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	<title>O que der e vier &#187; Geografia</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; Geografia</title>
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		<title>Os Andes em pleno Rio de Janeiro</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Jul 2009 02:24:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geografia]]></category>
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		<description><![CDATA[Esse não é um post sério. Ao menos aparentemente. Aconteceu comigo, hoje à tarde. Desembarco no Galeão, destino Juiz de Fora. Vou do carro com uma canadense, ph.D. em não sei o quê, especialista mundial em alguma coisa que me foge a compreensão. Logo na saída, a Serra dos Órgãos, imponente como sempre.  Ela me [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=682&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esse não é um post sério. Ao menos aparentemente. Aconteceu comigo, hoje à tarde. Desembarco no Galeão, destino Juiz de Fora. Vou do carro com uma canadense, ph.D. em não sei o quê, especialista mundial em alguma coisa que me foge a compreensão. Logo na saída, a Serra dos Órgãos, imponente como sempre.  Ela me pergunta: “são os Andes?”.</p>
<p>Seguro-me para não rir. Pelo menos ela não confundiu com o Himalaia, penso rápido. Por outro lado, seria bom se fossem os Andes. Já pensou uma estação de esqui em pleno Rio de Janeiro? Aí teríamos realmente que jogar a toalha para os cariocas.</p>
<p>Eu sou meio chato pra essas coisas. Queria ser geógrafo quando pequeno. Aos 10 anos, sabia as capitais de todos os países. E também as bandeiras (nunca disse que sou normal). Você podia falar Rodésia (que nem existe mais como Rodésia) e eu respondia “capital Salisbury!”. Butão? Timbu. E assim por diante. Eu tinha aqueles globos da Geomapas que você girava e dava os dados de todos os países. Admito que a utilidade disso é no mínimo duvidosa; aliás, uma parte importante do que eu sei ou faço não pode ser classificada exatamente como algo de utilidade prática, seja lá o que significa isso.</p>
<p>Bom, voltando às capitais&#8230; Hoje, só sei fragmentos, como ruínas de um tempo antigo que algum dia existiu. De um lado, acho que fui absorvido pela normalidade; de outro, os países mudaram e se multiplicaram. Veja o caso da Iugoslávia, capital Belgrado. Foi fragmentada em Sérvia, Bósnia, Montenegro, Croácia, Eslovênia, Macedônia e ainda tem o Kosovo na marca do pênalti. Isso sem falar na URSS, com seus Kudumundistões e Chechênias. Não há quem possa com essas mudanças.</p>
<p>Mesmo com a minha anomalia confessa, reflito e concluo que achar que os Andes cruzam o Rio de Janeiro é um pouco demais. Soa-me quase improvável e totalmente inadmissível que uma pessoa proveniente de um país desenvolvido, primeiro lugar no IDH, e especialista em determinado assunto (ela vê a árvore e não vê a floresta), seja tão ignorante geograficamente. A geografia e a história são a base para o entendimento do mundo atual. Mas talvez eu esteja errado.</p>
<p>Andamos mais um pouco. Não satisfeita, ela aponta o horizonte e exclama “Oh, the Christ!”. Silêncio sepulcral no veículo. Não, não era o Cristo, uma das novas maravilhas do mundo. Era só a Igreja da Penha, que, reconheço, tem lá o seu valor.</p>
<p>Bem, pelo menos ela não falou que a capital do Brasil era Buenos Aires. Pelo andar da carruagem, nunca deve ter ouvido falar em Buenos Aires.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/682/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/682/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/682/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/682/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/682/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/682/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/682/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/682/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/682/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/682/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/682/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/682/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/682/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/682/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=682&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Darwin revisitado</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Apr 2009 14:29:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[antropologia]]></category>
		<category><![CDATA[Biologia]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Darwin]]></category>

