode ser considerado aceitável para uma insubordinação dessa natureza contra o sistema, ponderei.</p>
<p>Fiz a reserva na segunda à noite. Teria até o meio dia da terça para confirmar. O desafio agora seria encontrar um hotel que coubesse no figurino. Partindo do famoso “já que”,  tinha que ser um hotel descolado, no centro velho da cidade, perto de onde as coisas acontecem. Nada de grandes hotéis de rede, muito menos na Cartagena moderna.</p>
<p>Usando o Google, caí no site <a href="http://www.setemalas.com.br">Se7e Malas</a>, que tem dicas legais sobre vários lugares, inclusive Cartagena. Comecei a entrar em contato com os hotéis indicados e, mais uma vez, frustração: todos lotados! Se conseguisse ir, pelo menos não seria o único a ir para Cartagena, pensei…</p>
<p>Mais uma vez o <a href="http://www.expedia.com">Expedia</a> me salvou. Achei um hotel boutique no centro histórico que parecia adequado. Avaliação no geral positiva no Trip Advisor e….um quarto ainda disponível, indicando que havia quatro pessoas visualizando aquele bendito quarto restante naquele momento. Embora isso me pareça muito mais um golpe baixo para forçar a venda do que efetivamente uma forte demanda para aquele quarto, vai saber: o fato é que funcionou. Na dúvida e com o risco real de bater na trave após driblar todos os adversários, tratei logo de fazer a reserva, sem dar chance de pensar muito para não correr o risco de mudar de ideia.</p>
<p>Na terça-feira, 2 da tarde, minha viagem estava programada. Pouco mais de 24 horas depois do delírio inicial. E não é que, de certa forma, a fantasia se tornava realidade?</p>
<p>Pocuo depois, caiu a ficha. O que eu vou fazer em Cartagena? Porque estou indo para Cartagena? Agora pouco importa. Na pior das hipóteses, já serviu para escrever esse texto. Na semana que vem, despacharei da costa caribenha, da cidade retratada por Gabriel Garcia Marquez. Sim, despacharei, porque vou dar uma trabalhada de lá. Aliás, uma liberdade quase tão grande quanto poder ir e vir quando quiser é poder trabalhar quando quiser, até durante férias em Cartagena. Sem problema algum. Como disse o Nizan Guanaes, também sou daqueles que trabalha 24 horas por dia: a qualquer momento pode vir uma ideia, uma solução, uma decisão. E vai que elas costumam vir melhores em um barco sobre as águas azuis do Caribe…</p>
<p>Mas isso será só a partir da semana que vem. Agora é quase uma da manhã de uma terça-feira, estou em um vôo da Gol para Chapecó, no oeste catarinense, onde chego daqui a meia hora, para dois dias de bastante trabalho. Dureza. A liberdade tem mesmo o seu preço.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1094/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1094/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1094/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1094/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1094/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1094/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1094/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1094/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1094/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1094/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1094/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1094/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1094/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1094/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1094&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>20 dias viajando pela Itália e Estados Unidos</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Oct 2011 23:36:26 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Estou de volta após a maior viagem que fiz depois de formado: 20 dias fora, por dois continentes, mas apenas 2 países: Itália e Estados Unidos. Uma coincidência me fez alongar a viagem: como acontece todo ano, vou ao World Dairy Summit, principal congresso do setor lácteo no mundo e que, neste ano, ocorreu na rica e histórica Parma, no norte da Itália. Poucos dias após o congresso, tinha de ir a Chicago, onde havia sido convidado a dar uma palestra no Encontro Anual do USDEC – Conselho de Exportação de Lácteos dos Estados Unidos. Achei que era uma boa oportunidade para esticar a viagem, ficando alguns dias em New York antes de ir para Chicago. <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1081&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou de volta após a maior viagem que fiz depois de formado: 20 dias fora, por dois continentes, mas apenas 2 países: Itália e Estados Unidos. Uma coincidência me fez alongar a viagem: como acontece todo ano, vou ao World Dairy Summit, principal congresso do setor lácteo no mundo e que, neste ano, ocorreu na rica e histórica Parma, no norte da Itália. Poucos dias após o congresso, tinha de ir a Chicago, onde havia sido convidado a dar uma palestra no Encontro Anual do USDEC – Conselho de Exportação de Lácteos dos Estados Unidos. Achei que era uma boa oportunidade para esticar a viagem, ficando alguns dias em New York antes de ir para Chicago.  Aliás, apesar de viajar muito, por incrível que pareça nunca tinha ido a New York e essa era a chance (uma das minhas contradições é essa: conheço lugares que poucos conhecem, mas nunca fui a Paris, por exemplo – mas ainda irei, em grande estilo!).</p>
<p>Outro fator que me fez estender a viagem foi a vontade de ficar viajando na Itália alguns dias antes do congresso (já que estava indo&#8230;). Por alguma razão, senti a necessidade de mergulhar no berço do Renascimento e, daí, optei por incluir Verona, Veneza e, claro, Florença e Siena no meu roteiro.</p>
<p>Pensando bem, para tudo isso 20 dias foi pouco.  Minhas viagens ainda são marcadas por uma espécie de correria, ficando um pouco em cada lugar, suficiente para conhecer, mas não para realmente sentir cada localidade visitada. Deve ter alguma explicação psicológica que não vem ao caso agora, mas não sou do tipo de ficar muito tempo em um mesmo local, havendo tanto a explorar.</p>
<p>Estava sozinho (apesar de, nos EUA, encontrar tanta gente conhecida que essa sensação diminuiu bastante) e foi uma boa oportunidade para alugar um carro e rodar sem compromisso pela Itália, passando por cidadezinhas medievais na Toscana e pegando estradas locais, fora das rodovias, onde o tempo realmente parou e você tem a exata sensação de liberdade, ao parar onde bem entender, como por exemplo em uma estrada de terra que me proporcionou, perto de Siena, um por do sol rosa, com a lua iluminando vinhedos e antigas fazendas toscanas.</p>
<p>A viagem começou em Verona, terra de Romeu e Julieta e uma preciosidade: igrejas e construções antigas, uma arena da época romana, pontes românticas sobre o belo Rio Adige e que, principalmente, se pode andar com relativa tranquilidade. Era o primeiro dia de viagem e foi o que mais fotografei, talvez por ter entrado de pronto no clima da cidade.</p>
<div id="attachment_1082" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5554_3_5_tonemapped.jpg"><img class="size-full wp-image-1082" title="Verona" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5554_3_5_tonemapped.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></a><p class="wp-caption-text">Verona: precisa falar mais alguma coisa?</p></div>
<p>Depois, Veneza, que obviamente dispensa apresentações. Fiquei apenas um dia lá, parte porque o excesso de pessoas me afugentou após conhecer as principais atrações. Na Piazza San Marco, não fiquei mais do que 15 minutos, tal a multidão de turistas, muitos, mas muitos mesmo, brasileiros.  Não tenho paciência para filas – acho que não gosto de me comportar como um turista comum. Talvez tenha dificuldade com locais que pertençam a muitas pessoas, como é o caso de Veneza, Florença, Siena e mesmo New York, onde fazer compras, ao menos para mim, é uma verdadeira tortura. Deve ser meu componente anti-social, mas prefiro mil vezes a tranquilidade de uma cidade que vive independentemente dos turistas do que uma em que os turistas são parte integrante e até a característica local.</p>
<div id="attachment_1083" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5720_19_18.jpg"><img class="size-full wp-image-1083" title="IMG_5720_19_18" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5720_19_18.jpg?w=500&#038;h=335" alt="" width="500" height="335" /></a><p class="wp-caption-text">Por do sol em Veneza, na Giudecca, antigo bairro judeu e onde a muvuca é menor.</p></div>
<p>Foi interessante ver o contraste Itália/Estados Unidos, ambas economias que viveram e ainda vivem uma crise econômica. Apesar de ter visitado apenas 2 cidades norte-americanas, me pareceu que a situação de ambos os países é muito distinta. A Itália parece viver de passado, presa a uma realidade que não existe mais. Os serviços deixam a desejar e você chega a ficar irritado com algumas coisas como horários que não são respeitados, funcionários mal educados e assim por diante – talvez um sintoma de que o Brasil esteja mesmo melhorando e que a distância não é mais tão grande assim – e olha que visitei o rico norte do pais, e não o sul, que é sustentado pelo norte há décadas. Uma coisa que me chamou a atenção é que as pessoas parecem trabalhar pouco. Do lado do meu hotel em Parma, havia um supermercado cujo horário de funcionamento era das 8:30 ao 12:45, depois 15:30 às 19:30, fechado aos domingos. Não sei se isso é a regra, mas fiquei pensando que se muitos operam assim, será difícil sair da crise. Na Itália, a impressão que tive é que a ficha ainda não caiu em relação à nova realidade, em que o país tem grande dívida e que o futuro é incerto.</p>
<div id="attachment_1084" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5728.jpg"><img class="size-full wp-image-1084" title="IMG_5728" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5728.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">O GPS me tirou da auto-estrada entre Veneza e Florença e me proporcionou essa vista no Veneto</p></div>
<p>Claro que o país é belíssimo e me proporcionou pelo menos 3 grandes momentos: o já referido por-do-sol na zona rural da Toscana, quando pernotei em um hotel-fazenda perto de Monteriggioni, uma jóia medieval onde Dante escreveu parte dA Divina Comédia; um outro por-do-sol em Florença, que me rendeu fotos memoráveis, e a noite de abertura do evento, no belíssimo Teatro Regio de Parma, erguido em 1820 e poucos e que foi palco para Verdi e Toscanini. O momento mais emocionante da noite foi o coral da cidade cantando Va Pensiero, da ópera Nabucco, de Verdi, que foi adotado como o hino de unificação da Itália. Foi de arrepiar…</p>
