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	<title>O que der e vier &#187; Estados Unidos</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; Estados Unidos</title>
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		<title>20 dias viajando pela Itália e Estados Unidos</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Oct 2011 23:36:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estou de volta após a maior viagem que fiz depois de formado: 20 dias fora, por dois continentes, mas apenas 2 países: Itália e Estados Unidos. Uma coincidência me fez alongar a viagem: como acontece todo ano, vou ao World Dairy Summit, principal congresso do setor lácteo no mundo e que, neste ano, ocorreu na rica e histórica Parma, no norte da Itália. Poucos dias após o congresso, tinha de ir a Chicago, onde havia sido convidado a dar uma palestra no Encontro Anual do USDEC – Conselho de Exportação de Lácteos dos Estados Unidos. Achei que era uma boa oportunidade para esticar a viagem, ficando alguns dias em New York antes de ir para Chicago. <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1081&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estou de volta após a maior viagem que fiz depois de formado: 20 dias fora, por dois continentes, mas apenas 2 países: Itália e Estados Unidos. Uma coincidência me fez alongar a viagem: como acontece todo ano, vou ao World Dairy Summit, principal congresso do setor lácteo no mundo e que, neste ano, ocorreu na rica e histórica Parma, no norte da Itália. Poucos dias após o congresso, tinha de ir a Chicago, onde havia sido convidado a dar uma palestra no Encontro Anual do USDEC – Conselho de Exportação de Lácteos dos Estados Unidos. Achei que era uma boa oportunidade para esticar a viagem, ficando alguns dias em New York antes de ir para Chicago.  Aliás, apesar de viajar muito, por incrível que pareça nunca tinha ido a New York e essa era a chance (uma das minhas contradições é essa: conheço lugares que poucos conhecem, mas nunca fui a Paris, por exemplo – mas ainda irei, em grande estilo!).</p>
<p>Outro fator que me fez estender a viagem foi a vontade de ficar viajando na Itália alguns dias antes do congresso (já que estava indo&#8230;). Por alguma razão, senti a necessidade de mergulhar no berço do Renascimento e, daí, optei por incluir Verona, Veneza e, claro, Florença e Siena no meu roteiro.</p>
<p>Pensando bem, para tudo isso 20 dias foi pouco.  Minhas viagens ainda são marcadas por uma espécie de correria, ficando um pouco em cada lugar, suficiente para conhecer, mas não para realmente sentir cada localidade visitada. Deve ter alguma explicação psicológica que não vem ao caso agora, mas não sou do tipo de ficar muito tempo em um mesmo local, havendo tanto a explorar.</p>
<p>Estava sozinho (apesar de, nos EUA, encontrar tanta gente conhecida que essa sensação diminuiu bastante) e foi uma boa oportunidade para alugar um carro e rodar sem compromisso pela Itália, passando por cidadezinhas medievais na Toscana e pegando estradas locais, fora das rodovias, onde o tempo realmente parou e você tem a exata sensação de liberdade, ao parar onde bem entender, como por exemplo em uma estrada de terra que me proporcionou, perto de Siena, um por do sol rosa, com a lua iluminando vinhedos e antigas fazendas toscanas.</p>
<p>A viagem começou em Verona, terra de Romeu e Julieta e uma preciosidade: igrejas e construções antigas, uma arena da época romana, pontes românticas sobre o belo Rio Adige e que, principalmente, se pode andar com relativa tranquilidade. Era o primeiro dia de viagem e foi o que mais fotografei, talvez por ter entrado de pronto no clima da cidade.</p>
<div id="attachment_1082" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5554_3_5_tonemapped.jpg"><img class="size-full wp-image-1082" title="Verona" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5554_3_5_tonemapped.jpg?w=500&#038;h=332" alt="" width="500" height="332" /></a><p class="wp-caption-text">Verona: precisa falar mais alguma coisa?</p></div>
<p>Depois, Veneza, que obviamente dispensa apresentações. Fiquei apenas um dia lá, parte porque o excesso de pessoas me afugentou após conhecer as principais atrações. Na Piazza San Marco, não fiquei mais do que 15 minutos, tal a multidão de turistas, muitos, mas muitos mesmo, brasileiros.  Não tenho paciência para filas – acho que não gosto de me comportar como um turista comum. Talvez tenha dificuldade com locais que pertençam a muitas pessoas, como é o caso de Veneza, Florença, Siena e mesmo New York, onde fazer compras, ao menos para mim, é uma verdadeira tortura. Deve ser meu componente anti-social, mas prefiro mil vezes a tranquilidade de uma cidade que vive independentemente dos turistas do que uma em que os turistas são parte integrante e até a característica local.</p>