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		<description><![CDATA[Pode parecer surpreendente a dimensão das comemorações em torno dos 200 anos de Charles Darwin e dos 150 anos da Origem das Espécies, sua obra-prima. Exposições, livros, programas de TV, reedição de suas obras, discussões, à primeira vista tudo soa ampliado se comparado às homenagens relativas a outros cientistas, descobertas e teorias que ajudaram a [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=478&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pode parecer surpreendente a dimensão das comemorações em torno dos 200 anos de Charles Darwin e dos 150 anos da Origem das Espécies, sua obra-prima. Exposições, livros, programas de TV, reedição de suas obras, discussões, à primeira vista tudo soa ampliado se comparado às homenagens relativas a outros cientistas, descobertas e teorias que ajudaram a compreender a física, a química, a biologia, a vida.</p>
<p>Claro que Darwin tem enorme importância. Há quem diga, talvez com propriedade, que a teoria da evolução é a ideia mais genial que alguém já teve, colocada à frente das contribuições de Einstein e Newton. Richard Dawkins (&#8220;O Gene Egoísta&#8221;) questiona o fato dela não ter sido proposta séculos antes, dada a sua simplicidade, o que a valoriza ainda mais. Suas aplicações se estendem a diversos campos, da biologia à medicina, passando pela psicologia e até pela computação. É uma proposição simples, convincente e poderosa.</p>
<p>Mas a ênfase nas comemorações dessas datas vai além da simples lembrança de grandes feitos e de idéias que mudaram nossa concepção a respeito da história humana. Há, no ar, um resgate dos princípios por trás das idéias que embasaram a origem das espécies e a evolução, uma ânsia renovada por explicar e fazerem-se entendidas as premissas que nortearam a grande descoberta de Darwin. </p>
<p>É como se houvesse uma oportuna coincidência entre a comemoração dessas datas e a aplicabilidade das idéias e dos conceitos, que estariam encontrando agora um ambiente propício para serem discutidas e analisadas, talvez sob um novo contexto. Nada é tão poderoso quanto uma ideia cujo momento finalmente tenha chegado. Talvez as ideias de Darwin tenham encontrado uma segunda vida nesse início de milênio, em que a vulnerabilidade humana e o precário equilíbrio ambiental vêm sendo reafirmados todos os dias, expressos nas mudanças climáticas e no uso crescente de recursos, em uma equação que não tem como ser resolvida se algo de muito significativo não mudar.</p>
<p>Mas, afinal, em que ponto nossa realidade encontra Darwin? A Teoria da Evolução baseia em alguns aspectos essenciais. Primeiro, que as espécies são não imutáveis; pelo contrário, sofrem ação de mutações aleatórias, ocorridas em indivíduos, e que são transmitidas à prole. Segundo, nascem mais indivíduos do que o meio é capaz de suportar, de forma que há competição entre eles (um <em>insight</em> que Darwin teve lendo a obra de Malthus); assim, as mutações que de fato resultam em vantagens adaptativas a determinadas condições ambientais e/ou em vantagens reprodutivas tendem a predominar, ao passo que outras que conferem desvantagens tendem, ao longo de várias gerações, a ser eliminadas. As espécies que hoje aqui estão, sem exceção, são as vencedoras do processo de seleção natural que age há milhões de anos sob todas as formas de vida. Se o ambiente mudar, as características que conferem às espécies de hoje vantagens adaptativas podem, dependendo da mudança, ser prejudiciais, estimulando o desenvolvimento de outras espécies com características mais favoráveis ao novo ambiente.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-479" title="iguanas" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/iguanas.jpg?w=500" alt="iguanas"   /></p>
<p>Ao mostrar que o <em>homo sapiens</em> não era produto da criação divina, do design perfeito, mas sim o resultado de mutações aleatórias adaptadas ao ambiente como qualquer outra forma de vida, Darwin colocou o homem em seu devido lugar; éramos, afinal, parte de uma engrenagem que abrangia todas as formas de vida. Em maior ou menor grau, tínhamos parentesco com elas, em especial com os macacos, com quem dividíamos um ancestral comum. Éramos, na verdade, um tipo de macaco. Um choque de humildade que, no início desde século, estamos novamente presenciando à medida que o ambiente é alterado pela ação humana, com conseqüências ainda em sua maioria desconhecidas no que se refere ao equilíbrio vital (isso sem falar na crise econômica no centro do capitalismo, mais um ingrediente para o choque de humildade).</p>
<div class="mceTemp">
