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	<title>O que der e vier &#187; Psicologia</title>
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	<description>Idéias, pensamentos e impressões, por Marcelo Pereira de Carvalho</description>
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		<title>O que der e vier &#187; Psicologia</title>
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		<title>Sobre ter altas expectativas a respeito das coisas</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Feb 2010 22:50:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar. Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=957&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É melhor ter altas ou baixas expectativas a respeito das coisas? Esse assunto me veio à tona ultimamente em algumas situações específicas e achei que dava para escrever um post. Vou tentar.</p>
<p>Para responder à questão, é preciso primeiro defini-la: melhor em que sentido? No que se refere aos resultados alcançados, parece lógico (e há trabalhos mostrando) que quanto maior a expectativa, melhor tende a ser o resultado final. O fato é que o mundo não te dá mais do que você pede a ele, pelo menos na maior parte das situações. Assim, quem espera muito da vida (não no sentido passivo da espera), tende a ir mais longe. “Nothing ventured, nothing gained”. And that’s it. Ao menos potencialmente.</p>
<p>Um estudo feito pelos psicólogos americanos Sydney Siegel e Lawrence Fouraker demonstrou que a expectativa elevada (ou, nesse caso, a meta) influencia o resultado. Eles dividiram voluntários em dois grupos. Em ambos foi passado que teriam de vender um certo produto e caso atingissem a meta pré-estabelecida, eles poderiam ficar com o lucro obtido e passariam a uma segunda rodada. A diferença foi que, para o primeiro grupo, foi passada uma meta de <strong>2,10 dólares</strong> enquanto que, para o segundo grupo, a meta estabelecida mais ambiciosa, <strong>6,10 dólares</strong>. Muitos vendedores dos dois grupos atingiram a meta, mas no segundo grupo o lucro médio foi de <strong>6,25 dólares</strong> enquanto que no primeiro grupo, de meta mais modesta, o lucro médio foi de apenas <strong>3,35 dólares</strong>. Nesse caso, a expectativa foi gerada externamente, mas pouco importa: resultou em desempenho superior.</p>
<p>Empresas mais ambiciosas, pessoas mais ambiciosas, tendem a ir mais longe porque se motivam a obter mais do mundo, desde que suas metas sejam realistas. A Teoria das Expectativas de Vroom sugere que a motivação, isto é, o <em>motivo para ação</em>,  depende do produto entre a Valência = vontade que alguém tem de obter algo, o que é dado pela relevância que esse algo tem para ela, e a Expectativa da se atingir esse algo. Expectativa, nesse caso, significa o quanto a pessoa acredita que de fato possa atingir esse objetivo.</p>
<p>Assim, se alguém não tem objetivo de alcançar algo (valência zero) o produto será zero e não haverá motivação. Ela não sairá do lugar. Da mesma forma, ainda que a valência seja elevada, se a expectativa de se atingir esse algo for zero, também não haverá estímulo para se mover. Exemplo: você pode querer ser campeão mundial de Fórmula 1, mas se considerar que essa meta não pode ser atingida por não ser realista, então não terá motivação para persegui-la.</p>
<p>Desta forma, pessoas com expectativas mais altas, ou metas mais elevadas, pessoais ou profissionais, se motivarão a conquistar essas metas, desde que tenham real expectativa de consegui-las. Nesse ponto, há pessoas que, pela análise convencional, estão “fora da realidade”, que acreditarão em metas que não são realistas &#8211; talvez uma forma de auto-engano &#8211; mas que terão motivação para alcançá-las. E, às vezes, conseguirão, surpreendendo a todos.</p>
<p>(Não sei porque, mas me lembrei agora daquela cena do filme <a href="http://www.meucinemabrasileiro.com/filmes/dois-filhos-de-francisco/dois-filhos-de-francisco.asp">Dois Filhos de Francisco</a>, em que o Francisco diz que queria tornar famosa a dupla formada pelos filhos [Zezé de Camargo e seu irmão que faleceu logo depois]. Ele comprou centenas de fichas telefônicas e ligou para a rádio seguidas vezes, até que a música deles foi selecionada entre as mais pedidas do dia. O resto é história, depois de muita água passada debaixo da ponte, claro&#8230;)</p>
<p>Até aí, tudo bem. Mas, voltando à pergunta original, e no aspecto pessoal, de satisfação? Será que ter expectativas elevadas, ainda que isso resulte em uma vida mais rica materialmente e mais cheia de “histórias para contar”, tornará alguém mais feliz do que aquele que se contenta com menos, seja no aspecto material, seja no aspecto pessoal?</p>
<p>Acredito que não.  Ou, pelo menos, provavelmente não. Se você esperava emagrecer 2 kg e emagreceu 4, ficará satisfeito. Mas se a expectativa era emagrecer 6&#8230;Com metas mais altas, a frustração está mais próxima e o tombo, maior. O paradoxo é que, provavelmente, aquele que quer emagrecer 6 kg, desde que seja uma meta realista, deve conseguir emagrecer mais do que aquele que tem meta de 4 kg. Assim, a expectativa alta gera resultado melhor, mas a chance de desapontamento é maior. Quanto maior o ganho potencial, maior o risco.</p>
<p>Mas e se expectativa elevada for cumprida? Terá esse indivíduo satisfação muito superior? Ainda assim, creio que aquele que tem expectativas elevadas a respeito da vida ficará em posição desfavorável no quesito satisfação. A expectativa elevada anda de mãos dadas com a necessidade contínua de querer sempre mais e melhor, empurrando a zona de satisfação sempre para frente. Nada é suficiente, nunca é suficiente.</p>
<p>Complementando o raciocínio acima, há ainda uma outra possível associação. Indivíduos com altas expectativas a respeito de tudo desconhecem que a vida não é feita de eras de felicidade, mas sim de momentos de felicidade, como disse Nietzsche. Essas pessoas talvez estejam sempre esperando o momento supremo, a pessoa perfeita, o emprego ideal – afinal esperam sempre o melhor de tudo – e sempre farão o possível para alcançá-los, para logo perceber – mais uma vez &#8211; que poderia ser melhor. Sempre poderia. Como escreveu <a href="http://www.releituras.com/vcarvalho_velhotemaI.asp">meu bisavô</a> em sua poesia mais famosa, “Velho Tema”:</p>
<p><em>Só a leve esperança, em toda a vida,<br />
Disfarça a pena de viver, mais nada;<br />
Nem é mais a existência, resumida,<br />
Que uma grande esperança malograda.</em></p>
<p><em>O eterno sonho da alma desterrada<br />
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,<br />
É uma hora feliz, sempre adiada<br />
E que não chega nunca em toda a vida.</em></p>
<p><em>Essa felicidade que supomos,<br />
Árvore milagrosa que sonhamos<br />
Toda arreada de dourados pomos,</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Existe, sim: mas nós não a alcançamos<br />
Porque está sempre apenas onde a pomos<br />
E nunca a pomos onde nós estamos.</em></p>
<p>Já que falei do filme Dois Filhos de Francisco, vou citar uma das cenas finais, em que Zezé, já rico e famoso, volta para visitar o casebre em que morava com a família, antes de tudo acontecer. Se não me falha a memória, ele diz algo como “foi a época mais feliz da minha vida”&#8230;Pelo filme, percebe-se que ele é alguém com altas expectativas, foi lá e fez, mas pelo jeito não resolveu. Parece, olhando assim, que as expectativas elevadas são uma ilusão auto-imposta não para de fato conquistar grandes coisas, mas para tapar o sol com a peneira, resolver internamente aquilo que não está e não será resolvido. Quando não se consegue lidar com o presente, depositando no futuro e em suas conquistas a suposta satisfação permanente. “The best is always to come&#8230;.”.</p>
<p>Barry Schwartz, no seu ótimo <a href="http://blog.oquederevier.com/tag/barry-schwartz/">Paradoxo da Escolha</a>, mostra que o índice de depressão e suicídio nos indivíduos maximizadores é maior do que nos demais. Indivíduos maximizadores são aqueles que só se contentam com o melhor, isto é, possuem alta expectativa a respeito de tudo. Aqui, há ainda a correlação positiva entre ter altas expectativas e assumir para si a responsabilidade pelo fracasso, o que coloca um peso ainda maior para as frustrações. O maximizador é escravo de suas próprias expectativas.</p>
<p>Triste paradoxo. É provável que grande parte das contribuições feitas à história humana tenha sido feita por indivíduos que tinham altas expectativas. Afinal, não é fácil se destacar, criar algo novo, fazer a diferença. Citando a frase de Bernard Shaw (de novo estou citando Shaw!), “<em>há dois tipos de pessoas, aquelas que se adaptam ao mundo e aquelas que tentam adaptar o mundo a elas. Todo progresso vem necessariamente do segundo tipo”</em>.  Eles foram lá, e fizeram, contra tudo e contra todos.  E mudaram a ordem das coisas.</p>
<p>Mas talvez, dentro de si, aquele incômodo sempre continuou, de um lado, impulsionando-os a fazer mais e mais, de outra impedindo-os de usufruir daquilo que conquistaram. O legado que deixaram ao mundo é maior do que o que construíram para si mesmos.</p>
<p>E, claro, para cada um que fez história, quantos potenciais gênios, empresários, educadores revolucionários, se perderam e não foram nem uma sombra daquilo que poderiam ter sido, justamente pela frustação paralisante que se instalou ao perceberem o quão longe estavam de suas elevadas aspirações?</p>
<p>Nesse sentido, invejo aquele que se contenta com pouco, que se surpreende positivamente com cada mínima conquista, que quase nada espera a ponto de quase tudo servir. Esse, certamente, é mais feliz. Olhando por esse lado, no entanto, a felicidade me parece algo um tanto medíocre, uma monotonia pouco digna para justificar, de fato, o efêmero momento que representa nossa passagem por esse mundo.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/957/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=957&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Frost/Nixon vai bem além da política (e dos Estados Unidos)</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Aug 2009 20:23:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Assisti ao filme Frost/Nixon (2008), de Ron Howard, de A Mente Brilhante. O filme retrata a série de entrevistas conduzidas pelo apresentador britânico David Frost (interpretado por Michael Sheen) com o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon (interpretado magistralmente por Frank Langella) e que havia renunciado em função do escândalo Watergate. O filme foi indicado [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=731&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assisti ao filme <a href="http://www.frostnixon.net/">Frost/Nixon </a>(2008), de Ron Howard, de A Mente Brilhante. O filme retrata a série de entrevistas conduzidas pelo apresentador britânico David Frost (interpretado por Michael Sheen) com o ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon (interpretado magistralmente por Frank Langella) e que havia renunciado em função do escândalo Watergate.</p>
