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	<title>O que der e vier &#187; internet</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; internet</title>
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		<title>Um mundo de conexões…será mesmo?</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Mar 2010 15:08:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A revista The Economist publicou, ao final de janeiro, um especial a respeito da transformação que as redes sociais vêm exercendo na vida das pessoas e nos negócios. “A World of Connections”, era o título do especial, muito bem escrito, como sempre se espera da Economist. De fato, as conexões digitais marcam de forma cada [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=972&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A revista The Economist publicou, ao final de janeiro, um especial a respeito da transformação que as redes sociais vêm exercendo na vida das pessoas e nos negócios. “<a href="http://www.economist.com/specialreports/displaystory.cfm?story_id=9032088">A World of Connections</a>”, era o título do especial, muito bem escrito, como sempre se espera da Economist.</p>
<p>De fato, as conexões digitais marcam de forma cada vez mais intensa nosso modo de viver e de fazer negócios. Facebook, Twitter, Orkut, LinkedIn, Flickr…até o hoje já velho email! São as ferramentas que moldam nossas relações, nossas conexões. São elas que nos permitem nos conectarmos a pessoas próximas e a pessoas não tão próximas assim, muitas das quais não vemos há tantos anos que teríamos dificuldade de reconhecê-las na rua.</p>
<p>Somos parte, portanto, de uma grande engrenagem de conexões que nos coloca em contato com o mundo, criando uma sensação de proximidade e de pertencimento 24 horas por dia, 7 dias por semana.</p>
<p>Mas há preços a se pagar. Estar <em>full time</em> conectado a centenas de pessoas gera uma demanda de compromissos sociais (virtuais) que, obviamente, não têm condições de ser cumprida se não à custa da qualidade da interação.  Sempre tem alguém fazendo aniversário, escrevendo um post, publicando uma foto, etc., e faz parte do jogo interagir com esse conteúdo produzido pelos amigos. A solução, ainda que insconcientemente, é a brevidade,  a rapidez e, claro, a superficialidade.</p>
<p>Aliado a essa demanda virtual que desemboca em pessoas de carne e osso, cujo dia continua tendo 24 horas, há esse mundo frenético de hoje, em que a multiplicidade de compromissos e tarefas faz com que estejamos sempre correndo atrás, numa ansiedade crescente sem solução aparente, uma vez que a velocidade da informação só se faz aumentar. É um email atrás do outro, uma demanda atrás da outra, de forma tão efêmera que tudo parece igual em importância: são, no final, demandas que precisam ser “ticadas”, sejam elas quais forem, pessoais ou profissionais (e viva os gurus e manuais da gestão do tempo, o melhor negócio do mundo: demanda crescente e sem solução; sempre haverá mercado…).</p>
<p>E o irônico disso tudo é que, salvo poucas exceções, não estamos criando um legado que justifique essa dedicação desmedida ao resultado. Ou estamos? Esse crime parece não compensar…</p>
<p>Temos, enfim, um mundo que, de um lado, nos leva ao distanciamento entre as pessoas, ao cada um por si (cuide do seu que eu cuido do meu e assim a coisa supostamente anda) e, de outro, uma ferramenta que permite aparentemente compensar esse distanciamento crescente imposto aos poucos, por nós mesmos, sem percebermos. O casamento da fome com a vontade de comer!</p>
<p>Jeffrey Cole, um dos maiores especialistas da internet, disse que  algo que ninguém previu foi a explosão das redes sociais, essa necessidade global de se comunicar com seus pares e de gerar “conteúdo”. Pois me parece claro que o sucesso das redes sociais está muito ligado ao individualismo das últimas décadas: é, na verdade, a resposta possível da espécie a ele. Somos, biologicamente, uma espécie gregária, que assim sobreviveu e evoluiu. Temos necessidade do contato. As redes sociais são a versão moderna do bando, do coletivo, necessário à sobrevivência.</p>
<p>Mas não há almoço grátis: a quantidade desse contato superficial não substitui  a qualidade do contato à moda antiga, certamente presente em menor número, mas em intensidade muito maior. Edu Lobo, no filme sobre a vida do Vinicius (coincidentemente, menciono novamente o filme, mas é realmente emblemático para alguns dos argumentos aqui colocados), disse que Vinicius era do tipo que “ligava para saber como as pessoas estavam”. Você imaginou hoje alguém ligando para o outro para saber como a pessoa está, sem algum motivo especial? Qual foi a última vez que alguém lhe ligou para perguntar como você estava, assim, do nada? E qual foi a última vez que você ligou para alguém com esse propósito? No mundo de hoje, esse comportamento é altamente improvável, exceto talvez para alguém que tenha muito tempo livre ou que não faça parte desse mundo.  O que temos, na verdade, é o oposto: gasta-se 30 segundos ou menos para dar parabéns por email, por exemplo, ou via Facebook, e estamos resolvidos (isso quando lembramos do aniversário); cumprimos nossas obrigações para com nossos amigos, ou para com nossa rede de contatos, para usar o termo mais correto hoje (não que eu seja diferente, que fique claro…).</p>