<div id="attachment_481" class="wp-caption alignnone" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-481" title="darwin-tree1" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/darwin-tree1.jpg?w=500&#038;h=501" alt="A famosa árvore genealógica de Darwin. &quot;Eu acho&quot;, anotou ele." width="500" height="501" /><p class="wp-caption-text">A famosa árvore genealógica de Darwin. &quot;Eu penso&quot;, anotou ele (ou &quot;eu acho&quot;?).</p></div>
</div>
<p>Sustentabilidade talvez seja um dos termos mais repetidos na mídia, ainda que não saibamos exatamente o que significa e como praticá-lo. Sem dúvida existe um oportunismo de mercado, mas é inegável que a consciência ambiental vem crescendo. Os efeitos das mudanças climáticas e a percepção de que os recursos naturais não são infinitos nos são lembrados com freqüência cada vez maior. Como conciliar o aumento de mais 2,3 bilhões de pessoas no mundo até 2050, dada essa nova conjuntura ambiental para a qual caminhamos, em maior ou menor velocidade? Como conciliar o aumento da renda média nos países emergentes, resultando em maior consumo e uma convergência a hábitos e padrões ocidentais?</p>
<p>Tim Bond, do Barclays Capital, diz que a elevação do consumo de energia da Índia e da China aos padrões ocidentais, em base per capita, está fora de questão. Sozinhas, consumiriam 160 milhões de barris de petróleo por dia, contra 85 milhões que o mundo todo consome hoje. As reservas de energia conhecidas seriam exauridas em 15 anos. As emissões de CO<sub>2</sub> triplicariam, a temperatura subiria 5°C, haveria colapso social, econômico e ambiental. Mesmo aumentos moderados não parecem cabíveis.</p>
<p>Ainda: como produziremos alimentos diante das mudanças climáticas e como lidaremos com a escassez crescente de água? Estas são algumas questões essenciais e que nos remetem a Darwin: o ambiente está mudando, um novo equilíbrio se faz necessário; as premissas sob as quais nos desenvolvemos como civilização precisarão ser revistas. Ainda não sabemos aonde e como ir, mas sabemos que precisamos ir. É um começo.</p>
<p>Isso envolve uma enorme ruptura. Sérgio Besserman Vianna diz que &#8220;<em>o apogeu do modo de produção capitalista e do fetichismo da mercadoria nos afastou da qualidade das coisas, deixando-nos envoltos na névoa cinza das quantidades. O tempo exclusivo das quantidades sempre pode ser menor, cada vez menor. Tudo o que é sólido, desmancha no ar. Superar esse paradoxo vai  exigir rupturas. Rupturas na extensão da consciência histórica, na relação da natureza com o planeta, no modo de produzir e consumir</em>&#8220;.</p>
<p>Ralph Waldo Emerson escreveu que &#8220;<em>quando se patina sobre gelo fino, a segurança está na velocidade</em>&#8220;. No mundo de hoje, o importante é seguir rapidamente; o que ficou para trás não importa, é descartável como o gelo fino que se quebra quando passamos. Da mesma forma, o futuro resume-se a permanecer de pé, nos próximos metros. Não há espaço para olhar muito adiante.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-482" title="chimpanze" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/chimpanze.jpg?w=500" alt="chimpanze"   /></p>
<p>Mudaremos esse paradigma? Jared Diamond, na conclusão de <em>Colapso &#8211; Como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso</em>, diz-se um otimista cauteloso: de um lado, reconhece a seriedade dos problemas que enfrentaremos; de outro, lembra que há soluções existentes (&#8220;o futuro está em nossas mãos; estamos lidando com problemas que nós mesmos criamos&#8221;, diz ele), a consciência ambiental cresce em todo mundo e a interdependência do mundo moderno globalizado, onde a informação flui rapidamente, são os motivos de esperança. &#8220;Esta é uma oportunidade (de mudança e de escolhas) que nenhuma sociedade do passado desfrutou nesse grau. Minha esperança é a de que muita gente escolha tirar proveito dessa oportunidade para fazer diferença&#8221;, finaliza.</p>
<p>O Prof. Ricardo Abramovay, da FEA/USP, mostra que as escolhas já estão sendo feitas. Ele diz que &#8220;é notável o avanço de vários países da OCDE na formulação deste problema. Os termos decisivos são descasamento ou desligamento (decoupling, delinking): eles sinalizam para a quebra do vínculo entre crescimento econômico e uso dos recursos. Isso supõe o estabelecimento de uma contabilidade dos fluxos de insumos e detritos que se encontram não somente nos processos produtivos, mas também no consumo. Além da famosa (e muito criticada) pegada ecológica, existe hoje um conjunto amplo de indicadores e de institutos de pesquisa voltados a conhecer de perto as bases materiais e energéticas em que repousam o funcionamento da sociedade&#8221;.</p>