<p>O filme foi indicado a 5 Oscar, incluindo o de melhor filme e melhor ator. Nada mais justo. Muito mais do que um documentário sobre uma entrevista histórica, o filme se desenvolve a partir do embate entre dois personagens complexos e que depositam na entrevista a grande chance de suas vidas. Nixon, ao conceder a entrevista a um apresentador sem qualquer experiência política e de sem muita credibilidade, via a oportunidade de se reerguer e eventualmente retomar sua carreira política. Frost, jovem, confiante e ambicioso, procurava alcançar fama ainda maior do que a que já tinha, que seria obtida caso derrotasse o ex-presidente, isto é, se conseguisse arrancar a confissão sobre Watergate e um pedido de desculpas à nação. A obtenção da verdade, nesse caso, era apenas o meio de atingir sua meta pessoal.</p>
<p>Ambos jogam tudo nessa mistura de luta de boxe e poker jogada em diversas rodadas de 2 horas, que durou na vida real um total de 12 horas. Nixon se mostra um político de primeiro nível, com raciocínio rápido e uma retórica impressionante, mostrando a Frost que o desafio seria muito maior do que este havia imaginado. Por trás desta fachada, porém, vai se percebendo um Nixon solitário, carente e culpado, complexo psicologicamente – e por isso tão interessante.</p>
<p>Já Frost, que sempre aparece com um sorriso de sucesso e confiança no rosto, também esconde seus medos, como fica claro quando Carol (Rebecca Hall) começa a fazer perguntas pessoais e ele imediatamente desconversa e passa a questioná-la. À medida que a série de entrevistas se desenrola, Frost vai percebendo que tanto quanto a chance de alcançar o estrelato, está a possibilidade de afundar sua até então bem sucedida carreira como apresentador. A partir de certo momento, na verdade, ele lutava pela sua sobrevivência mais do que pela conquista que buscava quando propôs o desafio.</p>
<p>Assim se dá a batalha da vida de ambos, muito mais relevante do que a questão histórica ou política, que aliás é muito bem contextualizada nas duas horas de filme. A filmagem muito bem feita e o trabalho eficiente dos atores coadjuvantes, entre eles Kevin Beacon, fazem deste filme realmente um filmaço.</p>
<p>As cenas finais conseguem dar a dimensão psicológica do que foi o embate em que apenas um sairia vencedor. A saída de Nixon após a última entrevista e sua interação com o cachorro no colo de uma mulher são magníficas, bem como o encontro dois após a série de entrevistas.</p>
<p>Ao final, fiquei com a impressão que o vencedor da disputa celebrou bem menos a vitória do que deveria, ou mesmo de que seus assessores fizeram. É como se a disputa tivesse exigido tanto dele, colocando tanto peso no processo, que a partir de certo momento a vitória se constituía em um mero detalhe. Ou que, reconhecendo que tivera um adversário de peso, o respeitasse, como um lutador de boxe que, após vencer seu adversário, o abraça como se fosse um dos seus.</p>
<p>O filme permitiria que muitos outros aspectos fossem analisados, pois há uma riqueza psicológica muito grande. Mas seria influenciar demais quem não viu e pretende vê-lo, de forma que paro por aqui.</p>
<p>Provavelmente pouca gente viu ou vai ver esse filme, por se tratar de uma temática política, de 30 anos atrás e distante de nós. É uma pena. Tanto pelo filme em si, que é um dos melhores que vi recentemente, como pela temática que não está tão distante assim:</p>
<p>No clímax do filme, em que Nixon admite para um Frost perplexo que “quando um presidente faz algo ilegal, passa a não ser ilegal por ser feito justamente pelo presidente”, imediatamente lembrei-me do presidente Lula justificando os atos ilegais do Sarney dizendo que ele não seria um cidadão comum, como se estivesse, portanto, acima da lei. Incrível a semelhança de conceito de ambos em relação a esse item. <em>What a shame.</em></p>
<p>Abaixo, um trailer do filme e um trecho da entrevista real, que vale a pena ver:</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/08/16/frostnixon-vai-bem-alem-da-politica-e-dos-estados-unidos/"><img src="http://img.youtube.com/vi/lP_l2IFiQzs/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/08/16/frostnixon-vai-bem-alem-da-politica-e-dos-estados-unidos/"><img src="http://img.youtube.com/vi/jw6LhKCYUCQ/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/731/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=731&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
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		<title>Susan Boyle e o comportamento humano</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Apr 2009 02:46:06 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[  Vi o vídeo da tal Susan Boyle, a gordinha de 47 anos, feia, desajeitada e confusa que vai a um programa de calouros na Inglaterra e, para surpresa de todos, arrasa com uma voz potente e de altíssima qualidade. O vídeo permite algumas reflexões interessantes. Primeiro, a mais óbvia, é que julgamos pelas aparências. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=562&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> <img class="alignnone size-full wp-image-564" title="susan-boyle-ap-425" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/04/susan-boyle-ap-425.jpg?w=425&#038;h=300" alt="susan-boyle-ap-425" width="425" height="300" /></p>
<p>Vi o vídeo da tal Susan Boyle, a gordinha de 47 anos, feia, desajeitada e confusa que vai a um programa de calouros na Inglaterra e, para surpresa de todos, arrasa com uma voz potente e de altíssima qualidade.</p>
<p>O vídeo permite algumas reflexões interessantes. Primeiro, a mais óbvia, é que julgamos pelas aparências. Aquilo que foge ao padrão que consideramos belo carrega um ônus de preconceito. O mundo é carregado deles, sendo os mais evidentes, sem dúvida, os raciais, mas não só eles. Sabe-se, por exemplo, que pessoas altas têm mais chances de alcançar posições de liderança em empresas sem que isso esteja relacionado à sua real capacidade para tal.  </p>
<p>O vídeo expõe, assim, a questão do preconceito em relação à (ausência da) beleza, tão entranhado na sociedade atual e que é demonstrado pelo crescimento da indústria da aparência, do qual fazem parte segmentos altamente lucrativos como os de cosméticos, cirurgias plásticas e tratamentos de pele, entre outros. Quem foge ao estereótipo precisa de muito mais para mostrar seu valor. É sempre difícil nadar contra a corrente. É cruel, mas é a realidade.</p>
<p>Mas não é só isso. O vídeo mostra também como o ser humano pode ser maldoso, especialmente quando acobertado pela força e pelo anonimato da multidão. No início do vídeo, tanto os apresentadores quanto a platéia não se envergonham de demonstrar sua descrença em relação à capacidade da candidata. Daí para o escárnio cínico coletivo é um simples passo. O ser humano é mesmo pródigo em crucificar aquilo que choca, que coloca em cheque suas verdades.</p>
<p>Para a maior parte dos mortais, essa provação seria demais e, por mais que houvesse talento ali, ele nunca brotaria. Porém, contra tudo e contra todos, meio ao estilo Forest Gump (e talvez apenas por isso), ela não dá a mínima para as aparências, vai lá e prova que estava certa quanto ao seu talento. E o mundo, errado.</p>
<p>Eis que, diante do sucesso arrebatador e inegável, tudo muda! Todos, sem exceção, passam a cultuar Susan Boyle. De aberração ela passa, em 7 minutos, a ídolo inconteste, talvez em parte pela consciência pesada e sentimento de culpa de todos por terem feito um julgamento prévio tão equivocado. E, afinal, falhas como essa sempre nos trazem certa dose de humildade que, normalmente, não dura muito. Me pareceu especialmente contudente a participação da jurada loira, belíssima, que deve ter pensado, por alguns segundos, diante da feiosa talentosa, o quanto de seu sucesso é devido a sua aparência e o quanto é devido realmente à sua competência. </p>
<p>O fato é que o ser humano é, acima de tudo, um político: todos querem jogar no time que está ganhando. A ele, tudo; aos perdedores, absolutamente nada.  Precisamos, enfim, de nossos heróis, ainda que sejam as Susan Boyles da vida.</p>
<p>Essa é a análise, digamos, mais pessimista. Há, evidentemente, o outro lado da questão, mais otimista quanto ao nosso potencial como sociedade. O reconhecimento do talento quando ele existe, a gratidão, o arrependimento confessado e, mais do que isso, a devoção ao sucesso de pessoas improváveis como quase todo mundo é.</p>
<p>Nesses tempos de descrença generalizada, de choque de valores e de solidão, comprometendo nossa identidade, Susan Boyle dá um sopro de esperança. É o torto que deu certo, a prova de que o sucesso pode alcançar a todos. Ela faz parte da estirpe dos jogadores pobres de futebol que viraram ídolos, do personagem do filme &#8220;Quem quer ser um milionário?&#8221;, e daí por diante. Isso explica o frenesi em torno de seu sucesso: quando vi o vídeo, ele havia sido acessado mais de 46 milhões de vezes. 46 milhões! Claro que o inusitado da situação é também combustível para toda essa audiência, mas certamente o acontecimento vai fundo na psicologia humana e disso decorre esse &#8220;sucesso&#8221;.</p>
<p>É isso aí. O vídeo de apenas 7 minutos envolvendo a performance de Susan Boyle é um exemplo do comportamento humano em toda a sua intensidade, para o mal e para o bem. Abaixo, o vídeo.</p>