<p>A profusão de contatos superficiais e efêmeros na verdade disfarça, sem pesar a consciência de ninguém, o enorme fosso que vai se formando na vida afetiva das pessoas: o acúmulo de não-contato  E, quanto maior esse fosso, mais as pessoas tentam compensar mergulhando nas redes coletivas, tarefa em muito facilitada pelos celulares, que nos colocam em “contato” com o mundo o tempo todo. São, enfim, milhões e milhões de pessoas solitárias mas solidárias nessa solidão, tentando criar sentido ao enviar mensagens de 140 caracteres e textos curtos recheados de pontos de exclamação e ícones de sorrisos, etc., substitutos meio tortos da interação cara a cara, olho no olho. Ou, vá lá, via telefone, uma forma de contato que hoje em alguns casos já passa a ser luxo.</p>
<p>Claro que tem o lado positivo disso tudo. As redes sociais e a comunicação digital como um todo permitem que se acompanhe a vida de muitas pessoas próximas, de uma forma que seria impossível por outras vias. Ainda que de forma superficial, você pode dar um “oi” para quem não é tão próximo. É possível conhecer pessoas legais, que passam a fazer parte de sua rede de amigos. E, claro, tem gente (muita) que acaba casando com alguém que conheceu online. Porém, a crítica que faço é que essa vantagem está, conscientemente ou não, sendo ampliada para muito além de seu uso saudável. Está se constituindo no substituto das interações que moldaram as relações humanas. E isso não me parece bom.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/972/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=972&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Os famosos e o Twitter</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 21:38:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Acredito que uma das razões que explica o sucesso do Twitter é a possibilidade de seguir pessoas famosas que normalmente não estão ao alcance dos cidadãos comuns. De repente, esse cidadão pode acompanhar em tempo real o dia-dia e as opiniões de celebridades normalmente inacessíveis, como políticos, esportistas, artistas, modelos, apresentadores de TV, etc.  O que realmente pensam? O que estão fazendo nesse exato momento em que você, por exemplo, está no trânsito esperando para chegar em casa? Essa sincronicidade de tempo gera proximidade, intimidade, de ambas as partes.</p>
<p>O interessante é analisar por qual razão as celebridades (não todas, claro) aderiram ao Twitter e o usam com intensidade. Há, evidentemente, a auto-propaganda; ser uma celebridade via de regra significa também saber ocupar os espaços, estar na mídia, e o Twittter é uma nova mídia, cujo potencial veio à tona na campanha do Obama à presidência dos EUA (obs: o Obama assumiu que não era ele quem tuitava).</p>
<p>Há, também, o ego. Celebridade que se preze tem um ego colossal (caso contrário não conseguiria lidar com a pressão e com a vigilância que a fama traz) e nada melhor para alimentar esse ego do que estar diretamente em contato com milhares, centenas de milhares de fãs. O número de seguidores diz muito sobre a influência de cada um. Como bem colocou meu sócio <a href="http://blog.miguelcavalcanti.com/">Miguel Cavalcanti</a>, se o número de seguidores não aparecesse, a atratividade da ferramenta cairia muito.</p>
<p>E tem mais: quem falar mal…pode ser sumariamente bloqueado, eliminando-se o problema. Assim, fica ao alcance de cada um evitar a crítica direta e selecionar só os elogios.</p>
<p>Mas acredito que existam outras razões menos óbvias e que não estão sendo comentadas. Eu pelo menos, não vi nada a respeito, embora não seja exatamente um ávido devorador de informações online. Acho que, pelo Twitter, o “famoso” pode mostrar seu lado “gente comum”, de uma maneira direta e sem intermediários. Pelo Twitter, não é mais aquele personagem que é retratado nas revistas, jornais e TV; não é necessariamente o famoso em seu horário de trabalho e, portanto, sujeito às restrições que o cargo lhe impõe.</p>
<p>Pelo Twitter, um pouco do ser humano real aparece. Afinal, toda celebridade acaba sendo muito mais o que se espera que ela seja do que o que ela é realmente. E o Twitter acerta um pouco essa conta. Esses famosos, justamente por não poderem ser eles mesmos em seu dia-a-dia dada a responsabilidade que têm, a imagem a zelar (o impacto de um escândalo como o que envolveu Tiger Woods certamente seria menor em alguém menos exposto), acabaram encontrando no Twitter uma maneira de mostrar quem realmente são – e o melhor, restrito a 140 caracteres, isto é, a exposição não é tão grande assim e o risco de escorregar, bem menor, embora existente (claro).</p>
<p>É possível que os famosos tenham essas necessidade até mais do que o cidadão comum, que não carrega um peso tão grande e que cujos erros tendem a ter impactos bem menos devastadores ou irreversíveis. Não sou uma celebridade, mas imagino que aquela sensação de ser famoso e ao mesmo tempo só, isolado, diminui via Twitter.</p>