<div id="attachment_1083" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5720_19_18.jpg"><img class="size-full wp-image-1083" title="IMG_5720_19_18" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5720_19_18.jpg?w=500&#038;h=335" alt="" width="500" height="335" /></a><p class="wp-caption-text">Por do sol em Veneza, na Giudecca, antigo bairro judeu e onde a muvuca é menor.</p></div>
<p>Foi interessante ver o contraste Itália/Estados Unidos, ambas economias que viveram e ainda vivem uma crise econômica. Apesar de ter visitado apenas 2 cidades norte-americanas, me pareceu que a situação de ambos os países é muito distinta. A Itália parece viver de passado, presa a uma realidade que não existe mais. Os serviços deixam a desejar e você chega a ficar irritado com algumas coisas como horários que não são respeitados, funcionários mal educados e assim por diante – talvez um sintoma de que o Brasil esteja mesmo melhorando e que a distância não é mais tão grande assim – e olha que visitei o rico norte do pais, e não o sul, que é sustentado pelo norte há décadas. Uma coisa que me chamou a atenção é que as pessoas parecem trabalhar pouco. Do lado do meu hotel em Parma, havia um supermercado cujo horário de funcionamento era das 8:30 ao 12:45, depois 15:30 às 19:30, fechado aos domingos. Não sei se isso é a regra, mas fiquei pensando que se muitos operam assim, será difícil sair da crise. Na Itália, a impressão que tive é que a ficha ainda não caiu em relação à nova realidade, em que o país tem grande dívida e que o futuro é incerto.</p>
<div id="attachment_1084" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5728.jpg"><img class="size-full wp-image-1084" title="IMG_5728" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5728.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">O GPS me tirou da auto-estrada entre Veneza e Florença e me proporcionou essa vista no Veneto</p></div>
<p>Claro que o país é belíssimo e me proporcionou pelo menos 3 grandes momentos: o já referido por-do-sol na zona rural da Toscana, quando pernotei em um hotel-fazenda perto de Monteriggioni, uma jóia medieval onde Dante escreveu parte dA Divina Comédia; um outro por-do-sol em Florença, que me rendeu fotos memoráveis, e a noite de abertura do evento, no belíssimo Teatro Regio de Parma, erguido em 1820 e poucos e que foi palco para Verdi e Toscanini. O momento mais emocionante da noite foi o coral da cidade cantando Va Pensiero, da ópera Nabucco, de Verdi, que foi adotado como o hino de unificação da Itália. Foi de arrepiar…</p>
<div id="attachment_1085" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5920-1-2.jpg"><img class="size-full wp-image-1085" title="IMG_5920-1-2" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5920-1-2.jpg?w=500&#038;h=752" alt="" width="500" height="752" /></a><p class="wp-caption-text">Lua na Toscana, perto de Monteriggioni.</p></div>
<p>Mas já que estamos falando de economia, nos Estados Unidos a impressão é outra. A sensação é que o país era uma espécie de Mike Tyson que, de repente, sofreu um nocaute e perdeu a referência por uns tempos. Mas a força continua lá, basta reencontrar o caminho. Tanto em NY como em Chicago, percebe-se o sentimento de país (em NY, obviamente o 11 de setembro é uma referência onipresente, que unificou a cidade e o país em torno desta). A recuperação da economia americana me motivou a ponto de comprar o novo livro do Thomas Friedman &#8211; That used to be us &#8211; how America fell behind in the world it invented and how we can come back (um título bem presunçoso, sem dúvida, mas irresistível para quem se interessa por estes temas).</p>
<div id="attachment_1087" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_6063.jpg"><img class="size-full wp-image-1087" title="IMG_6063" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_6063.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Manhattan, vista do Top of the Rocks, no Rockefeller Center</p></div>
<p>Tudo bem que visitar NY e Chicago não é visitar os EUA. As grandes cidades até vão bem, pois o comércio continua forte, em parte pelos turistas (novamente muitos brasileiros) que se acotovelam nas lojas e esperam em filas para entrar em determinados locais, como a loja da Abercrombie &amp; Fitch na Quinta Avenida – uma experiência que pretendo nunca repetir…:)</p>