<p><span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/04/29/susan-boyle-e-o-comportamento-humano/"><img src="http://img.youtube.com/vi/9lp0IWv8QZY/2.jpg" alt="" /></a></span></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/562/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/562/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/562/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/562/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/562/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/562/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/562/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/562/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/562/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/562/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/562/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/562/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/562/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/562/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=562&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Intuição: o incrível caso do ceviche</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/02/21/intuicao-o-incrivel-caso-do-ceviche/</link>
		<comments>http://blog.oquederevier.com/2009/02/21/intuicao-o-incrivel-caso-do-ceviche/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 21 Feb 2009 01:01:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gastronomia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Blink]]></category>
		<category><![CDATA[ceviche]]></category>
		<category><![CDATA[intuição]]></category>
		<category><![CDATA[Jung]]></category>
		<category><![CDATA[Malcolm Gladwell]]></category>

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		<description><![CDATA[É provável que esse post soe arrogante ou pretensioso. Não é esse o objetivo &#8211; espero que, ao final, isso fique mais claro. Em janeiro, escrevi nesse blog que o ceviche (comida peruana, baseada em peixe cru marinado e temperado, com inúmeras variações) seria um sucesso no Brasil, demorasse 1, 2 ou 5 anos. Eis [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=382&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É provável que esse post soe arrogante ou pretensioso. Não é esse o objetivo &#8211; espero que, ao final, isso fique mais claro.</p>
<p>Em janeiro, <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/01/13/pode-escrever-o-ceviche-sera-o-proximo-sucesso-aqui-no-brasil/" target="_blank">escrevi nesse blog</a> que o ceviche (comida peruana, baseada em peixe cru marinado e temperado, com inúmeras variações) seria um sucesso no Brasil, demorasse 1, 2 ou 5 anos.</p>
<p>Eis que abro o suplemento Paladar, do Estadão,  e, um pouco surpreso, mas não muito, vejo o título: &#8220;SUA EXCELÊNCIA, O CEVICHE&#8221;.  A chamada diz: <em>&#8220;Leve, apesar de intenso. Picante, sem ser apimentado. Sua receita não poderia ser mais simples, mas tem a verdadeira sofisticação gastronômica: a excelência dos produtos frescos e o respeito aos sabores originais. Nada mais atual&#8221;.</em></p>
<p>Diz ainda a chamada: &#8220;<em>Em São Paulo, já se comem bons ceviches. <span style="text-decoration:underline;">E até o fim de março a oferta vai aumentar, com a inauguração de três restaurantes especializados</span>&#8220;</em>.</p>
<p>Dentro da matéria, uma frase me chamou a atenção. Citando os chefs Douglas Rodriguez (americano-cubano) e o peruano Gastón Acurio, a matéria diz que <em>&#8220;eles apostam que o prato vai mudar a maneira de comer do mundo ocidental, desempenhando papel semelhante ao que tiveram o sushi e o sashimi fora do Japão, nos anos 80 e 90.&#8221;</em></p>
<p>Eu não entendo nada de gastronomia e comi ceviche umas quatro ou cinco vezes na vida. Porém, escrevi no texto &#8220;Pode escrever: o ceviche será o próximo sucesso aqui no Brasil&#8221;, que <em>&#8220;Algo me diz que a cozinha peruana e, em especial, o ceviche, vai ser &#8220;main stream&#8221; na gastronomia brasileira. Pode demorar 1, 2 ou 5 anos, mas vai. Talvez porque seja saudável, refrescante, exótico, leve, saboroso e que permite inúmeras variações&#8221;.</em></p>
<p>E ainda: <em>&#8220;Pode anotar: o ceviche vai estourar por aqui, assim como restaurantes peruanos que, inclusive, começam a ganhar o mundo. O sucesso será maior do que o que teve a comida japonesa&#8221;.</em></p>
<p> <img class="aligncenter size-full wp-image-384" title="paladar-ceviche-1" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/02/paladar-ceviche-1.jpg?w=500&#038;h=381" alt="paladar-ceviche-1" width="500" height="381" /></p>
<p>Tirando a improvável hipótese da matéria (incluindo os depoimentos dos chefs) ter se baseado no meu post, excluindo ainda a possibilidade de eu ser vidente, gênio, ou qualquer coisa que o valha, sinto-me inclinado a inputar tal coincidência tão somente à intuição.</p>
<p>É difícil definir a intuição. É quando sabemos algo, mas não sabemos explicar o porquê (taí uma boa definição mesmo!). As pessoas ficam meio que sem entender. Já presenciei isso algumas  vezes. No caso do ceviche, <em>eu sabia</em>, mas não concretamente, apenas intuitivamente, mas de uma forma suficientemente forte para ser assertivo àquele ponto. Ou, dirão os céticos, foi só uma coincidência&#8230;</p>
<p>Claro que tanto eu, quanto o Estadão e os chefs são passíveis de erro. Mas já tive provas suficientes de que seguir a intuição sem tentar entendê-la é melhor do que, racionalmente, tentar controlá-la. Lógico que às vezes ela falha. Toda regra tem sua exceção. Mas, tudo somado, ela é mais segura do que a racionalização, por mais incrível que possa parecer. Malcolm Gladwell, no livro Blink, sobre intuição, diz que decisões espontâneas são normalmente tão boas quanto &#8211; ou melhores &#8211; do que decisões cuidadosamente planejadas. É o &#8220;Thinking without thinking&#8221;.</p>
<p>Na vida profissional, errei mais quando contrariei a intuição do que quando a segui. Na pessoal, também. Gladwell argumenta que a intuição nada mais é do que a prática, a experiência e o conhecimento levado a extremos, que faz com que as pessoas tenham uma percepção quase extra-sensorial das coisas.</p>
<p>Não sei se é isso, ou se é só isso. Não consigo aplicar esse conceito no caso do ceviche&#8230; Carl Jung, com seus arquétipos psicológicos, mostra que há pessoas mais intuitivas e outras mais sensoriais, o que contraria a ideia de que se trata simplesmente de prática ou experiência. Certo, há quem não acredite em Jung e ache tudo isso uma grande bobagem. Eu acho que não é bem assim. Quando fiz um teste para classificação nos tipos definidos por Jung, deu <a href="http://wiki.inspiira.org/view/Persona/INFJ/" target="_self">INFJ</a>, sendo o &#8220;N&#8221; a função intuição, dominante nesse tipo. E as características bateram bastante, pelo menos eu achei que sim.</p>
<p>Enfim, se você é intuitivo, isto é, se às vezes tem certeza que sabe algumas coisas sem que necessariamente devesse saber ou sem que consiga explicar como sabe, simplesmente siga a intuição.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/382/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/382/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/382/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/382/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/382/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/382/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/382/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/382/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/382/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/382/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/382/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/382/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/382/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/382/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=382&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Resenha de livro: O Paradoxo da Escolha – porque mais é menos, de Barry Schwartz, parte final</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/02/14/resenha-de-livro-o-paradoxo-da-escolha-%e2%80%93-porque-mais-e-menos-de-barry-schwartz-parte-final/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 18:26:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[marketing]]></category>
		<category><![CDATA[Barry Schwartz]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>

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		<description><![CDATA[Chegamos, enfim, à conclusão da resenha desse ótimo livro que fala sobre consumo, escolhas, satisfação. Leia as partes anteriores: primeira, segunda e terceira. O que fazer diante de um mundo cheio de escolhas? Diante da realidade concreta de que vivemos em um mundo individualista, repleto de opções e que cada vez mais nos pressiona a ser [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=357&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Chegamos, enfim, à conclusão da resenha desse ótimo livro que fala sobre consumo, escolhas, satisfação. Leia as partes anteriores:</p>
<p><a href="http://blog.oquederevier.com/2009/01/22/resenha-de-livro-o-paradoxo-da-escolha-%e2%80%93-porque-mais-e-menos-de-barry-schwartz-parte-1/" target="_blank">primeira</a>, <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/01/31/resenha-de-livro-o-paradoxo-da-escolha-%e2%80%93-porque-mais-e-menos-de-barry-schwartz-parte-2/" target="_blank">segunda</a> e <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/02/14/resenha-de-livro-o-paradoxo-da-escolha-%e2%80%93-porque-mais-e-menos-de-barry-schwartz-parte-3/" target="_blank">terceira</a>.</p>
<p><strong>O que fazer diante de um mundo cheio de escolhas?</strong></p>
<p>Diante da realidade concreta de que vivemos em um mundo individualista, repleto de opções e que cada vez mais nos pressiona a ser maximizadores, é complexo se livrar dos efeitos do paradoxo da escolha, onde mais é menos. Mas há algumas dicas que Barry Schwartz nos dá:</p>
<p>1) <span style="text-decoration:underline;">Escolher quando escolher</span>: priorize as decisões realmente importantes em sua vida e não gaste energia naquilo que não é tão relevante. Nelas, limite o número de opções: ao comprar uma roupa, vá no máximo a duas lojas e, uma vez feita a escolha, não continue procurando.</p>
<p>2) <span style="text-decoration:underline;">Contente-se mais com o suficientemente bom e maximize menos</span></p>
<p>3) <span style="text-decoration:underline;">Pense nos custos de oportunidade dos custos de oportunidade</span>: a menos que esteja realmente insatisfeito, não mude de marca; não caia na tentação do &#8220;novo e aperfeiçoado&#8221;; não &#8220;coce&#8221; a menos que haja uma &#8220;coceira&#8221;. Lembre-se que os custos de oportunidade são uma fonte de custos psicológicos.</p>