<p>Também, via Twitter os famosos não correm o risco de ter uma frase retirada de contexto e ser amplificada de forma a prejudicá-lo, intencionalmente ou não. Não há a edição de um jornalista, por exemplo. É lógico que há o outro lado: falou besteira, não tem a quem culpar. Mas ainda assim pode ser mais confortável correr esse risco do que ter surpresas com interpretações equivocadas de terceiros, incompetência ou maldade mesmo. Em uma extensão  desse raciocínio, vale lembrar que o Twitter ainda não foi totalmente descoberto pela mídia. Ainda não são tão frequentes as matérias nas mídias tradicionais criticando ou ironizando o que os famosos tuitaram. É possível que, quando todas as mídias descobrirem esse “potencial”, os famosos se inibam mais e a nova ferramenta perca bastante sua força.</p>
<p>Enquanto isso não ocorre, o povo se diverte, acompanha seus ídolos, interage com eles de uma forma que nunca sonhou e, com isso, contribui para tornar o Twitter a febre que se tornou.</p>
<p>PS: outras contribuições do <a href="http://blog.miguelcavalcanti.com/">Miguel</a> &#8211; os empregadores das celebridades não têm mais como monetizar esse monte de seguidores. As centenas de milhares de seguidores do William Bonner, por exemplo, são um ativo dele. Se ele sair, leva todo mundo! Quando perceberam isso, já era tarde&#8230;ainda, há o fato da exposição sem o controle do empregador. O mesmo Bonner, por exemplo, que só aparece no JN todo formatadinho, no Twitter está livre, leve e solto, e pode dar suas escorregadas e, numa dessas, prejudicar  a si e a Globo. O Boris Casoy, por exemplo, é um que não poderia ter Twitter em hipótese alguma. =)</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/902/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=902&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Jornais não conseguem ir além da discussão cobrar ou não pelo conteúdo</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Dec 2009 22:11:38 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[Nessa quarta, dia 2/12, o Estadão trouxe as conclusões do 62° congresso da Associação Mundial de Jornais (WAN). A julgar pela matéria, os jornais continuarão tendo tempos turbulentos: receitas de assinaturas decrescentes e publicidade online que não cresce na mesma velocidade, e poucas alternativas de gerar renda adicional. As possibilidades de crescimento de um negócio [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=855&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nessa quarta, dia 2/12, o Estadão trouxe as conclusões do 62° congresso da Associação Mundial de Jornais (WAN). A julgar pela matéria, os jornais continuarão tendo tempos turbulentos: receitas de assinaturas decrescentes e publicidade online que não cresce na mesma velocidade, e poucas alternativas de gerar renda adicional. As possibilidades de crescimento de um negócio com esse são, por consequência, muito baixas.</p>
<p>A internet como negócio já fez pelo menos 10 anos, mas os jornais não conseguem sair da discussão sobre cobrar ou não pelo conteúdo. Se cobrarem, correm o risco (eu diria que mais do que o risco, estarão selando seu destino) de perder uma enxurrada de visitantes online; se não cobrarem, não terão como compensar a natural perda de assinantes da versão impressa. E a publicidade online não cresce na mesma velocidade. É um dilema, sem dúvida, e nada simples de se resolver.</p>
<p>Como os jornais (e as demais mídias impressas também) só conseguem analisar uma única opção de viabilização de seus negócios em uma época de grandes e definitivas mudanças, surgem as mais variadas fórmulas para que a cobrança de conteúdo online seja bem sucedida. No início do ano, um expert disse que o futuro estaria nos micropagamentos: cada matéria custaria um pouquinho e caberia ao leitor pagar para lê-la, criando um veículo praticamente personalizado. A crescente facilidade e a ampliação dos sistemas de compensação online certamente viabilizariam essa estratégia, mas será mesmo que as pessoas gostariam de ter que decidir se pagariam ou não para ler cada matéria?</p>
<p>Acho válido testar, sem dúvida, afinal estamos em águas inexploradas (parafraseando Alan Greenspan), onde tudo é possível encontrar, até monstros marinhos até então presentes apenas em nossa imaginação.  Mas me parece perigoso basear um plano de negócios a partir dessa premissa. As pessoas já precisam tomar inúmeras decisões diariamente em suas vidas. A era da escolha, a despeito do evidente benefício, traz também o ônus da decisão onipresente. É um peso, e talvez as pessoas simplesmente não queiram ter de decidir se devem ou não ler cada notícia ou matéria. E falta tempo para isso.</p>
<p>Além disso, com a facilidade de cópia e distribuição da informação e do enorme número de sites, fatalmente a informação paga aparecerá gratuitamente em algum outro lugar. Claro, talvez seja possível criar um policiamento global e um arcabouço jurídico para evitar pirataria; mesmo que isso seja possível, seria irresponsável do ponto de vista empresarial depositar nessa possibilidade a viabilização de seu negócio.</p>
<p>E, mais ainda, talvez isso vá contra a própria natureza da internet.  Não que não exista espaço para conteúdo pago – certamente existirá – mas acho difícil que qualquer negócio em web (deve haver exceções, mas exceções são sempre exceções) seja baseado nesse conteúdo como fonte principal de renda.</p>