<div id="attachment_1085" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5920-1-2.jpg"><img class="size-full wp-image-1085" title="IMG_5920-1-2" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5920-1-2.jpg?w=500&#038;h=752" alt="" width="500" height="752" /></a><p class="wp-caption-text">Lua na Toscana, perto de Monteriggioni.</p></div>
<p>Mas já que estamos falando de economia, nos Estados Unidos a impressão é outra. A sensação é que o país era uma espécie de Mike Tyson que, de repente, sofreu um nocaute e perdeu a referência por uns tempos. Mas a força continua lá, basta reencontrar o caminho. Tanto em NY como em Chicago, percebe-se o sentimento de país (em NY, obviamente o 11 de setembro é uma referência onipresente, que unificou a cidade e o país em torno desta). A recuperação da economia americana me motivou a ponto de comprar o novo livro do Thomas Friedman &#8211; That used to be us &#8211; how America fell behind in the world it invented and how we can come back (um título bem presunçoso, sem dúvida, mas irresistível para quem se interessa por estes temas).</p>
<div id="attachment_1087" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_6063.jpg"><img class="size-full wp-image-1087" title="IMG_6063" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_6063.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Manhattan, vista do Top of the Rocks, no Rockefeller Center</p></div>
<p>Tudo bem que visitar NY e Chicago não é visitar os EUA. As grandes cidades até vão bem, pois o comércio continua forte, em parte pelos turistas (novamente muitos brasileiros) que se acotovelam nas lojas e esperam em filas para entrar em determinados locais, como a loja da Abercrombie &amp; Fitch na Quinta Avenida – uma experiência que pretendo nunca repetir…:)</p>
<p>New York é uma cidade em que você se sente em casa, por alguma razão que não consigo identificar. Será que é pelos filmes, que nos mostraram já tanto da cidade que mesmo a primeira visita é como um Déjà vu? Ou será que é pelo pacto silencioso de milhares de imigrantes e turistas, que tornam a cidade verdadeiramente cosmopolita? Talvez seja também pela orientação da cidade, principalmente de midtown para cima, em que o plano de ruas é todo quadriculado e as ruas e avenidas são conhecidas pela numeração sequencial, o que torna a localização muito fácil. E, claro, pela topografia plana que caracteriza Manhattan e que torna tudo mais fácil. Fiquei super bem localizado, em um hotel moderno e muito confortável &#8211; The Alex &#8211; (e caro, como tudo por lá quando se fala em hospedagem), entre a 3rd Avenue a a 45th Street, bem em midtown e a 2 quadras da estação Grand Central, aliás eleita meu local favorito na cidade. Na cidade, fui ao Ground Zero, onde havia as torres (mas não entrei no memorial), no Met, que é impressionante, Guggenheim, com uma exposição do Kandinsky, e no Museu de Artes e Design, que é meia-boca, mas com um restaurante no topo de tirar o fôlego: o Robert, com janelas que dão para o Central Park, bem na esquina da Columbus Circle, perto do Dakota, prédio em que vivia John Lennon (e onde foi morto).</p>
<div id="attachment_1088" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_6118.jpg"><img class="size-full wp-image-1088" title="IMG_6118" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_6118.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">ícones de Manhattan: Metlife, Chrysler Building e a Grand Central no primeiro plano</p></div>
<p>É impressionante o senso de cidadania do norte-americano, seja em NY ou em Chicago. Há voluntários para tudo, há um cuidado com o bem-público, que ainda precisamos aprender muito por aqui. O exemplo mais recente é o High line, uma antiga ferrovia aérea, no lado oeste de Manhattan. Uma área decadente e degradada, que foi reurbanizada na forma de uma passarela/jardim suspenso, onde as pessoas vão passear a qualquer hora do dia. A recuperação do High Line é um exemplo de civilidade e de esperança no convívio de grandes aglomerações de pessoas como é New York, onde aliás você se sente seguro a qualquer hora do dia, em qualquer um dos lugares que visitei.</p>
<div id="attachment_1089" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_6189.jpg"><img class="size-full wp-image-1089" title="IMG_6189" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_6189.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">High Line, de noite</p></div>
<p>Fazia muito tempo que não ia a Chicago, cidade onde  estive em 1991 e em 1996. Quase não me lembrava dela, e acho que foi bom assim, pois foi como ter ido pela primeira vez, agora com outros olhos. Quando fui, acho que nem existia o Millenium Park, belíssimo. Chicago é mais americana que New York, mais limpa, mais chique, e que pertence a menos pessoas, novamente algo que me faz gostar mais dela do que de New York.</p>
<div id="attachment_1090" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_0070.jpg"><img class="size-full wp-image-1090" title="IMG_0070" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_0070.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Skyline de Chicago refletido na escultura The Bean</p></div>
<p>Perguntaram-me qual cidade que gosto mais, das que visitei. Difícil responder. O bom viajante aprecia todos os lugares que visita, cada um com suas características. Sob certos aspectos, a pequena San Gimignano, na Toscana, com suas 12 torres medievais, pode ser mais espetacular do que New York, que aliás, perdeu as suas duas. Claro que tudo depende dos parâmetros analisados, do momento de cada um e das experiência vividas.</p>
<div id="attachment_1091" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_0024.jpg"><img class="size-full wp-image-1091" title="IMG_0024" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_0024.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Passarela que vai do Millenium Park até o Institute of Art, em Chicago</p></div>
<p>A única conclusão que fica é que é preciso viajar, e conhecer. Só assim é possível ter uma visão global e entender um pouco como chegamos até aqui. Vinte dias de viagem, quer queira quer não, representam um hiato na trajetória de qualquer pessoa, em que você volta um pouco diferente de como partiu. É como se a vida se acelerasse, com cada dia e nova experiência valendo por muitos meses de nossa vida do dia-dia. De certa forma, viajar é viver mais, aproveitando de uma maneira mais intensa e completa cada momento de nossa trajetória.</p>
<div id="attachment_1086" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5794_5_6.jpg"><img class="size-full wp-image-1086" title="IMG_5794_5_6" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5794_5_6.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Florença, berço do Renascimento</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1081&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Vida, resistência e lembranças</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Aug 2011 22:30:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Campos do Jordão]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra de Primavera]]></category>
		<category><![CDATA[Nova Zelândia]]></category>
		<category><![CDATA[primavera]]></category>

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		<description><![CDATA[Esse espaço tem sido nos últimos meses muito mais um registro de tempos passados do que um blog propriamente dito. Mas é o que é, e tudo bem. Volto agora para falar um pouco de fotografia. Havia selecionado algumas fotos aleatórias para participar da Mostra de Primavera, da Associação dos Artistas Plásticos de Piracicaba. Meio [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1075&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esse espaço tem sido nos últimos meses muito mais um registro de tempos passados do que um blog propriamente dito. Mas é o que é, e tudo bem.</p>
<p>Volto agora para falar um pouco de fotografia. Havia selecionado algumas fotos aleatórias para participar da Mostra de Primavera, da Associação dos Artistas Plásticos de Piracicaba. Meio que relutantemente e sem muita vontade, mas acabei selecionando. O tema genérico era primavera, natureza.</p>
<p>Ao selecionar 4 ou 5 fotos, logo percebi que as fotos não falavam entre si; não havia uma conexão lógica entre elas que pudesse contar alguma história. Eram apenas imagens isoladas, ainda que bem feitas e que especialmente me agradavam.</p>
<p>Parei o processo e procurei achar o fio da meada. De pronto, selecionei a primeira imagem que deveria fazer parte da mostra, reproduzida abaixo. Ok, é uma imagem meio clichê. Mas talvez minha fotografia seja meio clichê, and so what?</p>
<p>De qualquer forma, é uma imagem bonita para o tema primavera. Flores cor de laranja em seu auge, sobre um fundo azul de um belo lago neozelandês, na Ilha Sul, com montanhas nevadas ao fundo. Essa imagem seria o fio condutor da minha narrativa, e denominei-a “Vida”, porque, claro, representa a vida em sua plenitude, com toda a beleza e harmonia. E primavera é a renovação da vida. A luz perfeita, a cor incrível e a definição das pétalas fazem a imagem.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/08/img_0303.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1076" title="Vida" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/08/img_0303.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>Mas a primavera é, antes de mais nada, parte de um ciclo. Ao auge, sucede-se a decadência, inexoravelmente. Depois, tudo se renova em um novo ciclo. Na segunda imagem, procurei passar a ideia de que nada é para sempre. Embora a floração ainda domine a paisagem, mostrando o esplendor da primavera, as flores me parecem mais frágeis. Mais ainda: não estão mais sozinhas. Atrás delas, e atraindo nosso olhar, está uma velha casa rural, desfocada e escura, provavelmente abandonada. Um aviso da finitude, não só da primavera, mas de tudo o mais que nos cerca.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/08/img_1711.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1077" title="Resistência" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/08/img_1711.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p>Retratar paisagens rurais em decadência não é algo novo. Mas acredito que essa imagem funcione bem. A composição, as tonalidades mais sombrias, a luz… e a flor em destaque, que chama claramente nossa atenção e leva nosso olhar para a casa no segundo plano. Em função dela, chamei a foto de “Resistência”. Interpretei como sendo a luta simbólica pela vida, heróica, mesmo diante de uma realidade que não se pode mudar.</p>