<p>4) <span style="text-decoration:underline;">Tome decisões irreversíveis</span>: a opção de podermos mudar de idéia aumenta a chance de mudarmos de idéia. Quando podemos voltar atrás de uma decisão, ficamos menos satisfeitos com ela. Quando a decisão é definitiva, envolvemo-nos em uma série de processos psicológicos que fortalecem nosso comprometimento com a escolha feita.</p>
<p>5) <span style="text-decoration:underline;">Cultive uma &#8220;atitude de gratidão&#8221;</span>: ao acordar ou ao dormir, anote 5 coisas boas que aconteceram no dia anterior, pelas quais você se sente agradecido. Na maior parte das vezes, serão coisas pequenas, do dia-a-dia.</p>
<p>6) <span style="text-decoration:underline;">Arrependa-se menos</span>: adote parâmetros razoáveis em vez de exagerados; reduza o número de opções; agradeça pelos aspectos positivos da decisão, ao invés de cultivar os negativos.</p>
<p>7) <span style="text-decoration:underline;">Antecipe a adaptação</span></p>
<p>8)  <span style="text-decoration:underline;">Controle suas expectativas</span></p>
<p>9) <span style="text-decoration:underline;">Reduza a comparação social</span></p>
<p>10) <span style="text-decoration:underline;">Aprenda a gostar das restrições:</span> opção com restrições e liberdade com limites. Veja a charge abaixo e boa leitura!</p>
<p> <img class="aligncenter size-full wp-image-358" title="peixe" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/02/peixe.jpg?w=289&#038;h=248" alt="peixe" width="289" height="248" /></p>
<p><em>&#8220;Você pode ser tudo o que quiser &#8211; não há limite.&#8221; Peter Steiner</em></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/357/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/357/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/357/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=357&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Resenha de livro: O Paradoxo da Escolha – porque mais é menos, de Barry Schwartz, parte 3</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 18:20:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[marketing]]></category>
		<category><![CDATA[Barry Schwartz]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>

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		<description><![CDATA[Estou finalizando agora a resenha desse livro instigante chamado &#8220;O Paradoxo da Escolha&#8221;, que explica porque, diante de mais liberdade de escolha e autonomia, somos hoje mais infelizes do que antes. Clique aqui para ler a primeira parte e aqui para ler a segunda. O papel do arrependimento O arrependimento é um aspecto crítico relacionado ao [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=352&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
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<p>Estou finalizando agora a resenha desse livro instigante chamado &#8220;O Paradoxo da Escolha&#8221;, que explica porque, diante de mais liberdade de escolha e autonomia, somos hoje mais infelizes do que antes.</p>
<p>Clique <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/01/22/resenha-de-livro-o-paradoxo-da-escolha-%e2%80%93-porque-mais-e-menos-de-barry-schwartz-parte-1/" target="_blank">aqui</a> para ler a primeira parte e <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/01/31/resenha-de-livro-o-paradoxo-da-escolha-%e2%80%93-porque-mais-e-menos-de-barry-schwartz-parte-2/" target="_blank">aqui</a> para ler a segunda.</p>
<p><strong>O papel do arrependimento</strong></p>
<p>O arrependimento é um aspecto crítico relacionado ao efeito psicológico de nossas escolhas. Lidar com ele é, portanto, fundamental.</p>
<p><strong>Arrependimento do que fizemos ou do que deixamos de fazer?</strong></p>
<p>Um aspecto interessante relacionada ao arrependimento é a <em>tendência à omissão</em>. Tendemos a achar que o arrependimento é maior quando <em>fazemos algo que dá errado</em> do que <em>quando não fazemos algo que daria certo</em>. Mas alguns trabalhos mostram que, no longo prazo, isso não é verdade.<strong> Arrependemo-nos mais daquilo que não fizemos do que daquilo que fizemos</strong>. Se, no curto prazo nos arrependemos de um curso que fizemos, no longo prazo nos arrependemos da oportunidade que não aproveitamos.</p>
<p><strong>Por pouco!</strong></p>
<p>Outro aspecto notável sobre a dimensão do arrependimento relaciona-se ao quão perto estivemos de obter sucesso em algo. Em geral, um atleta que tirou a medalha de bronze fica mais satisfeito do que aquele que obteve a prata: o primeiro ficou a um passo de não ganhar nada, ao passo que o segundo quase ganhou o ouro. Novamente, o que interessa é o efeito subjetivo e não o efeito objetivo!</p>
<p><strong>Responsabilidade pelos resultados</strong></p>
<p> Essa é mais evidente. Quanto mais somos responsáveis pelas nossas escolhas, maior é o efeito do arrependimento. Se escolhemos um restaurante para jantar com os amigos e a comida é ruim, nos arrependemos mais do que se foi o amigo que escolheu.</p>
<p><strong>Raciocínio contrafactual</strong></p>
<p>Imaginar cenários ideais é uma fonte inesgotável de arrependimento. &#8220;Se eu tivesse aceitado aquele emprego&#8230;&#8221;. Pensar no mundo não como ele é, mas como ele deveria ser, se denomina <em>raciocínio contrafactual</em>.  Há o outro lado da moeda: ele é fundamental para que possamos evoluir, pois sem imaginar um mundo diferente, melhor, dificilmente inovaríamos, tanto pessoal como socialmente. Mas, no que se refere ao arrependimento, ele cobra seu preço. Aqui estamos falando do raciocínio contrafactual ascendente: imaginando cenários melhores do que a realidade. Há, no entanto, o raciocínio contrafactual descendente: imaginando situações piores. Se tivermos uma expectativa negativa e o resultado for positivo, nos sentiremos melhores do que o oposto, e o arrependimento também tende a ser menor.  Mas raramente criamos raciocínios contrafactuais descendentes. É o que dizia o Spielberg:  &#8221;me preparo para o pior e sou sempre surpreendido pelo melhor&#8221;. Mas enquanto o raciocínio contrafactual descendente nos torna mais gratos pelo nosso desempenho atual, o ascendente nos faz ir mais longe da próxima vez. É preciso equilíbrio entre os dois.</p>
<p><strong>Aversão ao arrependimento</strong></p>
<p>Sendo o arrependimento uma força tão significativa, é natural que, quanto maior o risco de se arrepender, maior nossa tendência a evitá-lo. Lembra do exemplo dos R$ 100,00 na <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/01/22/resenha-de-livro-o-paradoxo-da-escolha-%e2%80%93-porque-mais-e-menos-de-barry-schwartz-parte-1/" target="_blank">parte 1 da resenha</a>? Diante da opção de arriscar ganhar zero ou R$ 200,00 contra R$ 100,00 garantidos, as pessoas tendem a optar pelos R$ 100,00. Porém, se mesmo após a escolha dos R$ 100,00 a moeda for jogada, a maior parte das pessoas muda sua opção, preferindo arriscar para evitar o arrependimento certo caso o sorteio indique R$ 200,00.</p>
<p>O desejo de evitar o arrependimento gera também <em>apatia imobilista</em>. Se você viu um sofá com 30% de desconto e adiou a compra para ver se tinha outra oferta melhor, e depois, ao voltar, o desconto era apenas de 10%,  a maior parte das pessoas não compra (mesmo sendo um bom negócio), para evitar o arrependimento de não ter comprado antes. A venda ou compra de ações de empresas segue o mesmo princípio: se você não vendeu antes, mesmo caindo, você também não vende, para não se arrepender.  </p>
<p>Isso tem a ver com os custos irrecuperáveis, já discutidos em outra parte. Do ponto de vista do processo decisório, <strong>deveríamos apenas nos preocupar com o desempenho futuro</strong>, esquecendo os custos irrecuperáveis. Mas não é assim que agimos. Veja esse exemplo:  as pessoas compraram dois pacotes de esqui para o mesmo dia, um a 50 dólares e outro a 25. Após comprar, perceberam que o pacote de 25 era melhor; mesmo assim, a maior parte escolhe fazer o de 50! O investimento já feito exerce um papel importante:  os efeitos dos custos irrecuperáveis são determinados pelo desejo de evitar o arrependimento mais do que pelo desejo de evitar o prejuízo.</p>
<p>Ao tomar uma decisão, temos de pensar no desempenho futuro, e não no passado. Esse é um ensinamento fundamental desse trecho do livro.</p>
<p><strong>O problema da adaptação</strong></p>
<p>A perda de satisfação após uma escolha tem a ver também com a adaptação hedonista. Após conquistar algo, nos acostumamos com isso e o valor que atribuímos a essa conquista, decresce. Como disse Bernard Shaw, &#8220;Existem duas tragédias na vida. Uma é não conquistar o que o seu coração deseja. A outra é  conquistar&#8221;.  <strong>Quando nos adaptamos às fontes de prazer, elas deixam de ser fontes de prazer e viram simplesmente conforto. </strong>E a natureza humana busca o prazer acima do conforto. Daí a insatisfação permanente. Uma maneira de minimizar a adaptação é não banalizar experiências extraordinárias. Mesmo se você for rico, guarde aquele vinho especial para momentos especiais. Mantenha o prazer.</p>
<p>Por isso, ao se medir a felicidade de ganhadores da loteria, o índice decresce com o tempo; de outro lado, ao se medir a felicidade de pessoas que ficaram paralíticas, o índice sobe com o tempo e a diferença entre os  dois grupos, no final, não é tão grande como possa parecer. O fato de não termos consciência da adaptação hedonística só piora nossa insatisfação, pois não nos damos conta de que é normal nos adaptarmos às coisas boas e, com isso, essa adaptação, quando surge, vira uma surpresa desagradável, ainda maximizada em um mundo cheio de opções e alternativas.</p>
<p>O segredo, difícil, é reconhecer que haverá a adaptação e que os efeitos de nossas decisões não são tão grandes quanto supomos, para o bem e para o mal. Uma forma de  melhorar o bem-estar é agradecer pelo que se tem. Os indivíduos que costumam sentir e manifestar gratidão são fisicamente mais saudáveis, mais otimistas quanto ao futuro e gostam mais da vida do que os outros. E têm maior probabilidade de alcançar seus objetivos.</p>
<p><strong>A comparação prejudica tudo</strong></p>