<p><a href="http://sethgodin.typepad.com">Seth Godin</a>, o guru de marketing, escreveu outro dia um artigo dizendo que “para quem é martelo, tudo que vê pela frente é prego”.  Esse ditado serve muito bem aos jornais e às demais formas de mídia tradicional. Foram martelo a vida inteira, estruturaram seus negócios a partir do martelo, e tudo que conseguem ver pela frente são pregos. Só que, para sua infelicidade, há bem mais que pregos e, pior, os pregos estão cada vez mais raros.</p>
<p>O que os jornais não percebem é que não estão mais no negócio de informação, mas sim no negócio de atração de leitores. A diferença é considerável: enquanto no primeiro caso – na visão tradicional – seu produto-fim é a informação, no segundo – que deveria ser a visão atual – a informação é apenas um meio para atrair usuários e formar comunidades. E, pelo seu expertise, podem ser obviamente bons nessa missão de atrair leitores via informação de qualidade.</p>
<p>Se eu fosse um jornal online,  consideraria estratégico atrair leitores e criaria uma divisão autônoma para estudar possíveis formas de monetizar estes usuários, indo bem além da venda de informação pura e simples. A gama de potenciais serviços ofertados é enorme (inclusive relacionados a informação), mas só poderá ser efetivamente explorada sem os vícios do passado, utilizando pessoas que possam usar mais ferramentas e não somente o martelo.</p>
<p>É claro que não é algo fácil, como qualquer mudança radical de modelo de negócios. É evidente que o pirateamento da informação continuará,  o que demandará a criação rápida de outros serviços para prender (ou fidelizar, para usar um termo mais politicamente correto) os leitores.</p>
<p>Dificil ou não, é a realidade, contra a qual me parece inócuo lutar. O fato é que os jornais vivem um momento de ruptura em seus modelos de negócio. É isso, ou talvez fechar as portas. O uso de internet só crescerá, assim como a fragmentação das mídias, tornando o problema atual ainda mais grave.</p>
<p>É irônico e emblemático que, após 62 congressos, a associação mundial de jornais não encare esta realidade que afeta e coloca em risco seu modelo tradicional de negócios. Isto é compreensível; afinal, 62 anos sugerem um setor maduro, que soube desenvolver martelos altamente eficazes e identificar pregos de todos os formatos e tamanhos. Resta saber se, apesar disso, terá condições de se reinventar em um cenário em que os pregos escassearão e os martelos serão cada vez menos necessários.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/855/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=855&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Sou um dinossauro à beira da extinção?</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Oct 2009 23:19:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
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		<description><![CDATA[É assim que às vezes me sinto. Começo mesmo a achar que estou ficando ultrapassado.  E já aviso que vou escrever absurdos que irão contra o censo comum destes novos tempos. Recomeçando: ultrapassado. Explico: a forma como absorvo informação é incompatível com essa avalanche caótica, compartimentalizada e superficial de mensagens cuja expressão máxima é o [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=825&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É assim que às vezes me sinto. Começo mesmo a achar que estou ficando ultrapassado.  E já aviso que vou escrever absurdos que irão contra o censo comum destes novos tempos.</p>
<p>Recomeçando: ultrapassado. Explico: a forma como absorvo informação é incompatível com essa avalanche caótica, compartimentalizada e superficial de mensagens cuja expressão máxima é o Twitter, a ante-sala do grunhido, segundo o Saramago, certamente um dinossauro ainda mais jurássico do que eu.</p>
<p>Sou daqueles que precisa ir a fundo na argumentação de um autor para poder compreender suas hipóteses e seu raciocínio e, mais importante, tentar incorporá-los na minha forma de ver as coisas ou aplicá-los no dia-a-dia profissional, por exemplo. Em livros de negócios, sou daqueles que lêem o rodapé, as notas no final do livro, dou uma passada na bibliografia. Não sou daqueles que vai se contentar com um link que leva à fórmula de sucesso do último empreendedor da internet mundial.</p>
<p>Com esse método quelônico de obtenção de novas informações, vou certamente ficar para trás, perdendo feio para aqueles que se adaptam bem a essa nova realidade em que tudo é repassado na forma de pequenos fragmentos descontextualizados e desconexos (falando mais especificamente do Twitter): dicas sensacionais para os negócios e para a vida pessoal, alguém reclamando de insônia, outro fazendo auto-propaganda, de repente o Millôr escrevendo algo inteligente, uma notícia aqui e ali, um outro tentando emplacar uma frase supostamente inteligente e que possa ser retuitada e ganhar o mundo, um outro ainda deixando todos a par de sua rotina diária, etc. (não que eu seja diferente, o que não quer dizer que não possa criticar, muito pelo contrário&#8230;).</p>