<p>Gosto ainda dessa imagem por dois outros motivos: primeiro, por ser uma paisagem meio banal, destas que podemos passar sem perceber por centenas de vezes. É muito bom quando conseguimos fazer uma boa foto de um lugar que as pessoas passam e nem notam. O segundo motivo é que a foto foi tirada em nossa velha propriedade da família, na região de Campos do Jordão, o que confere uma proximidade ainda maior entre objeto e fotógrafo.</p>
<p>Por fim, a terceira foto, também tirada em uma zona rural, também retratando uma construção antiga, em decadência, talvez abandonada como a anterior. Estamos agora de volta a Ilha Sul da Nova Zelândia e, nessa foto, cheia de cores e luzes, a construção é o principal motivo da composição, ocupando todo o centro e sendo emoldurada pelo verde, pelo amarelo, pelo bege, pelo cinza, pelo azul.</p>
<p>Sob certos aspectos, nem parece real, remetendo ao cenário de passado, de lembranças, até de sonhos. Fechei a trilogia com essa foto, chamando-a de “Lembranças”, em que o tema primavera, embora ainda presente pelas flores e cores vivas, agora perde espaço para aquilo que, em sua essência, não está mais presente. Comparando essa foto com a anterior, fica evidente que o passado agora tomou a frente, ainda que um passado recheado de lembranças alegres, pois é assim que funcionamos, filtrando aquilo que nos acontece e retendo proporcionalmente mais as coisas agradáveis.</p>
<p>Fim da trilogia, início da primavera, de um novo ciclo.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/08/img_9787.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1078" title="Lembranças" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/08/img_9787.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1075/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1075/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1075/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1075/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1075/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1075/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1075/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1075/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1075/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1075/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1075/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1075/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1075/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1075/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1075&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A melhor autobiografia que já li</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Jan 2011 23:17:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Difícil escrever depois de tanto tempo. Estou há dias ensaiando, sem ânimo suficiente, sempre pré-concluindo que dará trabalho demais para resultado de menos. Na verdade, estou há meses ensaiando sem encontrar temas adequados que resultem em algo decente, sem muita exposição, que é a minha tônica atual. Acho que, no final, até agradeço essa ausência: [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1067&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Difícil escrever depois de tanto tempo. Estou há dias ensaiando, sem ânimo suficiente, sempre pré-concluindo que dará trabalho demais para resultado de menos. Na verdade, estou há meses ensaiando sem encontrar temas adequados que resultem em algo decente, sem muita exposição, que é a minha tônica atual. Acho que, no final, até agradeço essa ausência: me poupa de pensar mais do que já penso e também de ter de organizar as ideias no papel, sem saber o que irei encontrar ao terminar – acho que não ando querendo encontrar nada que já não saiba.</p>
<p>Primeiro dia do ano, chuvoso, não há muito a fazer, então vamos lá. O tema que me faz escrever é a biografia do ex-tenista <a href="http://www.andreagassi.com">Andre Agassi</a> (“Open”, na versão original, mas somente Agassi em português), meu contemporâneo de início de 1970. Devorei esse livro de 500 páginas em 3 dias e lembrei, mais do que nunca, que sempre há dois livros escritos em um: o livro realmente escrito pelo autor e aquele que repercute na cabeça de quem lê, que terá contornos muito particulares.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/01/agassi11.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1070" title="agassi1" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/01/agassi11.jpg?w=500" alt=""   /></a></p>
<p>Nunca fui grande fã de tênis, mas lembro-me de quando Agassi ganhou de Luiz Mattar seu primeiro torneio profissional, creio que em1987, em Itaparica, na Bahia. Duvido que alguém que não era grande fã de tênis irá se lembrar disso. Simplesmente não há motivo para isso! Andre um tenista iniciante e o torneio era sem muita importância, mas, por alguma razão, aquilo entrou e não saiu mais da minha memória, como muitas outras coisas, é verdade. Como diz Agassi no livro, “minha memória não é como minha sacola de tênis: não consigo controlar o que há lá dentro. Tudo entra e nada parece sair”.</p>
<p>O ponto central da autobiografia, que foi colocada no papel de forma brilhante por J.R. Moehringer (de <em>Sede de Viver</em>), são as contradições que caracterizam a figura de Agassi. Para começar, ele odiava tênis ou, talvez melhor colocado, uma parte dele odiava. Mesmo assim, foi o quinto melhor tenista da história e o único a ganhar o Grand Slam de carreira – os quatro principais torneios e a medalha de ouro olímpica. Como alguém que odiava o que fazia poderia ir tão longe? De onde vinha toda essa motivação, se dentro dele mesmo ela aparentemente inexistia?</p>
<p>Parte da resposta, além da contradição em si (afinal, parte dele amava o tênis, ainda que sem saber ao certo disso), estava na obsessão, no “instinto assassino” que tinha em quadra (segundo definição do pai) e no perfeccionismo, injetado desde criança pelo seu pai violento e obsessivo, que o forçada a horas intermináveis de treinos, quando as outras crianças estavam brincando ou estudando. Para se ter uma ideia do que foi o pai dele, foi forçado a tomar anfetaminas para melhorar o desempenho quando era apenas um garoto.</p>
<p>A influência negativa do pai impactou por toda sua vida. Agassi lutou contra ela o quanto pode, e das maneiras mais distintas: além de detestar o esporte que definiu sua trajetória, sempre conviveu com a autodestruição e autossabotagem, como que tentando mostrar para si e para os outros que aquele não era ele. Envolveu-se com drogas; perdeu partidas de propósito ou sabendo que iria perder, até <em>desejando</em> perder; certa vez quebrou todos os seus troféus e, em outra, deu suas raquetes para mendigos, dizendo que nunca mais jogaria tênis. Fisicamente, novamente as contradições: apesar de um problema congênito nas costas que lhe causava dores incríveis, foi conhecido como um dos jogadores com a melhor movimentação de fundo de quadra do circuito.</p>
<p>A busca pelo auto-conhecimento permeia toda a sua história, a partir da primeira frase no livro: “abro os olhos e não sei onde estou, nem quem sou. Isso Não é nenhuma novidade, pois passei metade da minha vida sem saber”. Não é o tipo de frase inicial que se espera na biografia de um dos esportistas de maior sucesso da história, mas passa logo de cara a mensagem: não espere (somente) o relato sucessivo de conquistas e lembranças boas e ruins, mas principalmente a tentativa de alguém que, a despeito do sucesso crescente, não sabia ao certo o que estava fazendo ali, se tudo aquilo de fato lhe pertencia ou era ele. Apenas desconfiava que não, que era uma fraude, uma farsa que assinava embaixo. Alguém que, aos olhos do mundo, era um prodígio, um sucesso, mas que, de noite, no escuro, com a cabeça no travesseiro, queria simplesmente largar tudo e ir embora, fazer alguma coisa diferente, sem saber o que.</p>
<p>Com o tempo, Agassi começa a aceitar as contradições como parte de sua  pessoa, sem tentar lutar contra elas. Aceita que quer jogar tudo para o alto mas, ao mesmo tempo, não está preparado para isso. Aceita que tem o instinto assassino, mas por vezes tudo o que quer é perder o jogo e ir embora. Aceita que, apesar de todo o sucesso e todo o dinheiro, continua não tendo todas as respostas – talvez tenha até mais perguntas do que respostas.</p>
<p>Em certo momento, ao falar do pai que, além de violento não demonstrava qualquer tipo de empatia e compaixão, sendo completamente obcecado pelo tênis, ele diz algo como “poucos de nós têm a graça do auto-conhecimento e, até que isso aconteça, talvez o melhor seja sermos consistentes”. A consistência é, assim, uma auto-defesa, uma maneira de não ter de lidar com as contradições, com as ideias opostas habitando o mesmo cérebro, cada uma puxando para um lado. Alguém disse (Einstein?) que gênio é aquele que consegue lidar com duas ideias opostas e ainda assim manter a sanidade.</p>
<p>Ao final, Agassi se rende a sua personalidade contraditória, usando uma citação que sempre gostei muito &#8211; aliás, à medida que fui lendo o livro, a lembrança dessa citação me foi crescendo, até que no final, a encontrei: “<em>Eu me contradigo? Muito bem, então eu me contradigo</em>”- Walt Whitman.</p>
<p>O livro, como se percebe, não é apenas destinado a fãs do tênis, ainda que estes certamente terão enorme prazer em lembrar de jogos e torneios memoráveis, agora sob a visão de um dos protagonistas. Há passagens engraçadas, como o dia em que Agassi e sua equipe viram um cara desengonçado jogar um tênis horrível, dizendo entre si que esse jogador não teria a menor chance no circuito profissional – esse jogador viria a ser…Pete Sampras, seu maior rival e um dos maiores de todos os tempos.  O livro prende do começo ao fim e o capítulo final é simplesmente grandioso, um verdadeiro <em>match point</em>.</p>
<p>Há, acima de tudo, um processo generoso de franqueza, parte da jornada de auto-conhecimento que Agassi decidiu dividir com o mundo, a começar pela capa (e pelo título original), em que seu rosto nu, sem expressão, ocupa a totalidade.</p>
<p>Não sei porque exatamente esse livro me impactou tanto (ou talvez , no fundo, saiba): nunca fui esportista de elite, muito menos famoso, não vejo graça alguma em Las Vegas (de onde ele é e onde mora até hoje com sua segunda esposa, a super-tenista Stefanie Graf e dois filhos) e nem cheguei perto de me casar com a Brooke Shields.</p>