<p>O desafio é considerável. Os efeitos das mudanças climáticas e do uso de recursos que um dia acabarão transcendem as gerações; como conciliar o imediatismo do consumo e a valorização do momento com a necessidade de deixar um mundo melhor para as gerações futuras? A sustentabilidade remete a um futuro que, até então, não nos tem importado. A questão temporal, aliada a própria ruptura nos padrões comportamentais, demanda uma ação de cima para baixo, a partir das lideranças, ainda que a consciência ambiental venha crescendo mundo afora. Marcos legais e mecanismos de mercado precisam ser aperfeiçoados para nos colocar na direção correta.</p>
<p>A teoria de Darwin nos lembra que não somos tão especiais assim, nem tão invulneráveis, como ocorre com qualquer outra espécie. A competição por recursos é uma realidade crescente, assim como a mudança no ambiente, nesse caso produzida por nossa própria ação. Nesse sentido, o seu enaltecimento, 200 anos depois, pode significar a compreensão e o reconhecimento de que algo precisa ser feito para que as condições em que nos desenvolvemos enquanto civilização não sejam drasticamente alteradas em um futuro próximo. Parece, enfim, que estamos redescobrindo Darwin. A sua releitura chegou em boa hora.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-483" title="earth" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/earth.jpg?w=500&#038;h=500" alt="earth" width="500" height="500" /></p>
<p>PS: Sugiro o livro &#8220;<a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2711353&amp;sid=87264624511128633536222867&amp;k5=149D72C5&amp;uid=">Charles Darwin &#8211; Em um futuro não tão distante</a>&#8220;, organizado por Maria Isabel Landim e Cristiano Rangel Moreira, do Instituto Sangari, que analisa a obra e a vida de Darwin, além das implicações atuais.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/478/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=478&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Dicas de leitura: Armas, Germes e Aço – os destinos das sociedades humanas, e Colapso – como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso. De Jared Diamond.</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/01/07/dicas-de-leitura-armas-germes-e-aco-%e2%80%93-os-destinos-das-sociedades-humanas-e-colapso-%e2%80%93-como-as-sociedades-escolhem-o-fracasso-ou-o-sucesso-de-jared-diamond/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Jan 2009 00:39:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<description><![CDATA[Você realmente leu coisas inteligentes recentemente? Que você leu muito, não duvido. Especialmente na internet, cheia de fragmentos rápidos, pressionados pela fila de emails, twitters, blogs, etc, etc. Talvez tenha lido várias vezes mais ou menos a mesma coisa, com roupagens um pouco diferentes. Tudo superficial e descartável, um pouco como esse texto. Queira ou [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=123&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Você realmente leu coisas inteligentes recentemente? Que você leu muito, não duvido. Especialmente na internet, cheia de fragmentos rápidos, pressionados pela fila de emails, twitters, blogs, etc, etc. Talvez tenha lido várias vezes mais ou menos a mesma coisa, com roupagens um pouco diferentes. Tudo superficial e descartável, um pouco como esse texto. Queira ou não, as boas coisas ainda estão no papel. É preciso separar um tempo para ler, é preciso mergulhar no raciocínio do autor, que já fez o mesmo por muito mais tempo do que você, é preciso esquecer todo o resto, ao menos por alguns momentos. É preciso analisar, digerir, pensar. Ler as notas de rodapé, checar a bibliografia. E aí que reside a vida inteligente.</p>
<p>Isso parece incompatível com a velocidade e com o excesso de informação aos quais somos submetidos. E é mesmo. A riqueza de informação cria a pobreza da atenção, disse um Prêmio Nobel, não me lembro mais qual. O excesso de informação cria a escassez de análise, o que leva, ao final, à dificuldade de priorização, de relevância e, em última análise, à atrofia do pensamento (e olha que não ganhei nenhum Nobel&#8230;).  Bom, está tarde, talvez eu tenha exagerado. <em>I don´t care&#8230;</em></p>
<p>Pois bem, vai aqui uma dica preciosa. Uma, não, duas. Isso se você tem alguma curiosidade sobre história, geografia, antropologia, evolução, civilização. Sobre como nós chegamos até aqui, da forma que chegamos. Sobre porquê você está lendo esse texto agora, no seu computador ou i-Phone, enquanto um Maori da Austrália está pensando no canguru que precisará caçar para alimentar sua família amanhã. Isso se você está disposto(a) a separar parte de seu tempo para mergulhar em uma viagem ao passado, para compreender o presente. </p>