<p>É como ficar na frente da televisão durante horas, só mudando de canal, sem realmente ver nada direito. Você ouve o galo cantar, mas não sabe aonde. Talvez nem tenha sido um galo. Não importa – parece que já tem outra coisa cantando.   É assim que me sinto com o Twitter, a nova febre da humanidade, ainda que nem seus fundadores saibam exatamente para que serve e como ganhar dinheiro com isso (aliás, só alguém ultrapassado como eu fica preocupado com essas coisas mundanas – o uso vai aparecer mais para frente, e não interessa ganhar dinheiro, o que vale é criar a  “rede”. Sei.).</p>
<p>Colocando um olhar externo sobre esses tempos, acho que existe um deslumbramento infantil e escapista nisso tudo. É importante estar na moda, fazer o que os outros fazem, e é isso que os outros estão fazendo. As pessoas não param muito para pensar, até porque não adianta pensar sobre algo que está só começando; o futuro é incerto, o que importa é pegar a onda.</p>
<p>Também, as pessoas se sentem maravilhadas com a possibilidade de aparecer para o mundo (só que não dá para todo mundo aparecer para o mundo e daí você vai perceber que aparece mesmo para uns poucos!!), de finalmente dar vazão a alguma coisa que não tinha como ganhar o mundo no universo pré-internet, e o resultado é um tsunami de informações que tornam impossível ter a atenção suficiente para separar o joio do trigo. O Herbert Simon, Prêmio Nobel de Economia, cunhou a expressão “A riqueza de informação cria a pobreza de atenção”. Nada mais correto: é muita coisa, o bom vai se perder no meio de uma imensidão de inutilidades.</p>
<p>Ainda, o fenômeno das redes sociais virtuais pode ser a necessidade das pessoas de fazer parte de alguma coisa, de ser reconhecidas; é também a expressão atual do milenar hábito gregário do ser humano, que vem sendo continuamente achatado nessa sociedade individualizada, e que gera pessoas simplesmente carentes, que precisam de companhia, proteção e aprovação.</p>
<p>É possível que eu esteja errado, e bem provável que esteja exagerando. Há, claro, o lado positivo disso tudo. Só que, neste texto, optei por expressar o lado negativo, ainda que de forma potencialmente exagerada: o objetivo era esse mesmo, visando estimular a reflexão de quem vê a coisa de forma diferente da minha.</p>
<p>Às vezes ser polêmico tem seu valor. O Alvin Toffler (outro paleolítico)  não engole isso de inteligência coletiva.  As massas escolhem errado. Deixa o Chris Anderson ou o Jeff Howe ouvirem isso&#8230;Mas o Toffler merece um crédito, afinal “previu” o futuro melhor do que ninguém (ah, mas o Anderson e o Howe criam o futuro! Pode até ser, mas quando a coisa é unânime, fico preocupado&#8230;).  Quando li isso do Toffler, eu parei pra pensar na questão.</p>
<p>Voltando ao meu problema inicial. O que me preocupa em relação ao conhecimento é que ninguém vai mais a fundo em nada. As pessoas buscam pílulas de informações que sequer utilizam, porque precisam buscar novas pílulas amanhã. Eu não consigo estruturar um raciocínio decente em cima dessa areia movediça, mas fico com a sensação de que estou perdendo o passo até ser finalmente extinto.</p>
<p>Nesse ambiente, é inconcebível perder tempo, por exemplo, lendo um livro de 800 páginas (no momento, eu estou lendo um livro de 800 páginas&#8230;). Imagine quantos posts em blogs e no Twitter eu poderia ler, quantas fotos no Flickr eu poderia comentar e com isso dar a senha para outros comentarem as minhas também, ao invés de ficar preso por semanas em um texto “ineficiente” à la Grande Sertão-Veredas? O mundo lá fora corre e eu lendo um livro de 800 páginas, enquanto circularam pelo menos 15 listas das 10 melhores dicas disso e daquilo!! (e sabe-se lá se alguém realmente vai conseguir implantá-las, ou só está enganando a si próprio e procrastinando, não fazendo aquilo que sabe que precisa ser feito, mas isso é outra história).</p>
<p>(Aliás, o que um defasado como eu diria sobre dicas de negócios? Vá ler o Porter, o Kotler, o Mintzberg, o  Christensen, o Adam Smith&#8230;vá direto à fonte, entenda o raciocínio de quem de fato produziu algo que agrega, ainda que, no fundo, você saiba que isso não vá resolver a vida de ninguém).</p>
<p>Mas&#8230;e se eu fizer mesmo parte de um mundo em extinção? Será que hoje em dia Grande Sertão-Veredas serve mesmo para alguma coisa, exceto passar no vestibular? Indo mais além, para que serve cultura e conhecimento, se a regra que impera é a superficialidade, a quantidade em detrimento da qualidade, a transitoriedade, o “líquido, do Zigmunt Bauman?  Pra que livros, museus, história, geografia, política, se o namorado da Demi Moore tem mais de 1 milhão de seguidores no Twitter? Quais são os valores que determinarão o sucesso daqui para frente? O que é mais importante – conseguir mobilizar um número enorme de pessoas nas redes sociais, ter seguidores como um Antônio Conselheiro tinha, ainda que você só escreva bobagens, ou ter algum conhecimento, em tempos em que está tudo disponível a um clique, no Google (e depois virão os implantes cerebrais mesmo)?  Boas dúvidas&#8230;</p>
<p>Esse texto pode parecer pessimista, mas não é exatamente essa a questão. Talvez a geração mais nova não entenda nada do que escrevi, assim como nunca terão passado um fax ou colocado uma carta no correio. Aliás, sou de uma geração de transição, aquela que ainda tenta pegar o bonde,  mas constata que ele anda cada vez mais rápido. E que ainda acha que o bonde pode estar indo para o lado errado&#8230;</p>