<p>Sei apenas que foi criada uma conexão; ou, quem sabe, essa conexão sempre existira &#8211; a explicação para que eu tenha guardado na memória, sem qualquer razão aparente, aquela distante vitória inicial em Itaparica. Era como se, por algum motivo desconhecido, eu tivesse instintivamente captado, em meio ao caos de informações sem importância que, naquele momento, algo relevante estava começando a acontecer.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/01/agassis1.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1072" title="agassis" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/01/agassis1.jpg?w=500" alt=""   /></a></p>
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		<title>Viajando pela Ilha Sul da Nova Zelândia</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Nov 2010 20:57:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[aventura]]></category>
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		<description><![CDATA[Tenho viajado bastante nos últimos anos, normalmente a trabalho, mas sempre conseguindo conciliar um pouco de lazer e turismo. Nesse mês, fui para a Nova Zelândia, onde participei de um evento e aproveitei para tirar uma semana para conhecer um pouco da Ilha Sul, a mais “selvagem”, tendo paisagens de cartão-postal. Apesar das inúmeras viagens, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1054&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho viajado bastante nos últimos anos, normalmente a trabalho, mas sempre conseguindo conciliar um pouco de lazer e turismo. Nesse mês, fui para a Nova Zelândia, onde participei de um evento e aproveitei para tirar uma semana para conhecer um pouco da Ilha Sul, a mais “selvagem”, tendo paisagens de cartão-postal.</p>
<p>Apesar das inúmeras viagens, essa eu aguardei com grandes expectativas. Sempre me interessou conhecer esse país de apenas 4,2 milhões de habitantes, apesar de ser praticamente do tamanho do Japão e das Ilhas Britânicas. A Nova Zelândia fica a 1.600 km a este da Austrália e a 12.000 km de São Paulo. São 15 horas de diferença (para mais).</p>
<p>A expectativa era também poder fotografar – meu principal hobby hoje. Sabia que a viagem não seria destinada a fotografia. Teríamos pouco tempo em cada lugar, não havia como esperar tempo melhor, ou a luz certa. De qualquer forma, confiei na qualidade das paisagens para dar uma ajuda. Um pouco do que fotografei pode ser visto aqui.</p>
<p>Meu compromisso foi em Auckland, na Ilha Norte. É a principal cidade do país, com 1,2 milhão de habitantes. Logo que se chega, ao caminharmos pela cidade, tem-se a impressão de estarmos em alguma cidade do Sul da Ásia, tal a quantidade de orientais que moram em Auckland. Alguém me falou que cerca de 10% da população do país é formada por orientais. Auckland é a maior cidade polinésia do mundo, considerando aí os próprios países polinésios.</p>
<p>Mesmo sendo uma cidade grande, a impressão que se tem é que não é uma cidade neurótica como outras grandes cidades. Parece que ninguém tem pressa, e as pessoas sabem curtir a vida.  As pessoas em geral são alegres, educadas (em toda a NZ) e orgulhosas do país que construíram. O trabalho vai de 8 as 5 da tarde, e depois disso, o pessoal vai velejar ou passear em algum parque da cidade. Auckland é a cidade com o maior número de veleiros por pessoa no mundo. O padrão de vida na Nova Zelândia é elevado e a impressão que se tem é que o país concilia o fato de já ter construído sucesso com sociedade (foi o primeiro país a permitir voto feminino, além da população local, os Maoris, estarem plenamente integrados à sociedade ocidental) e mesmo assim ter pique para fazer mais, como atesta o crescimento da área de serviços, principalmente software e alta tecnologia.</p>
<div id="attachment_1055" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/img_9259.jpg"><img class="size-full wp-image-1055" title="IMG_9259" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/img_9259.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Velejando no Golfo de Hauraki, em Auckland</p></div>
<p>Mas a parte turística ficou reservada a Ilha Sul (veja o roteiro abaixo). Logo que terminou o evento, eu e mais dois colegas pegamos o avião da Air New Zealand para Queenstown, cidade de 7.000 habitantes no Sul da Ilha Sul e que é o ponto de partida para as aventuras, incluindo os esportes radicais, como bungy jump, jet boat, paraglider e outros.  Queenstown é uma mistura de Campos do Jordão bem melhorada, com San Martin de Los Andes, na Patagônia Argentina. Aliás, é incrível como certas paisagens da Nova Zelândia, na Ilha Sul, se parecem com a Patagônia.</p>
<div id="attachment_1057" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/img_0215.jpg"><img class="size-full wp-image-1057" title="IMG_0215" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/img_0215.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Lago Wakatipu, entre Queenstown e Glenorchy</p></div>
<p>No segundo dia, andamos 300 km até Milford Sound, que fica a Oeste, mas cujo acesso se dá apenas pelo Sul, fazendo uma grande volta. O caminho cruza fazendas de ovelhas, veados e rebanhos bovinos, dando a impressão de estarmos parados no tempo. A dificuldade inicial foi dirigir pela mão inglesa, “do lado errado da estrada”.  Os primeiros dois dias são meio aflitivos, mas depois você se acostuma. É preciso tomar cuidado com o limite de velocidade – 100 km/hora. Para não perder o hábito, tomei uma multa (a 113 km/hora) logo no primeiro dia, mas depois fiquei bem mais esperto…Uma dica: ao planejar viagens, esqueça médias altas de velocidade. Primeiro, as estradas são sinuosas e cortam cidades e vilarejos; segundo, você vai querer parar a toda hora. Fizemos os 300 km até Milford Sound em 5 horas.</p>
<div id="attachment_1056" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-21-c3a0s-17-06-39.png"><img class="size-full wp-image-1056" title="Captura de tela 2010-11-21 às 17.06.39" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-21-c3a0s-17-06-39.png?w=500&#038;h=432" alt="" width="500" height="432" /></a><p class="wp-caption-text">Nosso roteiro de carro, com quase 2.000 km rodados nos 6 dias</p></div>
<p>Passando Te Anau, começa a estrada para Milford Sound propriamente dita. Pelo que havia lido, esperava mais desse caminho. É o problema das expectativas elevadas. O tempo também não ajudou. Saímos de Queenstown com sol, mas à medida que chegávamos nos fiordes de Milford Sound, começou a chover. Aliás, não poderíamos esperar outra coisa de um lugar onde chove 8.000 mm por ano – o que dá mais de 20 mm por dia. Um assombro.</p>
<p>Milford Sound, no entanto, é realmente impressionante, mesmo com tempo ruim. Faça o passeio de barco, de 2 horas, indo até o Mar da Tasmânia pelo meio dos fiordes, de onde descem cachoeiras gigantescas, de até 500 metros (as maiores do mundo). Um neozelandês me disse que, com sol, é o lugar mais bonito do planeta. Não duvido – Kipling considerou Milford Sound a oitava maravilha do mundo.</p>
<p>Voltamos tarde, mas o caminho de volta nos reservou um belo por-do-sol e ótimas fotos nas fazendas que parecem quadros. Reservamos o dia seguinte para os esportes de aventura, ficando o destaque para o salto de b<a href="http://www.bungy.co.nz/index.php/ps_pagename/queenstown">ungy jump da ponte Kawarau</a>, de 43 metros. Foi  oprimeiro bungy jump feito no país que inventou o esporte. Não é tão impressionante como deve ser o salto do Nevis, lá também e que atinge 134m, mas a adrenalina é certa, fora a paisagem, deslumbrante. A organização também é incrível. O país sabe fazer dinheiro dos dons que a natureza lhe deu. Ao fazer o salto, você pode incluir o DVD com o vídeo da proeza, por NZ$ 15 a mais (US$ 12). Ao saltar, eles de mostram as fotos – 9, todas ótimas, tiradas de vários ângulos, e não há como não pagar mais NZ$ 45 por elas, incluindo as cópias digitais publicadas no site <a href="http://www.ididit.co.nz/">www.ididit.co.nz</a>, três dias depois.</p>
<div id="attachment_1058" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/ajhk011130321541.jpg"><img class="size-full wp-image-1058" title="AJHK011130321541" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/ajhk011130321541.jpg?w=500&#038;h=741" alt="" width="500" height="741" /></a><p class="wp-caption-text">I did it!</p></div>
<p>Fizemos a descida de ludge (uma espécie de carrinho de rolemã) do Bob’s Peak, em Queenstown – é Ok, mas para quem gosta de kart, esperava mais (talvez porque perdi a corrida…rs)…De tarde, pegamos a bela estradinha que margeia o lago Wakatipu até Glenorchy (40 km), onde seguimos por mais 35 km até Paradise, por uma estrada de cascalho que passa no meio de fazendas cobertas com azevém de um verde incrível, margeada pela cadeia de montanhas Remarkables. Consta que no caminho para Paradise foram filmadas cenas de O Senhor dos Anéis. Cruza-se riachos rasos (cuidado com o carro, pois não há pontes) e florestas belíssimas, mas tivemos um contratempo que gerou certo stress e meio que estragou o final do dia: numa saída de terra, bem devagar, passei em cima de um galho de madeira solto, que girou e acertou em cheio o retrovisor, que ficou destruído. Nunca vi acontecer isso, mas enfim…</p>
<p>Terminamos o dia em Wanaka, distante uns 90 km de Queenstown. Essa pequena cidade de 3.600 habitantes fica às margens do belo lago Wanaka, do qual se pode ter uma ótima vista ao subir o Mt. Iron (1,5 hora de caminhada). Há diversas caminhadas e esportes radicais na região, mas nosso tempo era escasso, e o caminho, longo: a viagem envolvia um total de 1.800 km até Blenheim, no norte da Ilha Sul, onde tomaríamos o vôo de volta para Auckland e para o Brasil.</p>
<p>O dia seguinte nos reservou as paisagens mais bonitas da viagem. Para se ter uma ideia, além da subida ao Monte Iron, só rodamos 140 km, mas levamos o dia inteiro até Haast, na costa oeste, cruzando o Parque Nacional Mount Aspiring. Não me recordo de ter percorrido qualquer estrada por 140 km em que todos eles foram incríveis, principalmente quando se chega ao lago Hawea, o mais bonito que visitamos. Encostas cheias de ovelhas pastando, picos nevados e lagos de cor azul, verde, turquesa, etc.  Não resisti e tive que entrar na água gélida – há provas! E não se vê quase ninguém nas estradas, o que dá a sensação de que tudo aquilo é seu. Aliás, é uma constante principalmente na Ilha Sul.</p>