<p> A satisfação não é determinada pela nossa experiência objetiva, mas sim pelas lacunas entre i) o que a pessoa tem e o que quer ter; ii) o que a pessoa tem e o que ela pensa que iguais a ela têm; iii) entre o que a pessoa tem e o que ela já teve no passado. Diante disso, fica evidente que a comparação é uma fonte importante de insatisfação em nossas escolhas. E à medida que o nível de bem-estar geral da sociedade cresce, mais somos induzidos a ter mais e melhor, e a desvalorizar aquilo que temos. A comparação social reduz a nossa satisfação e ajuda a explicar porque, mesmo diante do aumento da renda, nossa felicidade não cresce. Satisfação é resultado (objetivo) menos expectativa (subjetiva).</p>
<p>Em mundo cheio de opções, expectativas elevadas são contraproducentes, pois, como já vimos, é praticamente impossível escolher sempre o melhor. Assim, maximizadores, aqueles que só se contentam com o melhor, tendem a sofrer mais: uma experiência que, para alguém que se contenta com o suficientemente bom, está do lado positivo da escala hedonista, pode estar do lado negativo para um maximizador. <strong>A melhor maneira de influenciar nossa qualidade de vida é controlando nossas expectativas</strong>, o que é um desafio diante de experiências concretas cada vez melhores e de expectativas crescentes por um maior controle sobre a vida que não ocorrerá.</p>
<p><strong>A corrida pelo status</strong></p>
<p>Nossa posição relativa em meio ao grupo pesa mais do que nossa posição absoluta. As pessoas preferem ganhar US$ 50 mil por ano se os outros ganham US$ 20 mil, do que ganhar US$ 100 mil se os outros ganham US$ 200 mil! É melhor ser um peixe grande em um lago pequeno do que ser um peixe pequeno em um lago grande.</p>
<p>Há trabalhos mostrando que pessoas que se importam menos com as comparações sociais são mais felizes. Em um dos trabalhos, pessoas com maior pontuação em uma escala de infelicidade ficavam mais infelizes quando recebiam um comentário positivo e seu colega recebia um comentário ainda mais positivo; ao contrário, quando recebiam um comentário negativo mas seu colega recebia um comentário ainda mais negativo, ficavam mais felizes. Lembrei-me do filme <em>Sete Anos no Tibete</em>, que vi ontem: eu um dos trechos, diante da felicidade de um amigo, o personagem vivido por Brad Pitt se mostrou incomodado; a esposa do amigo, uma tibetana, disse-lhe: &#8220;você deve ser muito solitário e infeliz&#8221;. É esse o ponto.</p>
<p>As pessoas felizes têm maior capacidade de se distrair e seguir em frente diante, por exemplo, de comentários negativos, enquanto as pessoas infelizes tendem a remoer os problemas, se sentindo cada vez mais miseráveis.</p>
<p><strong>Impotência e depressão</strong></p>
<p>O psicólogo Seligman mostrou que um aspecto que determina a satisfação e, no espectro oposto, a depressão, é o nível de controle que as pessoas têm de sua vida, desde que nascem. Mas não é bem assim: nem todas as pessoas que experimentam uma situação de perda de controle ficam deprimidas (perda de um emprego, de um relacionamento). Isso depende de como a pessoa encara as razões para o fracasso. Há causas de natureza específica, passageira e universal, que não colocam sob você o peso do fracasso. Essas pessoas tendem a lidar melhor com a perda de controle. Por exemplo, se você se candidatou a um emprego e não levou, poderia argumentar:</p>
<p><strong>Passageira</strong>: tinha acabado de sarar de uma gripe e não tinha dormido bem. Não estava na minha melhor forma.</p>
<p><strong>Específica</strong>: de fato não conheço o tipo de produto que eles vendem. Precisaria conhecer melhor o negócio.</p>
<p><strong>Universal</strong>: provavelmente eles já tinham o candidato certo, dentro da empresa. Ninguém de fora ganharia mesmo.</p>
<p>Se, por outro lado, as pessoas optam por causas gerais, crônicas e pessoais, tendem a se sentir muito pior:</p>
<p><strong>Geral</strong>: não me expresso bem por escrito e fico nervoso nas entrevistas.</p>
<p><strong>Crônica</strong>: não tenho uma personalidade dinâmica e empreendedora.</p>
<p><strong>Pessoal</strong>: o emprego estava ali para quem quisesse pegar. Eu é que não fui capaz.</p>
<p>Aqui um ponto interessante. Os otimistas explicam seus sucessos pelas causas <span style="text-decoration:underline;">gerais, crônicas e pessoais</span>, ao passo que explicam os seus fracassos às causas <span style="text-decoration:underline;">passageiras, específicas e universais</span>. Os pessimistas fazem o oposto. São eles os candidatos à depressão. Não se trata de se vangloriar pelos sucessos e culpar o mundo pelos fracassos, mas a autocrítica exagerada provoca conseqüências psicológicas negativas.</p>
<p><strong>Individualismo crescente e auto-censura</strong></p>
<p>A maior autonomia (e liberdade) que temos hoje torna muito mais difícil a integração com a sociedade. Afinal, ao depender de outros, temos nossa autonomia restringida (ex: casamento). Além disso, o individualismo tende a jogar a culpa pelos fracassos nas pessoas, o que aumenta o índice de depressão. Somos autônomos, temos escolhas e, portanto, os fracassos são pessoais. Como já vimos, isso é uma fonte de infelicidade. É notável o fato de que os países cujos cidadãos valorizam mais a liberdade pessoal e o controle tendem a apresentar os mais altos índices de suicídio, mas também são os de maior progresso e prosperidade (mas aqui acho complicada a relação de causa e efeito, pois há diversos outros fatores envolvidos).</p>
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		<title>Sobre Muricy e Luxemburgo</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/02/13/sobre-muricy-e-luxemburgo/</link>
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		<pubDate>Fri, 13 Feb 2009 00:16:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Ernest Becker]]></category>
		<category><![CDATA[Muricy Ramalho; Vanderley Luxemburgo]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava há tempos querendo escrever sobre os dois técnicos mais vitoriosos do futebol brasileiro nos últimos anos, o Muricy Ramalho e o Vanderley Luxemburgo.  Pensei em analisar como são diametralmente opostos, inspirando sentimentos igualmente distintos. E, mesmo assim, vencedores. Cada um a sua maneira. O empurrão que faltava para escrever veio, por acaso, do programa [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=344&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="mceTemp">
<div id="attachment_346" class="wp-caption alignleft" style="width: 243px"><img class="size-full wp-image-346" title="luxemburgo" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/02/luxemburgo.jpg?w=233&#038;h=251" alt="Vanderley Luxemburgo" width="233" height="251" /><p class="wp-caption-text">Vanderley Luxemburgo</p></div>
</div>
<p>Estava há tempos querendo escrever sobre os dois técnicos mais vitoriosos do futebol brasileiro nos últimos</p>
<p>anos, o Muricy Ramalho e o Vanderley Luxemburgo.  Pensei em analisar como são diametralmente opostos, inspirando sentimentos igualmente distintos. E, mesmo assim, vencedores. Cada um a sua maneira.</p>
<p>O empurrão que faltava para escrever veio, por acaso, do programa Bem Amigos da última segunda-feira, em que Vanderley desfilava suas habituais arrogância e empáfia para os telespectadores e jornalistas que, como de costume, ficaram anestesiados, olhando fascinados para aquela figura que vive para ser o herói de si mesmo.  </p>
<p>Vanderley é o típico malandro, no sentido de malícia, e não disfarça (não vou julgar eventuais acusações que pesam contra o técnico palmeirense, e que podem ou não derivar dessa característica).  Com o ego exposto, do tamanho do mundo, se acha o tal e não tem vergonha de dizê-lo a quem cruzar seu caminho. Desperta amor e ódio, talvez das mesmas pessoas.</p>
<p>Já Muricy transita no espectro oposto. É humilde, acanhado, chega a ser sem graça. Não tem nada da prepotência do outro. Atribui seu sucesso ao trabalho duro, aos jogadores, ao clube. É o exemplo a ser seguido (será que alguém realmente segue?). Raramente &#8211; a rigor, não me lembro  de nenhuma vez &#8211; joga para si a responsabilidade da vitória. Já Vanderley&#8230; Apesar desse comportamento, e talvez por ele, Muricy é respeitado, mas não exerce o que se pode chamar de fascínio. Não é o tipo de pessoa que vira conversa de bar, fonte de debates acalorados. É alguém que consegue resultados, e nada mais.</p>
<p>Isso é interessante. Luxemburgo, com todo o seu egocentrismo explícito, atrai mais do que Muricy, com toda a sua correção inatacável. Peguei-me a pensar o porquê disso. Em uma análise racional e seca, Muricy deveria ser muito mais admirado do que o Luxa.  Talvez seja pelo fato dos &#8220;malandros&#8221; quererem mais da vida, como <a href="http://blog.oquederevier.com/2008/12/07/lideranca-uma-outra-abordagem/" target="_blank">já escrevi citando Paul Auster</a> no ótimo Desvarios no Brooklin. Na hora do vamos ver, as pessoas preferem os malandros que vão mais longe do que os certinhos que hesitam. Os malandros, segundo o livro de Auster, têm mais fome de vida, e são esses que escolhemos como líderes.</p>
<p>Mas achei em Ernest Becker uma possível resposta, mais embasada. Ele diz que somos narcisistas e que quando nos preocupamos com alguém, em geral é conosco. O próprio corpo evoluiu para se bastar, tanto que o principal risco de um transplante salvador é a rejeição do organismo que justamente necessita do novo órgão. Ele diz ainda que  &#8221;no homem, um nível prático de narcisismo é inseparável da auto-estima, de um sentimento básico de valorização de si mesmo&#8221;.</p>
<p>Becker coloca que, na infância, a luta pelo amor-próprio encontra-se na fase menos disfarçada. A criança não tem vergonha daquilo que mais precisa e mais quer. <em>É o âmago do ser, o desejo de se destacar, de ser algo na criação, ser um herói, dar a maior contribuição possível para a vida finita, mostrar que vale mais do que qualquer coisa ou pessoa.</em>  Ele lembra que, na sociedade atual, disfarçamos essa busca pelo heroísmo, que é motivo de crítica e vergonha (como disse o Caetano Veloso, &#8220;Vaca profana, põe teus cornos, Pra fora e acima da manada&#8230;&#8221;),  tendo mais dinheiro, um carro melhor, uma casa maior.</p>
<p>Posto isso, será que Muricy é mais honesto, psicologicamente falando, do que Vanderley? Será que é realmente essa pessoa humilde e desprovida de ego como aparenta ser? Ou sua vontade de se destacar é tão grande quanto a do outro, mas está disfarçada numa politicamente correta humildade?</p>