<p>Talvez seja este o problema: essas preocupações todas podem ser tão somente uma espécie de canto do cisne, inócuo, que soa indiferente para quem vive perfeitamente bem sem saber onde o galo cantou ou se, de fato, aquilo era mesmo um galo.</p>
<p>PS: A cada dia, eu deixo de seguir determinado número de pessoas no Twitter. Meu principal critério é o número de tuitadas: comecei a cortar os que tuitavam demais. Pensando bem, gosto cada vez mais de seguir aquelas pessoas que nunca tuítam (tem acento?) nada.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/825/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=825&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>Crítica de livro: Crowdsourcing &#8211; O Poder das Multidões, Jeff Howe</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/03/12/critica-de-livro-crowdsourcing-o-poder-das-multidoes-jeff-howe/</link>
		<comments>http://blog.oquederevier.com/2009/03/12/critica-de-livro-crowdsourcing-o-poder-das-multidoes-jeff-howe/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 12 Mar 2009 21:55:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[internet]]></category>
		<category><![CDATA[crowdsourcing]]></category>
		<category><![CDATA[Jeff Howe]]></category>
		<category><![CDATA[wikonomics]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabei de ler Crowdsourcing, de Jeff Howe, traduzido aqui com o duvidoso título &#8220;O Poder das Multidões&#8221;. É mais um livro na linha do Wikonomics, publicado há alguns anos, e que tenta desvendar essa nova era dos negócios em que o chamado &#8220;esforço coletivo&#8221; remodela os negócios, turbinado pela massificação da internet e de softwares [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=445&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-446" title="crowd" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/03/crowd.jpg?w=168&#038;h=255" alt="crowd" width="168" height="255" /></p>
<p>Acabei de ler Crowdsourcing, de <a href="http://crowdsourcing.typepad.com/" target="_blank">Jeff Howe</a>, traduzido aqui com o duvidoso título &#8220;O Poder das Multidões&#8221;.</p>
<p>É mais um livro na linha do Wikonomics, publicado há alguns anos, e que tenta desvendar essa nova era dos negócios em que o chamado &#8220;esforço coletivo&#8221; remodela os negócios, turbinado pela massificação da internet e de softwares de colaboração em massa.</p>
<p>Howe tem credenciais para essa tarefa. É editor da revista <em>Wired</em>, foi editor-sênior da Inside.com e colaborador da Village Voice. Além disso, foi quem criou o termo <em>Crowdsourcing</em> (que, justiça seja feita, é de difícil tradução). Porém, ao final do livro, que sem dúvida é interessante, traz insights e exemplos ilustrativos de como novos negócios estão sendo moldados, fica a sensação de que é mais uma publicação sobre o tema escrita por alguém que, usando o feliz termo que ele mesmo criou, é um imigrante digital e não um nativo digital, de forma que a visão muitas vezes parece de um outsider (talvez não tenha como ser de outro jeito ainda; como ele mesmo diz, o fenômeno está engatinhando e não sabemos que bicho vai dar). Mas o livro é bom para quem gosta da área e para quem precisa conhecer esse novo contexto. Na verdade, acho que todo mundo precisa!</p>
<p>A argumentação central do livro é que a utilização da sabedoria coletiva por parte das empresas abre um horizonte totalmente novo e cheio de oportunidades. Há inúmeras organizações cuja força de trabalho está quase que totalmente fora dela, seja na captação do talento de pessoas que não estão na folha de pagamento, seja pelo conteúdo gerado pelos usuários, que é transformado em negócio. Howe argumenta que o número de pessoas com educação superior e que não trabalha em sua profissão é significativo, o que gera uma capacidade intelectual disposta a se dedicar parcialmente e colaborar com iniciativas em suas áreas de formação, dando mais significado ao trabalho. Além disso, as pessoas têm necessidade de participar de comunidades, interagir, ter status, ganhar reputação, especialmente à medida que as comunidades, como fenômeno social, renascem, após o declínio do final do século passado.</p>
<p>A exploração da diversidade em uma comunidade é um conceito-chave. Citando outro livro e alguns exemplos, ele lembra que um grupo de especialistas normalmente é homogêneo, têm a mesma formação e, portanto, busca soluções equivalentes. &#8220;<strong>Duas cabeças não pensam melhor do que uma quando juntas formam uma única cabeça</strong>&#8220;, disse Scott Page. Já em um grupo heterogêneo &#8211; possível de se obter em uma comunidade aberta &#8211; perfis complementares melhoram substancialmente a capacidade de resolução de problemas.<strong> </strong>Ele complementa:<strong> a comunidade coleta o conhecimento coletivo, disperso em cada cidadão. A multidão é mais sábia do que seus indivíduos mais inteligentes. </strong> </p>
<p> Há, ainda a questão da quantidade: por mais que você tenha bons funcionários, as melhores pessoas trabalharão fora de sua empresa (é uma questão estatística: a Procter &amp; Gamble, por exemplo, tem 8.500 pesquisadores e descobriu na multidão 1,5 milhão de pessoas com qualificações interessantes).</p>