<div id="attachment_1059" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/img_0385.jpg"><img class="size-full wp-image-1059" title="IMG_0385" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/img_0385.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Lago Hawea</p></div>
<p>Ao cruzar o Mount Aspiring, vamos saindo da região que chove menos e entrando na Costa Oeste, cuja precipitação atinge 5.000 mm anuais. A mudança de visual é radical. Os lagos e picos dão lugar à “rain forest” temperada, e a sensação é que estamos cruzando a Mata Atlântica, descendo a Tamoios…</p>
<p>Pernoitamos em Haast, onde supostamente moram 300 pessoas, mas o que vimos foram 2 hotéis de beira de estrada, dois restaurantes, um posto de gasolina e mais nada. Dica importante na Nova Zelândia: mantenha sempre o carro abastecido e fique atento às longas distâncias, pois realmente não há nada entre elas. De Hawea para Haast, o único sinal de civilização é em Makarora, onde há basicamente um hotel de estrada, com um restaurante simples. Também, nas cidades e vilarejos menores, é aconselhável reservar hotel antes, porque você pode não achar vaga se chegar de última hora, e a próxima cidade pode estar a 1 hora ou mais.</p>
<div id="attachment_1060" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/img_0598.jpg"><img class="size-full wp-image-1060" title="IMG_0598" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/img_0598.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Rio Haast</p></div>
<p>Outra dica importante: leve ou compre protetor solar e repelente, principalmente nos meses mais quentes. A Nova Zelândia é um dos países onde o buraco na camada de ozônio é maior, e todo cuidado é pouco. É preciso passar protetor várias vezes ao dia. O repelente também é essencial, a não ser que você não se importe em ser devorado por uns borrachudos gigantes, cuja aproximação você nem percebe.</p>
<p>Após dormir em Haast, percorremos mais 270 km até Hokitika, em direção norte, na Costa Oeste, margeando o Mar da Tasmânia. De todo o trajeto, este talvez seja o mais homogêneo, passando sempre em meio a florestas úmidas, com os Southern Alps à direita. De novo, a sensação de estarmos na Rio-Santos ou na Mogi-Bertioga, exceto pelos picos nevados, entre eles o Mount Cook, mais alto da Nova Zelândia.</p>
<p>Não é um trecho feio, longe disso; mas perto do dia anterior, qualquer coisa seria covardia. O tempo também não colaborou, principalmente ao chegarmos às geleiras Fox e Franz Josef. Em função da neblina, o <a href="http://www.helicopter.co.nz">heli-hike</a> (vôo de helicóptero que pousa na geleira, seguindo de caminhada de 2 horas) que iríamos fazer foi cancelado, e não conseguimos mais lugar no passeio por terra, lotado. Apesar da frustração, caminhamos até a base da geleira (mais ou menos 45 minutos) e arrisquei subir de forma meio ilegal a trilha que os guias sobem. Consegui chegar à geleira e caminhei um pouco, mas não me aventurei mais, afinal não tinha os sapatos apropriados e minha insanidade tem algum limite.</p>
<p>Em Hokitika, cidade também de pouco mais de 3.000 pessoas, jantamos no ótimo Stumpers, após termos conseguido ficar em um chalet bem legal, de frente para o Mas da Tasmânia, pagando cerca de US$ 45 por pessoa. Hotikika é bem interessante, turística, sendo a capital do jade, onde se pode comprar belas peças feitas com a pedra típica do país.</p>
<p>De Hokitika, subimos até Kumara Junction e rumamos para leste, cruzando os Alpes Sulinos por Arthur’s Pass, pasando pelo parque nacional de mesmo nome. É incrível a mudança de paisagem quando se passa para o vale do outro lado: a floresta úmida dá lugar a uma paisagem mais árida e mais aberta, onde a irrigação se faz necessária para viabilizar a produção pecuária. A estrada acompanha o sinuoso rio Otira, passando por vales lindos como o do rio Waimakariri. Há diversas trilhas bem sinalizadas, às quais não fizemos por falta de tempo. A Nova Zelândia é o país da natureza, tendo desenvolvido uma estrutura invejável para campings. Tudo é limpo, sinalizado, pronto para ser usufruído. Ficamos com vontade de alugar uma van com cama e tudo, que custa cerca de  US$ 100/dia e dá total autonomia ao viajante, que pode estacioná-la onde quiser para dormir.</p>
<p>O final desse trecho, cuja distância total é de 230 km, não é muito interessante, até que se chega em Christchurch, maior cidade da Ilha Sul, com cerca de 320.00 habitantes, e cujo único sinal do terremoto de 7.3  pontos de outubro são algumas casas que perderam as chaminés. Nenhuma morte, contra 230.000 no Haiti, que teve um terromoto da mesma magnitude (7.0).</p>
<div id="attachment_1061" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/img_0847.jpg"><img class="size-full wp-image-1061" title="IMG_0847" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/img_0847.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Fazenda em Arthur&#039;s Pass</p></div>
<p>Conhecemos quase nada de Christchurch, a cidade dos jardins. De lá, o trecho final da viagem. Mais 320 km pela Costa Leste, a do Pacífico (mais bonita do que a oeste), até Blenheim, em Marlborough, a principal região vinícola da Nova Zelândia. Ainda não falei nada sobre vinhos, mas a Nova Zelândia é a terra dos melhores Sauvignon Blancs do mundo, principalmente em Blenheim, além de ótimos Pinot Noirs mais ao Sul. E os vinhos nos restaurantes são honestos – com US$ 30 a US$ 50 se toma vinhos muito bons, logicamente tirando os fora de série, para os quais vai se pagar bem mais.</p>
<p>O ponto alto da costa leste é a vila de Kaikoura, uma península verdejante que avança sobre o mar e tem ao fundo os picos nevados dos Alpes do Sul. Aqui, o tempo novamente não ajudou, mas deu para ver que o lugar é muito bonito (é daqui que saem os passeios para ver as baleias, que aparecem com freqüência nesse local).</p>
<p>Finalmente, Blenheim, 20.000 habitantes, encravada no vale do rio Warau, nos limites da ilha Sul. Jantamos no ótimo  restaurante do <a href="http://www.durville.com/">Hotel D’Urville</a>, tomando nossos dois últimos vinhos da viagem: um Sauvignon Blanc, Villa Maria Reserve, e um Pinot Noir, Mt. Difficulty, de Central Otago, mais ao Sul. Um final digno para uma viagem memorável, daquelas que deixam a impressão de que precisamos um dia voltar.</p>
<div id="attachment_1062" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/img_9787.jpg"><img class="size-full wp-image-1062" title="IMG_9787" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/img_9787.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Paisagem rural no caminho de Milford Sound</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1054/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1054/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1054/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1054/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1054/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1054/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1054/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1054/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1054/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1054/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1054/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1054/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1054/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1054/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1054&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Dica de filme: &#8220;O Clube do Imperador&#8221;</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Nov 2010 21:02:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Outro dia assisti meio por acaso ao filme “O clube do imperador”(Emperor&#8217;s Club), de 2002 e que por aqui só saiu em vídeo. Uma pena. O filme é dirigido por Michael Hoffman e tem a participação brilhante de Kevin Kline e Emile Hirsch. William Hundert (Kline) é um professor de cultura ocidental  em uma tradicional [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1045&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia assisti meio por acaso ao filme “O clube do imperador”(<a href="http://www.imdb.com/title/tt0283530/">Emperor&#8217;s Club</a>), de 2002 e que por aqui só saiu em vídeo. Uma pena. O filme é dirigido por Michael Hoffman e tem a participação brilhante de Kevin Kline e Emile Hirsch.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-54-171.png"><img class="alignnone size-full wp-image-1048" title="Captura de tela 2010-11-02 às 16.54.17" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-54-171.png?w=500" alt=""   /></a></p>
<p>William Hundert (Kline) é um professor de cultura ocidental  em uma tradicional escola de elite para garotos, idealista e quem tem a preocupação real de contribuir para a formação de seus alunos. Ética, moral e caráter são conceitos passados utilizando o exemplo de filósofos gregos e romanos. De nada adianta realizar se estas realizações não estiverem ancoradas solidamente nestes valores. “O caráter de um homem é o seu destino”, diz.</p>
<p>Com a chegada de um novo aluno, Sedgewick Bell (Emile Hirsch), o professor é desafiado como nunca fora antes. Hirsch é indisciplinado, mal educado, questionador e imoral.</p>
<p>Hundert encara o desafio de “corrigir” o garoto, colocando-o no caminho que considera correto. Seu trabalho aparentemente é recompensado: Bell passou a estudar e colocou como meta se classificar entre os três finalistas do concurso Julio Cesar. Ele quase consegue – fica com a quarta vaga – mas Hundert altera uma das notas para que seu pupilo regenerado atingisse a meta.</p>
<p>No concurso, Hundert descobre que Bell trapaceou para vencer, e pergunta a ele o porque, já que sabia a matéria. “Porque não?”, retrucou, mostrando que seria bem mais difícil mudar o comportamento aprendido com seu pai, um senador da república, do que o professor supunha.</p>
<p>Falando assim, o filme parece um pouco Sociedade dos Poetas Mortos: um professor apaixonado empenhando-se para ensinar alunos e, com isso, produzir grandes homens. Mas seria injusto ficar nessa comparação. Apesar de fama bem menor, Emperor’s Club é superior ao apresentar uma dubiedade importante.</p>
<p>De um lado, o filme nos faz acreditar na humanidade, no idealismo, na gratidão, no caráter. O exemplo mais contundente, além do próprio professor, que carregou a culpa de seu erro pelo resto da vida ao favorecer um aluno desonesto, reside no próprio aluno que fora prejudicado. Anos depois ao saber da injustiça, soube relevar o fato, mostrando grandeza (a cena final é especialmente tocante), apesar de ter sido algo muito duro na época: seu avô e seu pai haviam ganho o prestigioso prêmio, e a não classificação representou um enorme fracasso para o jovem gordinho e de óculos, cujas esperanças de ser alguém de destaque precisavam naquela conquista.</p>