<p>New York é uma cidade em que você se sente em casa, por alguma razão que não consigo identificar. Será que é pelos filmes, que nos mostraram já tanto da cidade que mesmo a primeira visita é como um Déjà vu? Ou será que é pelo pacto silencioso de milhares de imigrantes e turistas, que tornam a cidade verdadeiramente cosmopolita? Talvez seja também pela orientação da cidade, principalmente de midtown para cima, em que o plano de ruas é todo quadriculado e as ruas e avenidas são conhecidas pela numeração sequencial, o que torna a localização muito fácil. E, claro, pela topografia plana que caracteriza Manhattan e que torna tudo mais fácil. Fiquei super bem localizado, em um hotel moderno e muito confortável &#8211; The Alex &#8211; (e caro, como tudo por lá quando se fala em hospedagem), entre a 3rd Avenue a a 45th Street, bem em midtown e a 2 quadras da estação Grand Central, aliás eleita meu local favorito na cidade. Na cidade, fui ao Ground Zero, onde havia as torres (mas não entrei no memorial), no Met, que é impressionante, Guggenheim, com uma exposição do Kandinsky, e no Museu de Artes e Design, que é meia-boca, mas com um restaurante no topo de tirar o fôlego: o Robert, com janelas que dão para o Central Park, bem na esquina da Columbus Circle, perto do Dakota, prédio em que vivia John Lennon (e onde foi morto).</p>
<div id="attachment_1088" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_6118.jpg"><img class="size-full wp-image-1088" title="IMG_6118" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_6118.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">ícones de Manhattan: Metlife, Chrysler Building e a Grand Central no primeiro plano</p></div>
<p>É impressionante o senso de cidadania do norte-americano, seja em NY ou em Chicago. Há voluntários para tudo, há um cuidado com o bem-público, que ainda precisamos aprender muito por aqui. O exemplo mais recente é o High line, uma antiga ferrovia aérea, no lado oeste de Manhattan. Uma área decadente e degradada, que foi reurbanizada na forma de uma passarela/jardim suspenso, onde as pessoas vão passear a qualquer hora do dia. A recuperação do High Line é um exemplo de civilidade e de esperança no convívio de grandes aglomerações de pessoas como é New York, onde aliás você se sente seguro a qualquer hora do dia, em qualquer um dos lugares que visitei.</p>
<div id="attachment_1089" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_6189.jpg"><img class="size-full wp-image-1089" title="IMG_6189" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_6189.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">High Line, de noite</p></div>
<p>Fazia muito tempo que não ia a Chicago, cidade onde  estive em 1991 e em 1996. Quase não me lembrava dela, e acho que foi bom assim, pois foi como ter ido pela primeira vez, agora com outros olhos. Quando fui, acho que nem existia o Millenium Park, belíssimo. Chicago é mais americana que New York, mais limpa, mais chique, e que pertence a menos pessoas, novamente algo que me faz gostar mais dela do que de New York.</p>
<div id="attachment_1090" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_0070.jpg"><img class="size-full wp-image-1090" title="IMG_0070" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_0070.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Skyline de Chicago refletido na escultura The Bean</p></div>
<p>Perguntaram-me qual cidade que gosto mais, das que visitei. Difícil responder. O bom viajante aprecia todos os lugares que visita, cada um com suas características. Sob certos aspectos, a pequena San Gimignano, na Toscana, com suas 12 torres medievais, pode ser mais espetacular do que New York, que aliás, perdeu as suas duas. Claro que tudo depende dos parâmetros analisados, do momento de cada um e das experiência vividas.</p>
<div id="attachment_1091" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_0024.jpg"><img class="size-full wp-image-1091" title="IMG_0024" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_0024.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Passarela que vai do Millenium Park até o Institute of Art, em Chicago</p></div>
<p>A única conclusão que fica é que é preciso viajar, e conhecer. Só assim é possível ter uma visão global e entender um pouco como chegamos até aqui. Vinte dias de viagem, quer queira quer não, representam um hiato na trajetória de qualquer pessoa, em que você volta um pouco diferente de como partiu. É como se a vida se acelerasse, com cada dia e nova experiência valendo por muitos meses de nossa vida do dia-dia. De certa forma, viajar é viver mais, aproveitando de uma maneira mais intensa e completa cada momento de nossa trajetória.</p>