<p> Crowdsourcing não tem a densidade de Wikonomics, mas avança em alguns pontos. Um deles é o reconhecimento de que modelos de negócios com forte participação da coletividade gerando conteúdo dificilmente se sustentarão sem alguma contrapartida financeira aos colaboradores, especialmente se seu objetivo for ganhar dinheiro. Se essa for sua intenção, diz ele, é bom pensar em formas de dividir os ganhos com a comunidade que gera conteúdo relevante. Sobre conteúdo, ele cita a Lei de Sturgeon: 90% do que é produzido na rede é lixo (alguns acham essa projeção otimista). Outro dado interessante: a relação 1-10-89 &#8211; 1% gera conteúdo, 10% avalia/comenta, 89% consomem.</p>
<p>Outro avanço, natural até pelo fato de vir alguns anos depois de Wikonomics, é a caracterização de modelos de negócios que dão certo utilizando a coletividade. Que me lembre &#8211; e confesso que preciso reler este livro &#8211; Wikonomics mostrava com clareza como a internet e a colaboração da massa destruía valor (Wikipedia x Britannica, etc), mas era muito pouco farta em exemplos de sucesso.  Mesmo assim, Crowdsourcing não traz informações financeiras suficientes que permitam uma análise mais minuciosa das empresas.</p>
<p>Apesar de se colocar como um observador externo, em alguns momentos Howe é parcial. Na parte mais complicada, ele argumenta que a comunidade está sempre certa, o que é perigosamente equivocado.  &#8220;Tome uma atitude prática e democrática, permitindo que a multidão garimpe a fim de encontrar os diamantes melhores e mais brilhantes&#8221;, conclui. Talvez não seja sempre assim. O &#8220;efeito manada&#8221;, por exemplo, pode resultar em desastres, e Howe, parecendo encantado com aquilo que de fato a comunidade pode fazer, ignora isso. Apesar dele citar o livro <em>Cult of the Amateur</em>, de Andrew Keen, que argumenta que estamos vivendo uma era de mediocridade, em que amadores substituem profissionais e são valorizados pela multidão, não explorou muito esse assunto &#8211; ficando a impressão de que ele defende a inteligência da multidão, mas não tem argumentos para contrapor o risco do &#8220;efeito manada&#8221; e da supremacia da mediocridade que, em muitos casos, ocorre.</p>
<p>Entre os exemplos legais citados no livro, destaco:</p>
<p><a href="http://www.threadless.com/">www.threadless.com</a>: uma empresa que faz camisetas utilizando de forma muito bem sucedida a rede de usuários. Os usuários podem enviar estampas que, se aprovadas, são produzidas pela empresa. Os vencedores recebem camisetas gratuitamente e um prêmio em dinheiro, embora o maior benefício seja a reputação. Quem faz a seleção inicial são os próprios usuários do site, de forma que a empresa acaba se convertendo em um grande <em>focus group</em>, com pouquíssima chance de criar produtos que venham a encalhar. A empresa recebe semanalmente cerca de 1.000 desenhos que são votados pelos 600.000 participantes, que escolhem as 100 melhores. Destas, a empresa escolhe 9 camisetas para impressão.  Vendia, à época do livro, 90 mil camisetas mensais com margens de lucro muito altas.  A Threadless é, na verdade, uma empresa que vende <span style="text-decoration:underline;">Comunidade</span> e não <span style="text-decoration:underline;">Camisetas</span>.  Conceito interessante.</p>
<p> <a href="http://www.istockphoto.com/">www.istockphoto.com</a>: uma empresa que vende imagens enviadas por usuários da comunidade, com uma qualidade um pouco inferior às fotos vendidas pelos bancos de imagens profissionais, mas a uma fração do preço. A iStockphoto reduziu o faturamento dos grandes bancos de imagem em 99% e acabou sendo comprada por um deles, a Getty Images, vendendo 18 milhões de fotos e faturando US$ 72 milhões por ano.</p>
<p><a href="http://www.innocentive.com/">www.innocentive.com</a>: essa é das mais interessantes, já tendo sido comentada no Wikonomics. É uma rede de cientistas em diversas áreas que podem resolver problemas ou desenvolver soluções para empresas. Hoje, são mais de 160.000 pesquisadores em todo o mundo. Quando a equipe de P&amp;D de uma empresa empaca na solução de um problema, joga na rede. Se alguém resolver, ganha um valor em dinheiro, mantendo a propriedade intelectual. Um aspecto legal da lógica desse negócio é que, na rede, a empresa acessa profissionais com perfil diferente daquele existente internamente. Dessa forma, alguém com uma formação distinta, aplicando uma solução heterodoxa, pode resolver um problema ou trazer uma solução relevante.  É o Teorema da Capacidade de Superação da Diversidade, de Scott Page: <strong>as pessoas que você menos esperaria que pudessem resolver um problema são exatamente as que têm mais chances de solucioná-lo.</strong></p>
<p>Seria interessante termos dados financeiros sobre ela, mas o livro não os traz.</p>
<p>SETI@home: é uma iniciativa da Universidade de Berkeley, na Califórnia, cujo objetivo é varrer dados captados por grandes telescópios que são analisados por computadores de 3 milhões de usuários. Como isso é feito? Você instala um protetor de tela em seu micro e ajuda a tentar descobrir se há vida fora da Terra. É um exemplo de compartilhamento de recursos ociosos (no caso a capacidade de processamento de computadores pessoais) e da importância de se conseguir quebrar uma tarefa em pequenas partes, aspecto essencial do trabalho coletivo via internet.</p>