<p>Becker diz que a ânsia pelo heroísmo é natural, e admiti-la é um gesto de honestidade.  Nesse sentido, por mais paradoxal que seja, Luxemburgo é mais honesto do que Muricy, com toda a sua correção. Por isso, creio, ele é motivo de ira e, ao mesmo tempo, de fascínio. Ele incomoda. De certa forma, ele expõe nossos instintos mais autênticos, aquilo que efetivamente somos, para o bem (sim, o heroísmo, claro, tem seu lado iluminado) e para o mal. Luxemburgo é o ser humano em sua essência, ao passo que Muricy é o produto da sociedade que reprime.</p>
<p>Em tempo: acho o Luxemburgo um tanto repugnante, sou sampaulino e muito satisfeito com o trabalho do Muricy. Mas, admito agora, ele é mais humano do que Muricy, com tudo de bom e de mal que isso possa significar.</p>
<div class="mceTemp">
<dl class="wp-caption "><img class="size-full wp-image-345" title="muricy" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/02/muricy.jpg?w=193&#038;h=253" alt="Muricy Ramalho" width="193" height="253" />
<dt class="wp-caption-dt"></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Muricy Ramalho</dd>
</dl>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/344/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/344/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/344/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/344/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/344/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/344/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/344/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/344/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/344/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/344/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/344/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/344/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/344/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/344/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=344&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Resenha de livro: O Paradoxo da Escolha – porque mais é menos, de Barry Schwartz, parte 2</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/01/31/resenha-de-livro-o-paradoxo-da-escolha-%e2%80%93-porque-mais-e-menos-de-barry-schwartz-parte-2/</link>
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		<pubDate>Sat, 31 Jan 2009 20:13:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Business]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[marketing]]></category>
		<category><![CDATA[Barry Schwarcz]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>
		<category><![CDATA[Paradoxo da Escolha]]></category>

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		<description><![CDATA[Voltemos à resenha do livro do Barry Schwartz, que trata dos efeitos dos excessos de opções que temos hoje em dia. Se você não leu, leia aqui a parte 1 da resenha. Teoria da Expectativa, de Kahneman e Tversky Entramos, nesse ponto, em um aspecto bastante interessante do comportamento humano e que, em grande parte, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=301&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Voltemos à resenha do livro do Barry Schwartz, que trata dos efeitos dos excessos de opções que temos hoje em dia. Se você não leu, <a href="http://blog.oquederevier.com/2009/01/22/resenha-de-livro-o-paradoxo-da-escolha-%e2%80%93-porque-mais-e-menos-de-barry-schwartz-parte-1/" target="_blank">leia aqui a parte 1 da resenha</a>.</p>
<p><strong></strong></p>
<p><strong><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-306" title="paradoxo_da_escolha2" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/paradoxo_da_escolha2.jpg?w=64&#038;h=96" alt="paradoxo_da_escolha2" width="64" height="96" /></strong></p>
<p><strong>Teoria da Expectativa, de Kahneman e Tversky</strong></p>
<p>Entramos, nesse ponto, em um aspecto bastante interessante do comportamento humano e que, em grande parte, explica nossa dificuldade em lidar com escolhas (e com as perdas que sempre acompanham uma escolha). Suponha que uma pessoa possa escolher entre <strong>ganhar R$ 100,00</strong> ou arriscar a sorte em uma moedinha e <strong>ganhar R$ 200,00 ou zero</strong>. A maioria das pessoas (de fato, com todas que eu falei!) preferirão garantir os R$ 100,00 a tentar a sorte.</p>
<p>Suponha agora um cenário de perda: a pessoa pode optar por <strong>perder R$ 100,00</strong> ou arriscar a sorte e perder <strong>R$ 200,00 ou zero</strong>. O que as pessoas escolhem? A maioria (idem, com todas que eu falei) prefere arriscar a sorte e tentar não perder nada.</p>
<p>Porque isso ocorre? Os psicólogos Kahneman e Tversky elaboraram uma explicação chamada <strong>Teoria da Expectativa</strong>. Eles verificaram, inicialmente, que o efeito subjetivo de uma perda é maior do que o de um ganho. Veja o gráfico abaixo, que mostra que a inclinação da curva do lado das perdas (<em>losses</em>) é maior do que do lado dos ganhos.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-300" title="teoriadasexpectativas" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/teoriadasexpectativas.jpg?w=499&#038;h=299" alt="teoriadasexpectativas" width="499" height="299" /></p>
<p>Eles perceberam também que a satisfação de se ganhar, por exemplo, R$ 200,00, não é o dobro da satisfação de se ganhar R$ 100,00 (veja também o gráfico). É o <strong>princípio da utilidade marginal decrescente</strong>, que os economistas usam. Em função disso, as pessoas tendem a ser “<span style="text-decoration:underline;">avessas ao risco</span>” quando se trata de ganhar. São conservadoras para ganhar.</p>
<p>E no caso das perdas? Ocorre o que se chama <strong>desutilidade marginal marginal descrecente das perdas</strong>. Perder os primeiros R$ 100,00 é pior do que perder os dólares seguintes. Assim, embora perder R$ 200,00 é objetivamente o dobro de se perder R$ 100,00, subjetivamente isso não ocorre. Assim, as pessoas arriscam para evitar perder qualquer coisa, ainda que isso implique em procurar o risco. De certa forma, as pessoas são <span style="text-decoration:underline;">agressivas para perder</span>. (Não sei não, mas acho que quem fizer o oposto acaba se dando bem melhor&#8230;).</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-302" title="moeda" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/moeda.jpg?w=300&#038;h=224" alt="moeda" width="300" height="224" /></p>
<p>Se você ganha um brinde e pode trocar com os colegas, dificilmente o faz. Isso ocorre em função do sentimento de posse: como perder tem um peso maior do que ganhar, você tende a não trocar. Isso explica porque muitas empresas oferecem a possibilidade de devolução: o número real de pessoas que devolve o produto é pequeno; fruto do efeito da posse.</p>
<p>Há inúmeros outros exemplos de como as perdas têm efeitos importantes em nossas decisões. Se comprarmos um ingresso para um show e, no dia, estamos doentes, tendemos a nos arrastar assim mesmo para o show, ainda que não tenhamos nenhuma diversão, pois ficar em casa significa perder o dinheiro, e já sabemos que perder tem um efeito subjetivo muito ruim. É o efeito dos “custos irrecuperáveis” agindo: todo mundo tem uma roupa que não vai mais usar e, mesmo assim, não joga fora ou doa. Principalmente se a roupa for cara.</p>
<p><strong>O problema do maximizador</strong></p>
<p>Já sabemos que o excesso de opções é um problema e que nossa capacidade inerente de escolher já não é lá essas coisas, sofrendo diversas influências subjetivas. Decidir, portanto, não é uma tarefa fácil.</p>
<p>Há, porém, um tipo de pessoa que sofre mais do que os outros. Trata-se do maximizador, aquele para quem só o melhor satisfaz. Como escolher o melhor é uma tarefa cada vez mais trabalhosa e em alguns casos impossível, o maximizador sofre. Talvez até escolha melhor do que quem se contenta com o <em>suficientemente bom</em> (que, ao encontrar algo que o satisfaz, interrompe a busca), mas certamente o prazer de sua escolha será menor.</p>
<p>Barry mostra que o índice de depressão entre maximizadores é superior ao verificado na média da população, assim como o índice de arrependimento após a compra. Os maximizadores se mostraram, em pesquisas, menos satisfeitos com a vida e menos felizes. Há, assim, uma <strong>correlação entre maximização e infelicidade</strong>: aprender a escolher o suficiente bom pode ser a melhor estratégia para ser feliz e aproveitar a vida. No fim, não interessam os <em>resultados objetivos</em> de nossas escolhas, mas sim os <em>resultados subjetivos</em>: como nos sentimos em relação a elas.</p>
<p><strong>Escolha, renda e felicidade</strong></p>
<p>Toda escolha é uma demonstração de autonomia e do nosso sentido de auto-determinação. Nossas escolhas dizem muito sobre nós mesmos. Não poder escolher, não estar no controle, gera conseqüências terríveis, inclusive afetar a motivação para experimentar. Deveríamos, então, aumentar nosso bem-estar à medida que a possibilidade de escolher também cresce. Mas isso não ocorre. Porque?</p>
<p>Com o maior número de opções, nossas expectativas também crescem. Além disso, com o maior número de opções, acabamos justamente perdendo o controle, o que também nos leva à impotência, assim como no caso da falta de escolha. A escolha passa a ser um ônus.</p>
<p>Barry comenta brevemente a relação entre riqueza e felicidade. Após as necessidades básicas terem sido atingidas, não há diferença na percepção subjetiva de felicidade. O índice subjetivo de felicidade, por exemplo, é igual na Polônia e no Japão, apesar deste último ter renda 10 vezes maior. O que traz felicidade, segundo os trabalhos, é a <strong>capacidade de se relacionar com a sociedade, família e amigos</strong>, mas não se sabe qual é a relação de causa e efeito nesse caso. Ele comenta que ter amigos e família significa <em>reduzir</em> nossa liberdade de escolha, o que é paradoxal, pois o que mais parece contribuir para a felicidade nos limita em vez de nos libertar.</p>
<p>Ele cita trabalhos que mostram, na verdade, uma redução no nível de bem-estar, traduzida pelo aumento dos índices de estresse, depressão, divórcios, etc. Ele diz que <strong>o preço pago pelo aumento da riqueza e da variedade de opções é passarmos menos tempo com os outros e termos laços sociais mais frágeis</strong>. Não temos mais tempo, temos outras prioridades que aparentemente trazem felicidade, mas carecemos de relacionamos íntimos, verdadeiros (nota: no livro <a href="http://blog.oquederevier.com/2008/12/14/critica-de-livro-outliers-fora-de-serie-de-malcolm-gladwell/" target="_blank">Fora de Série, Malcolm Gladwell</a> - leia aqui minha resenha sobre ele - faz uma introdução falando justamente sobre uma comunidade nos EUA que tinha alta expectativa de vida em função da interação social). Nos sacrificamos pelos nossos desejos, pelo que queremos; não necessariamente pelo que gostamos ou pelo que de fato precisamos.</p>