<p>A escolha equivocada do professor nos faz lembrar que somos responsáveis por muitos outros destinos que não o nosso, queiramos ou não. Pequenos atos equivocados, até com a melhor das intenções (Hundert achava que “perderia” novamente Bell caso este não se classificasse por tão pouco), podem resultar em caminhos muitos distintos para os envolvidos, quando projetados no longo prazo.</p>
<p>Mas além da crença no perdão e na grandeza, o filme também passa a mensagem de que caráter não tem relação com sucesso. Mais ainda: a conduta errada pode ser recompensada, ao menos materialmente, como pode ser percebido pelo status financeiro de Bell muitos anos depois de sair da escola.  Há um ceticismo implícito no sucesso de Bell (e de seu pai): a sociedade não recompensa pelos meios, mas sim pelos fins; o que conta é o resultado, não o processo. Lembrei aqui de um post antigo que escrevi sobre liderança (<a href="http://blog.oquederevier.com/2008/12/07/lideranca-uma-outra-abordagem/">O lado menos nobre da liderança</a>), em que menciono um trecho que gosto muito em um dos livros do Paul Auster, falando justamente sobre malandros e o sucesso.</p>
<p>Esse comportamento do fim justificar os meios está permeado em nossa sociedade, queiramos ou não. Quer um exemplo? O coroado time de vôlei masculino do Brasil, dirigido pelo incontestável Bernardinho, que perdeu um jogo para cair em uma chave mais fácil no mundial. Podemos ficar chocados e condenar o ato, mas cuidado com a hipocrisia: eles serão, no final, cobrados pelo resultado, e se comportam alinhados a essa cobrança. Essa postura é irmã siamesa do “rouba mas faz”,  etc.</p>
<p>É interessante que o professor tenta, infrutiferamente, mudar o comportamento do aluno e, depois do homem que se formou a partir daquelas bases. Mas não estão na mesma sintonia – Bell não vai pensar como Hundert e, portanto, é imune aos argumentos buscados nos valores morais. Não se muda o caráter de alguém, afinal, propõe o filme. O único momento em que Bell titubeia em sua conduta inescrupulosa ocorre quando o filho pequeno escuta sem querer o pai falando de suas trapaças. Ele se envergonha, mostrando que, no final, sabe que está errado, sabe que há um comportamento aceitável e outro inaceitável, há uma ética presente em todos os humanos, independentemente da origem e criação.</p>
<p>O Clube do Imperador é um filme que merece ser visto. Além de ótima produção, bate fundo na tecla dos valores pessoais e da sociedade, tema muito oportuno ao momento atual da política, da economia e do meio ambiente mundial.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-56-00.png"><img class="alignnone size-full wp-image-1049" title="Captura de tela 2010-11-02 às 16.56.00" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/11/captura-de-tela-2010-11-02-as-16-56-00.png?w=500" alt=""   /></a></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1045/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1045&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Responsabilidade social nas empresas: para inglês ver?</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Oct 2010 23:24:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O livro “Double your Profits in 6 months or less – 78 ways to cut costs, increase sales &#38; dramatically improve your bottom line”, de Bob Fifer, é uma espécie de manual de auto-ajuda para empresas que pretendem ser altamente rentáveis. Escrito em 1993, foi livro de cabeceira de uma série de empresários de sucesso [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1038&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O livro “Double your Profits in 6 months or less – 78 ways to cut costs, increase sales &amp; dramatically improve your bottom line”, de Bob Fifer, é uma espécie de manual de auto-ajuda para empresas que pretendem ser altamente rentáveis.</p>
<p>Escrito em 1993, foi livro de cabeceira de uma série de empresários de sucesso – consta que é um dos livros de referência do trio original do GP – Lehmann, Sicupira e Telles. Larry Bossidy, ex-GE, co-autor de Execution, junto com Ram Charan (ótimo livro, por sinal), diz que o livro é “…<em>terrific, insightful, practical and compreehensive</em>”. O título é um tanto suspeito – mas nunca devemos subestimar o impacto de títulos e propostas óbvias, especialmente nessa área de auto-ajuda corporativa (e pessoal também). Capítulos curtos, de 2 a 3 páginas, não cansarão o leitor mais preguiçoso; tudo feito para que “Double your Profits” também seja um empreendimento lucrativo em si mesmo.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/10/captura-de-tela-2010-10-18-as-20-28-24.png"><img class="alignnone size-full wp-image-1039" title="Captura de tela 2010-10-18 às 20.28.24" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/10/captura-de-tela-2010-10-18-as-20-28-24.png?w=500" alt=""   /></a></p>
<p>Sejamos justos. O livro tem uma série de dicas boas – em grande parte óbvias, é verdade – mas que normalmente não são adotadas, talvez porque dar lucro a qualquer custo não seja a meta da maior parte dos negócios.  Quem conseguir levar o livro ao pé da letra provavelmente terá um negócio rentável – pelo menos enquanto os “<em>stakeholders</em>” (termo que provavelmente na época não era considerado) aguentarem.</p>
<p>Fifer é espirituoso. Logo na primeira frase da introdução, no Step 1 dos 78 previstos, ele diz que o livro é dedicado a qualquer um que se preocupa com o seu negócio, o que exclui uma porcentagem surpreendentemente grande de gestores nos EUA (imagine em outros países). Essa frase é altamente eficaz em trazer o leitor para dentro de sua proposta.</p>
<p>À semelhança de Gordon Gekko, do filme Wall Street, coincidentemente de volta agora, muitas das propostas de Fifer são, no mínimo, eticamente questionáveis. No tópico sobre redução de custos, por exemplo, ele prega categoricamente: “<em>When suppliers say “no” (para reduções preços), hit them again and again</em>”. Ou seja, force reduções de preços nos fornecedores &#8211; mesmo que seja necessário blefar, completa.</p>
<p>Até aí, pode-se argumentar que faz parte do jogo. Mas e o passo 37: “Nunca pague uma conta até que o fornecedor reclame ao menos duas vezes. Você se surpreenderá – alguns demoram até 2 anos para exigir o pagamento”.  E ainda: “Adie o pagamento para 45 dias, depois 60, depois 3 ou 6 meses para os fornecedores que tolerarem”. Em outras palavras, mesmo já combinado, não pague (desde que não haja multa, claro).</p>
<p>Aos dias de hoje, essa proposição pode parecer meio absurda, especialmente em um momento em que a responsabilidade social cresce entre as empresas. Se puderem, assistam à fala do Fábio Barbosa, presidente do Santander, na TED-SP (abaixo). Quanta diferença!</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2010/10/18/responsabilidade-social-nas-empresas-para-ingles-ver/"><img src="http://img.youtube.com/vi/SrONJfa9lZU/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Mas…será que é assim mesmo? Será as propostas de Fifer, muito distantes do que prega a responsabilidade social, são tão extemporâneas assim? Temo que não.</p>
<p>Outro dia um amigo empresário me disse que tinha um cliente grande, global, empresa de enorme reputação, e que simplesmente adiava os pagamentos, sob qualquer argumento possível: burocracias internas, problemas de caixa, até incompetência das pessoas (será que eram tão incompetentes assim para cobrar também?). Obviamente que não. O “floating” era parte do negócio.</p>
<p>O mercado é livre e cada um vende para quem quiser, argumenta-se. Se sua empresa não depende desse cliente, pode simplesmente deixar de atendê-lo. Mas não é esse a questão principal. Esse mesmo cliente gasta um bom dinheiro na mídia, em ações que o identificam a causas supostamente valorizadas pelo público leigo: responsabilidade social, práticas ambientais, etc. Esse dinheiro aplicado na mídia, além de grandes investimentos no marketing de seus próprios produtos, cria uma blindagem eficaz, que dificultam em muito a divulgação de suas verdadeiras práticas comerciais.</p>
<p>Há diversos outros exemplos por aí. Um outro conhecido que tem uma pequena empresa que comercializa produtos para grandes redes do varejo, reportou que certa vez  o comprador simplesmente disse que pagaria 1/3 do acordado, depois do produto ser entregue, e que se o fornecedor (de pequeno porte e querendo se estabelecer no mercado) quisesse, que procurasse seus direitos. Essa mesma rede é conhecida por significativos investimentos na redução dos desperdícios e em práticas ambientalmente saudáveis, que ganham amplo espaço na mídia, apoiada por competentes assessorias de imprensa.</p>
<p>Esses exemplos, caso se constituam regra geral dos negócios, são preocupantes, até piores do que os abusos explícitos de Fifer, Gordon Gekko e seus seguidores: afinal, estes não se travestiam de cordeiros, disfarçados sob o manto da responsabilidade social e ambiental. Hoje, ao contrário, muitas dessas empresas revestem-se de um verniz socialmente aceito, divulgam suas práticas sociais e ambientais, altamente aceitas pela mídia e pela sociedadade e, com isso, ganham carta branca para continuar “<em>doing business as usual</em>”, seja nas práticas comerciais, seja na depleção dos recursos naturais, seja na sonegação de impostos.  E, claro, crescem, seguindo os princípios de Fifer &amp; Companhia.</p>
<p>Creio que as entidades que advogam e monitoram práticas socialmente responsáveis têm um grande desafio. De um lado, necessitam que as grandes empresas se engajem em suas causas, ainda que por baixo dos panos a história não seja exatamente a mesma. A simples participação dos grandes, devem raciocinar estas entidades, ajuda a mover a roda em direção ao que consideram correto, mesmo que o caminho não seja tão em linha reta quanto deveria. Até concordo com essa análise.</p>
<p>Por outro lado, precisam cuidar para que tudo não vire apenas apenas marketing (sem ofender o marketing) oco, desconectado com o que de fato acontece e que  efetivamente gera resultados aos negócios, a ponto de não sabermos o que é e o que não é verdade, como muitas vezes acontece na política, para citar um exemplo que estamos vivendo hoje.</p>