<p> <a href="http://www.topcoder.com/">www.topcoder.com</a>: essa empresa começou fazendo concursos de programação para programadores de computador, em que os melhores recebiam prêmios em dinheiro, patrocinados por grandes empresas do setor, que assim identificariam novos talentos. No início de 2006, a empresa tinha 70.000 programadores cadastrados, reunindo provavelmente os melhores programadores jovens do mundo. Com isso, começou a oferecer serviços de programação, em que a tarefa era quebrada em pequenos blocos e juntada depois. Os programas da TopCoder têm 0,98 bug a cada 100 mil linhas, ao passo que a média do setor é de 6,além de ser feitos muito mais rapidamente.</p>
<p>Há ainda cases como a Wikipedia, Google, Netflix, Digg.com, Marketocracy, Current TV, IdeaStorm, American Idol, Kiva, SellaBand e outros.</p>
<div id="attachment_447" class="wp-caption alignnone" style="width: 158px"><img class="size-full wp-image-447" title="jeff-howe" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/03/jeff-howe.jpg?w=148&#038;h=130" alt="Jeff Howe" width="148" height="130" /><p class="wp-caption-text">Jeff Howe</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/445/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=445&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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		<title>O fim dos jornais como negócios que conhecemos</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/01/16/o-fim-dos-jornais-como-negocios-que-conhecemos/</link>
		<comments>http://blog.oquederevier.com/2009/01/16/o-fim-dos-jornais-como-negocios-que-conhecemos/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 16 Jan 2009 21:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
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		<category><![CDATA[jornais]]></category>

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		<description><![CDATA[Li dois posts recentes sobre os problemas econômicos envolvendo jornais. Parecem que finalmente esse formato caminha para a extinção, ao menos como o business que é hoje, fruto das dívidas, custos altos, taxas de assinatura caindo, etc. O primeiro é do Seth Godin, que analisa o que perderemos caso os jornais de fato morram. De [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=201&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Li dois posts recentes sobre os problemas econômicos envolvendo jornais. Parecem que finalmente esse formato caminha para a extinção, ao menos como o business que é hoje, fruto das dívidas, custos altos, taxas de assinatura caindo, etc. </p>
<p>O <a href="http://sethgodin.typepad.com/seths_blog/2009/01/when-newspapers.html">primeiro</a> é do <a href="http://sethgodin.typepad.com">Seth Godin</a>, que analisa o que perderemos caso os jornais de fato morram. De uma forma um tanto irônica, mas realista, ele diz que os custos dos jornais são compostos de 2% de coisas realmente relevantes embaladas em 98% de custos que são dispensáveis na realidade de hoje. </p>
<p>O fato é que, com a participação crescente dos serviços via internet, do número de usuários interagindo,  da facilidade de publicação e do fenômeno das comunidades, a maior parte das informações contidas nos jornais pode ser obtida de graça, em tempo real, e com melhor qualidade, com mais relevância e filtro na internet do que no papel. </p>
<p>Godin reconhece no jornalismo investigativo, de qualidade, na cobertura inteligente dos fatos, os 2% realmente necessários, que perderemos caso os jornais, como são hoje, terminem.</p>
<p>Daí entra o <a href="http://bizrevolution.typepad.com/bizrevolution/2009/01/uma-das-ind%C3%BAstrias-mais-afetadas-pela-revolu%C3%A7%C3%A3o-da-internet-%C3%A9-a-ind%C3%BAstria-da-comunica%C3%A7%C3%A3o-o-new-york-times-o-melho.html">segundo post</a>, do Ricardo Jordão, da <a href="http://bizrevolution.typepad.com">BizRevolution</a>. </p>
<p>Ele diz que:</p>
<blockquote><p>“isso [dos blogs não gerarem conteúdo de qualidade e só comentarem o que a mídia impressa ou tradicional publica] é conversa do 2007 e 2008. O que está acontecendo agora é a profissionalização dos blogs com a blogarização dos ex-jornalistas. A era do amadorismo nas novas mídias, blogs, mídias sociais está chegando ao fim. Jornalistas americanos muito respeitados como Om Malik, Kara Swisher, Erick Schonfeld e dezenas de outros viraram ativos blogueiros. No Brasil, você já vê isso acontecendo nos blogs dos jornalistas mais famosos, às vezes mais visitados que o web site da empresa em que trabalham. Vide Gilberto Dimenstein. Se eles estão ganhando o mesmo que ganhavam antes é outra história, mas todos colocaram o pé nas novas mídias.</p></blockquote>
<p>Já o Seth Godin acha que o conteúdo de qualidade que é o que sobra quando se espreme um veículo tradicional vai continuar; vamos pagar por ele de alguma forma, seja via ONGs, seja através de filantropos que colocarão prêmios para o bom jornalismo investigativo. </p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/201/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/201/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/201/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&blog=5679249&post=201&subd=marcelopcarvalho&ref=&feed=1" />]]></content:encoded>
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