<div id="attachment_1086" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5794_5_6.jpg"><img class="size-full wp-image-1086" title="IMG_5794_5_6" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2011/10/img_5794_5_6.jpg?w=500&#038;h=333" alt="" width="500" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Florença, berço do Renascimento</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/1081/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=1081&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Going to California</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 00:54:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Chegou o dia. Nessa sexta, 09/10, vamos fazer uma viagem inédita. Apesar das várias viagens neste ano, esta é a única de férias mesmo (bem, teve uma semana no Pantanal). Mas o ineditismo não está aí (ainda bem). Quatro ex-colegas de faculdade, que moraram na mesma república, em Piracicaba, se reúnem 20 anos depois para [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=813&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chegou o dia. Nessa sexta, 09/10, vamos fazer uma viagem inédita. Apesar das várias viagens neste ano, esta é a única de férias mesmo (bem, teve uma semana no Pantanal).</p>
<p>Mas o ineditismo não está aí (ainda bem). Quatro ex-colegas de faculdade, que moraram na mesma república, em Piracicaba, se reúnem 20 anos depois para fazer uma espécie de mid-life trip, a la <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sideways">Sideways</a>. Vamos desembarcar em Los Angeles, subir pela Highway 01, passando por Santa Bárbara (região onde foi filmado o Sideways), chegando a Monterey, onde ficaremos dois dias (Carmel, etc).</p>
<p>Depois, seguimos para o Napa Valley, onde ficaremos mais dois dias visitando as vinícolas. Já contratamos um passeio de balão e lá faremos nosso Gala Dinner, sob minha responsabilidade.  Depois de tanto vinho, subimos a montanha e vamos ficar mais dois dias no <a href="http://www.nps.gov/yose/index.htm">Yosemite National Park</a>, que já conheço, mas que nunca vou me cansar de ir. E, finalmente, terminamos com dois dias em San Francisco!</p>
<p>Vou tentar atualizar o blog de lá. A ideia é fazer uma espécie de diário de bordo&#8230;mas não garanto. Na pior das hipóteses, escrevo depois, com várias fotos!</p>
<p>Até lá!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/813/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=813&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>A crise na mente das pessoas, sob a ótica de Darwin e da psicologia</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 20:50:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tive ontem uma aula diferente e muito boa sobre Crise, no curso Crise: na Economia, na História e na Mente, na Casa do Saber (meu pai tem razão &#8211; esse nome Casa do Saber é de doer&#8230;). A aula, dada pelo filósofo Luis Felipe Pondé (Professor da PUC-SP e da Faap e professor convidado da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=287&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tive ontem uma aula diferente e muito boa sobre Crise, no curso <a href="http://www.casadosaber.com.br/curso.php?cid=1184">Crise: na Economia, na História e na Mente</a>, na <a href="http://www.casadosaber.com.br/main.php">Casa do Saber</a> (meu pai tem razão &#8211; esse nome Casa do Saber é de doer&#8230;). A aula, dada pelo filósofo <strong>Luis Felipe Pondé</strong> (Professor da PUC-SP e da Faap e professor convidado da pós-graduação da Escola Paulista de Medicina) abordou a crise na mente das pessoas.</p>
<div id="attachment_288" class="wp-caption alignnone" style="width: 290px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/ponde.jpg?w=500" alt="Luiz Felipe Pondé" title="ponde"   class="size-full wp-image-288" /><p class="wp-caption-text">Luiz Felipe Pondé</p></div>
<p>Ele começou citando o livro A Negação da Morte, de Ernest Becker, antropólogo que ganhou o Prêmio Pulitzer em 1974, fazendo a ponte entre Darwin e a psicanálise (isso me interessou – e já comprei o livro). “Imagine você há 100 mil anos. Um dia você acorda e é o primeiro ser humano a ter consciência de que mais cedo ou mais tarde, vai morrer”, disse. Segundo ele, a partir daí o ser humano tem que conviver com a inviabilidade de sua existência (afinal, para que viver se vai morrer?), sobre a falta de sentido da vida; caminha permanentemente à beira do abismo. Sabe que seu corpo vai durar mais do que ele e carrega esse peso a vida toda.</p>
<p>O ser humano sabe demais. Sabemos mais do que deveríamos, mas menos do que precisamos. Essa consciência da finitude da vida gera um estado permanente de crise na mente das pessoas. Convivemos com a crise em nosso plano estrutural.  Interessante, não?</p>