<p>Ou ainda, precisam cuidar que, em um futuro próximo, o suposto engajamento social e ambiental seja apenas mais um capítulo, quem sabe o passo 79, para uma eventual revisão de  “Double your profits”, versão século XXI.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Rock in Rio I ….lembranças de 1985</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Aug 2010 01:26:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[aventura]]></category>
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		<description><![CDATA[O anúncio da nova edição do Rock in Rio me resgatou velhas lembranças da adolescência. Sejamos justos: a maioria de nós tem poucos momentos que geram histórias a ser contadas para os filhos e netos. No mais das vezes, é uma existência normal, distante do que vemos em filmes e lemos nos livros. Afinal, não [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1033&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O anúncio da nova edição do Rock in Rio me resgatou velhas lembranças da adolescência. Sejamos justos: a maioria de nós tem poucos momentos que geram histórias a ser contadas para os filhos e netos. No mais das vezes, é uma existência normal, distante do que vemos em filmes e lemos nos livros. Afinal, não somos heróis. Claro, há as exceções – mas refiro-me à maioria de nós.</p>
<p>Se até agora eu tiver uma dezena de momentos destes, sentirei-me plenamente satisfeito. Não sei se chegam a uma dezena, mas o que envolve a primeira edição do Rock in Rio certamente é uma delas.</p>
<p>Início de 1985. Eu tinha 14 anos e ouvia basicamente heavy metal.  Não era metaleiro – aliás termo odioso. Simplesmente gostava da música, junto com amigos da rua e do colégio. Era o que nos unia, naquele momento de transição entre ser uma criança e o protótipo de alguém na vida. No mais, era um garoto normal, de classe média, aluno mediano, mirrado, que jogava bola e pouco mais do que isso. Não usava correntes, tinha o cabelo curto.</p>
<p>Mas cismei que queria ir ao Rock in Rio. E, quando cismava, era difícil me demover. Imagine, naquela época, ver ao vivo o Ozzy, Iron Maiden, AC/DC, Scorpions…era um sonho, em uma época em que não havia nem sombra de internet, em que o Brasil era periferia do mundo, como outros (muitos) países ainda o são. Ninguém vinha para cá. Os ídolos, só em revistas, a maioria importada. Era a época em que pegámos o ônibus Ceasa 6262, ou o Lapa 875C, para irmos ao centro de São Paulo comprar camisetas, buttons e discos importados na Woodstock (ainda existe? que pergunta…) ou na Baratos Afins. Era uma aventura de quase um dia todo: moleques arrumados, filhinhos de papais disfarçados de roqueiros, andando em meio a cabeludos mal encarados, com tatuagens – eram mais raras &#8211; correntes nas calças e no pescoço.</p>
<p>Junto comigo, alguns amigos convenceram seus pais, e lá fomos para o Rio naquele janeiro de 1985. Fiquei na casa de parentes cariocas da minha finada avó, que estrategicamente foi ao Rio comigo mas, claro, não ao festival.</p>
<p>Dos 9 dias, comprei ingresso para 4. Os 4 dias em que havia heavy metal, entre eles o primeiro, dia 11 de janeiro (de repente, me vem à cabeça os outros dias – 15, 16 e, o último, 19).  Aliás, não existe ex-amante de heavy metal. Ao longo da vida, você alarga seus horizontes e gostos musicais, pode até não ouvir mais, mas o sangue vai ferver quando ouvir os velhos mestres – Black Sabbath, Led Zeppelin, Iron Maiden, Judas Priest, etc, como um felino selvagem que foi supostamente domesticado. Talvez não tenha a ver com o heavy metal em si, mas com a música, qualquer que seja, que você ouvia nessa época marcante de sua vida.</p>
<p>Ir ao Rock in Rio foi uma insanidade. Aliás, o Rock in Rio I foi uma insanidade. Dezenas de milhares de pessoas amontoadas em uma cidade do Rock sem qualquer infra-estrutura, em que pequenas brigas ocasionavam a movimentação de manadas de pessoas aos gritos, sob o risco de pisoteamento. Depois de 9 dias, o cheiro era insuportável: urina, barro, chuva, tudo se misturava. Lembro-me de, exausto, deitar sob alguma coisa que me fez sentir minimamente protegido, e dormir um pouco, não sem antes observar dezenas de baratas e alguns ratos zanzando ao meu redor. Mas o sono era mais forte.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/08/captura-de-tela-2010-08-16-as-21-23-06.png"><img class="alignnone size-full wp-image-1035" title="Captura de tela 2010-08-16 às 21.23.06" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/08/captura-de-tela-2010-08-16-as-21-23-06.png?w=500" alt=""   /></a></p>
<p>Mas, como muitas vezes acontece quando a prudência é abandonada por pura ingenuidade, sobrevivemos. Mesmo quando nos separávamos por variadas razões, conseguíamos nos encontrar para ir embora. Mesmo quando teimávamos em ficar a metros do palco – com a clara sensação de que, na iminência de um corre-corre, não teríamos para onde escapar -  nosso anjo da guarda esteve a postos. De fato, só muito tempo depois fui racionalizar e compreender a loucura que foi tudo aquilo. Talvez nem tenha sido tudo isso; talvez a idade, a responsabilidade, filhos, etc. vão nos infundido temor e cautela.</p>
<p>Mas, devaneios a parte, eu estava lá e vi meus ídolos, aqueles que só ouvia nos discos de vinil (CDs estavam apenas começando!). Porém, não era suficiente. Todos eles estavam hospedados no Copacabana Palace, em cuja entrada amontoavam-se centenas de pessoas na inútil tentativa de tirar uma foto, ou ao menos ver de relance nossos ídolos em sua rotina diária, entre shows. Lá fui eu também.</p>
<p>Mas para mim não era suficiente. Resolvi bolar um plano para o que era até então impossível: entrar no Copacabana Palace, ver os ídolos de perto, talvez pegar autógrafos.</p>
<p>Era a hora da minha avó entrar em cena. Certamente não iriam barrar a entrada de uma respeitável senhora, desejosa de tomar seu chá das cinco no Copa, acompanhada de seu também respeitável neto, cabelinho cortado e com a aparência de filhinho de papai que, comparado com os demais tipos presentes, certamente o era.</p>
<p>Dito e feito. Enquanto os fãs se amontoavam na porta tentando migalhas, entramos tranquilamente no Copa. Era a chance de ver os ídolos de perto – mais do que isso, confesso, o que me deixava exultante era o fato de meus amigos não poderem fazer o mesmo. Sei, é uma visão pequena e egoísta, mas explicável considerando que eu era o menor da turma, com tudo aquilo que sempre acompanha o menor da turma, ainda mais na adolescência. Era uma sutil vingança.</p>
<p>Aos poucos, eles foram aparecendo. O Iron Maiden já tinha ido embora, mas Angus Young, do AC/DC, estava lá; Klaus Meine, do Scorpions, estava lá; David Coverdale, do Whitesnake, estava lá.</p>
<p>Mas a maior surpresa foi diante do elevador do Copa. Não me lembro agora porque exatamente eu estava na porta do elevador, mas lembro-me claramente que, quando a porta se abriu, ele estava lá. Aquela figura grotesca, caricatural, assustadora: Ozzy Osbourne, meu ídolo na época, um ícone saído há poucos anos do Black Sabbath, minha banda favorita.</p>
<p>Meu inglês era pífio na época, e acho que mesmo que não fosse, o que eu poderia falar para alguém como o Ozzy? Simplesmente estendi o papel e a caneta, ele assinou um garrancho provavelmente pela milionésima vez na vida, certamente nem reparou em mim, mas era o suficiente: poderia agora voltar para casa com a minha história.</p>
<p>Uma história que ficou dormente até que ouvi ontem “se a vida começasse agora….”. É engraçado – são 25 anos, mas parece que foi ontem.</p>
<p>Não sei onde forar parar os autógrafos que tanto valeram na época. Provavelmente no lixo alguns anos depois, quando deixaram de significar, quando outros fatos e realidades tornaram-se mais relevantes. Mas a memória, essa fica…</p>
<p>You Tube…o que faríamos sem ele?</p>
<p>Não tem como me emocionar ainda mais ao ver esse vídeo: Ozzy Osbourne cantando Crazy Train. <em>Eu estava lá. E </em>foi essa a figura que vi na minha frente!</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2010/08/17/rock-in-rio-i-%e2%80%a6-lembrancas-de-1985/"><img src="http://img.youtube.com/vi/KZtXKsRH4Gg/2.jpg" alt="" /></a></span>
<p>Mais uma canja: AC/DC em Highway to Hell, no Rock in Rio 1985:</p>
<!--YouTube Error: bad URL entered-->
<p>E (não consigo parar), Iron Maiden, com The Number of the Beast, idem:</p>
<!--YouTube Error: bad URL entered-->
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1033/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1033/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1033/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1033/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1033/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1033/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1033/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1033/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1033/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1033/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1033/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1033/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1033/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1033/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1033&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Toalhas ao chão e enganação</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2010/07/15/toalhas-ao-chao-e-enganacao/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 01:41:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[O que der e vier]]></category>
		<category><![CDATA[Serviços]]></category>
		<category><![CDATA[hotel]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[responsabilidade social]]></category>

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		<description><![CDATA[Não tenho dúvida de que os hotéis são a categoria mais preocupada com o aquecimento global e com a preservação dos recursos naturais. A que outra conclusão poderia chegar diante da constatação de que em todos os hotéis que já passei nos últimos anos está lá aquela famigerada mensagem falando para reutilizarmos as toalhas sob [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1030&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:justify;">Não tenho dúvida de que os hotéis são a categoria mais preocupada com o aquecimento global e com a preservação dos recursos naturais. A que outra conclusão poderia chegar diante da constatação de que em todos os hotéis que já passei nos últimos anos está lá aquela famigerada mensagem falando para reutilizarmos as toalhas sob o risco de acabar com o planeta?</p>