<p><strong>Custos de oportunidade</strong></p>
<p>Os <em>custos das oportunidades </em>perdidas (mais um conceito da economia) contribuem para aumentar o sofrimento em nossas escolhas, em especial se temos muitas opções. Cada oportunidade (ex: para onde vou viajar nas férias) tem vantagens e desvantagens; dificilmente haverá uma alternativa melhor em tudo. Assim, ao escolher uma delas, implicitamente estamos abdicando de outras – com suas vantagens específicas, o que nos gera um custo emocional. Desta forma, a <strong>desejabilidade da opção escolha preferida é reduzida</strong>, quanto maior for o número de alternativas. Com isso, nossa <strong>satisfação</strong> com a opção escolhida <strong>diminui.</strong></p>
<p><strong>Trocas compensatórias</strong></p>
<p>Quase todas as decisões envolvem o que se chama de <strong>trocas compensatórias</strong>. Devo comprar um carro mais caro, mas que é mais seguro, ou um mais barato menos seguro? As pessoas se sentem infelizes diante da necessidade de fazer trocas compensatórias e, muitas vezes, adiam ou evitam a decisão. Em um dos trabalhos, uma % elevada de pessoas compraria um aparelho de som em oferta; porém, ao se colocar uma segunda opção com preço e qualidade diferentes, envolvendo a necessidade de uma troca compensatória, a % de pessoas disposta a comprar um ou outro, somadas, caiu!</p>
<p>Quando as pessoas se vêem diante de alternativas que envolvem trocas compensatórias geradoras de conflito, <em>todas as opções perdem atratividade</em> (<span style="text-decoration:underline;">e nossa disposição em pagar por elas também cai – interessante</span>!).</p>
<p>Esse comportamento recebe influência do efeito maior que as perdas nos causam, quando comparadas aos ganhos: os custos emocionais de eventuais decisões erradas, das opções que descartamos serem melhores do que a que escolhemos, podem ser maiores do que os ganhos emocionais da opção escolhida. E, para complicar, sob esse potencial desconforto que envolve a escolha, nossa capacidade de tomar boas decisões, piora!</p>
<p>Voltando ao trabalho anterior, quando a segunda opção era claramente inferior, não envolvendo uma troca compensatória, as vendas totais do primeiro produto foram as mais altas de todas. Nesse caso, a alternativa ruim reforçou a confiança das pessoas na qualidade do primeiro produto, fazendo com que mais pessoas comprassem. Veja os resultados do trabalho na tabela abaixo.</p>
<p>Interessante: será que é viável ofertar um produto nitidamente inferior, para facilitar a escolha dos demais?</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-303" title="sony" src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/sony.jpg?w=500&#038;h=176" alt="sony" width="500" height="176" /></p>
<p>Na próxima etapa da resenha desse belo livro, falaremos sobre o arrependimento, sobre a adaptação hedonística (nos acostumamos com aquilo que conquistamos e isso reduz nosso prazer com o tempo) e sobre a comparação social. Até lá!</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/301/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/301/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/301/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/301/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/301/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/301/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/301/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/301/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/301/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/301/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/301/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/301/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/301/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/301/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=301&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>A crise na mente das pessoas, sob a ótica de Darwin e da psicologia</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Jan 2009 20:50:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esporte]]></category>
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		<description><![CDATA[Tive ontem uma aula diferente e muito boa sobre Crise, no curso Crise: na Economia, na História e na Mente, na Casa do Saber (meu pai tem razão &#8211; esse nome Casa do Saber é de doer&#8230;). A aula, dada pelo filósofo Luis Felipe Pondé (Professor da PUC-SP e da Faap e professor convidado da [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=287&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tive ontem uma aula diferente e muito boa sobre Crise, no curso <a href="http://www.casadosaber.com.br/curso.php?cid=1184">Crise: na Economia, na História e na Mente</a>, na <a href="http://www.casadosaber.com.br/main.php">Casa do Saber</a> (meu pai tem razão &#8211; esse nome Casa do Saber é de doer&#8230;). A aula, dada pelo filósofo <strong>Luis Felipe Pondé</strong> (Professor da PUC-SP e da Faap e professor convidado da pós-graduação da Escola Paulista de Medicina) abordou a crise na mente das pessoas.</p>
<div id="attachment_288" class="wp-caption alignnone" style="width: 290px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/ponde.jpg?w=280&#038;h=367" alt="Luiz Felipe Pondé" title="ponde" width="280" height="367" class="size-full wp-image-288" /><p class="wp-caption-text">Luiz Felipe Pondé</p></div>
<p>Ele começou citando o livro A Negação da Morte, de Ernest Becker, antropólogo que ganhou o Prêmio Pulitzer em 1974, fazendo a ponte entre Darwin e a psicanálise (isso me interessou – e já comprei o livro). “Imagine você há 100 mil anos. Um dia você acorda e é o primeiro ser humano a ter consciência de que mais cedo ou mais tarde, vai morrer”, disse. Segundo ele, a partir daí o ser humano tem que conviver com a inviabilidade de sua existência (afinal, para que viver se vai morrer?), sobre a falta de sentido da vida; caminha permanentemente à beira do abismo. Sabe que seu corpo vai durar mais do que ele e carrega esse peso a vida toda.</p>
<p>O ser humano sabe demais. Sabemos mais do que deveríamos, mas menos do que precisamos. Essa consciência da finitude da vida gera um estado permanente de crise na mente das pessoas. Convivemos com a crise em nosso plano estrutural.  Interessante, não?</p>
<div id="attachment_289" class="wp-caption alignnone" style="width: 322px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/becker.jpg?w=312&#038;h=383" alt="Ernest Becker" title="becker" width="312" height="383" class="size-full wp-image-289" /><p class="wp-caption-text">Ernest Becker</p></div>
<div id="attachment_290" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/a-negacao-da-morte.jpg?w=300&#038;h=482" alt="A Negação da Morte" title="a-negacao-da-morte" width="300" height="482" class="size-full wp-image-290" /><p class="wp-caption-text">A Negação da Morte</p></div>
<p>Em seguida, ele discutiu a questão da modernidade e da pós-modernidade. O que define a modernidade é o fato de passarmos a viver (após a Revolução Francesa) de acordo com várias esferas distintas. Hoje, exercemos vários papéis que são compartimentalizados: alguém que é muito religioso, por exemplo, não vai levar essa crença para o trabalho; sabe separar. Precisa. Antes da modernidade, isso não existia. Fazíamos parte de algo único, meio místico e, importante, controlado pela religião e por Deus, seja lá qual for o seu Deus. </p>
<p>Na era moderna, isso mudou. Os pontos críticos dessa mudança foram i) a constatação de que o homem era melhor do que Deus para resolver as questões de justiça e ii) o desenvolvimento científico, que aumentou o conhecimento do homem a respeito de si e do ambiente em que vive, fazendo com que acreditasse mais nos seus recursos. Citando uma passagem de Goethe (Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister), ele mostra que a partir do Renascimento, o homem chama para si a responsabilidade sobre as coisas e diminui o peso do misticismo. É o início da era da competência, da técnica, em que os Estados Unidos são o exemplo mais evidente de sucesso. </p>
<p>O mundo hoje exige eficiência máxima, sucesso o tempo todo;  segundo ele, o aumento dos índices de depressão no mundo, apesar do maior bem-estar coletivo (e melhores condições de renda) pode ser reflexo dessa pressão. Acho que aqui cabe também uma contribuição do <a href="http://marcelopcarvalho.wordpress.com/2009/01/22/resenha-de-livro-o-paradoxo-da-escolha-%e2%80%93-porque-mais-e-menos-de-barry-schwartz-parte-1/">Paradoxo da Escolha</a>: o maior número de opções de consumo, piorando nossa capacidade de decisão, elevando as possibilidades de arrependimento e reduzindo o prazer obtido com nossas escolhas, é um fator adicional que contribui para a maior depressão.</p>
<p>Ocorre, porém, que sabemos que não podemos ser bem sucedidos 100% do tempo. Sabemos que fracassaremos em algum momento. E isso é fonte adicional de crise na mente. Ele lembra que a crise atual é uma crise de crédito, que vem de “crer”: perdeu-se essa confiança na onipotência do homem. Conjectura minha: talvez pelo fato da crise ter ocorrido nos Estados Unidos, país em que o culto à competência atinge níveis máximos, a dimensão psicológica da crise tenha se acentuado. </p>
<p>[parêntesis: achei legal que várias coisas sobre os EUA que eu tinha escrito no post <a href="http://marcelopcarvalho.wordpress.com/2008/12/03/um-americano/">Um Americano</a>, lá no início do blog, ele também acha.]</p>
<p> Ele coloca que nessa busca pela competência a todo custo, forçada pelo mercado, cada vez mais competitivo, mais rápido, com mais opções de consumo, mais excludente, tendemos a nos sacrificar pelo nosso desejo, que nos controla. Nunca é suficiente, sempre precisamos de mais. No final, nos sacrificamos por nós mesmos, o que gera um sentimento de claustrofobia e de solidão. Estamos todos sós, sensação que é ampliada à medida que fica claro que as utopias modernas não se realizarão (fim do socialismo com a queda do Muro de Berlim; fim da utopia do mercado soberano com a crise atual). O narcisismo se amplia: precisamos cada vez mais da aprovação dos outros. </p>