<p>Um livro que li nos últimos anos (primeira dica) e que me fez parar para pensar (algo raro hoje – não eu parar para pensar – acho -&#8230;rs, mas alguma coisa decente que me faça fazer isso, <em>sorry</em>&#8230;) foi <strong>Armas, Germes e Aço</strong> (472 páginas), do biólogo evolucionista <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jared_Diamond">Jared Diamond</a>, professor de Fisiologia da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia. Diamond fala uma dúzia de línguas e trabalha em campos que vão da arqueologia à biologia molecular. Para ele, eu tiro o chapéu.</p>
<div id="attachment_124" class="wp-caption alignnone" style="width: 260px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/250px-jared_diamond.jpg?w=500" alt="Está aqui o homem" title="250px-jared_diamond"   class="size-full wp-image-124" /><p class="wp-caption-text">Está aqui o homem</p></div>
<p>Diamond procurou responder a uma pergunta “simples”: porque alguns povos se desenvolveram, criaram tecnologia, conquistaram os outros e definiram os padrões da sociedade moderna, ao passo que outros ainda estão nos primórdios da civilização, pouco além da Idade da Pedra, isso em pleno século XXI? Porque alguns povos desenvolveram a escrita, fizeram a Revolução Industrial, criaram a robótica, e outros ainda vivem de caça, pesca e coleta? Provavelmente, ao ler essa pergunta, você vai parar e se perguntar porque nunca havia pensado nisso antes&#8230;aí está justamente a genialidade da proposição de Diamond, e de sua tentativa de responder a ela. Esse trabalho lhe rendeu o prêmio Pulitzer em 1998. </p>
<p><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/armas-germes-e-aco.jpg?w=500" alt="armas-germes-e-aco" title="armas-germes-e-aco"   class="alignnone size-full wp-image-125" /></p>
<p>Ok, ele talvez seja o que se possa chamar de determinista ambiental: tudo, no final, é uma conseqüência do ambiente em que os povos se desenvolveram – desde a presença farta de sementes que se prestavam à agricultura, até a existência de animais domesticáveis e água. Ambientes desfavoráveis nessas questões inexoravelmente travaram o desenvolvimento dos povos. Não tem nada a ver com inteligência, QI, genética ou qualquer outra teoria racista. Fazendo um parêntesis: esse livro deveria ser livro-texto de qualquer escola minimamente decente de agronomia, mas creio que não é nem das principais&#8230;que pena. Depois escrevo sobre isso.</p>
<p>Voltando ao Diamond. Ele mostra que os povos que conseguiram desenvolver a agricultura antes (em função da presença de sementes de cereais cultiváveis), criaram condições para que menos pessoas produzissem para uma população maior, com algumas conseqüências importantes: permitiram aglomerações maiores de pessoas (o que é igual à força, diversidade genética, e também resistência a doenças) e fizeram com que pessoas que não se dedicavam à agricultura se dedicassem a outras atividades, permitindo o desenvolvimento em outras vertentes, além de demandar – e permitir &#8211;  a organização administrativa da sociedade, inclusive em exércitos – as armas. </p>
<p>Ele explica, entre outras coisas, porque os poucos soldados amedrontados e fragilizados de Pizarro aniquilaram o Império Inca – os inca”pazes” acabando com uma civilização poderosa. </p>
<p>Diamond depois escreveu (em 2005), <strong>Colapso – como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso</strong>, 686 páginas, que analisa o fim de civilizações outrora poderosas, comos os vikings na Groelândia, a misteriosa civilização da Ilha de Páscoa, até os desastres relativamente recentes, como a guerra civil em Ruanda e a tragédia do Haiti, e os riscos ambientais na Austrália e na China, entre outros, sempre tendo como pano de fundo as questões ambientais no cerne dos destinos das sociedades humanas.</p>
<p><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/colapso.jpg?w=500" alt="colapso" title="colapso"   class="alignnone size-full wp-image-126" /></p>
<p>Faz já um bom tempo que li o Jared, de forma que essa resenha não é bem uma resenha, mas sim uma dica de leitura. Você vai descobrir muito mais do que eu, certamente. Se você se interessa pelas questões que coloquei acima, precisa ler Armas, Germes e Aço e depois Colapso. Este último traz uma temática muito atual considerando tudo que se fala de aquecimento global e mudanças climáticas.</p>
<p>Se nada disso lhe atrair, fica o consolo de que ele escreve de forma envolvente, tornando a leitura agradável, mesmo em livros densos e com 500 páginas ou mais. Boa leitura, não é toda hora que nos deparamos com essas oportunidades! </p>
<p>Obs: se você já leu e tem críticas, agradeço se postá-las aqui. </p>
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