<div id="attachment_289" class="wp-caption alignnone" style="width: 322px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/becker.jpg?w=500" alt="Ernest Becker" title="becker"   class="size-full wp-image-289" /><p class="wp-caption-text">Ernest Becker</p></div>
<div id="attachment_290" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/a-negacao-da-morte.jpg?w=500" alt="A Negação da Morte" title="a-negacao-da-morte"   class="size-full wp-image-290" /><p class="wp-caption-text">A Negação da Morte</p></div>
<p>Em seguida, ele discutiu a questão da modernidade e da pós-modernidade. O que define a modernidade é o fato de passarmos a viver (após a Revolução Francesa) de acordo com várias esferas distintas. Hoje, exercemos vários papéis que são compartimentalizados: alguém que é muito religioso, por exemplo, não vai levar essa crença para o trabalho; sabe separar. Precisa. Antes da modernidade, isso não existia. Fazíamos parte de algo único, meio místico e, importante, controlado pela religião e por Deus, seja lá qual for o seu Deus. </p>
<p>Na era moderna, isso mudou. Os pontos críticos dessa mudança foram i) a constatação de que o homem era melhor do que Deus para resolver as questões de justiça e ii) o desenvolvimento científico, que aumentou o conhecimento do homem a respeito de si e do ambiente em que vive, fazendo com que acreditasse mais nos seus recursos. Citando uma passagem de Goethe (Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister), ele mostra que a partir do Renascimento, o homem chama para si a responsabilidade sobre as coisas e diminui o peso do misticismo. É o início da era da competência, da técnica, em que os Estados Unidos são o exemplo mais evidente de sucesso. </p>
<p>O mundo hoje exige eficiência máxima, sucesso o tempo todo;  segundo ele, o aumento dos índices de depressão no mundo, apesar do maior bem-estar coletivo (e melhores condições de renda) pode ser reflexo dessa pressão. Acho que aqui cabe também uma contribuição do <a href="http://marcelopcarvalho.wordpress.com/2009/01/22/resenha-de-livro-o-paradoxo-da-escolha-%e2%80%93-porque-mais-e-menos-de-barry-schwartz-parte-1/">Paradoxo da Escolha</a>: o maior número de opções de consumo, piorando nossa capacidade de decisão, elevando as possibilidades de arrependimento e reduzindo o prazer obtido com nossas escolhas, é um fator adicional que contribui para a maior depressão.</p>
<p>Ocorre, porém, que sabemos que não podemos ser bem sucedidos 100% do tempo. Sabemos que fracassaremos em algum momento. E isso é fonte adicional de crise na mente. Ele lembra que a crise atual é uma crise de crédito, que vem de “crer”: perdeu-se essa confiança na onipotência do homem. Conjectura minha: talvez pelo fato da crise ter ocorrido nos Estados Unidos, país em que o culto à competência atinge níveis máximos, a dimensão psicológica da crise tenha se acentuado. </p>
<p>[parêntesis: achei legal que várias coisas sobre os EUA que eu tinha escrito no post <a href="http://marcelopcarvalho.wordpress.com/2008/12/03/um-americano/">Um Americano</a>, lá no início do blog, ele também acha.]</p>
<p> Ele coloca que nessa busca pela competência a todo custo, forçada pelo mercado, cada vez mais competitivo, mais rápido, com mais opções de consumo, mais excludente, tendemos a nos sacrificar pelo nosso desejo, que nos controla. Nunca é suficiente, sempre precisamos de mais. No final, nos sacrificamos por nós mesmos, o que gera um sentimento de claustrofobia e de solidão. Estamos todos sós, sensação que é ampliada à medida que fica claro que as utopias modernas não se realizarão (fim do socialismo com a queda do Muro de Berlim; fim da utopia do mercado soberano com a crise atual). O narcisismo se amplia: precisamos cada vez mais da aprovação dos outros. </p>
<p>Ele coloca ainda que a liberdade, um dos valores fundamentais da modernidade, traz como contrapartida a autonomia e a solidão. Ser livre é não ter amarras; só não se tem amarras se somos sós (Aqui fiquei pensando se o crescimento das redes sociais não seria uma reação a esse sentimento de solidão, de fim da utopia pós-moderna). </p>
<p>Pondé afirma que o mundo atual nos força a focar, perdendo a capacidade de compreender todo o resto. Em um momento de crise, somos forçados a olhar para coisas que não olhávamos, somos forçados a romper com nosso foco que, afinal, não deu certo (interessante). </p>
<p>Por isso, a bolha econômica era, antes de tudo, uma bolha psicológica e filosófica: a crença equivocada de que o homem moderno tem recursos infinitos e resolverá sempre tudo.   </p>
<p>A precariedade subjetiva embutida no narcisismo crescente se radicaliza quando há precariedade econômica.  E, à medida que as utopias vão caindo, a precariedade subjetiva aumenta, daí o maior narcisismo. </p>