<p>Ele coloca ainda que a liberdade, um dos valores fundamentais da modernidade, traz como contrapartida a autonomia e a solidão. Ser livre é não ter amarras; só não se tem amarras se somos sós (Aqui fiquei pensando se o crescimento das redes sociais não seria uma reação a esse sentimento de solidão, de fim da utopia pós-moderna). </p>
<p>Pondé afirma que o mundo atual nos força a focar, perdendo a capacidade de compreender todo o resto. Em um momento de crise, somos forçados a olhar para coisas que não olhávamos, somos forçados a romper com nosso foco que, afinal, não deu certo (interessante). </p>
<p>Por isso, a bolha econômica era, antes de tudo, uma bolha psicológica e filosófica: a crença equivocada de que o homem moderno tem recursos infinitos e resolverá sempre tudo.   </p>
<p>A precariedade subjetiva embutida no narcisismo crescente se radicaliza quando há precariedade econômica.  E, à medida que as utopias vão caindo, a precariedade subjetiva aumenta, daí o maior narcisismo. </p>
<p>No final, há um consolo, em Darwin. Aprendemos a conviver com a inviabilidade da vida. Fomos selecionados para tolerar esse conflito, que fica abafado em nossa consciência, caso contrário não poderíamos viver. Temos de mentir para nós mesmos (auto-engano?), a mentira mais efetiva que há. Há um ganho darwinista, mas um custo psíquico considerável, uma energia gasta para conviver com o fato de que, ao final, a vida não dará certo. </p>
<p>Somos a espécie adaptada a saber que a vida é inviável e sobrevivemos a isso. Não sabemos se amanhã estaremos vivos, mas acreditamos nisso e vivemos com essa “verdade”. Temos coragem de ir em frente. No final, tudo é uma questão de coragem, como já dizia Aristóteles: a coragem garante todas as outras virtudes. A propósito, como bem lembrou Pondé, o lema dos Estados Unidos: <strong>terra dos livres e lugar dos corajosos</strong> (“<em>land of the free and the home of the brave</em>”). </p>
<p>Enfim, muito bom. E Darwin para mim é o cara. A idéia de que todos os seres vivos derivaram de uma única célula é incrivelmente simples e poderosa. </p>
<div id="attachment_291" class="wp-caption alignnone" style="width: 313px"><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/charles_darwin.jpg?w=303&#038;h=400" alt="Charles Darwin" title="charles_darwin" width="303" height="400" class="size-full wp-image-291" /><p class="wp-caption-text">Charles Darwin</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/287/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=287&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Ensaio sobre o esqui. Mais precisamente, sobre o ski lift</title>
		<link>http://blog.oquederevier.com/2009/01/24/ensaio-sobre-o-esqui-mais-precisamente-sobre-o-ski-lift/</link>
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		<pubDate>Sat, 24 Jan 2009 14:32:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>marcelopcarvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Esporte]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Esqui]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Muita gente não gosta daquele tempo perdido no ski lift, subindo vagarosamente até o ponto em que reside a verdadeira razão de se estar ali. É uma espera inútil, o preço que se paga para a diversão que se seguirá. Discordo. Aquele momento no ski lift é o que torna especial a esperada descida que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=250&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/cimg1745.jpg?w=500&#038;h=375" alt="cimg1745" title="cimg1745" width="500" height="375" class="alignnone size-full wp-image-251" /></p>
<p>Muita gente não gosta daquele tempo perdido no ski lift, subindo vagarosamente até o ponto em que reside a verdadeira razão de se estar ali. É uma espera inútil, o preço que se paga para a diversão que se seguirá. </p>
<p>Discordo. Aquele momento no ski lift é o que torna especial a esperada descida que o sucede. A começar pelo mais evidente: a demora, a lentidão do processo valoriza a etapa seguinte, o prazer proporcionado pelo esqui. Não se pode apressar essa etapa, nem evitá-la. Não é possível ir para o céu sem antes morrer&#8230; paciência! </p>
<p>Mas o mais evidente nesse caso nem é o principal. Ganhando altura, no silêncio, às vezes com neve, às vezes com chuva. Quase sempre com o frio batendo na cara, sem que nada se possa fazer.  Esperar e refletir. Emoções opostas: de um lado, a satisfação pela decisão tomada: mudar de patamar, arriscar-se. De outro, o temor natural que o desconhecido nos causa, a cada instante mais próximo. Para chegar ali, já medimos a montanha; medimos aqueles que subiram antes de nós. Será que são como nós, ou melhores? Olhamos para dentro. De alguma forma, julgamos que poderíamos dar aquele passo. Nem sempre damos. Ainda bem que temos várias horas, com sorte vários dias, para medir a montanha e compará-la a nossa capacidade. Ou a nossa coragem, que em grande parte define até onde podemos ir.  </p>
<p>Mesmo quando o destino são pistas já conhecidas, o ski lift tem esse significado. Mesmo pistas conhecidas podem apresentar novos desafios, pode-se descer mais rápido, com mais técnica, de um jeito diferente. É possível nunca haver repetição e sempre haver algum novo desafio.</p>
<p>Mas o verdadeiro sentido do ski lift se mostra quando se decide subir até onde só há pistas desafiadoras para o seu nível.  O trajeto para o topo é normalmente solitário. Um número relativamente pequeno de pessoas escolhe esse caminho (como na vida? não, na vida não há topo; se há, quem pode definir?). Mesmo que tenha mais gente subindo, é um momento de introspecção. De enfrentamento de nossos medos. Ali, é preciso acumular o que falta de coragem para a próxima etapa, agora inevitável: a escolha já foi feita. O topo é o lugar dos experts ou de gente que se arrisca a fazer mais do que deveria e, com surpresa, acaba fazendo e descobrindo que pode ir mais longe. Em topo que se preze, as pistas são sempre difíceis ou muito difíceis. O tempo via de regra castiga e é instável; a visibilidade tende a ser ruim. Tudo conspira contra. E mesmo assim&#8230;</p>
<p>Em uma ocasião, subi com um casal de argentinos, mais velho. O esqui não tem idade. Não se via mais do que 5 metros. Mesmo assim, era possível sentir que estávamos no topo. O mundo ficara lá embaixo.  O argentino, percebendo minha apreensão diante daquela cegueira branca, me disse para segui-lo: “Quando você passar pela placa número 9, coloque os esquis paralelos, apontando para baixo, e ganhe toda a velocidade possível, mesmo sem ver nada, caso contrário você não conseguirá subir; depois, a pista tem uma forte elevação”. É preciso aprender a confiar sem ver. </p>
<p>Em direção ao topo faz-se amizades verdadeiramente sinceras que duram não mais do que dez minutos, entre pessoas improváveis, que nunca teriam qualquer proximidade caso pudessem escolher. Certa vez subi com um carioca, <em>snowboarder</em>, que era minha absoluta antítese. O único ponto em comum que tínhamos era estar ali. Pensando bem, era o suficiente para que houvesse uma conexão: longe de tudo, no frio, naquela pista, naquele exato momento, indo atrás das mesmas coisas. Ou de coisas distintas, mas usando os mesmos meios. Dá no mesmo. Talvez não fôssemos tão diferentes assim naquilo que realmente importava.</p>
<p>Chegamos ao topo, deserto. Eu e o carioca. Ventava forte. Descemos do ski lift em silêncio, assimilando aquele momento, até que alguém perguntou: “Você vai para onde?” Havia duas possibilidades de descer. Logo percebemos: iríamos para lados opostos, como faríamos em tudo o mais na vida, exceto naquele breve momento em que dividimos a subida e compartilhamos as mesmas expectativas. “Boa sorte”, falou. Desejar boa sorte era a medida exata do que enfrentaríamos. Desejei o mesmo a ele, com toda sinceridade possível. Éramos solidários no desafio e o desejo de boa sorte, de alguma forma, aumentava nossa confiança. Pelo menos, a minha.</p>
<p>Virei-me e fui lentamente para o início de minha descida, fitei as placas pretas (lamentei não serem de qualquer outra cor!) indicando a pista, encarei o precipício que tentava me convencer a partir. Olhei para os lados, ninguém. Não havia alternativa, pensei. Até havia, mas não poderia me trair. Naquele instante em que os pensamentos e temores se perdem, dando lugar a um breve vácuo, coube a coragem. Parti, sabendo que não seria mais o mesmo ao chegar ao ponto final. </p>
<p>(Quantas vezes não buscamos o precipício e da matéria resultante disso nos fortalecemos e moldamos nossa trajetória? O esqui é a metáfora da vida. O ski lift é o caminho já tomado, o ponto sem volta. Com suas incertezas e medos; com suas expectativas e esperanças).</p>
<p><em>“Ninguém descobre novas terras sem consentir em perder de vista a costa por um longo tempo.” André Gide</em></p>
<p>Obs: você pode <a href="http://www.flickr.com/photos/34152813@N08">acessar minhas fotos no Flickr</a> e ver algumas fotos selecionadas que tirei em estações de esqui e redondezas no álbum <a href="http://www.flickr.com/photos/34152813@N08/sets/72157612525772741/">Meus lugares no mundo</a>.</p>
<p><img src="http://marcelopcarvalho.files.wordpress.com/2009/01/dsc02397.jpg?w=500&#038;h=375" alt="dsc02397" title="dsc02397" width="500" height="375" class="alignnone size-full wp-image-252" /></p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/marcelopcarvalho.wordpress.com/250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/marcelopcarvalho.wordpress.com/250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/marcelopcarvalho.wordpress.com/250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/marcelopcarvalho.wordpress.com/250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/marcelopcarvalho.wordpress.com/250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/marcelopcarvalho.wordpress.com/250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/marcelopcarvalho.wordpress.com/250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/marcelopcarvalho.wordpress.com/250/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/250/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/marcelopcarvalho.wordpress.com/250/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=blog.oquederevier.com&amp;blog=5679249&amp;post=250&amp;subd=marcelopcarvalho&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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