<p style="text-align:justify;">Tanto faz se é em um hotel com diária de R$ 30,00 em Campos Altos, no interior de Minas Gerais, ou no Plaza em Madri, o teor da mensagem é o mesmo: ajude o hotel a reduzir o uso de água e detergentes., e a natureza agradece.</p>
<p style="text-align:justify;">Nada contra essa prática – de fato, lavar as toalhas após um dia de uso é algo fora de propósito, com ou sem aquecimento global ou escassez de água. O que não é certo é a utilização de uma mensagem que sugere responsabilidade social quando o verdadeiro motivo é a economia gerada para o estabelecimento. Aliás, o mundo hoje está cheio de práticas disfarçadas de responsabilidade social – e alardeadas aos quatro cantos – que nada mais são do que “good management practices”. Um exemplo é o Wal-Mart dizer que trocou todas as suas lâmpadas, utilizando tipos que consomem menos energia e, consequentemente, geram custos menores às lojas. O que é isso se não uma boa prática gerencial pura e simplesmente que, claro, gera um benefício adicional ao meio-ambiente? Outro exemplo de prática tida como de responsabilidade social que nada mais é do que prática que gera resultados às empresas: oferecer boas condições de trabalho aos colaboradores.</p>
<p style="text-align:justify;">O que me surpreende é que a frase nos banheiros dos hotéis não respeita região, valor da diária ou qualquer outro critério. Indistintamente, considera todos os hóspedes uns otários. Caiu como um luva, seja nas grandes cadeias de hotéis, ou em pequenos estabelecimentos locais, que às vezes tentam inovar na mensagem, ficando até engraçado.</p>
<p style="text-align:justify;">Outro dia, em Gramado (RS), o aviso começava mais ou menos assim: “nós, do hotel XYZ (não lembro o nome), estamos preocupados com o aquecimento global que está se instalando em nosso planeta”. Ainda bem que avisaram que o aquecimento global está se instalando em nosso planeta. Aquecimento global virou um termo só. Essa semana, deu um aquecimento global aqui e o resultado foi a frente fria que chegou.</p>
<p style="text-align:justify;">Já há algum tempo penso em escrever sobre isso. Não que seja um tema relevante em si. Talvez seja se enveredarmos por essa questão do uso indevido da imagem da responsabilidade social, travestindo de boas intenções práticas que geram melhor desempenho à empresa (e qual afinal seria o problema de gerar melhor desempenho?). Ou, ainda, se pensarmos na falta de percepção das empresas em tratar seu cliente de forma honesta e transparente, não considerando-o um simples ingênuo. Outra vertente de análise seria o fato de que gerar maior lucro é um pecado a ponto da solicitação de reciclar as toalhas ter de usar uma mentirinha cômoda para ganhar a simpatia dos hóspedes.</p>
<p style="text-align:justify;">Mas esse texto não é para ser tão sério, então deixo o leitor pensar nessas análises mais profundas; eu fico do lado do cômico – penso até em colecionar essas frases. Mas, voltando à ideia do texto, só resolvi mesmo escrever ontem à noite, depois de receber um email de um amigo puxando minha orelha por estar há quase 2 meses sem escrever. E, claro, depois de me deparar com essa mensagem no banheiro do Ritz de Juiz de Fora (qualquer semelhança com os Ritz mundo afora é realmente mera coincidência, posso garantir):</p>
<p style="text-align:justify;"><em>“Caro Hóspede, você pode imaginar quantas toneladas de toalhas são lavadas desnecessariamente todos os dias em todos os hotéis do mundo inteiro; e a extraordinária quantidade de sabão em pó que é necessária para essa lavagem, e que, deste modo, polui nossa água? Gentilmente considere: toalhas deixadas dentro do chuveiro significa: por favor troque-as. Toalhas recolocadas no cabide ou esticadas no box significa: vou usá-las novamente. Em consideração ao nosso meio ambiente.”</em></p>
<p style="text-align:justify;">Uau. Essa ganhou. Colocou em cima do pobre hóspede o peso de toneladas de toalhas lavadas à toa, mais tanto sabão em pó que logo me veio à cabeça a imagem daquelas placas de espuma que vira e mexe são fotografadas no Tietê. E o final, então, é definitivo. Não posso negar que foi efetivo. Posso ser cínico em excesso, mas visualizo alguém bolando esse texto e rindo, rindo…</p>
<p style="text-align:justify;">Se eu tivesse um hotel, algo que definitivamente não pretendo, eu colocaria a seguinte mensagem:</p>
<p style="text-align:justify;">Caro Hóspede,</p>
<p style="text-align:justify;"><em>“Sabemos que, por frequentar nosso estabelecimento, você é alguém diferenciado, que espera de nós nada menos do que um serviço de alto nível e uma comunicação transparente. Levando isso em conta, solicitamos que, se possível, reutilize as toalhas, evitando que gastemos uma quantidade desnecessária de água e detergentes. Parte dessa economia será revertida em aprimoramento de nossos serviços e das instalações, retornando em benefícios aos nossos hóspedes. E, como você já sabe caso tenha frequentado outros hotéis, de quebra ainda reduzimos os danos ambientais, resultando em uma prática ganha-ganha.”</em></p>
<p style="text-align:justify;">Quem sabe algum dia veremos uma mensagem parecida com essa? Enquanto isso, toalhas ao chão, para acabar com a enganação!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1030/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1030/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1030/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1030/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1030/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1030/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1030/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1030/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1030/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1030/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1030/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1030/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1030/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1030/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1030&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Dica pra Pira: exposição Ora Bolas</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2010/05/25/dica-pra-pira-exposicao-ora-bolas/</link>
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		<pubDate>Tue, 25 May 2010 00:50:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Piracicaba]]></category>

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		<description><![CDATA[Em clima de Copa do Mundo,  quem está em Piracicaba precisa ir ver a exposição “Ora Bolas, o Futebol no Mundo”, no Engenho Central, que apresenta fotos de pessoas jogando bola nos locais mais improváveis, como Antártida, Iraque, Vietnã e outros. São belas imagens e, através delas, é possível perceber um pouco do que o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1020&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em clima de Copa do Mundo,  quem está em Piracicaba precisa ir ver a exposição “Ora Bolas, o Futebol no Mundo”, no Engenho Central, que apresenta fotos de pessoas jogando bola nos locais mais improváveis, como Antártida, Iraque, Vietnã e outros. São belas imagens e, através delas, é possível perceber um pouco do que o futebol representa. É a linguagem esportiva universal. Eu sei o que é isso na pele e já escrevi sobre a <a href="http://blog.oquederevier.com/2010/02/12/certa-tarde-em-guangzhou/">inusitada pelada que joguei na China</a>.</p>
<p>A única coisa que lamento é que não há menção aos fotógrafos que fizeram as imagens. Quer dizer, há, mas não se identifica cada foto. Entre os fotógrafos, está o Caio Vilela, do <a href="http://www.livrosdefutebol.com/catalogo_detail.asp?cod_produto=255">Futebol sem Fronteiras</a> e velho amigo do ginásio e colegial no Santa Cruz.</p>
<p>Entre as fotos, uma imagem chama a atenção, logo na entrada. A foto da primeira casa do Maradona, paupérrima. Dá o que pensar, até para entender os caminhos escolhidos por ele depois do fim. Sou fã do Maradona, cheio dos erros que os mortais cometem. E com erros, acima de tudo, por ser um cara decente.</p>
<p>Abaixo, algumas imagens que fiz sobre as fotos.</p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/img_6779.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1021" title="IMG_6779" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/img_6779.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<div id="attachment_1022" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/img_6774.jpg"><img class="size-full wp-image-1022" title="IMG_6774" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/img_6774.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Primeira casa de Maradona</p></div>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/img_6782.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1023" title="IMG_6782" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/img_6782.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<p><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/img_6783.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-1024" title="IMG_6783" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/img_6783.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a></p>
<div id="attachment_1025" class="wp-caption alignnone" style="width: 509px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/img_6810.jpg"><img class="size-full wp-image-1025" title="IMG_6810" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2010/05/img_6810.jpg?w=500" alt=""   /></a><p class="wp-caption-text">Essa é minha mesmo</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1020/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1020/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1020/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1020/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1020/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1020/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1020/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1020/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1020/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1020/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1020/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1020/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1020/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1020/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1020&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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