<p>No final, há um consolo, em Darwin. Aprendemos a conviver com a inviabilidade da vida. Fomos selecionados para tolerar esse conflito, que fica abafado em nossa consciência, caso contrário não poderíamos viver. Temos de mentir para nós mesmos (auto-engano?), a mentira mais efetiva que há. Há um ganho darwinista, mas um custo psíquico considerável, uma energia gasta para conviver com o fato de que, ao final, a vida não dará certo. </p>
<p>Somos a espécie adaptada a saber que a vida é inviável e sobrevivemos a isso. Não sabemos se amanhã estaremos vivos, mas acreditamos nisso e vivemos com essa “verdade”. Temos coragem de ir em frente. No final, tudo é uma questão de coragem, como já dizia Aristóteles: a coragem garante todas as outras virtudes. A propósito, como bem lembrou Pondé, o lema dos Estados Unidos: <strong>terra dos livres e lugar dos corajosos</strong> (“<em>land of the free and the home of the brave</em>”). </p>
<p>Enfim, muito bom. E Darwin para mim é o cara. A idéia de que todos os seres vivos derivaram de uma única célula é incrivelmente simples e poderosa. </p>
<div id="attachment_291" class="wp-caption alignnone" style="width: 313px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/charles_darwin.jpg?w=500" alt="Charles Darwin" title="charles_darwin"   class="size-full wp-image-291" /><p class="wp-caption-text">Charles Darwin</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=287&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Um americano</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Dec 2008 00:28:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em abril, tive a oportunidade de visitar a Costa Rica, por conta de um evento profissional. Cheguei um final de semana antes de meu compromisso e, como de costume, procurei algum programa diferente, que me permitisse conhecer um pouco da natureza desse pequeno e bem sucedido país da América Latina. Decidi fazer um rafting no [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=27&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Em abril, tive a oportunidade de visitar a Costa Rica, por conta de um evento profissional. Cheguei um final de semana antes de meu compromisso e, como de costume, procurei algum programa diferente, que me permitisse conhecer um pouco da natureza desse pequeno e bem sucedido país da América Latina.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Decidi fazer um <em>rafting</em> no Rio Pacuare que, segundo me foi informado por locais (os costarriquenhos aprenderam a vender muito bem o seu país), estava entre os 5 melhores rios do mundo para a prática desse esporte.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Lá fui eu. Depois de 3 horas sacolejando em uma van, chegamos às margens do rio turbulento que, pelas próximas 4 horas, seria nossa estrada. Nunca tinha feito <em>rafting</em>, mas no momento de subir no bote, logo sentei na primeira fila (se é para fazer, que seja da forma mais plena possível!). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Do meu lado, sentou um americano de uns 50 anos, que já havia descido rios pelo mundo afora, incluindo o perigoso Zambeze, na África, teoricamente um dos mais difíceis. Fiquei ao mesmo tempo tranqüilo e impaciente; tranqüilo, por ter a meu lado um expert que, de fato, me ajudou bastante; impaciente pela responsabilidade de ter como par alguém que entendia do negócio. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Como não me lembro de seu nome, vou chamá-lo de Jeff. A descida do rio foi bem sucedida e, de qualquer forma, esse texto não é sobre <em>rafting</em> ou aventuras. É sobre Jeff e os americanos. Nos poucos momentos de calmaria na travessia, Jeff me relatou que era casado, tinha dois filhos, e que, nos últimos 4 anos, havia feito duas voltas ao mundo, de mais ou menos 1 ano e meio cada. Os filhos, pequenos, estudavam por correspondência. Jeff não era um rico excêntrico. Quando o questionei sobre dinheiro, trabalho, essas coisas que sempre nos prendem à nossa vida normal, até medíocre perto da dele, Jeff simplesmente respondeu que arrumar trabalho nunca fora difícil (bem, talvez agora seja&#8230;rs). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">As voltas ao mundo de Jeff não eram convencionais. Ele ficava 3 ou 4 meses em países como Nepal, Índia, ou no meio da África. Ia e ficava meio que de acordo com o que encontrava. Isso tudo <span> </span>com dois filhos pequenos e a esposa. Definitivamente, não fazia o circuito Europa-Austrália-América do Norte, mas sim um que, mesmo para nós, soaria amedrontador. <span> </span>Ele me disse que, por essa experiência, seus filhos tinham uma visão completamente diferente do mundo, quando comparados aos americanos médios (que, depreende-se pela sua fala, mal sabem onde ficam o México e o Canadá). </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Na hora, senti uma certa inveja de Jeff. Não por querer e não poder fazer esse tipo de coisa, mas pela liberdade que aquele americano de fala tranqüila havia conquistado para si. Mais do que isso: havia escolhido esse caminho. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Não há muitas pessoas assim no mundo. Conheci <span> </span>um outro americano, professor universitário e que havia morado por alguns meses no Chade (no norte da África) que, em uma viagem pelo interior do Brasil, preferira comer nas espeluncas onde o grosso da população comia, do que nos restaurantes das classes mais abastadas. Ele queria ver como era ser brasileiro. Outro americano nada típico.</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Parei para pensar se havia muitos americanos com essa filosofia de vida, tão oposto ao estereótipo do americano médio que, segundo se alega, tem pouca curiosidade e conhecimento a respeito do resto do mundo. Questionei-me se esse estereótipo não seria exagerado, ou se, em outros países, a proporção de cidadãos globalizados e sensíveis às diferenças não seria também reduzida. Aqui, por exemplo, quando alguém leva a vida que Jeff leva, vira best-seller e consultor empresarial (Família Schürmann).</span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Em seu bom <span> </span>livro The Post-American World (já lançado por aqui), <a title="Fareed Zakaria" href="http://www.fareedzakaria.com/" target="_blank">Fareed Zakaria</a>, indiano radicado nos Estados Unidos e editor da Newsweek International, argumenta que os americanos terão sérios problemas de se integrar em um mundo globalizado e que terá uma divisão mais clara do poder econômico e político: em algumas décadas das 4 maiores economias mundiais, 3 serão asiáticas. <span> </span>Ele diz que por terem permanecidos isolados pelos oceanos e focados em uma economia interna muito robusta, os americanos “se esqueceram” do mundo que, agora, terão de lidar de forma mais integrada e cooperativa. Só falam uma língua, conhecem pouco de geografia e história mundiais, e por aí vai. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 10pt;"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2008/12/fareed.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-28" title="fareed" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2008/12/fareed.jpg?w=500" alt="fareed"   /></a></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Essa, aliás, é a visão dominante de quem analisa esse contexto. Acredito, porém, que essa unanimidade pode esconder uma miopia. Primeiro, os americanos são extremamente pragmáticos e competitivos. Aprenderão rapidamente as regras do novo jogo, ainda que saiam atrás. Além disso, há os Jeffs esclarecidos que compõem a elite intelectual do país. Podem não ser maioria (aonde são?), mas certamente exercem um poder de influência significativo. </span></p>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 10pt;"><span style="font-size:small;font-family:Calibri;">Depois da conversa com o Jeff, saí desconfiado de que os americanos ainda podem surpreender. Poucos meses depois, a confirmação: Barack Obama é eleito presidente dos Estados Unidos, a multidão vai às ruas, com grande comoção. Tudo bem, os críticos dirão que foi a crise, a incompetência de Bush e a apatia do McCain, mas acho que não. A eleição de um presidente negro, imigrante e cujo nome, ironicamente, é parecido com o do inimigo número 1 dos Estados Unidos, talvez represente o começo da adaptação do país a essa nova realidade. <span> </span>Não devemos subestimar os americanos. </span></p>
<div id="attachment_29" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><a href="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2008/12/rafting.jpg"><img class="size-full wp-image-29" title="rafting" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2008/12/rafting.jpg?w=500&#038;h=300" alt="rafting" width="500" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Jeff, à esquerda, eu, à direita</p></div>
<p class="MsoNormal" style="margin:0 0 10pt;"> </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/27/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/27/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/27/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=27&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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